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11 de janeiro de 2021

Novo nome e reforços interessantes em Mortágua

© Facebook Tavfer-Measindot-Mortágua
Novos patrocinadores que significa novo nome, reforços de qualidade e a continuação na aposta em ciclistas de valor e à procura ou de relançar a carreira ou de prosseguir a sua afirmação. É o caso de Joaquim Silva (na fotografia) e de Leangel Linarez, respectivamente, este último um sprinter venezuelano que esteve a muito bom nível na Volta a Portugal (ficou tão perto de uma vitória em etapa). A agora Tavfer-Measindot-Mortágua, contratou um Iúri Leitão que apesar de jovem, há muito que está dedicado em tornar-se num sprinter ganhador, ele que regressa a Portugal como o campeão europeu de scratch, em pista.

Pedro Silva vai contar com um conjunto de ciclistas bem interessante, pois os reforços podem contribuir para fortalecer a equipa tanto na luta pelos sprints, como na disputa por corridas que incluam mais montanha. Continuando entre os sprinters, além de Leitão (22 anos) - ciclista que em 2020 foi até Espanha (Super Froiz) à procura de mais provas para o seu estilo, mas com a pandemia a estragar-lhe os planos de afirmação -, chega Pedro Paulinho.

Depois de ter estado ao lado do irmão, Sérgio, na Efapel, separa-se novamente, para ter uma responsabilidade de ajudar Linarez (23) e Leitão. Aos 30 anos, já não se espera ver Paulinho confirmar o potencial que demonstrou nas camadas jovens. Não se tornou num sprinter de referência, mas a sua experiência no pelotão pode ser uma mais-valia.

A equipa perdeu um dos seus melhores ciclistas das duas últimas temporadas, Daniel Freitas (vai para a Rádio Popular-Boavista), mas continua a apostar forte nos sprints.

Já de Tiago Antunes - e a pensar noutro tipo de terreno - ainda se espera que possa confirmar o seu potencial. Tem apenas 23 anos e foi mais um ciclista a ver a pandemia estragar-lhe os planos para 2020. Queria relançar a carreira, mas nem à Volta a Portugal conseguiu ir. Esteve no Centro Mundial de Ciclismo da UCI, passou por Espanha na Aldro, foi depois até à SEG Racing Academy, uma das melhores equipas na formação de jovens ciclistas. Porém, a afirmação demora em acontecer.

Poderá formar uma dupla interessante com Joaquim Silva, tanto na ajuda, como para ele próprio se assumir como figura principal em algumas corridas. A ver se é desta que Tiago Antunes atinge um nível mais alto e que lhe permita concretizar o sonho que alimentava no início de 2020: regressar a uma equipa estrangeira para tentar chegar o mais longe possível no ciclismo.

Da Sicasal Miticar Torres Vedras - equipa por onde também passou Iúri Leitão - chega o jovem Francisco Morais (22 anos), que se vai estrear como profissional e será um dos ciclista a seguir na sua evolução, agora que tem a oportunidade para se juntar definitivamente à elite.

A surpresa chama-se Rui Carvalho. Quase caiu no esquecimento depois de uma longa suspensão por doping. Testou positivo por uso de esteróides anabolizantes na Volta a Portugal do Futuro e esteve suspenso entre 2015 e 2019. A Tavfer-Measindot-Mortágua estende a mão a um ciclista agora com 25 anos e que chegou a ser um promissor atleta - um trepador - nas camadas jovens. Tem agora uma segunda oportunidade para construir uma carreira.

Entre as permanências, além de Joaquim Silva (28 anos) e o Linarez, continuam também na equipa Ángel Sánchez Rebollido (27), um bom rolador, tal como Gaspar Gonçalves, sendo que o português de 25 anos é um ciclista que gosta de tentar a sua sorte em fugas, por exemplo.

Pedro Pinto (20) vai prosseguir a sua evolução na equipa que representa há três temporadas, enquanto Ash Coning (20), o britânico adoptado por Cascais, está desejoso de mostrar o que vale, depois de um 2020 que, já se sabe, não houve oportunidades para o fazer.

Com a saída da Miranda Bike Parts como patrocinador, a formação de Mortágua vai ganhar um novo look e Pedro Silva tem razões para estar confiante num bom 2021, tendo uma equipa equilibrada, que poderá procurar bons resultados, que até possam passar por alguma vitória.

Os novos patrocinadores

Como curiosidade, aqui fica a apresentação dos dois novos patrocinadores, segundo a explicação dada na página oficial de Facebook da equipa.

"O Grupo Tavfer é actualmente uma referência em áreas tão distintas como a inspecção de veículos, onde é líder nacional no sector através das entidades CIMA e Inspecentro, no comércio e serviços, através da Egicos, nos seus Vinhos premiados mundialmente, e ainda nos sectores do Turismo, Imobiliário, Saúde, Agroflorestal, na Indústria e Energia, na Segurança no Trabalho e Higiene Alimentar", lê-se na página.

A Measindot-Enginneering Lda foi criada em 2015 e "é uma empresa especializada na área da construção metálica e mista, prestando serviços de engenharia e consultoria no fabrico e montagem de produtos metálicos, construção civil e obras pública".

»»Feirense tenta renascer com o regresso de um patrocinador e uma surpresa na liderança««

»»A vez de António Carvalho numa Efapel renovada««

12 de novembro de 2020

Iuri Leitão é campeão europeu de scratch

Dario Belingheri/BettiniPhoto©2020

Depois da prata, o ouro. Um dia depois de ter conquistado a medalha de prata em eliminação. Iuri Leitão foi campeão europeu de scratch, numa grande corrida do ciclista português. Mas o segundo dia dos Europeus em Plovdiv, na Bulgária, renderam ainda uma medalha de bronze pela inevitável Maria Martins, em eliminação.

"Não vou mentir. Vim para esta corrida com o objetivo de discutir os primeiros lugares, mas sem colocar as expectativas muito elevadas, porque na pista tão depressa se está a lutar pelas medalhas como no décimo lugar. Felizmente venci, mas acho que só comecei a perceber a dimensão do que tinha conseguido quando vesti a camisola de campeão da Europa", admitiu Iuri Leitão, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Dario Belingheri/BettiniPhoto©2020
O seleccionador nacional, Gabriel Mendes “o orgulho muito grande” no título europeu de Iuri Leitão. "Sabíamos que o nível era muito elevado na prova de scratch e que existia uma probabilidade grande de incerteza quanto ao resultado. Esperávamos movimentações e elas aconteceram. Foi após outros ataques, que não resultaram, que o Iuri se isolou. Fez uma excelente gestão do esforço e uma fantástica leitura de corrida, controlando aqueles que poderiam ser os adversários mais perigosos nos momentos certos para o fazer. Foi uma prestação de excelência. Fez-se história", salientou.

