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23 de outubro de 2019

E se a Hagens Berman Axeon ficasse com os ciclistas que forma e fosse do World Tour?

(Fotografia: © Davey Wilson/Hagens Berman Axeon)
Ian Garrison tornou-se no mais recente membro da Hagens Berman Axeon a formar-se com distinção na equipa, que é como a quem diz, vai para o World Tour em 2020. O americano, de 21 anos, acompanhará João Almeida para a Deceuninck-QuickStep, enquanto Mikkel Bjerg assinou pela UAE Team Emirates. A estrutura liderada por Axel Merckx continua a afirmar-se como uma referência na formação de jovens ciclistas e desde 2009 que têm sido muitos os que, após passagem pela equipa dos Estados Unidos, conseguem dar o salto para o mais alto nível do ciclismo. Alguns singraram, outros nem por isso. Mas se Merckx ficasse com os corredores que forma e tivesse uma equipa do World Tour, teria um plantel bem interessante, principalmente para as provas por etapas e para o contra-relógio. Mas também com ciclistas de qualidade para o sprint e clássicas.

Nos três ciclistas que vão sair este ano, a Hagens Berman Axeon teria um dos maiores especialistas do contra-relógio da nova geração: o dinamarquês Bjerg (20 anos) conseguiu o feito inédito de conquistar três títulos mundiais de sub-23 no esforço individual e aponta ser o próximo recordista da hora. Garrison foi segundo em Yorkshire, atrás de Bjerg, depois de ser campeão nacional de elite. O americano tem também características interessantes para o sprint. Quanto a João Almeida, mais um campeão nacional de contra-relógio, mas em sub-23, tendo também o título da prova em linha, está a tornar-se num ciclista interessante nas corridas por etapas de uma semana, além de ter clássicas que lhe assentam tão bem. Venceu a Liège-Bastogne-Liège do seu escalão, na época passada.

Mas recuando a ciclistas que noutras temporadas saíram da Hagens Berman Axeon, que já teve outros nomes como Bontrager ou Trek-Livestrong, por exemplo. Tao Geoghegan Hart é um dos exemplos de maior sucesso. Depois de se adaptar à então Sky, o britânico de 24 anos teve um 2019 de completa afirmação e pode ser um grande vencedor. Conquistou de forma brilhante duas etapas na Volta aos Alpes, perdendo a geral para o companheiro Pavel Sivakov. Foi ao Giro e Vuelta, e em Espanha muito lutou por uma etapa. Por enquanto poderá ficar preso ao papel de gregário dado o plantel de qualidade da agora Ineos, mas Hart mostra potencial para mais.

Neilson Powless (23) foi um dos elementos importantes na vitória de Primoz Roglic na Vuelta. Na Jumbo-Visma mostrou uma boa evolução nas corridas por etapas e em Portugal, fez top dez na Volta ao Algarve. Vai mudar-se para a Education First talvez à procura de um espaço que definitivamente não teria na formação holandesa.

A última Volta a Espanha acabou por ser o palco para alguns dos jovens ex-Hagens Berman Axeon, caso de Ruben Guerreiro (25). Saiu no mesmo ano que Hart, mas para a Trek-Segafredo. Não tem sido fácil a afirmação do português, mas na Vuelta viu-se finalmente um pouco mais do que Guerreiro pode dar no World Tour, o que o fez receber uma proposta de contrato da EF Education First, deixando assim a Katusha-Alpecin. Quer apostar nas grandes voltas.

E falando de portugueses, Ivo e Rui Oliveira (23) fazem parte da "turma de 2018". Fizeram a estreia no World Tour em 2019 com a UAE Team Emirates com sortes diferentes. Ivo esteve vários meses a recuperar de uma grave queda num treino, enquanto Rui esteve a bom nível na ajuda a líderes nas clássicas e na preparação de sprints. Será que André Carvalho conseguirá seguir os passos dos seus compatriotas? Em 2020 cumprirá a sua segunda temporada na Hagens Berman Axeon.

Um dos sprinters de quem Rui Oliveira se poderá tornar num fiel aliado é Jasper Philipsen. O belga de 21 anos já ganhava no World Tour ao quinto dia pela UAE Team Emirates, no Tour Down Under, e fez uma temporada de excelentes resultados. Um sprint e homem de clássicas com um futuro promissor. Sean Bennett (23) foi mais discreto na temporada de estreia, mas ainda assim a EF Education First levou-o ao Giro. É um americano visto com muita capacidade para ser um voltista de respeito. Também Will Barta (23) teve um ano de adaptação na CCC.

Da equipa de Merckx saiu um dos principais especialistas de clássicas da actualidade: Jasper Stuyven. Aos 27 anos talvez se esperasse que o seu currículo tivesse mais corridas de um dia muito importantes além da Kuurne-Bruxelles-Kuurne, mas a concorrência é enorme. Na Trek-Segafredo tornou-se um ciclista essencial e é de uma regularidade incrível, terminando quase sempre entre os melhores nas corridas em que aposta forte. E este ano até ganhou uma corrida por etapas: a Volta a Alemanha.

Joe Dombroski (EF Education First), Ian Boswell (Sky e Katusha-Alpecin) e Ben King (RadioShack Garmin/Cannondale e Dimension Data) foram ciclistas que afirmaram-se no World Tour. Somam bons resultados, mesmo que não sejam figuras de primeira linha e são bons gregários sempre que necessário, caso principalmente de Boswell. King conseguiu ser uma grande figura em 2018 quando venceu duas etapas na Vuelta. Dombrowski foi talvez a maior desilusão deste trio. Entre quedas e problemas de saúde vai adiando a confirmação de um ciclista de nível para as provas por etapas. Aos 28 anos está de malas feitas para a UAE Team Emirates.

