Mostrar mensagens com a etiqueta Adam Yates. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Adam Yates. Mostrar todas as mensagens

20 de novembro de 2019

Mitchelton-Scott cada vez mais dependente dos gémeos Yates

(Fotografia: Facebook Mitchelton-Scott)
Dizer que uma equipa que conquista 35 vitórias, incluindo quatro etapas no Tour, uma no Giro, outra no Paris-Nice, na Volta a Catalunha e também na Volta ao País Basco ficou um pouco aquém do que se esperava para 2019, pode parecer estranho. Porém, quando finalmente se consegue não só ser uma equipa capaz de disputar uma grande volta, mas que a ganhou - Vuelta de 2018 - a Mitchelton-Scott queria dar o passo seguinte de tentar conquistar mais uma, ou pelo menos estar mais na linha da frente da discussão. Mas não. Simon Yates não deu continuidade às performances do ano anterior, Adam não conseguiu ser um líder de meter respeito no Tour com o irmão a seu lado - a dupla foi importante na referida Vuelta - e depois ainda há Esteban Chaves. Ou melhor, será que há?

Perceber se é possível recuperar o colombiano depois de um ano marcado por doença que o afastou da competição durante muitos meses, era a grande dúvida. O vírus Epstein-Barr está a prejudicar e muito a carreira de Mark Cavendish e a de Chaves também não tem  grandes certezas. A vitória na etapa do Giro teve o condão de restituir confiança - sem dúvida um momento marcante na temporada para a Mitchelton-Scott - e na Vuelta terminou no top 20. No entanto, foi perceptível as dificuldades que Chaves sente em ser regular nas três semanas e não só. A equipa acabou por renovar contrato, mas por enquanto, as garantias que o colombiano dava há dois ou três anos não existem, numa altura em que o ciclista está a cerca de dois meses de completar 30 anos.

A Mitchelton-Scott não vai desistir de Chaves, tal como não deve de desistir de fortalecer o seu bloco para ajudar os irmãos Yates. Adam e Simon (27 anos) vão ter toda a pressão de conquistar mais e melhores resultados. Simon queria ajustar contas com o Giro, depois da quebra que o fez perder a edição anterior. Apesar de começar com um segundo lugar no contra-relógio e de dizer que o deviam temer, não demorou muito a mostrar que não era o mesmo ciclista de 2018. E aprendeu a ter cuidado com o que diz publicamente. Foi oitavo, mas foi uma desilusão. Foi ao Tour - abdicando de tentar repetir o sucesso na Vuelta - e compensou o desaire do Giro com duas etapas em França. Por outro lado, Adam foi apenas 29º, o que não deixou todos os responsáveis da equipa satisfeitos.
Ranking: 8º (9108,74 pontos) 
Vitórias: 35 (incluindo quatro etapas no Tour e uma no Giro) 
Ciclista com mais triunfos: Daryl Impey (6)
Matteo Trentin e Daryl Impey também venceram no Tour, mas na Vuelta a equipa pouco se viu, com Mikel Nieve a fazer-se valer da experiência e conhecimento das estradas espanholas para fechar top dez.

A Mitchelton-Scott deixou para trás os tempos em que as clássicas e sprints eram o objectivo e a "fonte de rendimento" nas vitórias. Quer ganhar gerais das principais corridas. Impey até deu o mote com a vitória no Tour Down Under logo em Janeiro, mas mais gerais só no final do ano e foram na República Checa (Impey novamente) e na Croácia (Adam Yates). Pouco, muito pouco para os objectivos da equipa australiana.

E a equipa está concentrada em manter toda a sua aposta nos gémeos Yates. Vai perder Matteo Trentin para a CCC e Daryl Impey ainda não anunciou o seu futuro. Foram dois dos ciclistas que mais vitórias garantiram e Trentin ficou tão perto de conquistar ainda um título mundial, mas foi batido por Mads Pedersen (Trek-Segafredo). Há que não esquecer que há um ano foi Caleb Ewan que partiu para a Lotto Soudal para poder ser um sprinter de primeira linha e não apenas quando a equipa não tem pretensões à geral.