A prova de 15 quilómetros, traduz-se em 60 voltas ao velódromo de Plovdiv. As primeiras vinte foram marcadas por várias tentativas de fuga, às quais o pelotão respondeu de pronto. A única iniciativa que vingou foi precisamente do ciclista português. Leitão atacou a 40 voltas do fim, pedalou em solitário e, a 26 voltas de acabar a prova, consumou a volta de avanço sobre o grupo. "Não estava planeado atacar tão cedo, mas vi uma janela de oportunidade e aproveitei. Depois de alguns ataques, houve um momento de tensão. Achei que era o momento certo para tentar", explicou.

Dario Belingheri/BettiniPhoto©2020
Depois de ganhar a volta de avanço e de recuperar o fôlego, o português respondeu ao ataque dos adversários. Ninguém conseguiu escapar. Percebendo que não teriam qualquer hipótese de bater o português, os fugitivos abdicaram da iniciativa, mas corredor de Viana do Castelo prosseguiu o esforço para ser o primeiro a cortar a meta, o que nem precisava para vencer. O ucraniano Roman Gladysh ficou com a medalha de prata e o britânico Oliver Wood com o bronze.

Em baixo, as declarações do ciclista depois de vestir a camisola de campeão europeu.

Maria Martins já tem a sua medalha

No primeiro dia dos Europeus, Maria Martins ficou-se pelo 10º lugar na prova de scratch. Agora já tem a sua medalha, uma de bronze em eliminação.

Dario Belingheri/BettiniPhoto©2020
A primeira portuguesa a apurar-se para os Jogos Olímpicos no ciclismo de pista também já tem a sua medalha nestes Europeus. Na eliminação Maria Martins aplicou uma táctica semelhante à que ontem valera a prata a Iuri Leitão na mesma disciplina, correndo na parte de trás, mas quase sempre por fora do pelotão, com espaço para ir eliminando a concorrência e para ocupar posições mais adiantadas, quando isso se exigia.

A portuguesa ainda sofreu alguns sustos, mas conseguiu não só salvar a eliminação, como teve energia para discutir os lugares do pódio. A italiana Rachele Barbieri sagrou-se campeã da Europa, com a britânica Elinor Barker a ficar com a medalha de prata.

"A condição física não é máxima, mas temos de otimizar o desempenho com os recursos de que dispomos. Considero que a Maria fez uma corrida muito boa, conseguindo movimentos, na parte de trás, que eliminaram adversárias de forma muito competente, e reposicionando-se mais adiante. Está de parabéns pelo resultado e pela performance", referiu Gabriel Mendes.

Recorde-se que Maria Martins sofreu uma queda os Europeus de sub-23, o que a obrigou a parar durante uma semana, prejudicando a sua preparação para o Campeonato da Europa de Elite.

Calendário dos portugueses na sexta-feira

Esta sexta-feira, os gémeos Oliveira vão entrar em acção em Plovdiv, depois de no domingo terem terminado a primeira grande volta das suas carreiras, em Espanha. Agora dedicados a numa vertente na qual somam também eles medalhas desde os anos de formação, vão à procura de mais como atletas de elite elite.

Às 11:35 arranca a qualificação da perseguição individual, que contará com os portugueses Ivo Oliveira e Iuri Leitão. A final será às 16:20. Às 16:35 Maria Martins disputa a corrida por pontos, disciplina em que Rui Oliveira participa às 17:25.

»»Volta a Portugal com impacto mediático de 80,1 milhões de euros««

14 de outubro de 2020

Oito medalhas na melhor prestação da Equipa Portugal nos Europeus de pista

© BettiniPhoto/Federação Portuguesa de Ciclismo
Apesar de um discurso cauteloso antes do início dos Europeus de sub-23 e juniores, com o objectivo a passar por alcançar top oito nas provas, o seleccionador nacional de pista saiu de Fiorenzuola d’Arda, Itália muito satisfeito. Gabriel Mendes escolheu três ciclistas que obtiveram oito medalhas, o que se traduz na melhor prestação da Equipa Portugal nesta competição.

Num velódromo ao ar livre, Maria Martins foi a que demonstrou ter a preparação um pouco mais atrasada. Porém, é uma ciclistas sempre determinada em vencer e conquistou duas medalhas para juntar às que já detém. Desta feita, a sub-23 portuguesa ficou com a medalha de prata na prova de eliminação e com a de bronze no scratch. Este ano, Maria Martins assinou pela Drops, mas a pandemia não tem permitido participar em muitas corridas, pelo que aproveitou a pista para se mostrar. Para o ano a sua equipa quer pedir uma licença World Tour.

Ainda nos sub-23, Iúri Leitão foi o único atleta do lado masculino, mas representou muito bem a selecção nacional. É um ciclista que Gabriel Mendes chama regularmente para competir em pista e saiu de Itália com três medalhas, todas de prata: scratch, corrida por pontos e eliminação. Excelente prestação para o jovem de Viana do Castelo, que está a competir em Espanha, pela Super Froiz.

O maior sucesso teve Daniela Campos como autora, na categoria de juniores. A atleta foi campeã da Europa na prova de eliminação (foto em cima). Mas conquistou mais duas medalhas: a de prata na corrida dos pontos e terminou a competição, na terça-feira, com o bronze no omnium. A ciclista da equipa BTT Loulé/Elevis é um dos novos talentos a surgir no ciclismo feminino em Portugal.

Tal como Raquel Queirós, mostra potencial na estrada e no BTT, mas também na pista. Depois de Daniela Reis ter conseguido chegar ao mais alto nível do ciclismo, o país vai tendo mais ciclistas que tentam seguir as suas pisadas, sem esquecer que Maria Martins é já igualmente uma referência apesar de ter apenas 21 anos.

"Foi a nossa melhor prestação de sempre em Campeonatos da Europa de Sub-23 e Juniores. Cumprimos o objectivo de terminar entre os oito melhores todas as provas de resistência e superámos as expectativas em lugares de pódio. Estes resultados acabam por premiar todo o trabalho feito nas condições adversas deste ano atípico", salientou Gabriel Mendes, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

»»Apostar na formação««

8 de outubro de 2020

Iúri Leitão conquista medalha de prata

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Tem sido um dos ciclistas com chamadas frequentes do seleccionador nacional Gabriel Mendes para as provas de pista. Com os gémeos Oliveira a dominarem nos últimos anos a atenção e com João Matias a ser outra das referências, Iúri Leitão foi ganhando o seu espaço, foi ganhando experiência e eis que chegou a recompensa do seu trabalho: é vice-campeão da Europa na corrida de eliminação em sub-23. Iúri Leitão está de parabéns.

