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12 de novembro de 2020

Iuri Leitão é campeão europeu de scratch

Dario Belingheri/BettiniPhoto©2020

Depois da prata, o ouro. Um dia depois de ter conquistado a medalha de prata em eliminação. Iuri Leitão foi campeão europeu de scratch, numa grande corrida do ciclista português. Mas o segundo dia dos Europeus em Plovdiv, na Bulgária, renderam ainda uma medalha de bronze pela inevitável Maria Martins, em eliminação.

"Não vou mentir. Vim para esta corrida com o objetivo de discutir os primeiros lugares, mas sem colocar as expectativas muito elevadas, porque na pista tão depressa se está a lutar pelas medalhas como no décimo lugar. Felizmente venci, mas acho que só comecei a perceber a dimensão do que tinha conseguido quando vesti a camisola de campeão da Europa", admitiu Iuri Leitão, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Dario Belingheri/BettiniPhoto©2020
O seleccionador nacional, Gabriel Mendes “o orgulho muito grande” no título europeu de Iuri Leitão. "Sabíamos que o nível era muito elevado na prova de scratch e que existia uma probabilidade grande de incerteza quanto ao resultado. Esperávamos movimentações e elas aconteceram. Foi após outros ataques, que não resultaram, que o Iuri se isolou. Fez uma excelente gestão do esforço e uma fantástica leitura de corrida, controlando aqueles que poderiam ser os adversários mais perigosos nos momentos certos para o fazer. Foi uma prestação de excelência. Fez-se história", salientou.

A prova de 15 quilómetros, traduz-se em 60 voltas ao velódromo de Plovdiv. As primeiras vinte foram marcadas por várias tentativas de fuga, às quais o pelotão respondeu de pronto. A única iniciativa que vingou foi precisamente do ciclista português. Leitão atacou a 40 voltas do fim, pedalou em solitário e, a 26 voltas de acabar a prova, consumou a volta de avanço sobre o grupo. "Não estava planeado atacar tão cedo, mas vi uma janela de oportunidade e aproveitei. Depois de alguns ataques, houve um momento de tensão. Achei que era o momento certo para tentar", explicou.

Dario Belingheri/BettiniPhoto©2020
Depois de ganhar a volta de avanço e de recuperar o fôlego, o português respondeu ao ataque dos adversários. Ninguém conseguiu escapar. Percebendo que não teriam qualquer hipótese de bater o português, os fugitivos abdicaram da iniciativa, mas corredor de Viana do Castelo prosseguiu o esforço para ser o primeiro a cortar a meta, o que nem precisava para vencer. O ucraniano Roman Gladysh ficou com a medalha de prata e o britânico Oliver Wood com o bronze.

Em baixo, as declarações do ciclista depois de vestir a camisola de campeão europeu.

Maria Martins já tem a sua medalha

No primeiro dia dos Europeus, Maria Martins ficou-se pelo 10º lugar na prova de scratch. Agora já tem a sua medalha, uma de bronze em eliminação.

Dario Belingheri/BettiniPhoto©2020
A primeira portuguesa a apurar-se para os Jogos Olímpicos no ciclismo de pista também já tem a sua medalha nestes Europeus. Na eliminação Maria Martins aplicou uma táctica semelhante à que ontem valera a prata a Iuri Leitão na mesma disciplina, correndo na parte de trás, mas quase sempre por fora do pelotão, com espaço para ir eliminando a concorrência e para ocupar posições mais adiantadas, quando isso se exigia.

A portuguesa ainda sofreu alguns sustos, mas conseguiu não só salvar a eliminação, como teve energia para discutir os lugares do pódio. A italiana Rachele Barbieri sagrou-se campeã da Europa, com a britânica Elinor Barker a ficar com a medalha de prata.

"A condição física não é máxima, mas temos de otimizar o desempenho com os recursos de que dispomos. Considero que a Maria fez uma corrida muito boa, conseguindo movimentos, na parte de trás, que eliminaram adversárias de forma muito competente, e reposicionando-se mais adiante. Está de parabéns pelo resultado e pela performance", referiu Gabriel Mendes.

Recorde-se que Maria Martins sofreu uma queda os Europeus de sub-23, o que a obrigou a parar durante uma semana, prejudicando a sua preparação para o Campeonato da Europa de Elite.

Calendário dos portugueses na sexta-feira

Esta sexta-feira, os gémeos Oliveira vão entrar em acção em Plovdiv, depois de no domingo terem terminado a primeira grande volta das suas carreiras, em Espanha. Agora dedicados a numa vertente na qual somam também eles medalhas desde os anos de formação, vão à procura de mais como atletas de elite elite.

Às 11:35 arranca a qualificação da perseguição individual, que contará com os portugueses Ivo Oliveira e Iuri Leitão. A final será às 16:20. Às 16:35 Maria Martins disputa a corrida por pontos, disciplina em que Rui Oliveira participa às 17:25.

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1 de março de 2020

Para Maria Martins não há impossíveis

© UCI/Federação Portuguesa de Ciclismo
Estávamos no final de 2018 quando aqui, no Volta ao Ciclismo, se tentou perceber um pouco melhor as complicadas contas para que Portugal conseguisse um apuramento inédito para os Jogos Olímpicos no ciclismo de pista. Então, no masculino, as exibições e a matemática eram animadoras e faziam acreditar que era mesmo possível. No feminino era improvável, mas não impossível. Nesse mês de Dezembro surgiu a oportunidade que Maria Martins e o seleccionador Gabriel Mendes esperavam. A partir de então, a jovem ciclista começou a escrever uma página importante na história e, menos de ano e meio depois, tornou-se na primeira a qualificar-se para uns Jogos Olímpicos nesta modalidade. Infelizmente, no masculino, as contas complicaram-se e apesar de um último esforço nos Mundiais de Berlim, Maria Martins vai sozinha até ao velódromo de Tóquio, para competir no omnium.