Vai aumentar a exigência de ter os seus ciclistas na luta pelas grandes voltas e pelas principais provas de uma semana. Adam e Simon vão passar a contar com o experiente Andrei Zeits (Astana), cazaque com 18 corridas de três semanas feitas. As duas outras contratações serão dois jovens que se vão estrear no World Tour. Barnabás Peák (SEG Racing Academy), sprinter húngaro, e Alexander Konychev, italiano da Dimension Data for Qhubeka (equipa de formação da Dimension Data) que tem características de trepador, mas tem apenas 21 anos.

Com Ineos e Jumbo-Visma noutro patamar a nível colectivo, com Movistar ainda que em fase de mudança, mas com bons ciclistas para o bloco de apoio a Enric Mas, com a Bahrain-Merida e a UAE Team Emirates a reforçarem-se também para crescer nas grandes voltas, a Mitchelton-Scott vê a concorrência a aumentar, numa altura em que está a ficar demasiado dependente dos resultados dos Yates.

»»Contraste de emoções na época da Lotto Soudal««

»»Trek-Segafredo com final de temporada memorável no ano de ascensão de Ciccone««

22 de dezembro de 2018

Mitchelton-Scott finaliza transformação, já ganha grandes voltas e quer mais. Muito mais

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Reformulação terminada, com um tremendo sucesso. Agora é altura de construir o futuro sabendo que a equipa está consolidada numa de respeito para as grandes voltas e que tem um Yates já com uma grande volta e absolutamente capaz de ganhar mais e outro Yates que não vai querer ficar muito tempo atrás do irmão. A Mitchelton-Scott não abandona por completo os seus primórdios de equipa para tentar ganhar clássicas e alguns sprints, mas esta responsabilidade ficará entregue quase exclusivamente Matteo Trentin, pois o que esta equipa na idade  adulta mais quer é o Giro, o Tour e a Vuelta e as corridas por etapas que foram aparecendo entre elas.

Pretendia-se que os gémeos Yates confirmassem que não eram apenas jovens talentosos, que dividiram entre eles classificações da juventude nos últimos anos. Era responsabilidade dos dois levarem esta equipa ao patamar para que trabalhou nos últimos anos. Na sexta temporada, Simon respondeu ao repto. Parecia que ia ser no Giro, mas em Itália, se se pode dizer que uma corrida passou de um sonho a um pesadelo, este é um dos melhores exemplos. Acabou por ser em Espanha que Simon venceu a grande volta que a Mitchelton-Scott tanto procurava.

Mais do que uma individualidade ter alcançado o desejado sucesso, o que há mais a destacar é a equipa construída em redor do britânico. Esta Mitchelton-Scott reuniu um conjunto de gregários que começam a ser vistos de luxo. Christopher Juul-Jensen, Jack Haig, Damien Howson e Sam Bewley são todos ciclistas que estão praticamente ao nível de importância em manter na equipa, como os gémeos Yates. E precisamente por ter plena noção como os seus companheiros tão bem trabalharam para ele, Simon ficou ainda mais destroçado quando, a três dias de chegar a Roma de camisola rosa, o seu corpo cedeu. Somava três vitórias de etapas, dois segundos lugares, mas quatro top dez e simplesmente estava a ser uma exibição irrepreensível. Mas foi de mais e o trambolhão na geral atirou-o para fora do top 20.

Lição aprendida e muito bem aprendida. Chegou à Vuelta menos espectacular e mais pragmático. Também a equipa controlou o seu ímpeto e até soube ceder o trabalho "pesado" - e a liderança da prova - para poupar força e não quebrar quando as decisões chegassem. Yates venceu uma etapa, foi novamente muito regular, mas menos atacante. Foi cirúrgico e venceu a Vuelta. Era o que interessava e o que merecia.