Ambicioso, muito ciente daquilo que quer fazer na sua carreira, na estrada, o jovem ciclista de Viana do Castelo mudou-se este ano para a formação espanhola Super Froiz para ter acesso a corridas que encaixassem melhor no seu perfil de sprinter. Como tantos outros, a pandemia estragou a temporada, mas eis que chega à pista (no Europeu em Itália é ao ar livre) e agarrou a oportunidade em Fiorentuola d’Arda, Itália.

Iúri Leitão começou a prova nos lugares recuados do pelotão. Acabou por corrigir esse perigoso posicionamento e fez a maior parte da corrida bem colocado, evitando os sustos das eliminações volta a volta. Quando sobravam apenas três atletas em pista, Leitão atacou para garantir, pelo menos, a medalha de prata.

Na disputa pela de ouro, o belga Jules Hesters não se deixou surpreender e, revelando uma melhor ponta final, garantiu o título europeu. O terceiro classificado foi o espanhol Raúl García.

"O Iúri fez a corrida como tínhamos planeado e conseguiu um excelente resultado. Quando ficou a sós com o corredor belga, talvez pudesse contemporizar um pouco mais, não atacando tão cedo. Mas o desfecho foi muito positivo", referiu o seleccionador nacional, Gabriel Mendes, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Neste primeiro dia de Europeu de pista de sub-23 e juniores, Daniela Campos também esteve em pista. Foi sétima classificada na disciplina de scratch para juniores. A eslovaca Nora Jencusova atacou nas últimas cinco das 20 voltas da prova. O pelotão, inicialmente adormecido, respondeu nas duas voltas finais.

Daniela Campos assumiu as despesas da perseguição e pagou esse esforço. As rivais ultrapassaram a portuguesa na luta pelo pódio. Nora Jencusova resistiu à resposta do grupo e conquistou a medalha de ouro, seguida pela polaca Nikola Wielowska e pela italiana Lara Crestanello. 

"A corrida foi muito atípica, praticamente sem movimentações até às voltas finais. A fuga da corredora que viria a ganhar foi consentida, mas mal calculada pelo pelotão, que deu demasiada margem à ciclista eslovaca. A Daniela assumiu demasiado a perseguição na última volta e meia. Até por isso a participação dos ciclistas mais jovens nas grandes competições é essencial, porque permite aprender, evoluir e desenvolver qualidades, sobretudo a conjugação da capacidade física com a leitura tática e técnica", explicou Gabriel Mendes.

Maria Martins estreia-se esta sexta-feira no Europeu, competindo, às 17:00, na prova sub-23 de Scratch. É a única portuguesa em pista neste dia.

Agenda da Equipa Portugal

9 Outubro

17:00: Maria Martins – Scratch Sub-23

10 Outubro

15:25: Daniela Campos – Eliminação Juniores

16:00: Maria Martins – Eliminação Sub-23

16:25: Iúri Leitão – Scratch Sub-23

11 Outubro

8:30-16:35: Daniela Campos – Omnium Juniores

14:00: Maria Martins – Corrida por Pontos Sub-23

15:00: Iúri Leitão – Corrida por Pontos Sub-23

12 Outubro

8:00-15:35: Maria Martins – Omnium Sub-23

8:15-16:15: Iúri Leitão – Omnium Sub-23

13:15: Daniela Campos – Corrida por Pontos Juniores

»»Iúri Leitão: "Em Portugal é raro existir uma corrida que seja perfeita para mim"««

26 de julho de 2020

"Em Portugal é raro existir uma corrida que seja perfeita para mim"

Iúri Leitão é um sprinter e é nessa especialidade que quer triunfar no ciclismo. Portugal tem sprinters, mas todos têm de se adaptar de um território onde as corridas raramente assentam ao que se chama "puro sprinter". Mas a determinação deste jovem ciclista levou-o a perseguir os seus sonhos além fronteiras. Mudou-se para a equipa espanhola Super Froiz. O entusiasmo era grande no início de 2020, até que uma pandemia trouxe a incerteza, novos hábitos e rotinas.

Mas o entusiasmo continua bem vivo em Iúri Leitão. A situação epidemiológica em Espanha não permite fazer grandes planos, mas o ciclista de 22 anos mantém a dedicação aos treinos. Garante que quando for chamado a competir quer ajudar a Super Froiz a vencer e, claro, ele próprio mostrar-se para tentar "dar o salto".

"Acabei por nunca competir em Espanha [esta época]. Fiz a Prova de Abertura [Região de Aveiro] pela selecção, mas depois só consegui estrear-me pela equipa na Clássica da Primavera. Nunca competi no pelotão espanhol. Ainda estou um pouco às cegas do que vou lá encontrar, que tipo de ritmo, que tipo de corridas, que tipo de atletas", explicou ao Volta ao Ciclismo. Leitão espera que a sua estreia possa acontecer no início de Agosto, mas o calendário em Espanha continua também ele incerto.

Com expectativas altas para 2020, Iúri Leitão não esconde alguma tristeza por tudo o que está a acontecer. "Foi uma desilusão. Tinha algumas provas para os primeiros meses da temporada e estavam delineados alguns objectivos. Queria mostrar serviço à equipa. Foi uma grande desilusão ter de voltar para casa, não competir e recomeçar tudo do zero, como se fosse uma nova pré-época. Foi um pouco triste", admitiu.

"Vi em Espanha a possibilidade de me mostrar um pouco mais, poder brilhar, poder dar uma vitória ou outra à equipa"

Enquanto espera pelo momento de competir no país da sua equipa - esteve no contra-relógio da Prova de Reabertura, em Anadia, a 5 de Julho -, assegura que o que o fez mudar-se da Sicasal-Constantinos para Super Froiz continua a motivá-lo e muito.

"Vi a oportunidade de na Froiz fazer um novo calendário. Novas oportunidades, nova equipa, poder mostrar-me no meu terreno, que em Portugal é raro existir uma corrida que seja perfeita para mim. Vi em Espanha a possibilidade de me mostrar um pouco mais, poder brilhar, poder dar uma vitória ou outra à equipa. Poder dar mais daquilo que eu tenho para dar", salientou. E acrescentou: "Penso que poderá ser uma boa oportunidade para, quem sabe, dar o salto."

Nasceu em Viana do Castelo, mas mesmo rodeado de um terreno de sobe e desce, Iúri Leitão saiu um sprinter, com provas dadas também na pista, onde foi um dos ciclistas que tentou levar Portugal aos Jogos Olímpicos pela primeira. O feito acabou por ser alcançado no feminino, por Maria Martins.

