Mostrar mensagens com a etiqueta Alejandro Marque. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Alejandro Marque. Mostrar todas as mensagens

5 de agosto de 2019

Livramento preparou caminho que Marque não concluiu com a vitória que o Sporting-Tavira tanto precisa

Livramento realizou uma excelente exibição para ajudar Marque e a equipa
a vencer a etapa que acabou por escapar (Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Se há um ciclista que merecia que se entregasse um prémio da combatividade, esse é David Livramento. É um daqueles atletas de quem pouco se fala, mas que muito trabalha. É um verdadeiro homem da casa no Tavira, equipa que já passou por diferentes nomes, mas sempre com Livramento a ser um dos ciclistas de confiança. Chegou a esta Volta a Portugal chamado à última hora para substituir Rinaldo Nocentini e, para aqueles que podem não notar tão bem a importância do trabalho de alguém como Livramento, esteve na frente de uma fuga que tinha mais sete ciclistas, mas foi ele quem andou a "puxar" sozinho durante tanto tempo, na procura de abrir caminho para uma vitória que o Sporting-Tavira tanto procura e precisa, com Alejandro Marque a ser a aposta do dia.

David Livramento fez mais do que manter a fuga viva. Na subida de segunda categoria o pelotão até deixou claro que não ia perseguir o grupo da frente, mas David Livramento, sozinho (há que continuar a salientar esse aspecto), conseguiu inclusivamente aumentar em alguns segundos a vantagem, que passou a rondou os três minutos. Tempo confortável para se disputar a etapa. O Sporting-Tavira bem precisava de uma exibição de nível numa Volta a Portugal na qual lutar pela geral já não é objectivo, pelo que está em marcha o plano B: apostar forte em ganhar uma etapa.

Depois da desilusão na Torre, Alejandro Marque tentou reconquistar algum ânimo, contudo, terminou novamente triste. O trabalho de Livramento foi fenomenal, mas acabou por também permitir que os adversários se poupassem, apesar de ter imposto um ritmo elevado. Marco Tizza andou quase sempre mais na retaguarda e guardou forças essenciais para bater um Marque que não conseguiu finalizar a preparação feita por Livramento. Na derradeira subida do dia - uma terceira categoria, com final em empedrado e com uma inclinação final que até foi feita por Tizza aos ziguezagues - Marque tentou isolar-se. Livramento já tinha terminado a sua missão e houve alguns ataques e contra-ataques antes do espanhol da formação algarvia ficar na frente.


(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Tizza apareceu e passou directo por um Marque cujo o murro no guiador após cortar a meta espelhava bem o seu estado de alma. A última vitória de etapa na Volta a Portugal do Sporting-Tavira foi em 2016, por intermédio de Jesús Ezquerra. No ano passado, este aspecto foi atenuado pelo segundo lugar na geral de Joni Brandão. No entanto, nesta edição, Tiago Machado continua a perder tempo (está a 3:40 de Gustavo Veloso), Marque está a 7:09, sobrando o "senhor regularidade" Frederico Figueiredo, que a 2:08 pode ainda ambicionar ao top dez, mas que já foi afectado por quedas. José Mendes, campeão nacional de fundo, está "afundado" na classificação a mais de 26 minutos de Veloso.

Resultados precisam-se na equipa de Vidal Fitas que está a finalizar o contrato que liga o Clube Ciclismo de Tavira ao Sporting, sem garantia de continuidade.

Já a Amore & Vita-Prodir está a salvar a sua temporada na Volta a Portugal. Segunda vitória na corrida, a terceira da temporada. Depois de Davide Appollonio ter ganho a primeira etapa, o director Ivano Fanini avisou que a equipa queria mais. Foi um esforço tremendo de Tizza, que mal cortou a meta, não aguentou e ficou sentado junto às grades a tentar recuperar o fôlego.

O pelotão chegou 1:44 minutos depois. Houve um aceleramento na tentativa de provocar pequenos cortes e Joni Brandão (Efapel) ganhou dois segundos ao líder Gustavo Veloso (W52-FC Porto) e quatro ao segundo classificado João Rodrigues (W52-FC Porto) e ao terceiro Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano). Uma aproximação ao pódio, mas com os olhos postos na camisola amarela ainda tem 25 segundos para recuperar.

Os 158 quilómetros entre Oliveira do Hospital e Guarda foram os últimos da primeira fase da Volta, que esta terça-feira terá o seu dia de descanso com Daniel Mestre (W52-FC Porto) na liderança dos pontos, Emanuel Duarte na juventude e agora David Ribeiro na montanha, o que significa que a LA Alumínios-LA Sport veste duas camisolas.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

6ª etapa: Moncorvo - Bragança, 189,2 km (quarta-feira)



O regresso à competição será o dia perfeito para os homens mais rápidos do pelotão aproveitarem a oportunidade para conquistar uma vitória, com as decisões na geral a começarem-se a jogar no dia seguinte, quinta-feira, na Serra do Larouco.

»»João Rodrigues perfeito, Veloso de amarelo, Mestre de verde. Domínio da W52-FC Porto intocável após a Torre««

»»Subida à Torre será enfrentada com ânimos diferentes««

23 de janeiro de 2019

Sporting-Tavira na Argentina com muita experiência e com bicicletas de travão de disco

O Sporting-Tavira não só mudou um dos seus líderes, como também vai mudar as bicicletas. A equipa algarvia é a primeira no país a passar para os travões de disco, que vão assim chegar ao pelotão português. Vidal Fitas realça como é um sistema que pode trazer vantagens e não antevê problemas, como por exemplo, no momento de ter de trocar rapidamente de rodas. De partida para a Argentina, é o arranque para uma nova temporada com novas caras e a ambição de quebrar o domínio da W52-FC Porto.

Esse tem sido o discurso de Tiago Machado desde que foi anunciado como reforço do Sporting-Tavira. Mas, para já, é altura de ganhar forma e tentar começar bem a temporada. Depois do Gabão em 2018, a equipa viaja esta quinta-feira para competir na Volta a San Juan, corrida argentina que vai contar com um lote de ciclistas muito fortes, principalmente ao nível do sprint. Peter Sagan (Bora-Hansgrohe), Fernando Gaviria (UAE Team Emirates) e Mark Cavendish (Dimension Data) são alguns de cabeça de cartaz, juntando-se nomes que partem como candidatos à vitória na geral, como Nairo Quintana e Richard Carapaz (Movistar), Julian Alaphilippe (Deuceninck-QuickStep) e Tiesj Benoot (Lotto Soudal). Estará ainda presente a sensação dos Mundiais de Innsbruck, com Remco Evenepoel (Deuceninck-QuickStep) a ter estreia marcada como profissional na Argentina, depois de ter ganho praticamente todas as provas de juniores em que participou em 2018.

O director desportivo do Sporting-Tavira considera importante que a equipa esteja numa corrida que terá uma cobertura mediática maior do que a do Gabão. Na corrida africana, Rinaldo Nocentini venceu duas etapas e lutar por vitórias na Argentina é algo que está nos planos. Porém, não é o principal objectivo.

