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9 de dezembro de 2020

Miguel Salgueiro o melhor português na estreia do Mundial de Ciclismo Electrónico

© Federação Portuguesa de Ciclismo
O ciclismo saiu da estrada para o mundo virtual durante o confinamento, altura em que plataformas como a Zwift ganharam ainda mais utilizadores. Porém, foi a confirmação do que já se estava a verificar em tempos recentes. Em 2019 foi anunciado o primeiro Mundial virtual, apelidado de Electrónico. Mal se sabia o que se viria a viver poucos meses depois e como esta prova acabou por ter outra relevância, quando até já se realizaram uma Volta a Flandres e um Tour. Alguns dos grandes nomes do ciclismo de estrada participaram na corrida que se realizou esta quarta-feira. Entre os portugueses, Miguel Salgueiro mostrou que também nesta vertente podem contar com ele para alcançar bons resultados.

O ciclista da LA Alumínios-LA Sport esteve acompanhado por Jorge Magalhães (W52-FC Porto) e por Maria Martins (Drops), que tiveram como "base" o Centro de Alto Rendimento, em Anadia. O trio representou a selecção portuguesa, com Miguel Salgueiro a terminar na 33ª posição, a 32:33 segundos do vencedor, Jason Osborne. O alemão, de 26 anos, tornou-se assim no primeiro campeão do mundo do ciclismo electrónico, com a sul-africana Ashleigh Moolman Pasio (35) a alcançar o feito entre as mulheres.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
A prova feminina foi decidida ao sprint, com a australiana Sarah Gigante a ficar em segundo e com a sueca Cecilia Hansen a fechar o pódio, cortando a meta com apenas um segundo de diferença. Moolman Pasio completou os 50,035 quilómetros em 1:13.27 horas, com Maria Martins a ser 52ª, muito longe da discussão da corrida. A ciclista portuguesa regressou recentemente de férias e acusou a falta de ritmo.

Quanto a Miguel Salgueiro, estrada, BTT, ciclocrosse e até pista são vertentes em que já demonstrou como é competitivo. Agora comprova o seu estatuto de todo-o-terreno numa bicicleta no ciclismo electrónico.

"Foi uma prova muito dura, arrancou logo muito rápida. Tive de fazer vários sprints ao longo da corrida para conseguir manter-me no pelotão, mas este é um tipo de esforço a que me adapto bem. Isto acaba por ser uma corrida de eliminação. Mantive-me no grupo da frente e, na fase final, apesar de já estar muito desgastado, tentei a minha sorte. Foi demasiado cedo. Paguei a falta de experiência, pois nunca tinha competido a este nível, mas fica a aprendizagem para o futuro", afirmou, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Salgueiro atacou no último quilómetro. Não resultou, mas terminou a prova atrás de corredores como o britânico Tom Pidcock (reforço da Ineos para 2021) e o belga Victor Campenaerts. Mas mais nomes bem conhecidos participaram, como Edvald Boasson Hagen, Michael Valgren, Rigoberto Uran e Domenico Pozzovivo, por exemplo.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Jorge Magalhães foi 49º, a 4:02 minutos de Osborne, tendo perdido contacto com o grupo da frente a meio da prova. "Foi quase um sprint na subida, como sou pouco explosivo, acabei por não conseguir passar na frente e depois já não foi possível regressar ao grupo da frente", explicou.

Watopia tornou-se uma popular subida na plataforma Zwift, que foi a parceira do primeiro Mundial de uma vertente que a UCI abraçou. De referir que Osborne foi o mais forte no sprint final, batendo dois dinamarqueses: Anders Foldager (a 1:74 segundos) e Nicklas Pedersen (a 2:09 segundos).

»»Vozes da experiência mudam de equipa mas continuam a competir««

14 de outubro de 2020

Oito medalhas na melhor prestação da Equipa Portugal nos Europeus de pista

© BettiniPhoto/Federação Portuguesa de Ciclismo
Apesar de um discurso cauteloso antes do início dos Europeus de sub-23 e juniores, com o objectivo a passar por alcançar top oito nas provas, o seleccionador nacional de pista saiu de Fiorenzuola d’Arda, Itália muito satisfeito. Gabriel Mendes escolheu três ciclistas que obtiveram oito medalhas, o que se traduz na melhor prestação da Equipa Portugal nesta competição.

Num velódromo ao ar livre, Maria Martins foi a que demonstrou ter a preparação um pouco mais atrasada. Porém, é uma ciclistas sempre determinada em vencer e conquistou duas medalhas para juntar às que já detém. Desta feita, a sub-23 portuguesa ficou com a medalha de prata na prova de eliminação e com a de bronze no scratch. Este ano, Maria Martins assinou pela Drops, mas a pandemia não tem permitido participar em muitas corridas, pelo que aproveitou a pista para se mostrar. Para o ano a sua equipa quer pedir uma licença World Tour.

