Tácticas são muitas. Estilos também. Ganhar o Paris-Roubaix vai muito além de segredos. Há quem fale em boas doses de sorte, há quem fale no talento inato de enfrentar o pavé, há quem fale na importância das estratégias. E, claro, que sem uma condição física a rondar a perfeição a missão será impossível. No fundo, um pouco de tudo ajuda. Alguns dos vencedores daquela, que é considerada a clássica mais dura do calendário, dizem o que é preciso para conquistar o Inferno do Norte.
Tom Boonen, o belga que soma quatro vitórias (2005, 2008, 2009 e 2012) e que procura uma histórica quinta para a despedida, referiu que não se escolhe o momento para atacar. "Ele chega e tu aproveitas ou não", referiu em declarações à Procycling Magazine. "Estás a ver os rivais, quantos colegas de equipa têm... O momento em que a corrida fica mesmo dura e que tu estás quase morto? Aí sabes que os teus adversários também estão quase mortos", disse. Boonen acrescentou que nem sempre se faz as escolhas certas, mas tenta-se lidar com as circunstâncias que vão aparecendo da melhor forma que se consegue. Salientou ainda a necessidade de se ter de lidar com as emoções.
Stuart O'Grady foi o primeiro australiano a ganhar a clássica, em 2007. Realçou desde logo ser essencial correr com inteligência, mas também falou da imprevisibilidade da prova: "Tens 15 planos diferentes e acabas sempre a fazer algo diferente. É raro um plano resultar a 100%. Ciclistas mais inteligentes adaptam-se melhor." A experiência também é um factor dado como importante por O'Grady, ciclista que se retirou em 2013, tal como o apoio dos companheiros de equipa que ajudam a retirar algum do stress que possa surgir perante um pelotão ansioso e nervoso por sobreviver aos sectores do pavé. Ter um colega numa fuga é também uma boa vantagem, principalmente em Arenberg: "Ali, um companheiro de equipa vale por dez homens."
O outro australiano a também conquistar o Paris-Roubaix foi Mathew Hayman, no ano passado, e o veterano ciclista mostra ser muito calculista. Reconhecer o percurso é para ele essencial, para assim conhecer todos os cantos, todos os locais onde houveram quedas e para saber quando deve gerir melhor o esforço. A colocação tem um papel importante, principalmente se se pensar na necessidade em tentar não desperdiçar energia em recuperações quando se fica para trás. Para Hayman, o facto de no ano passado ter estado na fuga, permitiu-lhe evitar muitos problemas e guardar forças para o tudo por tudo no final.
Em 2015 John Degenkolb levou o famoso troféu de pedregulho para casa e para o alemão é impossível guardar energias. "Tens de correr e precisas de estar atento para estares na posição certa. Não há possibilidade de guardar energias porque quando os ciclistas importantes começam a ir embora, precisas de ir também. Não podes ficar para trás. Se perdes a frente da corrida, então não vais estar no sprint pela vitória", frisou. E Degenkolb falou ainda precisamente do sprint: "É muito difícil. Não estás a sprintar numa bicicleta aerodinâmica. Parece que estás a sprintar num tractor e toda a experiência é diferente. Tens pneus mais grossos, menos pressão e as tuas pernas não estão frescas, nem com força depois de uma corrida tão longa."
A mais ciclistas se pediria dicas e provavelmente teríamos várias diferentes. Afinal, cada um tem as suas capacidades, cada um tem a sua mentalidade, cada um procura a estratégia que melhor se aplica às suas características. E depois não há volta a dar. Aquele factor tão incontrolável tem um peso enorme. Sem um bocadinho de sorte, é difícil conquistar o Inferno do Norte.
O Paris-Roubaix é este domingo e ficará marcado pelo final de carreira de Tom Boonen. O Eurosport transmite todos os 257 quilómetros, a partir das 10:00.