Porém, é na estrada que agora se concentra. Recordou como no início do ano teve um estágio de poucos dias e que lhe permitiu conviver com os seus companheiros. Mas soube a pouco.

Gerir uma fase diferente na vida

A pandemia obrigou a mudanças nas rotinas. Sem corridas em perspectiva, o treino teve de seguir o seu curso, mas houve que ter outros cuidados, mesmo num país em que os ciclistas puderam continuar a pedalar na rua durante o Estado de Emergência.

"Tudo mudou um pouco. Nós tínhamos as nossas rotinas, a nossa maneira de viver e do nada só podíamos sair para as coisas essenciais e para treinar. Passar o dia em casa era uma vida um bocado sedentária e tive de adaptar tudo o que fazia. No princípio foi um bocado complicado, mas acabou por se tornar numa nova rotina", contou.

O mesmo irá acontecer com as medidas de segurança sanitária que agora vão sendo implementadas nas corridas. "É diferente..." desabafou, recordando como nos treinos teve de reduzir o número de pessoas com quem está e do cuidado necessário neste tempo de pandemia. "Tem sido um processo de adaptação", afirmou.

"Será que vamos correr, será que não vamos... A única coisa que posso fazer é olhar em frente e continuar a treinar"

Um dos desafios acaba por ser gerir emocionalmente a incerteza de quando se vai competir. Uma corrida pode estar marcada, mas não há garantias que se realize, já que está sujeita às condições epidemiológicas do momento. "Quando nós recebemos as notícias que vão haver corridas e começam a aparecer datas, dá-nos um pouco de esperança. Mas depois vemos que as coisas não são tão positivas como as pessoas estavam a pensar e ficamos um bocado de pé atrás. Será que vamos correr, será que não vamos... A única coisa que posso fazer é olhar em frente e continuar a treinar e quando puder vou competir", referiu.

Com contrato de apenas um ano com a Super Froiz - onde está outro português, Patrick Videira -, 2020 não está a ser nada do que Iúri Leitão desejava. Ainda assim, espera ter a possibilidade de retribuir a confiança nele depositada e, claro, renovar para 2021. "Espero continuar para o ano. A equipa tem os patrocinadores base há muito tempo e penso que não terá problemas em continuar e eu quero prosseguir. Lá está, não tivemos a possibilidade de mostrar nada do que temos para dar e penso que todos nós merecemos outra oportunidade", afirmou.


2 de fevereiro de 2020

João Matias e Maria Martins em destaque nos nacionais de pista

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Os suspeitos do costume dominaram os nacionais de pista. João Matias e Maria Martins amealharam mais uns títulos e olham para a época, que está prestes a começar, com confiança renovada, numa altura em que mudaram de equipa. Também Iúri Leitão aceitou um novo desafio e saiu de Anadia com uma vitória no scratch.

Num ano que pode ser histórico para o ciclismo de pista português, este trio tem sido importante para um inédito apuramento para os Jogos Olímpicos, que parece estar cada vez mais próximo. Neste aspecto não se pode esquecer, claro, os gémeos Oliveira. Rui está a recuperar de uma fractura na clavícula, enquanto Ivo vai começar na terça-feira a sua época de estrada na Volta à Arábia Saudita, mas nem por isso deixou de haver muito espectáculo no Velódromo de Sangalhos, uma prova como esta vertente da modalidade está em crescimento em Portugal.

João Matias tem sido um elemento essencial na selecção e a sua qualidade na pista foi mais uma vez premiada com dois títulos nacionais: corrida por pontos e perseguição individual. Iúri Leitão também já é chamado regularmente pelo seleccionador nacional, Gabriel Mendes, e foi então o mais forte no scratch. O jovem sub-23 vai em 2020 competir por Espanha, ao serviço da equipa Supermercados Froiz. Já Matias reforçou a Aviludo-Louletano, depois de duas boas temporadas na Vito-Feirense-PNB.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Aos 20 anos, Maria Martins continua a sua ascensão. É a referência em Portugal na pista e já vai partilhando com Daniela Reis o destaque na estrada. Tata, como é conhecida, tinha conquistado o título nacional de omnium em Dezembro, e este fim-de-semana subiu ao pódio para celebrar as vitórias na eliminação, scratch e corrida por pontos. Na estrada, depois de dois anos na equipa espanhola Sopela, Maria Martins dá o salto para a britânica Drops. Na pista tem feito exibições fenomenais, aproveitando todas as oportunidades que teve para se colocar numa posição que a poderá levá-la aos Jogos Olímpicos de Tóquio, na disciplina de omnium.

Durante dois dias houve muitas provas e muitos campeões, com a nova geração a mostrar-se:

Juniores
Miguel Batista (Centro Ciclismo de Loulé) scratch
António Morgado (Anipura/GDM/Escola Alexandre Ruas) corrida por pontos
Irís Chagas (NRV- Academia Ciclismo Paredes) scratch
Laura Simão (5Quinas/Município de Albufeira/CDASJ) eliminação 
Marta Carvalho (Extremosul/Hotel Alisios/Cenmais) corrida por pontos.
Sérgio Saleiro (C.C.Barcelos/A.F.F/Flynx/H.M.Motor) perseguição
Bairrada venceu na perseguição por equipas, com Tomás Martins, Pedro Crispim, Francisco Baia e Sergio Silva

Cadetes
António Morgado (Anipura-G.D.M-Escola Alexandre Ruas)
Anipura-G.D.M-Escola Alexandre Ruas venceu na perseguição por equipas com o quarteto vencedor composto por António Morgado, Francisco Cordeiro, Gonçalo Tavares e Francisco Curtinhal

Paraciclismo
Telmo Pinão sagrou-se campeão nacional de perseguição individual e de quilómetro em C2. Já Paulo Teixeira (Rodabike/ACRG/Gondomar) venceu ambas as provas em C3, João Monteiro (Mozinho RT Martos Pellets Valvoline) venceu na prova de perseguição individual e do quilómetro em C4. Hélder Maximino (360ºBike Trail/Mundimat/CCA Paio Pires) conquistou as provas em C5.

Em masters
As femininas correram nas disciplinas de scratch e eliminação. Nadia Mendes (C E Gonçalves/Azeitonense) sagrou-se campeã nacional em masters 30, Sónia Santos (Vilanovense/COREVA/DUOREP) venceu em masters 40 e Ana Gaspar (5Quinas/Municipio de Albufeira/CDASJ) foi a melhor em masters 50.