Não deixa de ser um resultado que premeia esta aposta no ciclismo de pista. Nos últimos anos vimos os gémeos Oliveira conquistar títulos e outras medalhas nos escalões jovens e também já em elite. Maria Martins tem sido a referência no feminino e esta semana juntou mais uma conquista histórica ao apuramento para os Jogos Olímpicos e à primeira medalha em elite nos Europeus. Conquistou o bronze nos Mundiais, na disciplina de scratch, também a primeira no feminino em elite. De referir que Maria tem apenas 20 anos.

O sonho de estar em Tóquio2020 começou então em Dezembro de 2018. Num rápido enquadramento, as provas na pista estão todas interligadas, ou seja, para se ir a um Mundial é preciso garantir a qualificação através das Taças do Mundo. O ranking para a qualificação olímpica tem em conta todas as provas, mais os Europeus. Ora naquele Dezembro, Maria Martins não tinha acesso directo às Taças do Mundo. Portugal era o quinto país de reserva, isto é, era preciso outras nações abdicarem da sua presença para que a selecção nacional fosse chamada. Para a Taça do Mundo de Londres foi isso que aconteceu.

Maria Martins é uma atleta de enorme ambição e talvez de uma dedicação ainda maior. Tendo em conta que está num país onde o ciclismo feminino continua a ter uma expressão muito reduzida - poucas equipas, poucas corridas - esta corredora tem remado contra essa maré, deixando bem claro que ninguém lhe diga que é impossível. Desde aquela Taça do Mundo em Londres que não restaram dúvidas: Maria Martins ia à luta. Os bons resultados sucederam-se, com a ciclista a aproveitar todas as portas que se foram abrindo para estar presente nas grandes competições. Em poucos meses, o apuramento olímpico passou de improvável a possível e é agora uma realidade.

Pódio de scratch: Jennifer Valente (EUA, prata), Kirsten Wild (Holanda, ouro)
e Maria Martins (Portugal, bronze)
© UCI/Federação Portuguesa de Ciclismo
A viagem até Berlim já foi feita sabendo que podia comprar o bilhete para Tóquio, mas nem por isso Maria Martins relaxou. Aliás, seria estranho se o fizesse. É uma ciclista que quer sempre mais. Depois de conquistada a medalha de bronze no scratch, no dia seguinte chegou a estar numa posição de pódio no omnium, que acabou por lhe escapar por oito pontos (foi quarta). Ainda assim, mais uma excelente indicação agora que se vai começar a olhar para os Jogos Olímpicos. De referir que o omnium é composto por quatro disciplinas: scratch (outra corrida, não a que conquistou o bronze), corrida tempo, eliminação e corrida por pontos.

Agora é esperar por Agosto, com o ciclismo de pista a ter o seu destaque entre os dias 2 e 9 desse mês. Até lá, Maria Martins vai agarrar - como sempre o faz - a oportunidade que lhe foi dada pela equipa britânica Drops, para se mostrar na estrada, depois de dois anos positivos na espanhola Sopela. A menina que começou a somar resultados promissores com as cores do Bairrada, está a caminho do momento por que tantos atletas ambicionam. Afinal, uma presença nos Jogos Olímpicos é sempre marcante e Maria Martins já fez história. Será sempre a primeira portuguesa a ter alcançado o apuramento no ciclismo de pista. Mas vai certamente à luta por mais!

Quanto aos homens, desde os Mundiais de 2019 que o apuramento começou a complicar-se. Os resultados de então ficaram aquém do esperado e, depois, não ajudou os problemas físicos dos gémeos Oliveira. Ivo falhou grande parte da temporada devido a uma grave queda, Rui está neste momento a recuperar de uma clavícula partida. Ainda assim, a selecção nacional lutou até ao fim. João Matias, Iuri Leitão e também César Martingil foram atletas que, durante este longo apuramento, trabalharam muito para alcançar o objectivo, que se sabia ser difícil dada a forte concorrência de outras selecções. Mas a Equipa Portugal nunca baixou os braços.

No lado masculino, o apuramento era apontado tanto ao omnium, como ao madison. Se se conseguisse nesta última disciplina seria perfeito, pois o omnium ficaria garantido. No entanto, apesar do esforço de Ivo Oliveira e Iuri Leitão nos Mundiais, em madison, foi a Irlanda que ficou com a vaga que Portugal procurava. É difícil esconder a sensação de desilusão, depois de tantos sucessos na pista dos portugueses. Após Tóquio será altura de pensar no novo ciclo olímpico rumo a Paris2024 e perceber-se se a aposta na pista é para manter.

Até lá, há que dar os parabéns a Maria Martins, pelo apuramento olímpico e pela medalha nos Mundiais de Berlim. Para esta ciclista não há impossíveis, apenas desafios.

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13 de outubro de 2019

Regresso à pista com os Jogos Olímpicos cada vez mais presentes

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Entre quarta-feira e domingo, quatro ciclistas vão à procura de pontos para manter Portugal no rumo certo para a estreia nos Jogos Olímpicos. Nunca o país teve uma presença na vertente de pista e Tóquio poderá ser um momento histórico com o apuramento tanto no masculino, como no feminino. Ainda nada está garantido, pois há muitos pontos em disputa, mas há que tentar já no Campeonato da Europa consolidar as posições que, neste momento, permitem à selecção pensar nos próximos Jogos.

César Martingil (Sporting-Tavira), Iuri Leitão (Sicasal-Constantinos) e Rui Oliveira (UAE Team Emirates) foram os eleitos de Gabriel Mendes, a que se junta Maria Martins. A ciclista de apenas 20 anos da Sopela Women’s Team merece ser destacada. 2019 tem sido muito importante na sua carreira, pois não só realizou uma excelente temporada de estrada, com algumas vitórias, como na pista aproveitou as oportunidades que teve para participar em grandes provas e pontuar. O que parecia improvável há um ano, é neste momento um objectivo bem claro: Maria Martins poderá apurar Portugal para os Jogos Olímpicos na prova de omnium.

Nesta competição, tal como no madison masculino, a selecção está entre as apuradas nesta altura da qualificação. E a hipótese do omnium ainda não está afastada. Porém, além dos Europeus desta semana, ainda faltarão os pontos em disputa na Taça do Mundo e no Campeonato do Mundo da temporada 2019/2020. 