E como o contra-relógio é muito bem trabalhado na Hagens Berman Axeon, um dos primeiros nomes a sair para o World Tour foi Alex Dowsett (31). Desde que trocou a Movistar pela Katusha-Alpecin que quase que se apagou, mas é um especialista no esforço individual e foi recordista da hora.

Taylor Phinney (29) foi um dos jovens que mais entusiasmou, mas o americano teve uma queda a estragar-lhe a carreira e anunciou o adeus ao ciclismo no final desta temporada. Outro especialista no contra-relógio.

Já George Bennett (29) não se dá muito bem com o contra-relógio, mas o neozelandês poderia formar um bloco interessante em grandes voltas com Tao Geoghegan Hart, Neilson Powless, Dombrowski, Boswell, King e Guerreiro, com jovens como Barta, Sean Bennett, Jhonatan Narváez (Quick-Step Floors e Ineos) a poderem tornar-se em casos de sucesso em breve. Lawson Craddock, Nathan Brown (ambos na EF Education First) e Sam Bewley (Mitchelton-Scott) são homens de trabalho importantes

Porém, nem todos os que saltaram da Hagens Berman Axeon para o World Tour singraram. Casos de Timothy Roe, Bjorn Selander e Ruben Zepuntke, por exemplo. Este último, abandonou o ciclismo aos 24 anos, dedicando-se agora ao triatlo. Gregory Daniel é o exemplo mais recente e prepara-se para descer ao escalão Continental aos 24 anos, depois de passar pela Trek-Segafredo.

Aqui ficam todos os que se "formaram" na equipa de Axel Merckx e que foram ou vão directamente para o World Tour (há mais ciclistas que ou estão ou passaram por formações do segundo escalão), pois mesmo podendo ter um plantel forte se pertencesse à categoria máxima e ficasse com os melhores ciclistas, a Hagens Berman Axeon - que vai descer novamente ao nível Continental depois de dois anos como Profissional Continental - prefere manter-se fiel ao seu lema: desenvolver a próxima geração do ciclismo.

2019
Ian Garrison (Deceuninck-QuickStep)
Mikkel Bjerg (UAE Team Emirates)
João Almeida (Deceuninck-QuickStep)

2018
Jasper Philipsen (UAE Team Emirates)
Will Barta (CCC) 
Rui Oliveira (UAE Team Emirates)
Ivo Oliveira (UAE Team Emirates)
Sean Bennett (EF Education First)

2017
Chris Lawless (Sky)
Jhonatan Narváez (Quick-Step Floors)
Neilson Powless (Lotto-Jumbo)
Logan Owen (EF Education First-Drapac p/b Cannondale)

2016
Tao Geoghegan Hart (Sky)
Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo)
Gregory Daniel Trek-Segafredo

2014
Ruben Zepuntke (Cannondale-Garmin)

2013
Jasper Stuyven (Trek Factory Racing)
Lawson Craddock (Giant-Shimano)
Nathan Brown (Garmin-Sharp)

2012
Joe Dombrowski (Sky)
Ian Boswell (Sky)

2011
George Bennett (RadioShack-Nissan)

2010
Taylor Phinney (BMC)
Alex Dowsett (Sky)
Jesse Sergent (RadioShack)
Ben King (RadioShack)
Timothy Roe (BMC)

2009
Sam Bewley (RadioShack)

20 de agosto de 2019

Hagens Berman Axeon prepara-se para regressar ao escalão Continental

André Carvalho foi o mais recente português a entrar na equipa
que tantos ciclistas coloca no World Tour
(Fotografia: © Davey Wilson/Hagens Berman Axeon)
Jasper Stuyven, George Bennett, Joe Dombrowski, Alex Dowsett, Taylor Phinney, Ben King e Ian Boswell. Mais recentemente, Tao Geoghegan Hart, Eddie Dunbar, Jasper Philipsen, Will Barta e os portugueses Ruben Guerreiro, Ivo e Rui Oliveira. A esta lista vão juntar-se em 2020 Mikkel Bjerg e João Almeida. Estes são alguns dos ciclistas que passaram por uma equipa exímia na formação de jovens e que agora estão em grandes estruturas mundiais. A lista é maior. Alguns saltaram directamente para o World Tour, outros passaram pelo segundo escalão, mas acabaram por chegar ao topo. A Hagens Berman Axeon de Axel Merckx há muito que se tornou uma referência em levar jovens corredores até o mais alto nível. Prepara-se para dar o que poderá parecer um passo atrás ao descer novamente ao nível Continental, depois de dois anos como Profissional Continental. Mas foi nesse escalão que a equipa se notabilizou e vai ser nesse escalão que o trabalho de qualidade vai continuar. A garantia é do seu director, pois Merckx garante que pouco mudará.

Esse pouco será principalmente nas corridas. Entrar numa Volta à Califórnia, por exemplo, poderá ser mais complicado. Sendo uma prova World Tour, as equipas Continentais dificilmente recebem um convite. "O programa [de formação] que oferecemos é muito especial. Não se pode comparar com um programa europeu. Não se pode comparar com um programa americano. É realmente o melhor dos dois mundos, por isso, vamos continuar", salientou Axel Merckx ao Cycling News

A razão que justifica esta provável descida de escalão é financeira. O belga explicou que as mudanças da UCI vão obrigar as equipas Profissionais Continentais a ter 20 ciclistas. Actualmente a Hagens Berman Axeo tem 16. "Se assim for, serão mais 200 mil dólares [cerca de 180 mil euros] e ainda nem se começou a competir", referiu Merckx.

Há dois anos, a firma de advogados Hagens Berman passou a ser o patrocinador principal e o aumento de investimento ajudou a equipa a subir de escalão, algo importante para precisamente garantir a presença na Volta à Califórnia, a principal corrida nos Estados Unidos e ter as portas ainda mais abertas para outras provas. Axel Merckx agradece o apoio de Steve Berman e não esconde que até ambiciona que o programa de formação possa expandir ao ciclismo feminino, ainda que não seja para já: "Será preciso dinheiro, mas penso que é uma parte do desporto que está a desenvolver e seria bom ter algo similar [ao programa masculino]."

