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24 de setembro de 2020

Nelson e Ivo Oliveira na luta contra o relógio em Imola

Nelson e Ivo Oliveira estão de olhos postos num bom resultado em Imola. O percurso pode não ser o mais indicado para as características, principalmente do primeiro. Porém, é um ciclista que sabe bem o que é terminar no top dez e não viajou para Itália para não continuar à procura da medalha que já andou tão perto de conseguir. Já Ivo faz a sua estreia entre a elite, mas não deixa de ser um ciclista a ter em atenção, até porque o percurso assenta-lhe melhor. O vento vai ser um factor importante na prova desta sexta-feira.

O traçado de 31,7 quilómetros é praticamente plano, com apenas 200 metros de acumulado. Para Nelson Oliveira falta um pouco mais de dificuldade, ou pelos menos, maior quilometragem, como explica o seleccionador José Poeira: "Mesmo plano, se fosse uma prova mais extensa, o Nelson poderia fazer a diferença, porque consegue continuar a render quando alguns corredores começam a perder capacidades. Sendo tão curto, terá de aquecer bem e arrancar logo a dar o máximo. Para o Ivo, que fará o primeiro mundial de contra-relógio entre a elite, a distância está mais enquadrada com as suas características pessoais."

Nelson Oliveira, 31 anos, fechou top dez 2014, 2017, 2018 e 2019, Em 2009, em sub-23 conquistou a medalha de prata e é um dos especialistas desta vertente. Ivo Oliveira também se vai tornando num. O ciclista de 24 anos, que tanto venceu na pista, este ano sagrou-se campeão nacional de contra-relógio de elite, depois de já o ter sido em sub-23.

"O traçado é quase sempre a rolar, como se vê no gráfico. Mas o factor principal será o vento. À hora do contra-relógio prevê-se vento de 40 km/hora, o que é muito. A primeira parte será com vento de frente e a segunda com vento de costas. É o meu primeiro mundial de elite. Fiz uma boa Volta ao Luxemburgo. Chego bem preparado e no contra-relógio vai ser só carregar nos pedais", salientou Ivo Oliveira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Pode não ser o percurso mais indicado para os representantes de Portugal, mas José Poeira deixa uma garantia: "T
emos a responsabilidade de honrar o país e vamos bater-nos pelo melhor resultado possível." Explica que o traçado "favorece os ciclistas mais pesados e possantes", mas a Equipa Portugal tem alcançado bons resultados em Mundiais e a ambição é sempre alta.

De recordar que, no domingo, Nelson e Ivo voltam à acção na prova de fundo, juntamente com Rui Costa e Rúben Guerreiro.

Horários

O contra-relógio de Imola começa às 13:30 (hora de Lisboa, mais uma em Imola), com o sírio Ahmad Wais a ser o primeiro a sair para a estrada. Rohan Dennis será o último 14:54, com o australiano a perseguir o seu terceiro título consecutivo. O campeão de 2017, Tom Dumoulin, também estará presente.

Filippo Ganna é outro ciclista a ter em atenção, com o italiano à procura de melhorar o terceiro lugar de 2019, ele que este ano se sagrou campeão do seu país pela segunda vez e foi ainda o melhor na especialidade no Tirreno-Adriatico. E claro, vai ser impossível não se ter atenção ao que irá fazer Wout van Aert, o ciclista que ganha e que ainda é um gregário de luxo. É um forte candidato à vitória final. Atenção ainda ao dinamarquês Mikkel Bjerg. Em sub-23 venceu três títulos mundiais nesta vertente.

Aqui fica a lista com os horários de partida (hora de Lisboa) dos principais nomes:
  • 13:43.30 Maciej Bodnar (Polónia)
  • 13:45.00 Ivo Oliveira (Portugal)
  • 13:48.00 Brandon McNulty(EUA)
  • 13:52.30 Jos van Emden (Países Baixos)
  • 13:54.00 Edoardo Affini (Itália)
  • 13:55.30 Luke Durbridge (Austrália)
  • 14:10.30 Mikkel Bjerg (Dinamarca)
  • 14:12.00 Hugo Houle (Canadá)
  • 14:21.00 Jasha Sütterlin (Alemanha)
  • 14:24.00 Geraint Thomas (Grã-Bretanha)
  • 14:25.30 Matthias Brändle (Áustria)
  • 14:27.00 Ryan Mullen (Irlanda)
  • 14:34.30 Tobias Ludvigsson (Suécia)
  • 14:36.00 Pello Bilbao (Espanha)
  • 14:37.30 Victor Campenaerts (Bélgica)
  • 14:39.00 Nelson Oliveira (Portugal)
  • 14:40.30 Kasper Asgreen (Dinamarca)
  • 14:42.00 Lawson Craddock (EUA)
  • 14:43.30 Patrick Bevin (Nova Zelândia)
  • 14:45.00 Alex Dowsett (Grã-Bretanha)
  • 14:46.30 Rémi Cavagna (França)
  • 14:48.00 Wout van Aert (Bélgica)
  • 14:49.30 Stefan Küng (Suíça)
  • 14:51.00 Tom Dumoulin (Países Baixos)
  • 14:52.30 Filippo Ganna (Itália)
  • 14:54.00 Rohan Dennis (Austrália)
O título que faltava

O contra-relógio feminino abriu hoje os Mundiais em versão reduzida, de Imola, cidade que substituiu Aigle-Martigny depois dos organizadores suíços terem cancelado devido às restrições impostas no país com a pandemia. Itália irá receber apenas os contra-relógios e provas de fundo de elite e esta quinta-feira Anna van der Breggen conquistou uma das poucas grandes vitórias que lhe faltava.