Em Apeldoorn, na Holanda, recomeça então a luta por um pouco de história olímpica, numa vertente que tem vindo a crescer nos últimos anos, muito ao ritmo das conquistas dos gémeos Oliveira. Depois de se tornarem referências na pista, na estrada, ambos estrearam-se em 2019 no World Tour na UAE Team Emirates, mas tiveram sorte distintas. Rui realizou uma boa primeira temporada, enquanto Ivo sofreu uma queda grave num treino e esteve longe das corridas durante cerca de seis meses. Só recentemente regressou, somando abandonos nas três clássicas em que participou em Outubro. Não surpreende que seja por isso um dos grandes ausentes nos Europeus de pista. Está longe da sua melhor forma.

César Martingil tem sido um ciclista com chamadas regulares à selecção, pelo que experiência não lhe falta. Quanto a Iúri Leitão, este sub-23 afirmou-se em 2019 como um ciclista com muita apetência para a pista, somando bons resultados, não surpreendendo que esteja cada vez mais a fazer parte das escolhas do seleccionador Gabriel Mendes.

A equipa Portugal não vai apenas participar nas provas dos Europeus em que aposta para a qualificação olímpica. A Federação Portuguesa de Ciclismo anunciou os convocados, mas ainda não é conhecida a distribuição nas corridas (ver no final do texto a agenda).

Numa fase em que a época de estrada já finalizou para muitos ciclistas, apesar de ainda estarem agendadas algumas corridas, como a Volta a Guangxi, na China (que fecha a temporada World Tour, de 17 a 2 de Outubro), a pista ganha novamente destaque, sem esquecer que também vai regressar o ciclocrosse. Fica desde já a informação que em Portugal a primeira corrida desta vertente será a 27 de Outubro, em Melgaço, prova que contará para a Taça de Portugal.

Quanto à pista, o Torneio Internacional Município de Anadia não se realizará em Dezembro como tem sido habitual, mas sim em Fevereiro, entre 7 e 9.

Agenda de Portugal no Campeonato da Europa:

Dia 16
18h25: Scratch Feminino
18h45: Eliminação Masculina

Dia 17
18h30: Scratch Masculino
19h20: Eliminação Feminina

Dia 18
12h30: Qualificação de omnium masculino e feminino
13h30-20h50: Concursos feminino e masculino de omnium

Dia 19
14h40: Qualificação de perseguição individual masculina
18h20: Final de perseguição individual masculina
18h30: Corrida por pontos feminina
19h30: Corrida por pontos masculina

Dia 20
10h10: Qualificação de madison masculino
14h40: Final de madison masculino

Com excepção de domingo, as transmissões no Eurosport 2 começarão às 18 horas. No último dia arrancará às 13:30.


14 de fevereiro de 2019

Quatro eleitos à procura de um pouco mais de história

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
O ciclismo de pista já não é uma modalidade que passe despercebida em Portugal e com os Mundiais à porta, a expectativa vai aumentando. O trabalho realizado nos últimos anos, com Gabriel Mendes ao leme, tem tornado a vertente cada vez mais procurada por ciclistas e, claro, com os gémeos Oliveira a ser a referência máxima. As principais conquistas são de Ivo e Rui, mas não estão sós nesta transformação da pista. João Matias e, no feminino, Maria Martins, são dois nomes incontornáveis e completam o quarteto eleito para ir aos Campeonatos do Mundo à procura de fazer um pouco mais de história.

Com os resultados a melhorarem praticamente a cada grande competição feita, a selecção nacional apurou-se para os concursos masculino e feminino de omnium e para as provas masculinas de madison, perseguição individual e scratch. Maria Martins estará então no omnium, mas ainda não foi adiantado a distribuição de provas por Ivo, Rui e Matias. Na perseguição individual será uma surpresa não ver Ivo Oliveira a competir, visto que é o vice-campeão mundial.

Os Mundiais vão decorrer em Pruszków, na Polónia, entre 27 de Fevereiro e 3 de Março. Maria Martins competirá no dia 1: scratch (14:00), corrida tempo (16:10), eliminação (18:30) e corrida por pontos (19:55). No mesmo dia realiza-se a perseguição individual masculina, com as qualificações a arrancarem às 14:45 e finais estão agendadas para as 19:20.

O primeiro ciclista a entrar em acção será no dia 28, às 18:50, no scratch. A 2 de Março assistir-se-á ao ominum masculino, com o alinhamento e horários a serem os mesmos da prova feminina do dia anterior. A despedida será feita no madison, no dia 3, ás 13:55.

Com os resultados já alcançados em vários escalões, incluindo em elite, mais as recentes prestações muito positivas nas Taças do Mundo, é inevitável que as expectativas sejam cada vez mais altas. No entanto, o seleccionador Gabriel Mendes mantém-se focado também noutro objectivo: os Jogos Olímpicos. "O nosso grande foco são as disciplinas olímpicas de omnium e de madison. Tentaremos obter o maior número possível de pontos para o ranking de apuramento para os Jogos Olímpicos e para os rankings individuais", referiu, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Os Mundiais têm um grande peso nas qualificações olímpicas, o que, a acontecer em Tóquio2020, será um feito inédito para o desporto português.



14 de dezembro de 2018

As contas rumo aos Jogos Olímpicos

Portugal vai este fim-de-semana procurar somar mais uns valiosos pontos rumo ao objectivo de apurar pela primeira vez atletas de ciclismo de pista para os Jogos Olímpicos. A qualificação é longa e as contas dependem de vários factores. Porém, o seleccionador Gabriel Mendes, que sido um dos mentores do sucesso desta vertente que tem crescido nos últimos anos no país, está confiante que o feito inédito é possível, mas ainda há muito trabalho pela frente.

A quarta etapa da Taça do Mundo realiza-se em Londres, com a Equipa Portugal a marcar presença no madison e no omnium, as duas disciplinas em que procura a qualificação olímpica. Maria Martins também terá a oportunidade de estar presente, no que poderá ser o início de um feito também no feminino.

