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20 de janeiro de 2018

Convites para o Giro atribuídos. Não haverá despedida para Damiano Cunego

Cunego esteve em destaque no Giro em 2016. Lutou pela classificação da montanha,
o que o levou ao pódio 12 anos depois da última vez. Porém, acabou em segundo
(Fotografia: Giro d'Italia)
Uma Volta a Itália, quatro etapas e mais duas na Vuelta, três Lombardias, três Giros del Trentino (actual Volta aos Alpes), uma Amstel Gold Race e um título mundial de juniores. Há muito que Damiano Cunego se apagou, mas o italiano não deixa de ser uma figura do ciclismo transalpino, um destaque da então Lampre e antes na Saeco. Foram 35 vitórias como profissional. Em 2015 mudou-se para a Nippo-Vini Fantini, à procura de um último fôlego na sua carreira, numa equipa com responsabilidades diferentes, mas com a ambição de com Cunego destacar-se onde qualquer estrutura italiana mais quer: no Giro. Em 2017 foi uma tremenda desilusão ficar de fora da 100ª edição, mas a Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini tinha renovado a esperança de um convite para 2018, quando Cunego anunciou que pretendia terminar a carreira na Volta a Itália. Porém, o derradeiro desejo do ciclista não foi atendido.

A organização do Giro, que se realiza de 4 a 27 de Maio, anunciou os destinatários dos quatro convites: Androni Giocattoli-Sidermec, Wilier Triestina-Selle Italia, Bardiani-CSF e Israel Cycling Academy. Três equipas italianas e, sem surpresa, a formação israelita. Esta última tinha entrada praticamente garantida dada as três primeiras etapas da corrida estarem agendadas para aquele país. A equipa que esteve na Volta a Portugal no ano passado - venceu a classificação da juventude com o letão Krists Neilands - reforçou-se em 2018, a pensar precisamente na muito provável estreia numa grande volta. O veterano espanhol Rubén Plaza (37 anos) acaba por ser o rosto mais conhecido, ao lado do italiano Kristian Sbaragli (27).

A dúvida agora é se irão estar presentes os quatro israelitas que fazem parte do plantel: Roy Goldstein (campeão nacional de estrada), Guy Sagiv (actual campeão nacional de contra-relógio e campeão de estrada em 2015 e 2016), Aviv Yechezkel (campeão nacional de contra-relógio em 2016) e Omer Goldstein, jovem promessa de 21 anos que chegou a ser dispensado da equipa de desenvolvimento no ano passado por razões disciplinares, mas recebeu uma segunda oportunidade e logo para a estrutura principal.

Quanto às equipas italianas, depois da polémica de 2017 quando a Androni Giocattoli-Sidermec foi preterida, tal como a Nippo-Vini Fantini, em prol de duas formações estrangeiras - a polaca CCC Sprandi Polkowice e a russa Gazprom-RusVelo - o director Gianni Savio estava bem mais descansado, pois tinha presença garantida. A sua equipa foi a vencedora da Taça de Itália, que tem como um dos prémios o convite para o Giro. A Willier Triestina-Selle Italia, do veterano Filippo Pozzatto e do jovem talentoso sprinter Jakub Mareczko, tem sido sempre escolhida.

Já o convite para a Bardiani-CSF causa algum espanto. Apesar de nos últimos anos ter sido um dos conjuntos que mais se vê nas fugas, animando muito as etapas, conseguindo também vitórias em etapas, há um ano dois dos seus ciclistas foram afastados do Giro no dia antes da corrida começar por terem testado positivo a utilização de uma substância hormonal proibida (mais tarde a contra-análise confirmou e Stefano Pirazzi e Nicola Ruffoni foram suspensos por quatro anos). Muito se falou sobre o futuro da equipa. Os patrocinadores ficaram e a RCS Sport, que organiza a Volta a Itália, parece assim dar o seu voto de confiança, depois do director, Mauro Vegni, de ter chegado a ameaçar levar a equipa a tribunal por eventuais danos provocados à imagem da prova.

