Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Oliveira. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Rui Oliveira. Mostrar todas as mensagens

2 de fevereiro de 2021

Os portugueses no World Tour

Portugal está em 2021 representado por mais um ciclista no World Tour, comparativamente com o ano passado. É mais um jovem a chegar ao mais alto nível, desta feita pela mão da Cofidis. André Carvalho junta-se assim a um grupo de talentos nacionais que se vão afirmando, com João Almeida a centrar muitas das atenções em 2021 e com Ruben Guerreiro à procura de mais vitórias como as que alcançou na Volta a Itália de boa memória para os portugueses. Temos ainda o trio da UAE Team Emirates e um dos melhores gregários do pelotão internacional, que está de olho numa medalha olímpica.

© Team Cofidis
André Carvalho, 23 anos, Cofidis

1ª época no World Tour

Para André Carvalho foi importante saber ver que nem sempre ir para fora cedo é a melhor opção. Em 2017, a experiência na Cipollini Iseo Serrature Rime ASD não foi a esperada, pelo que regressou à então Liberty Seguros-Carglass. Uma decisão acertada já que a boa temporada acabou por ser uma ajuda para dar o salto para a Hagens Berman Axeon. Dois anos na equipa americana e Carvalho foi o quinto português a "formar-se" na estrutura de Axel Merckx e saltar para o World Tour. 100% de taxa de sucesso, sucedendo a Ruben Guerreiro, os gémeos Oliveira e João Almeida. Pela primeira vez a Cofidis contrata um português, com o objectivo de o colocar a trabalhar para os líderes, principalmente nas clássicas. Os quintos lugares no Paris-Roubaix e Liège-Bastogne-Liège de sub-23 contribuem para que seja a escolha inicial de como a Cofidis pretende aproveitar as capacidades do português. Contudo, com a possibilidade de continuar a evoluir como trepador, Carvalho poderá, mais à frente, ir além da missão que agora lhe é atribuída. Abrem-se as portas que o ciclista de Famalicão tanto queria e, com contrato apenas para 2021, todas as corridas são essenciais para mostrar que é mais um jovem talento de Portugal que merece estar ao mais alto nível.

© UAE Team Emirates
Ivo e Rui Oliveira, 24 anos, UAE Team Emirates

3ª época no World Tour

Apesar das muitas corridas canceladas devido à pandemia, 2020 acabou por ser o ano de afirmação para os gémeos Oliveira. Surgem juntos neste texto não só por serem irmãos na mesma equipa, mas porque na época passada deram ambos um passo em frente na carreira, muito devido a não terem tido qualquer problema físico que os afastasse das competições, como aconteceu no passado. Se inicialmente foi Rui quem se foi mostrando mais na preparação dos sprints, Ivo seguiu o exemplo e a chamada para a Volta a Espanha foi uma oportunidade que não desperdiçaram. Excelente trabalho dos gémeos! Para 2021 espera-se que, mesmo não sendo para Jasper Philipsen que vão trabalhar (o belga saiu para a Alpecin-Fenix), possam tornar-se em homens de confiança para as principais figuras da equipa no sprint e nas clássicas. E nos planos estão grandes corridas para ambos. Depois da Vuelta em 2020, Ivo - que também trabalha para se tornar num contra-relogista de referência - está apontado ao Tour, mas até lá tem: Omloop Het Nieuwsblad, Kuurne-Bruxelles-Kuurne, Tirreno-Adriatico, Volta à Romandia e Critérium du Dauphiné. Rui foi o primeiro português no World Tour a estrear-se em 2021, com o 39º lugar no Grand Prix Cycliste la Marseillaise. Está apontado ao Giro e antes tem o Paris-Roubaix no calendário. Juntos, apenas está previsto, para já, a presença na Clássica de Almería, caso se realize a 14 de Fevereiro (a maioria das corridas espanholas estão a ser canceladas).

© Deceuninck-QuickStep
João Almeida, 22 anos, Deceuninck-QuickStep

2ª época no World Tour

Fabulosa estreia ao mais alto nível! Agarrou a oportunidade de se mostrar na Volta a Itália como o grande ciclista que por cá há muito se sabia que tinha tudo para ser, desde os seus tempos de formação. Apesar da idade, a sua mentalidade é de um atleta de muita maturidade. A senda de rosa catapultou-o para a ribalta, ainda que não fosse um total desconhecido. Os bons resultados na Hagens Berman Axeo e já tendo feito estágios com a Deceuninck-QuickStep, faziam dele um corredor a ter em atenção. Começou como um leal gregário de Remco Evenepoel, mas depois do Giro... atenção como figura principal não lhe vai faltar. Em mais um exemplo de maturidade, João Almeida recusa entrar em euforias. Olha para o futuro e para o que tem de fazer para continuar a subir na hierarquia dos melhores do mundo. Para já, apenas se conhece que a Volta a Espanha é a escolha para 2021, mas até lá, João Almeida terá uma temporada de crescimento - sim, ainda vai progredir mais -, pois se na sua estreia no Giro não baixou os braços para tentar segurar a camisola rosa, alcançando um histórico quarto lugar, a única certeza que se tem quanto ao que pode fazer, é que a exibição na Volta a Itália foi apenas o início de uma história que terá muitos e bons capítulos.