Mas afinal, como se processa esta qualificação? Está tudo interligado, ou seja, há que estar bem nas Taças do Mundo, para reforçar os rankings, para assim se estar nos Mundiais, que têm o maior peso quando se quer estar em Tóquio2020. O Campeonato do Mundo é a competição que dá mais pontos, pelo que haverá dois: o que finaliza esta temporada de 2018/19 e o de 2019/20 para influenciar o ranking olímpico.

O Campeonato da Europa também entra nas contas, enquanto as Taças do Mundo, são as melhores três de cada temporada que vão ser contabilizadas no ranking olímpico. De salientar que as selecções têm obrigatoriamente de fazer uma fora do seu continente, ou seja, Portugal não pode fazer apenas as Taças do Mundo na Europa, se assim fosse, só contariam duas.

Para se conseguir o apuramento para as Taças do Mundo, interessa o ranking indivual dos atletas, que entra depois para o ranking nações, com as pontuações dos três melhores ciclistas.

Apesar do objectivo de qualificação dos Jogos Olímpicos ser um dos principais, Gabriel Mendes fala em Tóquio2020 como algo a alcançar a médio prazo, porque salientou ao Volta ao Ciclismo como a Equipa Portugal entra nas competições para as discutir, sejam disciplinas olímpicas, ou não (a perseguição individual, na qual Ivo Oliveira é vice-campeão europeu e mundial, não está no programa olímpico). Portanto, há Mundiais e Europeus para se preparar antes dos Jogos.

Mas continuando com o processo de qualificação para Tóquio. Portugal procurar agarrar uma vaga no madison e omnium, ou pelo menos nesta última disciplina. Se conseguir no madison, automaticamente terá um ciclista no omnium.

São 16 as vagas no madison, sendo que oito são preenchidas pelas nações que se apurarem na perseguição por equipas. Ou seja, Portugal olha para as restantes oito vagas. "Está a correr bem. Temos dois oitavos lugares na prova de madison, no omnium temos um 11º e o Rui fez 16º na última Taça do Mundo [em Berlim] e ainda temos três Taças do Mundo para melhorar resultados", referiu Gabriel Mendes, que realçou a necessidade de melhorar no omnium. "É um processo passo a passo", referiu quanto à qualificação.

No ranking olímpico, Portugal é neste momento, antes do início da Taça do Mundo de Londres, 15º classificado, com 1550 pontos, não estando longe dos adversários imediatamente acima, como Irlanda (1620) e Bielorrússia (1720), por exemplo. Já no omnium, Portugal ocupa a 23º posição no ranking olímpico, com 515 pontos.

De referir que competições como o recente Troféu Internacional Município de Anadia também têm pontos em jogo, mas menos do que os dados em Taças do Mundo, Europeus e Mundiais.

O seleccionador está confiante que a qualificação pode mesmo ser uma realidade, ainda que se esteja numa fase inicial: "Estamos a fazer o nosso trabalho e estamos a fazer bem." Os gémeos Oliveira têm uma vital importância neste processo, sendo o rosto do ciclismo de pista que, no entanto, tem outro elemento essencial. João Matias é já um valor mais do que confirmado, com César Martingil a ser aposta constante, preparando-se para a estreia em Taças do Mundo este fim-de-semana.

Ivo e Rui estão a cerca de 15 dias de vestir pela primeira vez o equipamento de uma formação do World Tour. Os gémeos vão representar a UAE Team Emirates, mas a pista irá continuar a ser aposta para ambos. Gabriel Mendes garantiu que não haverá problemas em conciliar a pista e a estrada. "É uma questão de planeamento e nós trabalhamos com a equipa para podermos lutar por este objectivo. Eles são fundamentais. A equipa está a colaborar nesse plano trabalho. Não vejo problemas", disse. O seleccionador deu o exemplo do que aconteceu com o italiano Elia Viviani, que conciliou a pista e a estrada e tanto a equipa como a selecção ficaram a ganhar. O mesmo pode acontecer com a UAE Team Emirates, pois, para Gabriel Mendes, também sai valorizada com o sucesso de Ivo e Rui na pista.

Maria Martins com oportunidade de ouro

Com o ciclismo feminino a anos-luz do masculino em Portugal, Maria Martins é neste momento a grande referência no que a pista diz respeito. Aos 19 anos vai quebrando barreiras, tentando ser uma pioneira nesta vertente. Apesar da idade, já compete em elite e recebeu a oportunidade de ouro de ir à Taça do Mundo de Londres.

Voltamos a fazer contas. "Não obtivemos qualificação por vaga para a Taça do Mundo, somos a reserva número cinco na prova de omnium e a Maria tem a possibilidade de competir, uma vez que houve países que não fizeram uso da quota", explicou Gabriel Mendes. Isto significa que Maria Martins tem a possibilidade de pontuar para o ranking olímpico, no qual já tem um nono lugar conquistados nos Europeus. Por outro lado, um bom resultado permite subir no ranking individual e ambicionar estar nos Mundiais. A maior parte da quota é preenchida por quem se apura via ranking das nações, mas, como afirmou o seleccionador, 1/3 é preenchida pelo ranking individual e é aí que entra Maria Martins.

Numa ambição maior, se conseguir um lugar no Campeonato do Mundo, podem começar a abrirem-se as portas para uma possível qualificação olímpica, o que seria mais um feito inédito. Nesta caso, estamos a falar numa presença na disciplina do omnium, com Maria Martins a ocupar a 36ª posição no ranking, com 900 pontos, mas também com algumas adversárias acima da ciclista portuguesa na tabela a estarem muito perto.

Taça do Mundo de Londres

César Martingil e Maria Martins vão então fazer a sua estreia nestas competições este fim-de-semana. O ciclista da Liberty Seguros-Carglass e que irá mudar-se para o Sporting-Tavira em 2019, vai formar dupla com Miguel do Rego (CM Aubervilliers) no madison, numa prova marcada para as 18:45 de sábado.

