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9 de maio de 2021

João Rodrigues: do sorriso de um dia de azul à conquista de uma amarela histórica

© Volta ao Algarve
Em 2018, João Rodrigues subiu ao pódio da Volta ao Algarve no final da primeira etapa, em Lagos, para vestir a camisola azul da montanha. Então, o ciclista da W52-FC Porto havia integrado a fuga e garantiu um momento que então marcava a sua carreira. O sorriso não enganava o quanto estava orgulhoso por estar ali, ainda mais a correr na sua região. Numa conversa realizada mais tarde com o algarvio, Rodrigues admitiu o quanto aqueles minutos haviam sido especiais, mesmo que no dia seguinte tenha perdido a camisola. Foi só o início...

Naquela altura, João Rodrigues estava a crescer dentro da equipa. Estava a ser preparado para outros voos. Trabalhava o contra-relógio e aprimorava as suas capacidades na montanha. Era um gregário, mas na W52-FC Porto já era visto como um potencial vencedor. Em 2019, o jovem ciclista que havia dado as primeiras pedaladas no Tavira, afirmou-se definitivamente na equipa nortenha.

Começou por vencer a Volta ao Alentejo. Mas uma vez, custava-lhe acreditar no que havia alcançado, enquanto celebrava em Évora. A sua primeira vitória havia chegado precisamente no contra-relógio que tanto andava a trabalhar e garantiu depois a geral. Não esquecer que estamos a falar de uma corrida que também é de categoria internacional.

Nesse mesmo ano, João Rodrigues acabou a ser o líder na Volta a Portugal. Numa das edições mais disputadas em tempos recentes, mais uma vez foi no contra-relógio, na última etapa, que selou a vitória. Antes subiu a Torre para vencer. Para as equipas lusas, a Volta é o topo. Mas afinal, Rodrigues ainda não o tinha atingido quando há uma prova que é a de escalão mais alto que se realiza no nosso país. A Volta ao Algarve é ProSeries (segunda categoria, apenas abaixo das competições World Tour).

W52-FC Porto ao ataque no Malhão
© Volta ao Algarve
Em 2020, Rodrigues foi de extrema importância na vitória de Amaro Antunes na Volta, mas foi este domingo, 9 de Maio de 2021, que João Rodrigues escreveu uma história que atravessou fronteiras. Numa Volta ao Algarve dominada pelas grandes equipas em tempos recentes, com nomes como Remco Evenepoel, Tadej Pogacar, Primoz Roglic, Geraint Thomas, Alberto Contador a ganhar... vencer esta corrida tem sido uma miragem para quem está numa equipa portuguesa.

Se há um ano a Volta ao Algarve foi um dos últimos momentos de normalidade que se viveu, em 2021 nem conseguiu realizar-se no seu habitual calendário de Fevereiro. O pelotão foi diferente, mas nem por isso sem ciclistas de alto nível e/ou jovens talentos à procura de afirmação. A Ineos Grenadiers teve Ethan Hayter perto de alcançar a sua primeira grande conquista, a Deceuninck-QuickStep quis repetir a dose de Evenepoel com Kasper Asgreen, simplesmente o vencedor da Volta a Flandres.

A W52-FC Porto, que até tem sido das equipas portuguesas aquela que mais se mostra no Algarve - Amaro Antunes venceu no Malhão em 2017 -, apareceu com vontade de disputar a geral. João Rodrigues surgiu em excelente forma. Em Portugal ainda pouco se competiu, mas na equipa dirigida por Nuno Ribeiro preparou-se a participação com ambição a Algarvia. Rodrigues foi batido na Fóia por Hayter que depois viria a cair no contra-relógio de Lagoa. Ainda assim, ganhou 12 segundos ao português. Desta vez, o esforço individual não foi fonte do sucesso para Rodrigues, mas tudo ficou em aberto para a etapa do Malhão.

Asgreen, a 21 segundos, assumia que ia tentar a vitória. A W52-FC Porto sabia que estava perante uma oportunidade única de vencer uma corrida que é tão apreciada por equipas World Tour.

Hayter, debilitado pelas mazelas da queda, foi protegido pela Ineos Grenadiers até que a dois quilómetros da meta o britânico cedeu, quando a equipa portuguesa já havia acelerado e Rodrigues atacava. Asgreen até tinha sido quem tinha aberto as hostilidades a 15 quilómetros do fim. A Deceuninck-QuickStep colocou na fuga o sprinter Sam Bennett e o seu lançador Michael Morkov. Foram úteis a Asgreen, contudo, foi a táctica da W52-FC Porto, uma equipa Continental (terceiro escalão) que deu frutos.

© Volta ao Algarve
A equipa controlou as formações adversárias e só se mexeu com o Malhão à vista. Excelente o trabalho que João Rodrigues terminou exemplarmente. Foi novamente segundo na etapa, mas deixou Hayter a nove segundos e Asgreen a 28. Élie Gesbert (Arkéa Samsic) venceu a etapa, mas a principal festa foi portuguesa. Há 15 anos que tal não acontecia. Desde 2006 que um ciclista luso não vencia. Então foi João Cabreira o vencedor, com Hugo Sabido a triunfar no ano anterior. Depois sucederam-se nomes de corredores que estão entre os melhores do mundo.

Rodrigues acreditou até ao fim e claro que é ainda mais especial ser um algarvio vencer a "sua" corrida. Entre as competições internacionais com história que se realizam em Portugal, só lhe fica a faltar o Troféu Joaquim Agostinho. Aos 26 anos construiu já um currículo invejável.

© Volta ao Algarve
Mas há mais sucesso em português

Ficou um pouco ofuscado pela vitória de João Rodrigues, mas houve outro português a celebrar. Luís Fernandes saiu do top dez após um fraco contra-relógio, mas foi para a fuga do dia e somou os pontos suficientes na montanha para garantir a camisola azul. Também ele teve direito a estar no pódio final, numa conquista importante para a Rádio Popular-Boavista, equipa que este ano quis igualmente mostrar-se mais na Volta ao Algarve.

Rafael Reis (Efapel) foi segundo no contra-relógio, Iúri Leitão (Tavfer-Measindot-Mortágua) foi quinto no sprint de Portimão... os portugueses souberam tirar partido de uma Volta ao Algarve com condições excepcionais para terem uma projecção internacional que, por cá, só a Algarvia lhes dá.

Foi uma Volta ao Algarve que trouxe uma emoção diferente perante a forma de João Rodrigues. A oportunidade estava lá e o algarvio não a desperdiçou!

De referir que Sam Bennett venceu a classificação dos pontos (camisola verde), enquanto o americano Sean Quinn (Hagens Berman Axeon) juntou a camisola branca da juventude, à vitória na semana anterior na Clássica da Arrábida. A W52-FC Porto venceu por equipas.