Ainda nos sub-23, Iúri Leitão foi o único atleta do lado masculino, mas representou muito bem a selecção nacional. É um ciclista que Gabriel Mendes chama regularmente para competir em pista e saiu de Itália com três medalhas, todas de prata: scratch, corrida por pontos e eliminação. Excelente prestação para o jovem de Viana do Castelo, que está a competir em Espanha, pela Super Froiz.

O maior sucesso teve Daniela Campos como autora, na categoria de juniores. A atleta foi campeã da Europa na prova de eliminação (foto em cima). Mas conquistou mais duas medalhas: a de prata na corrida dos pontos e terminou a competição, na terça-feira, com o bronze no omnium. A ciclista da equipa BTT Loulé/Elevis é um dos novos talentos a surgir no ciclismo feminino em Portugal.

Tal como Raquel Queirós, mostra potencial na estrada e no BTT, mas também na pista. Depois de Daniela Reis ter conseguido chegar ao mais alto nível do ciclismo, o país vai tendo mais ciclistas que tentam seguir as suas pisadas, sem esquecer que Maria Martins é já igualmente uma referência apesar de ter apenas 21 anos.

"Foi a nossa melhor prestação de sempre em Campeonatos da Europa de Sub-23 e Juniores. Cumprimos o objectivo de terminar entre os oito melhores todas as provas de resistência e superámos as expectativas em lugares de pódio. Estes resultados acabam por premiar todo o trabalho feito nas condições adversas deste ano atípico", salientou Gabriel Mendes, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

»»Apostar na formação««

8 de outubro de 2020

Iúri Leitão conquista medalha de prata

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Tem sido um dos ciclistas com chamadas frequentes do seleccionador nacional Gabriel Mendes para as provas de pista. Com os gémeos Oliveira a dominarem nos últimos anos a atenção e com João Matias a ser outra das referências, Iúri Leitão foi ganhando o seu espaço, foi ganhando experiência e eis que chegou a recompensa do seu trabalho: é vice-campeão da Europa na corrida de eliminação em sub-23. Iúri Leitão está de parabéns.

Ambicioso, muito ciente daquilo que quer fazer na sua carreira, na estrada, o jovem ciclista de Viana do Castelo mudou-se este ano para a formação espanhola Super Froiz para ter acesso a corridas que encaixassem melhor no seu perfil de sprinter. Como tantos outros, a pandemia estragou a temporada, mas eis que chega à pista (no Europeu em Itália é ao ar livre) e agarrou a oportunidade em Fiorentuola d’Arda, Itália.

Iúri Leitão começou a prova nos lugares recuados do pelotão. Acabou por corrigir esse perigoso posicionamento e fez a maior parte da corrida bem colocado, evitando os sustos das eliminações volta a volta. Quando sobravam apenas três atletas em pista, Leitão atacou para garantir, pelo menos, a medalha de prata.

Na disputa pela de ouro, o belga Jules Hesters não se deixou surpreender e, revelando uma melhor ponta final, garantiu o título europeu. O terceiro classificado foi o espanhol Raúl García.

"O Iúri fez a corrida como tínhamos planeado e conseguiu um excelente resultado. Quando ficou a sós com o corredor belga, talvez pudesse contemporizar um pouco mais, não atacando tão cedo. Mas o desfecho foi muito positivo", referiu o seleccionador nacional, Gabriel Mendes, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Neste primeiro dia de Europeu de pista de sub-23 e juniores, Daniela Campos também esteve em pista. Foi sétima classificada na disciplina de scratch para juniores. A eslovaca Nora Jencusova atacou nas últimas cinco das 20 voltas da prova. O pelotão, inicialmente adormecido, respondeu nas duas voltas finais.

Daniela Campos assumiu as despesas da perseguição e pagou esse esforço. As rivais ultrapassaram a portuguesa na luta pelo pódio. Nora Jencusova resistiu à resposta do grupo e conquistou a medalha de ouro, seguida pela polaca Nikola Wielowska e pela italiana Lara Crestanello. 

"A corrida foi muito atípica, praticamente sem movimentações até às voltas finais. A fuga da corredora que viria a ganhar foi consentida, mas mal calculada pelo pelotão, que deu demasiada margem à ciclista eslovaca. A Daniela assumiu demasiado a perseguição na última volta e meia. Até por isso a participação dos ciclistas mais jovens nas grandes competições é essencial, porque permite aprender, evoluir e desenvolver qualidades, sobretudo a conjugação da capacidade física com a leitura tática e técnica", explicou Gabriel Mendes.

Maria Martins estreia-se esta sexta-feira no Europeu, competindo, às 17:00, na prova sub-23 de Scratch. É a única portuguesa em pista neste dia.