© Movistar Team
Nelson Oliveira, 31 anos, Movistar

11ª época no World Tour

Vai para a sexta temporada com a Movistar e apesar da equipa ter uma tendência para viver algumas tempestades pela forma como gere os seus líderes, quando se fala de regularidade, Nelson Oliveira tem de surgir à cabeça. Simplesmente não sabe correr mal. Para 2021 há surpresas no calendário do ciclista, sempre muito apontado ao Tour e Vuelta, sendo que depois das quedas que lhe estragaram temporadas no Paris-Roubaix, ainda não é desta que regressa. Desta feita, a primeira metade da temporada terá foco em Itália, com o Giro em mente. Será a terceira presença, depois de 2012 e 2013. Trofeo Laigueglia, Strade Bianche, Tirreno-Adriatico e depois uma curta viagem à Suíça para a Volta à Romandia é o plano inicial de Nelson Oliveira, que mais à frente terá os Jogos Olímpicos como um grande objectivo. Vai atacar a conquista de uma medalha na sua especialidade, o contra-relógio.

© EF Pro Cycling (fotografia de 2020)
Ruben Guerreiro, 26 anos, EF Education-Nippo

5ª época no World Tour

O mais irreverente dos portugueses no World Tour encontrou finalmente a equipa que lhe dá a liberdade que gosta, mas com a estrutura que também precisa para alcançar os feitos que era esperados desde os tempos de formação. Em 2020 confirmou que a exibição na Vuelta na época anterior não tinha sido um acaso e foi ao Giro tornar-se no rei da montanha e vencer uma etapa. História para o ciclismo português, com Acácio da Silva a já não ser a única referência da grande volta italiana. Os seus directores parecem ter encontrado a receita para que o Guerreiro acredite cada vez mais nas suas capacidades, indo progredindo tacticamente. Porém, o que mais deseja é lutar por uma geral. Se continuar no bom caminho que iniciou no final de 2019, a oportunidade pode não demorar muito mais a chegar. Apaixonou-se pelas grandes voltas e é nelas que mais se quer focar, ainda que depois da exibição no Giro, também se vai esperar mais do português noutras provas por etapas. Terminou 2020 a sofrer uma acidente num treino, com o carro a provocar uma queda. Poderá estrear-se este ano na Volta aos Emirados Árabes Unidos, no final de Fevereiro.

© UAE Team Emirates
Rui Costa, 34 anos, UAE Team Emirates

13ª época no World Tour

Na Vuelta foi um Rui Costa de grande nível que se apresentou em Espanha e não lhe teria ficado nada mal uma vitória de etapa, por que tanto lutou. O campeão do mundo de 2013 está novamente confortável no seu papel na UAE Team Emirates, numa altura que a posição de líder é muito difícil de ter para o poveiro. Não só se apresenta como um ciclista cuja experiência é necessária numa equipa com tantos jovens, como tem um papel de maior liberdade para procurar vitórias de etapas, ou em clássicas, que foi sempre o que lhe assentou melhor. Mas quando é preciso ajudar, tem de estar (e tem estado) pronto para tal. Para 2021 ainda não tem uma grande volta programada. Tem início marcado de época a 11 de Fevereiro no Tour de la Provence, seguindo-se Paris-Nice, Volta ao País Basco, as clássicas das Ardenas (Amstel Gold Race, Flèche Wallonne, Liège-Bastogne-Liège) não poderiam faltar, ao que acresce a Volta à Romandia e a "sua" Volta à Suíça, corrida que venceu três vezes (2012, 2013 e 2014).

»»Raquel Queirós assina pela Specialized Portugal««

»»Volta ao Algarve adiada mas já com nova data prevista««

9 de janeiro de 2021

Marc Madiot não quer Jorge Mendes no ciclismo

© Groupama-FDJ
A entrada de Jorge Mendes no mundo do ciclismo não está a agradar a todos. Marc Madiot, director da Groupama-FDJ, afirmou não querer ver implementado o sistema do futebol e considera que pode ser perigoso que empresários como o português comecem a chegar ao ciclismo.

O responsável de uma das equipas mais antigas do pelotão internacional foi muito crítico à notícia que Jorge Mendes, através da sua empresa Polaris Sport e em parceria com a Corso, vai gerir a imagem de João Almeida, Ruben Guerreiro e dos gémeos Oliveira, todos jovens ciclistas portugueses no World Tour.

"Não quero entrar no sistema do futebol. O sistema dos agentes de futebol é ter um portfólio de jogadores e movimentá-los o mais possível para gerar o máximo de dinheiro possível. Estamos a construir uma bolha de especulação financeira", salientou Madiot no programa de televisão francês Grandes Gueules du Sport, no canal RMC, citado no site BFM RMC Sport.

O director da Groupama-FDJ disse que o futebol está precisamente nessa bolha financeira e questiona como vai ser agora, por exemplo, com a covid-19. "O que se passa lá? Estão à beira do abismo! E querem deixar entrar pessoas como o Mendes no ciclismo? Não quero ver o Mendes no ciclismo. Ele que fique em Portugal com os futebolistas, mas que não venha até nós", salientou.

O empresário representa várias das maiores estrelas mundiais do futebol, com Cristiano Ronaldo à cabeça. Contudo, esta entrada no ciclismo de Jorge Mendes é apenas mais uma extensão a outras modalidades. Representa também atletas como Frederico Morais (surf), João Sousa (ténis) e Patrícia Mamona (triplo salto).

Madiot levanta algumas suspeitas por agora Mendes estar interessado no ciclismo. "Ele não vai ganhar o que ganha no futebol. Poderão existir outras ideias por trás e isso não é bom. Penso que eles querem, a certa altura, apropriarem-se do sistema em geral do ciclismo. E isso é ainda mais perigoso", afirmou.

Em baixo pode ouvir as declarações sobre este assunto de Madiot, no referido programa de televisão.

