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14 de outubro de 2020

Oito medalhas na melhor prestação da Equipa Portugal nos Europeus de pista

© BettiniPhoto/Federação Portuguesa de Ciclismo
Apesar de um discurso cauteloso antes do início dos Europeus de sub-23 e juniores, com o objectivo a passar por alcançar top oito nas provas, o seleccionador nacional de pista saiu de Fiorenzuola d’Arda, Itália muito satisfeito. Gabriel Mendes escolheu três ciclistas que obtiveram oito medalhas, o que se traduz na melhor prestação da Equipa Portugal nesta competição.

Num velódromo ao ar livre, Maria Martins foi a que demonstrou ter a preparação um pouco mais atrasada. Porém, é uma ciclistas sempre determinada em vencer e conquistou duas medalhas para juntar às que já detém. Desta feita, a sub-23 portuguesa ficou com a medalha de prata na prova de eliminação e com a de bronze no scratch. Este ano, Maria Martins assinou pela Drops, mas a pandemia não tem permitido participar em muitas corridas, pelo que aproveitou a pista para se mostrar. Para o ano a sua equipa quer pedir uma licença World Tour.

Ainda nos sub-23, Iúri Leitão foi o único atleta do lado masculino, mas representou muito bem a selecção nacional. É um ciclista que Gabriel Mendes chama regularmente para competir em pista e saiu de Itália com três medalhas, todas de prata: scratch, corrida por pontos e eliminação. Excelente prestação para o jovem de Viana do Castelo, que está a competir em Espanha, pela Super Froiz.

O maior sucesso teve Daniela Campos como autora, na categoria de juniores. A atleta foi campeã da Europa na prova de eliminação (foto em cima). Mas conquistou mais duas medalhas: a de prata na corrida dos pontos e terminou a competição, na terça-feira, com o bronze no omnium. A ciclista da equipa BTT Loulé/Elevis é um dos novos talentos a surgir no ciclismo feminino em Portugal.

Tal como Raquel Queirós, mostra potencial na estrada e no BTT, mas também na pista. Depois de Daniela Reis ter conseguido chegar ao mais alto nível do ciclismo, o país vai tendo mais ciclistas que tentam seguir as suas pisadas, sem esquecer que Maria Martins é já igualmente uma referência apesar de ter apenas 21 anos.

"Foi a nossa melhor prestação de sempre em Campeonatos da Europa de Sub-23 e Juniores. Cumprimos o objectivo de terminar entre os oito melhores todas as provas de resistência e superámos as expectativas em lugares de pódio. Estes resultados acabam por premiar todo o trabalho feito nas condições adversas deste ano atípico", salientou Gabriel Mendes, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

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28 de agosto de 2020

Equipa Portugal fecha Europeus com um top cinco

Daniela Campos discutiu o sprint na prova de juniores
No último dia dos Campeonatos Europeus em Plouay, França, a selecção portuguesa teve mais um dia de grande nível exibicional, mas também voltou a sofrer alguns azares, algo que marcou a prestação durante as provas da última semana. A júnior Daniela Campos fechou no quinto lugar a corrida de fundo, em mais um excelente resultado, pois já tinha sido nona no contra-relógio.

Problemas mecânicos, um furo, uma queda, questões físicas... A Equipa Portugal sai de Plouay com uma lista bem preenchida de tudo o que se quer que não aconteça, mas aconteceu. Ainda assim. Entre juniores, sub-23 e elite, o balanço final só pode ser positivo.

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Daniela Campos é a prova disso mesmo. A júnior demonstrou estar muito atenta às movimentações que aconteceram nos 68,25 quilómetros de prova. Conseguiu ficar sempre na frente, evitando ter de fazer recuperações. Os consecutivos cortes que se foram verificando acabaram por determinar o grupo de cerca de 20 ciclistas que ficaram em melhores condições de discutir as medalhas.

Daniela Campos conseguiu um quinto lugar, num sprint ganho pela italiana Eleonora Gasparrini, com as  belgas Matith Vanhove e Katrijn de Clercq, a serem segunda e terceira, respectivamente. Para a portuguesa é um resultado de revela a boa evolução como atleta no último ano.