Agenda da Equipa Portugal

9 Outubro

17:00: Maria Martins – Scratch Sub-23

10 Outubro

15:25: Daniela Campos – Eliminação Juniores

16:00: Maria Martins – Eliminação Sub-23

16:25: Iúri Leitão – Scratch Sub-23

11 Outubro

8:30-16:35: Daniela Campos – Omnium Juniores

14:00: Maria Martins – Corrida por Pontos Sub-23

15:00: Iúri Leitão – Corrida por Pontos Sub-23

12 Outubro

8:00-15:35: Maria Martins – Omnium Sub-23

8:15-16:15: Iúri Leitão – Omnium Sub-23

13:15: Daniela Campos – Corrida por Pontos Juniores

»»Iúri Leitão: "Em Portugal é raro existir uma corrida que seja perfeita para mim"««

18 de setembro de 2020

Volta a Portugal com cinco formações ProTeam e Selecção de sub-23

O pelotão será 20% mais curto do que o habitual na Volta a Portugal, mas terá cinco equipas do segundo escalão (ProTeams), além das nove Continentais portuguesas. Para completar, haverá um selecção nacional, composta maioritariamente por ciclistas sub-23. Estamos em contagem decrescente para uma corrida difícil de colocar na estrada em 2020, mas que tem partida marcada para 27 de Setembro, em Fafe, com medidas de restrição muito elevadas para garantir a segurança de todos os intervenientes em tempo de pandemia. Lisboa coroará o campeão a 5 de Outubro.

Entre as formações ProTeam presentes, destaque para a francesa da Arkéa Samsic, que já não será novidade na Volta, mas este ano é a líder do ranking entre as formações do segundo escalão, o que, a manter até final da temporada, lhe permitirá em 2021 ter acesso directo (sem depender de convites) às três grandes voltas e monumentos, por exemplo.

Mas não é só esta formação a viajar de França. A Nippo Delko One Provence (na foto) está confirmada e tem influência portuguesa. José Azevedo é um dos directores desportivos e o ciclista José Gonçalves faz parte da equipa. De Espanha virão a Caja Rural (uma presença habitual) e a Burgos-BH, esta última com José Neves e Ricardo Vilela entre os seus atletas.

Já de mais longe, dos Estados Unidos da América, estará a Rally Cycling, uma equipa sempre muito interessante de se ver nas corridas. Tem uma mentalidade de perseguir sempre bons resultados, dar espectáculo, enquanto ajuda a formar jovens ciclistas, na sua maioria americanos e canadianos. Há uns anos esteve na Volta ao Algarve.

De referir que Rally Cycling, Burgos-BH e Caja Rural estão a aproveitar para competir em Portugal, pois já este fim-de-semana estarão presentes no Troféu Joaquim Agostinho.

Quanto à Equipa Portugal, a Federação Portuguesa de Ciclismo (FPC) explica que serão chamados ciclistas que façam parte das equipas de clube, assim como jovens corredores que estejam em formações estrangeiras. O objectivo passa por dar competição e experiência a atletas sub-23 que tão pouca competição tiveram em 2020 e não vão ter muito mais depois da Volta.

Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel, Aviludo-Louletano, Efapel, Feirense, Kelly-InOutBuild-UDO, LA Alumínios-LA Sport, Miranda-Mortágua, Rádio Popular-Boavista e W52-FC Porto serão as equipas portuguesas. A última parte para a corrida para tentar manter o domínio que começou em 2013, então como OFM-Quinta da Lixa. Numa perspectiva futebolística e contando com a entrada do FC Porto, fala-se da conquista do penta! João Rodrigues terá o dorsal número um.

O pelotão da Edição Especial da Volta a Portugal terá 105 ciclistas, com a FPC a explicar que, perante a opção de um pelotão mais reduzido devido à pandemia, duas equipas ProTeam e quatro Continentais viram os seus pedidos para participar na corrida recusados.

Recorde-se que a FPC assumiu as rédeas da organização depois da Podium (a quem os direitos estão cedidos pela federação) ter adiado a 82ª edição para 2021, depois de alguns municípios terem recusado receber a corrida. Curiosamente, Viseu e Viana do Castelo, assim como Guarda (cuja a autarquia esteve reticente em ser uma das cidades da Volta) estão no percurso já anunciado para a chamada Edição Especial Jogos Santa Casa.

A corrida terá menos etapas, mas contará com as históricas subidas à Senhora da Graça e à Serra da Estrela, com direito a chegada à Torre. Mais pormenores, no link em baixo.