»»O regresso do bom velho Froome poderá ser no Algarve««

19 de outubro de 2020

Uma Vuelta de despedida para Froome e com muitos portugueses

© Luiz Angel Gomez/PhotoGomezSport/La Vuelta
Isto de haver grandes voltas a realizarem-se ao mesmo tempo é tão estranho, que quase dá para esquecer que esta terça-feira a Volta a Espanha vai mesmo para a estrada. É uma versão mais curta - 18 etapas em vez de 21 -, pois a Vuelta acabou por ser a mais prejudicada das provas de três semanas no calendário possível em tempo de pandemia. E não haverá a passagem prevista por Portugal.

A dúvida persistia se, perante o crescimento de casos de covid-19 no país, a corrida iria para a estrada. Vai, com medidas apertadas, subidas sem público e, tal como no Tour e no Giro, sempre com a ameaça de um cancelamento abrupto. É neste ambiente que Chris Froome fará o adeus à Ineos Grenadiers, a eterna Sky, numa Vuelta para trepadores. O britânico não surge como favorito e até dá a Richard Carapaz a liderança da equipa. Será bluff?

Desde 2018 que Froome não faz uma grande volta. Aquela queda no Critérium do Dauphiné afastou-o da competição em 2019 e em 2020 a sua falta de forma afastou-o do Tour. O sonho da quinta vitória foi adiado e na Vuelta poucos acreditam que o ciclista será o bom velho Froome. No entanto, há curiosidade sobre o estado do ciclista. Agora que poderá mostrar que não está acabado, poderá mostrar que a Israel Start-Up Nation pode ficar descansada, que contratou um corredor para 2021 ainda capaz de lutar por grandes vitórias.

É Froome, não desiste, mas Richard Carapaz quer assumir-se de uma vez por todas como figura na Ineos Grenadiers. Andou a ser "puxado" e "empurrado" para as grandes voltas que não era suposto fazer. Primeira versão: líder no Giro. Após o confinamento: ajudar Egan Bernal no Tour, podendo ser um plano B. Quase tudo correu mal à equipa na corrida. Acréscimo ao calendário: vai à Vuelta. Ganhar seria essencial para em 2021 ter mais voz dentro da equipa.

Vuelta para salvar época

Se há algo que não muda na Volta a Espanha, é ser uma grande volta em que alguns ciclistas tentam salvar a temporada, depois de falharem no Giro ou no Tour. O destaque tem de ir para Thibaut Pinot. O líder da Groupama-FDJ caiu no primeiro dia da Volta a França e falhou por completo quando chegaram as etapas de montanha. Em 2019 venceu na Vuelta, na passagem pelo seu país: Tourmalet. Pinot tem de se mostrar.

Também a Jumbo-Visma quer algo mais nesta Vuelta. Primoz Roglic (vencedor de 2019) e Tom Dumoulin estão novamente juntos, mas, desta feita, o holandês poderá ter um papel mais livre. Depois da desilusão no Tour de Roglic, com a vitória escapar no derradeiro contra-relógio para Tadej Pogacar (UAE Team Emirates - não vai à Vuelta), com a saída da equipa do Giro depois de Steven Kruijswijk ter testado positivo à covid-19, é o tudo ou nada para terminar 2020 com uma grande volta.

Há ainda a Movistar. Alejandro Valverde tem o dorsal um da equipa espanhola, mas Marc Soler não poderá ser colocado de lado, tal como Enric Mas. Está a ser uma temporada fraca, com a histórica estrutura a ser a penúltima do ranking, entre as formações do World Tour. E logo no ano em que celebra 40 de existência.

Para os trepadores

Nos últimos anos, a Vuelta tem feito percursos que não agradam aos sprinters. Os trepadores são novamente aqueles que mais podem mostrar-se e haverá assim momentos para poder ver alguns ciclistas que estão a suscitar interesse. 

O russo Aleksandr Vlasov (24 anos) abandonou muito cedo o Giro e surge na Vuelta com a possibilidade de ter mais liberdade dentro da Astana. Michel Ries (22) é um daqueles ciclistas da nova geração que traz bons resultados da sua formação e irá estrear-se numa grande volta com a Trek-Segafredo. Num ano em que os jovens tanto dominam as manchetes, a ver vamos se Ries consegue mostrar-se também logo à primeira.

Entre nomes mais conhecidos, temos: Esteban Chaves (Mitchelton-Scott), Wout Poels (Bahrain-McLaren) - será o líder  da equipa - Daniel Martin (Israel Start-Up Nation), Daniel Martínez e Michael Woods (EF Pro Cycling), Will Barta (CCC) e Guillaume Martin (Cofidis). O francês prometeu na primeira semana do Tour, mas foi caindo na classificação. É um ciclista a não perder de vista.

Mas também haverá sprinters: Sam Bennett (Deceuninck-QuickStep), Pascal Ackermann (Bora-Hansgrohe) e Jasper Philipsen (UAE Team Emirates), por exemplo.

A armada portuguesa

Enquanto se vai sofrer e muito a ver a última semana do Giro, com João Almeida (Deceuninck-QuickStep) a lutar para manter a camisola rosa e com Ruben Guerreiro (EF Pro Cycling) a querer ganhar a classificação da montanha, na Vuelta não faltarão portugueses.

Rui Costa, Ivo e Rui Oliveira (UAE Team Emirates), Nelson Oliveira (Movistar) e Ricardo Vilela (Burgos-BH) vão variar entre procurar ganhar etapas (primeiro e último dos nomes que se referiu) e trabalhar para os líderes.

De salientar que será a estreia dos gémeos Oliveira numa grande volta, com Rui a ter feito o seu primeiro monumento no domingo, na Volta a Flandres.

Teremos de dividir a atenção entre duas grandes voltas. Não é a mesma coisa, mas espera-se que seja a mesma emoção. A do Giro está em alta, muito por causa de Almeida. Mas a expectativa é que a Vuelta seja mais uma vez uma corrida de grande espectáculo, mesmo sem público. Espera-se também que o pelotão parta esta terça-feira de Irun, no Pais Basco, e possa chegar a Madrid, a 8 de Novembro.