"Essencialmente, o que pretendemos é ganhar ritmo competitivo para podermos depois, no início de época em Portugal, apresentar uma melhor condição do que aquela que estamos agora. No entanto, não quer dizer que, se a nossa condição der para tentar disputar a corrida ou uma etapa, não o façamos. É a primeira corrida do ano e nós não sabemos como vamos estar em relação aos nossos adversários. Essa é sempre a incógnita nesta altura. Sabes como estás, mas não sabes como estão os outros", salientou Vidal Fitas ao Volta ao Ciclismo.

O seis eleito prima pela experiência: Tiago Machado, José Mendes, Rinaldo Nocentini, Alejandro Marque, Aleskandr Grigorev e Nicola Toffali. Os dois primeiros estão de regresso a Portugal depois de vários anos a competir no estrangeiro, com presença nas três grandes voltas. Oito das nove épocas de Tiago Machado no pelotão internacional foram passados no World Tour. Aos 33 anos regressou com a ambição de lutar por vitórias, sendo o novo rosto da liderança, depois de Joni Brandão ter optado por voltar à Efapel.

(Fotografia: KTM)
A outra grande novidade para 2019 é a adopção de bicicletas com travão de disco. O Sporting-Tavira troca as Jorbi pelas KTM Revelator Lisse Prestige e seguirá a tendência que já se tem visto no World Tour. Apesar de continuar a não ser consensual entre os ciclistas a utilização deste sistema de travagem, a maioria das marcas já aposta nele.

"Praticamente, em 2019, todas as grandes marcas internacionais estão a optar por esta solução. Esta marca propor-nos isso. Em 2018, a Trek e a Specialized, por exemplo, praticamente já só tinham modelos equipados com este tipo de sistema de travagem. Do que sei, este ano, a maior parte delas também tem essa solução, portanto, se isto é uma realidade dos próximos anos, quanto mais cedo começarmos a trabalhar nela, mais cedo nos adaptaremos ao que temos de nos adaptar", explicou.

Vidal Fitas realçou que há vantagens, como a maior eficácia numa descida, por exemplo. Porém, há ainda um pouco a aprender. "Uma coisa é andar no BTT e outra é no pelotão e se ter de trocar de rodas e essas coisas todas. Há actuações que início podem correr mal, mas quanto mais cedo nos adaptarmos, mais cedo conseguimos pôr isto a funcionar", salientou. E precisamente sobre a questão de mudança de roda, que tantas vezes é essencial que decorra de forma célere, o responsável não acredita que será um problema: "É uma questão de prática, de ter as coisas mecanizadas para um novo sistema. Não estou a ver que demore assim tanto tempo. Os encaixes são fáceis. É uma questão de mecanizar bem as coisas. Não vai ser por aí que as coisas não funcionarão."

Sete etapas para todos os gostos

A Volta a San Juan realiza-se de domingo a domingo (de 27 de Janeiro a 3 de Fevereiro), com um dia de descanso na quinta-feira, 31 de Janeiro. A presença de sprinters tão importantes como os que escolheram a Argentina nesta fase inicial da temporada, tem razão de ser. Só duas etapas serão claramente para trepadores (quarta e sexta), além do curto contra-relógio de 12 quilómetros no terceiro dia.

Há um ano, a corrida teve um vencedor surpresa, com o homem da casa Gonzalo Najar (Sindicato Empleados Públicos de San Juan) a bater nomes como Rafal Majka, Tiesj Benoot e Jarlinson Pantano, por exemplo. Contudo, o ciclista de 25 anos testou positivo por CERA e terminou a época a ser suspenso por quatro anos, com a vitória a ser atribuída ao então segundo classificado, o veteraníssimo Óscar Sevilla (Medellin).

Aos 42 anos, o espanhol estará de regresso para tentar novo triunfo. A Medellin será uma das nove equipas Continentais, onde se inclui o Sporting-Tavira: Equipo Continental Municipalidad de Pocito, Asociacion Civil Mardan, Agrupacion Virgen De Fatima, Municipalidad de Rawson Somos Todos, Start Team Gusto, Team Beltrami Tsa-Hopplà-Petroli Firenze e Biesse Carrera.

Do escalão Profissional Continental estarão presentes a Androni Giocattoli-Sidermec, Neri Sottoli-Selle Italia-KTM, Nippo Vini Fantini Faizanè, Caja Rural e Israel Cycling Academy. O pelotão fica completo com as selecções da Argentina, México, Chile, Cuba, Brasil, Uruguai e Peru.

Etapas:

  • 1ª etapa: San Juan-Pocito (159,1 quilómetros)
  • 2ª etapa: Chimbas-Peri Lago Punta Negra (160,2)
  • 3ª etapa (contra-relógio individual): Pocito-Pocito (12)
  • 4ª etapa: San José de Jáchal Valle Fértil-Villa San Agustín (185,8)
  • 31 de Janeiro (quinta-feira): dia de descanso
  • 5ª etapa: San Martín-Alto Colorado (169,5)
  • 6ª etapa: Autódromo El Villicúm-Autódromo El Villicúm (153,5)
  • 7ª etapa: San Juan-San Juan (141,3)

Equipa do Sporting-Tavira em 2019: Frederico Figueiredo, David Livramento, Rinaldo Nocentini, Alejandro Marque, Aleskandr Grigorev, Valter Pereira, Nicola Toffali, Alvaro Trueba, Tiago Machado (Katusha-Alpecin), José Mendes (Burgos-BH), César Martingil (Liberty Seguros-Carglass), Ricardo Martins, Diogo Ribeiro e Rúben Simão (os três do Sporting/Tavira/Formação Eng. Brito da Mana).

»»W52-FC Porto vai a Espanha começar a época««


22 de janeiro de 2019

A idade é só um número!

(Fotografia: Team Sunweb)
Com a retirada de Mathew Hayman após o Tour Down Under, o pelotão World Tour ficou sem o seu ciclista mais velho. O australiano despediu-se aos 40 anos e passou a "distinção" a Roy Curvers (na fotografia). O holandês da Sunweb completou 39 anos a 27 de Dezembro e prepara-se para fazer a sua última temporada. É seguido de perto pelo dinamarquês Lars Bak. O reforço da Dimension Data (ex-Lotto Soudal), apagou 39 velas no passado dia 16. A longevidade no ciclismo é algo cada vez mais natural. Curvers e Bak até estão longe de ser os mais velhos se se olhar para as equipas dos outros escalões.

Davide Rebellin nem quer ouvir falar em reformas. Continua a dizer que se sente bem e competitivo e, aos 47 anos, renovou pela Sovac, equipa da Argélia. De referir que em 2018, Rebellin venceu uma etapa de uma corrida naquele país. Este italiano continua a prolongar uma carreira que conta com triunfos na Liège-Bastogne-Liège, Amstel Gold Race, Flèche Wallonne (três), um Tirreno-Adriatico, um Paris-Nice...