João Matias (Vito-Feirense-BlackJack) vai competir no omnium no domingo: scratch às 9:45, corrida tempo às 12:20, eliminação às 15:10 e corrida por pontos às 17:05.

Quanto a Maria Martins é no sábado que estará em acção no omnium: scratch às 9:45, corrida tempo às 12:20, eliminação às 15:10 e corrida por pontos às 17:05.


17 de dezembro de 2017

"Os gémeos Oliveira são um exemplo que outros quererão seguir"

Foi um ano de confirmação do ciclismo de pista em Portugal. Depois de um longo e árduo trabalho feito nas camadas jovens, os resultados começaram agora a aparecer em elite. As referências são inevitavelmente os gémeos Oliveira, que tem conquistado medalhas em todos os escalões. Com os Jogos Olímpicos em mente, é tempo de continuar a evolução com os actuais corredores e consolidar o projecto de forma a permitir que novos talentos continuem a emergir. Gabriel Mendes é por isso um homem orgulhoso do trabalho que está a ser desenvolvido numa vertente com pouca tradição no país, mas que está cada vez mais a afirmar-se. No entanto, o seleccionador nacional quer elevar ainda mais o nível do ciclismo de pista, realçando que será cada vez mais difícil à medida que se vai aproximando dos melhores.

"Cada vez que nós vamos subindo, mais difícil é fazê-lo. É necessário mais investimento. Precisamos de consolidar a nossa presença internacional no nível de elite", salientou Gabriel Mendes ao Volta ao Ciclismo. O seleccionador acrescentou a necessidade dos atletas competirem ainda mais, pois "essa experiência vai permitir refinar e ir evoluindo progressivamente". "Talento e capacidade existem, mas vamos ter de as trabalhar. Não vivemos só de potencialidade", disse. Contudo, referiu que não se pode deixar de trabalhar na base: "Paralelamente vamos também procurar verificar se temos outros atletas que vão surgindo e que possam também fazer este percurso."

Em Outubro, Rui Oliveira tornou-se no primeiro português a conquistar uma medalha em pista na categoria de elite, com o bronze na corrida de eliminação. No dia seguinte, Ivo ficou com a prata na perseguição individual e na qualificação alcançou um tempo (4.14.570) que só está ao alcance dos melhores. Em Julho, Rui tinha sido campeão europeu da especialidade em sub-23 e Ivo, bronze também na vertente em que tem demonstrado estar cada vez mais forte. "Este foi um ano em que atingimos alguma consolidação de resultados e tivemos alguns de muito bom nível. O Ivo fez um tempo de excelência e não é fácil repetir muitas vezes na carreira o nível de desempenho que teve na perseguição individual na qualificação. Mas não é só a questão dos resultados. Estes só são alcançados se nós tivermos um processo de trabalho orientado", referiu o seleccionador nacional.

"A pista é um período do trajecto do desenvolvimento que o atleta pode fazer ao mais alto nível, sempre que existe uma possibilidade de conjugação"

E este processo começou em finais de 2010. Então, Gabriel Mendes chegou à federação e agarrou no projecto de uma escola de ciclismo de pista. O responsável recorda que no centro de alto rendimento estiveram vários jovens que se foram mostrar nesta vertente. "Nós seleccionámos e iniciámos um processo de trabalho muito focado nas técnicas básicas, naquilo que eram os alicerces do trabalho técnico a desenvolver", explicou. O primeiro resultado foi o aumento de qualidade das corridas nacionais. Foi nessa fase inicial que surgiram os gémeos Oliveira. Identificado o potencial de ambos, em 2013 estrearam-se pela selecção e foi o início de uma etapa de enorme sucesso, com títulos logo no escalão de juniores.

Gabriel Mendes realçou a importância de ter sido possível realizar um trabalho de continuidade. Ou seja, através de uma coordenação com os clubes, é possível manter os treinos e competição de pista, conjugando com as responsabilidade vertente de estrada. "É esta coordenação que permite que tenhamos um processo continuo que tem vindo sempre a evoluir", afirmou. Apesar de muitos jovens pensarem em carreiras como ciclistas de estrada, a pista entrou definitivamente nos planos de muitos: "Eles têm um gosto intrínseco desde a primeira hora que vieram à pista. A partir daí é uma questão de planear a médio/longo prazo e de organização. A pista é um período do trajecto do desenvolvimento que o atleta pode fazer ao mais alto nível, sempre que existe uma possibilidade de conjugação. E se houver, é possível fazer as duas vertentes sem qualquer problema e com benefícios."

Os gémeos Oliveira estão a tornar-se no grande exemplo em Portugal de como se pode ter sucesso na pista e ter futuro na estrada. Este ano representaram a Axeon Hagens Berman de Axel Merckx, com o director belga a dar liberdade para que Ivo e Rui continuassem a competir na pista, enquanto desenvolvem as suas qualidades de estrada.

"Os gémeos Oliveira são um exemplo que outros quererão seguir", frisou Gabriel Mendes, que disse ainda que Ivo e Rui "têm um papel extremamente importante para que o ciclismo de pista seja hoje em Portugal uma modalidade que se está a afirmar". "A nível internacional, os atletas que têm sucesso a nível de pista, na endurance, são atletas que têm um caminho de sucesso de estrada. E eles estão a fazer esse processo e bem. E isso é um exemplo para os mais novos que querem também fazer o seu percurso", afirmou.

"Nós acreditamos que [a qualificação para os Jogos Olímpicos] é possível"

No sector feminino, Soraia Silva e Maria Martins têm sido as principais apostas. Sub-23 e júnior, já vão competindo com a elite para começar a ganhar experiência, mas sem a pressão de alcançarem resultados no imediato. "Os objectivos são muito claros: elas estão a trabalhar com o foco no desenvolvimento técnico e táctico." Gabriel Mendes quer que seja feito este trabalho de base e que se verifique uma evolução sustentada para que daqui a poucos anos estejam muito competitivas e a grande nível na pista.