Na estrada desde 2009, a Hagens Berman Axeon - começou como Trek-Livestrong - quer continuar a marcar a diferença. Merckx referiu parte do "segredo" do sucesso: "Isto é mais do que apenas uma equipa. É mais do que uma marca. É uma família de rapazes que gostam de pedalar juntos, de se sacrificarem uns pelos outros e que dá grandes oportunidades a gente jovem." Outro pormenor essencial para que os ciclistas consigam desenvolver as suas capacidades é a forma como é gerida a pressão. Merckx disse que os juniores que sobem a sub-23 e que entram no programa sabem que não precisam de mostrar resultados logo no primeiro ano. No entanto, há exemplos de sucesso, o que para o responsável também motiva esses jovens que querem entrar na Hagens Berman Axeon a acreditar que é possível realizar exibições de grande nível em pouco tempo.

Seja como Continental ou como Profissional Continental, a garantia desta equipa é que quer continuar a colocar ciclistas no World Tour. Por lá, está mais um português à procura de seguir o exemplo de Ruben Guerreiro ("saltou" para a Trek-Segafredo e está na Katusha-Alpecin), dos gémeos Oliveira (UAE Team Emirates) e de João Almeida - foi recentemente quarto na Volta ao Utah e vencedor da juventude -, que em 2020 vai representar uma das melhores equipas do mundo: a Deceuninck-QuickStep. André Carvalho, de 21 anos, procura ser um dos próximos a entrar na impressionante lista de ciclistas que fizeram a sua formação com Merckx e estão hoje em grandes equipas.

»»Parecia ser inevitável e foi mesmo: João Almeida entra no World Tour por uma porta enorme««

»»Rui Costa com final de época definido. E 2020?««

23 de outubro de 2018

Amputaram-lhe a perna há dois meses e já está a andar outra vez de bicicleta

Das imagens que marcaram 2018, a fotografia de Adrien Costa a andar novamente de bicicleta tem de ser uma delas. Pode não ter ganho os Mundiais, a Volta a França ou o Paris-Roubaix, mas este americano conquistou um dos maiores triunfos: o de viver e saber a aproveitar a vida, independentemente das adversidades. Há pouco mais de dois meses Costa sofreu um acidente de alpinismo que quase o matou. Não foi possível salvar a sua perna direita, mas isso não impediu que o jovem esteja novamente a andar de bicicleta e até a fazer alpinismo.

Se uma imagem pode valer mil palavras, há palavras que acompanham bem a imagem. As de Christopher Blevins explicam bem o sentimento que ver Costa a andar de bicicleta provocou, principalmente em quem é amigo, além de companheiro de equipa: "Sempre fiquei impressionado com este rapaz, mas nos últimos meses encontrei um novo nível de admiração."



O acidente ocorreu no lado norte do Monte Conness, perto do Parque Nacional de Yosemite. Uma pedra soltou-se, entalando a perna de Costa, que estava a pouco mais de três mil metros de altitude. Duas pessoas que estavam na área viram o jovem e chamaram ajuda. Acabou evacuado num helicóptero e levado para o hospital em estado crítico. A sua vida foi salva, mas os médicos tiveram de amputar a perna.

Adrien Costa, agora com 21 anos, era visto como um dos talentos emergentes no ciclismo americano, contando com duas medalhas de prata nos Mundiais, na especialidade de contra-relógio, como júnior. Somou vários pódios em corridas por etapas, inclusivamente no Tour de l'Avenir, ou Volta a França do Futuro. Ainda a temporada de 2017 não ia a meio quando Costa anunciou que ia fazer uma paragem na carreira. Tinha regressado em Janeiro à então Axeon Hagens Berman depois de um estágio na Etixx-Quick Step. Mas precisou de parar.

Costa queria reencontrar o equilíbrio na sua vida, sendo uma decisão influenciada também pela morte de Chad Young, colega de equipa que sofreu uma queda violenta durante uma corrida, não resistindo aos ferimentos. Apesar do director, Axel Merckx, contar com ele para 2018, Adrien Costa ainda não estava preparado para regressar ao ciclismo.

Ao saber-se do acidente de alpinismo, a equipa que nunca deixou de apoiar o ciclista, difundiu a criação de um crowdfunding para ajudar Costa e a sua família com as despesas médicas. O objectivo eram cem mil dólares (cerca de 87 mil euros), mas a campanha já ultrapassou os 128 mil (112 mil euros) e continua activa (pode ver neste link). O mundo do ciclismo uniu-se para ajudar Adrien Costa e foram muitos os ciclistas e até as equipas, que contribuíram para o crowdfunding.

Sem surpresa, a imagem de Costa a andar de bicicleta teve uma enorme repercussão nas redes sociais, com mensagens de todo o mundo. Outra fotografia partilhada é do jovem atleta a praticar (em ambiente indoor) outra modalidade que tanto gosta: o alpinismo (tweet em baixo).

Mais um exemplo de auto-superação, não só física, mas também psicologicamente.

»»Promessa americana fica com uma perna amputada após acidente de alpinismo««

»»Fisioterapeuta recomendou a ciclista da Katusha-Alpecin a andar de bicicleta para ajudar na recuperação««

4 de dezembro de 2017

Axeon Hagens Berman vai subir de escalão

Gémeos Oliveira estiveram este ano na equipa, mas ainda se espera
por conhecer o futuro dos dois (Fotografia: Facebook Axeon Hagens Berman)
Era o objectivo para 2018 e foi confirmado pela UCI. A Axeon Hagens Berman vai subir ao escalão Profissional Continental, o que lhe permitirá ter acesso a corridas mais importantes. No entanto, a formação de Axel Merckx que tantos ciclistas tem colocado no World Tour, irá manter o seu foco em formar corredores sub-23. João Almeida é reforço confirmado na equipa americana, que este ano contou com os gémeos Oliveira e que anteriormente teve Ruben Guerreiro, um dos mais de 20 ciclistas que entretanto deu "o salto".