O aniversário de Rebellin é a 9 de Agosto e o de Chris Horner a 23 de Outubro. Sim, o americano também continua em actividade na americana Illuminate, ele que surpreendeu tudo e todos quando em 2013 ganhou a Volta a Espanha, pouco antes de celebrar 42 anos. O director desportivo da RadioShack-Leopard dessa corrida era o português José Azevedo, que é dois anos mais novo que Horner.

Outro quarentão é Óscar Sevilla. O espanhol há muito que se apaixonou pela Colômbia e por lá continua na equipa Medellin. 42 anos (nasceu a 29 de Setembro de 1976) e também sem planos para parar. O compatriota Francisco Mancebo assinou pela japonesa Matrix Powertag, quando se prepara para fazer 43 anos (9 de Março).

Por Portugal há também um italiano que encontrou no Sporting-Tavira a equipa ideal para prosseguir a carreira. Já vai para a quarta temporada e com 41 anos (27 de Setembro de 1977). Gustavo Veloso (W52-FC Porto) vai ficar à porta dos 40, quando no próximo dia 29 celebrar os 39 anos. Os mesmos fará Sérgio Paulinho (Efapel), a 26 de Março. Alejandro Marque (Sporting-Tavira) tem 37 anos, com aniversário a 23 de Outubro.

Entre os mais velhos ainda a pedalar a nível profissional há ainda Svein Tuft. A Mitchelton-Scott não renovou contrato com o canadiano, que assinou pela Rally UHC, formação americana do escalão Profissional Continental. A 9 de Maio fará 42 anos.

Entre os trintões, a grande referência é, inevitavelmente, Alejandro Valverde, o campeão do mundo em título. A 25 de Abril celebrará 39 anos. O também espanhol Markel Irizar (Trek-Segafredo) fará a 5 de Fevereiro e Ruben Plaza (Israel Cycling Academy) a 29 do mesmo mês.

E para fechar, um belga que vai entrar nos 40 e que venceu a Volta ao Algarve em 2008. Stijn Devolder assinou pela Corendon-Circus (Profissional Continental), sendo um ciclista com história no World Tour, tendo vencido duas Voltas a Flandres. Representou a Discovery Channel, a então Quickstep-Innergetic, Vacansoleil-DCM e a Trek-Segafredo. A festa dos 40 está marcada para 29 de Agosto.

Andrea Tafi quer bater todos os recordes e participar no Paris-Roubaix aos 52 anos, para celebrar os 20 da conquista do monumento. Porém, não está fácil encontrar uma equipa que abra mão de um lugar para receber o italiano, pelo que deverá ficar-se pela prova para amadores.

»»O adeus de Hayman, o sábio irmão mais velho que deixou a sua marca no Paris-Roubaix««

»»Não foi um adeus ao ciclismo. Foi um até já««

27 de novembro de 2018

Sporting-Tavira a melhorar mas com uma época que soube a pouco

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Quando a Volta a Portugal começava a aproximar-se, Vidal Fitas via a sua equipa a melhorar a forma a cada corrida em que competia e via um Joni Brandão com capacidade para ser o líder para que foi contrato, depois de um 2017 marcado por um problema de saúde. O Sporting-Tavira demonstrava estar melhor, mais competitivo, mas conseguiria estar ao nível da arqui-rival W52-FC Porto?

A equipa começou cedo (e longe) a ganhar, ainda que tenha perdido Fábio Silvestre para toda a temporada. Aleskandr Grigorev não demorou muito a mostrar que era uma boa contratação, com Mario Gonzalez a subir de nível e com um Frederico Figueiredo igual a ele próprio. O que é sinónimo de excelência. Porém, na corrida em que se aposta praticamente tudo, o pódio foi bom, soube a pouco.

Na viagem ao Gabão, logo em Janeiro, Rinaldo Nocentini ganhou duas etapas na Tropicale Amissa Bongo. Não lhe chamem velho para o ciclismo, pois mesmo já com 41 anos, o italiano ainda tem algo para dar. Além das vitórias, o seu passado não passa despercebido e o Sporting-Tavira recebeu bastante atenção por ter nas suas fileiras um ciclista que já vestiu a camisola amarela na Volta a França. Apesar deste arranque, Nocentini não esteve o nível de 2017, mas continua a ser uma voz de comando na estrutura.

O italiano ir perdendo preponderância na disputa por vitórias não é uma surpresa. A grande questão era como estaria Joni Brandão. Em Março deu as primeiras indicações que estava a regressar ao seu melhor, com um pódio na Clássica Aldeias do Xisto. Depois, foi sempre a melhorar. Por mais que lutasse por uma vitória (foi segundo nos Nacionais) era na Volta que estava concentrado. Ele e a equipa. Já são mais de 30 anos de espera por uma conquista para o Sporting, um bastante menos para o Tavira (2011).

A época foi praticamente toda jogada na Volta a Portugal. O que não é novidade. Joni começou bem, atacou quando mais ninguém o fez numa subida na Serra da Estrela, que ficou sem Torre devido ao intenso calor (a organização decidiu mudar a etapa), o que não agradou ao líder sportinguista. Raúl Alarcón (W52-FC Porto) teve de trabalhar para deixar claro a Joni que seria preciso mais para o derrotar.

Era preciso um esforço colectivo, que foi confuso e não funcionou quando mais era necessário. Na etapa da Senhora da Graça os ataques foram infrutíferos, mal medidos e faltou um Alejandro Marque mais disponível para o papel de gregário, um Nocentini em melhor forma e ainda houve um Grigovev que ficou abaixo das expectativas depois da época que realizou. Frederico Figueiredo é bom, mas sozinho a ajudar o líder não chega para tornar a equipa forte para derrotar uma W52-FC Porto com tanta qualidade e poderio colectivo.


Ranking: 1º (2421 pontos)
Vitórias: 7 (incluindo etapas nos GP Beiras e Serra da Estrela, Jornal de Notícias e Abimota)
Ciclista com mais triunfos: Rinaldo Nocentini (2)

O segundo lugar de Joni foi merecido, mas não houve vitória de etapa e o objectivo de ganhar a Volta ficou longe de ser alcançado. Além disso, a classificação da montanha e de equipas acabou nas mãos da rival. Soube mesmo a pouco, deixando alguma frustração numa temporada em que se esperava mais quando chegou o momento para que o Sporting-Tavira mais se preparou.

A equipa foi regular, somou sete vitórias - começou a ganhar no Gabão e acabou na Ásia a conquistar a Volta à China II com Marque -, mas faltou-lhe um grande triunfo. No entanto, a regularidade valeu o primeiro lugar no ranking nacional da Associação Portuguesa de Ciclistas Profissionais, com Joni a vencer individualmente.

São três anos de parceria sempre a melhorar. Disso não restam dúvidas. Mas quando se pensava que seria em redor de Joni Brandão que o Sporting-Tavira continuaria a criar o colectivo que possa discutir a corrida mais desejada, eis que o ciclista regressa à Efapel.