E com tão bons resultados, já muito se fala de uma presença olímpica, o que será uma estreia nesta vertente do ciclismo em Portugal. Tóquio2020 aproxima-se e a qualificação começa no próximo verão. "É extremamente importante a presença nos Campeonatos do Mundo no omnium para termos aspirações e iniciarmos o processo de qualificação da melhor forma. Isso implica a qualificação para a Taça do Mundo", explicou o seleccionador. Há um "encadeamento", como referiu, destas competições, mais os campeonatos continentais, para que se possa assegurar um lugar no Jogos Olímpicos. O omnium é a disciplina eleita, ainda que o madison também está a ser trabalhado. "Nós acreditamos que é possível", realçou.

Além dos gémeos Oliveira, João Matias e César Martingil têm sido dois dos ciclistas mais chamados nos últimos meses por Gabriel Mendes e todos eles estão focados e motivados para continuar a elevar ainda mais a qualidade do ciclismo nacional. Para isso, o velódromo em Sangalhos tem sido de extrema importância, tanto por ser o centro de alto rendimento da modalidade - partilhado pela ginástica, esgrima, judo e trampolim -, pois além de treinos, tem recebido competições internacionais, como foi o caso em 2017 dos Europeus de sub-23 e juniores e neste último fim-de-semana a Taça Internacional Município de Anadia, que trouxe a Portugal medalhados em Jogos Olímpicos, Mundiais e Europeus.

"Temos um excelente velódromo e tentamos aproveitar ainda as condições que o centro de alto rendimento proporciona. Nós temos aqui a nossa academia e é uma estrutura muito importante para o trabalho que a selecção de pista desenvolve", reiterou Gabriel Mendes, que gostaria também de poder contar "com pistas abertas com características idênticas". Contudo, em Sangalhos, estão a nascer o que se espera ser as primeiras grandes referências do ciclismo de pista nacional.

»»Portugueses com seis medalhas no Troféu Internacional Município de Anadia««

»»"Quando vierem [assistir ao ciclismo de pista] vão ver que é emocionante!"««

»»Nova medalha para Rui Oliveira e os dois pontos que tiraram o bronze a Miguel Salgueiro««

»»Gémeos Oliveira e João Matias em destaque no primeiro dia de competição««

15 de dezembro de 2017

Gémeos Oliveira e João Matias em destaque no primeiro dia de competição

O Troféu Internacional Município de Anadia arrancou e os gémeos Oliveira conquistaram logo duas medalhas. Na prova que abriu a competição, a corrida de scratch em sub-23, Ivo ganhou e Rui foi terceiro. E para terminar, João Matias chegou a liderar a prova por pontos. Foi quinto, numa corrida em que teve como adversários atletas de nível mundial. O primeiro dia de provas houve ainda um valente susto, com a queda de Soraia Silva no scratch. Apesar das marcas na perna e braço, a jovem ciclista mostrou estar bem e preparada para sábado e domingo regressar à pista do Velódromo Nacional, em Sangalhos.

Gabriel Mendes estava contente com as performances dos seus ciclistas. "Para o processo de trabalho em que estamos, estou extremamente satisfeito com todos eles. Está dentro da nossa expectativa e para aquilo que são os nossos objectivos para esta fase da época", salientou ao Volta ao Ciclismo. O seleccionador nacional referiu o exemplo dos gémeos Oliveira, que têm apenas 15 dias de treino, pois esta é uma fase de arranque de temporada para a maioria dos corredores. Ainda assim, foram competitivos e juntaram mais duas medalhas às várias que já somam nos escalões de juniores, sub-23 e também elite, incluindo de europeus e mundiais.

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
"Estiveram muito bem. Eles não têm sempre a pressão de ganhar. Eles sobem frequentemente ao pódio, mas também se não subissem nesta corrida, não seria um problema", referiu Gabriel Mendes, que acrescentou que sendo uma competição em Portugal é naturalmente bom que se atinjam estes resultados. Ainda assim frisou: "Temos de respeitar um processo de preparação que queremos que seja sólido e sem quebrar etapas." O seleccionador destacou ainda o "papel determinante" de César Martingil na mesma corrida, com o ciclista a terminar no 10º lugar.

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
O outro destaque do dia foi João Matias. Esteve bem na perseguição individual, mas foi na corrida por pontos que ficou perto do pódio. Ao conseguir dar uma volta de avanço e vencendo depois o sprint, Matias esteve na liderança no início da prova. O pódio pareceu possível durante toda a longa, mas rápida corrida. Porém, o ciclista português acabaria no quinto lugar. O pódio escapou, mas João Matias demonstrou novamente como está a evoluir no ciclismo de pista, disputando a corrida com ciclistas de elevado nível internacional. O espanhol Sebastían Mora venceu com 54 pontos, mais um do que o holandês Jan-Willem van Schip. O belga Robbe Ghys foi o terceiro, com 39 pontos. Matias somou 34.

A júnior Maria Martins continua a ganhar experiência ao competir com a elite e terminou o dia com dois resultados muito animadores. Primeiro começou por ser oitava entre 24 atletas que se apuraram para a final na corrida por pontos. No scratch foi nona, com Soraia Silva a sofrer uma queda que poderá ter sido uma dura forma de aprender o que não deve fazer. "As quedas são algo que podem acontecer a qualquer momento. Há aspectos que temos de melhorar, nomeadamente técnicos ,de forma a que a situação que aconteceu não se repita. A Soraia entra na faixa dos sprinters, pela esquerda de uma atleta que já lá se encontrava e devido à velocidade e ao não ter possibilidade de entrar na curva da pista, se assim podemos dizer, no ápice da curva é projectada por fora. Os atletas não devem forçar essa passagem, ela forçou e as coisas correram mal", explicou Gabriel Mendes.

Soraia teve uma passagem pelo departamento médico, mas neste sábado, tanto a ciclista, como os restantes companheiros da selecção nacional estarão na prova do omnium, que inclui seis corridas, como a perseguição individual ou o scratch. Os ciclistas vão somando pontos para se encontrar o vencedor.

De referir que além dos ciclistas que estão a representar a selecção nacional, encontram-se em Sangalhos a competir a título individual António Barbio, Rafael Silva e Leonel Coutinho.