E assim ficou novamente a Nippo-Vini Fantini de fora. "Com o passar do tempo notei que o nível do ciclismo está a aumentar. Sinto que está a ficar mais difícil para mim ser competitivo. É altura de me retirar e gostaria de o fazer no Giro, onde, de certa forma, tudo começou", disse Cunego quando anunciou que iria terminar a carreira. Esse início foi em 2004, no sua segunda Volta a Itália (e segunda grande volta), quando tinha apenas 22 anos. Foi nesse ano que ganhou as quatro etapas que tem no seu currículo e a geral.

Mesmo que não se despeça no Giro, foi lá que acabou mesmo por ter um último fôlego quando em 2016 vestiu a camisola da montanha - esteve 12 anos sem subir ao pódio naquela corrida -, que Mikel Nieve (Sky) lhe acabou por tirar. Foi um animador dessa corrida, acabando em segundo nessa classificação específica e, por isso, surpreendeu ainda mais quando a Nippo-Vini Fantini não foi convidada em 2017. Sem wildcard também este ano, faltará agora saber onde irá Damiano Cunego fechar a sua carreira, aos 36 anos. A última vitória aconteceu a 21 de Julho, na sexta etapa da Volta ao Lago Qinghai, na China.

Ontem, a equipa publicou no Facebook um vídeo de homenagem ao ciclista. (Texto continua em baixo)



Amaro Antunes terá de esperar um pouco mais por uma grande volta

Primeiro a Volta ao Algarve, agora o Giro. Amaro Antunes subiu ao escalão Profissional Continental ao assinar pela CCC Sprandi Polkowice, mas não irá estar em duas das corridas que ambicionava. A equipa polaca esteve no Giro100 e com a perspectiva da Polónia vir a receber um início desta competição, havia a expectativa que pudesse surgir novo convite em 2018. Tal não se confirmou.

Fica a faltar a atribuição dos wildcards para a Vuelta, mas a concorrência é maior do que nunca, pois haverá três equipas "da casa" à procura de um lugar, em vez de apenas a Caja Rural, como aconteceu nos últimos anos.

A RCS Sport revelou ainda os convites para as restantes corridas do World Tour que organiza, incluindo o monumento Milano-Sanremo.

Strade Bianche (3 de Março): Androni Giocattoli-Sidermec e Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini

Tirreno-Adriatico (de 7 a 13 de Março): Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini, Wilier Triestina-Selle Italia, Israel Cycling Academy e Gazprom-RusVelo.


Milano-Sanremo (17 de Março): Bardiani-CSF, Wilier Triestina-Selle Italia, Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini, Cofidis, Gazprom-RusVelo e Israel Cycling Academy.

O anúncio dos wildcards surge poucos dias depois de terem sido apresentadas as quatro camisolas que estarão em discussão na Volta a Itália. Será o primeiro ano em que a Castelli será a responsável, sucedendo à Santini. Destacam-se os pormenores nas mangas e também o fecho em forma de troféu.
»»A edição do Giro que se queria histórica está a tornar-se num pesadelo««

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4 de janeiro de 2018

Ganhou no Giro e agora procura trabalho numa fábrica aos 28 anos

(Fotografia:
Jérémy-Günther-Heinz Jähnick/Wikimedia Commons)
Quando a 19 de Maio de 2015 conseguiu, por pouco, manter a vantagem de uma fuga e ganhar uma etapa na Volta a Itália, Nicola Boem parecia estar lançado para uma carreira interessante no ciclismo. Já era conhecido por ser um homem de ataque, animador de corridas, o que também era normal para quem representava a Bardiani-CSF. Essa característica nunca a perdeu. O problema é que Boem elevou as expectativas com aquela vitória, mas não conseguiu confirmá-las. Este ano eclipsou-se dentro de uma equipa que teve uma época atribulada com dois casos de doping e logo dois dos ciclistas mais importantes: Stefano Pirazzi e Nicola Ruffoni estão a cumprir uma suspensão de quatro anos.