"As grandes e competitivas corridas são obviamente muito importantes para nós participarmos. O programa está mais forte que nunca e a subida irá dar-nos a oportunidade de estar em mais corridas durante o ano", salientou Axel Merckx. Este ano, a equipa ficou de fora da Volta à Califórnia, pois a corrida passou a pertencer ao calendário World Tour. Apesar da autorização para convidar equipas do terceiro escalão, a Axeon Hagens Berman ficou de fora. "Será um passo importante para o desenvolvimento do programa", salientou o director, que referiu ainda como foi decisivo a aposta dos patrocinadores.

Em 2018, a estrutura terá uma inversão no nome: Hagens Berman Axeon, passando a sociedade de advogados a ser o principal investidor. "A transformação da equipa enquanto está crescer é emocionante e nós estamos orgulhosos por sermos parceiros de uma equipa tão dedicada à excelência como nós somos", afirmou Steve Berman, um dos fundadores da sociedade de advogados.

A equipa foi criada em 2009, então como Trek-Livestrong. Com Axel Merckx na liderança, a estrutura tornou-se numa das mais importantes na formação de jovens ciclistas. Taylor Phinney foi dos primeiros a sair da equipa para o World Tour, mas muitos se seguiram: Jasper Stuyven, Alex Dowsett, Ian Boswell, George Bennett, Joe Dombrowski...  Em 2017, mais quatro "terminaram o curso": Chris Lawless vai para Sky, Neilsen Powless será reforço da Lotto-Jumbo, Logan Owen da EF Education First powered by Cannondale e Jhonatan Narvaez assinou pela Quick-Step Floors.

Até ao momento, a Axeon Hagens Berman confirmou apenas oito ciclistas para 2018, sete dos quais serão novas caras. O destaque vai para João Almeida. Depois de uma temporada na Unieuro Trevigiani-Hemus 1986, o corredor português de 19 anos dá um passo importante numa promissora carreira. Em 2016, com a camisola da Bairrada, Almeida dominou o escalão de juniores, conquistando os títulos nacionais e ganhando também a Volta a Portugal.

Além do português, Axel Merckx contratou ainda Mikkel Bjerg, dinamarquês campeão do mundo de contra-relógio em sub-23, Cole Davis, Zeke Mostov e Thomas Revard dos Estados Unidos, Jasper Philipsen (Bélgica) e Maikel Zijlaard (Holanda). Para já, só o americano William Barta renovou pelo que se mantém a expectativa quanto à continuidade de Ivo e Rui Oliveira que tinham assinado por um ano com mais um de opção.

»»O telefonema de Porte que evitou a reforma de Gerrans««

»»Rendição confirmada, mas não total««

12 de agosto de 2017

Equipa dos gémeos Oliveira quer subir de escalão em 2018

(Fotografia: Davey Wilson/Axeon Hagens Berman)
Axel Merckx realizou um trabalho excepcional em transformar a sua estrutura naquela que é considerada por muitos a melhor na formação de jovens ciclistas. Desde 2009 que 22 ciclistas deram o salto para o World Tour, depois de passarem pela Axeon Hagens Berman. Já teve nomes diferentes e em 2018 até deverá sofrer uma ligeira mudança para acompanhar uma ainda maior: Merckx vai concorrer a uma licença Profissional Continental. A equipa norte-americana quer subir de escalão para também assim ter mais possibilidade de participar noutro tipo de corridas, ainda que um dos principais objectivos é mesmo a nível interno. Este ano ficou de fora da Volta à Califórnia, sendo esta a principal competição do país e que em 2017 estreou-se no calendário World Tour.

Poderá ser uma boa notícia para os gémeos Oliveira. Ivo e Rui assinaram este ano pela Axeon Hagens Berman, com mais um de opção. Pelas exibições e evolução dos dois ciclistas de 20 anos, é possível que ambos permaneçam na equipa. Os gémeos nunca esconderam como consideram ter sido um passo muito importante na ainda curta carreira, tendo em conta como vários ciclistas conseguem mostrar-se ali e mudar-se para uma equipa do World Tour. Taylor Phinney, Lawson Craddock, Joe Dombrowski e Jasper Stuyven são quatro nomes da lista, de onde se destaca também um português: Ruben Guerreiro, actual campeão nacional de estrada e que este ano está na Trek-Segafredo.

"O investimento adicional do patrocinador irá permitir a equipa de continuar a sua tradição de formar jovens e ciclistas talentosos ao mais alto nível neste desporto. Colocar corredores neste nível [World Tour] continuará a ser o nosso objectivo. Acreditamos que este programa é único e importante para o futuro da modalidade", salientou Axel Merckx, no comunicado divulgado pela equipa. Ou seja, a aposta continuará a ser em ciclistas sub-23, com 60% a serem americanos, pois a estrutura continuará a ficar registada nos Estados Unidos.

Além da ambição de subir de escalão - a candidatura terá de ser aprovada pela UCI -, a equipa irá mudar de nome. Será uma troca: Hagens Berman Axeon. A firma de advogados passará a ser o principal patrocinador. Como já foi referido, um dos objectivos passará por regressar à Volta a Califórnia. Apesar de nos últimos anos vários ciclistas da equipa terem estado muito bem na corrida, tal não foi suficiente para convencer a organização a dar um convite à Axeon Hagens Berman em 2017. Ao pertencer agora ao calendário World Tour, as equipas Continentais nem deveriam ter acesso, contudo, a UCI autorizou a atribuição excepcional de dois convites. Nenhum foi para a formação de Axel Merckx.