O ciclismo nacional volta à estrada já no próximo fim-de-semana com o Grande Prémio O Jogo (sábado e domingo), enquanto por Itália as atenções centram-se em João Almeida (Deceuninck-QuickStep) e ainda em Rúben Guerreiro (EF Education-Nippo) e Nelson Oliveira (Movistar), o trio de portugueses no Giro.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

»»Asgreen recordista. Hayter caiu mas continua de amarelo. João Rodrigues mantém sonho vivo««

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8 de maio de 2021

Asgreen recordista. Hayter caiu mas continua de amarelo. João Rodrigues mantém sonho vivo

© João Calado
Enquanto se ia assistindo ao recorde de Remco Evenepoel no percurso de contra-relógio em Lagoa a ser batido não por um, nem por dois, mas por três ciclistas, a luta pela geral parecia que iria ser apenas uma questão de perceber quantos segundos ficariam a separar os primeiros e se alguém entraria ou sairia da luta pela amarela. Mas, uma queda de Ethan Hayter assustou a Ineos Grenadiers, enquanto na W52-FC Porto poderia estar em aberto a possibilidade de João Rodrigues ficar com a camisola amarela antes da etapa decisiva do Malhão. Por um lado percebeu-se que o algarvio está bem ciente que está perante uma oportunidade que pode ser única, por outro conheceu-se um pouco mais do carácter de Hayter.

O britânico estava a realizar um bom contra-relógio e pedalava para uma possível diferença que lhe desse mais tranquilidade no Malhão, este domingo. Recorde-se que este sábado, antes do contra-relógio, três ciclistas estavam empatados em tempo (Hayter, Rodrigues e Jonathan Lastra, da Caja Rural). Porém, numa curva, perdeu o controlo da bicicleta e caiu. Teve de trocar de "máquina", mas lá seguiu caminho, com tempo precioso perdido e um corpo mal-tratado.

João Rodrigues dava o tudo por tudo para minimizar possíveis perdas, ou então conseguir mesmo superiorizar-se Hayter. Com a queda do britânico, a segunda hipótese ficou ainda mais perto de se tornar realidade. Mas foi aqui que se assistiu como este jovem ciclista tem perfil de vencedor. Não foram quilómetros fáceis, mas superou dores e certamente a frustração de ter caído para cortar a meta com um tempo melhor que Rodrigues.

A amarela continua com Hayter, mas como estará o ciclista este domingo? Depois de Richie Porte, Geraint Thomas e Michal Kwiatkowski, a Ineos Grenadiers procura vencer a Algarvia com um ciclista em que aposta para o futuro. Rodrigues vive um momento que, tendo em conta o pelotão que normalmente está na corrida quando esta se realiza em Fevereiro, poderá não estar tão cedo numa situação tão privilegiada como esta. E Kasper Asgreen quer contribuir ainda mais para o domínio da Deceuninck-QuickStep.

© João Calado
O dinamarquês venceu o contra-relógio, mas teve de se aplicar bastante. Era o seu objectivo, mas quando partiu, já sabia que Benjamin Thomas tinha batido o recorde do percurso que Remco Evenepoel estabeleceu em 2020 (24:07 minutos). O francês da Groupama-FDJ fez 24:01.

Depois uma surpresa, mas só para quem não conhece Rafael Reis. É um especialista do contra-relógio e apareceu em grande forma. Este ano mudou-se para a Efapel e no Algarve deixou Thomas sem a possibilidade de vitória. Completou os 20,3 quilómetros em 23:55. Estava mais perto um triunfo português, algo que não acontece desde que Amaro Antunes venceu no Malhão, em 2017.

Kasper Agreen estragou a festa. O dinamarquês fez 23:52 minutos e reentrou na luta pela geral, sendo agora terceiro a 21 segundos, recuperando mais de um minuto para Hayter. Rodrigues ficou a 12, enquanto Lastra ficou mais longe, a 42.

Este triunfo significa que são três vitórias em quatro etapas da Deceuninck-QuickStep, que ainda tem Sam Bennett com a camisola verde virtualmente garantida (só precisa de terminar este domingo), depois da pontuação máxima que somou com os sprints que ganhou em Portimão e Tavira. Falta agora ver se Asgreen não vai tentar a amarela e suceder ao colega de equipa, Evenepoel.

Thibault Guernalec (Arkéa Samsic) - um ciclista que já participou na Volta a Portugal - também de um salto na classificação, sendo agora quatro, a 22 segundos de Hayter.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

5ª etapa: Albufeira-Malhão (170,1 quilómetros)


Com a geral em aberto, o pelotão irá este domingo enfrentar a subida do Malhão, que só será feita uma vez. Etapa curta (170,1 quilómetros), com início em Albufeira, e que terá muito sobe e desce. Só na fase final do dia, os ciclistas terão uma sucessão de subidas exigentes, antes da escalada do Malhão (2,6 quilómetros com inclinação média de 9,2%). As restantes subidas estão colocadas em Vermelhos (3,2 km a 5,9%, a 43,1 km da chegada), Ameixeiras (1 km a 14%, a 32,2 km da meta) e Alte (2,1 km a 5%, a 14 km do final). Antes desta sequência, ainda haverá duas subidas de terceira categoria. Para aquecer!

A única certeza para o final desta 47ª edição da Volta ao Algarve é que quem a conquistar fá-lo-á pela primeira vez. E como curiosidade, se João Rodrigues o conseguir, será o primeiro português desde João Cabreira, que ganhou em 2006.

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Ganna, aquela máquina. Almeida começa forte

© Tim de Waele/Getty Images/Deceuninck-QuickStep
João Almeida não perdeu tempo em entusiasmar ainda mais os adeptos portugueses, meses depois de ter deixado um país apaixonado pela camisola rosa. Logo no primeiro dia da Volta a Itália mostrou que está mais do que focado em estar na luta pela geral. Desta feita, apresenta-se como candidato desde a partida e começou novamente com um forte contra-relógio, ainda que tenha sido apenas de 8,6 quilómetros em Turim. Ficou a 17 segundos daquele que é "apenas" o campeão do mundo e que tem ganho quase todos os contra-relógios que faz.

Filippo Ganna (Ineos Grenadiers) repetiu a dose de 2020. No último Giro venceu os três contra-relógios da prova e agora soma nova vitória e veste outra vez a camisola rosa. Bateu outro italiano forte na especialidade. Edoardo Affini fez mais 10 segundos, mas tirou o chapéu (literalmente) à exibição do compatriota. Porém, a Jumbo-Visma não saiu completamente desiludida de Turim. Tobias Foss tem apenas 23 anos, mas já um potencial reconhecido, para o qual contribuiu ganhar o Tour de l'Avenir em 2019.

Apesar de George Bennett ser, na teoria, o líder da Jumbo-Visma, perder 41 segundos, enquanto Foss somou apenas mais 13 que Ganna, deixa o norueguês numa boa posição inicial para poder ser também ele uma aposta.

E dos potenciais candidatos a lutar pela geral, Foss foi o único que bateu João Almeida. "Obtive um resultado melhor do que tinha pensado.  É uma excelente forma de começar a corrida. É um tipo de resultado que te dá uma importante dose extra de motivação", referiu o ciclista, citado pela Deceuninck-QuickStep.

Além de João Almeida, a equipa belga viu ainda Rémi Cavagna ser quinto, a 18 segundos - o campeão francês queria ganhar o contra-relógio - e Remco Evenepoel em sétimo, a 19 segundos. O regresso do belga foi um dos momentos do dia. "Ter três ciclistas no top 10 é excelente para a equipa", afirmou Almeida, numa altura que muito se vai começar a falar da forma física de Evenepoel.

Apesar de surgir com o dorsal um da equipa, a sua longa ausência da competição devido a uma grave queda na Lombardia, levanta dúvidas quanto à sua condição. Evenepoel começou bem, mas os verdadeiros testes chegarão com a montanha. Para João Almeida é ainda mais importante arrancar como o melhor da Deceuninck-QuickStep para que possa reclamar o estatuto de número um na equipa neste Giro.