Beatrix Roxo ficou do lado azarado da selecção. Segundo explica a Federação Portuguesa de Ciclismo, a jovem ciclista teve uma avaria logo na primeira volta ao circuito e foi ainda vítima de outra situação de corrida. Depois, quando estava quase a reentrar no grupo principal, esteve "partiu", deixando a portuguesa nos lugares mais atrasados. Terminaria no 40º lugar, a 10:22 minutos de Gasparrini.


Nos juniores masculinos, os azares continuaram a perseguir os ciclistas portugueses. Fábio Fernandes teve um furo e João Ferreira foi vítima de queda. Dado o elevado ritmo da prova, ambos acabaram por não conseguir manter-se na frente e abandonaram. dinamarquês Kasper Andersen sagrou-se campeão europeu, com o checo Pavel Bittner e o belga Arnaud de Lie a completarem o pódio (classificação neste link).

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Na quinta-feira, foi Miguel Salgueiro a figura, ao alcançar um excelente nono lugar na corrida de sub-23. O português foi um dos melhores no pelotão que perseguiu sem sucesso uma fuga que decidiria as medalhas. O norueguês Jonas Iversby Hvideberg venceu, com o dinamarquês Anthon Charmig e o checo Vojtech Repa a ficarem com a medalha de prata e bronze, respectivamente.

"Foi mais uma boa corrida da nossa selecção. Apesar da falta de ritmo conseguimos estar com os melhores, discutindo as posições cimeiras. Penso que o estágio prévio ao Europeu foi uma importante preparação. O Miguel esteve muito bem, arriscando quando foi necessário e entrando no sprint nas primeiras posições do pelotão, condição fundamental para se poder aspirar a um bom resultado", salientou o seleccionador José Poeira.

Sprint final da prova de sub-23
Guilherme Mota foi 70º, a 55 segundos, e Afonso Silva 83º, a 2m52s. Pedro Miguel Lopes integrou a fuga que viria a discutir as medalhas, mas, infelizmente, acabou por abandonar devido a cãibras.

E há que recordar que na prova de fundo elite, Rui Costa teve problemas com o selim, o que lhe retirou a oportunidade de lançar o ataque que pretendia para lutar pela vitória. No conta-relógio foi Rafael Reis que teve problemas com as mudanças, o que o afastou de um muito provável top dez.

No entanto, na corrida de fundo, a Equipa Portugal realizou uma das melhores exibições colectivas que já se tinha assistido, merecendo um resultado bem mais recompensador. Contudo, tendo em conta que foi preciso discutir o sprint, o 14º lugar de Rui Oliveira foi muito positivo. Até porque o gémeo também teve um pequeno azar ao ser fechado e ter de parar de pedalar por instantes.

Apesar da lista de imprevistos, o importante a retirar é que em todos os escalões as exibições foram de nota e motivantes, ainda mais num ano em que as corridas são escassas e que não é fácil ter picos de forma.


23 de setembro de 2019

Juniores voltam a ser os autores das histórias incríveis dos Mundiais

(Imagem: print screen)
Ainda estava a descer a rampa e a bicicleta já tinha um problema mecânico. Foi preciso uma nova e não foi das trocas mais eficientes que já se viu. O contra-relógio mal tinha começado e Antonio Tiberi já tinha perdido cerca de 30 segundos, sem sequer fazer a primeira curva. Se se tivesse afundado na classificação, teria sido compreensível, afinal é um daqueles azares que arruína uma prova. Mas, com apenas 18 anos, Tiberi mostrou uma atitude que deixou muitos a olhar para ele, a admirá-lo e a respeitá-lo. Não só não se deixou abater pelo azar, como assumiu que se não tinha nada a perder, então poderia ter tudo a ganhar. Foi um contra-relógio fantástico e nem os favoritos que não tiveram qualquer tipo de problema bateram um Tiberi que volta a ser um júnior a marcar uns Mundiais.