»»Volta a Portugal ganha forma. Edição Especial já tem etapas««

28 de agosto de 2020

Equipa Portugal fecha Europeus com um top cinco

Daniela Campos discutiu o sprint na prova de juniores
No último dia dos Campeonatos Europeus em Plouay, França, a selecção portuguesa teve mais um dia de grande nível exibicional, mas também voltou a sofrer alguns azares, algo que marcou a prestação durante as provas da última semana. A júnior Daniela Campos fechou no quinto lugar a corrida de fundo, em mais um excelente resultado, pois já tinha sido nona no contra-relógio.

Problemas mecânicos, um furo, uma queda, questões físicas... A Equipa Portugal sai de Plouay com uma lista bem preenchida de tudo o que se quer que não aconteça, mas aconteceu. Ainda assim. Entre juniores, sub-23 e elite, o balanço final só pode ser positivo.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Daniela Campos é a prova disso mesmo. A júnior demonstrou estar muito atenta às movimentações que aconteceram nos 68,25 quilómetros de prova. Conseguiu ficar sempre na frente, evitando ter de fazer recuperações. Os consecutivos cortes que se foram verificando acabaram por determinar o grupo de cerca de 20 ciclistas que ficaram em melhores condições de discutir as medalhas.

Daniela Campos conseguiu um quinto lugar, num sprint ganho pela italiana Eleonora Gasparrini, com as  belgas Matith Vanhove e Katrijn de Clercq, a serem segunda e terceira, respectivamente. Para a portuguesa é um resultado de revela a boa evolução como atleta no último ano.

Beatrix Roxo ficou do lado azarado da selecção. Segundo explica a Federação Portuguesa de Ciclismo, a jovem ciclista teve uma avaria logo na primeira volta ao circuito e foi ainda vítima de outra situação de corrida. Depois, quando estava quase a reentrar no grupo principal, esteve "partiu", deixando a portuguesa nos lugares mais atrasados. Terminaria no 40º lugar, a 10:22 minutos de Gasparrini.


Nos juniores masculinos, os azares continuaram a perseguir os ciclistas portugueses. Fábio Fernandes teve um furo e João Ferreira foi vítima de queda. Dado o elevado ritmo da prova, ambos acabaram por não conseguir manter-se na frente e abandonaram. dinamarquês Kasper Andersen sagrou-se campeão europeu, com o checo Pavel Bittner e o belga Arnaud de Lie a completarem o pódio (classificação neste link).

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Na quinta-feira, foi Miguel Salgueiro a figura, ao alcançar um excelente nono lugar na corrida de sub-23. O português foi um dos melhores no pelotão que perseguiu sem sucesso uma fuga que decidiria as medalhas. O norueguês Jonas Iversby Hvideberg venceu, com o dinamarquês Anthon Charmig e o checo Vojtech Repa a ficarem com a medalha de prata e bronze, respectivamente.

"Foi mais uma boa corrida da nossa selecção. Apesar da falta de ritmo conseguimos estar com os melhores, discutindo as posições cimeiras. Penso que o estágio prévio ao Europeu foi uma importante preparação. O Miguel esteve muito bem, arriscando quando foi necessário e entrando no sprint nas primeiras posições do pelotão, condição fundamental para se poder aspirar a um bom resultado", salientou o seleccionador José Poeira.

Sprint final da prova de sub-23
Guilherme Mota foi 70º, a 55 segundos, e Afonso Silva 83º, a 2m52s. Pedro Miguel Lopes integrou a fuga que viria a discutir as medalhas, mas, infelizmente, acabou por abandonar devido a cãibras.

E há que recordar que na prova de fundo elite, Rui Costa teve problemas com o selim, o que lhe retirou a oportunidade de lançar o ataque que pretendia para lutar pela vitória. No conta-relógio foi Rafael Reis que teve problemas com as mudanças, o que o afastou de um muito provável top dez.

No entanto, na corrida de fundo, a Equipa Portugal realizou uma das melhores exibições colectivas que já se tinha assistido, merecendo um resultado bem mais recompensador. Contudo, tendo em conta que foi preciso discutir o sprint, o 14º lugar de Rui Oliveira foi muito positivo. Até porque o gémeo também teve um pequeno azar ao ser fechado e ter de parar de pedalar por instantes.

Apesar da lista de imprevistos, o importante a retirar é que em todos os escalões as exibições foram de nota e motivantes, ainda mais num ano em que as corridas são escassas e que não é fácil ter picos de forma.


18 de novembro de 2019

Sonho olímpico para dois portugueses

Nelson Oliveira vai à procura da medalha no contra-relógio
(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
É oficial. Portugal vai poder estar representado nos Jogos Olímpicos de Tóquio por dois ciclistas, tanto na prova de estrada, como no contra-relógio. Rui Costa e Nelson Oliveira são os candidatos naturais a serem seleccionados por José Poeira, em condições normais. O difícil percurso de 234 quilómetros com quase cinco mil metros de acumulado será o objectivo do poveiro, enquanto o ciclista de Anadia tem os olhos postos na sua especialidade do esforço individual e até pensa em alterar a sua época para chegar mais forte aos Jogos.

