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19 de junho de 2018

"Não tenho vontade de voltar a França, quero correr aqui"

Guillaume de Almeida nem quer ouvir falar de regressar a França para prosseguir a carreira. Descer ao escalão amador não deixou o ciclista desmotivado, considerando até algo normal, depois de dois anos como profissional. Sente-se português, é português de nacionalidade e é por cá que se sente bem a competir. Almeida não hesita em dizer que está muito feliz na Fortunna-Maia e nas últimas corridas a subida de forma é notória. Com o Troféu Joaquim Agostinho em mente, o ciclista quer comprovar que tem valor.

"Está a ser a minha melhor época", afirmou com convicção. "O ano passado não me correu bem e só quero provar que tenho valor para estar nos profissionais. Quem sabe alguma equipa esteja interessada no final da temporada", acrescentou ao Volta ao Ciclismo. Apostou no ciclismo apenas aos 20 anos e os últimos três (tem 29) estão a ser passados em Portugal, primeiro na Rádio Popular-Boavista e em 2017 na LA Alumínios-Metalusa-BlackJack.

Filho de pais portugueses, até tem estado bastante por França este ano, mas é em Portugal que se sente bem, principalmente quando se fala de competições. "Lá há poucas corridas duras [para amadores]. Muitas chegam ao sprint, há muitos circuitos... Não gosto. Os trepadores têm poucas oportunidades para ganhar. Nos amadores é assim. As três corridas que acabavam em alto, já não existem", explicou. É por isso que confessou: "Não tenho vontade de voltar a França, quero correr aqui"

"Agora com o calor é quando me dou melhor nas corridas. Nos últimos dois anos, esta fase da época correu-me bem"

Um ciclista descer ao escalão amador não é anormal, mas é, por vezes, visto como um passo atrás na carreira. Guillaume de Almeida é peremptório em dizer que não é dessa opinião: "Eu sei que aqui não é muito normal os ciclistas voltarem a correr em amador, mas em França há muitos que foram profissionais e depois correm em amadores até aos 35 anos/40 anos."

Na Fortunna-Maia tem outro companheiro na mesma situação, Jacobo Ucha. Tal como o espanhol, só tem elogios para a equipa: "Aqui sinto-me melhor do que no ano passado. Gosto muito, somos todos amigos." E não se importa nada que seja chamado de várias formas, que não incluem Guillaume. Almeida ou mesmo Meida, são dois exemplos.

Assegurou que está completamente motivado em continuar a trabalhar para ir mais longe. Para já, o objectivo é estar novamente bem numa corrida onde já se mostrou no passado. "Estou a 90% [neste momento] e, em teoria [o pico de forma] é para Julho, a pensar no Troféu Joaquim Agostinho." Ganhar uma etapa é o objectivo, realçando que os seus companheiros também estão muito bem para concretizar algo que seria muito especial para uma equipa de clube. "Agora com o calor é quando me dou melhor nas corridas. Nos últimos dois anos, esta fase da época correu-me bem", recordou, satisfeito por parecer que a chuva e o frio vão dar umas tréguas.

Antes do Troféu Joaquim Agostinho tem os Nacionais. Apesar de ainda aparecer por vezes como francês, Guillaume de Almeida é português e uma das razões da mudança foi mesmo para poder estar nos nossos Nacionais, como aconteceu em 2017. "Estou a pensar nessa corrida, mas sei que é ainda mais complicado. Todos querem ganhar e o nível é ainda mais alto. Vou tentar fazer o melhor possível e tentar um bom lugar. E nunca se sabe..." A corrida de elite será no domingo, nuns Nacionais que arrancam sexta-feira e têm como palco Belmonte.

"[Esta geração francesa] é a melhor de há dez anos"

Além de querer lutar pelo título nacional português, vestir a camisola da selecção seria um motivo de orgulho. "Não acredito que seja chamado, mas sim, gostaria de vestir a camisola da selecção. Se fizessem uma equipa para a Volta a Portugal, como já aconteceu, gostaria de lá estar", disse.