Boem foi um dos elementos da Bardiani-CSF que teve de encarar o último Giro sabendo que dois dos seus colegas tinham sido excluídos horas antes da partida devido a suspeitas, mais tarde confirmadas, de doping. O momento foi difícil, mas o pior para Boem estava para vir, quando os responsáveis disseram-lhe em Setembro que não contavam com ele, apesar de ter contrato para 2018. A Bardiani-CSF adiantou que a separação foi de comum acordo, Boem tem outra versão: "Disseram-me que já não estava nos planos deles e que tinha de assinar [a rescisão]."

Confrontado com a inesperada situação de estar sem equipa para o próximo ano, depois de cinco como profissional, sempre na Bardiani-CSF, Nicola Boem contou ao jornal italiano Nuova di Venezia que inicialmente deu a si próprio um prazo até Novembro para definir o seu futuro no ciclismo. Porém, chegou 2018 e ainda não desistiu completamente. Recebeu dois convites, um deles fora da Europa, que não o convenceram. Considera complicado conseguir uma equipa em Janeiro, mas admite que não perdeu a esperança, não se importando de descer ao escalão Continental se o convite for bom. Contudo, avisa: "Só aceitarei propostas sérias."

Nicola Boem não tem problemas em referir que a sua temporada não foi boa. "Nunca encontrei a minha melhor condição [física]. Tive um problemas nos dentes tive de tirar alguns e acabei por ter dificuldades em comer. O timing das extracções foi errado, mas não estou à procura de desculpas", salientou. Aos 28 anos e com uma filha, Boem assegurou que não está a pensar em parar um ano e tentar regressar em 2019. Se não conseguir um contrato, poderá mesmo colocar um ponto final na curta carreira. E até já está a procurar trabalho numa fábrica. "O que acontecer, acontece. Tenho um diploma de três anos em Mecânica. Está tudo bem, inclusivamente [trabalhar] na fábrica. Tenho uma família e tenho de pensar numa nova vida", realçou.

Além da etapa no Giro, Boem venceu uma na Volta à Croácia, em 2014. Quatro anos antes, deu nas vistas em Itália quando ganhou a sexta tirada do Giro Ciclistico Della Valle D'aosta Mont Blanc, ainda como amador. Bom trepador e com uma ponta final forte que lhe permitia ser candidato a vitórias em grupos pequenos, esperou-se mais de Boem do que ele conseguiu alcançar. A não ser que apareça uma salvação de última hora, será mais um adeus a juntar aos muitos que se verificaram em 2017.

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20 de outubro de 2017

Mais um ciclista da Bardiani-CSF com análise positiva de doping. A culpa foi do medicamento da mãe

(Fotografia: Bardiani-CSF)
A situação pode ser grave para a Bardiani-CSF, mas não deixa de ter contornos insólitos. Michael Bresciani teve uma grande oportunidade para lançar a sua carreira aos 22 anos ao ser convidado pela equipa italiana em Junho. A formação estava no rescaldo de um Giro muito complicado, principalmente emocionalmente, depois de no dia antes do arranque da competição ter perdido Stefano Pirazzi e Nicola Ruffoni devido ao doping. Bresciani ajudava assim a colmatar a ausência de dois importantes ciclistas, ainda que não fosse esperado tanto dele, para já, como era dos dois homens entretanto despedidos, após a contra-análise ter confirmado o primeiro teste. O problema é que logo na sua primeira corrida, Bresciani foi chamado ao anti-doping... e deu positivo.

Este é apenas o insólito número um. Há que explicar que a corrida em causa foi o campeonato nacional, competição na qual os ciclistas da Bardiani-CSF podiam competir, apesar da equipa estar a cumprir uma suspensão devido ao doping de Pirazzi e Ruffoni. O italiano acusou um diurético furosemida (utilizado em casos de acumulação de líquido do corpo), mas apresentou imediatamente uma razão para o resultado: a culpa foi de um medicamento que a mãe toma. Insólito número dois, portanto. Este produto é visto, em casos de doping, como forma de eventualmente ocultar a utilização de outras substâncias.