Serão 44,2 quilómetros muito complicados. Mesmo com Nelson Oliveira a preferir terrenos menos planos, o percurso do contra-relógio de Tóquio será difícil e imprevisível. Oliveira irá para os seus terceiros Jogos, tendo sido 18º em Londres (2012) e sétimo no Rio de Janeiro (2016). Aos 30 anos está mais do que consagrado entre os melhores desta vertente do ciclismo, mas ainda persegue uma medalha ou nos Jogos ou nos Mundiais, nunca esquecendo que ganhou a prata em 2009, enquanto sub-23, nos Campeonatos do Mundo realizados em Mendrisio, Suíça.



A Volta a França tem estado sempre no plano de temporada do português - por vezes não foi cumprido, principalmente devido a quedas mais ou menos graves nas clássicas -, mas em 2020, com menos de uma semana a separar o final do Tour da prova de estrada dos Jogos, Nelson Oliveira não se importaria de regressar ao Giro - grande volta que fez em 2012 e 2013 - e depois ir à Vuelta. Apesar do principal objectivo de Oliveira ser o contra-relógio, os dois eleitos pelo seleccionador farão as duas provas em Tóquio. A de estrada está marcada para dia 25 de Julho (o Tour termina a 19), enquanto o contra-relógio, para homens e mulheres, realiza-se a 29. A 26 será a prova em linha das senhoras, que não terá representantes portuguesas.

Perante as muitas mudanças entre entrada e saída de ciclistas na equipa de Oliveira, só no estágio de Dezembro o corredor ficará a saber qual o plano delineado pela Movistar, mas não restam dúvidas de como já pensa em preparar a sua temporada de forma a tentar chegar a Tóquio o melhor possível para lutar por uma medalha.


Se Nelson Oliveira não tem à espera uma missão fácil, ainda assim depende dele próprio. Já Rui Costa só contará com a ajuda precisamente do compatriota, enquanto selecções como Itália, Holanda, França, Espanha, Colômbia e Bélgica levarão cinco ciclistas, o máximo permitido (no contra-relógio são dois). Serão 234 quilómetros que de planos pouco têm, com 4865 metros de acumulado.



Também ainda não são conhecidos os planos para Rui Costa para 2020 na UAE Team Emirates, sabendo que também este ciclista, campeão do mundo em 2013, gosta de dar preferência ao Tour. Em 2010, no Rio de Janeiro, Rui Costa foi 10º e quatro anos antes foi 13º.

Oliveira não é o único que prefere mudar o seu calendário habitual para melhor encaixar os Jogos Olímpicos no planeamento. Vincenzo Nibali, por exemplo, não quer ir ao Tour. Mas há também corredores que não estão a ver qualquer problema em ter muito pouco tempo de recuperação entre a grande volta e os Jogos Olímpicos, tendo ainda em conta a longa viagem e o diferente fuso horário. São mais nove horas na cidade japonesa do que em Portugal Continental. Tom Dumoulin e Alejandro Valverde poderão ser dois ciclistas que vão optar por esse calendário, mas ainda não está confirmado.

E nunca é de mais recordar que Portugal conta com uma medalha olímpica no ciclismo. Em Atenas 2004, um jovem talento chamado Sérgio Paulinho conquistou a prata, numa corrida ganha por uma das grandes figuras da modalidade, Paolo Bettini, com Axel Merckx a ficar com o bronze.

Poderão haver mais ciclistas portugueses nos Jogos Olímpicos de Tóquio, pois na pista luta-se por uma qualificação inédita nesta vertente, nas disciplinas do omnium e madison. Na pista, Portugal poderá estar também representado no feminino, pois Maria Martins tem feito grandes prestações no omnium.

Neste link pode confirmar a lista oficial de vagas divulgada pela UCI.

5 de fevereiro de 2019

Francisco Campos começa o ano a ganhar com a selecção

(Fotografia: Tour de l'Espoir/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Há dois anos, um jovem de 19 anos surpreendia o pelotão nacional e a ele próprio ao vencer a Prova de Abertura Região de Aveiro. Então o Miranda-Mortágua era uma equipa de clube, mas uma das melhores na formação de ciclistas. Francisco Campoa tinha demonstrado qualidade na equipa do Moreira Congelados e prosseguiu a sua evolução com as novas cores e logo a ganhar. O jovem sprinter não perdeu tempo em marcar posição como sub-23. A sua progressão não passou despercebida à W52-FC Porto, que não perde a oportunidade de agarrar um ciclista português que possa contribuir para a senda de vitórias da equipa. Francisco Campos ainda nem se estreou de azul e branco, mas 2019 traz já um triunfo importante no Tour de l'Espoir.