No entanto, mais benefícios estarão à disposição se conseguir a licença do segundo escalão, além da Volta à Califórnia. A equipa vai apostando no calendário europeu, inclusivamente em Portugal, apesar de dar prioridade ao americano. Ao ser Profissional Continental poderá receber convites para competições mais importantes, o que será um salto qualitativo para os jovens que Merckx está a formar. Ou seja, pode começar a colocá-los mais cedo ao lado dos melhores ciclistas.

Se conseguir a licença, a futura Hagens Berman Axeon juntar-se-á às americanas UnitedHealthcare e Novo Nordisk, com a Rally Cycling - que esteve na Volta ao Algarve - a também ter intenções de seguir o mesmo caminho.

»»Gémeos Oliveira estão a mudar o ciclismo de pista em Portugal«

14 de julho de 2017

Colega dos gémeos Oliveira faz pausa na carreira

(Fotografia: Axeon Hagens Berman)
É considerado um dos maiores talentos americanos. Conquistou a Volta à Bretanha e soma pódios em algumas corridas prestigiantes para jovens ciclistas e também fez bons resultados frente à elite. No ano passado chegou a estagiar com a Quick-Step Floors (então Etixx-QuickStep), mas regressou à Axeon Hagens Berman para continuar a sua evolução antes de dar o que parecia ser o inevitável salto para o World Tour. Porém, Adrien Costa precisou de parar. Aos 19 anos, o californiano faz uma pausa na carreira até ao final da temporada. Cansado, Adrien Costa quer reencontrar o equilíbrio na sua vida. "Foi uma decisão muito difícil, mas penso ser a melhor opção para o meu desenvolvimento pessoal. Quero ter tempo para fazer outras coisas que sempre gostei e encontrar um novo equilíbrio entre o desporto que adoro e o resto da minha vida", lê-se no comunicado divulgado pela equipa.

Adrien Costa é colega dos gémeos Ivo e Rui Oliveira e nos Estados Unidas as expectativas são enormes para o jovem ciclista. No entanto, este ano não tem sido fácil, por razões que vão além dos resultados desportivos. Em Abril, uma queda durante uma corrida acabou por ser fatal para Chad Young. Costa correu pelo última vez dias antes da trágica notícia, no G.P. Palio del Recioto, não tendo terminado a prova. Young tinha apenas 21 anos. Pouco tempo depois a Axeon Hagens Berman voltou a ser abalada por mais uma morte. Sean Weide, o responsável pela comunicação, era um homem que tinha uma grande proximidade com os ciclistas e que vivia intensamente a modalidade.

No comunicado não são especificadas as razões para a pausa. "Sonho em alcançar tanto no ciclismo, mas na minha idade é importante lembrar-me que tenho o tempo do meu lado e que o pior seria apressar e ficar farto antes de estar pronto [para ser profissional]", explicou Adrien Costa. O americano referiu que irá estudar e viajar pela Europa e aproveitar o tempo para preparar o futuro. "Posso alcançar tanto, não apenas no ciclismo, mas na vida em geral. Quero ter a certeza que faço as escolhas certas nesta fase da minha carreira", salientou. Acrescentou que quer regressar ao ciclismo quando se sentir pronto.

Adrien Costa está no segundo ano com a Axeon Hagens Berman, equipa que tem como responsável Axel Merckx, conhecido por treinar muitos ciclistas que acabam por chegar ao World Tour. Costa esteve este ano em Portugal, na Volta ao Alentejo. Foi 11º na geral, quinto na juventude e ajudou a formação a conquistar a classificação por equipas.

15 de janeiro de 2017

Rui Oliveira: "A Axeon Hagens Berman é uma equipa que nos ajudará a todos os níveis para que cheguemos ao patamar mais alto do ciclismo"

Rui Oliveira está no estágio da equipa na Califórnia
(Fotografia: Axeon Hagens Berman)
As expectativas são enormes. E com razão. Os gémeos Oliveira deram um salto de gigante na carreira que os pode colocar no caminho rumo ao mais alto nível do ciclismo. Talento não lhes falta, agora há que continuar o trabalho de adaptação à estrada, depois do sucesso alcançado na pista. Dificilmente poderiam estar numa melhor equipa. A Axeon Hagens Berman tem um historial invejável de colocar ciclistas no World Tour e um dos mais recentes foi precisamente um português. Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) é agora considerado um dos jovens a seguir em 2017. Rui e Ivo Oliveira têm potencial para lá chegar, mas há muito a fazer, principalmente para Rui, que devido a uma queda e uma operação mal feita em 2016, passou parte do ano em recuperação e ainda está a tentar reencontrar-se com a melhor forma. O agora seu director desportivo, Axel Merckx, quer que Rui faça a sua recuperação com calma, o que está a ajudar a dar muito confiança ao jovem, que acredita que escolheu a equipa certa para chegar ao topo.

"Só tenho que lhe agradecer pela compreensão que tem tido comigo. Tem-me dito para não apressar a recuperação e levar as coisas com calma porque a época é longa e tenho muitas corridas pela frente. Isso, obviamente deixa-me mais tranquilo e com vontade de retribuir a confiança", referiu Rui Oliveira ao Volta ao Ciclismo. O ciclista de 20 anos está na Califórnia a realizar o seu primeiro "campo de treino" com a Axeon Hagens Berman, mas em breve poderemos vê-lo em Portugal com a nova equipa, já que poderá participar na Volta ao Alentejo, se estiver em condições físicas para tal.

Para 2017, Rui Oliveira deseja que o ano lhe "traga menos azares". "Tendo a oportunidade de ingressar no estrangeiro, numa das melhores equipas de formação do mundo, quero evoluir o máximo que conseguir, tanto como ciclista, como pessoa", salientou.