Ranking: 5º (8660,03 pontos)
Vitórias: 37 (incluindo a Volta a Espanha e uma etapa e mais três no Giro. A vitória de Trentin nos Europeus é contabilizada como ao serviço da selecção)
Ciclista com mais triunfos: Simon Yates (8)

Adam não conseguiu seguir o exemplo do irmão, com a queda na Volta à Catalunha a estragar-lhe a temporada numa fase em que estava em claro ganho de forma. Fracturou a pélvis. Foi ao Tour e tanto na Volta à Califórnia, como no Critérium du Dauphiné deu demonstração que talvez pudesse estar entre os melhores em França. A meio da corrida começou a ceder. Foi atrás de uma etapa e uma nova queda estragou-lhe os planos. O 29º lugar esteve longe de ser algo que o deixou animado. Foi à Vuelta para ser o braço-direito do irmão e foi importante nesta rara união dos gémeos, normalmente separados nas grandes voltas.

Ganhar pela primeira vez uma corrida de três semanas é, inevitavelmente, a marca que fica de 2018 para a Mitchelton-Scott, um projecto que se prepara para a sua oitava época ao mais alto nível do ciclismo e que passará a ser de vez vista como um capaz de discutir qualquer prova por etapas.

A formação australiana nem se coibiu de deixar em casa o sprinter que ajudou a formar como ciclista. Caleb Ewan apostou muito numa ida ao Tour, mas depois do que aconteceu no Giro, mais do que nunca a Mitchelton-Scott acreditou que o seu caminho era lutar pela geral. Ewan ficou devastado e não escondeu que estava num pico de forma naquela altura do ano. Em final de contrato, decidiu sair para a Lotto Soudal e ocupar o lugar de André Greipel. Nada que preocupe a equipa australiana, cujos reforços para 2019 foram escolhidos para aumentar a escolha de blocos para as corridas por etapas.

Se Simon Yates (26 anos) confirmou que já não é o futuro da equipa, mas sim o presente, Daryl Impey demonstrou que aos 34 anos, feitos este mês, não é o passado. Começou a temporada com a conquista do Tour Down Under e juntou mais uns títulos nacionais sul-africanos ao seu currículo. Apareceu várias vezes na discussão de corridas e venceu a segunda etapa do Dauphiné.

A desilusão foi Matteo Trentin. O italiano deixou a Quick-Step Floors depois de uma época com sete vitórias, quatro na Vuelta. Já se sabe que há uma tradição dos ciclistas que saem da formação belga terem dificuldade em reencontrar sucesso idêntico e Trentin teve um 2018 que só não quererá esquecer, porque foi campeão da Europa. Não tendo o pelotão que normalmente aparece num Mundial, não deixa de ser um título e uma vitória que animou Trentin. Ainda se pensou que partiria para um final de temporada forte, mas não conseguiu repetir o sucesso na Vuelta. Foi somar dois triunfos no périplo final pela China, mas já a pensar que em 2019 quer muito mais e melhor.

A equipa até poderá estar mais apostada em ganhar a Volta a Itália - onde irá apostar Simon Yates, que disse ter contas a fechar com a corrida -, contudo, a contratação de Trentin também foi pensada por ser um ciclista que sabe bem correr sem depender em demasia de um apoio de companheiros. Sprints e clássicas vão ser para ele.

Quanto a Johan Esteban Chaves não se pode falar de desilusão, mas sim de incerteza. O colombiano foi o primeiro a fraquejar no Giro, depois de ter ganho no Etna, com Yates a seu lado. Foi uma das imagens do ano e uma das últimas vezes que se viu Chaves. Depois apareceu de vez em quando na televisão na parte de trás do pelotão. Dizer que fraquejou não descreve bem o que aconteceu ao colombiano que esteve irreconhecível. Terminou a corrida, ainda que se suspeitava que algo não estava bem. Chaves não competiu mais em 2018 e depois de meses de espera foi divulgado que o ciclista, de 28 anos, sofria de uma mononucleose.

O objectivo passou a ser apenas recuperar Chaves para que em 2019 possa ir atrás da grande volta que se pensava poder ser dele antes dos Yates afirmarem-se. A dúvida é enorme, tendo em conta os exemplos recentes de problema de saúde idêntico. Mark Cavendish (Dimension Data) não mais foi o mesmo, enquanto Beñat Intxausti competiu 23 dias em três anos na Sky. Se conseguir ser o Chaves que já vez pódio no Giro e Vuelta, então a Mitchelton-Scott aspirará a ainda mais.