O jovem sprinter explicou o que pensa ter acontecido à Gazzetta dello Sport: "Sei que não fiz nada de errado. O problema é que a minha mãe toma o Lasix [um diurético] às horas das refeições. Enquanto ela dividia terá ido parar ao meu prato." Numa tentativa de sensibilizar a UCI, Bresciani enviou documentação e até um vídeo, no qual a mãe mostra como divide a medicação na tábua de cortar, o que poderá ter contribuído para a contaminação da comida do filho.

A Bardiani-CSF evitou fazer comentários, mas um dos responsáveis, Roberto Reverberi, adiantou que a quantidade detectada foi muito pequena. O insólito do caso não deverá estar a ser ignorado pela UCI, que, ao contrário do que normalmente acontece, não suspendeu provisoriamente o ciclista. No entanto, Bresciani não voltou a competir e acredita que não poderá ser castigado por nada mais do que um acto negligente.

É ainda assim uma situação difícil para quem tinha conseguido chegar a uma equipa Profissional Continental. Já para a formação italiana é mais um momento de tensão. Este ano já cumpriu um mês de suspensão devido aos casos de Pirazzi (que irá cumprir quatro anos de suspensão) e Ruffoni e agora arrisca a nova pena, que poderá ir dos 15 dias aos 12 meses. Perante a instabilidade quanto a patrocinadores no ciclismo em Itália - país que ficou sem equipas no World Tour com a saída da Lampre (agora UAE Team Emirates) -, chegou-se a temer o pior depois dos dois mediáticos casos. Porém, as empresas envolvidas no projecto garantiram a continuidade no apoio. Agora é mais publicidade negativa, ainda que o caso se esteja a apresentar como insólito. 

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3 de outubro de 2017

Pirazzi suspenso por quatro anos

(Fotografia: Bardiani-CSF)
Stefano Pirazzi terá de esperar por 4 de Maio de 2021 para regressar à competição. Tem 30 anos e perante uma suspensão de doping, aquele que era um dos ciclistas mais populares em Itália, ficará com a carreira em risco perante uma sanção tão pesada como esta. Apesar de fazer a carreira longe dos holofotes de uma equipa do World Tour, o seu estilo atacante, de alguém sempre pronto a mexer na corrida, valeu-lhe um estatuto relevante no pelotão. Porém, poucas horas depois da apresentação da equipa no Giro100, Pirazzi e Nicola Ruffoni foram afastados após ser conhecida uma análise positiva. O caso de Pirazzi fica agora concluído, segundo o site Cycling News.

Ruffoni continua à espera, ele que defendeu que o seu positivo de uma substância hormonal - o mesmo que Pirazzi - poderia estar relacionado com um problema na próstata que o obrigou a tomar antibióticos, dias antes de a amostra de urina ter sido recolhida. As amostras foram retiradas fora de competição no final de Abril e quando a contra-análise confirmou o resultado inicialmente determinado, a Bardiani-CSF foi suspensa por 30 dias, entretanto já cumpridos.

A equipa conseguiu manter-se na Volta a Itália, tendo competido com apenas sete ciclistas. O director, Stefano Zanatta, revelou estar muito desiludido (furioso, mesmo) com o sucedido, apelando sempre que não condenassem a equipa pelos actos de dois corredores, que eram duas das principais figuras. Foram despedidos mal se conheceu a contra-análise. Chegou-se a temer pelo futuro da formação, mas alguns dos patrocinadores garantiram que continuariam como tal.

Aguarda-se agora a conclusão da situação de Ruffoni e há que recordar que também se espera pelo desenvolvimentos no caso de André Cardoso. O português da Trek-Segafredo acusou EPO e a poucos dias de estrear-se na Volta a França foi suspenso. O ciclista pediu a contra-análise, mas já passaram mais de três meses sem que fosse revelado publicamente o resultado. Samuel Sánchez, caso conhecido antes da Vuelta, também aguarda pela contra-análise. O espanhol da BMC deu positivo de uma hormona de crescimento.



13 de junho de 2017

Bardiani-CSF suspensa 30 dias devido aos casos de doping

(Fotografia: Facebook Bardiani-CSF)
A questão era apenas saber quanto tempo seria. A Bardiani-CSF sabia que não iria escapar a uma suspensão depois de ter dois ciclistas seus a acusar positivo em testes de doping. A regra é clara e aponta que dois casos em 12 meses valerá uma suspensão que pode ir até 45 dias. A equipa italiana irá cumprir 30. A UCI anunciou que a sanção será cumprida entre 14 de Junho e 14 de Julho, o que afasta a formação da Volta à Áustria.