Quanto aos outros dois portugueses em prova, Nelson Oliveira (Movistar) é um especialista no contra-relógio, mas este de Turim não era nada que pudesse beneficiar as suas características. Terminou a 29 segundos de Ganna, com Ruben Guerreiro (EF Education-Nippo) a perder 47.

Na perspectiva de João Almeida, o ciclista das Caldas da Rainha ganhou tempo aos rivais, com Aleksandr Vlasov (Astana) a ser o melhor, a 24 segundos de Ganna. Egan Bernal fez mais 39 segundos do que o companheiro de equipa e Jai Hindley (DSM), que no Giro passado esteve perto de ganhar a corrida, tem 46 segundos de atraso. Mikel Landa (Bahrain-Victorious), que assumiu que a Volta a Itália é para ganhar, pode dizer que nem foi dos seus piores contra-relógios, tendo 49 segundos para recuperar para Ganna, que não será um adversário directo.

2ª etapa: Stupinigi (Nichelino)-Novara (179 quilómetros)



6 de maio de 2021

Ethan Hayter, mais um jovem ciclista a conquistar o Alto da Fóia

© João Fonseca Photographer
Ethan Hayter. 22 anos, um dos novos rostos da Ineos Grenadiers e o mais recente jovem a ganhar no Alto da Fóia. Tadej Pogacar e Remco Evenepoel foram os dois últimos vencedores. Agora junta-se o britânico - que chegou ao Algarve com bem menos mediatismo que os seus antecessores - confirmando a tendência recente de esta subida agradar aos mais novos do pelotão World Tour. Será que vai seguir o exemplo do esloveno e do belga que acabaram por ganhar a corrida?

Com Iván Ramiro Sosa a ser um mais natural candidato na equipa a vestir de amarelo (foi quinto, a nove segundos do companheiro), Hayter acabou por surpreender e não só fez uma excelente subida na Serra de Monchique, como ao sprint foi mais forte que... João Rodrigues. A W52-FC Porto ficou perto de vencer novamente na Volta ao Algarve, depois de Amaro Antunes ter conquistado o Malhão em 2017. A equipa portuguesa esteve ao ataque, colocando Samuel Caldeira na frente, depois controlou o grupo principal, assumindo esse papel principalmente depois da UAE Team Emirates ter perdido Rui Costa.

Com ambição à geral, o campeão do mundo de 2013 caiu na descida do Alferce e abandonou. João Rodrigues e Amaro Antunes (W52-FC Porto) assumiram o destaque entre os portugueses, com Luís Fernandes (Rádio Popular-Boavista) a terminar na nona posição, a 35 segundos de Hayter. Rodrigues ficou com o mesmo tempo, enquanto Amaro tem 30 segundos para recuperar. Boa prestação lusa na Fóia.

Mas Hayter não deixou que a festa fosse portuguesa. A Ineos Grenadiers em tradição na Volta ao Algarve. Então como Sky, venceu com Michal Kwiatkowski (2018), Geraint Thomas (duas vezes, 2015 e 2016) e Richie Porte (2021). Apesar desta feita ter viajado ao sul de Portugal sem nenhuma das principais estrelas, apostou em jovens que querem afirmar-se na equipa. Iván Ramiro Sosa já tem algum estatuto, mas está à procura de fortalecê-lo.

Apesar de Hayter estar de amarelo, Sosa não está fora da equação, com nove segundos de atraso, com Sebastián Henao a 20. A Ineos Grenadiers tem muitas armas para preparar a sua táctica no ataque a mais uma vitória na geral da Algarvia. Talvez não esperasse ter uma equipa portuguesa como rival, com a ProTeam espanhola, Caja Rural, a ter Jonathan Lastra também na luta. Terminou em terceiro, com o mesmo tempo do vencedor, enquanto a Arkéa Samsic ficou com Elie Gesbert a ambicionar o pódio (ou mais), pois são apenas quatro segundos para recuperar.

Ou seja, tudo completamente em aberto, para o contra-relógio de sábado, com Hayter a poder defender-se muito bem, já que tem escola de pista, com vários títulos conquistados nas camadas jovens. Hayter é um jovem que já estava a ser seguido pela Ineos Grenadiers. Estagiou na equipa em 2018, mas até entrar no plantel principal em Janeiro de 2020, esteve em equipas amadoras do seu país. E já venceu uma etapa e a classificação da juventude na Settimana Internazionale Coppi e Bartali, juntando agora a etapa na Volta ao Algarve.

"Na última descida [depois de subir a Pomba] fui prudente e atrasei-me um pouco, perdendo algumas posições. O meu colega de equipa Carlos [Rodriguez] trouxe-me novamente ao grupo e entrei na última subida bastante protegido. O Sebastián Henao impôs um ritmo forte, e o Iván Sosa ajudou e coube-me ir até ao final. Estava com esperanças de fazer uma boa corrida aqui no Algarve, mas confesso que me correu melhor do que esperava. Agora resta-me aguentar a liderança até onde puder", salientou um muito sorridente Hayter.

Para os homens da geral, depois dos 182,8 quilómetros entre Sagres e Fóia, segue-se um fim-de-semana intenso com o contra-relógio de Lagoa (20,3 quilómetros), seguindo-se o grande final no domingo: Albufeira-Malhão (170,1 quilómetros).

Quanto às camisolas, Sam Bennett (Deceuninck-QuickStep) perdeu a amarela, mas manteve a verde dos pontos, João Rodrigues vestiu a azul da montanha, Sean Quinn (Hagens Berman Axeon) está a gostar de Portugal, pois é o melhor jovem (camisola branca) depois de no domingo ter ganho a Clássica da Arrábida. A Ineos Grenadiers além de liderar a geral com Hayter, é também primeira por equipas.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

3ª etapa: Faro-Tavira (203,1 quilómetros)


Mas antes da atenção se centrar em quem vai ganhar a camisola amarela, os sprinters regressam à acção. Será a etapa mais longa da 47ª edição da Volta ao Algarve e o final em Tavira tem sido palco de sprints espectaculares. Por lá têm ganho ciclistas referência na especialidade, como Marcel Kittel, André Greipel e mais recentemente, Dylan Groenewegen.

Duas dificuldades para somar pontos para a camisola da montanha e três metas volantes, num dia que normalmente é feito a grande velocidade, apesar dos muitos quilómetros.

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18 de abril de 2021

Pidcock afirma-se ao lado de um Van Aert a vencer por milímetros

© Amstel Gold Race
Esta semana pode dizer-se que ficou completo o trio do ciclocrosse que chegou para conquistar a estrada. Wout van Aert e Mathieu van der Poel em pouco tempo tornaram-se grandes figuras do ciclismo mundial. Thomas Pidcock estreou-se este ano ao mais alto nível, depois de já ter feito algumas corridas com a extinta Team Wiggins, e após algumas boas exibições, incluindo um pódio na Kuurne-Bruxelles-Kuurne, na quarta-feira bateu Van Aert De Brabantse Pijl-La Flèche Brabançonne e este domingo ficou a milímetros de repetir o feito na Amstel Gold Race.