Permanências: Simon Yates, Adam Yates, Johan Esteban Chaves, Matteo Trentin, Daryl Impey, Michael Albasini, Jack Bauer, Sam Bewley, Alex Edmondson, Luke Durbridge, Jack Haig, Lucas Hamilton, Michael Hepburn, Damien Howson, Cameron Meyer, Luka Mezgec, Christopher Juul-Jensen, Mikel Nieve e Robert Stannard. Michael Hayman irá retirar-se após o Tour Down Under.

Contratações: Nick Schultz (Caja Rural), Dion Smith (Wanty Groupe-Gobert), Callum Scotson (Mitchelton-BikeExchange), Brent Bookwalter (BMC), Edoardo AFfini (SEG Racing Academy) e Tsgabu Grmay (Trek-Segafredo). 


13 de setembro de 2018

Ao ataque

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Dois dias para tudo decidir. Simon Yates e Alejandro Valverde podem liderar o favoritismo para lutarem entre eles pela vitória na Vuelta, mas Enric Mas demonstra uma tremenda atitude para quem tem apenas 23 anos e está na sua segunda grande volta. O espanhol quer ir ao ataque e tentar levar a surpresa da sua exibição ainda mais longe. Também Yates assume um discurso ofensivo, ainda que um pouco mais comedido. Só Valverde revela uma forma de estar expectante, mais do género: "vamos ver". Mas há 25 segundos para recuperar, pelo que o espanhol também não ficará à espera que o rival falhe. A experiência é muita, pelo que não surpreende a sua postura mais sensata, por assim dizer.

Tenta-se perceber se os dois percursos decisivos da Vuelta favorecem mais um ou outro ciclista, mas depois de tantas dificuldades, de ganhos e perdas de tempo, Yates e Valverde acabam por estar a um nível idêntico e ambos parecem mais convencidos que será no sábado que se tentarão fazer as diferenças. Bluff? Enric Mas não o faz. "Se as forças me acompanharem, talvez eu possa tirar alguma vantagem." Esta postura de Mas pode baralhar os planos dos dois primeiros. O espanhol tem estado a subir de forma durante esta Vuelta e se a inexperiência o poderá trair, a irreverência tem sido um elixir de sucesso.

"Conheço muito bem as estradas de Andorra. Sei onde atacar. Se me sentir com força, sem dúvida que o farei", disse Mas. Yates é britânico, mas Andorra também não tem segredos para ele. Afinal é um dos muitos ciclistas que fez daquela região a sua casa. "As etapas serão muito difíceis, mas estou entusiasmado. Estou só a tentar fazer a minha corrida. Penso que posso ganhar", afirmou um Yates, que ao dizer que quer fazer a sua corrida, já se sabe, é ao ataque que melhor sabe pedalar.

Temos então o sábio Valverde. "Quanto às estratégias, vamos ver como será o dia. Vamos ver como estamos e como estão os nossos rivais. Na parte final veremos o que se passa", referiu. Lá está: a postura do "vamos ver". Este discurso é de alguém que não quer revelar nada do que está planeado. A Movistar assumiu que estava na Vuelta para ganhar. Nairo Quintana desiludiu, mas Valverde confirmou como aos 38 anos continua num nível altíssimo de competitividade. Até o próprio admite que não esperava estar tão bem nesta altura da competição.

Valverde não é tão metódico como Quintana, mas também não é de se lançar ao ataque de qualquer maneira. O plano está delineado. Para amanhã e para sábado e poderá muito bem passar por ver se um eventual nervosismo afecta Yates ou tentar provocar esse nervosismo. Afinal ainda não foi há muito que o britânico esteve nesta situação de líder e perdeu-a. Foi precisamente na 19ª etapa do Giro que tudo se desmoronou e ficou sem a camisola rosa. Yates está diferente, aprendeu a lição, assim como a sua equipa, Mitchelton-Scott, e o ciclsita está decidido a manter a vermelha. Valverde mais decidido está para vencer pela segunda vez a Vuelta, quando se pensava que tal já não seria possível nesta fase tardia da carreira. E Mas? Porque não uma última reviravolta numa corrida em que o que parecia ser, teve tendência a não se confirmar.