Pode ver a lista de inscritos completa neste link, via ProCyclingStats.

1ª etapa: Irun - Arrate. Eibar, 173 quilómetros

Só para não se ter dúvidas que é uma Vuelta para trepadores, começa-se logo com uma etapa de média montanha. As subidas não são as mais difíceis do percurso da Vuelta, mas o Alto de Arrate é já uma primeira categoria e pode determinar as primeiras diferenças.

»»Contra-relógio já está. O que ainda falta enfrentar neste Giro««

»»Van der Poel vs Van Aert, o primeiro capítulo (na estrada)««

26 de agosto de 2020

Excelente exibição colectiva merecia mais nos Europeus


Até ao problema com Rui Costa, Equipa Portugal esteve sempre muito
bem colocada no pelotão (© Ilario Biondi/BettiniPhoto©2020/UEC)
Não é muito habitual ter a selecção nacional com seis ciclistas numa prova do nível de uns Europeus. José Poeira não teve, por isso, problema em perseguir um bom resultado. Aliás, não teve de problema em assumir a corrida como já tinha previsto e como as circunstâncias chegaram a exigir. Infelizmente, o ciclismo tem destas coisas. Mais um problema mecânico e mais uma hipótese de disputar talvez mais do que um top dez acabou por se gorar. Ainda assim, Rui Oliveira não se coibiu de tentar dar à selecção um merecido prémio. Sprintou e fechou na 14ª posição.

Soube a pouco, pois qualquer um dos seis ciclista eleitos por José Poeira merecia mais, a começar pelo próprio Rui Oliveira. Incansável no trabalho para fechar espaços na fase final da corrida e antes na protecção a Rui Costa, o jovem ciclista ainda encontrou forças para sprintar, quando foi chamado a essa responsabilidade, mas também não teve sorte.

Rui Costa foi sempre protegido pelos seus companheiros de equipa
"Foi das melhores exibições que fizemos enquanto selecção nacional. Estivemos sempre na frente, ajudando-nos mutuamente, todos a um nível excelente. No final, como a corrida não se fez tão dura quanto seria necessário para o Rui Costa, a segunda cartada era resguardar-me para o sprint. Já cheguei um pouco fatigado, mas entrei bem posicionado. Ia, certamente, para um top 10, mas fui um pouco apertado por um ciclista da República Checa. Tive de travar e perdi posições. Melhorei o resultado do ano passado, mas queria mais", afirmou Rui Oliveira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Além dos "Ruis", Ivo Oliveira, Ruben Guerreiro, Rafael Reis e Rafael Silva estiveram perfeitos. Protegeram o líder tão bem! Inclusivamente conseguiram evitar duas quedas que marcaram a corrida em Plouay. A zona de Bretanha francesa não teve um percurso fácil de 177,45 quilómetros. O circuito teve estradas muitos estreitas, que exigiram uma constante boa colocação.

Ruben Guerreiro tentou a sua sorte numa fuga
(© Ilario Biondi/BettiniPhoto©2020/UEC)
Quando a corrida ficou definitivamente lançada, entre os 50 e 60 quilómetros finais, a Equipa Portugal mantinha-se no grupo, sempre bem posicionada. Sem surpresa, Ruben Guerreiro, o eterno irrequieto, tentou a sua sorte numa fuga. Mais um português sem sorte, pois os "companheiros" não foram os ideais e o seu esforço não foi compensado. Profissional como é, assumiu de imediato o apoio a Rui Costa.

Mas este sim, pode considerar-se o maior azarado. Um problema no selim tirou a possibilidade de Rui Costa tentar o ataque previsto para evitar uma chegada ao sprint, onde Portugal tinha menor hipótese de chegar às medalhas. Teve de pedir assistência duas vezes e na pior das alturas. Na frente o ritmo já era infernal.

"Quando devíamos estar à frente, tivemos o azar de estar atrás. Já não foi possível atacar a corrida para tentar um bom resultado com o Rui Costa. Com um grupo tão numeroso, o plano passou a ser tentar levar o Rui Oliveira nas melhores condições para a discussão do sprint. Foi nesse sentido o ataque do Rui Costa, para desgastar os adversários", referiu José Poeira.

A Rui Costa restou tentar um ataque, onde se agarrou à roda do britânico Thomas Pidcock, já com a meta muito próxima. O objectivo já não era mais do que tentar desgastar um pouco mais os ciclistas que impunham ritmo, principalmente uns italianos muito representados para preparar o sprint de Giacomo Nizzolo.

O sexteto eleito pelo seleccionador José Poeira (© Federação Portuguesa de Ciclismo)
A exibição da Equipa Portugal foi quase perfeita, que merecia de facto mais que ficar à mercê de um problema mecânico. Aliás, já no contra-relógio de segunda-feira, Rafael Reis se pode queixar que Plouay não foi um local feliz. Um problema nas mudanças tirou-lhe um muito provável top dez.

Se se pode argumentar que o pelotão dos Europeus não era o de maior nível - tem sido habitual, mas este ano sofreu ainda com o receio de algumas equipas "libertare" os seus atletas com o Tour à porta -, ainda assim, Itália, França, Países Baixos e Bélgica apresentaram blocos muito fortes, o que ajudou a animar a corrida.

Com seis atletas, Portugal mostrou que tinha qualidade para fazer frente às selecções mais fortes e com mais homens (oito). O selim tramou o plano final, mas a imagem que ficou da equipa foi muito, muito positva.

O vencedor

(© Ilario Biondi/BettiniPhoto©2020/UEC)
Com a corrida a decidir-se num prevísivel sprint, Giacomo Nizzolo continua a ser daquelas pessoas que vai ter boas razões para se recordar de 2020! Poucos dias depois de se sagrar campeão nacional, é o novo campeão europeu.