A ciclista dos Países Baixos foi a mais forte nos 31,7 quilómetros em 40:20 minutos, com a suíça Marlen Reusser a ficar a 15 segundos do primeiro lugar e a compatriota de Van der Breggen, Ellen van Dijk, a fechar o pódio, a 31 segundos.

A campeã de 2019, a americana Chloe Dygert, sofreu um acidente aparatoso. Perdeu o controlo da bicicleta numa descida, embateu numa barreira, caindo para o lado contrário. Foi transportada para o hospital, com a federação a avançar que a atleta estava consciente. Aquando da publicação deste texto, não haviam sido divulgados mais pormenores sobre o estado de saúde de Dygert.

Classificação completa, via ProCyclingStats.


26 de agosto de 2020

Excelente exibição colectiva merecia mais nos Europeus


Até ao problema com Rui Costa, Equipa Portugal esteve sempre muito
bem colocada no pelotão (© Ilario Biondi/BettiniPhoto©2020/UEC)
Não é muito habitual ter a selecção nacional com seis ciclistas numa prova do nível de uns Europeus. José Poeira não teve, por isso, problema em perseguir um bom resultado. Aliás, não teve de problema em assumir a corrida como já tinha previsto e como as circunstâncias chegaram a exigir. Infelizmente, o ciclismo tem destas coisas. Mais um problema mecânico e mais uma hipótese de disputar talvez mais do que um top dez acabou por se gorar. Ainda assim, Rui Oliveira não se coibiu de tentar dar à selecção um merecido prémio. Sprintou e fechou na 14ª posição.

Soube a pouco, pois qualquer um dos seis ciclista eleitos por José Poeira merecia mais, a começar pelo próprio Rui Oliveira. Incansável no trabalho para fechar espaços na fase final da corrida e antes na protecção a Rui Costa, o jovem ciclista ainda encontrou forças para sprintar, quando foi chamado a essa responsabilidade, mas também não teve sorte.

Rui Costa foi sempre protegido pelos seus companheiros de equipa
"Foi das melhores exibições que fizemos enquanto selecção nacional. Estivemos sempre na frente, ajudando-nos mutuamente, todos a um nível excelente. No final, como a corrida não se fez tão dura quanto seria necessário para o Rui Costa, a segunda cartada era resguardar-me para o sprint. Já cheguei um pouco fatigado, mas entrei bem posicionado. Ia, certamente, para um top 10, mas fui um pouco apertado por um ciclista da República Checa. Tive de travar e perdi posições. Melhorei o resultado do ano passado, mas queria mais", afirmou Rui Oliveira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Além dos "Ruis", Ivo Oliveira, Ruben Guerreiro, Rafael Reis e Rafael Silva estiveram perfeitos. Protegeram o líder tão bem! Inclusivamente conseguiram evitar duas quedas que marcaram a corrida em Plouay. A zona de Bretanha francesa não teve um percurso fácil de 177,45 quilómetros. O circuito teve estradas muitos estreitas, que exigiram uma constante boa colocação.

Ruben Guerreiro tentou a sua sorte numa fuga
(© Ilario Biondi/BettiniPhoto©2020/UEC)
Quando a corrida ficou definitivamente lançada, entre os 50 e 60 quilómetros finais, a Equipa Portugal mantinha-se no grupo, sempre bem posicionada. Sem surpresa, Ruben Guerreiro, o eterno irrequieto, tentou a sua sorte numa fuga. Mais um português sem sorte, pois os "companheiros" não foram os ideais e o seu esforço não foi compensado. Profissional como é, assumiu de imediato o apoio a Rui Costa.

Mas este sim, pode considerar-se o maior azarado. Um problema no selim tirou a possibilidade de Rui Costa tentar o ataque previsto para evitar uma chegada ao sprint, onde Portugal tinha menor hipótese de chegar às medalhas. Teve de pedir assistência duas vezes e na pior das alturas. Na frente o ritmo já era infernal.

"Quando devíamos estar à frente, tivemos o azar de estar atrás. Já não foi possível atacar a corrida para tentar um bom resultado com o Rui Costa. Com um grupo tão numeroso, o plano passou a ser tentar levar o Rui Oliveira nas melhores condições para a discussão do sprint. Foi nesse sentido o ataque do Rui Costa, para desgastar os adversários", referiu José Poeira.

A Rui Costa restou tentar um ataque, onde se agarrou à roda do britânico Thomas Pidcock, já com a meta muito próxima. O objectivo já não era mais do que tentar desgastar um pouco mais os ciclistas que impunham ritmo, principalmente uns italianos muito representados para preparar o sprint de Giacomo Nizzolo.

O sexteto eleito pelo seleccionador José Poeira (© Federação Portuguesa de Ciclismo)
A exibição da Equipa Portugal foi quase perfeita, que merecia de facto mais que ficar à mercê de um problema mecânico. Aliás, já no contra-relógio de segunda-feira, Rafael Reis se pode queixar que Plouay não foi um local feliz. Um problema nas mudanças tirou-lhe um muito provável top dez.

Se se pode argumentar que o pelotão dos Europeus não era o de maior nível - tem sido habitual, mas este ano sofreu ainda com o receio de algumas equipas "libertare" os seus atletas com o Tour à porta -, ainda assim, Itália, França, Países Baixos e Bélgica apresentaram blocos muito fortes, o que ajudou a animar a corrida.

Com seis atletas, Portugal mostrou que tinha qualidade para fazer frente às selecções mais fortes e com mais homens (oito). O selim tramou o plano final, mas a imagem que ficou da equipa foi muito, muito positva.