"Neste momento só me resta recuperar a 100%. Tenho estado a fazer tudo o que posso para melhorar rapidamente e bem, para quando voltar a correr não me sentir muito mal"

Mas vamos recuar àquele dia de 28 de Maio, no Tour de Gironde, em França e que passados tantos meses continua a marcar a preparação do jovem ciclista. Rui Oliveira não conseguiu desviar-se de uma queda que ocorreu à sua frente, numa descida, em estrada molhada devido à chuva, e embateu "com força o fémur no chão". "Ainda me tentei levantar para seguir, mas não consegui e aí percebi que algo estava mal... Tive que ser operado no dia a seguir em França. Assim foi e voltei passado uns dias para Portugal", recordou. No entanto, o pior não tinha passado: "Cerca de três meses depois continuava a sentir enormes dores na zona da virilha, o que não era normal. Fiz um TAC e os médicos viram que a operação que me fizeram em França não ficou bem feita e só conseguiria ficar bem se fosse operado novamente."

À segunda ficou tudo bem feito e Rui Oliveira agradece à equipa de Espregueira Mendes por ter permitido que pudesse voltar a concentrar-se numa verdadeira recuperação e treinar para estar de novo ao seu melhor. "Neste momento só me resta recuperar a 100%", realçou. Porém, estamos em Janeiro e o ciclista disse ter a "plena noção que a preparação está atrasada e que estes primeiros meses serão difíceis". "Tenho estado a fazer tudo o que posso para melhorar rapidamente e bem, para quando voltar a correr não me sentir muito mal."

Apesar desta situação, Rui Oliveira está muito motivado, afinal está numa equipa que o permite sonhar muito alto e a receber o apoio necessário para ultrapassar uma fase complicada. "Basta ver que alguns dos melhores ciclistas do mundo na actualidade passaram pela 'escola' do Axel [Merckx]. Penso que é uma equipa que nos ajudará a todos os níveis para que cheguemos ao patamar mais alto do ciclismo", salientou.

Passagem da pista para a estrada... mas sem abandonar a pista

Depois dos gémeos Oliveira terem alcançado os melhores resultados na pista para Portugal, o desejo agora é vingar na estrada. Porém, Rui Oliveira afirmou que irá, sempre que possível, continuar a conjugar as duas vertentes e Axel Merckx já havia confirmado que o calendário dos gémeos será dividido entre a pista e a estrada. "Naturalmente que o meu foco principal estará na estrada, mas gostaria de continuar a fazer pista. Não com a regularidade que tenho feito até aqui, mas pelo menos as competições mais importantes, como europeus e mundiais, se assim for compatível, porque adoro mesmo competir na pista a esse nível", confessou.


"Sou uma pessoa que gosta de desafios e de mostrar o meu valor"

Rui Oliveira frisou que se sente preparado para enfrentar outro nível de ciclismo e apostar nesta passagem da pista para a estrada. "Sou uma pessoa que gosta de desafios e de mostrar o meu valor. No ano de 2016 estava muito confiante na estrada - até mais do que na pista - e os resultados estavam a aparecer. Portanto, acredito que tenho o potencial para fazer a passagem para a estrada, sabendo das dificuldades, tendo em conta o que se passou", explicou.

As primeiras pedaladas rumo a um outro nível do ciclismo já começaram na Califórnia e claro que, como qualquer outro jovem ciclista, Rui Oliveira tem os seus sonhos. Estar entre a elite na Volta a Flandres é um dos seus objectivos, mas também fazer a Volta a França. "Esta última mais pelo mediatismo que a envolve." No entanto, ainda está a descobrir-se como ciclista: "Com o passar do tempo irei perceber o que se encaixa melhor nas minhas características, mas do que tenho feito, gosto de fazer corridas por etapas."

A pressão é algo com que Rui terá de viver, mas não parece preocupado, muito pelo contrário, revela confiança. "Sendo esta uma das melhores equipas de formação é normal sentir alguma pressão. Sei que tenho valor e quero demonstrar isso para o Axel e para todos aqueles que acreditam em nós. É normal querer que as coisas resultem da melhor maneira, vamos ver agora como seguirão as coisas", afirmou.


"Ele [Ruben Guerreiro] reforçou que nós estamos bem entregues e que se levarmos tudo a sério as coisas vão correr bem"

Nos últimos dois anos Ruben Guerreiro evoluiu na Axeon Hagens Berman e Rui Oliveira falou com o ciclista que agora está na Trek-Segafredo, equipa que conta com John Degenkolb, Alberto Contador, Bauke Mollema e outro português, André Cardoso. "Ele reforçou que nós estamos bem entregues e que se levarmos tudo a sério as coisas vão correr bem. Disse-me também que é uma equipa com um grande ambiente e com excelentes pessoas, o que torna o nosso trabalho muito mais fácil", referiu.

Rui Oliveira deixou ainda um sentido agradecimento a Ruben Guerreiro: "Agradeço ao Ruben pelo que fez na equipa e pelo que tem feito, porque sendo ele o corredor que é e tendo alcançado o que alcançou na Axeon, abriu de certa forma as portas para mim e para o Ivo."

»»Axel Merckx: "Os gémeos Oliveira são jovens muito talentosos. Só precisam de passar esse talento da pista para a estrada"««

29 de dezembro de 2016

Axel Merckx: "Os gémeos Oliveira são jovens muito talentosos. Só precisam de passar esse talento da pista para a estrada"

(Fotografia: Facebook Axel Merckx)
Pela equipa de Axel Merckx têm passado muitos jovens talentos do ciclismo, que encontram na Axeon Hagens Berman e na orientação do director desportivo um caminho para o World Tour. São vários aqueles que chegaram aos mais alto nível depois de passarem pela formação americana de Merckx, sendo o caso mais recente um português: Ruben Guerreiro. E em 2017 será a vez de duas das maiores promessas do ciclismo nacional terem a oportunidade que lhes poderá ajudar (e muito) na sua carreira. Os gémeos Oliveira já estavam a ser seguidos por Merckx há alguns anos e o belga tem esperança que possam mostrar na estrada, toda a qualidade que já demonstraram na pista.