Sucedeu a outros dois italianos: Elia Viviani (2019) e Matteo Trentin (2018), com este último a ser desta feita um importante homem de trabalho. Em cinco Europeus - desde que foram abertos aos profissionais - Itália tem assim três vitórias, contra uma da Noruega (Alexander Kristoff, em 2017) e uma da Eslováquia (o inevitável Peter Sagan, em 2016).

(© Ilario Biondi/BettiniPhoto©2020/UEC)
Nizzolo - que antes do confinamento já tinha ganho uma etapa no Tour Down Under e outra no Paris-Nice, numa muito feliz mudança para a NTT - bateu outro sprinter num bom momento de forma: o francês Arnaud Démare. O ciclista da Groupama-FDJ - que também se sagrou há dias campeão nacional, mas pela terceira vez - não escondeu a desilusão de não ter ganho no seu país.

Curiosamente, os Europeus até eram para se ter disputado em Itália, com Trentino como destino, mas foram desmarcados devido à pandemia e tiveram mesmo em risco de não se realizarem

O alemão Pascal Ackermann fechou o pódio, com Mathieu van der Poel a escolher a trajectória errada, caso contrário o campeão nacional dos Países Baixos poderia ter surpreendido os chamados puros sprinters. Certo é que Van der Poel está a começar a subir de forma.


A equipa de elite de Portugal pode sair de Plouay orgulhosa do que fez, pois é um daqueles casos em que as classificações não dizem tudo sobre o excelente trabalho realizado:

14º Rui Oliveira, m.t.
29º Rui Costa, a 4 segundos
41º Ruben Guerreiro, a 11 segundos
60º Ivo Oliveira, a 3:27 minutos
80º Rafael Silva, a 8:26 minutos
87º Rafael Reis, m.t.

Esta quinta-feira será a vez dos sub-23 entrarem em acção, logo às 8 horas (mais uma em França). A Equipa Portugal estará representada por Afonso Silva, Guilherme Mota, Miguel Salgueiro e Pedro Miguel Lopes nos 136,6 quilómetros, ou seja, dez voltas ao circuito de Plouay.

Veja aqui a classificação completa, via ProCyclingStats.

»»Van der Poel em destaque num fim-de-semana de Nacionais««

»»Rui Costa regressou para ser campeão nacional««

20 de agosto de 2020

Portugal com equipa forte para discutir Europeus

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Chegaram a ser dados como cancelados em 2020, pois estavam agendados para Trentino, numa Itália muito afetada pela pandemia. Porém, a União Europeia de Ciclismo (UEC) tentou encontrar uma solução e esta veio de França. Os Europeus de estrada vão realizar-se de segunda a sexta-feira da próxima semana e Portugal vai apresentar-se com uma selecção forte em elite, mas terá representações também nos restantes escalões, tanto no masculino, como no feminino.

Plouay, na região francesa da Bretanha, será o palco das corridas, depois de este fim-de-semana receber os Nacionais do país. O seleccionador José Poeira escolheu 14 atletas para representarem Portugal e haverá ambição de alcançar bons resultados.

Na elite, o trio da UAE Team Emirates que recentemente tão bem esteve em Paredes, nos Nacionais, vai poder mostrar esse entendimento em Plouay. Rui Costa será o inevitável líder, com Ivo e Rui Oliveira a seu lado. No entanto, a equipa terá mais elementos para fortalecer o sexteto. Também do World Tour estará Ruben Guerreiro, da EF Pro Cycling, ciclista que poderá ser sempre outra das apostas de José Poeira. Das equipas portuguesas foram chamados Rafael Silva, da Efapel, e Rafael Reis, do Feirense.

No caso de Rafael Reis, o atleta poderá mostrar ao mais alto nível a sua aptidão para o contra-relógio, ainda que o outro eleito não será o recentemente consagrado campeão nacional, Ivo Oliveira, mas sim Rui Costa, que conquistou o título de estrada, mas que na Prova de Reabertura recordou como também é um bom contra-relogista.

Quanto aos mais novos, os sub-23 serão Afonso Silva (Rádio Popular-Boavista), Miguel Salgueiro (LA Alumínios-LA Sport), Guilherme Mota e Pedro Miguel Lopes, ambos da Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense. Em juniores estarão Beatriz Roxo (NRV-Academia de Ciclismo de Paredes) e Daniela Campos e Fábio Fernandes (Efapel-Escola de Ovar) e João Ferreira (Academia Joaquim Agostinho-CYR-UDO).

O calendário

As boas notícias é que as corridas de elite vão ter transmissão no Eurosport. Segunda-feira haverá o contra-relógio que será igual para todos os escalões: 25,6 quilómetros, com algumas inclinações para testar os ciclistas. A Equipa Portugal estará representada pela júnior Daniela Campos, cuja prova está agendada entre as 8:00 e as 9:20 e, em elite,  como foi referido, por Rafael Reis e Rui Costa, que vão competir entre as 15:10 e 16:15.




Quarta-feira será dia para a elite discutir o título na prova de fundo, num total de 177,45 quilómetros, percorridos num circuito de 13 voltas em Plouay. Não sendo um percurso para trepadores puros, também não é um que os sprinters se sintam encantados. Com muito sobe e desce, o acumulado final será de 2535 metros.




No dia seguinte, logo às 8:00 (mais uma hora em França), os sub-23 terão de cumprir dez voltas, ou seja, 136,6 quilómetros e 1950 metros de acumulado. Sexta-feira, Beatriz Roxo e Daniela Campos farão os 68,25 quilómetros da prova de juniores, seguido pela corrida masculina, com Fábio Fernandes e João Ferreira a fechar a participação portuguesa (109,2 quilómetros).