Três ciclistas de enorme qualidade. Três personalidades distintas, mas que no ciclismo são todas sinónimos de espectáculo. Assume-se um trio de candidatos - Mas (Quick-Step Floors) tem 1:22 minutos de desvantagem -, que pela forma que apresenta, é um trio perfeito para um final emocionante. É isto que se pede depois de quase três semanas de ciclismo.

E claro, se mais alguém quiser reentrar na luta numa Vuelta em que tudo é possível, nem que seja pelo pódio, haverá então mais ataques. Miguel Ángel López (Astana, a 1:36) não tem medo nem nada a perder em arriscar. Steven Kruijswijk (Lotto-Jumbo, a 1:48) não é de grandes mudanças de ritmo, mas, capaz do melhor e do pior, tem de mostrar na montanha a força que mostrou no contra-relógio.

19ª etapa: Lleida - Andorra. Nauturlandia, 154,4 quilómetros

Para começar, um dia de final mais explosivo, antes da curta etapa de muita montanha, num dos dias mais esperados do ano no ciclismo. Esse é só no sábado. Primeiro há que passar o Coll de la Rabassa. 17 quilómetros com os dois primeiros (nem isso) a obrigarem a todos a estarem bem atentos. As pendentes aproximam-se dos 14% (nada de mais para quem já enfrentou de 24%!), mas depois irão variar entre 7/8%, baixam para os 3/4% e serão estas oscilações constantes até ao fim da etapa.



Sábado serão os 97,5 quilómetros com três primeiras categorias, uma segunda, uma terceira a abrir e a fechar esta sequência, antes do Coll de la Gallina, uma categoria especial, para um momento ainda mais especial. Sim, já se chegou àquela fase da Vuelta em que se implora: tempo, passa rápido! Mais rápido!

Wallays e o vento frustraram Sagan

Muito quer o eslovaco uma última vitória com camisola do arco-íris. Apesar de ir para Innsbruck tentar o quarto título, Peter Sagan sabe que naquele percurso tão montanhoso seria um milagre ganhar novamente. Por isso, vencer na Vuelta antes de se despedir da camisola (pelo menos por um ano) é algo que tanto quer, que vai até ao fim da corrida, quando não surpreenderia se já tivesse feito as malas.

O pelotão tirou mal as medidas à fuga, que recebeu a preciosa ajuda do vento, que durante muitos quilómetros empurrou o trio pelas costas. Sagan fez um assalto final e aproximou na que então já era uma dupla, mas era tarde. O belga Jelle Wallays deu uma vitória à Lotto Soudal, um dia depois de Thomas de Gendt vestir a camisola da montanha. Sven Erik Bystrom (UAE Team Emirates) perdeu o sprint, com Sagan a cortar a meta logo a seguir, cabisbaixo. Tem apenas Madrid como derradeira oportunidade.

Numa etapa completamente plana, sem contagens de montanha, a média foi de 47,10 quilómetros/hora! Os 186,1 entre Ejea de los Caballeros e Lleida foram percorridos rapidamente, no que Yates considerou ser a etapa mais fácil da Vuelta, apesar da alta velocidade, principalmente da parte final. Já Valverde não gostou tanto do perigo que acabou por ser aquela perseguição desenfreada à fuga. Mas faz parte e foi um teste à atenção de todos.

Pode ver aqui as classificações completas.