Mesmo com a mudança na direcção no Sporting, a aposta no ciclismo mantém-se, com Marco Chagas a ser um "reforço", como conselheiro. O antigo corredor, de 62 anos, foi o último a vencer a Volta com a camisola verde e branca, em 1986. O investimento na equipa está a ser grande. Para já, estão garantidos dois regressos a Portugal de ciclistas com muita experiência internacional, inclusivamente do World Tour: Tiago Machado (Katusha-Alpecin) e José Mendes (Burgos-BH). César Martingil (Liberty Seguros-Carglass) viu premiada a sua boa temporada, que teve como destaque precisamente a boa exibição na Volta.

Martingil vai para a equipa para lutar nos sprints, agora que Fábio Silvestre deverá retirar-se, aos 28 anos. A queda no Gabão foi grave, com o ciclista a fracturar a tíbia e a ficar muito mal tratado. Não competiu esta temporada. De referir que também David Livramento teve uma longa paragem de cerca de quatro meses.

Marco Chagas confirmou a permanência de Nocentini, enquanto Marque até já deu as boas-vindas a Machado, recordando quando foram colegas de equipa há 14 anos, na então Carvalhelhos-Boavista. De saída está Mario Gonzalez. O espanhol que há um ano foi chamado para preencher a vaga de Brandão na Volta, em 2018 conquistou um lugar de destaque na equipa por mérito próprio, tendo vencido uma etapa no Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela. As suas exibições garantiram-lhe um contrato com a Euskadi-Murias, equipa basca que subiu ao escalão Profissional Continental esta temporada e que até se candidatou a um convite para o Tour em 2019.

Quando se fala de ciclistas regulares, Frederico Figueiredo é a definição, numa regularidade de top 10, apesar de poucas vezes ter liberdade por lutar por uma vitória para si. É um corredor a manter. A partir de agora será Machado o líder, ainda que se levante a questão se, depois de tanto tempo como gregário, poderá ser um ciclista líder que discuta a Volta. Sérgio Paulinho não conseguiu fazer essa passagem com sucesso na Efapel.

Tiago Machado é um ciclista diferente de Paulinho, um lutador por excelência e que se irá ver na frente de outras corridas antes de chegar a Volta. Não é ciclista para ser discreto agora que terá toda a liberdade. Não é um trepador nato como Joni Brandão, mas poderá defender-se na montanha e irá, certamente, realizar um trabalho mais específico para a nova função.

Contudo, além de tirar partido da qualidade individual de Machado, o desafio do Sporting-Tavira do próximo ano será ter finalmente um colectivo a funcionar ao nível de uma W52-FC Porto. A funcionar em prol do líder. Só assim será possível discutir a Volta.

2019 é o último ano de parceria do contrato assinado por quatro temporadas entre leões e o Tavira, ficando agora a curiosidade de saber se é para continuar. No entanto, não restam dúvidas que em 2019 se tentará dar mais um passo no aumento de competitividade da equipa.

Veja aqui todos os resultados do Sporting-Tavira em 2018 e das restantes equipas nacionais.

»»A intocável W52-FC Porto««

»»Depois de uma boa época, uma ainda melhor««

23 de novembro de 2017

Aposta forte nos reforços mas a época soube a pouco

O arranque da parceria com o Sporting não foi o mais desejado por parte do Tavira, equipa de enorme tradição no ciclismo nacional. O acordo chegou tarde em 2015, o que significou que já não houve grande margem de manobra nas contratações para 2016. Porém, o panorama foi bem diferente no final do ano passado e Vidal Fitas pôde construir uma equipa bem mais forte. Manteve Rinaldo Nocentini e foi buscar Joni Brandão, um dos principais ciclistas portugueses, que com a Efapel lutou por uma Volta a Portugal. Reforçou ainda mais a equipa com Alejandro Marque, experiente espanhol que já conquistou a principal corrida e que assim regressou a uma casa que bem conhecia. Frederico Figueiredo disse sim ao projecto algarvio, deixando a Rádio Popular-Boavista e Fábio Silvestre aproveitou para competir de novo em Portugal, depois de cinco anos no estrangeiro, dois no World Tour.

Não havia dúvidas o Sporting-Tavira queria rivalizar com a W52-FC Porto e apostar muito forte na Volta a Portugal. O Tavira não a ganha desde 2011, então fê-lo com Ricardo Mestre, agora a representar os rivais. Já o Sporting é preciso recuar a 1985 e 86, quando Marco Chagas venceu as duas edições ao serviço dos leões.

Joni Brandão surgiu como a grande figura, com Alejandro Marque a espreitar a primeira oportunidade que tivesse para liderar. Rinaldo Nocentini até parecia que estaria num terceiro plano. Porém, o italiano teve um grande arranque de temporada. À beira dos 40 anos, entretanto já feitos, Nocentini fechou nono na Volta ao Algarve, venceu uma etapa e foi segundo na geral na Volta ao Alentejo e foi novamente segundo na Clássica da Arrábida. Velho? Nocentini demonstrou que depois de um ano de adaptação a uma nova realidade depois de tanto tempo ao mais alto nível, estava preparado para discutir corridas em Portugal.


Ranking nacional: 2º (2009 pontos)
Vitórias: 6 (incluindo uma etapa na Volta ao Alentejo)
Ciclista com mais triunfos: Vitórias alcançadas por seis corredores diferentes

Marque fez uma temporada mais discreta com o claro objectivo de aparecer bem na Volta a Portugal. Frederico Figueiredo é a consistência em pessoa. Terminar no top dez é algo natural, ficando-lhe a faltar uma vitória. Como homem de trabalho não há dúvidas que está entre os melhores. Já Fábio Silvestre teve um regresso menos feliz. Lutou nos sprints - na prova de Abertura perdeu para o sub-23 Francisco Campos (Miranda-Mortágua) -, ganhou uma etapa no Grande Prémio Abimota, mas soube a pouco para um ciclista com o seu passado e qualidade. Silvestre não se reencontrou com a melhor forma, apesar de não esconder de se sentir extremamente motivado depois de um ano difícil na Leopard.

O Sporting-Tavira parecia a caminho de uma boa temporada, mas acabou por ficar aquém do potencial que a equipa demonstrava. Uma das desilusões para Vidal Fitas foi ver a sua grande contratação ficar de fora da Volta a Portugal devido a um problema de saúde. Joni Brandão começou a sentir que algo estava mal semanas antes e a verdade é que os resultados não apareciam. Só em Fevereiro é que se voltará a ver o ciclista, num ano que acabou por ser perdido. Certamente que aparecerá com mais vontade do que nunca em 2018. Na Volta a Portugal Frederico Figueiredo foi perseguido pelas quedas e não houve outra solução se não abandonar. Marque quebrou a meio da corrida e foi Nocentini quem de facto teve uma exibição muito acima do esperado.