»»Rui Costa regressou para ser campeão nacional««

»»Táctica perfeita da Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense dá título nacional de sub-23 a Fábio Costa««

»»Ivo Oliveira conquista primeiro título de elite. Guilherme Mota afirma-se no contra-relógio««

16 de agosto de 2020

Rui Costa regressou para ser campeão nacional

© João Fonseca Photographer
Desde 2015 que Rui Costa não aparecia nuns Campeonatos Nacionais. Resurgiu exactamente com o mesmo resultado da última vez: a vencer. Tal como há cinco anos teve de sprintar com um dos portugueses que correm por cá. Então foi com Joni Brandão, desta feita foi com Daniel Mestre, que não conseguiu bater um ciclista que, nunca é de mais lembrar, é um campeão do mundo (2013).

Naquele 2015, Rui Costa representava a Lampre-Merida e teve em Braga ao seu lado os companheiros Nelson Oliveira e Mário Costa, o seu irmão. Em 2020, na UAE Team Emirates (a herdeira da estrutura italiana) teve ao seu lado dois jovens valores do ciclismo português e que muito trabalharam para ver o seu líder sagrar-se mais uma vez campeão nacional. Os gémeos Oliveira foram incansáveis no trabalho e Ivo teve mesmo de se aplicar, pois não entrou inicialmente no grupo que fugiu, mas acabou por lá chegar.

Num ano tão atípico, os adeptos lusos podem pelo menos recordar que o ciclista que marca a história recente da modalidade em Portugal recolocou o país no seu calendário competitivo, depois de tanto tempo de ausência. Em Fevereiro veio lutar pela Volta ao Algarve e na retoma pós-confinamento, aproveitou a Prova de Reabertura para testar a sua forma no contra-relógio. E até venceu.

Nos Nacionais, o título do esforço individual ficou para Ivo Oliveira, mas Rui Costa (33 anos) partiu decidido a conquistar uma vitória que lhe permitirá vestir novamente a camisola de campeão nacional. As duas de elite vão ser vistas no World Tour.

Para a W52-FC Porto fica um sabor agridoce de ver escapar o título nacional... mais uma vez. Tal como em 2019, a equipa que tem dominado a Volta a Portugal (e não só) nas corridas por cá, colocou dois homens no pódio, mas não no lugar mais alto.

Em Melgaço foram Ricardo Mestre e António Carvalho que viram José Mendes ficar com o título de campeão. A camisola haveria de ir parar à equipa, com a mudança do ciclista para a formação do Sobrado, depois de um ano no Sporting-Tavira. Mas, é caso para dizer, não é a mesma coisa que ganhá-la.

© João Fonseca Photographer
Desta feita foi o outro Mestre, o Daniel, sempre forte no sprint e que demonstrou boa forma em Paredes. Em terceiro ficou mais um sprinter da equipa azul e branca. Francisco Campos, campeão nacional de sub-23 em 2017, apareceu também ele a bom nível, ainda que não tenha conseguido manter-se com o duo da frente para o sprint final. Cortou a meta 28 segundos depois.

A exibição dos ciclistas da equipa da W52-FC Porto tem de ser ainda mais valorizada pelo facto de terem pouca competição (Daniel Mestre não competia numa prova de fundo desde a Volta ao Algarve). Ao contrário de Rui Costa e dos gémeos. O poveiro esteve na retoma do calendário World Tour na Strade Bianche e seguiu para a Volta à Polónia. Ivo e Rui estiveram em Espanha, no Circuito de Getxo-Memorial Hermanos Otxoa, e depois acompanharam Rui Costa à Polónia.

"Correr em Portugal não é fácil, apesar de virmos com muito mais ritmo competitivo. Foi uma prova muito bem disputada, sempre num ritmo alto. Vi que o Daniel Mestre estava forte logo no momento em que nos unimos ao grupo da frente. Quando ataquei, o Daniel veio comigo e ficámos juntos até ao fim. Voltar a correr além fronteiras com a camisola de campeão nacional é muito importante e um grande orgulho", afirmou Rui Costa na conferência de imprensa.

© João Fonseca Photographer
E recordou ainda aqueles emocionantes metros finais: "Quis sprintar desde a frente. A 300 metros eu vinha atrás do Daniel, mas passeio-o porque quis lançar o sprint da dianteira. O Daniel, muito valente, deu guerra até à meta, acabei por ganhar por um palmo."

Quanto a Daniel Mestre, o ciclista não esconde a frustração típica de um segundo lugar, mas também retira aspectos positivos da corrida: "Se o Rui Costa viu que eu estava forte eu também percebi que ele estava muito bem, como sempre está. Vim com ambição de lutar pela vitória. A nossa equipa tinha superioridade numérica, o Rui tem a vantagem de chegar com mais dias de competição. As condições eram ela por ela. Foi uma luta até ao fim e há que dar os parabéns ao vencedor. Nos campeonatos nacionais os piores lugares são o segundo e o quarto, o que fica atrás do vencedor e o que não ganha qualquer medalha. Coube-me o segundo, mas sendo atrás do Rui Costa dá-me motivação para as próximas competições"

Como decorreu a prova

Foi a 80 quilómetros da meta - dos 165,6 - que a corrida começou a ficar lançada. Alguns dos candidatos começaram a ganhar vantagem e o grupo acabou por ficar com 14 elementos. A W52-FC Porto viu quatro dos seus homens estarem na frente, com a UAE Team Emirates a eventualmente ter os seus três representantes. Um dos ciclistas que chegou a isolar-se na frente, foi precisamente Francisco Campos, que acabaria em terceiro.