O vencedor

(© Ilario Biondi/BettiniPhoto©2020/UEC)
Com a corrida a decidir-se num prevísivel sprint, Giacomo Nizzolo continua a ser daquelas pessoas que vai ter boas razões para se recordar de 2020! Poucos dias depois de se sagrar campeão nacional, é o novo campeão europeu.

Sucedeu a outros dois italianos: Elia Viviani (2019) e Matteo Trentin (2018), com este último a ser desta feita um importante homem de trabalho. Em cinco Europeus - desde que foram abertos aos profissionais - Itália tem assim três vitórias, contra uma da Noruega (Alexander Kristoff, em 2017) e uma da Eslováquia (o inevitável Peter Sagan, em 2016).

(© Ilario Biondi/BettiniPhoto©2020/UEC)
Nizzolo - que antes do confinamento já tinha ganho uma etapa no Tour Down Under e outra no Paris-Nice, numa muito feliz mudança para a NTT - bateu outro sprinter num bom momento de forma: o francês Arnaud Démare. O ciclista da Groupama-FDJ - que também se sagrou há dias campeão nacional, mas pela terceira vez - não escondeu a desilusão de não ter ganho no seu país.

Curiosamente, os Europeus até eram para se ter disputado em Itália, com Trentino como destino, mas foram desmarcados devido à pandemia e tiveram mesmo em risco de não se realizarem

O alemão Pascal Ackermann fechou o pódio, com Mathieu van der Poel a escolher a trajectória errada, caso contrário o campeão nacional dos Países Baixos poderia ter surpreendido os chamados puros sprinters. Certo é que Van der Poel está a começar a subir de forma.


A equipa de elite de Portugal pode sair de Plouay orgulhosa do que fez, pois é um daqueles casos em que as classificações não dizem tudo sobre o excelente trabalho realizado:

14º Rui Oliveira, m.t.
29º Rui Costa, a 4 segundos
41º Ruben Guerreiro, a 11 segundos
60º Ivo Oliveira, a 3:27 minutos
80º Rafael Silva, a 8:26 minutos
87º Rafael Reis, m.t.

Esta quinta-feira será a vez dos sub-23 entrarem em acção, logo às 8 horas (mais uma em França). A Equipa Portugal estará representada por Afonso Silva, Guilherme Mota, Miguel Salgueiro e Pedro Miguel Lopes nos 136,6 quilómetros, ou seja, dez voltas ao circuito de Plouay.

Veja aqui a classificação completa, via ProCyclingStats.

»»Van der Poel em destaque num fim-de-semana de Nacionais««

»»Rui Costa regressou para ser campeão nacional««

20 de agosto de 2020

Portugal com equipa forte para discutir Europeus

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Chegaram a ser dados como cancelados em 2020, pois estavam agendados para Trentino, numa Itália muito afetada pela pandemia. Porém, a União Europeia de Ciclismo (UEC) tentou encontrar uma solução e esta veio de França. Os Europeus de estrada vão realizar-se de segunda a sexta-feira da próxima semana e Portugal vai apresentar-se com uma selecção forte em elite, mas terá representações também nos restantes escalões, tanto no masculino, como no feminino.

Plouay, na região francesa da Bretanha, será o palco das corridas, depois de este fim-de-semana receber os Nacionais do país. O seleccionador José Poeira escolheu 14 atletas para representarem Portugal e haverá ambição de alcançar bons resultados.

Na elite, o trio da UAE Team Emirates que recentemente tão bem esteve em Paredes, nos Nacionais, vai poder mostrar esse entendimento em Plouay. Rui Costa será o inevitável líder, com Ivo e Rui Oliveira a seu lado. No entanto, a equipa terá mais elementos para fortalecer o sexteto. Também do World Tour estará Ruben Guerreiro, da EF Pro Cycling, ciclista que poderá ser sempre outra das apostas de José Poeira. Das equipas portuguesas foram chamados Rafael Silva, da Efapel, e Rafael Reis, do Feirense.

No caso de Rafael Reis, o atleta poderá mostrar ao mais alto nível a sua aptidão para o contra-relógio, ainda que o outro eleito não será o recentemente consagrado campeão nacional, Ivo Oliveira, mas sim Rui Costa, que conquistou o título de estrada, mas que na Prova de Reabertura recordou como também é um bom contra-relogista.

Quanto aos mais novos, os sub-23 serão Afonso Silva (Rádio Popular-Boavista), Miguel Salgueiro (LA Alumínios-LA Sport), Guilherme Mota e Pedro Miguel Lopes, ambos da Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense. Em juniores estarão Beatriz Roxo (NRV-Academia de Ciclismo de Paredes) e Daniela Campos e Fábio Fernandes (Efapel-Escola de Ovar) e João Ferreira (Academia Joaquim Agostinho-CYR-UDO).

O calendário

As boas notícias é que as corridas de elite vão ter transmissão no Eurosport. Segunda-feira haverá o contra-relógio que será igual para todos os escalões: 25,6 quilómetros, com algumas inclinações para testar os ciclistas. A Equipa Portugal estará representada pela júnior Daniela Campos, cuja prova está agendada entre as 8:00 e as 9:20 e, em elite,  como foi referido, por Rafael Reis e Rui Costa, que vão competir entre as 15:10 e 16:15.




Quarta-feira será dia para a elite discutir o título na prova de fundo, num total de 177,45 quilómetros, percorridos num circuito de 13 voltas em Plouay. Não sendo um percurso para trepadores puros, também não é um que os sprinters se sintam encantados. Com muito sobe e desce, o acumulado final será de 2535 metros.




No dia seguinte, logo às 8:00 (mais uma hora em França), os sub-23 terão de cumprir dez voltas, ou seja, 136,6 quilómetros e 1950 metros de acumulado. Sexta-feira, Beatriz Roxo e Daniela Campos farão os 68,25 quilómetros da prova de juniores, seguido pela corrida masculina, com Fábio Fernandes e João Ferreira a fechar a participação portuguesa (109,2 quilómetros).