»»Quintana pode não ter perdido apenas a Vuelta««

»»Carros da caravana da Vuelta foram vandalizados««

7 de julho de 2018

Líderes aos trambolhões logo no primeiro dia

Chris Froome sofreu uma queda e perdeu tempo
(Imagem: print screen, ver vídeo em baixo)
Se Fernando Gaviria teve um início perfeito de Volta a França - estreia mais auspiciosa é impossível -, já alguns dos principais líderes das equipas para a geral começam a fazer contas logo após o primeiro dia. Uma queda cortou o pelotão e prejudicou ciclistas como Richie Porte e Adam Yates, Nairo Quintana partiu as duas rodas antes dos três quilómetros finais e Chris Froome deu um trambolhão ao ficar sem espaço numa estrada estreita. Ninguém tem razões para entrar em pânico, mas têm de pensar desde já onde poderão recuperar o tempo que não esperariam perder numa etapa plana.

Os 201 quilómetros entre Noirmoutier-en-l'Île e Fontenay-le-Comte eram relativamente planos, com uma quarta categoria para atribuir a camisola da classificação da montanha. O vento era a maior preocupação, assim como a colocação nuns quilómetros finais com uma estrada estreita e alguns obstáculos habituais de uma via urbana. Os percalços podem acontecer a qualquer um, mas não se esperava tanto e logo no primeiro dia do Tour.

Durante a etapa houve alguns incidentes e Lawson Craddock tornou-se o herói da jornada, ao fazer mais de 100 quilómetros a sangrar do sobrolho e com uma fractura na omoplata. E não, não quer ir para casa. "Vou ver como me sinto esta noite, como durmo, como me sentirei de manhã, andarei de bicicleta e vou ver se conseguido aguentar", lê-se numa mensagem no Twitter, partilhada pela equipa, EF Education First-Drapac p/b Cannondale.

Mas foram os últimos dez quilómetros que foram algo caóticos. Enquanto se preparava já o sprint, uma queda na frente envolveu, entre outros, ciclistas da Groupama-FDJ. O pelotão ficou cortado. Na luta particular pela etapa, Arnaud Démare foi um dos afectados, mas aos poucos começou a ver-se que Adam Yates tinha ficado para trás, depois viu-se Richie Porte, para referir dois daqueles que estão na lista de favoritos na geral. A acção continuou. Ao tentar colocar-se no pelotão, Chris Froome foi vítima da estrada estreita. Ficou sem espaço e deu um valente trambolhão, mas sem consequências físicas. As imagens foram captadas pela câmara instalada na bicicleta de Jasper de Buyst (Lotto Soudal).

(Texto continua depois do vídeo)




Ainda se está a tentar perceber onde estão exactamente Froome, Porte e Yates e eis que aparece a imagem de Nairo Quintana parado na berma. Ao passar por uma lomba, o colombiano da Movistar partiu as rodas. O apoio neutro teve dificuldades em ajudar e o ciclista acabou mesmo por esperar pelo carro da equipa para receber outra bicicleta. Resultado? 1:15 minutos perdidos para a frente da corrida, onde estavam Romain Bardet (AG2R), Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) e Tom Dumoulin (Sunweb) e mais alguns daqueles que estão no Tour com pretensões elevadas.

Mas Quintana viu o aspecto positivo. No final destacou como Mikel Landa e Alejandro Valverde não tiveram problemas e como para Froome não perdeu muito tempo. O britânico da Sky cortou a meta 51 segundos depois de Gaviria, no mesmo grupo de Porte e Yates. Porém, há duas questões que acabam por ser colocadas logo após o primeiro dia. Nem foi preciso esperar pela montanha ou pela etapa do pavé. 1:15 é uma distância já algo preocupante, pelo que Landa poderá ganhar alguma vantagem na luta interna pela liderança, caso se apresente de facto bem quando chegar os momentos de decisão.

Também na Sky se viu algo que em anos anteriores seria impensável. Com o líder a precisar de recuperar, Geraint Thomas ficou na frente da corrida e cortou a meta sem problemas. O galês sempre disse que iria ao Tour como co-líder e logo a abrir a competição demonstrou como não vai estar dependente do que Froome irá fazer. Pelo menos para já. Ainda assim, são 51 segundos que o poderá colocar uma posição para de facto vir a ter um papel mais livre na equipa. Sabendo como a Sky sempre actuou em prol de um ciclista, até parece estranho. Falta muita corrida, mas as vitórias alcançam-se muitas vezes nos pequenos pormenores. E 51 pequenos pormenores podem vir a ter efeito mais tarde.