O italiano ambicionou chegar ao pódio (talvez até mais). Contudo, aquela etapa da Serra da Estrela contou uma história para quase todas as equipas nacionais. Para o Sporting-Tavira contou que o entendimento entre Nocentini e Marque esteve longe de ser o melhor. Quarto e quinto classificado no final em Viseu. Não foi mau, mas dificilmente servirá de consolação para quem tinha um conjunto com grande responsabilidade e qualidade e que acabou por sair sem pódio e sem uma vitória de etapa.

Além dos triunfos referidos, o Sporting-Tavira venceu uma etapa da Volta à Bairrada por Jesus Ezquerra, Marque ganhou o contra-relógio do Grande Prémio do Dão e Óscar González a etapa em linha. Mário González fechou a temporada com uma vitória no Memorial Bruno Neves.

Em 2018, Vidal Fitas irá manter o quarteto Brandão, Nocentini, Marque e Figueiredo e espera que os azares tenham acontecido todos este ano. Garantiu, para já, a contratação de Álvaro Trueba (Efapel), Alexander Grigoryev (Russian Helicopters), Nicola Toffali (0711|Cycling). Houve alguns azares, é certo, mas a equipa algarvia quererá (e terá) de alcançar mais e melhor, principalmente nas principais corridas nacionais, além, naturalmente, da Volta a Portugal.

»»Frederico Figueiredo: "Sei que estou perto [da vitória], mas falta aquele clique"««

»»Efapel: Atenções centradas em Sérgio Paulinho com a equipa a corresponder como um todo««

»»O ano da confirmação de Mateos e de um Louletano-Hospital de Loulé cada vez mais ambicioso««

Pub

4 de agosto de 2017

Analisando os principais candidatos: Marque ganha vantagem

(Fotografia: Podium/Volta a Portugal)
Um prólogo nada decide mas se Alejandro Marque ganhasse a Volta a Portugal com 11 segundos de vantagem sobre Gustavo Veloso, teríamos de recuar a este primeiro dia de corrida e aos 5,4 quilómetros de contra-relógio em Lisboa. Ainda é cedo, muito cedo, para fazer previsões, mas na primeira amostra dos principais candidatos à vitória, o espanhol do Sporting-Tavira ganhou vantagem a todos e a distância até é bem simpática e certamente que põe em sentido os adversários.

Marque foi terceiro no contra-relógio, a três segundos de Damien Gaudin, ciclista da equipa do exército francês Armée de Terre. Começamos então pelo espanhol. É um vencedor da Volta a Portugal (2013) que este ano regressou a uma equipa onde se sente em casa. Joni Brandão era suposto ser o líder, mas Marque sempre admitiu que esperava ter a sua oportunidade. Talvez não fosse bem assim que a queria, mas um problema de saúde afastou o colega da Volta e o espanhol pode assim lutar pela vitória, tal como Rinaldo Nocentini. Mas já lá vamos ao italiano.

O contra-relógio é uma das armas de Marque, pelo que só talvez Gustavo Veloso consiga estar ao seu nível. Há que não esquecer que a Volta termina precisamente com um esforço individual e se ganhou mais de 10 segundos em 5,4 quilómetros, se estiver bem em Viseu pode conquistar pelo menos o dobro ou até um pouco mais em 20,1. Pode não ser um ciclista explosivo na montanha, mas sendo algo imprevisível nas suas tácticas, os adversários terão de estar muito atentos.

Nocentini (39 anos) ficou a 10 segundos de Marque o que desde logo confirma que o italiano chega à Volta a Portugal na boa forma que demonstrou no princípio do ano na Volta ao Algarve, por exemplo. Tem 39 anos, mas ainda não pensa em retirar-se e quer ganhar a Volta. A preparação já foi feita de outra forma, agora que conhece as dificuldades que a corrida portuguesa impõe. Está confiante e deixa o sinal que podem contar com ele para a luta. Para já não há problema numa liderança partilhada. O director desportivo, Vidal Fitas, irá certamente jogar com estas duas armas. Porém, se se mantiverem assim tão próximos a ver vamos se não terá de haver uma escolha.

Gustavo Veloso confirmou que é candidato, mas, lá está, já não é aquele dominador de outrora. O espanhol terminou fora do top dez, algo que não se esperava. Foi 12º, a 11 segundos de Marque, 14 de Gaudin, o vencedor. Aos 37 anos também fica a questão se Veloso não poderá fazer alguma gestão de esforço, jogando um pouco mais frio, já que tem a seu favor o facto de estar inserido na melhor equipa do pelotão nacional. Diz-se que a W52-FC Porto é a Sky portuguesa e Veloso de poder-se-á dizer que tal como Froome já demonstrou que é humano e pode ser batido. Ainda assim, é dos principais favoritos e só os ciclistas do Sporting-Tavira o bateram, isto falando apenas dos candidatos.

A curiosidade para com Sérgio Paulinho (37) é enorme! Em 5,4 quilómetros não se vai tirar conclusões, mas pelo menos no que diz respeito ao contra-relógio, o líder da Efapel comprovou que está bem, tal como tinha mostrado nos Nacionais (foi terceiro). A grande questão para com o medalha de prata olímpica (em 2004 na prova de estrada) é como estará na montanha. Terá capacidade para aguentar dia após dia o ritmo da frente? A sua candidatura é mais do válida por toda a qualidade que sabemos que tem, contudo, teremos mesmo de esperar pelas etapas mais difíceis para perceber se Paulinho é candidato à vitória, ao pódio ou ao top dez. No prólogo foi 15º a 14 segundos de Marque.

Outro regressado é Edgar Pinto, ainda que só tenha estado dois anos fora ao contrário de Paulinho que está na Volta a Portugal 13 anos depois da última presença. A LA Alumínios-Metalusa-BlackJack tem todo o direito para sonhar com um excelente resultado do seu líder (31 anos). Tem sido consistente durante toda a temporada, com realce para o 10º lugar na Volta ao Algarve e o sétimo no Alentejo. Ainda somou o oitavo posto na Clássica Aldeias do Xisto, tendo depois reduzido o ritmo de forma a garantir estar no seu melhor no principal objectivo da temporada para todas as equipas portuguesas. É um excelente trepador, adaptando-se bem a subidas mais explosivas, como às mais longas. Sabe gerir o esforço como poucos e é tacticamente muito perspicaz. Edgar Pinto foi 17º a 15 segundos de Alejandro Marque.

A pequena desilusão veio de Vicente García de Mateos (28). E há que realçar a palavra "pequena". O espanhol é sinónimo de confiança. Quer ganhar a Volta a Portugal e não apenas ficar no pódio, isto depois de há um ano ter sido oitavo. De sprinter a trepador, Mateos confirmou esta sua adaptação com sucesso na vitória na Clássica das Aldeias do Xisto. Sempre se defendeu bem nas subidas, mas agora preparou-se para as enfrentar sempre na frente da corrida. Apesar dos 23 segundos perdidos para Marque, este é um ciclista que estará a criar grande desconfiança nos seus adversários. É que nas subidas mais curtas e explosivas que esta Volta a Portugal tem, Mateos poderá fazer grandes estragos, sendo aí que poderá passar muito da sua táctica para conquistar uma vitória para o Louletano-Hospital de Loulé.