»»Rui Costa regressou para ser campeão nacional««

»»Táctica perfeita da Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense dá título nacional de sub-23 a Fábio Costa««

»»Ivo Oliveira conquista primeiro título de elite. Guilherme Mota afirma-se no contra-relógio««

18 de novembro de 2019

Sonho olímpico para dois portugueses

Nelson Oliveira vai à procura da medalha no contra-relógio
(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
É oficial. Portugal vai poder estar representado nos Jogos Olímpicos de Tóquio por dois ciclistas, tanto na prova de estrada, como no contra-relógio. Rui Costa e Nelson Oliveira são os candidatos naturais a serem seleccionados por José Poeira, em condições normais. O difícil percurso de 234 quilómetros com quase cinco mil metros de acumulado será o objectivo do poveiro, enquanto o ciclista de Anadia tem os olhos postos na sua especialidade do esforço individual e até pensa em alterar a sua época para chegar mais forte aos Jogos.

Serão 44,2 quilómetros muito complicados. Mesmo com Nelson Oliveira a preferir terrenos menos planos, o percurso do contra-relógio de Tóquio será difícil e imprevisível. Oliveira irá para os seus terceiros Jogos, tendo sido 18º em Londres (2012) e sétimo no Rio de Janeiro (2016). Aos 30 anos está mais do que consagrado entre os melhores desta vertente do ciclismo, mas ainda persegue uma medalha ou nos Jogos ou nos Mundiais, nunca esquecendo que ganhou a prata em 2009, enquanto sub-23, nos Campeonatos do Mundo realizados em Mendrisio, Suíça.



A Volta a França tem estado sempre no plano de temporada do português - por vezes não foi cumprido, principalmente devido a quedas mais ou menos graves nas clássicas -, mas em 2020, com menos de uma semana a separar o final do Tour da prova de estrada dos Jogos, Nelson Oliveira não se importaria de regressar ao Giro - grande volta que fez em 2012 e 2013 - e depois ir à Vuelta. Apesar do principal objectivo de Oliveira ser o contra-relógio, os dois eleitos pelo seleccionador farão as duas provas em Tóquio. A de estrada está marcada para dia 25 de Julho (o Tour termina a 19), enquanto o contra-relógio, para homens e mulheres, realiza-se a 29. A 26 será a prova em linha das senhoras, que não terá representantes portuguesas.

Perante as muitas mudanças entre entrada e saída de ciclistas na equipa de Oliveira, só no estágio de Dezembro o corredor ficará a saber qual o plano delineado pela Movistar, mas não restam dúvidas de como já pensa em preparar a sua temporada de forma a tentar chegar a Tóquio o melhor possível para lutar por uma medalha.


Se Nelson Oliveira não tem à espera uma missão fácil, ainda assim depende dele próprio. Já Rui Costa só contará com a ajuda precisamente do compatriota, enquanto selecções como Itália, Holanda, França, Espanha, Colômbia e Bélgica levarão cinco ciclistas, o máximo permitido (no contra-relógio são dois). Serão 234 quilómetros que de planos pouco têm, com 4865 metros de acumulado.



Também ainda não são conhecidos os planos para Rui Costa para 2020 na UAE Team Emirates, sabendo que também este ciclista, campeão do mundo em 2013, gosta de dar preferência ao Tour. Em 2010, no Rio de Janeiro, Rui Costa foi 10º e quatro anos antes foi 13º.

Oliveira não é o único que prefere mudar o seu calendário habitual para melhor encaixar os Jogos Olímpicos no planeamento. Vincenzo Nibali, por exemplo, não quer ir ao Tour. Mas há também corredores que não estão a ver qualquer problema em ter muito pouco tempo de recuperação entre a grande volta e os Jogos Olímpicos, tendo ainda em conta a longa viagem e o diferente fuso horário. São mais nove horas na cidade japonesa do que em Portugal Continental. Tom Dumoulin e Alejandro Valverde poderão ser dois ciclistas que vão optar por esse calendário, mas ainda não está confirmado.

E nunca é de mais recordar que Portugal conta com uma medalha olímpica no ciclismo. Em Atenas 2004, um jovem talento chamado Sérgio Paulinho conquistou a prata, numa corrida ganha por uma das grandes figuras da modalidade, Paolo Bettini, com Axel Merckx a ficar com o bronze.

Poderão haver mais ciclistas portugueses nos Jogos Olímpicos de Tóquio, pois na pista luta-se por uma qualificação inédita nesta vertente, nas disciplinas do omnium e madison. Na pista, Portugal poderá estar também representado no feminino, pois Maria Martins tem feito grandes prestações no omnium.

Neste link pode confirmar a lista oficial de vagas divulgada pela UCI.

26 de setembro de 2019

Domingos Gonçalves de fora dos Mundiais

(Fotografia: © Team Caja Rural-Seguros RGA)
A selecção portuguesa vai competir com menos um ciclista devido a uma baixa de última hora. Domingos Gonçalves não viajou para Yorkshire com os restantes companheiros da equipa de elite, que já se juntaram a Nelson Oliveira em Inglaterra. O ciclista alegou "motivos pessoais" para esta ausência da corrida que se realiza no domingo.

Não foram adiantadas mais explicações, apenas que o ciclista informou na terça-feira que não correria. Contudo, o seleccionador nacional, José Poeira, afirmou, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo: "É evidente que antes do atleta está a pessoa, mas os compromissos com a Selecção também são importantes. A seguir ao Mundial avaliaremos a situação, de modo a perceber se deverá ter alguma repercussão futura."