A vitória foi ao serviço da selecção nacional de sub-23, numa competição importante para o grande objectivo da temporada: o apuramento para a Volta a França do Futuro. O ciclista português demonstrou toda a sua qualidade como sprinter, depois da equipa ter preparado bem o lançamento para a disputa da etapa. Em Douala, onde começaram e acabaram os 101,2 quilómetros da segunda tirada da corrida que decorre nos Camarões, o jovem corredor bateu o eritreu Natanael Tesfatsion e o japonês Shoi Matsuda.

Está a ser um excelente início da Equipa Portugal no Tour de l'Espoir, depois do terceiro lugar no contra-relógio colectivo inaugural, que acaba por marcar a classificação geral. O líder é o eritreu Natanael Mebrahtom, seguido por três compatriotas. Surgem depois cinco argelinos, com o melhor português a ser Miguel Salgueiro. O ciclista da Sicasal-Constantinos está a 28 segundos da liderança, tal como Gonçalo Carvalho. Jorge Magalhães (outro reforço da W52-FC Porto que estava no Miranda-Mortágua), Pedro Miguel Lopes e Gonçalo Leaça estão a 38 segundos. Esta diferença deve-se aos cortes no pelotão na meta. Mesmo Miguel Salgueiro perdeu dois segundos para Campos. Porém, surgem todos seguidos na classificação.

Salgueiro subiu também ao pódio para vestir a camisola de líder da montanha, ele que é um todo-o-terreno do ciclismo. Não há vertente que não goste e em que não ganhe. Começou 2019 a conquistar a Taça de Portugal de ciclocrosse.

Esta quarta-feira é dia da classificação geral começar a ficar mais definida na etapa rainha. Serão apenas 68,3 quilómetros, entre Nkongsamba e Dschang, sendo que a 6800 metros da meta estará colocado um prémio de montanha, numa subida de 9,3 quilómetros a 7,6% de pendente média. Será dia para os trepadores da selecção mostrarem-se, com as etapas de sexta e sábado a não ter tanta montanha tão difícil, mas a serem marcadas por muito sobe e desce.

Quanto a Francisco Campos, o resultado só pode ser muito animador para quem vai à procura de conquistar um lugar de destaque na equipa que tem dominado o panorama nacional nos últimos anos. Campos não quer ser apenas um sprinter, estando a trabalhar a sua capacidade para subir, podendo assim seguir o exemplo de outro reforço da W52-FC Porto: Daniel Mestre. O ex-corredor da Efapel poderá ser uma influência importante, não esquecendo que a equipa conta ainda com Samuel Caldeira.

De salientar que a equipa subiu este ano ao escalão Profissional Continental. Campos - que em 2018 venceu duas etapas na Volta a Portugal do Futuro - irá ter oportunidade para se adaptar à nova realidade e de continuar a sua evolução. Contudo, sabe que está no caminho certo para mostrar-se a outro nível. Para já está a aproveitar a chamada à selecção e esta vitória ninguém lhe tira. Quando arrancar a época na W52-FC Porto terá um factor extra de motivação.

»»Depois do Sporting-Tavira é a vez da W52-FC Porto entrar em acção««

»»Calendário nacional para 2019. Época arranca a 10 de Fevereiro««

16 de dezembro de 2018

João Matias com melhor resultado no omnium de Portugal e Maria Martins com estreia positiva

(Fotografia: © António Borga/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Mais um fim-de-semana de pista, com João Matias em destaque ao obter a melhor classificação da Equipa Portugal no omnium na edição 2018/19 da Taça do Mundo, até ao momento. Em Londres, o ciclista da Vito-Feirense-BlackJack foi 10º classificado, num resultado mais animador, rumo ao objectivo de qualificação para os Jogos Olímpicos. A etapa londrina ficou ainda marcada pela estreia Maria Martins e César Martingil neste tipo de competições, com Tata, como é conhecida, a deixar boas indicações. Já Martingil não foi feliz.

João Matias foi este domingo sétimo em scratch, nono na corrida tempo e 10º em eliminação, chegando no nono lugar à última e decisiva prova do omnium, a corrida por pontos. O ciclista não somou qualquer ponto, cedendo uma posição no derradeiro sprint, terminando assim a competição com 74 pontos.

A vitória foi para o britânico Matthew Walls, com 131 pontos, mais oito do que o mexicano Ignacio Prado. Na terceira posição ficou um nome bem conhecido, um campeão olímpico da especialidade e o corredor mais vitorioso na época de estrada ao serviço da Quick-Step Floors: o italiano Elia Viviani (114).