Para terminar, a Rádio Popular-Boavista. Rui Sousa é o líder e não há quem não o queira ver de amarelo. Porém, João Benta é um ciclista a ter em conta e a Volta a Portugal só não começou em festa porque Domingos Gonçalves foi batido por Gaudin por dois segundos. Ainda assim, um excelente começou para o campeão nacional de contra-relógio, que ainda espera vestir também ele a camisola amarela pelo menos um dia. Regressando a Rui Sousa, o contra-relógio nunca foi o seu forte, mas os 19 segundos perdidos (a referência é sempre Marque) demonstram que poderá muito bem estar ao nível dos principais candidatos. Já sabe como é Rui Sousa. É lutar até ao fim e desta vez será mesmo o fim. Em ano de despedida é o tudo por tudo por um final à conto de fadas.

Gaudin é o primeiro camisola amarela
Quanto a João Benta, os 34 segundos a mais do que o espanhol do Sporting-Tavira já preocupam. Ainda assim, o ciclista tem o principal objectivo de ganhar uma etapa e de tentar entrar no top dez. Tudo o mais será bem-vindo, mas este não foi o melhor dos arranques, ainda que este ciclista terá tendência a ir melhorando com o decorrer da corrida.

Pode ver aqui a classificação do prólogo que se realizou em Lisboa, com vista para o Mosteiro dos Jerónimos e para o rio Tejo. Damien Gaudin é o primeiro camisola amarela, enquanto o melhor jovem é o canadiano Travis Samuel H&R Block Pro Cycling Team. O Sporting-Tavira lidera por equipas.


Deixamos Lisboa e rumamos até bem perto: Vila Franca de Xira será o palco da partida da primeira etapa. Serão 203 quilómetros feitos debaixo de muito calor, com Setúbal e receber a chegada. As duas terceiras categorias já perto do final podem ser propícias a ataques, principalmente na Arrábida.

»»Um líder e outros cinco potenciais candidatos. Esta W52-FC Porto é um luxo, mas pode ter um inimigo««

»»"Vou tentar estar no meu melhor para mostrar que a vitória não foi por acaso"««

21 de março de 2017

"Nota-se uma pressão que não se tinha antes. Agora os adeptos de futebol também seguem a equipa. Mas isso é muito bom"

Alejandro Marque sente que regressou a casa. Foi no Tavira que viveu alguns dos melhores momentos da sua carreira, ainda que a Volta a Portugal que conquistou em 2013 tenha sido ao serviço da OFM-Quinta da Lixa. Desde o momento da apresentação na cidade algarvia que o espanhol começou a reviver um passado que o marcou. "Sempre foi uma equipa onde fui muito bem tratado", confessou ao Volta ao Ciclismo. Começou a época muito bem e aos 35 anos disse estar num projecto que o motiva. Garantiu ainda que apesar da equipa ter três ciclistas com potencial para ganhar a Volta a Portugal, que não haverá nenhum problema de liderança e que todos estão focados em concretizar o objectivo do Sporting-Tavira.

Porém, neste regresso à estrutura do Tavira há uma grande diferença: o peso do nome Sporting. Alejandro Marque não esconde que é diferente vestir de verde e branco e de ter o símbolo do leão. "Nota-se uma pressão que não se tinha antes. Agora os adeptos de futebol também seguem a equipa", referiu o ciclista que, contudo, acrescenta de imediato: "Isso é muito bom, pois acaba por haver muito mais retorno." Marque fala ainda da reacção das pessoas quando vêem, por exemplo, o carro da equipa, que tanto pode ser de aplausos, como de assobios por parte de prováveis adeptos de outros clubes.

"Estive com o Joni Brandão na Efapel e na altura combinámos uma liderança partilhada e terminámos no segundo e terceiro lugar"

Com a longa experiência que tem no ciclismo, pressão é algo com que está habituado a conviver. "Voltar aqui é importante e motivador", disse. E nota-se. Marque tem aparecido sucessivamente no top 20 das corridas em que tem sido chamado, com destaque para o 13º lugar tanto na Volta ao Algarve, como depois na Volta ao Alentejo. "De mim podem esperar dedicação. Sou muito profissional e tento trabalhar ao máximo para que os resultados apareçam. Espero que assim seja e que consiga muitas vitórias para o Sporting-Tavira", realçou.

No entanto, a palavra "eu" não é a mais importante, mas sim o grupo, o Sporting-Tavira. Para Alejandro Marque é excelente estar numa equipa com três ciclistas com capacidade para ganhar a Volta a Portugal. Além dele, Joni Brandão e o italiano Rinaldo Nocentini, que tem sido o corredor da equipa algarvia em destaque neste início de temporada. Mas o espanhol salientou que estão concentrados e unidos em garantir que o Sporting-Tavira saia vencedor, independentemente do ciclista que der essa vitória.

Assegurou, por isso, que o entendimento entre os potenciais líderes é completo e dá o exemplo do que aconteceu em 2015. "Estive com o Joni Brandão na Efapel e na altura combinámos uma liderança partilhada e terminámos no segundo e terceiro lugar [vantagem para o português]. Creio que a nossa relação continua a ser boa. Não temos nenhum tipo de problema e o objectivo principal é ganhar pela equipa. Não vamos deixar que os nossos objectivos individuais coloquem de parte os do Sporting-Tavira. Queremos vencer com esta camisola", frisou.

O ciclista espanhol regressou à estrutura do Tavira depois de no ano passado ter estado na LA Alumínios-Antarte, onde não conseguiu encontrar a sua melhor forma, ficando inclusivamente fora do top dez na Volta a Portugal. Alimenta o sonho de voltar a conquistar a principal prova nacional, mas recorda os grandes momentos que viveu no Tavira entre 2008 e 2010 quando foi uma peça fundamental na equipa que ajudou David Blanco a conquistar três vitórias consecutivas na Volta a Portugal, (viria a vencer também em 2012, mas já na Efapel). "Aqui persiste o bom ambiente que se vivia então na equipa. Foi inesquecível contribuir para aquelas vitórias", recordou.


4 de agosto de 2016

Salvar algo desta Volta a Portugal

Rinaldo Nocentini está a tentar dar pelo menos uma vitória de etapa ao Sporting-Tavira
(Fotografia: Volta a Portugal)
Chegámos a essa fase. Faltam duas etapas em linha e um contra-relógio e há quem esteja a ver que vai passar completamente ao lado da Volta a Portugal, o momento do ano em que tem a responsabilidade de se mostrar. O exemplo mais claro é o Sporting-Tavira. A equipa é desde já a mais forte candidata a desilusão da competição e não parece ter resposta para fugir a isso. Segue-se um Alejandro Marque que de candidato passou a um ciclista desesperado por uma vitória para salvar a honra. No entanto, a LA Alumínios-Antarte não está a ter uma má volta, pois tem Amaro Antunes no top dez. Procurava lutar pela vitória, mas é um mal menor. Nas equipa estrangeiras já se começava a estranhar a Caja Rural, no entanto, esta quinta-feira José Gonçalves deu a resposta. E de que maneira!