Tom Boonen tirá toda uma equipa a apoiá-lo para que consiga despedir-se com o sonhado quinto triunfo no Paris-Roubaix (Fotografia: Facebook Tom Boonen)
Na Scheldeprijs Marcel Kittel venceu pela quinta vez, mas as atenções centraram-se em Tom Boonen. Foi ele o ciclista rodeado pelos jornalistas, foi ele o mais aplaudido, foi ele que gerou maior emoção, inclusivamente em Kittel. Afinal foi a sua última corrida na Bélgica, o seu país. A derradeira na carreira será este domingo e é de Boonen que muito se fala e será de Boonen que muito se falará quando terminar o Paris-Roubaix, quer ganhe ou não. Quando há um ano Fabian Cancellara fazia pela última vez as duas clássicas do pavé que tanto gostava - Volta a Flandres e Paris-Roubaix - houve muita emoção, mas como o suíço competiu até aos Jogos Olímpicos (e até depois, mas já sem o objectivo de somar vitórias) como que houve tempo para que todos se fossem despedindo aos poucos do Spartacus. Boonen decidiu que o Inferno do Norte seria o local perfeito para o adeus e é inevitável que as emoções do ponto final de um dos ciclistas que marcou uma era superem as emoções de uma corrida sempre...emocionante.
Isto para dizer que se escreverá sobre Boonen no domingo, talvez como o ciclista que conseguiu a despedida perfeita com uma inédita quinta vitória no Paris-Roubaix, talvez como o ciclista que não conseguiu a inédita vitória, mas que teve uma carreira que o colocam como um dos melhores que a modalidade teve. Se o belga diz que está a tentar não se deixar emocionar pelo que irá viver na sua corrida de eleição, então vamos também guardá-la para o final em Roubaix. Por isso, hoje falar-se-á dos outros. Os "outros" não é de todo uma forma pejorativa de tratar os candidatos, mas é que este Paris-Roubaix será uma edição em que as atenções se centram num ciclista que nem é o principal favorito. Boonen tem quatro vitórias e uma Quick-Step Floors 100% concentrada em levar o belga ao triunfo. Até Philippe Gilbert ficou de fora, admitindo que não seria a ajuda ideal, dado não ter muita experiência no Inferno do Norte. Mas os principais favoritos são, e repetindo a expressão utilizada no texto sobre a Volta a Flandres, os suspeitos do costume.
Boonen é sempre um candidato, mas, mais uma vez, é em Peter Sagan e Greg van Avermaet que se centram as apostas. Nenhum venceu em Roubaix e enquanto o primeiro já tem um monumento - a Volta a Flandres, em 2016 - o outro continua a busca pelo monumento que tanto lhe foge. A pressão é naturalmente grande para os dois, mas enquanto o belga da BMC realizou uma excelente fase das clássicas do pavé, com a tripla Omloop Het Nieuwsblad, E3 Harelbeke e Gent-Wevelgem, Sagan (Bora-Hansgrohe) só venceu a Kuurne-Bruxelles-Kuurne. Apesar de normalmente estar na luta - excepto quando abdicou para passar a mensagem que não irá trabalhar mais para outros depois lhe ganharem ao sprint -, a verdade é que só um triunfo nesta fase de clássicas sabe a pouco.