Há um ano foi na prova em linha deste escalão que Remco Evenepoel foi o autor de uma recuperação que marcará a história dos campeões do mundo. Tiberi terá agora o seu lugar entre as histórias de feitos incríveis. E foi mesmo. É que além da questão mecânica, o italiano ainda teve um carro de uma outra selecção a não ser uma grande ajuda numa zona do percurso estreita. Teve de se desviar do veículo e não foi aí que perdeu muito mais tempo, mas já parecia ser azar a mais. Mas quando se tem qualidade e principalmente uma atitude e uma mentalidade forte, este tipo de exibições que se tornam em histórias em contar vezes sem conta, acontecem. Tiberi acabou o dia como campeão do mundo. Foi recuperando algum tempo na primeira volta do percurso e voou na segunda.

Na primeira estava a 25 segundos do então líder Marco Brenner, na segunda terminou com 12 segundos de vantagem, completando o percurso técnico de Yorshire, de 27,6 quilómetros, em 38:28 minutos. Tiberi foi perfeito onde todos os outros não conseguiram ser. Os que ambicionavam as medalhas foram incapazes de fazer segundas voltas tão fortes como as primeiras e mesmo sendo mais rápidos que Tiberi a meio de percurso, não conseguiram segurar as vantagens. O seu compatriota Andrea Piccolo era o grande favorito e foi apenas sexto, o americano Quinn Simmons ainda ameaçou, mas também acabou fora das medalhas e Enzo Leijnse foi segundo, um lugar melhor do que tinha feito nos Europeus ganhos por... Andrea Piccolo.

Se ver Tiberi ser o mais rápido quando cortou a meta já era impressionante, ainda faltavam muitos e bons ciclistas para competir. Vê-lo como campeão do mundo foi, por isso, fenomenal e merecido. Estava em boa forma, era óbvio, mas foi a sua força mental foi decisiva. Foi ela que muito ajudou a ultrapassar um momento que em vez de transformar Tiberi em apenas mais um a participar no contra-relógio, poderá ser um momento que contribuirá para definir a sua carreira. Para já, certamente que chamou a atenção de quem está sempre à procura de jovens de talento para as grandes equipas.

(O texto continua por baixo das classificações, via FirstCycling)



E no dia das histórias fantásticas...

(Fotografia: print screen)
O melhor deste segundo dia de Mundiais é que Tiberi nem foi o único com uma história de vitória para recordar. A russa Aigul Gareeva estava a realizar um contra-relógio que tinha tudo para lhe dar o título mundial. Ao contrário de Tiberi, a sua prova pareceu ficar estragada numa curva já perto do final. Gareeva enganou-se e seguiu em frente no percurso, em vez de virar. Rapidamente percebeu o erro - estava um comissário a indicar o caminho que era para motos e carros, mas a ciclista terá confundido a indicação -, contudo, perdeu segundos que eram valiosos.

Ainda conseguiu o tempo mais rápido, mas faltava cortar a meta outra das favoritas, Elynor Backstedt. Porém, a britânica, que também não teve o melhor dos contra-relógios, quase caindo, acabou por fazer uma fase final do percurso de 13,7 quilómetros sempre a perder tempo. Em poucos minutos, Gareeva passou de um olhar distante de quem tinha desperdiçado uma oportunidade de ser campeã do mundo, ao choro de quem não conseguiu esconder a enorme emoção de uma conquista improvável depois do erro.

A russa fez 22:16 minutos, com Backstedt a ficar a 11 segundos e a holandesa Shirin Van Anrooij foi segunda, com mais quatro segundos. A Holanda colocou ciclistas no pódio nas três provas realizadas nos Mundiais de Yorkhire até agora, depois de no domingo ter sido campeã de contra-relógio de estafeta mistas.

Nos juniores masculinos não houve participação portuguesa, mas Daniela Campos marcou presença na prova feminina, terminando no 33º posto, a 1:59 minutos, numa performance positiva de uma atleta que está no seu primeiro ano de júnior. "A Daniela esteve muito bem na mudança de andamentos em função das subidas e escolheu bem as trajectórias, dando indicações muito positivas para o futuro, tendo em conta que ainda está no primeiro ano de juniores”, explica José Marques, o director desportivo que acompanhou a atleta.