"[Os gémeos Oliveira] são jovens muito talentosos. Só precisam de passar esse talento da pista para a estrada. É isso que esperamos", explicou Axel Merckx ao Volta ao Ciclismo. O director desportivo referiu que a evolução e Ivo e Rui Oliveira irá depender da "adaptação que tiveram na estrada e de como irão conseguir ser consistentes em algumas das grandes corridas". O primeiro grande teste irá acontecer no estágio da equipa, principalmente para Ivo Oliveira, já que o irmão ainda está em fase de recuperação de uma fractura na perna. "Vamos ver como está a resistência do Ivo. Sabemos que ele tem um grande motor e o talento para andar muito rápido. Agora vamos ver como ele reage a um estágio duro", salientou.

Os gémeos têm apenas 20 anos e Axel Merckx ainda considera ser uma incógnita em que tipo de ciclistas podem tornar-se: "Eles deverão ser bons contra-relogistas e têm e devem ter bons resultados nos contra-relógios. Mas não posso ter a certeza. Teremos de esperar para ver o que eles vão fazer esta época e nos próximos anos." Apesar de ter esperança que os gémeos transfiram todo o talento que têm para a estrada, Merckx deixa o aviso que "ter talento não chega". "Têm de ter o motor para terminar e ter sucesso na estrada. Tiveram alguns resultados na estrada em Portugal, mas agora vão para um nível completamente diferente. Vamos ver como eles dão esse salto. Vamos ter de os analisar nos treinos e veremos também como recuperam após cada grande corrida", realçou.

Merckx afirmou que já se sabe que os gémeos têm o talento para andar rápido "em eventos curtos de perseguição", referindo-se aos bons resultados que obtiveram em corridas de perseguição, scratch e omnium, na pista: "Agora é passar isso para a estrada com um pouco de resistência."


"Tiveram alguns resultados na estrada em Portugal, mas agora vão para um nível completamente diferente. Vamos ver como eles dão esse salto. Vamos ter de os analisar nos treinos e veremos também como recuperam após cada grande corrida"

Em 2013, Rui Oliveira conquistou a medalha de prata em scratch, nos Europeus de juniores e no ano seguinte ficou com medalha de bronze nos Mundiais, em scrach e madison. Também em 2014 o seu irmão, Ivo, comprovou que se estava perante gémeos de talento: tornou-se no primeiro português a conquistar uma medalha de ouro em pista, sagrando-se campeão europeu em perseguição individual e fez ainda melhor ao ser campeão do mundo nesse mesmo ano.

A Axeon Hagens Berman vai começar a temporada na Volta ao Alentejo. Merckx explicou que o início do ano dos gémeos também passará pela pista. "O Ivo vai fazer algumas corridas com a selecção nacional. O Rui também o poderá fazer, dependendo de como está a recuperar e de como reagir no estágio. A expectativa é que ele se mostre um pouco mais tarde na temporada nas grandes corridas europeias. Tudo dependerá de como responderem à carga de trabalho."

Elogios a Ruben Guerreiro

Axel Merckx trabalhou os últimos dois anos com Ruben Guerreiro. O português tornou-se num dos cerca de 30 ciclistas que saltaram da equipa de Merckx para o World Tour e o director desportivo não tem dúvidas: "Ele é um dos maiores talentos que está aí." O belga afirmou que será necessário continuar a trabalhar para o ciclista "manter a consistência durante toda a época". Porém, recordou que Guerreiro teve algumas lesões, sendo necessário garantir que o português recupera devidamente desses problemas para que não se repitam. "Ele deu sinais de ser um pouco frágil, mas isso não faz mal. Ele irá aprender a viver como um ciclista profissional e perceber que entrar no World Tour não é suficiente. Ele terá de evoluir e ficar mais forte. Mas ele consegue fazê-lo. Ele é muito talentoso", frisou.

Merckx atento ao ciclismo nacional

Filho daquele que é considerado um dos melhores ciclistas de sempre, Eddy Merckx, Axel (44 anos) tornou-se num dos melhores directores desportivos na formação de jovens, depois de uma carreira de 14 anos como ciclista. Joe Dombrowski e Alex Dowsett são dois nomes importantes no ciclismo actual que trabalharam com Merckx quando eram sub-23. O belga tem sido exímio na captação de jovens talentos e confirmou estar atento aos que vão surgindo em Portugal. "É um daqueles países onde há muito talento cru [por trabalhar]. É uma questão de os encontrar e dar-lhes a oportunidade para competir em corridas mais importantes. [Rui Costa e Nelson Oliveira] provaram que há talento [em Portugal]. Há apenas que lhes dar a oportunidade para se mostrarem."

Merckx disse ainda que não é um problema o ciclismo não ser o desporto mais importante em Portugal, pois considera que a federação está a trabalhar muito para o desenvolvimento dos jovens ciclistas: "Isso ajuda-nos a conseguir vê-los e contratá-los para lhes proporcionar um calendário melhor e um nível mais elevado."

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9 de dezembro de 2016

Gémeos Oliveira assinam pela equipa de Axel Merckx

Gémeos têm 20 anos (Fotografia: Facebook de Ivo Oliveira)
É um passo muito importante na carreira dos gémeos Oliveira, dois dos maiores talentos portugueses, com provas dadas na pista e também a cada vez mais a mostrarem-se na estrada. Ivo e Rui vão representar a Axeon Hagens Berman, equipa de atletas sub-23, liderada por Axel Merckx, conhecida pelo enorme sucesso que tem em colocar ciclistas directamente no World Tour, o último dos quais precisamente um português. Ruben Guerreiro esteve dois anos na formação americana e assinou pela Trek-Segafredo para 2017 e 2018. Vai competir ao lado de Alberto Contador e John Degenkolb, entre outras estrelas do ciclismo mundial, não esquecendo o compatriota André Cardoso.