Não se resistiu a puxar pela sua veia francesa e com o Tour a aproximar-se, como será que vão estar os ciclistas gauleses? "Gosto muito do Romain Bardet. Talvez seja este ano. Nas clássicas do início da época esteve sempre bem e parece estar a um nível mais alto", referiu. Para Almeida "Froome não irá estar tão bem porque fez o Giro", o que abre mais a porta a Bardet (AG2R). Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) está fora depois de ter acabado a Volta a Itália com uma pneumonia - nem partiu para a última etapa -, mas há outro nome que realça: Lillian Calmejane, da Direct Energie.

"Fomos colegas de equipa. É muito determinado e é muito forte psicologicamente", descreveu. Pierre Latour, companheiro de Bardet, é outro ciclista que conhece bem, pois competiu contra ele enquanto amador. "[Esta geração francesa] é a melhor de há dez anos", afirmou.

O Tour vai ver de longe e o pensamento de Guillaume de Almeida está mesmo concentrado em conquistar uma vitória que lhe possa relançar a carreira para outro nível, pois certo, é que a ambição continua a não ter limites para este ciclista.

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2 de abril de 2018

"Não é fácil estar dois anos como profissional e ter de voltar a amador"

Em dois anos, Jacobo Ucha concretizou o sonho de ser ciclista profissional e chegou à equipa que tem dominado em Portugal. No entanto, viu as portas fecharem-se quando a W52-FC Porto reduziu o seu plantel e não encontrou espaço noutra formação de elite. Não hesitou e perante o desejo de continuar por cá, falou com José Rodrigues e assumiu um papel de diferente responsabilidade na Fortunna-Maia. Ter de voltar ao estatuto de amador não o desanima e o corredor espanhol mostra motivação em ajudar os companheiros, mas sem esconder o objectivo bem definido de regressar ao profissionalismo o mais rapidamente possível. Tem Raul Alarcón como exemplo e só pensa em mostrar-se para assim convencer um director desportivo a, quem sabe, contratá-lo ainda esta temporada.

"Não é fácil estar dois anos como profissional e ter de voltar a amador. Mas são coisas que acontecem no ciclismo. A vida dá muitas voltas e o ciclismo também. Não sabemos onde podemos estar amanhã", salientou ao Volta ao Ciclismo. Ucha olha para o compatriota que teve como companheiro em 2017 como mais uma motivação: "Temos o caso do Raul Alarcón, que no ano passado ganhou a Volta a Portugal. Ele passou pelo Pro Tour, em 2007 e 2008, e depois teve de voltar a correr em amador. Depois de tantos anos em Portugal, olha o grande ciclista que ele é."

A Rádio Popular-Boavista foi buscar Ucha já com a temporada a decorrer, em 2016, depois de evoluir na equipa de sub-23 da Caja Rural. O ciclista espanhol foi uma aposta forte principalmente no calendário do seu país. Mudou-se para a W52-FC Porto, mas acabou por não conseguir garantir um novo contrato. "Não ganhei nenhuma corrida, nem tive um resultado top, mas foi uma época de muito trabalho porque tivemos líderes como o Raul Alarcón, Gustavo Veloso, Amaro Antunes, Rui Vinhas... Era muita gente para quem tínhamos de trabalhar e foi uma época de sucesso. No entanto, não podemos ganhar todos numa equipa tão forte como a W52-FC Porto", referiu. Jacobo Ucha afirmou que a razão para não ficar na estrutura, deveu-se à diminuição de ciclistas por equipa nas corridas, imposta pela UCI, ou seja, nas prova nacionais, passaram de oito para sete: "Eram 14 na W52-FC Porto e este ano são 12. Não podiam ficar todos e tocou-me a mim."


"Às vezes as coisas não correm como queremos. Acho que tive oportunidades. Agora não estou numa equipa profissional, mas estou a trabalhar para voltar a estar"

Suspira quando se lhe pergunta se considera que teve as oportunidades que esperava nas duas equipas. Para Ucha, a questão prende-se mais com o não ter conseguido realizar boas performances em corridas em que se preparava para tal. "Há sempre oportunidades, mas nem sempre as corridas acontecem como queremos. Preparei o Grande Prémio Abimota muito bem. Cheguei ali tendo feito os meus melhores treinos. Na primeira etapa estavam 40 graus e deu-me um golpe de calor. Fiquei logo ali. Abandonei. Às vezes as coisas não correm como queremos. Acho que tive oportunidades. Agora não estou numa equipa profissional, mas estou a trabalhar para voltar a estar", frisou.