O dia de sábado começa às 10 até perto das 20 horas, com paragem entre as 12:50 e as 16 horas. Gabriel Mendes deixa o convite para assistir ao Troféu Internacional Município de Anadia: "Vale a pena cá vir. É um espectáculo que é bonito de se ver". A entrada é gratuita.

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25 de julho de 2017

Misto de juventude e experiência para atacar os Europeus

Rafael Reis e Ruben Guerreiro, amigos que vão lutar pelo título europeu
Será o segundo ano em que os profissionais poderão competir nos Europeus, com Herning, na Dinamarca, a ser o palco da corridas entre 2 e 6 de Agosto. Há um ano Peter Sagan coleccionou mais uma camisola, que acabou por nunca ser vista na estrada, pois era campeão do mundo quando ganhou e renovou o título em Outubro. Jonathan Castroviejo venceu no contra-relógio e essa camisola até a vimos na Volta ao Algarve. Quem serão os próximos campeões europeus? Portugal aposta num misto de juventude e experiência para enfrentar as habituais potências do ciclismo: Ruben Guerreiro, Rafael Reis, José Mendes e Tiago Machado.

Este ano serão apenas quatro os que formarão a equipa na competição de elite, como José Mendes (Bora-Hansgrohe) e Tiago Machado (Katusha-Alpecin) a repetirem a chamada, ainda que o primeiro tenha acabo por não competir devido a problemas físicos. Em 2016, a táctica assumida foi de apoio a Rui Costa, que terminou na sexta posição. Este ano e dado ser uma equipa mais curta, as características dos ciclistas beneficiam a procura de uma fuga ou de ataques nos quilómetros finais, por exemplo. Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) sagrou-se recentemente campeão nacional de fundo, enquanto Rafael Reis (Caja Rural) foi vice-campeão de contra-relógio, perdendo para Domingos Gonçalves, que no dia 4 começa a Volta a Portugal com a Rádio Popular-Boavista.

Sem surpresa, Rafael Reis irá estar tanto no esforço individual como na prova de fundo, tal como Tiago Machado. Rafael Reis é um especialista nesta vertente e na Volta a Portugal de 2016 venceu o prólogo e vestiu a camisola amarela. O percurso do contra-relógio é essencialmente plano (46 quilómetros), tal como o escolhido para a prova de fundo (241,2). Será percorrido em circuito para assim potenciar a visibilidade de quem quiser assistir in loco à corrida.

Bikey, a mascote dos Europeus
Perante estas características e o número reduzido de ciclistas da equipa portuguesa, percebe-se ainda melhor a escolha de José Poeira. Tiago Machado (31 anos) é exímio neste tipo de ataques. Na Katusha-Alpecin as suas funções mudaram, sendo agora um excelente gregário, mas as qualidades do homem de ataque que é não se perderam. Certamente que o ciclista estará desejoso de as mostrar, depois de um Tour muito positivo, ainda que no trabalho para Alexander Kristoff. José Mendes (32) gosta mais de percursos com algumas inclinações, ainda assim a sua experiência poderá ser importante, pois também sabe integrar bem potenciais fugas.

Rafael Reis (25) e Ruben Guerreiro (23) são ciclistas que se adaptam facilmente a este tipo de corridas. Ambos começaram bem a temporada nas novas equipas, mas o primeiro fracturou o pulso e o segundo teve um problema dentário. As paragens forçadas quebraram a subida de forma dos dois, contudo, estão novamente a atingir bons picos de intensidade física.

O percurso dos Europeus não assentaria a Rui Costa, por exemplo, mas Nelson Oliveira falhará a presença no contra-relógio porque nesse dia (3) estará na Volta à Polónia com a Movistar, a preparar a Volta a Espanha, corrida para a qual espera ser convocado. Em 2016, Nelson Oliveira falhou o pódio por 17 segundos.

A comitiva portuguesa não se fica por estes quatro ciclistas. Serão 16 ao todo que irão competir também nos sub-23, juniores e no sector feminino.

Sub-23: André Carvalho (Cipollini Iseo Serrature Rime), César Martingil (Liberty Seguros/Carglass), Francisco Campos (Miranda/Mortágua), Gaspar Gonçalves (LIberty Seguros/Carglass) e João Almeida (Unieuro Trevigiani-Hemus 1896). Só Gaspar Gonçalves participará também no contra-relógio.

Juniores: João Dinis (RP-Boavista), Pedro Miguel Lopes (Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact) Pedro José Lopes (Alcobaça CC/Crédito Agrícola) e Pedro Teixeira (Maia). Os últimos dois estão inscritos para a corrida de fundo e contra-relógio.

Gabriel Mendes é o responsável no sector feminino, que só irá competir nas provas de fundo. As eleitas são a elite Daniela Reis (Lares-Waowdeals), a sub-23 Soraia Silva (Bairrada) e a júnior Maria Martins (Bairrada),que na semana passada foi vice-campeã da Europa do seu escalão na prova de eliminação dos Europeus de pista que se realizariam em Anadia.

Em baixo fica o calendário das corridas em que irão participar os ciclistas portugueses (fuso horário de Portugal Continental):
  • 2 de Agosto, 11:45 Contra-relógio Juniores Masculinos, 31,5 km 
  • 3 de Agosto, 11:15 Contra-relógio Sub-23 Masculinos, 31,5 km 
  • 3 de Agosto, 14:00 Contra-relógio Elite Masculina, 46 km 
  • 4 de Agosto, 8:00 Prova de Fundo Juniores Femininas, 60,3 km 
  • 4 de Agosto, 11:00 Prova de Fundo Sub-23 Femininas, 100,5 km 
  • 4 de Agosto, 15:00 Prova de Fundo Juniores Masculinos, 120,6 km 
  • 5 de Agosto, 8:00 Prova de Fundo Sub-23 Masculinos, 160,8 km 
  • 5 de Agosto, 13:00 Prova de Fundo Elite Feminina, 120,6 km 
  • 6 de Agosto, 10:00 Prova de Fundo Elite Masculina, 241,2 km


17 de julho de 2017

11 jovens ciclistas portugueses atacam Europeus de Pista em Anadia

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A partir desta terça-feira Anadia torna-se o centro das futuras estrelas de ciclismo, com os Campeonatos Europeus de Pista de sub-23 e juniores a realizarem-se até domingo no velódromo de Sangalhos. Elia Viviani, Bryan Coquard e Owain Doull são algumas das mais recentes figuras que se mostraram pela primeira vez numa competição como esta. Portugal estará representado por 11 ciclistas, com inevitável destaque para os gémeos Oliveira, os primeiros a conquistarem medalhas internacionais nesta vertente do ciclismo. Mas a atenção não se centrará apenas em Ivo e Rui, com expectativas de bons resultados e que os mais jovens comecem a ganhar experiência a pensar no futuro próximo.