Nos últimos dias Mark Cavendish (Deceuninck-QuickStep) até foi notícia por ter regressado às vitórias quase três anos depois e logo com quatro etapas na Volta à Turquia. Porém, é na nova geração que está o foco na Grã-Bretanha, com os resultados de Pidcock a animarem os adeptos daquele país. Tal como já havia acontecido com Van Aert e Van der Poel, Pidcock há muito que ganhou destaque, com as suas performances no ciclocrosse. Nos escalões jovens somou vitórias e ficou conhecido por celebrar ao estilo Super-Homem.

Outro ponto idêntico com os rivais foi a forma como encarou a passagem para a estrada. Era inevitável, mas não teve pressa, pois sempre sublinhou o quanto queria fazer o que mais gostava. E apesar de ter assinado pela toda poderosa Ineos Grenadiers, esta forma de estar não mudou e Pidcock, depois do ciclocrosse e desta auspiciosa estreia na estrada, irá ter o seu momento no BTT.

Aos 21 anos, teve o condão de definitivamente levar a Ineos Grenadiers a apostar ainda mais nas clássicas, principalmente nas do pavé, mas também mostra como podem contar com ele em corridas como a Amstel e vai à Flèche Wallonne experimentar o Muro de Huy. Por pouco, não ganhou a prova de abertura, por assim dizer, da semana das Ardenas, mas a sua exibição já eleva as expectativas para o que possa vir nas próximas temporadas, quando evoluir.

É o primeiro a admitir o quanto está a aprender a cada corrida que passa. Por exemplo, nesta Amstel, salientou como tentar seguir Primoz Roglic, quando o esloveno impôs ritmo, não foi a melhor ideia. Terminada a prova, considera que o melhor teria sido resguardar-se um pouco mais. 

Perder num photo finish no qual não foi fácil determinar que Wout van Aert (Jumbo-Visma) era o vencedor, "belisca". A vitória só foi decidida já com os ciclistas preparados a ir para o pódio... Só não sabiam em que lugar se colocariam. Contudo, Pidcock é mais um ciclista que não fica a moer no que falhou. Pensa, isso sim, em fazer mais e melhor na próxima corrida.

Ao pé dos dois ciclistas que também vieram do ciclocrosse para serem reis na estrada, Pidcock pode perder em tamanho e peso, mas o talento que demonstrou ao conquistar o Paris-Roubaix espoirs, o Giro de sub-23 na época passada e um título mundial de contra-relógio em juniores, está agora a ser confirmado na elite, tal como fizeram o belga e o holandês.

Até já consegue perder uma corrida para um Wout van Aert, mas ser ele o foco no final da Amstel Gold Race! Mais um jovem ciclista que não perde tempo a afirmar-se e apesar de, por agora, serem as clássicas a aposta inicial, quando chegou à Ineos Grenadiers deixou o aviso que quer ser um ciclista completo, com possibilidade de se mostrar também em provas por etapas. Está na lista da equipa como hipótese para ir à Volta à Espanha.

Quanto a Van Aert, numa altura em que se prepara para uma pausa competitiva depois de uma intensa fase de clássicas, despede-se com uma vitória que estava a precisar. Apesar do pior resultado ter sido um 11º lugar na E3 Saxo Bank, só ter ganho a Gent-Wevelgem não lhe estava a cair muito bem. É um ciclista habituado a vencer, pelo que conquistar a Amstel Gold Race era quase uma questão de honra. Até Roglic trabalhou para o belga, pelo menos até um problema mecânico o tirar da frente da corrida.

Van Aert vai agora preparar a próxima fase da época. E é uma fase em que tem sido irresistível nas temporadas passadas: Critérium du Dauphiné e Volta a França.

Van der Poel anda pelo BTT e nem foi à Amstel Gold Race, corrida que teve uma edição para história em 2019, com a vitória do holandês. Vamos ter de esperar para ver este trio a disputar corridas. No ciclocrosse, Pidcock andou, nas semanas antes de vestir o equipamento da Ineos Grenadiers, a assistir às vitórias dos rivais, apesar de também ele somar bons resultados. Como irá ser na estrada? Van Aert já percebeu que não pode dar um centímetro (ou mesmo milímetro) a este irreverente britânico.

Classificação completa, via ProCyclingStats. De referir que a Jumbo-Visma teve um domingo perfeito, pois também ganhou a Amstel Gold Race feminina, com Marianne Vos.

Rui Costa em acção

Numa Amstel Gold Race em que o circuito final tirou algum do interesse durante uma parte da corrida, a movimentação de Max Schachmann (Bora-Hansgrohe) a cerca de 15 quilómetros do final, acabou por ser decisiva. Pidcock e Van Aert juntaram-se ao alemão, que ao não conseguir distanciar num ataque a dois mil metros da meta, ficou a ver o sprint de perto, mas sem capacidade para entrar na discussão.

Porém, houve várias movimentações até esse momento, uma delas de Rui Costa. O português da UAE Team Emirates tem a Liège-Bastogne-Liège como a sua prova preferida nas Ardenas - já fez pódio -, mas com Tadej Pogacar a juntar-se à equipa para essa corrida e, antes, para a Flèche Wallonne, Rui Costa aproveitou para tentar a sua sorte.

Não esteve sozinho, mas a companhia acabou por não ser a ideal para que a tentativa de fuga triunfasse. Ficou o teste, na esperança que possa surgir a oportunidade para, mesmo com Pogacar na equipa, Rui Costa seja uma carta a jogar por parte da UAE Team Emirates nas próximas duas corridas, quarta-feira e domingo.

Rui Costa terminou a Amstel Gold Race na 54ª posição, a 2:12 do vencedor. O companheiro de equipa Ivo Oliveira abandonou.

6 de janeiro de 2021

Recorde de equipas World Tour na Volta ao Algarve. E duas ficaram de fora!

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Depois de ter sido anunciado que 16 das 19 equipas do World Tour estavam interessadas em participar na Volta ao Algarve, num total de 30 equipas estrangeiras de todos os escalões, já era expectável que a corrida pudesse celebrar uma nova marca. Serão 14 as formações do principal escalão a competir entre 17 e 21 de Fevereiro, havendo apenas lugar para duas ProTeam, além das nove portuguesas, todas da categoria Continental.

Com 25 vagas disponíveis (sete ciclistas em cada formação) foi preciso seleccionar as que receberiam convite. As portuguesas têm, desde que queiram, presença garantida, pelo que a enorme procura terá provocado algumas dores de cabeça à organização. Deixar duas equipas do World Tour de fora... não pode ter sido fácil. 

As convidadas são: Astana-Premier Tech (Caz), Bora-hangrohe (Ale), Cofidis (Fra), Deceuninck-Quick-Step (Bel), Groupama-FDJ (Fra), Ineos Grenadiers (GB), Intermarché-Wanty-Gobert (Bel), Israel Start-Up Nation (Isr), Lotto Soudal (Bel), Team DSM (Ale), Trek-Segafredo (EUA) e UAE Team Emirates (EAU), todas formações que estiveram na edição de 2020 e algumas são já presença habitual nos últimos anos. Destaque para a Intermarché-Wanty-Gobert que este ano subiu de escalão, mas como ProTeam há alguns anos que não falha a Algarvia.

A estes nomes juntam-se dois regressos muito bem-vindos: a Jumbo-Visma (Hol) - que conquistou a corrida portuguesa em 2017 com Primoz Roglic - e a Movistar (Esp), equipa que conta com o português Nelson Oliveira.