Primeiro foi Rui Oliveira a dar nas vistas. Em 2013 conquistou a medalha de prata em scratch, nos Europeus de juniores e no ano seguinte ficou com medalha de bronze nos Mundiais, em scrach e Madison. Também em 2014 o seu irmão, Ivo, comprovou que se estava perante gémeos de talento. E Ivo não fez por menos: tornou-se no primeiro português a conquistar uma medalha de ouro em pista, sagrando-se campeão europeu em perseguição individual, subindo a parada ao ser campeão do mundo nesse mesmo ano.

Com o ciclismo português a ter pouca tradição em pista, os gémeos Oliveira deram visibilidade ao trabalho que tem sido feito nos últimos anos, mas na Liberty Seguros/Carglass foram fazendo a adaptação à estrada e com resultados promissores. Ivo Oliveira chegou mesmo a ser convocado para os Mundiais no Qatar e esteve antes nos Europeus em França.

Aos 20 anos, Rui e Ivo conseguem a oportunidade sonhada por muitos. Axel Merckx - filho daquele que é considerado um dos melhores ciclistas de sempre, Eddy Merckx (para alguns é mesmo o melhor de sempre) - consolidou-se como um director desportivo de grande talento para formar jovens ciclistas. Desde 2009 que cerca de 30 corredores "saltaram" directamente da sua equipa para o World Tour, casos de Alex Dowsett (está na Movistar depois de passar pela Sky) e Joe Dombrowski (actualmente na Cannondale-Drapac, mas também foi a Sky quem o foi buscar).

A Axeon Hagens Berman cumpre um calendário não só na América do Norte, mas também traz os seus ciclistas até à Europa. Ruben Guerreiro, por exemplo, venceu este ano o G.P. Palio del Recioto, em Itália.

Os gémeos são duas das oito contratações feitas para 2017. Além dos portugueses, chegam à Axeon Hagens Berman os americanos Edward Anderson, Christopher Blevins e Ian Garrison, o britânico Chris Lawless, o australiano Michael Rice e o equatoriano Jhonnatan Narvaez. No entanto, há ainda que salientar regressos importantes, como é o caso de Adrien Costa, ciclista de 19 anos visto como uum atleta com um tremendo potencial e que esteve nos últimos meses a estagiar na Etixx-QuickStep. Contudo, irá cumprir pelo menos mais um ano às ordens de Axel Merckx.

"O nosso objectivo sempre foi ajudar a próxima geração de ciclistas profissionais. Estou confiante que os corredores que regressam vão adaptar-se bem com os promissores novos ciclistas que temos", salientou Merckx, no comunicado divulgado no site da equipa.

Formação da Axeon Hagens Berman para 2017: Edward Anderson (EUA), Will Barta (EUA), Christopher Blevins (EUA), Jonny Brown (EUA), Adrien Costa (EUA), Geoffrey Curran (EUA), Eddie Dunbar (Irl), Ian Garrison (EUA), Chris Lawless (GB), Jhonnatan Narvaez (Equ), Ivo Oliveira (Por), Rui Oliveira (Por), Logan Owen (EUA), Neilson Powless (EUA), Michael Rice (Aus), Chad Young (EUA).

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1 de abril de 2016

Ruben Guerreiro a confirmar expectativas

A questão sobre Ruben Guerreiro é: até onde pode ir este ciclista? Tem apenas 21 anos, mas não restam dúvidas que qualidade não lhe falta e provavelmente encontrou uma das melhores equipas para evoluir, a Axeon Hagens Berman, dirigida por Axel Merckx.

Filho de Eddy Merckx, é como director desportivo da equipa de sub-23 (que ao longo dos anos foi tendo diferentes patrocinadores) que Axel Merckx mais se tem destacado, pois devido ao seu trabalho vários ciclistas têm encontrado o caminho até equipas do World Tour. Como por exemplo, Joe Dombrowski (foi para a Sky e está actualmente na Cannondale), Ian Boswell (Sky), Lawson Craddock (contratado pela Giant-Shimano, representa agora a Cannondale) e talvez o mais conhecido seja Taylor Phinney (BMC).

Merckx tem mantido, com maior ou menor dificuldade, o projecto vivo. O director desportivo já afirmou que o objectivo é ajudar os jovens a evoluir, dando-lhes liberdade para decidirem que rumo querem dar à carreira. O seu trabalho é amplamente reconhecido, mesmo pelas equipas World Tour que têm os seus próprios projectos de formação.

Em 2014, Ruben Guerreiro venceu a Volta a Portugal do Futuro e acabou a ser contratado pela Axeon. No ano passado venceu o GP Liberty Seguros e foi vice-campeão nacional na categoria de sub-23. Na terça-feira, 29 de Março, o ciclista português teve a sua primeira grande vitória internacional, na prova italiana GP Palio del Recioto (143,2 quilómetros). Guerreiro esteve na fuga do dia de 16 ciclistas e acabou numa luta a dois com o checo Michal Schlegel. Venceu ao sprint.



Foi o primeiro triunfo individual da equipa em 2016, ao que se junta o primeiro lugar por equipas na Volta ao Alentejo. E como curiosidade, foi também a primeira vitória portuguesa numa prova estrangeira este ano. Axel Merckx elogiou Ruben Guerreiro e a equipa pelo triunfo: "Continuamos no caminho certo, não apenas o Ruben, mas a equipa toda têm estado muito forte."

Depois da Volta a Portugal do Futuro, Guerreiro mostra que também se adapta às corridas de um dia. E agora é esperar, pois este é um nome que o ciclismo português vai certamente ouvir mais vezes.