O ciclista contou que quando procurava definir o seu futuro, ligou ao amigo José Rodrigues e o director desportivo da Fortunna-Maia contratou o espanhol. "Estou feliz aqui. É um conjunto muito humilde. Não é uma equipa muito grande, mas não nos falta nada. Tenho bons companheiros e tenho confiança com o director. Penso que é uma equipa onde podemos evoluir bastante esta época", disse.

Quando assinou Rádio Popular-Boavista e depois pela W52-FC Porto, ambos os directores desportivos - José Santos e Nuno Ribeiro - realçaram a característica de ser um ciclista que trabalha bem em prol do colectivo, além, naturalmente, da qualidade como rolador e de saber defender-se na montanha. Na Fortunna-Maia, deixa o papel de homem de trabalho e assume a responsabilidade de guiar os seus jovens companheiros, alguns deles acabados de chegar do escalão de juniores. "Ainda não sabem, por exemplo, posicionar-se no pelotão, não sabem quando têm de atacar, quando têm de ir na roda... O meu trabalho nesta equipa também é um bocado falar com eles, levá-los para a frente da corrida, dizer-lhes quando comer, quando ir para a fuga ou não ir. Tenho mais experiência e é algo que tenho de fazer."

No entanto, estamos a falar de um ciclista que esta terça-feira celebra apenas o seu 25º aniversário: "Considero que sou uma pessoa que, apesar da idade, tenho muita experiência. Quando estive na Caja Rural, nos últimos dois anos era o mais velho da equipa e falava sempre com os mais novos. Não me sinto mal neste papel. Pelo contrário, sinto-me muito bem. Mais do que um líder, sou uma pessoa com experiência que sabe o que fazer, quando o fazer."


"Aqui posso fazer a minha corrida. Quando quiser atacar, ataco, quando quero estar no pelotão, estou no pelotão. Aqui posso fazer as coisas como quero"

Claro que numa perspectiva mais individual, Ucha não esconde que na Fortunna-Maia tem uma liberdade impensável na formação do Sobrado. "Aqui posso correr mais e tenho mais oportunidades. Na W52-FC Porto quase sempre tinha de trabalhar para outro. Aqui posso fazer a minha corrida. Quando quiser atacar, ataco, quando quero estar no pelotão, estou no pelotão. Aqui posso fazer as coisas como quero", confirmou.

Regressar ao seu país para competir é algo em que não pensou e não pensa. "O ciclismo em Espanha melhorou, mas é difícil passar a profissional", explicou. Acrescentou que as melhores hipóteses são para os ciclistas que estão nos sub-23 da Caja Rural, na equipa de Alberto Contador ou então no País Basco. "É mais fácil em Portugal", disse. "E depois já estou aqui há dois anos, conheço bem as corridas e as pessoas. Moro na Galiza [é de Porriño, Pontevedra] que fica perto. Era mais fácil para mim ficar cá."

Com o calendário nacional a ficar bastante ligeiro nos próximo dois meses, Jacobo Ucha aponta Junho como a fase em que quer apresentar-se na melhor forma. "O Grande Prémio JN vai ser um objectivo muito importante para mim e para a equipa. Sempre foi para mim e volta a ser. É no norte, no local da equipa. Gosto das etapas e conheço algumas zonas porque também treino no norte de Portugal. Tenho ganas de preparar a prova. Depois temos o Grande Prémio Abimota, os campeonatos Nacionais... Vai ser uma fase da época importante. Na Volta ao Alentejo faltou um pouco de ritmo, mas acho que para o JN vamos estar com força para fazer alguma coisa", garantiu.

Até lá vai manter-se atento a uma oportunidade que possa surgir para regressar ao profissionalismo. "Quem sabe se alguma equipa portuguesa possa precisar de um ciclista se tiver algum percalço." Porém, a Fortunna-Maia pode estar descansada que terá um Jacobo Ucha determinado a dar destaque à equipa, como o fez ao vencer a quarta e última etapa do Challenge 4 Días de Ourense Estaciones Vivas.

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