"Senti-me um bocadinho presa na primeira fase do contra-relógio, mas fui-me soltando ao longo da prova. No geral, as sensações foram boas para um percurso tão duro como este. Dei tudo o que tinha e considero e estou motivada para a prova de fundo", afirmou Daniela Campos, citada pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

(O texto continua por baixo das classificações, via FirstCycling)




Próximos portugueses em acção

André Carvalho e João Almeida vão participar no contra-relógio de sub-23. Ambos têm a prova de fundo como principal objectivo, mas será uma boa oportunidade para mostrarem-se e João Almeida irá receber alguma atenção visto ser uma das contratações da Deceuninck-QuickStep para 2020. É também o campeão nacional da especialidade, tendo feito a dobradinha em Melgaço, em Junho. Carvalho parte às 10:19 e João Almeida às 11:15.30. Terão pela frente 30,3 quilómetros.

Da parte da tarde realiza-se o contra-relógio de elite feminino, sem ciclistas portuguesas. Ambas as provas serão transmitidas pelo Eurosport 1.

»»Rui Costa lidera Portugal nos Mundiais mas não será a única aposta««

»»Holanda campeã num circuito perigoso... mas bom para Van der Poel««

22 de setembro de 2019

Holanda campeã num circuito perigoso... mas bom para Van der Poel

(Fotografia: © Mundiais Yorkshire 2019)
Primeiro dia dos Mundiais de Yorkshire e não houve grandes surpresas. A chuva marcou presença - afinal está-se na Grã-Bretanha - e a Holanda conquistou o primeiro título em discussão, na nova prova do evento: o contra-relógio por equipas misto em estafeta. A selecção laranja juntou assim o título mundial ao europeu, numa competição que substituiu o contra-relógio que contava com equipas do World Tour, Profissionais Continentais e Continentais. O percurso de Yorkshire é muito técnico e promete umas corridas em linha bem interessantes. Porém, o mau tempo sempre provável na Grã-Bretanha aumenta o risco, algo que poderá ser bom para Mathieu Van der Poel. Pelo menos é isso que acredita um ciclista belga.

"[O percurso] não é uma volta para contra-relógio e, para ser sincero, não penso que seja também uma volta para a corrida de estrada. Penso que é muito perigoso. Muito técnico. Isso é, obviamente, muito bom para Mathieu van der Poel, porque ele vai adorar. Tenho a certeza. Mas será no limite se estiver molhado", salientou ao Cyclingnews Jan Bakelants, que competiu por uma selecção da Bélgica, nona classificada entre as 11 equipas. Bakelants refere uma das características que faz de Mathieu van der Poel um dos grandes candidatos ao título mundial de elite, na corrida do próximo domingo. É um ciclista com escola do ciclocrosse (e também não se dá nada mal com o BTT), com capacidade para se adaptar com facilidade a terrenos difíceis, além de gostar desse tipo de dificuldades. Na sua recente presença na Volta à Grã-Bretanha, Van de Poel ganhou.

Bakelants não estará entre a super equipa belga que quer contrariar o favoritismo de um Van der Poel, que já tanto se fala e ainda falta uma semana para o ver em acção, mas o belga é mais um que sabe bem que o favoritismo que é atribuído ao jovem holandês não é à toa. Van der Poel terá a responsabilidade de tentar fechar os Mundiais da mesma forma que os seus compatriotas abriram este domingo. Lucinda Brand, Riejanne Markus, Amy Pieters, Bauke Mollema, Koen Bouwman e Jos van Emden vestiram as camisolas do arco-íris numa prova que a UCI gostaria de ver tornar-se olímpica.

A Holanda completou os 27,6 quilómetros em 38:27 minutos, com a Alemanha de Tony Martin a ficar a 22 segundos. A Grã-Bretanha fechou o pódio, com mais 51 segundos. Este contra-relógio disputa-se com os homens a arrancarem primeiro e quando dois corta a meta saem as senhoras. O tempo total é tirado quando a segunda passa a linha de meta.

(O texto continua por baixo das classificações, via FirstCycling.)