Peter Sagan caiu na Volta a Flandres e a ver vamos como estará fisicamente. O bicampeão do mundo não esconde algum desconforto, mas não é uma situação inédita para o eslovaco, que só não vai com tudo para uma corrida se realmente não conseguir, como aconteceu na Strade Bianche. Sagan e Avermaet dispensam apresentações prolongadas, tal como John Degenkolb e Alexander Kristoff. Mas quando se fala de pressão, então estes dois ciclistas carregam muita. O alemão venceu o Paris-Roubaix e a Milano-Sanremo em 2015, teve um 2016 para esquecer depois do atropelamento na pré-época, mudou-se para a Trek-Segafredo e apesar de ser notório que até está numa boa forma, está a falhar corrida após corrida nos momentos chaves. Nem chega a estar na discussão. A equipa americana contratou-o a pensar que seria o substituto ideal para Fabian Cancellara. Não se pode dizer que estaria à espera que tivesse o sucesso do suíço, mas na equipa já não se esconde a desilusão e chegou a última oportunidade para salvar esta fase das clássicas. A chama de Kristoff vai-se apagando a cada corrida que passa. Onde está aquele super norueguês de 2014 e 2015, que venceu a Milano-Sanremo, Volta a Flandres, duas etapas no Tour?... O homem da Katusha-Alpecin vai vencendo, mas não convence e continua a passar ao lado das grandes competições. Na Volta a Flandres até entrou inicialmente no grupo que deixou para trás Sagan e Avermaet, mas foi enorme o esforço fez para se manter nele, sem sucesso. Tony Martin prometeu que a equipa tem umas surpresas para o Paris-Roubaix. Que venham elas e que sejam boas para um Kristoff, que vai desaparecendo da lista de principais candidatos. É difícil acreditar que aos 29 anos já se viu o melhor do norueguês, mas está de facto difícil recuperar a sua melhor versão. Oliver Naesen (AG2R), Ian Stannard e Luke Rowe (Sky), Jurgen Roelandts (Lotto Soudal) - e porque não André Greipel -, Dylan Groenewegen (Lotto-Jumbo), Arnaud Démare (FDJ) e Edvald Boasson Hagen (Dimension Data) são, sem grande surpresa, mais alguns nomes a ter em conta. Mas vamos juntar também Mathew Hayman. Recorda-se dele? O veteraníssimo australiano que surpreendeu Tom Boonen, quem seguia a corrida e ele próprio ao vencer o Paris-Roubaix no ano passado.
(Fotografias: Orica-Scott)
Hayman, um homem de trabalho por excelência, que semanas antes do Paris-Roubaix tinha partido um braço, aproveitou a oportunidade que lhe surgiu e conquistou a maior vitória da sua carreira. E só foram duas. Este ano Hayman disse que a preparação foi bastante diferente, até porque tem estado em competição, enquanto no ano passado esteve na sua garagem a fazer treinos de rolos devido ao braço partido. O australiano de 38 anos foi pai de gémeos, situação que também provocou grandes mudanças na sua vida. Mas regressar ao palco do seu grande sucesso é um momento importante e Hayman sentir-se-á orgulhoso quando colocar o dorsal número 1. "No ano passado não coloquei muita pressão sobre mim e talvez isso seja algo que possa transportar para este domingo. Vou tentar apreciar o dia e apreciar quando colocar o dorsal", referiu Hayman, citado pela sua equipa, a Orica-Scott. E para marcar este dia especial, Hayman teve direito a uma bicicleta personalizada (ver fotografias). Dizer que Mathew Hayman é um candidato, talvez seja ir longe de mais. Mas o australiano é mais um exemplo como no Paris-Roubaix ser candidato nada garante, pois se há corrida que é rica em surpresas, é esta. Niki Terpstra e Johan Vansummeren são mais dois dos casos recentes de como é possível surpreender os favoritos. Não se poderia deixar de referir os portugueses. Tal como na Volta a Flandres, Nuno Bico e Nelson Oliveira estarão presentes, ambos pela Movistar. O primeiro terá a oportunidade de continuar a sua evolução ao mais alto nível e logo neste icónico monumento. Já Nelson Oliveira tem mais experiência, foi 18ª na Flandres - Bico abandonou - e o quatro vezes campeão nacional de contra-relógio gosta do Paris-Roubaix. Portanto, é de ficar atento ao ciclista. Veja aqui a lista de inscritos da 115ª edição do Paris-Roubaix. Quanto ao percurso, serão 257 quilómetros com 55 em pavé, divididos por 29 sectores, três de cinco estrelas: floresta de Arenberg, onde normalmente se começa a fazer as escolha dos melhores, Mons-en-Pévèle e Carrefour de l’Arbre. O primeiro sector surge aos 98,5 quilómetros. Até aí a corrida deverá ser percorrida com o pelotão a preparar-se para enfrentar o Inferno do Norte, certamente com alguém a arriscar uma fuga. Mas as verdadeiras selecções chegarão com o pavé e será em Arenberg que se espera que se comece a perceber quem tem pedalada para aquela que é considerada a clássica mais dura do ciclismo. Abram as portas do Inferno do Norte... Mas antes é irresistível voltar a Boonen. Fica aqui este vídeo, no qual alguns colegas da Quick-Step Floors falam deste ciclista que deixará saudades.