Entre os homens, o master 30 José Leite (C.P.R. A-do-Barbas/AKIplast/PVS), o master 40 Rui Guerreiro (Centro Ciclismo de Loulé) e o master 50 Vitor Lourenço (Viveiros Vítor Lourenço/Sintra C.Ciclismo) venceram as duas corridas, de scratch e de eliminação, na respectiva categoria. Em masters 60, Sílvio Serrenho ganhou em scratch e Jaime Ambrósio (Academia Joaquim Agostinho/CYR/UDO) em eliminação.

Antes do arranque da temporada de estrada a 16 de Fevereiro, com a Prova de Abertura Região de Aveiro, entre 7 e 9 há mais pista para ver, com a Troféu Internacional Município de Anadia, que juntará portugueses com atletas de outros países.


3 de novembro de 2019

Mais um pódio e mais uns pontos rumo aos Jogos Olímpicos

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Rui Oliveira, Iúri Leitão e Maria Martins estão numa missão de garantir que nas competições de pista deste final de 2019 Portugal consegue colocar-se cada vez mais numa posição que permita levar pela primeira vez um ciclista tanto na vertente masculina, como na feminina, aos Jogos Olímpicos. Depois da boa prestação nos Europeus, o trio voltou cumprir na Taça do Mundo em Minsk, na Bielorrússia. Nos últimos três dias, o destaque foi para Rui Oliveira que subiu a mais um pódio, com o terceiro lugar no omnium, uma das provas olímpicas que Portugal procura marcar presença em Tóquio2020.

No sábado, o ciclista de Gaia começou com um segundo lugar em scratch, foi o quarto na corrida tempo e sexto em eliminação. Com estes resultados, Rui Oliveira começou a corrida por pontos no segundo lugar da geral. E mais uma vez esteve entre os melhores, ganhando duas voltas ao pelotão, acrescentando 47 pontos ao seu total. Foram 149 ao todo, o que lhe garantiu o bronze, atrás de um tal Elia Viviani! O sprinter italiano, um especialista na pista e campeão olímpico do omnium, somou 154 pontos, sendo batido pelo britânico Matthew Walls (163).

"Queríamos distanciar-nos da Alemanha e do Cazaquistão. Além de conseguirmos esse objectivo, o Rui ainda esteve na discussão da corrida. Foi um excelente desempenho", afirmou um satisfeito seleccionador nacional, Gabriel Mendes. “Comecei bem no scratch e na corrida tempo, o que me deixou sempre perto da frente. A confiança aumentou para a corrida por pontos, onde dei tudo. Este novo formato, com as corridas muito compactadas, com as quatro corridas em pouco mais de duas horas e meia, agradou-me. Sendo um corredor de estrada, penso que acaba por beneficiar-me. Tenho trabalhado muito, nestas últimas semanas e este resultado é o reflexo disso", disse Rui Oliveira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Este domingo, Rui Oliveira fez dupla com Iúri Leitão na prova de madison, a outra corrida olímpica que ainda não se perdeu a esperança de ser possível alcançar a qualificação. Os cinco pontos somados valeram o 10º lugar em Minsk e a aproximação à Bielorrússia, Hong Kong e Áustria no apuramento olímpico, ficando a Irlanda e Rússia um pouco mais longe.

O pódio de madison ficou preenchido pelos dinamarqueses Lasse Norman Hansen e Michael Morkov, que conquistaram a medalha de ouro (52 pontos), pelos franceses Bryan Coquard e Benjamin Thomas (44) e pelos espanhóis Albert Torres e Sebastián Mora (41). 

Quanto a Maria Martins, continua a sua missão solitária de chegar a Tóquio para disputar o concurso de omnium. Em Minsk teve um percalço na prova de eliminação, mas a bem conhecida determinação desta ciclista veio ao de cima e saiu da Bielorrússia com razões para sorrir.

Foi oitava no scratch e sexta na corrida tempo. O mau desempenho em eliminação – 23º e penúltimo lugar – fez Maria Martins partir para a corrida por pontos no nono posto. Foi atrás do prejuízo e terminou o omnium com 57 pontos, o que correspondeu ao 11º lugar, ultrapassado assim a China e a Irlanda no ranking para os Jogos Olímpicos e não deixou que nenhum país passasse por Portugal. A medalha de ouro ficou para a americana Jennifer Valente, a prata para a italiana Letizia Paternoster e o bronze para a britânica Laura Kenny.

Recorde do mundo para rival de Ivo Oliveira... duas vezes num dia

Filippo Ganna tem como (mau) hábito ganhar a Ivo Oliveira, ciclista português que está a recuperar forma depois de uma longa paragem, devido a uma grave queda durante um treino. Tem por isso estado ausente das recentes competições na pista e Iúri Leitão tem sido o eleito para marcar presença na perseguição individual, de forma a garantir que Portugal tenha o seu lugar garantido quando chegarem os Mundiais.

Para Iúri Leitão está a ser uma importante oportunidade de ganhar experiência e cumpriu os quatro quilómetros em 4.52.714 minutos, longe do tempo histórico Ganna, o actual grande especialista na vertente. Na qualificação começou por estabelecer uma nova marca mundial com um 4:04.252. Não satisfeito, na final tirou mais de um segundo: 4:02.647.

Não há muito tempo para recuperar para o trio português que no próximo fim-de-semana segue para Glasgow. A cidade escocesa vai receber mais uma Taça do Mundo. Maria Martins e Rui Oliveira vão continuar a sua missão no omnium, enquanto se aguarda para saber se haverá vaga no madison. Portugal é a primeira selecção de reserva, só sendo chamada caso uma das efectivas não se inscreva.

»»Um pouco mais de história agora no feminino e Tóquio2020 está a ficar mais perto««

20 de outubro de 2019

Um pouco mais de história agora no feminino e Tóquio2020 está a ficar mais perto

(Fotografia: © Bettini/UEC)
Tem sido um bom hábito depois de grandes competições de ciclismo de pista falar de como os gémeos Oliveira alcançam medalhas e outros bons resultados e como influenciaram o crescimento desta vertente em Portugal. Desta feita, após os Europeus de Apeldoorn o bom hábito de falar de feitos históricos mantém-se, mas no feminino. Se na estrada Daniela Reis desbravou caminho e tornou-se uma referência ao ser a primeira portuguesa a chegar ao mais alto nível mundial, na pista Maria Martins alcançou uma medalha que a coloca na história como a primeira portuguesa a fazê-lo em elite. Foi um bronze a saber um pouco a ouro para uma jovem ciclista de ambição sem limites. Em 2019, confirmou muito do seu potencial também na estrada, mas esta foi uma forma perfeita de fechar a temporada. "Alguém me belisque! Terceiro lugar na corrida de elite de scratch. Não vou esquecer isto tão cedo!", escreveu no Twitter.