O início de ano atribulado para o Sporting-Tavira acabou por ditar toda uma temporada. A incerteza das negociações com os leões, confirmadas tardiamente quando já as outras equipas tinham mais ou menos definido os seus ciclistas, acabou por limitar a constituição do conjunto. Foram buscar Rinaldo Nocentini, um veterano de 38, mas com uma vasta experiência no World Tour. O italiano acabou por ser a grande aposta e respondeu com um segundo lugar na Volta ao Azerbaijão e a vitória no Troféu Joaquim Agostinho.

Na Volta a Portugal começou com uma queda e é difícil perceber o que realmente poderia o italiano ter feito. É 21º, a 27,20 minutos, sendo o melhor do Sporting-Tavira. Ainda foi a um sprint para pelo menos ganhar a etapa, mas também não foi feliz.

Mario Gonzalez tentou esta quinta-feira andar na fuga, mas nem aguentou até esta ser alcançada pelo pelotão. Muito pouco para o Tavira que já foi das melhores equipas do pelotão e que está a precisar de uma reestruturação profunda para 2017 para recuperar a força (e algum prestígio) perdida.

Amaro Antunes (Fotografia: Volta a Portugal)
Quanto a Alejandro Marque, o galego trocou a Efapel pela LA Alumínios-Antarte para voltar a ser líder indiscutível na luta pela vitória na Volta a Portugal, que venceu em 2013. Marque está a 11:27 da liderança, uma distância impensável e que o deixa no 13º lugar. Na sétima etapa foi para a fuga e deu tudo. Foi notória a vontade de ganhar, mas já se sabe que com uma W52-FC Porto tão forte, ainda mais ajudada pela Androni, seria quase impossível não haver uma chegada ao sprint. Resta a Marque apostar tudo na última etapa, pois é um especialista no contra-relógio.

Porém, o galego não consegue esconder o desapontamento pela sua performance na Volta a Portugal, lutar por uma vitória de uma etapa já é um caso de quase desespero para Alejandro Marque. Uma desilusão para a LA Alumínios-Antarte, que apostou na experiência (34 anos) de Marque, mas que vê Amaro Antunes (25) dar garantias para o futuro, mostrando que é mais um ciclista português a ter em conta.

 A celebração de raiva de José Gonçalves (Fotografia: Volta a Portugal)
Sobrava José Gonçalves que, no seu caso, não se poderá falar em salvar algo, apenas que seria muito estranho um lutador como ele não sair de Portugal com uma vitória. Ora aí está ela, em Castelo Branco, onde nenhum português ganhava desde 2009. A forma como festejou mostrou toda raiva com que sprintou de forma avassaladora, melhor do que qualquer sprinter presente. O português está a preparar a Volta a Espanha e já se sabe, não esconde a desilusão de não estar nos Jogos Olímpicos. Mas a Caja Rural pode estar descansada, Gonçalves está preparado para brilhar na Vuelta e espera-se que desta vez com a recompensa de uma etapa, que tanto mereceu no ano passado.
8ª etapa: Nazaré - Arruda dos Vinhos (208,5 quilómetros)


Uma ida ao Oeste para duas estreias, tanto na partida, como na chegada, com passagem por Torres Vedras. Uma etapa onde será impossível não falar de Joaquim Agostinho e que tem ainda como pormenor a passagem do pelotão na Nossa Senhora das Neves, precisamente no dia em que é celebrada. É a etapa mais longa da Volta a Portugal, que conta com uma segunda categoria e um circuito final com a subida a Arranhó e Sobral de Monte Agraço.



Veja os resultados da sétima etapa entre Figueira de Castelo Rodrigo e Castelo Branco (182 quilómetros) e as classificações da Volta a Portugal.

26 de julho de 2016

As emoções da nossa Volta

(Fotografia: Volta a Portugal)
Chegou aquele momento em que saímos de uma Volta a França onde estiveram os grandes nomes do ciclismo para uma Volta a Portugal que por mais que esteja longe do esplendor de outros tempos continua a provocar emoções quando se gosta de ciclismo. É preciso mudar o "chip", é certo, mas as emoções da "nossa volta" continuam a ser incomparáveis, pois quando se cresce a ver os ciclistas passarem nas estradas nacionais, com os avós a levarem os netos, os pais a tentarem identificar aos filhos quem são as grandes figuras que passam tão rápido e que ainda assim causam aquele arrepio na espinha... É o ciclismo português, mesmo que a volta não tenha a projecção de outros tempos. Não, na Volta a Portugal não temos um pelotão de luxo que a Volta ao Algarve já vai trazendo, mas temos aquela tradição que teme em não morrer apesar de por vezes tanto sofrer.

De Oliveira de Azeméis a Lisboa, 2016 trouxe uma Volta a Portugal um pouco diferente e que desde logo deu que falar: não haverá chegada em alto na Torre. Parece que faltará algo, mas a etapa, ainda assim, tem tudo para ser espectacular. E claro que a norte haverá grande expectativa para ver as bicicletas a passarem num troço normalmente destinado ao Rali de Portugal, em Fafe.

Se o percurso é bom ou mau, haverá tempo para discutir durante os próximos dias e já a partir desta quarta-feira. Agora é o pelotão que conta, ainda mais com o regresso do FC Porto e do Sporting e já se sabe como em Portugal o clubismo é capaz de contribuir ainda mais para que o ciclismo possa ter outro tipo de projecção. Mas, em Portugal é muito mais do que as equipas que contam, pois Joni Brandão (segundo classificado em 2015 e um dos principais candidatos, na liderança da Efapel) , Rui Sousa (Rádio Popular-Boavista), Rafael Reis (W52-FC Porto) e Amaro Antunes (LA Alumínios-Antarte) sabem que contarão com um carinho especial, assim como os portugueses que representam equipas estrangeiras como José Gonçalves (que muito espectáculo deu há um ano), Domingos Gonçalves e Ricardo Vilela (todos da Caja Rural, a equipa estrangeira mais forte presente na Volta) ou Bruno Pires (Team Roth).

Claro que para cumprir também uma tradição deste século, são os espanhóis os favoritos: Gustavo Veloso (W52-FC Porto) procura a terceira vitória consecutiva, enquanto Alejandro Marque (agora na LA Alumínios-Antarte) procura a segunda. Os dois são novamente considerados os principais candidatos, pois defendem-se muito bem no contra-relógio que este ano fecha a competição. São dez vitórias espanholas no século XXI (cinco de David Blanco) e apenas duas portugueses, com Nuno Ribeiro, em 2003, e Ricardo Mestre, em 2011.