São dois vídeos que mostram um lado da corrida que nos faz (re)vivê-la de uma forma tão diferente e tão emocionante.
Milhares assistem junto aos vários sectores, vivendo momentos raros no ciclismo dada a particularidade do Paris-Roubaix. Muitos mais assistem sentados confortavelmente frente aos televisores. Mas a tecnologia permite que cada vez se possa sentir diferentes emoções.
As câmaras colocadas nas bicicletas são cada vez mais vulgares. Os vídeos surgem horas depois (falta ainda possibilidade de transmissão em directo, mas certamente que se há-de lá chegar) e permite ver uma versão mais aproximada de como é estar dentro da corrida. Melhor só lá estando!
As imagens captadas por este tipo de câmara no Paris-Roubaix transmitem uma emoção que vai muito além do que se vê noutras corridas. A intensidade desta clássica difere em muito de outras provas e neste vídeo é quase impossível não sentir um pouco da adrenalina que provavelmente acompanha os ciclistas durante os mais de 250 quilómetros, naquela que é considerada por muitos a corrida mais difícil.
Neste vídeo é possível ver um dos momentos mais marcantes da edição deste ano: a queda de Fabian Cancellara que fez o seu último Paris-Roubaix, prova que venceu três vezes.
Neste outro vídeo é acompanhado o dia da Orica-GreenEDGE. Impressiona ver como Mathew Hayman, longe de imaginar o que lhe esperava, era a voz da experiência - afinal sempre eram 15 edições de Paris-Roubaix - ao lado do estreante Luka Mezgec. O antes, o durante e o emocionante depois de uma vitória inesperada.
A equipa australiana é conhecida por ser das que melhor trabalha a imagem, utilizando as redes sociais como poucas e mostrando pormenores que antigamente apenas se ouvia falar. E o vídeo comprova essa excepcional forma de estar no ciclismo e de se aproximar dos adeptos. Seria sempre interessante ver independentemente do resultado, mas nada como um triunfo surpreendente para lhe dar outro relevo.
Assim se vive um Paris-Roubaix numa equipa World Tour... E também é possível perceber o tempo que demorou a Mathew Hayman a interiorizar que tinha mesmo vencido!
Chama-se Mathew Hayman, tem 37 anos (faz 38 no dia 20), é australiano e pertence à Orica-GreenEDGE. Até hoje era um ciclista com uma carreira de muito trabalho para outros companheiros, mas com oportunidades de liderança em corridas de um dia. Chegou a profissional com a Rabobank, esteve quatro anos na Sky antes de assinar pela Orica em 2014. Tinha uma vitória na carreira, no Paris-Bourges em 2011, somando alguns resultados interessantes em clássicas. Quem é Mathew Hayman? É o homem que surpreendeu tudo e todos (inclusivamente a ele próprio) ao vencer o Paris-Roubaix.
O nome pode ser pouco conhecido e é provável que, com o passar dos anos, vá ficando perdido e esquecido nos registos de vencedores da clássica do "Inferno do Norte". Provável é também que seja muitas vezes referido como aquele que tirou a oportunidade a Tom Boonen de somar a quinta vitória no Paris-Roubaix, que o tornaria no ciclista com mais vitórias na corrida.O seu triunfo pode não ser daqueles que será recordado como se calhar merece, mas nada tirará o mérito com que este australiano venceu.
Hayman até já tinha alcançado um marco de destaque no monumento de hoje: era o ciclista no activo com mais participações, 15 (um top dez). Entrou na fuga inicial e que raramente determina um vencedor em Roubaix. Incidentes não faltaram. Esta corrida por eliminação fez jus a essa denominação. Mas no final, Hayman sobreviveu a tudo, até recuperou quando parecia que já não aguentava o ritmo de Boonen, Vanmarcke, Stannard e Boasson Hagen. No velódromo escolheu a melhor táctica, ao contrário de Boonen, e concluiu a surpresa ao derrotar o belga no sprint.