Na Holanda, Maria Martins não se limitou a ser terceira no scratch, prova ganha pela britânica Emily Nelson e com irlandesa Shannon McCurley a ser segunda (pódio na fotografia). Outro dos grandes objectivos nestes Europeus - que se realizaram entre quarta-feira e domingo - passava por reforçar a qualificação para os Jogos Olímpicos na disciplina do omnium. Com apenas 20 anos, Maria Martins já vai demonstrando grande evolução táctica. Marcou as adversárias certas, especialmente na corrida por pontos e tal permitiu Portugal aproximar-se da Irlanda e da Bélgica no ranking, não sendo ultrapassado por nenhum país. Maria Martins foi muito forte na segunda metade do concurso do omnium. Foi oitava em scratch e 14.ª na corrida tempo. Em eliminação caiu duas vezes e ainda assim foi quinta classificada. Na corrida por pontos somou 23 pontos, terminando com 95 no geral. A vencedora, a holandesa Kirsten Wild, terminou com 116 pontos.

Martingil foi oitavo na sua corrida por pontos e Iúri Leitão não terminou no scratch e foi 16º na perseguição individual. A participação do jovem corredor nesta prova foi para garantir a presença portuguesa nos Mundiais, pois se não houvesse um representante nos Europeus, a selecção era excluída nesta disciplina no Campeonato do Mundo. Ivo Oliveira é o grande especialista (vice-campeão mundial e europeu em 2018), mas depois de grande parte do ano a recuperar de uma grave queda - regressou há pouco tempo à competição -, o gaiense ficou de fora das opções do seleccionador Gabriel Mendes e está na China, no Tour de Guangxi, a competir pela sua equipa, UAE Team Emirates, a tentar apurar a forma já a pensar em 2020.


O irmão esteve presente na Holanda e foi quinto na corrida de eliminação. Mas, tal como Maria Martins, Rui Oliveira sabia da importância de estar bem no omnium e no seu caso também no madison. Na primeira disciplina olímpica foi nono, com 84 pontos. Começou com um 11º lugar em scratch, depois um 14º na corrida tempo, sexto na eliminação e na corrida por pontos, entrou numa das movimentações certeiras, que lhe permitiu ganhar uma volta ao grupo principal. O campeão europeu do omnium foi o francês Benjamin Thomas, 173 pontos.

Bom resultado a pensar em Tóquio2020, tal como no madison, objectivo que continua bem vivo depois no 11º lugar. Rui formou dupla com Iúri Leitão e o ponto alcançado num dos sprints foi extremamente valioso. Portugal recuperou 40 pontos à Bielorrússia, que está no lugar à frente do ranking. Aumentou ainda a diferença para os países europeus que perseguem Portugal na qualificação para os Jogos, ganhando 60 pontos à Irlanda e 80 à Rússia.

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13 de outubro de 2019

Regresso à pista com os Jogos Olímpicos cada vez mais presentes

(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Entre quarta-feira e domingo, quatro ciclistas vão à procura de pontos para manter Portugal no rumo certo para a estreia nos Jogos Olímpicos. Nunca o país teve uma presença na vertente de pista e Tóquio poderá ser um momento histórico com o apuramento tanto no masculino, como no feminino. Ainda nada está garantido, pois há muitos pontos em disputa, mas há que tentar já no Campeonato da Europa consolidar as posições que, neste momento, permitem à selecção pensar nos próximos Jogos.

César Martingil (Sporting-Tavira), Iuri Leitão (Sicasal-Constantinos) e Rui Oliveira (UAE Team Emirates) foram os eleitos de Gabriel Mendes, a que se junta Maria Martins. A ciclista de apenas 20 anos da Sopela Women’s Team merece ser destacada. 2019 tem sido muito importante na sua carreira, pois não só realizou uma excelente temporada de estrada, com algumas vitórias, como na pista aproveitou as oportunidades que teve para participar em grandes provas e pontuar. O que parecia improvável há um ano, é neste momento um objectivo bem claro: Maria Martins poderá apurar Portugal para os Jogos Olímpicos na prova de omnium.

Nesta competição, tal como no madison masculino, a selecção está entre as apuradas nesta altura da qualificação. E a hipótese do omnium ainda não está afastada. Porém, além dos Europeus desta semana, ainda faltarão os pontos em disputa na Taça do Mundo e no Campeonato do Mundo da temporada 2019/2020. 

Em Apeldoorn, na Holanda, recomeça então a luta por um pouco de história olímpica, numa vertente que tem vindo a crescer nos últimos anos, muito ao ritmo das conquistas dos gémeos Oliveira. Depois de se tornarem referências na pista, na estrada, ambos estrearam-se em 2019 no World Tour na UAE Team Emirates, mas tiveram sorte distintas. Rui realizou uma boa primeira temporada, enquanto Ivo sofreu uma queda grave num treino e esteve longe das corridas durante cerca de seis meses. Só recentemente regressou, somando abandonos nas três clássicas em que participou em Outubro. Não surpreende que seja por isso um dos grandes ausentes nos Europeus de pista. Está longe da sua melhor forma.

César Martingil tem sido um ciclista com chamadas regulares à selecção, pelo que experiência não lhe falta. Quanto a Iúri Leitão, este sub-23 afirmou-se em 2019 como um ciclista com muita apetência para a pista, somando bons resultados, não surpreendendo que esteja cada vez mais a fazer parte das escolhas do seleccionador Gabriel Mendes.

A equipa Portugal não vai apenas participar nas provas dos Europeus em que aposta para a qualificação olímpica. A Federação Portuguesa de Ciclismo anunciou os convocados, mas ainda não é conhecida a distribuição nas corridas (ver no final do texto a agenda).

Numa fase em que a época de estrada já finalizou para muitos ciclistas, apesar de ainda estarem agendadas algumas corridas, como a Volta a Guangxi, na China (que fecha a temporada World Tour, de 17 a 2 de Outubro), a pista ganha novamente destaque, sem esquecer que também vai regressar o ciclocrosse. Fica desde já a informação que em Portugal a primeira corrida desta vertente será a 27 de Outubro, em Melgaço, prova que contará para a Taça de Portugal.

Quanto à pista, o Torneio Internacional Município de Anadia não se realizará em Dezembro como tem sido habitual, mas sim em Fevereiro, entre 7 e 9.