© João Fonseca Photographer
A formação portuguesa foi atacando à vez, na tentativa de ir desgastando a concorrência. Porém, a cerca de cinco quilómetros do fim, foi Rui Costa que atacou, levando com ele apenas Daniel Mestre. O público vibrou com um final emotivo.

Se a vitória fica como individual, a verdade é que foi o colectivo que ajudou a fazer a diferença e Rui Costa não esqueceu como os gémeos foram uma preciosa ajuda para que pudesse estar em condições de conquistar o título nacional. "O Rui esteve praticamente em todos os ‘cortes’. Já na fase mais decisiva, o Ivo fez um esforço enorme, vindo de trás para a frente, com uma volta brilhante. Os dois foram excepcionais", elogiou.

De recordar que Rui Costa também tem dois títulos nacionais de contra-relógio, conquistados em 2010 e no ano de ouro da sua carreira, 2013.

Classificação completa, via FirstCycling.

O que se segue

Para Rui Costa não haverá tempo para descansar. O poveiro vai para a França onde já esta terça-feira começa o Tour du Limousin-Nouvelle Aquitaine. Terá a seu lado Rui Oliveira. Depois o campeão nacional fará a Bretagne Classic-Ouest-France (dia 25), antes de começar a pensar nas clássicas das Ardenas, no final de Setembro, princípio de Outubro. A época termina na Vuelta.

Por cá, temos de esperar duas semanas por alguma competição, mas entretanto espera-se conhecer mais sobre a Volta a Portugal. Este domingo foi anunciada a segunda etapa, que arrancará precisamente de Paredes, com final na mítica Senhora da Graça.

Calendário:

5 e 6 de Setembro: Qualificações Inter-Regionais para o Campeonato Nacional de Rampa
13 de Setembro: Campeonato Nacional de Rampa: todas as categorias de Cadetes a Masters
19 e 20 de Setembro: GP Internacional de Torres Vedras – Troféu Joaquim Agostinho
19 e 20 de Setembro: Campeonato Nacional de Contrarrelógio para camadas jovens, femininas e masters
27 de Setembro a 5 de Outubro: Volta a Portugal
10 e 11 de Outubro: Grande Prémio O Jogo
13 a 18 de Outubro: Grande Prémio Jornal de Notícias


29 de julho de 2020

Efapel e Feirense vão competir em Espanha

© João Fonseca Photographer
Duas equipas portuguesas vão regressar à competição já este domingo, 2 de Agosto. Efapel e Feirense estarão no Circuito de Getxo-Memorial Hermanos Otxoa, ao lado de equipas como a Movistar, Trek-Segafredo, UAE Team Emirates, NTT e Bahrain-McLaren, todas do World Tour. Para as duas formações lusas é uma corrida muito bem-vinda tendo em conta a falta de provas em Portugal.

A competição de um dia é uma com muita história no País Basco, preparando-se para a sua 75ª edição. Diego Ulissi e Nacer Bouhanni estão entre alguns dos nomes mais conhecidos que ganharam mais recentemente o Circuito de Getxo-Memorial Hermanos Otxoa, numa lista dominada por espanhóis. Mas há um português: Orlando Rodrigues. É preciso recuar a 1994, com o ciclista a representar então a  Artiach-Nabisco.

António Carvalho, Tiago Machado, Rafael Silva, Tiago Antunes e César Fonte são os portugueses escolhidos pelo director desportivo da Efapel, Rúben Pereira. O espanhol Gerard Armillas e o colombiano Nicolas Saenz completam a equipa.

O Feirense de Joaquim Andrade contará com Rafael Reis, Afonso Eulálio, António Ferreira, Bernardo Saavedera e Gonçalo Amado, mais os espanhóis Óscar Pelegrí e Jesús Arozamena.

Com o calendário nacional a sofrer com os adiamentos e cancelamentos de corridas, viajar a Espanha é a oportunidade para dar algum ritmo competitivo em pelotão aos ciclistas. A única prova que por cá se realizou desde a retoma foi o contra-relógio individual da Prova de Reabertura, em Anadia (5 de Julho). A próxima competição em Portugal serão os Nacionais em Paredes, entre 14 e 16 de Julho.

O Feirense é inclusivamente a equipa com menos corridas entre as Continentais portuguesas em 2020, pois esteve na Prova de Abertura Região de Aveiro, Clássica da Primavera, mas não marcou presença na Volta ao Algarve, ao contrário da Efapel, que no início da temporada competiu ainda na Volta à Colômbia.

Joaquim Andrade garantiu que o Feirense vai "correr com a esperança da vitória" e de ser protagonista, apontando pelo menos a um top dez. "Esta é uma prova aliciante para os nossos corredores, que vão estar em confronto direto com algumas das melhores equipas do mundo", salientou, citado pelo Correio da Feira.

"Para a nossa estrutura profissional Efapel é importante estar presente na Clássica de Getxo, por ser uma competição que apresenta um pelotão de grande nível, com grandes figuras do ciclismo mundial. Deste modo partimos com a ambição de honrar as nossas cores e felizes pela retoma do calendário", afirmou Rúben Pereira.

Mais portugueses

A 75ª edição do Circuito de Getxo-Memorial Hermanos Otxoa vai contar com nomes como Mark Cavendish e Mikel Landa (Bahrain-McLaren), o campeão do mundo Mads Pedersen (Trek-Segafredo), Giacomo Nizzolo e Louis Meintjes (NTT) e Fernando Gaviria (UAE Team Emirates). O sprinter colombiano terá a ajudá-lo dois portugueses: os gémeos Oliveira preparam-se para regressar à competição.