No sábado, Maria Martins participou pela primeira vez numa Taça do Mundo. Com Portugal a ser o quinto país de reserva no omnium, a chamada surgiu depois de algumas selecções não terem participado. A ciclista portuguesa, da Sopela Women's Team, aproveitou bem a oportunidade. Foi 16º em scratch, 13ª na corrida tempo e oitava em eliminação. Após a corrida por pontos, Maria Martins segurou a 14ª posição, terminado o omnium com 54 pontos.

A holandesa Kirsten Wild mostrou as razões de envergar a camisola de campeã do mundo e bateu toda a concorrência, com 124 pontos. Seguiu-se a americana Jennifer Valente, com 118, e a canadiana Allison Beveridge, com 106.

No madison, a Equipa Portugal não foi feliz. César Martingil fez dupla com Miguel do Rego e ambos acusaram a inexperiência, num pelotão de elevado nível. Ao acumularem duas voltas de atraso, foram obrigados a abandonar a prova.

A vitória foi para os os dinamarqueses Casper von Folsach e Julius Johansen, com 46 pontos, seguidos pelos britânicos Fred Wright e Matthew Walls, com 30. Os espanhóis Albert Torres e Sebastián Mora fecharam o pódio, com 21. Há uma semana, no Troféu Internacional Município de Anadia, a dupla britânica havia ganhou, deixando os rivais da Dinamarca na segunda posição.

A selecção portuguesa irá ter um início de 2019 muito intenso na pista. Irá competir nas etapas da Taça do Mundo da Nova Zelândia (18 a 20 de Janeiro) e de Hong Kong (25 a 27 do mesmo mês), seguindo depois para o Mundial, que vai realizar-se em Pruszkow, Polónia, entre 27 de Fevereiro e 3 de Março.


8 de dezembro de 2018

"Fisicamente sinto-me mais forte e também consigo ler melhor as corridas"

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Miguel do Rego está a tornar-se uma presença cada vez mais habitual na selecção nacional de ciclismo de pista. Já se estreou em Taças do Mundo e juntou-se a um grupo que procura um feito inédito na modalidade em Portugal: a presença nos Jogos Olímpicos Tóquio2020. A razão pela qual só se fala do seu nome quando se realizam provas desta vertente, prende-se com o simples facto de o corredor viver e competir em França, onde nasceu. Porém, as origens falaram mais alto quando o seleccionador Gabriel Mendes lhe propôs vestir a camisola da selecção. Miguel do Rego não hesitou em aceitar.

"Sinto-me muito bem aqui, adoro estar aqui", admite de imediato, considerando que os seus companheiros de equipa mais parecem irmãos, dada a relação que tem com eles e que o faz sentir em família. E quando se fala de família, também foi por causa dela que começou no ciclismo. O irmão, Fábio, foi a sua influência, sendo ambos corredores da CM Auberviliers, formação amadora francesa. É nesse escalão que compete, somando algumas vitórias, tendo este ano ganho uma corrida e alcançou vários top dez, o que o deixa bastante satisfeito com a sua temporada.

Aos 20 anos, só pensa em melhorar, para poder dar o salto que todos os jovens ciclistas ambicionam. Poder um dia estar no Paris-Roubaix seria um sonho que gostaria de concretizar. "Já lá fui experimentar [os sectores]. Foi espectacular", realçou, acrescentando que algumas corridas que faz decorrem na zona da corrida conhecida como o Inferno do Norte.

"Sou mais de fugas. Sprints não muito, mas consigo desenrascar-me. E ando a rolar bem"

Apesar de querer continuar a representar a Equipa Portugal, competir por cá não está nos seus planos. "Com as condições que tenho agora, em França, vir para cá correr... Ia ser complicado. Sinceramente não sei [se viria para Portugal]." Miguel do Rego não esconde que se sente muito bem no país onde nasceu (mais precisamente em Paris), explicando que o pelotão amador francês é muito competitivo.

E afinal que tipo de ciclista é Miguel do Rego na estrada? "Sou mais de fugas. Sprints não muito, mas consigo desenrascar-me. E ando a rolar bem. Não sou nada trepador, gosto mais de terreno plano", respondeu. E a pista tem ajudado muito à sua evolução, como próprio confessou: "Fisicamente sinto-me mais forte e também consigo ler melhor as corridas. A pista é uma boa preparação."

Gabriel Mendes está a ter um papel importante no desenvolvimento de Miguel do Rego, comunicando muito com o ciclista antes e depois da corrida, de forma a apontar o que é bem feito e o que pode ser ainda melhor. "O seleccionador puxa muito por mim, dá-me muitos conselhos. Estou a aprender muito aqui", disse, acrescentando como também os colegas lhe dão conselhos para que possa melhorar. Apesar de serem apenas dois anos mais velhos, a experiência dos gémeos Oliveira é muito diferente da de Rego, assim como a de João Matias e César Martingil. Todos têm sido uma ajuda nesta aposta na pista do jovem luso-francês.