A equipa está em Yorshire com a ambição de alcançar um top dez e sempre apontando a algo mais, com Rui Costa a liderar, mas a não ser a única opção. José Gonçalves e Ruben Guerreiro são ciclistas que podem adaptar-se bem ao percurso complicado, técnico e que poderá ter a chuva a dificultar ainda mais. Rui Oliveira fará a sua estreia em Mundiais no escalão de elite, enquanto Nelson Oliveira mostrou boa forma na Vuelta - tal como Ruben Guerreiro - e foi oitavo no contra-relógio, ficando apenas a 14 segundos da medalha de bronze.

Para Domingos Gonçalves acaba por ser um final de temporada muito aquém do desejado, depois de um 2019 muito diferente do ano passado. Foram muitas as vitórias na Rádio Popular-Boavista, que ajudaram a Caja Rural a ficar convencida em contratá-lo por uma segunda vez o gémeo de Barcelos. A queda e grave lesão no ombro na Volta à Catalunha limitaram Domingos Gonçalves numa fase importante da época, mas, ainda assim, regressou às corridas a prometer resultados positivos. Nos Nacionais, em Junho, foi segundo no contra-relógio e 18º na prova de estrada, não conseguindo renovar os títulos que detinha. No entanto, as suas prestações deixavam em aberto uma presença na Vuelta.

Conseguiu a chamada, tendo antes vindo à Volta a Portugal, acabando por abandonar na sexta etapa, sem conseguir repetir a vitória de etapa da edição anterior. Na Volta a Espanha esteve muito discreto ao contrário de alguns dos seus companheiros e não partiria para a 14ª etapa.

O contrato com a Caja Rural era de apenas de um ano, pelo que é um dos portugueses que está numa equipa estrangeira cujo futuro ainda continua por definir. E nestes Mundiais, Ruben Guerreiro, Rui Costa e José Gonçalves também ainda não anunciaram por que equipa irão competir em 2020. A Lotto Soudal e a EF Education First serão opções para Ruben Guerreiro, enquanto Rui Costa poderá renovar por mais um ano com a UAE Team Emirates. José Gonçalves, tal como Guerreiro, está em final de contrato numa Katusha-Alpecin, estrutura que também não sabe que futuro irá ter em 2020, podendo a sua licença World Tour ser comprada pela Israel Cycling Academy, do escalão Profissional Continental.


6 de agosto de 2019

Calendário limita escolha de ciclistas para os Europeus

Rui Oliveira e César Martingil - na fotografia, primeiro e segundo classificado
na Prova de Abertura Região de Aveiro - foram os eleitos para a elite
A colocação dos Europeus no calendário continua a prejudicar a corrida de elite, com as selecções a terem dificuldades em chamar os melhores ciclistas. Além de ainda não ser uma prova que apele como uns Mundiais, por exemplo, não ajuda realizar-se numa altura em que muitos corredores acabaram o Tour e, ou estão a pensar na Vuelta, ou até já fizeram o Giro e/ou clássicas e querem descansar. Além disso, é uma fase do ano com várias corridas, como a Volta à Polónia e a própria Volta a Portugal. Esta facto não facilitou o trabalho do seleccionador nacional José Poeira, que abdicou do contra-relógio de elite masculino e em Espanha foi-se mais radical: não haverá equipa de elite masculina nem na corrida de fundo, nem no contra-relógio. Para o ano já tudo deverá ser diferente, com os Europeus a realizarem-se após a Vuelta.

"Temos corredores em Portugal que poderiam estar a representar a Selecção, mas estão a competir na Volta a Portugal. Também temos outros em equipas estrangeiras, presos às obrigações profissionais, estágios de altitude ou provas do calendário internacional. Com estas condicionantes, abdicámos de competir no contra-relógio de elite, mas apresentamo-nos com dois corredores de qualidade na prova de fundo", explicou José Poeira, quando foram anunciados os eleitos pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Rui Oliveira (UAE Team Emirates) e César Martingil (Sporting-Tavira) vão ser os representantes em elite, mas Portugal terá ainda ciclistas em sub-23 e juniores, masculinos e femininos. Ao todo serão 17 atletas.

Alkmaar, na Holanda, será o palco das provas que começam amanhã e se disputam até domingo. Todos os escalões volta a estar juntos, depois de no ano passado a elite ter corrido em Glasgow, na Escócia, e os sub-23 e juniores em Brno e Zlin, na República Checa. Será a quarta edição desde que os ciclistas profissionais passaram a poder participar, com Peter Sagan a ter sido o primeiro vencedor, seguindo-se Alexander Kristoff e Matteo Trentin. De ano para ano, o pelotão tem sofrido cada vez mais com a falta de nomes fortes da modalidade e a notícia que a Espanha nem iria participar na elite masculina escancarou ainda mais as dificuldades que este calendário dos Europeus provoca nos seleccionadores, sendo praticamente obrigatória uma mudança para 2020.

"Os ciclistas do nosso país correm a um nível muito alto e as equipas querem guardá-los para o que falta [do calendário]. Há corredores que estão a pensar na Vuelta, outros fizeram o Giro e Tour e querem descansar", explicou ao jornal As Pascual Momparler. O seleccionador espanhol acrescentou que poderia recorrer a corredores de formações do escalão Profissional Continental e Continental, mas também estes estão a competir em corridas importantes para as respectivas equipas, como a Volta a Portugal.

Apesar das dificuldades, ainda há esperança que, dado o percurso ser perfeito para os sprinters, alguns dos melhores do mundo sejam seduzidos a conquistar um título que é sempre prestigiante. Mark Cavendish está já confirmado, não surpreendendo a sua selecção pela equipa da Grã-Bretanha. Ficou de fora do Tour e quer competir, numa altura em que a relação com a Dimension Data já foi bem melhor. Arnaud Démare (Groupama-FDJ) irá liderar a França, depois de ter ficado fora do Tour.