O rosto sujo de Hayman parecia dizer: "O que aconteceu? Ganhei mesmo?" E não era para menos. "É pura incredulidade. Não consigo acreditar. Parti o meu braço há cinco semanas [na Omloop Het Nieuwsblad] e perdi todas as corridas. Fiz uma em Espanha na semana passada. Os médicos estavam convencidos que a época de clássicas tinha terminado para mim, mas eu só queria recuperar", afirmou o australiano.
Vencer a clássica francesa era um sonho, mas Hayman admitiu que se lhe tivessem dito que ia ganhar este ano, nunca acreditaria. "Esta é a minha corrida favorita, é a corrida que sonhei vencer todos os anos. Este ano nem sequer me atrevi a sonhar [com a vitória]", salientou. Confessou ainda que só pensava em desfrutar da corrida, concentrado em tentar ajudar Jens Keukeleire, caso surgisse a oportunidade do belga lutar pela vitória. Ao ver-se na fuga, mais uma vez disse que só pensava em aproveitar o momento, mas: "Às vezes temos de simplesmente tentar e às vezes coisas boas acontecem."
Hayman é o segundo australiano a ganhar o Paris-Roubaix, depois de Stuart O'Grady em 2007. É o seu momento de glória e pouco importa o que não se fale ou não se escreva sobre Hayman daqui em diante. O ciclista venceu um monumento e aquele troféu de pedra ninguém lhe tira.
No Paris-Roubaix as quedas e os furos têm uma incidência muito maior do que na maior parte das corridas. Este ano não foi excepção. Foi precisamente uma queda que acabou por ajudar a decidir quando faltavam ainda cerca de 110 quilómetros para o final. Alexander Porsev (Katusha) caiu e "partiu" o grupo que perseguia os ciclistas na fuga. Por essa altura já Tony Martin começava a mostrar que o Paris-Roubaix assenta-lhe bastante bem. Foi para a frente e não mais olhou para trás. Boonen aproveitou a boleia do colega da Etixx, tal como Vanmarcke (Lotto-Jumbo), Luke Rowe e Ian Stannard (ambos da Sky), entre outros.
Já Fabian Cancellara (Trek) e Peter Sagan (Tinkoff) foram apanhados no corte. A desvantagem para o grupo de Boonen chegou a ser de mais de minuto e meio. Cancellara ainda contou com a ajuda de colegas. Sagan ficou sozinho muito cedo, como está habituado. As despesas da perseguição pertencia aos dois, mas mais uma vez uma queda foi decisiva. O suíço caiu, quase levou Sagan consigo - momento de pura técnica do eslovaco para passar por cima da bicicleta de Cancellara -, e perdeu mais de dois minutos. Sagan, sem ajuda, também percebeu que ganhar o Paris-Roubaix teria de esperar. Esta queda terminou ainda com a corrida de Niki Terpstra. O vencedor de 2014 abandonou a prova.
Outras duas quedas aparatosas foram dos elementos da Sky. Eram quatro na fuga até que Gianni Moscon "escorrega" quando faltavam 52 quilómetros. Luke Rowe tenta saltar por cima do colega, mas também cai de forma aparatosa. Moscon nunca mais se viu, Rowe ainda reentrou, mas não teve forças para ir até final. Um quilómetros depois é Salvatore Puccio que vai ao chão e por pouco não fez cair o colega Ian Stannard.
E para completar os azares da Sky, após a corrida soube-se que Elia Viviani foi abalroado, no sector de Arenberg, por uma moto da organização. Mais um incidente do género...
Há muito que não se via Tom Boonen tão bem. O belga prometeu que estaria na luta e cumpriu. Teve em Tony Martin um aliado de luxo. O alemão trabalhou mais de 30 quilómetros, mas quando terminou o trabalho, Boonen viu-se sozinho ainda com quase 70 quilómetros para cumprir. Mas este belga sente-se em casa nesta corrida francesa. Defendeu-se de todos os ataques - e Vanmarcke bem que assustou - atacou e parecia que no sprint dificilmente seria batido. Mas no velódromo escolheu ficar na parte de baixo da pista numa altura em que Hayman e Vanmarcke era os adversários. Mas chegaram Stannard e Boasson Hagen. Boonen ficou "preso" e quando finalmente teve espaço, não teve força para passar o australiano, terminando em segundo.