Aliás, Rui Oliveira vai estrear-se em 2020, pois devido a uma queda em Janeiro na pista, quando a selecção portuguesa lutava por um lugar nos Jogos Olímpicos, o jovem de Gaia fracturou a clavícula. Preparava-se para começar a competir na estrada quando o calendário foi suspenso devido à pandemia.

Haverá mais um ciclista luso em prova. Daniel Viegas continua a sua evolução na equipa de Alberto Contador e Ivan Basso, a Kometa Xstra, sendo uma excelente oportunidade para se testar num pelotão que terá algumas das figuras que estão actualmente na Volta a Burgos.

Além das formações do World Tour referidas, do segundo escalão estão, entre outras, as espanholas Caja Rural, Burgos-BH e Euskaltel-Euskadi e a italiana Androni Giocattoli - Sidermec, por exemplo.

Pode conferir aqui a lista de inscritos do Circuito de Getxo-Memorial Hermanos Otxoa, via ProCyclingStats.


5 de julho de 2020

Rui Costa vence num dia de pouca normalidade

© João Fonseca Photographer
Foi uma tarde entre a alegria de se estar de volta ao ambiente de ciclismo e a certeza de que nada está normal. A Prova de Reabertura realizou-se debaixo de muitas medidas de segurança, muitas instruções para todos os intervenientes, desde os ciclistas, ao público, sem esquecer os jornalistas. Todos queriam sentir um pouco da adrenalina da competição, mas com um futuro tão incerto, não foi fácil encontrar sorrisos entre os quase 100 participantes do contra-relógio.

Os 22 quilómetros pelo concelho de Anadia até tiveram um ilustre vencedor. Rui Costa aproveitou esta prova para apurar a forma e levou a melhor sobre um dos principais especialistas do pelotão nacional: Rafael Reis. O homem do Feirense ficou a apenas três segundos do melhor tempo, 28:10 minutos do ciclista da UAE Team Emirates.

Gustavo Veloso (W52-FC Porto) demonstrou como aos 40 anos ainda continua a ser dos melhores nesta especialidade no pelotão português, ficando a 22 segundos do vencedor, deixando atrás de si outros dos candidatos do dia, Ivo Oliveira, companheiro de equipa de Rui Costa (a 35 segundos). Daniel Dias (Sicasal-CM Torres Vedras) foi o melhor sub-23 e como esta competição contou para a Taça de Portugal é também o líder, tal como Rui Costa em elite.

Esta parte, pode-se dizer que foi a normal. A competição e os tempos. Porém, pormenores como a falta de alguém a segurar o selim, permitindo que os ciclistas tivessem os pés encaixados no pedal para arrancar (foram muitos os que perderam tempo logo no arranque por não conseguirem colocar rapidamente o pé), a proibição de deixar bidões antes de partirem e, claro, o uso de máscara obrigatória sempre que não estavam a pedalar e para tirar a fotografia no pódio (e só nesse momento), foram todos sinais de que normal, este dia teve pouco.

Depois havia a incerteza. Este domingo era dia de ir cerca de 30 minutos a fundo. E depois? Se a maioria dos ciclistas portugueses que competem em equipas estrangeiras têm um discurso de alguma satisfação por acreditarem que vão mesmo ainda ter uma época desportiva, por cá é tudo bem diferente.

As duas corridas previstas para o próximo fim-de-semana, em Oliveira de Azeméis, foram canceladas. Sobra o Troféu Joaquim Agostinho, de 18 a 20 de Julho e os Nacionais de 21 a 23 de Agosto. E com a pandemia a não ter nada de previsível é impossível dizer que são provas garantidas.

A Volta a Portugal foi adiada, sem nova data à vista e não se pode afastar a hipótese de não ir para a estrada em 2020. E não há mais corridas marcadas. Quando calendário foi anunciado há umas semanas, a expectativa foi grande para as equipas portuguesas. Contudo, com o passar do tempo, o pesadelo que este ano se transformou, não tem fim à vista.

Houve uma prova, vontade de ganhar, mas o ambiente não foi o mesmo. O futuro do ciclismo português não será nada fácil.

Elogios à organização

A Prova de Reabertura foi organizada pela Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC), que assim colocou em prática as medidas que apresentou ao governo, quando lutou para que fosse possível retomar as corridas.

Rui Costa não quis deixar passar a oportunidade para deixar o seu elogio, considerando que houve "risco 0". "Estiveram impecáveis. Parabéns pelo trabalho que fizeram", afirmou na conferência de imprensa. Eis outra mudança, acabaram-se as entrevistas junto à meta. As declarações finais foram feitas num local onde os dois vencedores e os jornalistas mantiveram a distância.

A FPC teve um teste importante e todos fizeram por cumprir as regras e assim garantir a segurança.

Falando de ciclismo e do calendário de Rui Costa...

Apesar de ser impossível sentir normalidade, tenta-se pensar que se em Portugal as incertezas são muitas, Rui Costa é um exemplo de quem está com objectivos bem delineados. Quais? Lutar por todas as corridas em que vai participar.

Para o campeão do mundo de 2013, com um calendário intenso em tão pouco tempo, todas as provas terão de ser um objectivo. Vai começar a 1 de Agosto na Strade Bianche, seguindo-se a Volta a Polónia e talvez uma vinda aos Nacionais de Paredes. Viajará depois para França, onde fará duas corridas, antes das duas clássicas do Canadá, os Mundiais, clássicas da Ardenas e a Volta a Espanha para terminar.

E há coisas que a pandemia não vai mudar. Enquanto Rui Costa falava, Daniel Dias era um jovem bastante feliz. Não só porque tinha ganho, mas porque estava ao lado de uma referência. "É um ídolo", disse, desabafando: "Foi um dia bastante bom". Para quem chegou em 2020 escalão de sub-23, receber os parabéns de Rui Costa será um momento que guardará na memória.