Stefano Pirazzi e Nicola Ruffoni foram afastados do Giro na noite antes da corrida começar. Os dois ciclistas italianos eram as duas principais figuras da equipa e ainda estiveram presentes na apresentação antes da notícia ser conhecida. O controlo anti-doping foi feito em Abril e ambos testaram positivo de uma substância hormonal que permitiria a uma melhor recuperação física. A contra-análise pedida pelos corredores confirmou o resultado. A Bardiani-CSF despediu imediatamente Pirazzi e Ruffoni. Este último explicou que acredita que em causa está num problema que teve na próstata que o obrigou a tomar antibióticos.

Este caso veio agravar a crise de confiança no ciclismo italiano em termos de equipas. O país ficou sem formações no World Tour com a saída do patrocinador Lampre - a estrutura foi vendida à actual UAE Team Emirates - ficando com as quatro no escalão Profissional Continental, além de outras no Continental. Só duas foram convidadas para o Giro, o que provocou uma grande polémica e a situação da Bardiani-CSF deixou o director da corrida, Mauro Vegni furioso com os casos, ainda que a equipa tivesse conquistado o seu convite depois de ter ganho a Taça de Itália em 2016.

Vegni ameaçou a Bardiani-CSF com um possível processo legal caso os contra-análises fossem positivas, mas para já o maior problema para a equipa italiana é a nível desportivo. Com os patrocinadores a escassearem no país, teme-se o pior, ainda que os responsáveis já tenham dado garantias que a equipa irá continuar.

Falta agora conhecer a sanção de Pirazzi (30 anos) e de Ruffoni (26), que neste momento estão suspensos preventivamente. O último foi o responsável por duas das três vitórias da equipa este ano.

A Bardiani-CSF já reagiu à suspensão anunciada pela UCI, revelando que não irá recorrer. Porém, considera a pena pesada, criticando uma "regra que penaliza aqueles que não têm responsabilidades, como a equipa e os outros ciclistas, perante as deploráveis acções de pessoas insensatas." No comunicado lê-se ainda que os responsáveis da Bardiani-CSF consideram que dado os danos que a formação sofreu tanto a nível de imagem como desportivamente durante o Giro - onde competiu com apenas sete ciclistas -, que a sanção deveria ter sido mais reduzida.


19 de maio de 2017

Contra-análise positiva. Pirazzi e Ruffoni despedidos da Bardiani-CSF que enfrenta suspensão e possível expulsão do Giro

"Eu sei que os organizadores estão sob pressão para nos mandar para casa, mas a culpa não é da equipa. Se alguém provar que eu aconselhei os meus ciclistas a doparem-se, então podem rasgar a minha licença." O director da Bardiani-CSF teme o pior. A confirmação do positivo das contra-análises de Pirazzi e Ruffoni chegou antes da etapa 13 da Volta a Itália. Bruno Reverberi deixou o apelo para que não castiguem a equipa por aquilo que diz ter sido um disparate de dois ciclistas, não acreditando na versão de ambos, que dizem não terem tomado nada proibido intencionalmente. "Já ouvi esse disparate demasiada vezes", desabafou Reverberi à Gazzetta dello Sport. Stefano Pirazzi (30 anos) e Nicola Ruffoni (26) foram afastados no dia antes do Giro começar, horas depois da cerimónia da apresentação, na qual ainda participaram. Hoje foram despedidos e ficam com a carreira em risco, pois arriscam uma pesada suspensão.