(Fotografia: © Federação Portuguesa de Ciclismo)
Daniela Campos será a primeira portuguesa em acção nos Mundiais

A ciclista júnior vai abrir a participação da Equipa Portugal nos Mundiais de Yorkshire esta segunda-feira, com partida prevista para o contra-relógio de 13,7 quilómetros às 10:37. "É um percurso muito duro, com descidas perigosas e subidas duras, porque são inclinadas e um pouco longas. Gosto deste percurso, porque acho que me favorece mais do que se fosse totalmente plano. Vou dar o meu melhor. Estou preparada e confiante, porque as minhas sensações são boas", afirmou Daniela Campos, citada pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

A prova será transmitida a partir das 10:00 no Eurosport 1.

No link em baixo pode confirmar todas as competições em que estarão envolvidos os ciclistas portugueses.

29 de junho de 2019

Dobradinhas confirmadas mas foi necessário lutar muito para as alcançar

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Melgaço está a testar ao máximo as capacidades dos ciclistas que procuram os títulos nacionais. O percurso é duro e o calor tem aquecido as corridas. Uma jovem sub-23 tentou ameaçar a experiente Daniela Reis, mas a qualidade de uma atleta do World Tour fez a diferença, mesmo estando num dia menos bom. Já João Almeida, também ele um favorito, teve bastante trabalho para deixar para trás um Fábio Costa batalhador e mais um corredor a confirmar a excelente temporada da UD Oliveirense-InOutBuild. As esperadas dobradinhas confirmaram-se nos Nacionais, mas não foram fáceis de alcançar.

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
A corrida de sub-23 acabou por concentrar grande parte da emoção do dia, como era expectável. Almeida não entrou na fuga inicial, onde já estava Fábio Costa. O ciclista da Hagens Berman Axeon acabou por recuperar o terreno perdido para entrar na frente da corrida ainda com mais de 100 quilómetros do fim. As últimas duas das seis voltas da corrida (143,2 quilómetros) tiveram Almeida e Costa isolados, com Hélder Gonçalves (UD Oliveirense-InOutBuild) e Marcelo Salvador (Sicasal-Constantinos) a serem os últimos a ceder. Mas atrás foi feita uma perseguição feroz e que chegou a ameaçar ainda baralhar a decisão da corrida. Tarde de mais, com João Almeida a fazer um derradeiro ataque já perto da meta que quebrou de vez a resistência do seu rival do dia.

"Tem um significado muito especial conquistar este título. Desde início que me senti muito bem. Decidi arriscar naquela volta quando ninguém estava à espera, para ter tempo de descansar um bocado. Gastei muita energia para chegar lá, mas consegui chegar e depois foi poupar energias. No fim, foi dar o que tinha", explicou um exausto João Almeida. Há um ano tinha somado dois segundos lugares nos Nacionais de Belmonte, então batido pelos gémeos Oliveira (Ivo no contra-relógio e Rui na prova de fundo). Porém, até pelos resultados internacionais que estava a alcançar - venceu a Liège-Bastogne-Liège de sub-23, por exemplo, mas não só -, estes eram uns títulos nacionais que se sabia que ficariam muito bem a João Almeida.

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
A luta de Fábio Costa ajudou a dar ainda mais valor à conquista deste jovem ciclista, que está a evoluir numa das melhores equipas de formação do mundo e de onde já saíram para o World Tour grandes nomes do ciclismo mundial, destacando-se também três portugueses: Ruben Guerreiro (actualmente na Katusha-Alpecin, depois de dois anos na Trek-Segafredo) e os gémeos Oliveira (UAE Team Emirates). 2019 não está a ser tão positivo como o ano anterior para João Almeida, mas o corredor de 20 anos espera agora virar a página.

Fábio Costa terminou a 11 segundos do vencedor, com Bernardo Saavedra (Vito-Feirense-PNB) a conquistar a medalha de bronze, cortando a meta a 36 segundos, menos um que André Carvalho, outro português na Hagens Berman Axeon (classificações neste link, via ProCyclingStats, com atenção que Bernardo Saavedra está como João Leite, que é também parte do seu nome).