De realçar também que entre estas 14 equipas está representado o top 9 do ranking mundial colectivo de 2020. Agora vamos entrar naquela fase de saber quem serão as grandes estrelas que vão viajar até ao sul do país, sendo que outra ansiedade passa pela incerteza se a corrida irá mesmo para a estrada.

A Volta ao Alentejo, que tinha data marca precisamente para um mês depois, vai ser adiada e, já se sabe, em tempo de pandemia é difícil haver garantia que as provas se realizem nas datas previstas, ou que se realizem de todo. Para já, a informação é que a Algarvia mantém os dias anunciados, com o percurso das cinco etapas a ser conhecido em breve.

Falta ainda referir as duas ProTeams que conseguiram o valioso convite. A Caja Rural é uma presença mais do que habitual em Portugal. Participa em várias corridas ao longo do ano no nosso país. A Rally Cycling também não é novidade e além de já ter estado no Algarve, em 2020 esteve na Edição Especial da Volta a Portugal e com uma parceria com a Lusíadas Saúde.

Pertencendo ao segundo escalão mundial, ProSeries, a Volta ao Algarve continua a consolidar-se com uma das melhores corridas de início de temporada. E nunca é de mais recordar: em 2020, a Algarvia foi a segunda melhor prova no circuito ProSeries, no que diz respeito à qualidade do pelotão. Só foi batida pela Volta a Burgos. No ranking geral, a prova portuguesa foi 17ª classificada, ficando à frente de provas do World Tour. Pode ver aqui o ranking, no site ProCyclingStats.

Esperemos que o covid-19 não troque as voltas de uma corrida que, ano após ano, traz alguns dos melhores ciclistas do mundo a Portugal, é uma excelente forma de promoção para a região e, numa altura em que o turismo caiu a pique, será importante para a hotelaria local.

De referir ainda que quase todos os portugueses no World Tour poderão estar no Algarve, já que as suas equipas estão entre as eleitas. A saber: João Almeida (Deceuncink-QuickStep), Rui Costa, Ivo e Rui Oliveira (UAE Team Emirates), o referido Nelson Oliveira (Movistar) e o estreante André Carvalho (Cofidis). A excepção é Ruben Guerreiro, pois a americana EF Education-Nippo há muito que não ruma ao sul de Portugal.

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8 de novembro de 2020

As equipas da Vuelta uma a uma

© Unipublic/Charly López/La Vuelta
Fim da Volta a Espanha e ponto final na temporada de ciclismo de estrada. Não foi fácil, mas as três grandes voltas realizaram-se, mesmo com a Vuelta a ser três dias mais curta e a coincidir numa semana com o Giro. Primoz Roglic ultrapassou a desilusão de ter perdido de forma tão dramática o Tour e conquistou a sua segunda grande volta em Espanha. Duas presenças, duas vitórias. A Jumbo-Visma foi dos conjuntos mais fortes na montanha, a Movistar das equipas que mais trabalhou. As ProTeam desiludiram, mas não foram as únicas. A EF Pro Cycling sai de Espanha bem feliz e a UAE Team Emirates dos três portugueses - Rui Costa e os gémeos Oliveira - também ficou satisfeita.

Aqui fica como se comportaram as 22 equipas, pela ordem da classificação colectiva. Agora é esperar por 2021 para vermos de novo o melhor do ciclismo na estrada.

© Unipublic/Charly López/La Vuelta
Movistar: Trabalhou muito para Enric Mas, mas o seu líder não concluiu da melhor forma o esforço dos companheiros. Não foi uma má volta para a Movistar, que lutou, que controlou, mas no final falhou no mais importante. Enric Mas não esteve à altura do que tinha prometido antes da corrida e Alejandro Valverde tem, merecidamente, estatuto, mas faltou ser mais um elemento para o colectivo e não tanto para pensar só no seu top dez. Afinal a Movistar queria ganhar a Vuelta com Mas. Marc Soler salvou a honra com uma vitória de etapa, mas também baralhou a táctica em certos dias. É um ciclista que continua a dar mostras que não quer ser gregário em praticamente qualquer circunstância. Nelson Oliveira foi uma das figuras da equipa. É um luxo ter um ciclista que trabalha como o português. Ele sim, é a definição do que é um corredor que pensa na equipa, seja quem for o líder. E ainda foi terceiro na etapa da sua especialidade: o contra-relógio. A Movistar venceu por equipas, algo que não surpreende! É já uma tradição. E claro, a situação na La Covatilla em que pareceu ter dado uma ajuda a Roglic para Carapaz não ganhar a Vuelta, acaba por marcar muito a prestação da equipa.

© Unipublic/Charly López/La Vuelta
Jumbo-Visma: No que diz respeito à montanha, foi o bloco mais forte. Não dominou como na Volta a França, mas foi a equipa com mais capacidade de apoio ao líder nas subidas, com natural destaque para Sepp Kuss. É um escudeiro do melhor que há no pelotão e parte da vitória de Roglic tem Kuss como responsável. Só claudicou na La Covatilla, mas não manchou a sua exibição. Jonas Vingegaard também merece ser referenciado. Primeira grande volta aos 23 anos e mostrou que está pronto para fazer parte do bloco das grandes voltas. E avisou, está a ser preparado para uma futura liderança. Toda a equipa esteve bem, com Roglic a finalizar desta feita com sucesso o trabalho, tendo ganho quatro etapas. O Tour não será esquecido, mas a vitória na Vuelta ajudará a superar a desilusão e a dar nova motivação para 2021.

Astana: É uma equipa partida. Aleksandr Vlasov e Ion Izagirre destacaram-se. O primeiro porque ficou à porta do top dez na sua estreia em grandes voltas - atenção a este jovem russo para 2021 -, o segundo venceu uma etapa. Porém, os ciclistas da Astana parecem correr muito por si e não em prol de um líder. Ficou a sensação que talvez a Astana pudesse ter conseguido algo melhor se Vlasov não estivesse tão só. É um problema que não se viu só na Vuelta. A equipa cazaque tem muito a repensar na sua forma de correr nas grandes voltas.

© Unipublic/Charly López/La Vuelta
UAE Team Emirates: Manteve a alta rodagem da temporada, conseguindo uma vitória com Jasper Philipsen e o top dez com David de la Cruz. Faltou Rui Costa conseguir um triunfo numa etapa. Foi dos ciclistas mais combativos da Vuelta, mas sai sem um merecido prémio e ainda com uma desclassificação algo polémica na antepenúltima etapa. Fica o aspecto positivo: Rui Costa mostrou-se forte em Espanha. Os gémeos Oliveira, Ivo e Rui, estrearam-se nas três semanas e demonstraram que estão prontos para mais. Ivo terminou muito forte a corrida. Ambos vão destacando-se na preparação dos sprints, mas podem assumir um papel de maior relevância no trabalho em protecção dos líderes. Boa corrida para os três portugueses e para a equipa em geral.

Mitchelton-Scott: Esteban Chaves ainda prometeu nos primeiros dias, mas depois foi mais do mesmo. O colombiano não consegue regressar à sua melhor forma e a equipa ressente-se disso quando aposta mais nele. Mikel Nieve foi top 15, mas acabou por ser uma formação que passou despercebida na Vuelta.