Ao conhecer os resultados da contra-análise, a Bardiani-CSF informou de imediato que tinha iniciado o processo de despedimento e que "reserva o direito de proceder legalmente contra Pirazzi e Ruffoni para proteger a imagem da equipa e dos patrocinadores". Porém, Reverberi questiona como é possível quantificar os danos provocados pelos dois casos de doping de dois dos principais ciclistas da formação italiana. O responsável pela formação não consegue esconder a tristeza: "Estou desfeito, apetece-me chorar. Só consigo pensar nos patrocinadores que nunca nos pressionarem para obter resultados. Quero desistir. O ciclismo é a minha paixão. Tenho 75 anos e esta está a ser a minha 36ª Volta a Itália. Que diferença me faz mais uma vitória?"

O pesadelo pode muito bem estar apenas a começar. Um efeito imediato poderá ser a expulsão do Giro, ainda que até ao momento não houve qualquer comentário por parte da organização da corrida sobre a contra-análise. O director da prova, Mauro Vegni, não o fez logo quando se teve conhecimento dos casos para evitar problemas legais caso as contra-análises fossem negativas. Porém, afirmou na altura que poderia processar a Bardiani-CSF por danos causados à imagem do Giro. E este poderá ser o segundo problema para a equipa do escalão Profissional Continental. A formação poderá enfrentar um processo no qual arrisca ter de pagar uma elevada compensação à organização do Giro.

O terceiro problema, e esse deverá ser rapidamente conhecido, é a mais que provável suspensão por parte da UCI que poderá ser até 45 dias, por ter tido dois casos positivos de doping. E este ano já três equipas foram suspensas: a brasileira Funvic, também do segundo escalão, e as continentais Elkov-Author (República Checa) e Pishgaman (Irão).

Quanto a Pirazzi e Ruffoni podem ter de enfrentar o final da carreira. Ambos testaram positivo por uma substância que estimula o crescimento hormonal dos ciclistas, permitindo uma melhor recuperação e ganho de massa muscular. Há um exemplo recente: a colombiana Maria Luisa Calle deu positivo em 2015 por uma substância idêntica e cumpre uma suspensão de quatro anos.

»»Ruffoni defende-se: "Nunca tomei substâncias proibidas. Vou defender a minha credibilidade até ao fim"««

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6 de maio de 2017

Ruffoni defende-se: "Nunca tomei substâncias proibidas. Vou defender a minha credibilidade até ao fim"

(Fotografia: Facebook Nicola Ruffoni)
48 horas depois do choque que provocou a notícia de que dois ciclistas italianos estavam fora do Giro na noite antes da corrida arrancar devido a casos de doping, um dos corredores da Bardiani-CSF em causa quebrou o silêncio. Nicola Ruffoni, 26 anos, diiz que não compreende o que se passou, sugerindo que poderá estar relacionado com um problema na próstata que o obrigou a tomar antibióticos, dias antes de a amostra de urina ter sido recolhida. O ciclista, de 26 anos, admitiu que tem a carreira em risco e que, por isso mesmo, vai lutar com tudo o que tem para provar a sua inocência, ainda que nem a equipa pareça acreditar nela.

"Eu nunca, nunca, durante a minha carreira tomei substâncias proibidas. Estou a tentar encontrar explicações sobre o que poderá ter acontecido no último mês antes do teste", escreveu Ruffoni numa mensagem publicada no Facebook. O italiano salienta que não mudou a sua dieta, nem o estilo de vida e perante a sua desconfiança que em causa poderá estar os antibióticos que tomou quando teve o problema na próstata, entre 20 de Março e 20 de Abril, Ruffoni referiu que irá consultar um endocrinologista para tentar confirmar a sua tese.

No entanto, para já resta ao ciclista aguardar pelo resultado da contra-análise: "Vou esperar calmamente e tentar defender a minha credibilidade até ao fim." "Sei que a minha carreira está em risco, mas também sei que não tentei fazer batota", acrescentou o ciclista.

De momento Ruffoni está suspenso provisoriamente até ser conhecida a contra-análise. O mesmo acontece com Stefano Pirazzi, que também testou positivo a mesma substância hormonal. Este último ainda não falou sobre o caso. Ambos os ciclistas ainda estiveram na apresentação da Bardiani-CSF no dia antes do início do Giro100. Ao ser conhecida a suspensão, ambos não mais foram vistos, tendo saído da Sardenha sem ter falado sobre o assunto. Já o director desportivo da equipa, Stefano Zanatta, acusou os dois ciclistas de não compreenderam o trabalho que ali se realiza, confessando que ficou de tal forma zangado que até chorou.