Agenda de Portugal no Campeonato da Europa:

Dia 16
18h25: Scratch Feminino
18h45: Eliminação Masculina

Dia 17
18h30: Scratch Masculino
19h20: Eliminação Feminina

Dia 18
12h30: Qualificação de omnium masculino e feminino
13h30-20h50: Concursos feminino e masculino de omnium

Dia 19
14h40: Qualificação de perseguição individual masculina
18h20: Final de perseguição individual masculina
18h30: Corrida por pontos feminina
19h30: Corrida por pontos masculina

Dia 20
10h10: Qualificação de madison masculino
14h40: Final de madison masculino

Com excepção de domingo, as transmissões no Eurosport 2 começarão às 18 horas. No último dia arrancará às 13:30.


10 de fevereiro de 2019

Estreou-se no World Tour mas veio a Portugal celebrar a primeira vitória como elite

Com uma selecção nacional formada por ciclistas muito fortes na pista e no BTT, a equipa foi à prova que abre o calendário nacional de estrada, na região de Aveiro, ganhar. Venceu um dos talentos que se vai afirmando (e muito) na estrada, mas Rui Oliveira "nasceu" na pista. No ano em que chegou ao World Tour e que faz a estreia na categoria de elite, teve um sabor especial começar a ganhar em Portugal. Agora é altura de se concentrar novamente nos treinos no velódromo a pensar nos Mundiais que se aproximam, porque depois, a UAE Team Emirates conta com o gémeo para algumas clássicas importantes. Ainda assim houve tempo para festejar um triunfo que não esquecerá.

"[O ano] está a começar bem. Na pista tem corrido bem, temos feito corridas internacionais que nos permitem ter alguma rodagem. Na UAE Team Emirates também foi um bom começo. Vencer aqui [em Estarreja] é sempre importante. Foi a minha primeira corrida como elite e venci. É especial. Tive uma selecção que me ajudou bastante, acreditaram em mim até ao final", destacou Rui Oliveira ao Volta ao Ciclismo. Acrescentou que esta será uma das poucas corridas que fará no seu país, pelo que é ainda mais emotivo ter ganho com a sua família e amigos a assistirem de perto.

Campeão nacional de omnium logo no arranque de 2019, depois contribuiu para mais uns excelentes resultados nas Taças de Mundo na pista, antes de se estrear pela UAE Team Emirates em duas das corridas do Challenge de Maiorca. Têm sido umas semanas marcantes na carreira do jovem de 22 anos, que não esconde o quanto está entusiasmado para o que ainda aí vêm na temporada.

"[O Challenge de Maiorca] correu bem. Tinha uma tarefa importante de estar com o [Alexander] Kristoff e o [Fabio] Aru no final das corridas que fiz. A equipa gostou do meu trabalho, com os directores desportivos a agradecerem e acho que é sempre bom valorizarem isso", salientou. Acrescentou que se sente completamente adaptado à nova equipa, depois de dois anos na americana Hagens Berman Axeon (Profissional Continental).

"Agora é continuar nesta onda, se possível. Seguem-se os Mundiais de Pista e depois, na estrada, clássicas importantes, algumas do World Tour. Tenho de estar bem para proteger os meus líderes e é isso que vou tentar fazer", disse. Pruszkow, Polónia (de 27 de Fevereiro e 3 de Março) será então o próximo objectivo, antes de se virar mais para a estrada, com as clássicas Danilith Nokere Koerse (20 de Março), E3 BinckBank (29), Através da Flandres (3 de Abril) e Eschborn-Frankfurt (1 de Maio) a aparecerem no seu possível calendário.

Vitória ao sprint

Iúri Leitão e Rui Oliveira lideram a Taça de Portugal Jogos Santa Casa
em sub-23 e elite, respectivamente
Quanto à corrida que abriu o calendário nacional, o pelotão teve uma partida bem abençoada, com uma chuva intensa a marcar a partida em Sever do Vouga. Albergaria-a-Velha, Águeda, Oliveira do Bairro, Anadia, Vagos, Ílhavo, Aveiro, Ovar e Murtosa fizeram parte do percurso da Prova de Abertura Região de Aveiro (162,4 quilómetros). Na segunda passagem por Estarreja, já com o sol a brilhar, um corte no pelotão fez com que cerca de uma dezena de ciclistas estivessem em condições de disputar a vitória. César Martingil parecia estar num bom caminho para se estrear em grande com as cores do Sporting-Tavira. Contudo, Rui conseguiu passar o companheiro de selecção de pista sobre a meta, com Luís Mendonça - também ele mudou de equipa, para a Rádio Popular-Boavista - a fechar o pódio.

A selecção preparou o caminho para Rui, que teve ao seu lado o irmão Ivo, Miguel do Rego (conhecem-se bem da pista) e os homens do BTT José Dias e Tiago Ferreira. Com o seleccionador José Poeira a regressar os Camarões com os ciclistas que levou ao Tour de l'Espoir - Francisco Campos venceu uma etapa -, coube a Gabriel Mendes e Pedro Vigário a orientar os ciclistas que bem conhecem das suas vertentes.

Rui Oliveira vai começando a demonstrar cada vez mais a sua capacidade para os sprints e no top dez surgem muitos dos nomes esperados numa chegada como a de Estarreja. A pequena ascensão antes dos metros finais, tirou fôlego a muita gente, mas João Matias (Vito-Feireinse-PNB), Leonel Coutinho (Aviludo-Louletano) - de regresso à competição após uma grave queda em 2018 - Daniel Freitas (Miranda-Mortágua) e Pedro Paulinho (Efapel), foram alguns dos que discutiram a vitória, com Ivo Oliveira a também fechar entre os melhores.

E este foi o segundo ano consecutivo em que a selecção venceu na corrida de abertura, com Rui Oliveira a suceder a Tiago Machado.

Destaque ainda para o sub-23 Iúri Leitão (Sicasal-Constantinos) que foi oitavo, começando a temporada como o melhor do seu escalão, o que lhe permite liderar a Taça de Portugal Jogos Santa Casa na categoria. "Início perfeito de época. O percurso era perfeito, não tinha nenhuma dificuldade que me pudesse desgastar para a chegada. Já esta não era a mais perfeita, pois não era 100% plana, mas defendi-me bem, fiz top dez e consegui levar a juventude, que era o nosso da [equipa] maior objectivo", realçou ao Volta ao Ciclismo.

Aperfeiçoar as capacidades a subir tem sido um dos pontos que Iúri Leitão tem trabalhado, pelo que ficou satisfeito por estar na discussão do sprint em Estarreja. Agora, o vencedor da última etapa da Volta a Portugal do Futuro, quer continuar a treinar bem, mas sem ficar obcecado pelos bons resultados. "Prefiro concentrar-me no trabalho do que no que pode acontecer nas competições. Se o trabalho for bem feito, os resultados vão aparecer."