Pascal Ackermann (alemão da Bora-Hansgrohe), Sam Bennett (irlandês da Bora-Hansgrohe), Dylan Groenewegen (holandês da Jumbo-Visma) e os três ciclistas que já conquistaram o título europeu são uma possibilidade, o que definitivamente tornaria a corrida bem mais interessante do que nas duas edições anteriores, depois de uma estreia positiva da prova em Plumelec, França.

Os portugueses

A equipa nacional de sub-23 é de muita qualidade com Francisco Campos e Iuri Leitão a serem os sprinters de serviço. Mas também no feminino neste escalão haverá uma ciclista a ter muito em conta, pois Maria Martins tem realizado um excelente 2019, disputando vários sprints e já com vitórias celebradas, a última no fim-de-semana passado, em Espanha.

Aqui fica o calendário da Selecção Portuguesa e os convocados para cada uma das corridas, com os juniores a entrarem em acção já esta quarta-feira (horas de Portugal Continental e Madeira):

7 de Agosto 
8:00: Contra-relógio Juniores Femininas, 22,4 km - Daniela Campos (5Quinas/Município de Albufeira/CDASJ)
10:15: Contra-relógio Juniores Masculinos, 22,4 km – Daniel Dias (Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact) e Diogo Narciso (Bairrada)

8 de Agosto 
9:45: Contra-relógio Elite Feminina, 22,4 km - Daniela Reis (Doltcini-Van Eyck Sport)
11:45: Contra-relógio Sub-23 Masculinos, 22,4 km - Jorge Magalhães (W52-FC Porto)

9 de Agosto 
8:00: Prova de Fundo Juniores Femininas, 69 km - Daniela Campos (5Quinas/Município de Albufeira/CDASJ)
11:00: Prova de Fundo Sub-23 Femininas, 92 km - Maria Martins (Sopela Women’s Team)
15:00: Prova de Fundo Juniores Masculinos, 115 km – César Costa (Vito-Feirense-PNB), Daniel Dias (Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact), Diogo Narciso (Bairrada), João Carvalho (Bairrada), João Macedo (Bairrada) e Pedro Silva (Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact)

10 de Agosto 
8:00: Prova de Fundo Sub-23 Masculinos, 138 km – André Carvalho (Hagens Berman Axeon), Francisco Campos (W52-FC Porto), Iuri Leitão (Sicasal-Constantinos), Jorge Magalhães (W52-FC Porto), Miguel Salgueiro (Sicasal-Constantinos) e Tiago Antunes (SEG Racing Academy) 
12:00: Prova de Fundo Elite Feminina, 115 km - Daniela Reis (Doltcini-Van Eyck Sport)

11 de Agosto 
10:30: Prova de Fundo Elite Masculina, 172,6 km - César Martingil (Sporting-Tavira) e Rui Oliveira (UAE Team Emirates).

»»Quem ganhou mais dinheiro na Volta a França««

»»Nelson Oliveira renova por uma Movistar ainda a definir os líderes para 2020««

30 de setembro de 2018

Este é Rui Costa

Rui Costa com o seleccionador José Poeira
(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Custou, mas Rui Costa reapareceu em grande nível. E se não pôde estar melhor antes, então estar nos Mundiais é uma altura mais do que perfeita. Foi uma época difícil para o poveiro, mas terminar no 10º lugar em Innsbruck e ter realizado uma boa prestação durante toda a extensa e difícil corrida, até que as cãibras o limitaram, foi uma exibição que só pode deixar o ciclista e o seleccionador José Poeira orgulhosos.

Bem se viu Rui Costa a bater nas pernas quando as cãibras apareceram, mas quando pela frente estavam "apenas" os 2,8 quilómetros que chegavam a ter pendentes de 28%, o ciclista fez o que pôde para alcançar o que não deixou de ser um excelente resultado e o que estava definido como objectivo. E há que salientar que foram um dos Mundiais mais difíceis da história.

Rui Costa bem precisava de uma exibição assim. O ano foi difícil. a UAE Team Emirates contratou Daniel Martin e Fabio Aru, o que significaria a perda de uma liderança praticamente indiscutível nas grandes voltas. Mas como nunca virou a cara a um desafio, o ciclista tentou arrancar a época forte. A queda no Paris-Nice, em Março, determinaria toada da temporada. A lesão no joelho limitou-o desde então, chegando mesmo a ficar afastado da Volta a Suíça e depois do Tour, mesmo que antes até tenha estado a bom nível na Volta à Romandia (quinto na geral). Ficou de fora dos eleitos para a Vuelta e pela primeira vez desde que está no World Tour, não fez nenhuma grande volta.

É um ciclista que gosta dos grandes palcos e aquele título mundial de 2013 marcará sempre a sua carreira e a modalidade em Portugal. Em Innsbruck, não se intimidou com os 4680 metros de acumulado dos quase 260 quilómetros. Que bem esteve Rui Costa. Foi aquele Rui Costa que nos habituámos a ver, sempre bem colocado, a ler a corrida, a saber quem deve seguir ou quando deve tentar mexer pela corrida. Andava como que "escondido" há algum tempo, mas eis que os Mundiais ajudaram o português a reencontrar-se com as grandes exibições.