A Bardiani-CSF garantiu o convite para o Giro ao vencer a Taça de Itália em 2016, mas correu o risco de ser expulsa devido aos dois casos de doping. Mauro Vegni, director da corrida, optou por manter a equipa na prova, já que caso as contra-análises sejam negativas, poderia enfrentar um processo judicial. Porém, Vegni ameaça fazer isso mesmo à Bardiani-CSF, se as contra-análises forem positivas. A equipa italiana tem ajudado a evoluir alguns ciclistas italianos, que conseguiram chegar ao World Tour, como Sonny Colbrelli, Sacha Modolo e Domenico Pozzovivo. Perante a suspensão de Pirazzi e Ruffoni, a Bardiani-CSF está a fazer o Giro apenas com sete ciclistas.


5 de maio de 2017

Doping. Director do Giro resistiu à tentação de expulsar a Bardiani-CSF. Responsável da equipa ficou tão furioso que até chorou

Alguns adeptos quiseram tirar fotografias com os ciclistas da Bardiani,
algo que os animou depois do choque da noite anterior
(Fotografia: Twitter Bardiani-CSF)
Vontade não faltou a Mauro Vegni. O director da Volta a Itália optou esperar e não expulsar a Bardiani-CSF da competição quando soube dos testes positivos de doping de Stefano Pirazzi e Nicola Ruffoni. Vegni vai aguardar para conhecer o resultados das contra-análises antes de agir. Esta decisão fez com que a equipa se mantivesse no Giro, ainda que tenha partido apenas com sete corredores. Porém, o responsável deixou o aviso que caso o resultado volte a ser positivo poderá processar a equipa. Do outro lado está um director desportivo furioso com o que aconteceu. Antes do arranque da primeira etapa admitiu que até chorou.

"Em teoria eu poderia tê-los mandado para casa. No entanto, decidi esperar pelos resultados da contra-análise porque se vier negativa eu poderia enfrentar um processo legal por queixa deles [Bardiani-CSF]", explicou Mauro Vegni. O responsável acrescentou que "o mal está feito" e que agora irá ver quais "serão as reais consequências quando se chegar ao final do processo". "Se chegarmos ao fim do Giro e os [testes] positivos forem confirmados, eu posso processá-los por danos", salientou.

Pirazzi e Ruffoni foram suspensos provisoriamente pela UCI até serem conhecidos os resultados da contra-análise. Porém, este poderá ser apenas o início de um pesadelo para a Bardiani-CSF. A equipa não se livra de no imediato estar a competir sob suspeita, ainda que no início da corrida esta sexta-feira, os ciclistas não foram alvos de comentários, assobios, nenhuma atitude mais ofensiva. Pelo contrário, alguns adeptos até pediram aos sete corredores para tirarem umas fotografias. No entanto, se provavelmente se livrou de uma expulsão do Giro, caso se confirme as duas análises de doping, a Bardiani-CSF pode ser suspensa entre 15 a 45 dias, já que são dois ciclistas da mesma equipa. Pode enfrentar um processo na justiça por parte da organização da Volta a Itália e perante os problemas que as equipas naquele país estão a ter para garantir patrocinadores, cresce o receio da Bardiani-CSF  correr o risco de fechar portas, apesar de no momento o discurso ser que há um apoio total de quem a patrocina.

Ainda é cedo para especular algo tão radical, pois para já a preocupação de Stefano Zanatta, director da equipa, é garantir que a imagem da Bardiani-CSF não fique demasiado manchada. Zanatta salientou que esta é uma equipa de formação, que tenta ajudar jovens italianos para que estes possam chegar a equipas do World Tour, como aconteceu este ano com Sonny Colbrelli.

Zanatta falou ainda sobre o choque que foi receber a notícia dos dois casos de doping. "Eles [Pirazzi e Ruffoni] não percebem o projecto que temos. Ontem à noite não falei muito com eles porque estava muito zangado. Trabalhámos tanto nesta equipa e tenho a certeza que as pessoas estão a dizer coisas más sobre nós", desabafou. Zanatta confessou mesmo que ficou muito emocionado com tudo o que estava a acontecer, de tal forma que até chorou.