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Para Daniela Reis (Doltcini-Van Eyck Sport), os Nacionais de Melgaço não foram apenas para cumprir calendário. Se se confirmou que não tinha rival, ainda assim, a dificuldade do percurso de 88,6 quilómetros e um dia em que não se sentiu a 100%, acabou por provocar alguns problemas à ciclista que se sagrou tetracampeã nacional (2015, 2016, 2018 e 2019). "Não foi fácil. Tive a noção que não estava num dia bom. Esta [vitória] foi sofrida. Foi gerir e dar tudo na última volta. Foi conseguir uma vantagem para a minha adversária porque o ciclismo é assim, há dias muito bons, há dias menos bons. Felizmente deu para a vitória", afirmou, após ter confirmado mais uma dobradinha, pois na sexta-feira já tinha revalidado o título de campeã nacional de contra-relógio.

Se a maior parte do pequeno pelotão de elite ficou rapidamente para trás, logo na primeira volta (alinharam 20 ciclistas, tendo terminado 12), Daniela Reis teve a companhia a companhia de duas jovens talentosas. Numa concorrência directa estava Raquel Queirós, corredora da Quinta das Arcas-Jetclass-Xarão, que está no seu primeiro ano como sub-23. Porém, como no ciclismo feminino de estrada, não há este escalão e Raquel estreou-se na elite nos Nacionais. Terminou a 2:10 minutos de Daniela Reis, mas só começou a descolar na terceira volta, deixando boas indicações para o futuro. Bem longe da discussão da corrida, mas com direito a lutar e conquistar a medalha de bronze, esteve Sandra Santos (Eneicat), que terminou a 6:19 minutos da vencedora (classificações, via ProCyclingStats).

No entanto, houve outra ciclista a impressionar. É mais uma Daniela, mas de apelido Campos e é melhor decorar este nome. É júnior, mas fez parte do trio da frente. Vários escalões juntam-se para fazer a prova feminina: cadetes, júniores, elites, master 30, 40 e 50 (difere a distância). É certo que Daniela Campos tinha menos uma volta para fazer (66,1 quilómetros no total) do que as duas outras corredoras, mas tendo em conta a idade e a fase de evolução em que está, principalmente comparando com Daniela Reis, não deixou de impressionar. A ciclista das 5Quinas-Município de Albufeira-CDASJ venceu sem discussão no seu escalão, com a segunda classificada a ficar a 10 minutos (Rafaela Ramalho, da equipa Maiatos) e a terceira a 11:22 (Beatriz Martins, da Bairrada).

Daniela Reis gostou do que viu quanto às jovens adversárias e que num futuro próximo poderão ser rivais de muito respeito. "Vim um bocado sem saber porque faz agora um ano da última vez que corri em Portugal. Vi algumas Taças e já sabia que havia miúdas novas a andar muito bem. É excelente para o ciclismo. Não sabia o que esperar delas. Sei que treinei para estar bem aqui e sabia o que tinha de fazer. Fico muito feliz que haja miúdas novas a quererem fazer o ciclismo andar para a frente, a superarem-se", salientou.

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
A primeira ciclista a chegar ao mais alto nível do ciclismo mundial vai agora fazer novamente as malas, pois seguem-se corridas no estrangeiro e Daniela Reis admitiu que está numa boa forma e que quer procurar obter bons resultados.

Em Melgaço foram atribuídos seis títulos nacionais. As cadetes e masters cumpriram a distância de 43,6 quilómetros:

Elite: Daniela Reis (Doltcini
Júnior: Daniela Campos (5Quinas-Município de Albufeira-CDASJ)
Cadete: Beatriz Roxo (Maiatos)
Master 30: Nadia Mendes (CE Gonçalves-Azeitonense)
Master 40: Ana Neves (Bike & Nutrition Shop)
Master 50: Maria Jesus (5Quinas-Município de Albufeira-CDASJ)

Este domingo será a vez da elite masculina sair para a estrada, como 197 quilómetros à espera do pelotão, com partida (11 horas) em Castro Laboreiro e chegada em Melgaço. Será que José Gonçalves (Katusha-Alpecin) consegue também a dobradinha? O irmão, Domingos (Caja Rural), é o campeão em título.