Lá se sofreu um pouco ao ver Rui Costa a tentar atacar na descida antes da temível subida final, pois Florença 2013 tornou-se bem viva na memória naqueles instantes. Aquelas violentas pendentes finais (antes da derradeira descida) não eram ao seu jeito, mas também não eram ao jeito de muitos. Até aquela subida parecia estar bem o português. Depois vieram os tais murros para "acordar" os músculos. O desporto é assim. Desta vez não deu, mas pelo menos vimos este ciclista ao seu nível. Depois de um ano com tantas limitações, surgir assim nos Mundiais foi um feito importante para o ciclista. Que seja o mote para o recuperar a sua melhor versão, seja qual for o seu futuro (está em final de contrato). Mais um resultado para a história dos Mundiais, com Rui Costa a cortar a meta 43 segundos depois do novo campeão mundial, Alejandro Valverde.

"Estive quase toda a corrida com os melhores. Na última subida longa tentei entrar num grupo, porque sabia que a subida final era muito inclinada para mim. Não foi possível. Tive de gerir o melhor possível, até porque já vinha com cãibras. Dei o meu melhor por Portugal. Estou contente com o décimo lugar, com pena por não ter conseguido mais. Agradeço a todos aqueles que me ajudaram e sempre me apoiaram, numa época com vários problemas. Acabar o Mundial no top 10 é muito gratificante para mim", afirmou Rui Costa, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Mas falemos também de Nelson Oliveira. Sempre foi uma dupla que funcionou bem, na selecção e quando estiveram juntos na então Lampre-Merida. Fez o contra-relógio por equipas pela Movistar (sexto), o individual (quinto) e na corrida de fundo esteve sempre bem colocado, pronto para ajudar no que fosse preciso o líder. Terminou na 39º posição, a cinco minutos.

Ruben Guerreiro e Tiago Machado completaram o quarteto da selecção. O jovem ciclista, que está de malas feitas para a Katusha-Alpecin, esteve também ele sempre atento ao que Rui Costa precisava. Uma queda prejudicou-lhe a corrida. A dor num joelho forçou o abandono. Já Tiago Machado tinha saído de cena depois de muito ter trabalhado na primeira fase da corrida.

O seleccionador José Poeira viu assim cumprido o objectivo de top 10 para fechar os Mundiais austríacos. Este resultado, o quinto lugar de Nelson Oliveira no contra-relógio e o 16º de Guilherme Mota na corrida de fundo de juniores foram os pontos altos. Os sub-23 acabaram por ser os que ficaram abaixo das expectativas, que eram altas. Foi um daqueles dias em que simplesmente não correu bem. Esperava bastante, principalmente de João Almeida, mas no momento decisivo, a equipa não conseguiu ficar na frente da corrida. São ciclistas que estão num processo de aprendizagem e tanto João Almeida, Tiago Antunes, André Carvalho e Gonçalo Carvalho têm tudo para ter mais oportunidades para se mostrarem ao mais alto nível.

Fim de festa em Innsbruck. Para o ano é Yorkshire, na Grã-Bretanha, que receberá os Mundiais de ciclismo, entre 22 e 29 de Setembro.

»»O novo Merckx? Não. É o novo Remco Evenepoel, um nome a não esquecer««

»»Nuns Mundiais marcados pelas subidas, a vitória foi decidida a descer««

16 de agosto de 2018

Equipa portuguesa ambiciosa para a Volta a França do Futuro

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Se há equipa que tem um grupo de ciclistas que tem potencial para receber muita atenção na Volta a França do Futuro, é o da selecção portuguesa. São corredores que demonstram enorme qualidade apesar de ainda serem muito jovens. À cabeça está um João Almeida que está a realizar um 2018 a todos os níveis fantástico, naquele que está a ser o seu primeiro ano na Hagens Berman Axeon. É vista por muitos como uma das melhores equipa de formação, orientada por Axel Merckx e que conta com mais dois portugueses que começam a demonstrar na estrada toda a qualidade já reconhecida na pista: Ivo e Rui Oliveira, que também estarão na corrida francesa.

Para lutar por um bom resultado na mais importante prova por etapas de sub-23, José Poeira chamou também Tiago Antunes, ciclista que começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo, tendo em Abril optado por mudar-se para a equipa espanhola de Manolo Saiz, a Aldro Team, mas no início deste mês passou a estagiar na SEG Racing Academy. É um projecto holandês de formação por onde passaram Fabio Jakobsen - uma das estrelas em ascensão na Quick-Step Floors -  e Stephen Williams, britânico que está a estagiar com a Bahrain-Merida, mas já assinou contrato até 2020.

A completar a selecção estão dois ciclistas que competem em Portugal. André Ramalho (Jorbi/Team José Maria Nicolau) e Marcelo Salvador (Sicasal-Constantinos-Delta Cafés) fazem desta equipa uma que tem corredores para todos os terrenos que irão ser enfrentados neste Tour de l'Avenir, o nome oficial da competição.

João Almeida tem sido dos jovens ciclistas em destaque nesta temporada. Venceu a Liège-Bastogne-Liège de sub-23, foi quinto na Ronde de l'Isard e ganhou a classificação da juventude, tendo feito o mesmo no Giro para o seu escalão, no qual foi segundo na geral.

"É uma equipa equilibrada, com corredores capazes de estar com os melhores nas etapas de montanha, mas também com elementos prontos para se baterem pelas primeiras posições nos dias em que os sprinters tiverem oportunidades. Além disso, completa-se com jovens que sabem cumprir a missão de trabalhar para o colectivo e que chegam a este momento da época com a frescura física necessária para enfrentar um desafio com a importância e a exigência da Volta a França do Futuro", salientou o seleccionador José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Se há prova que tem ajudado a impulsionar a carreira de muitos ciclistas, tem sido esta. Egan Bernal (Sky), David Gaudu (Groupama-FDJ), Marc Soler (Movistar), Miguel Ángel López (Astana), Warren Barguil (Fortuneo-Samsic), Johan Esteban Chaves (Mitchelton-Scott), Nairo Quintana (Movistar), fazem parte de uma lista de corredores que venceram o Tour de l'Avenir e que hoje são algumas das principais figuras do ciclismo mundial. Isto só para referir dos mais recentes.