Aos 35 anos, muito se fala de reforma, mas não será surpresa nenhuma se Boonen fizer pelo menos mais um Roubaix. E certamente que quererá Tony Martin a seu lado. Que grande exibição do alemão.
Despedida amarga
Se o segundo lugar na Volta a Flandres deixou Fabian Cancellara desiludido, a aposta em conquistar um último monumento no Paris-Roubaix acabou da pior maneira. Uma aparatosa queda, a 46 quilómetros do fim, tirou o suíço da equação. Não desistiu, mas não havia tempo nem forças para uma recuperação épica. Terminou no 40º lugar, mas recebeu a ovação que merecia no velódromo.
"Na semana passada foi mais difícil [a despedida na Volta a Flandres]. Hoje estou apenas feliz que tenha terminado", confessou o suíço, que aponta agora ao próximo objectivo: conquistar a maglia rosa no Giro, querendo para isso vencer o contra-relógio inicial.
Oportunidade perdida para Vanmarcke. Sky cada vez mais perto
Vai somando bons resultados, mas Sep Vanmarcke não consegue a procurada vitória. Não por falta de tentativas. O belga fez um ataque que assustou o grupo da frente. Boonen perseguiu, mas só a ajuda de Stannard acabou com a aventura de Vanmarcke. Depois viu Boonen e Hayman afastarem-se. Quando já não se esperava, colou-se ao duo já no velódromo. O sprint era quase missão impossível e acabou em quarto.
Ian Stannard ficou com o último lugar do pódio. O britânico chegou ao Paris-Roubaix com a ideia de tentar a vitória, mesmo tendo Luke Rowe como número um. Os dois estiveram na fuga, mas só Stannard resistiu. De pouco vale fazer o exercício do "e se", mas dá sempre que pensar "e se a Sky tivesse conseguido manter os quatro elementos mais tempo na fuga, o que teria acontecido". Uma coisa é certa, esta Sky quer um monumento este ano.
Boasson Hagen na luta, Cavendish a mostrar serviço
A Dimension Data estará satisfeita com a performance no Paris-Roubaix. Edvald Boasson Hagen confirmou o grande momento de forma com o quinto lugar e Mark Cavendish mostrou grande carácter. Não foi à clássica apenas para picar o ponto. Andou em fuga, ajudou no que pôde e terminou no 30º lugar a 7:12 minutos do vencedor. Para um puro sprinter, dificilmente se podia pedir melhor.
Um outro puro sprinter, André Greipel (Lotto Soudal) também se portou muito bem: 35º a 7:24.
Nelson Oliveira infeliz O ciclista português da Movistar tinha aspirações a um bom resultado numa corrida que muito aprecia. Motivação parecia não faltar, mesmo depois de na Volta a Flandres ter desistido após uma queda. O azar perseguiu Nelson Oliveira. Voltou a cair a cerca de 152 quilómetros para o final e ficou agarrado ao ombro. A Movistar anunciou no Twitter que amanhã serão feitos exames médicos para se conhecer a gravidade da lesão. O outros português em prova, Mário Costa (Lampre-Merida), também caiu e não terminou a corrida. As desilusões A Lotto Soudal foi das equipas que mais desiludiu, apesar do seu sprinter ter estado novamente bem numa clássica muito difícil. A equipa belga pouco se viu, ainda que tenha colocado um ciclista no top dez, Marcel Sieberg. Uma das suas apostas Jurgen Roelandts terminou a quase 15 minutos de Mathew Hayman, enquanto o jovem Tiesj Benoot foi dos últimos a chegar a mais de 18 minutos do vencedor. Sem Greg van Avermaet, que caiu na Volta a Flandres, fracturando a clavícula, a BMC mostra não ter plano B para as clássicas. Ainda se esperou que Taylor Phinney agarrasse a oportunidade, mas o norte-americano terminou a mais de 14 minutos de Hayman. O melhor foi Marcus Burghart a 5:48.