© Unipublic/Charly López/La Vuelta
Cofidis: Guillaume Martin esteve bem melhor do que num Tour em que começou forte, mas foi baixando de forma. Faltou a vitória de etapa que a equipa tanto precisava, num primeiro ano de regresso ao World Tour parco em triunfos (duas). Porém, as exibições de Martin colocam-no como um dos mais combativos da corrida e conquistou merecidamente a camisola das bolas azuis da montanha. Não foi um objectivo inicial, mas ao proporcionar-se a hipótese de ganhar, Martin mostrou parte da sua qualidade. Sim, este ciclista pode valer muito mais. A Cofidis acabou a proteger o seu líder nesta luta da montanha e sai da Vuelta minimamente satisfeita.

Ineos Grenadiers: Foi à Vuelta com a intenção de a ganhar. Mas mais uma vez ficou bem claro que a equipa britânica não tem a força de outros tempos e Richard Carapaz também sofreu com isso. O equatoriano surgiu bem na corrida, foi líder por duas vezes, mas ficou muito rapidamente sozinho sempre que as principais subidas surgiram. Chris Froome ainda chegou a ver-se a certa altura, mas não chegou. Andrey Amador foi de longe o melhor gregário, mas acabava por se desgastar em demasia por entrar muito cedo ao trabalho. Carapaz sai da Vuelta com nota positiva, a equipa sai a saber que ganhou um Giro de forma inesperada com Tao Geoghegan Hart, mas se quer ser novamente competitiva frente a uma Jumbo-Visma cada vez mais forte, vai ter de melhorar o funcionamento do seu colectivo.

Groupama-FDJ: Andou discreta, mas teve David Gaudu a bom nível. Thibaut Pinot cedo abandonou, no que se tornou numa oportunidade para o jovem francês de se mostrar. Duas etapas, top dez... Gaudu não será gregário por muito mais tempo. Já era visto como sucessor de Pinot, agora poderá muito bem partilhar uma liderança nas grandes voltas. A boa notícia para a Groupama-FDJ nesta Vuelta foi mesmo essa: tem mais uma opção para número um.

Sunweb: Com uma média de idades a rondar os 23 anos, normalmente não se esperaria muito de uma equipa com tantos estreantes em grandes voltas. Porém, depois de um Tour e Giro de grande nível, a Sunweb atraiu algumas atenções. Com as expectativas mais altas, acabou por ser uma desilusão não ver os jovens ciclistas mais activos. Mas dentro do possível cumpriram. Entraram em fugas, tentaram ganhar etapas. Não se poderia pedir muito mais dada a inexperiência da maioria dos atletas convocados.

© Photo Gomez Sport/La Vuelta
EF Pro Cycling: Perder cedo Daniel Martínez e ver Michael Woods ficar, também cedo, fora da luta pela geral, fez temer uma Vuelta longe do esperado. Mas eis que surgiu um Hugh Carthy a finalmente confirmar credenciais. Venceu no mítico Angliru, foi terceiro na geral e a equipa ainda conseguiu vencer mais duas tiradas, uma com Woods e outra com Magnus Cort. A EF Pro Cycling, vai aos poucos crescendo, conquistando mais bons resultados e termina a Vuelta como uma das equipas que melhores exibições fez.

CCC: Passou completamente ao lado da corrida. O maior destaque foi para Will Barta que foi segundo no contra-relógio. É uma equipa em fim de vida e os seus ciclistas mal se viram. Entraram numa ou outra fuga, mas foi muito pouco, não ajudando ter Simon Geschke e Francisco Ventoso abandonarem. Prestação muito fraca.

AG2R: Só três ciclistas terminaram a Vuelta! Entrou em fugas, mas foi uma equipa que pouco se viu e que demonstrou que está claramente a precisar de um novo rumo, algo que deverá começar a acontecer em 2021.

NTT: Mais uma formação que passou despercebida. Talvez pese a incerteza se irá ou não continuar no próximo ano. Só Gino Mäder se mostrou e ainda se viu Michael Valgren. Mas foi pouco, muito pouco para uma equipa que bem precisava de se mostrar e com ciclistas ainda sem contrato para a próxima temporada.

Deceuninck-QuickStep: Não foi uma grande volta para recordar. Apenas uma vitória de etapa por Sam Bennett, com o irlandês a ser desclassificado noutra tirada que havia ganho, por sprint irregular. Os seus ciclistas estiveram nas fugas, Rémi Cavagna até foi nomeado o super combativo da Vuelta, mas não foi uma corrida bem conseguida por parte da formação belga, tendo em conta que se espera sempre muito mais.

Bahrain-McLaren: Não houve muita classe da equipa, mas ver Wout Poels fechar na sexta posição foi extremamente positivo. O holandês foi dos que perdeu tempo no arranque frenético da Vuelta, mas foi subindo de forma e praticamente sozinho garantiu um bom lugar na geral, agora que tem a oportunidade de liderar uma equipa, depois de anos como gregário da luxo da Sky/Ineos. Para a Bahrain-McLaren valeu mesmo Wout Poels, os restantes ciclistas, rapidamente desapareciam quando as subidas surgiam no percurso. E foram muitas!

Caja Rural: Entrou nas fugas, mas pouco mais se viu da equipa espanhola do segundo escalão. Há muito que não tem conseguido ser uma formação que consegue estar mais vezes na discussão de etapas. Foi uma performance abaixo do que se esperava, tendo em conta que alguns ciclistas eram vistos como potenciais animadores de etapas.

Trek-Segafredo: Equipa sem história para contar na Vuelta. Uma das grandes apostas era Matteo Moschetti para os sprints, mas o jovem ciclista chegou foram do tempo limite logo na sétima etapa e foi para casa. Ciclistas como Michel Ries e Juan Pedro López tiveram a oportunidade de se estrear numa grande volta. Mal se viram, mas a Trek-Segafredo terá aproveitado para preparar o futuro.

Israel Start-Up Nation: Valeu Daniel Martin. E valeu muito. Uma vitória de etapa, quarto lugar na classificação... O irlandês teve uma das melhores prestações da sua carreira em grande voltas (talvez a melhor), numa altura em que até se estaria a preparar para ser gregário de Chris Froome. A equipa nem na ajuda ao líder teve capacidade, principalmente na montanha, mas sai de Espanha bem feliz com o resultado final de Martin, que não se esperava nesta fase da carreira ver a este nível.

© Photo Gomez Sport/La Vuelta
Bora-Hansgrohe: Andou um pouco na sombra, mas Felix Grossschartner conseguiu um bom nono lugar e chegou a estar mais acima na tabela. Na luta por etapas, Pascal Ackermann conseguiu cumprir em Madrid, sendo que terminou a Vuelta com duas vitórias, a primeira por desclassificação de Sam Bennett, após sprint perigoso. Pode ter sido uma equipa que pouco se viu, mas fez uma boa Vuelta perante os objectivos que tinha.

Burgos-BH: Muito diferente de 2020. Nem etapas, nem luta pela montanha, a equipa espanhola do segundo escalão esteve muito abaixo do esperado. Tal como a Caja Rural esperava-se que animasse mais a corrida, mas tirando os seus ciclistas irem aparecendo em fugas, acabaram por ser inconsequentes. Ricardo Vilela talvez tenha sido afectado pelo facto de ser chamado à última hora para a corrida. A sua preparação já não terá previsto fazer uma prova de três semanas e pouco se viu do português.