Um dos objectivos para 2019 é continuar a melhorar nesta vertente do ciclismo, enquanto na estrada vai à procura de chegar ao profissionalismo. Os pais apoiam-no totalmente e, claro, que estão orgulhosos por ver o filho vestir as cores de Portugal. "Eles ficaram muito contentes", recordou, quando lhes disse que iria representar a selecção. Naturais de Viana do Castelo, Miguel contou que tem passado alguns Natais na terra da família e a bicicleta não fica em casa. Com subidas como a bem conhecida ao Santuário de Santa Luzia, sendo um ciclista que não tem particular gosto por este tipo de terreno, afirmou que treinar em Viana do Castelo não é uma experiência fácil.

Rui Oliveira de novo em destaque em Anadia

(Fotografia: © João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
O omnium dominou o segundo dia do Troféu Internacional Município de Anadia, com um final espectacular na corrida masculina. Rui Oliveira voltou a estar em destaque entre os portugueses, ainda que a medalhas do dia tenham ficado com os juniores, num pódio 100% português.

Esta é uma modalidade olímpica que inclui scratch, tempo race, corrida de eliminação e corrida por pontos para terminar. O Canadá venceu tanto nos homens, como nas mulheres, dando assim continuidade a uma presença em Anadia de muito sucesso. Na sexta-feira Nick Wammes e Kelsey Mitchell venceram na perseguição individual e neste sábado foi a fez de Derek Gee e Alison Beveridge subirem ao lugar mais alto do pódio.

A prova masculina foi decidida no último sprint da corrida por pontos, com Gee a ultrapassar o britânico Matthew Walls - que ao dar uma volta animou a discussão pela vitória ao somar 20 pontos -, garantindo assim o triunfo não só naquela prova, mas no omnium, com um ponto a separar os dois atletas (138-137). Fred Wright, também da Grã-Bretanha) ficou em terceiro com 112 pontos.

Rui Oliveira foi o melhor português, terminando na quinta posição, com 97 pontos, depois de na sexta-feira ter sido terceiro na corrida de scratch em sub-23 (o omnium disputou-se na categoria de elite e juniores). O gémeo foi terceiro no scratch, oitavo na tempo race, sexto na eliminação e 13º na corrida por pontos. Oliveira tentou ganhar uma volta, com os 20 pontos a poderem colocá-lo no pódio naquela fase da corrida. Acabou por não conseguir, mas foi mais uma boa prestação do gémeo.

Quanto aos restantes portugueses, João Matias foi 12º, com 63 pontos, Ivo Oliveira foi 15º com 39 e César Martingil - que sofreu uma queda na corrida de eliminação - fechou na 17ª posição, com 33 pontos.

Nas senhoras, Alison Beveridge perdeu a primeira prova, de scratch, mas depois foi a mais forte nas três restantes, somando 139 pontos, contra os 117 da segunda classificada, a lituana Olivija Baleisyte. A francesa Laurie Berthon fechou o pódio com os mesmos 117 pontos (o desempate é feito com a melhor classificação no sprint final).

Maria Martins terminou na nona posição, com uma pontuação total de 61 pontos. A sub-23 portuguesa, mas que corre em elite, foi nona no scratch, 12ª na tempo race, 13ª na eliminação e acabou o dia com um bom quinto lugar na corrida por pontos.


Quanto aos juniores, num omnium que contou maioritariamente com ciclistas portugueses, o pódio foi mesmo preenchido com os ciclistas da casa. Carlos Barreiros bateu o campeão nacional da especialidade, Rodrigo Caixas, com 134 pontos, contra os 131 do ciclista que é um dos reforços da LA Alumínios para a época de 2019. Em terceiro ficou Wilson Esperança, também com 131 pontos.

Este domingo será o último dia de corridas no Velódromo Nacional, com o programa a começar às 9:30, com final previsto para perto das 16:00. A entrada é gratuita e haverá corridas para todos os gostos: perseguição individual, scratch, madison, keirin e corrida por pontos.

Paralelamente ao Troféu Internacional Município de Anadia decorreu este sábado o Campeonato Universitário com duas provas em discussão e com Francisco Duarte a vencer ambas. O ciclista esteve em representação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, sendo que a nível de clube este esta temporada no FGP-Cube-Bombarral. Aqui ficam os resultados.

Perseguição individual: 1º Francisco Duarte (AEFCL), 3:45.863 minutos; 2º Francisco Moreira (AEFMH), 3:48.097; 3º Bernardo Gonçalves (AAC), 3:58.689.

Scratch: 1º Francisco Duarte (AEFCL); 2º Filipe Loureiro (AAUAv); 3º Bernardo Gonçalves (AAC).

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