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14 de novembro de 2019

Floyd Landis não vai continuar a patrocinar equipa

(Fotografia: © Brian Hodes-Veloimages/Floyd's Pro Cycling)
Um ano depois de ter abanado o ciclismo com o seu regresso, Floyd Landis vai afastar-se novamente da modalidade. O antigo ciclista patrocinou uma equipa canadiana durante 2019, mas não vai continuar e, sem alternativa para substituir o apoio de Landis, a formação é mais uma a fechar portas.

A Floyd's Pro Cycling enfrentou algumas dificuldades devido ao patrocínio do ex-corredor, que continua a ser visto como um dos rostos de uma era negra da modalidade. Porém, a equipa realizou uma boa temporada, com muitas vitórias.

No final da época passada, Landis surgiu para ajudar a salvar a então Silber, equipa do escalão Continental. O objectivo passou por utilizar o dinheiro que recebeu por ter denunciado Lance Armstrong e todo o esquema de doping que durante anos perdurou na então US Postal. Landis foi essencial para que o antigo companheiro de equipa fosse acusado. O ex-ciclista americano ficou com cerca de 750 mil dólares (cerca de 680 mil euros).

"O Floyd Landis apoiou a nossa equipa numa altura em que o ciclismo norte-americano precisava e quando poderia facilmente ter utilizado o dinheiro para investir no crescimento da Floyd's of Leadville", escreveu o director geral e um dos donos da equipa, Scott McFarlane. O responsável referia-se à loja que Landis tem no Colorado, dedicada à venda de canábis e de produtos com esta substância. Legal naquele estado, não deixou de causar algum desconforto, nomeadamente no Canadá, onde a estrutura estava registada.

O primeiro dissabor foi precisamente este: a equipa não podia ter o nome da loja. Passou a ser Floyd's Pro Cycling, com o símbolo nas camisolas a ser muito parecido com o do seu negócio. Este regresso de Landis à modalidade era justificado com o querer ajudar os mais novos a terem uma oportunidade de construírem uma carreira.

A questão da canábis poderia causar algum desconforto, mas foi o regresso de Landis que fez com que a equipa fosse bastante escrutinada. O americano, agora com 44 anos, continua a ser um dos rostos de uma era muito negativa do ciclismo. Antes de ser uam testemunha importante contra Armstrong, já Landis tinha um passado público ligado ao doping. Ganhou a Volta a França em 2006, mas foi desclassificado pela utilização de substâncias proibidas. Foi suspenso, ainda competiu duas épocas após cumprir a sanção, mas era uma pessoa marcada. Ainda o é.

Um dos exemplos de como Landis causou desconforto durante 2019 foi uma nova mudança de nome da equipa. Na Volta ao Utah, em Agosto, o anúncio da presença da formação canadiana foi feita como Worthy Pro Cycling, que era um patrocinador secundário da estrutura. Não aparecer o nome de Landis terá sido uma condição para a formação poder participar na prova. Nessa altura começou a ganhar força a saída de Landis. O ex-ciclista salientava que não poderia continuar a utilizar os seus recursos financeiros sem ter garantias que pudesse estar presentes nas corridas. Por mais que quisesse ajudar jovens atletas, havia sempre a ter em conta o lado de marketing no seu patrocínio.

A decisão acabou mesmo por ser dizer adeus ao projecto. Scott McFarlane tentou encontrar uma alternativa, mas não encontrou um patrocinador para manter a equipa. 2019 terminou com 34 vitórias, 10 em corridas UCI e com três títulos nacionais, resultados que ainda assim não foram suficientes para conseguir apoios para continuar na estrada.

4 de outubro de 2018

Floyd Landis quer salvar equipa de ciclismo

(Fotografia: Facebook Floyd's of Leadville)
Com algumas equipas a já terem confirmado o seu fim e outras à procura desesperadamente de investidores para salvar as estruturas, uma dessas soluções poderá chegar de onde menos se esperava. Nos últimos dois anos, Floyd Landis tem-se dedicado à sua loja de venda de produtos com canábis, no Colorado. Porém, quer regressar ao ciclismo como dono de uma equipa, no que diz ser uma forma de encerrar um capítulo da sua vida. Ou seja, para o americano, a melhor forma de utilizar o dinheiro que ganhou por ter denunciado Lance Armstrong é aplicá-lo novamente na modalidade, numa equipa que ajude a formar jovens ciclistas.

"Tenho uma relação conflituosa com o ciclismo, como todos sabem, mas ainda gosto e ainda me lembro de como era ser um miúdo e correr numa equipa local. Foram alguns dos melhores anos da minha vida", afirmou ao Wall Street Journal. Segundo o jornal, Landis ficou com 750 mil dólares (cerca de 652 mil euros) do dinheiro que recebeu ao denunciar o antigo companheiro de equipa, explicando o esquema de doping, que, sendo a equipa patrocinada pela US Postal, significaria que o governo americano teria sido defraudado por Amstrong.

Pagas as despesas legais de Landis, sobrou o suficiente para ajudar a Silber, equipa canadiana do escalão Continental, com o antigo ciclista a libertar também mais fundos do dinheiro ganho com a sua loja, a Floyd's of Leadville. Apesar de três equipas americanas estarem em risco de fechar devido à perda de patrocinadores - Holowesko, United Healthcare (ambas Profissionais Continentais) e Jelly Belly (Continental) - Landis preferiu apostar além fronteiras, com a licença a manter-se canadiana. "Tenho uma longa história com a USA Cycling e assumi que começaria do zero", disse.

Landis foi uma das pessoas essenciais no caso contra Armstrong, nomeadamente naquele que levaria o antigo ciclista a enfrentar o processo que lhe poderia custar 100 milhões de dólares por fraude contra o governo dos Estados Unidos. Armstrong conseguiu chegar a um acordo de cinco milhões. Porém, o próprio Landis tem um passado com doping. O americano sucedeu a Armstrong na lista de vencedores da Volta a França em 2006, depois de sete vitórias consecutivas, que lhe foram retiradas.

Landis já tinha deixado a US Postal para ser líder da Phonak Hearing Systems, por quem ganhou o Tour em 2006. No entanto, não demorou muito a ser conhecida a análise positiva de uso de testosterona durante a corrida, o que acabaria por resultar na perda da vitória, com o espanhol Óscar Pereiro a ver-lhe ser atribuída a conquista daquela edição. Landis ainda regressou ao ciclismo em 2009, ficando dois anos no nível Continental, até sair definitivamente de cena. Até agora.

Aos 42 anos, Floyd Landis poderá ser o autor um regresso pouco desejável, tendo em conta a sua suspensão e o que aconteceu na US Postal quando lá estava. "Podem-me colocar na mesma prateleira que todos os outros que querem que eu me vá embora, mas, ao fim e ao cabo, em vez de gritarem e berrarem na internet como eu deveria ir-me embora, poderiam ir e encontrar outros patrocinadores para os ajudar a promover o desporto. Essas pessoas vão continuar a falar assim e são assim que elas são", afirmou.

»»Nem de homens, nem de mulheres. Mais uma equipa que termina««

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