Lotto Soudal: Com Tim Wellens a vencer duas etapas, a chegar a ser líder da classificação da montanha, a Lotto Soudal terminou a Vuelta com a missão cumprida. O belga surgiu forte, entrou em várias fugas e foi o destaque da formação, assim como o jovem estreante em grandes voltas, Gerben Thijssen. O sprinter, de 22 anos, foi segundo numa das etapas. Acabou por abandonar, mas a Lotto Soudal já tem mais um homem rápido a aparecer para discutir mais vitórias no futuro.

Total Direct Energie: Esteve na Vuelta depois de conseguir entrar directamente na corrida por ter vencido o ranking do segundo escalão em 2019, a formação francesa foi mais uma que mal se viu. Mesmo entrar em fugas foi algo complicado. Má Vuelta.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

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»»Ineos Grenadiers e Movistar a trabalhar e Roglic a ganhar mais uns preciosos segundos««

7 de novembro de 2020

Um último susto, uma ajuda da Movistar e uma vitória com todo o mérito para Roglic

© Unipublic/Charly López/La Vuelta
Richard Carapaz esperou até ao últimos momentos para dar alguma emoção à última etapa de montanha da Vuelta. Já dentro dos cinco quilómetros final atacou, depois de Hugh Carthy ter aberto as hostilidades. Foi um derradeiro susto para Primoz Roglic, um vencedor pela segunda vez consecutiva da Vuelta, mas que teve uma ajuda preciosa na recta final da tirada que terminou no Alto de la Covatilla. Não, não foi Sepp Kuss, o seu fiel escudeiro da Jumbo-Visma. Foi mesmo uma Movistar que assim ajustou algumas contas com uma saída muito pouco amigável de Carapaz da equipa espanhol em 2019.

Roglic tem todo o mérito nesta vitória. Isso ninguém lhe pode tirar. Veio à Vuelta depois de uma enorme desilusão no Tour. Parecia ter o triunfo garantido e tudo se desmoronou no contra-relógio decisivo em La Planche des Belles Filles. Em Espanha passou todos os testes que enfrentou. Mentalmente foi um ciclista decidido a mostrar que a derrota no Tour frente a Tadej Pogacar não iria definir o resto da sua carreira.

É um vencedor e quando se perde, a melhor forma de reagir é regressar às vitórias. Já tinha conquistado o seu primeiro monumento, a Liège-Bastogne-Liège, mas era uma reacção numa prova de três semanas que precisava. Roglic está bem vivo e contem com ele para lutar pela Volta a França em 2021, agora como um duplo vencedor de duas Vueltas. Curiosamente, dois triunfos em outras quantas presenças. Não compensa o que aconteceu em França, mas foi mais uma vez uma mostra do carácter excepcional deste ciclista.

Só um casaco - justificou a perda da liderança na sexta etapa com problemas em vestir um casaco - e o Angliru fizeram tremer Roglic. As subidas com pendentes muito íngremes não são uma especialidade sua. Onde compensa? Nas bonificações. É um ciclista que faz questão de amealhar o maior número de segundos bónus, para tentar compensar o que possa perder na estrada. Na Vuelta foi uma táctica decisiva.

Em La Covatilla, Roglic tremeu mais um pouco. Um último susto, que fez pensar por alguns minutos que também nesta grande volta poderia haver uma mudança de líder mesmo no fim. Mas eis que surgiu a Movistar. Foi mais uma etapa ao ataque da equipa espanhola e mais uma em que não tirou dividendos de tanto trabalho. Enric Mas ficou na quinta posição que já ocupava e Marc Soler não discutiu a etapa. Restava então um pormenor...

Com Carapaz a ganhar tempo - e chegou a estar a menos de 20 segundos de conquistar a Vuelta -, com Roglic já sem companheiros de equipa e com Carthy (EF Pro Cycling) também a conseguir afastar-se do esloveno, Mas e Soler entraram ao trabalho. Os dois espanhóis deram uma preciosa ajuda a Roglic, minimizando perdas. Depois de cortar a meta, o esloveno apressou-se em agradecer aos dois inesperados parceiros.

O ciclismo não se faz só de companheiros de equipa. Há coisas que não se esquecem e que até levam a dar a mão a rivais. A Movistar não esquece como Carapaz quebrou contrato com a equipa para assinar pela Ineos Grenadiers, em mais um episódio do desentendimento com o empresário Giuseppe Acquadro. E mais. Antes da Vuelta de 2019, Carapaz participou num critérium sem autorização da equipa. Uma queda acabaria por afastá-lo da grande volta espanhola.

Foi um fim de relação que não agradou nada aos responsáveis da Movistar, que perderam assim o ciclista que havia vencido a Volta a Itália e que poderia ser importante no futuro na liderança de uma formação que não iria apostar mais em Nairo Quintana, que também se preparava para perder Mikel Landa e tem Alejandro Valverde quase a terminar a carreira.

Roglic não esquecerá o gesto da Movistar, tal como a Ineos Grenadiers de Carapaz não irá certamente deixar passar em claro. As rivalidades fazem parte do desporto, mas no caso do ciclismo, nem todas nascem na estrada, mas é lá que ganham expressão. Este dia ainda terá repercussões noutras provas...

Numa etapa (Sequeros - Alto de la Covatilla, 178,2 quilómetros) que chegou a parecer que seria uma desilusão, terminou com muito para contar.

David Gaudu venceu a sua segunda etapa na Vuelta
e subiu ao top 10 (© Photo Gomez Sport/La Vuelta)
Luta no top dez

Roglic terminou com 24 segundos de vantagem sobre Carapaz, com Carthy a fechar o pódio, a 47 do esloveno. Daniel Martin (Israel Start-Up Nation), Enric Mas e Wout Poels (Bahrain-McLaren) seguraram as posições seguintes.

A UAE Team Emirates foi uma das equipas que mais animou a etapa, até ao momento Movistar, claro. Atacou cedo e colocou David de la Cruz na frente, com Ivo Oliveira e Rui Costa a terem um papel muito importante na ajuda ao espanhol que conseguiu subir à sétima posição, a 7:35 de Roglic. Rui Costa muito tentou ganhar uma etapa, mas a fechar a Vuelta, mostrou que continua a ser um ciclista com quem podem contar para trabalhar em prol de um companheiro.

David Gaudu (Groupama-FDJ) foi à procura de ganhar a sua segunda etapa e não só conseguiu, como ainda teve o bónus de entrar no top dez (oitavo, a 7:45). A equipa francesa falhou por completo no Tour com Thibaut Pinot, mas foi ao Giro dominar nos sprints com Arnaud Démare e na Vuelta pode muito bem ter confirmado que tem um futuro líder para as três semanas. Gaudu teve liberdade e mostrou que é um corredor que pode ser mais do que um gregário.

Felix Grossschartner (Bora-Hansgrohe) e Alejandro Valverde (Movistar) conseguira a custo ficar no top dez, com Aleksandr Vlasov (Astana) a ser o sacrificado com a entrada de Gaudu. Ainda assim, uma boa estreia em grandes voltas do jovem russo.

Nas restantes classificações, Guillaume Martin (Cofidis) é o vencedor da montanha - já o havia garantido na quinta-feira -, Roglic acumula a geral com a classificação dos pontos, Enric Mas é o melhor na tabela da juventude e a Movistar vence por equipas, como tem sido habitual.