Ao contrário do inicialmente anunciado aquando da divulgação do calendário nacional, a Taça de Portugal mantém-se activa, mas em moldes um pouco diferentes. As corridas que a completam são as que em 2017 e 2018 fizeram parte do Troféu Liberty Seguros, que este ano não se realiza, dada à saída do patrocinador. Além da Prova de Abertura Região de Aveiro, fazem parte da competição a Clássica da Arrábida (17 de Março) e a Clássica Aldeias do Xisto (1 de Maio).

Entra-se agora em contagem decrescente para a Volta ao Algarve, corrida que trará ao sul do país 12 equipas do World Tour (de 20 a 24 deste mês). Depois será a Clássica de Primavera, a 10 de Março que dará seguimento ao ciclismo em Portugal.

Pode ver neste link as classificações completas da Prova de Abertura Região de Aveiro (PDF da Federação Portuguesa de Ciclismo). Em baixo fica a versão resumida.

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10 de janeiro de 2019

"É este o meu sonho, é isto que quero fazer na minha vida e vou lutar para o realizar"

(Foto: © João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Um Iúri Leitão de braços bem levantados a cortar a meta nos Campos Elísios na etapa mais desejada por qualquer sprinter é o maior dos sonhos deste jovem ciclista. Estar na Volta a França pode ser o seu grande desejo, mas não quer falar em demasia de sonhos, pois prefere manter os pés bem assentes na terra, concentrado na realidade e em garantir que o primeiro dos seus sonhos se concretiza: ser ciclista profissional.

Levantou os braços em Santarém, na última etapa da Volta a Portugal do Futuro. A época não foi fácil, mas terminou como queria e como a equipa desejava. Agora que acertou com o método de trabalho, Iúri quer mais na sua segunda temporada na Sicasal-Constantinos-Delta Cafés, depois de ter representado o Miranda-Mortágua: "No princípio as coisas não estavam a funcionar. Mudámos a nossa maneira de trabalhar e acabou por dar resultado, ainda que já tarde na época. No entanto, conseguimos um dos objectivos, que era ganhar uma etapa na Volta. Ficámos todos muito contentes."

O corredor de Viana do Castelo, de 20 anos, teve de procurar a fórmula certa para começar a demonstrar um bom rendimento. "Teve a ver com as metodologias de treino, com a maneira de descansar, com a maneira de interpretar as corridas... Foi todo um conjunto de pormenores. Tivemos de mudar a nossa maneira de trabalhar para conseguirmos obter bons resultados", explicou ao Volta ao Ciclismo. Apesar de satisfeito por ter conseguido perceber o que era preciso alterar, Iúri Leitão rapidamente acrescentou: "Nada dura para sempre. Temos de estar constantemente a reinventar-nos para não ficarmos desactualizados e para conseguirmos manter-nos a um bom nível."

O triunfo foi importante para Iúri e para a equipa que, há que não esquecer, tem como base o nome de uma das maiores referências do ciclismo nacional, ou seja, a Academia Joaquim Agostinho. Iúri Leitão já só pensa em alcançar mais e melhor em 2019. "O meu grande objectivo passa por conseguir vencer a camisola dos pontos na Volta a Portugal do Futuro. Passou-me ao lado em 2018, mas este ano vou fazer tudo para o conseguir", salientou. É, portanto, o sonho mais imediato que quer concretizar, mas até Setembro (de 5 a 8) haverá muitas corridas para disputar.

"A pista é fundamental para a minha época, não só para a preparação da época, mas também porque é uma paixão minha"

"A equipa quer sempre ter uma época bastante regular, seja nas corridas de elite, como nas de sub-23, mas claro que o nosso grande objectivo é a Volta a Portugal do Futuro e os Campeonatos Nacionais", referiu. E Iúri Leitão quer tentar começar a estar mais na disputa de vitórias na sua especialidade, o sprint. Porém, há ainda muito a melhorar. "Tenho de conseguir passar as subidas senão do que me adianta sprintar bem? Não me posso deixar adormecer e ficar apenas como sprinter. Tenho de melhorar todos os meus defeitos."

Realçou como está dedicado a 100% ao ciclismo, tendo deixado de estudar depois de terminado o 12º ano. E voltamos a falar de sonhos: "É este o meu sonho, é isto que quero fazer na minha vida e vou lutar para o realizar." Começou a construí-lo muito cedo, pois com cinco/seis anos já pedalava, tendo também muito cedo tornado-se um atleta federado. O pai foi ciclista e um amigo e antigo companheiro de equipa que se tornou em director de uma formação de jovens, acabou por ser a maior influência de Iúri. "Foi-me buscar para a sua equipa e a paixão pelo ciclismo foi crescendo. Vítor Pedreiro é o meu padrinho no ciclismo. Foi meu treinador durante 10 anos e continua a dar-me conselhos", frisou.


Vitória em Santarém, na última etapa da Volta a Portugal do Futuro
(Fotografia: © PODIUM/Paulo Maria)
É na Sicasal-Constantinos-Delta Cafés que continua a sua evolução, com os olhos postos em conseguir um contrato com uma equipa Continental, antes de pensar em chegar mais alto. Aposta igualmente na pista. Não esconde o quanto gosta desta vertente e já vai estando perto da comitiva da selecção nacional. Assim tem a oportunidade para estar lado a lado com ciclistas como os gémeos Oliveira (UAE Team Emirates) e João Matias (Vito-Feirense-PNB). Iúri admitiu o quanto tem sido importante para si poder estar com corredores com outro tipo de experiência e que não se coíbem de a partilhar. Além disso, o seleccionador nacional de pista também já vai ajudando o jovem ciclista, que espera um dia poder ser chamado e representar o país e marcar presença numa prova internacional.

"O professor Gabriel [Mendes] é muito importante para nós. Sabe ensinar muito bem os ciclistas", afirmou. "A pista é fundamental para a minha época, não só para a preparação da época, mas também porque é uma paixão minha", acrescentou. E para arrancar a temporada, foi precisamente pela pista que começou a competir. Participou no Campeonato Nacional de Omnium, tendo sido quinto classificado, numa prova ganha por Rui Oliveira. Os restantes títulos nacionais estarão em disputa a 2 de Fevereiro (scratch, corrida por pontos e perseguição individual).

Quanto à estrada, Iúri Leitão e a sua equipa entrarão em acção a 10 de Fevereiro, na Prova de Abertura Região de Aveiro.

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»»"Vamos ver se consigo dar um passo mais à frente e que surja a tão desejada vitória [no contra-relógio]"««