Nesta edição, há mais um colombiano que é forte candidato a juntar-se a este lote de luxo. Ivan Ramiro Sosa é um dos ciclistas que será seguido atentamente. Tem apenas 20 anos e estará a caminho da Trek-Segafredo, depois de na Androni Giocattoli-Sidermec ter aparecido a grande nível na Volta aos Alpes e há cinco dias conquistou a Volta a Burgos.

Pode ver aqui a lista de inscritos.

Etapas
1ª: Grand-Champ - Elven, 138,2 km
2ª: Drefféac - Châteaubriant, 144,2
3ª: Le Lude - Châteaudu, 171,2
4ª: Orléans - Orléans, 20,2 (contra-relógio por equipas)
5ª: Beaugency - Levroux, 145,8
6ª: Le Blanc - Cérilly, 181,1
7ª: Moutiers - Méribe, 35,4
8ª: La Bathie - Crest-Voland Cohennoz, 81,1
9ª: Séez - Val d'Isère, 83

16 de maio de 2018

Sete portugueses num dos palcos mais importantes para os jovens ciclistas

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
É um dos principais palcos para os jovens ciclistas. A Ronde de l’Isard atrai a atenção dos olheiros das grandes equipas e nos últimos, quem por ali se mostrou viu abrirem-se as portas do World Tour. A selecção portuguesa estará representada por seis ciclistas, a maioria com características de trepadores, não fosse a corrida francesa marcada pela montanha em três das suas quatro etapas. João Almeida (Hagens Berman Axeon), André Ramalho (Jorbi/Team José Maria Nicolau), Hugo Nunes e Jorge Magalhães (Miranda-Mortágua), André Carvalho e Venceslau Fernandes (Liberty Seguros-Carglass) foram chamados por José Poeira e têm assim a oportunidade participar numa das corridas mais importantes para o escalão de sub-23, que inclui selecções e equipas de desenvolvimento.

Ao analisar a lista de vencedores recentes, vemos nomes como Pavel Sivakov (assinou pela Sky), Bjorg Lambrecht (Lotto Soudal), Simone Petilli (UAE Team Emirates), Louis Vervaeke (actualmente na Sunweb depois de se ter formado na Lotto Soudal), Kenny Elissonde (esteve na FDJ antes de se mudar para a Sky) e Alexandre Geniez (passou pela FDJ e agora está na AG2R). Mas não são só os vencedores que acabam por conseguir singrar ao mais alto nível. Jonathan Casteoviejo (Sky), George Bennett (Lotto-Jumbo), Joe Dombrowski (EF Education First-Drapac p/b Cannondale), Laurens de Plus (Quick-Step Floors), Dylan Teuns (BMC) e Tiesj Benoot (Lotto Soudal) terminaram no pódio desta corrida.

Aqui estão apenas referidos aqueles que fecharam top três e estão no World Tour, pois a lista seria mais longa se se olhar para o top dez e para algumas das mais fortes equipas Profissionais Continentais que contrataram jovens ciclistas que realizaram boas exibições na Ronde de l’Isard.

E há um português que certamente procurará no mínimo repetir o resultado de 2017. Porém, Tiago Antunes quererá ir mais além do que o excelente 10º lugar (foi ainda terceiro na etapa rainha). Desta feita não estará com as cores da selecção, pois representará a sua equipa, a Aldro Team. O responsável, Manolo Saiz, irá apostar forte no ciclista português, de 21 anos. "Vamos com uma equipa compacta, com a qual podemos aspirar a que o Antunes possa lutar por algo importante", lê-se no site da formação espanhola.

O ciclista começou o ano no Centro Mundial de Ciclismo da UCI, mas acabou por sair antes de finalizar o contrato, por acordo mútuo, assinando pela Aldro Team. A perspectiva era de assim poder competir em corridas importantes, como a Ronde de l’Isard.

Quanto aos restantes portugueses, todas na selecção, os cinco que actuam em Portugal têm destacado-se nas classificações do seu escalão. André Carvalho, Hugo Nunes e Jorge Magalhães estão em equipas que este ano pertencem escalão Continental, sendo sub-25. No entanto, mesmo representado uma de clube, as exibições de André Ramalho não estão a passar despercebidas. Já o ciclista da Hagens Berman Axeon, João Almeida, está a realizar temporada uma temporada muito positiva, que conta com uma histórica vitória da Liège-Bastogne-Liège de sub-23.

“Considero que é uma equipa homogénea, que dá garantias para uma prova de grande dificuldade”, explicou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo, que teve de substituir Rui Oliveira por Venceslau Fernandes devido a doença.

Quanto às etapas, que se realizarão entre 17 e 20 de Maio, na primeira serão 125,9 quilómetros entre Lorp-Sentaraille e Eychel, com final em alto.



A segunda termina novamente em alto, depois de 154,3 quilómetros a ligar Fonsorbes a Goulier-Neige.



A terceira é a "mais simpática", ainda que tenha muito sobe e desce à espera do jovem pelotão. Serão 153,4 quilómetros entre Lévignac e Boulogne-sur-Gesse.



A decisão final terá 152,4 quilómetros entre Salies-du-Salat e Saint-Girons, numa etapa que voltará a ter muita montanha para enfrentar.



De referir que a Polartec Kometa de Daniel Viegas também estará presente, mas o português surge como suplente na lista de inscritos que pode ver em baixo (clique para ampliar).