O trabalho de Zanatta é reconhecido por Vegni que também refere a importância que a Bardiani-CSF tem no ciclismo italiano. O director do Giro considera que não é só a imagem da corrida que pode ficar manchada, mas também a do ciclismo italiano. 

Colbrelli foi o mais recente ciclista a "dar o salto" para o World Tour depois de ter evoluído na Bardiani-CSF. Assinou pela Bahrain-Merida e já começou a somar vitórias. Mas o historial desta equipa comprova como tem um grande peso no ciclismo transalpino. Por lá passaram Sacha Modolo (UAE Team Emirates), Domenico Pozzovivo (AG2R), Enrico Battaglin (Lotto-Jumbo) e Gianluca Brambilla (Quick-Step Floors).

Apesar de ser um ciclista que se mostra muito nas corridas em que participa, Stefano Pirazzi (30 anos). nunca passou para o World Tour, mas construiu uma carreira na equipa italiana, que faz dele um dos ciclistas mais populares no país. Já Ruffoni esteve em destaque em 2016 com três vitórias e já este ano conquistou duas etapas na Volta à Croácia. Esses dois triunfos não estão em causa, pois as amostras recolhidas aos ciclistas realizaram-se no dia 25 e 26 de Abril, respectivamente, ou seja, já depois do final da corrida.

4 de maio de 2017

Dois ciclistas da Bardiani-CSF suspensos a horas do arranque da Volta a Itália

Ciclistas felizes na apresentação da Bardiani-CSF. A má notícia chegaria
horas mais tarde. (Fotografia: Twitter Giro d'Italia)
A Bardiani-CSF ainda nem começou a Volta a Itália e já está com grandes problemas. Dois dos seus principais ciclistas foram suspensos depois da UCI anunciar que os resultados dos testes de doping feitos a 25 e 26 de Abril deram positivo de uma substância hormonal. Há poucas horas Stefano Pirazzi e Nicola Ruffoni estiveram no palco numa espectacular apresentação das equipas, na Sardenha, e agora não vão sequer partir para o Giro, a corrida que provavelmente mais queriam estar nas suas carreiras.

Num comunicado a UCI recorda que ambos os ciclistas podem pedir uma contra-análise, mas realça que dado que os casos de doping terem acontecido na mesma equipa, a Bardiani-CSF enfrenta agora uma suspensão que pode ir de 15 a 45 dias. O caso será remetido para a Comissão Disciplinar do organismo, que irá determinar a sanção à formação italiana, do escalão Profissional Continental.

Na altura em que este texto é publicado a Bardiani-CSF ainda não reagiu a esta situação. Para já terá de partir com apenas sete ciclistas, perdendo dois de quem esperaria alcançar bons resultados. Stefano Pirazzi (30 anos) é um dos ciclistas mais populares em Itália, tendo até um clube de fãs. Em 2013 venceu a classificação da montanha no Giro e no ano seguinte conquistou uma etapa. Entrar em fugas é uma especialidade sua. Nicola Ruffoni (26) venceu duas tiradas na recente Volta à Croácia e tinha o objectivo de discutir os sprints.

A Bardiani-CSF recebeu automaticamente um dos convites para estar no Giro100, pois foi a vencedora da Taça de Itália em 2016. De recordar, que das quatro equipas Profissionais Continentais italianas, duas (Androni Giocattoli e Nippo-Vini Fantini) não receberam o convite, o que causou muita polémica (ver link em baixo). Isto significa que além de Itália não ter neste momento qualquer equipa no World Tour, depois da Lampre-Merida ter sido vendida à UAE Team Emirates, uma do segundo escalão vai estar no Giro com menos ciclistas e inevitavelmente a ter de lidar com as suspeições que situações destas criam. Não era certamente assim que a organização desta edição tão especial queria começar a corrida. Nem a organização, nem qualquer pessoa que goste desta modalidade.