Classificações completas, via ProcyclingStats.

18ª etapa: Hipódromo de la Zarzuela - Madrid, 139,6 quilómetros

Muito se irá falar do que aconteceu na La Covatilla, mas Roglic terá o seu momento para desfrutar da merecida vitória. Foi uma Vuelta com trocas na liderança, muita montanha, com o mau tempo a fazer-se sentir e a dificultar muito a tarefa de todos, fosse qual fosse o objectivo.

Este domingo irá pedalar-se os últimos 139,6 quilómetros não só da corrida, mas da época. Madrid marcará o fim de um ano atípico, mas no qual se conseguiu concluir as três grandes voltas, por si só uma vitória para o ciclismo mundial, mesmo que a Vuelta tenha sido mais curta (18 etapas em vez de 21).

Ainda assim, foi necessário alterar a tirada de consagração, que ganhou cerca de 12 quilómetros. Nada de grave, já que grande parte será feita a um ritmo calmo. A corrida continuará a terminar no Paseo de la Castellana, mas a organização decidiu não passar por localidades como Móstoles, Alcorcón, Leganés e Getafe. A entrada em Madrid não será feita por Villa de Vallecas, mas sim por Barajas e Feria de Madrid. Os ciclistas farão mais quilómetros de auto-estrada. A fase final mantém-se com um circuito de seis voltas entre Castellana e Paseo Recoletos.

»»Ineos Grenadiers e Movistar a trabalhar e Roglic a ganhar mais uns preciosos segundos««

»»Vitória de Philipsen com influência de Ivo Oliveira (e com um agradecimento emocionado)««

6 de novembro de 2020

Ineos Grenadiers e Movistar a trabalhar e Roglic a ganhar mais uns preciosos segundos

© Unipublic/Charly López/La Vuelta
Tanto trabalho da Ineos Grenadiers e da Movistar e no final foi Primoz Roglic, da Jumbo-Visma, quem agradeceu. Um segundo aqui, um segundo ali e o esloveno vai partir para a etapa decisiva da Vuelta com 45 de vantagem sobre Richard Carapaz e 53 sobre Hugh Carthy (EF Pro Cycling). Nem se pode dizer que tenha sido algo planeado pelo camisola vermelha ou pela sua equipa, apenas aproveitou a oportunidade de sprintar no final, depois de ver a fuga ser apanhada e ficar escancarada a porta para conquistar mais uma bonificação.

Nesta Vuelta são 48 segundos ganhos por Roglic na linha da meta, sendo que ajuda e muito ter ganho quatro etapas (10 segundos cada). Carapaz somou 16 e Carthy 10, na vitória no Angliru. Mais do que fazer diferença na estrada, já faz parte do estilo de Roglic em encarar estas corridas sempre à procura de somar bonificações. No Tour acabou por não resultar, mas tem este sábado o Alto de la Covatilla para ultrapassar e assim conquistar uma grande volta em 2020, tentando repetir o triunfo em Espanha, depois de ter ganho em 2019.

Os seis segundos que amealhou em Ciudad Rodrigo podem não garantir uma vitória a Roglic, mas servem de tónico para a derradeira etapa, na qual ninguém poderá ficar à espera do esloveno falhar. É agora ou nunca. A liderança terá de ser atacada, mas o próprio Carapaz demonstrou que aqueles seis segundos não eram nada bem-vindos na perspectiva do líder da Ineos Grenadiers. Quando percebeu que Roglic ia sprintar, também acelerou, mas nada pôde fazer para evitar ter mais tempo para recuperar.

A La Covatilla é uma subida com 11,4 quilómetros, com uma inclinação média de 7,1%. Roglic sofreu no Angliru, mas com a pendente máxima deste sábado a ser de 12% e não mais de 20, o esloveno terá de ter um dia muito mau para ceder tanto tempo só nesta subida.

Por isso mesmo, foi ainda mais estranha a forma como a Ineos Grenadiers se desgastou nos 162 quilómetros desta sexta-feira. Principalmente, Andrey Amador, um ciclista tão importante na ajuda a Carapaz. A boa colocação do equatoriano foi um objectivo, mas, ainda assim, Amador desgastou-se muito quando não houve qualquer intenção de tentar surpreender Roglic. E não demorou muito a perceber-se que o esloveno não ia ceder tempo no sobe e desce desta etapa.

A Jumbo-Visma esteve mais dedicada a proteger o seu líder, pois na parte final foi a Movistar que assumiu a frente do grupo. Mais uma vez não foi para preparar um ataque de Enric Mas, talvez ainda a pensar no pódio. A equipa foi atrás de uma vitória de etapa com Alejandro Valverde. E neste aspecto percebe-se. Ganhar a Vuelta está fora de questão e para uma equipa com apenas duas vitórias em 2020 (!), é importante conquistar algo mais - além da camisola da juventude que Mas não deverá perder - antes da época terminar. E finaliza já em Madrid, no domingo. Não há mais corridas.

17ª etapa: Sequeros - Alto de la Covatilla, 178,2 quilómetros

La Covatilla será a segunda categoria especial depois do Angliru. Não tem as pendentes da mítica subida, como foi descrito em cima, mas a Covatilla além de ser uma subida difícil, vai ser feita com temperaturas abaixo dos 10 graus, havendo a possibilidade de chuva, ainda que seja baixa. O vento deverá rondar os 14 quilómetros/hora.

A grande questão é se Carapaz e Carthy vão deixar tudo para a última subida, ou arriscam um ataque de longe. Esta última escolha poderá ser a opção de um Enric Mas ou mesmo de Daniel Martin (Israel Start-Up Nation), dois ciclistas que poderão dar o tudo por tudo para chegar ao pódio. O espanhol está a 3:29 de Roglic e o irlandês a 1:48.

Também se poderá ver uma luta pelos restantes lugares no top dez, mas esta Vuelta chega ao penúltimo dia com a geral por decidir, sendo que 2020 fica marcado por todas as grandes voltas só terem ficado decididas no derradeiro dia (não contando com o da consagração que o Tour e a Vuelta têm). Nas outras duas houve uma reviravolta...

Classificações completas, via ProCyclingStats.

© Photo Gomez Sport/La Vuelta
Rui Costa penalizado

O ciclista português continua à procura de ganhar uma etapa nesta Vuelta. Desta feita não entrou na fuga, mas ficou muito próximo de vencer. Foi terceiro no sprint ganho pelo Magnus Cort, em mais uma vitória para uma EF Pro Cycling que é das equipas mais ganhadoras após o desconfinamento. Porém, Rui Costa (UAE Team Emirates) acabaria sancionado e relegado para o final do grupo devido a uma manobra que foi considerada perigosa pelos comissários.

"Estou desiludido, mas não tenho outra escolha senão aceitar. Foi um final seguro e penso que o meu sprint foi correcto. Não houve certamente uma má intenção. Vou focar-me na próxima etapa antes de Madrid", afirmou Rui Costa.

Nota: Por lapso escreveu-se que Roglic tinha ganho 58 segundos nas bonificações. São 48, pois no contra-relógio não há bonificações. Fica aqui um pedido de desculpa pelo erro.

»»Vitória de Philipsen com influência de Ivo Oliveira (e com um agradecimento emocionado)««

»»Tim Wellens no seu terreno e uma lição de boa táctica««