Na Volta a Portugal aprendeu-se a viver mais pela emoção, pela proximidade. É o momento para reviver momentos como que se prolongam há décadas na Senhora da Graça, cuja peregrinação dos adeptos repete-se ano após ano, com crise ou sem crise. E mesmo que a Torre não tenha uma meta colocada continuará a ser um dos pontos de eleição de quem não quer perder um dos grandes momentos de uma competição que é conhecida como a Grandíssima.

É preciso fazer mudanças para que um dia a Volta a Portugal possa regressar a ter um papel mais importante no calendário internacional. O dia talvez chegará, mas são conversas para outro dia. Para já o que poderemos desejar é que as equipas portuguesas, que muito vão lutando para continuar na estrada, mostrem o seu melhor naqueles que são os dez dias mais importantes do ano para elas. Também desejamos que algumas das equipas estrangeiras - este ano são 12 - estejam cá para um pouco mais do que fazer treino em competição, como aconteceu em 2015.

O ciclismo está a chegar às nossas terras. Este ano até desce um pouco a Sul. Chegou o momento de preparar a marmita escolher o local e ir para a estrada. A Volta a Portugal vai começar!



13 de junho de 2016

Esta sensação que falta algo na Volta a Portugal

O slogan diz que é "a mais dura e longa dos últimos". Se a distância pode ser comprovada pelos números, já a dureza fica aberta à opinião de cada um. A quarta, quinta e sexta etapa poderão ser decisivas, mas se a tradição na Senhora da Graça se mantém, passar duas vezes pela Torre sem cortar lá a meta, dá a sensação que falta algo à Volta a Portugal (de 27 de Julho a 7 de Agosto).

Não é inédito não haver uma chegada em alto na Serra da Estrela, mas tirar a Torre da Volta a Portugal é como tirar o Alpe d'Huez à Volta a França, na sua devida proporção de importância no ciclismo, claro: acontece, mas a exclusão nunca é pacífica. No caso da Torre a situação é ainda mais grave. Se em França são várias as subidas míticas, Portugal tem basicamente duas (há que admitir que cada vez mais o Alto do Malhão ganha o seu lugar como a terceira, com a ajuda de uma internacional Volta ao Algarve).

A verdade é que a Torre tem um grande simbolismo numa prova que continua a entusiasmar os portugueses. Já não atrai a atenção de outrora de equipas estrangeiras, mas cá dentro, as formações nacionais estão um ano a preparar aqueles dez dias de competição. Aqueles dez dias em que a atenção finalmente se centra nelas. Os adeptos, uns mais apaixonados pela modalidade, outros pela convivência que só ciclismo proporcionam, aguardam pelas grandes etapas. Será possível ver o pelotão passar duas vezes na Torre, o que é sempre agradável... mas faltará a celebração de um vencedor.

Serão ainda cerca de 70 quilómetros que separam a última passagem na Serra da Estrela da meta, uma distância que poderá permitir recuperações, podendo assim tirar alguma daquela pressão de uma etapa que normalmente assume carácter de decisiva.



Mas não sejamos fatalistas, a Volta terá o seu espectáculo e na segunda etapa a introdução de um troço de 2,2 quilómetros em terra batida, em Fafe, famoso no Rali de Portugal, é algo de entusiasmante. Provavelmente mais para quem assiste do que para quem terá de o enfrentar. Está colocado a apenas 18 quilómetros da meta, o que significa que algum problema (furo, problema mecânico, queda, por exemplo) poderá custar tempo precioso.

Tirando a questão da Torre, o percurso da Volta até se apresenta como muito interessante e há que dar as boas-vindas à Nazaré e Arruda dos Vinhos, que se estreiam nestas andanças, e, principalmente há que destacar que a Volta a Portugal volta a incluir o sul, com uma partida em Alcácer do Sal. Já começava a parecer demasiado estranho uma Volta que tinha os municípios do norte e centro do país como constantes escolhas. Mas ainda não é desta que regressará ao Algarve, algo que as equipas do Tavira e Louletano certamente gostariam.

Uma escolha que foi bastante correcta foi o contra-relógio a terminar. Em voltas curtas, etapas de consagração parecem um desperdício de dia. Se é para lutar, é para lutar até o fim. Os 32 quilómetros entre Vila Franca de Xira e Lisboa assumem uma importância extrema e será emoção até ao último metro. Ou pelo menos assim se espera.




Afinal quem é mais beneficiado?

Desde o anúncio que a Torre não receberia o final em alto que surgiram as críticas, principalmente dos candidatos portugueses. Joni Brandão apresenta-se como o principal pretendente luso, mas não ficou satisfeito com percurso. Para o ciclista da Efapel, sem a chegada à Torre e com o contra-relógio final, quem irá beneficiar serão os espanhóis Gustavo Veloso (W52-FC Porto) - vencedor das duas últimas edições -  e Alejandro Marque (LA Alumínios-Antarte). Mas os espanhóis refutam essa ideia.

Com apenas a chegada em alto na Senhora da Graça, os trepadores puros podem ser um pouco prejudicados, principalmente se tiverem dificuldades em defender-se no contra-relógio. É o caso de Joni Brandão. Tem revelado estar cada vez mais em forma rumo à Volta a Portugal, mas o português assume que o contra-relógio é algo que tem de ser trabalhado. Se conseguir melhorar, então boas prestações nas etapas mais difíceis poderão valer-lhe a conquista do tempo necessário para se defender no esforço individual da última etapa. Já Veloso e Marque poderão enfrentar a corrida com tácticas diferentes. São excelentes trepadores e não têm problemas no contra-relógio. Joni Brandão terá de atacar nas subidas, os espanhóis podem jogar mais friamente e estar mais à defesa.

Veloso e Marque estarão mais satisfeitos com o percurso, mas não são vencedores antecipados. A mudança da Torre implicará tácticas diferentes, no entanto, haverão hipóteses de se ganhar tempo para aqueles que têm mais problemas com o contra-relógio.

Porém, no jogo das palavras, Joni Brandão sai na frente. Colocou desde já a pressão do lado dos adversários, tentando dar a si próprio um papel um pouco mais secundário. Ainda assim, não engana ninguém e é nele que recai a maior esperança de voltar a ter um português a vencer a Volta, depois de Ricardo Mestre o ter feito em 2011.

Mais candidatos

A Volta a Portugal não será feita apenas de três ciclistas. São os principais candidatos, mas atenção a Rinaldo Nocentini. Aos 38 anos o italiano pode estar a preparar o final da carreira, mas o segundo lugar na Volta ao Azerbaijão comprova que Nocentini ainda quer fazer algo pelo Sporting-Tavira que aposta muito no experiente ciclista.

Quanto a portugueses, aos 25 anos Amaro Antunes (LA Alumínios-Antarte) deverá mostrar-se, mas as expectativas são muito altas para Rafael Reis. Aos 23 anos, a mudança para a W52-FC Porto está a ser muito positiva. Esta cada vez mais forte no contra-relógio e já lhe são reconhecidas as capacidades de trepador. Poderá estar tapado por ter Gustavo Veloso como líder, mas é ainda assim um outsider a ter em conta e está a realizar uma temporada espectacular.