César Martingil (Liberty Seguros/Carglass), Miguel do Rego (Team Peltrax-CS Dammarie-lès-Lys), Ivo Oliveira e Rui Oliveira (Axeon Hagens Berman) e Soraia Silva (Bairrada) foram os escolhidos pelo seleccionador Gabriel Mendes da categoria de sub-23, enquanto nos juniores, Portugal contará com Francisco Duarte e Wilson Esperança (Sicasal/Liberty Seguros/Bombarralense), Francisco Moreira (Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact), João Dinis (RP-Boavista), José Sousa (Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel) e Maria Martins (Bairrada).

Logo a abrir os campeonatos, a selecção portuguesa terá como recente recordação o segundo lugar de Ivo Oliveira na perseguição individual e a mesma posição de Maria Martins no scratch, conquistados há um ano. Gabriel Mendes falou sobre os planos definidos para os Europeus: "Como é natural, os objectivos são mais ambiciosos para os atletas com experiência, como os gémeos Oliveira e o César Martingil, em sub-23, e a Maria Martins e o João Dinis, em juniores. Neste caso, um lugar no primeiro terço da classificação será um desempenho muito bom, e um lugar no segundo terço será bom."

Com a viagem a ser feita apenas até Anadia, ou seja, competir em casa, permitiu que a equipa portuguesa fosse maior, a pensar em proporcionar uma experiência a outros ciclistas com potencial. "Tanto o Miguel do Rego como os juniores que se estreiam estão neste patamar evolutivo. Pretende-se que adquiram experiência e consigam desenvolver-se ao nível técnico e táctico. A Soraia Silva já correu em juniores, mas irá estrear-se em sub-23. O grau de exigência é muito mais alto, pelo que tentar rodar na volta da vencedora é uma meta realista para este ano, pensando já no futuro", explicou o seleccionador, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Gabriel Mendes quer os seus ciclistas a pontuar o máximo possível para a qualificação para a Taça do Mundo 2017/2018, sempre com os Jogos Olímpicos de Tóquio no horizonte.

Apesar de ser a grande referência ao lado do irmão, Ivo Oliveira não sabe como irá apresentar-se em Anadia. O ciclista da Axeon Hagens Berman caiu durante o Giro de sub-23 a 14 de Julho e fracturou o braço. "Uma semana após a queda comecei o meu trabalho nos rolos, embora com limitações. Tenho aumentado progressivamente a carga dos treinos, sinto-me com vontade de correr, mas só o corpo o dirá. Não consigo pensar nisso [resultados], visto que a minha preparação é completamente diferente dos outros anos, mas darei o meu melhor, como sempre faço", assegurou Ivo Oliveira.

No velódromo de Sangalhos estarão mais de 300 atletas oriundos de 25 países. Todas as finais e algumas provas de qualificação serão transmitidas em directo na internet nos seguintes sites: Federação Portuguesa de Ciclismo, site oficial dos campeonatos e no canal de YouTube da federação (é só carregar nos links para ir para as páginas).

Para quem quiser assistir ao vivo, os filiados na Federação Portuguesa de Ciclismo e todos os residentes no concelho de Anadia têm entrada gratuita. Os bilhetes diários custam dez euros.

Calendário dos portugueses (informação sujeita a ajustes diários):

18 de Julho 
10:50: Perseguição Individual Sub-23 - Ivo Oliveira e Miguel do Rego 
17:00: Eliminação Sub-23 Femininas - Soraia Silva 
17:30: Eliminação Sub-23 Masculinos - Rui Oliveira 
18:10: Final de Perseguição Individual Sub-23 (em caso de apuramento) – Ivo Oliveira e Miguel do Rego 
18:20: Scratch Juniores Femininas - Maria Martins 
18:40: Scratch Juniores Masculinos - Francisco Duarte 

19 de Julho 
15:50: 1 km contra-relógio Juniores Masculinos - Francisco Duarte e Wilson Esperança 
18:30: Scratch Sub-23 Femininas - Soraia Silva 
18:45: Scratch Sub-23 Masculinos - César Martingil 
19:15: Eliminação Juniores Femininas - Maria Martins 
19:35: Eliminação Juniores Masculinos - João Dinis 

20 de Julho 
10:20: Perseguição Individual Juniores Masculinos - Francisco Moreira e Wilson Esperança 
17:50: 1 km contra-relógio Sub-23 Masculinos - Rui Oliveira e Miguel do Rego 

21 de Julho 
10:00/10:55/15:30/19:30: Omnium Juniores Femininas - Maria Martins 
10:15/11:20/15:45/20:00: Omnium Juniores Masculinos - João Dinis 
17:00: Corrida por Pontos Sub-23 Femininas - Soraia Silva 
17:40: Corrida por Pontos Sub-23 Masculinos - Miguel do Rego 

22 de Julho 
9:30/10:30/16:00/19:30: Omnium Sub-23 Femininas - Soraia Silva 
9:50/10:45/16:20/20:00: Omnium Sub-23 Masculinos - Rui Oliveira 
17:10: Corrida por Pontos Juniores Femininas - Maria Martins 
17:50: Corrida por Pontos Juniores Masculinos - José Sousa 

23 de Julho 
15:30: Madison Sub-23 Masculinos - Rui Oliveira e Miguel do Rego 

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