(Texto continua depois do vídeo)




O início da história de Gaviria

Antes do Tour começar, Fernando Gaviria mostrou uma tremenda modéstia. Afirmou que esperava ganhar pelo menos uma etapa. Tendo em conta que a expectativa era que conquistasse o Tour como fez no Giro há um ano (quatro etapas na sua primeira grande volta), Gaviria pelo menos tentou não entrar na euforia que o rodeia. Contudo, no seu primeiro Tour, na sua segunda grande volta, venceu logo ao primeiro dia. Em 2012, Peter Sagan também venceu na primeira etapa na estreia em França, mas antes houve um prólogo, ganho por Fabian Cancellara, que em 2004 venceu logo a abrir na sua primeira Volta a França.

Gaviria é também o segundo colombiano a vestir a camisola amarela, 15 anos depois de Victor Hugo Peña. Além disso tem também a verde (dos pontos), que revelou poder ter pretensões, já que lutou logo no sprint intermédio. A pouco mais de um mês de cumprir 24 anos, Gaviria tem ainda a camisola branca da juventude. A da montanha ficou para um dos homens da fuga, o francês Kevin Ledanois, da Fortuneo-Samsic.

A vitória de Gaviria acabou um pouco ofuscada por todos os acontecimentos nos últimos dez quilómetros, mas foi um triunfo claro do colombiano, num sprint bem preparado pela Quick-Step Floors, como já era de esperar. Se havia alguma ansiedade nesta sua estreia, então nada como um triunfo a abrir para libertar o ciclista desse tipo de sentimentos. Só Peter Sagan ainda tentou ameaçar Gaviria. "Agarrou" a roda do colombiano, mas não conseguiu contrariar a potência final do rival. Todos os outros sprintaram, mas estiveram sempre a ver as costas do ciclista da Quick-Step Floors, como o antigo companheiro Marcel Kittel, que foi terceiro, mas sem se poder dizer que esteve na disputa.

Sagan está no Tour para ir buscar mais uma camisola verde, mas já percebeu que vai ter um adversário à altura. Porém, no final, não hesitou em dizer que o mais forte tinha ganho em Fontenay-le-Comte.

Este domingo será uma etapa de características idênticas, com o contra-relógio colectivo à espera das equipas na segunda-feira. Se era aqui que se esperaria que começassem a ser feitas algumas diferenças, agora será preciso pensar em recuperar algumas diferenças!

Pode ver aqui as classificações após a primeira etapa.

Segunda etapa: Mouilleron-Saint-Germain - La Roche-sur-Yon, 182,5 quilómetros



»»Um Tour em que Froome é menos favorito««

»»Os principais candidatos num Tour em que poucos faltaram à chamada««

»»Uma segunda linha de muita ambição na Volta a França««

6 de dezembro de 2017

Faltou Chaves, um pouco mais dos Yates, mas houve muito Ewan

Lesão no joelho limitou toda a temporada de Chaves
(Fotografia: Facebook Orica-Scott)
Não se pode dizer que longe vão os tempos de uma Orica que lutava por etapas, que era das melhores equipas no contra-relógio colectivo e apostava também nas clássicas. Não vão longe, mas começam a parecer distantes. A equipa australiana tem feito uma evolução notável em transformar-se numa formação que quer passar a lutar sempre por classificações gerais e aponta cada vez mais às grandes voltas. Já se percebeu que o potencial está lá, principalmente através dos gémeos Yates, mantendo-se a expectativa para com Carlos Verona. E claro, Johan Esteban Chaves.

2017 deixou claro que Caleb Ewan é sprinter para discutir vitórias com os melhores, ainda que continue um nível abaixo de Fernando Gaviria ou Marcel Kittel, por exemplo. Tem apenas 23 anos e a Orica-Scott sabe que tem ainda muito trabalho pela frente no desenvolvimento de todo o potencial do australiano. Certo é que apesar do seu 1,65 metros e daquela forma estranha de sprintar, deitado no guiador, já pouco se fala desse estilo. Fala-se que temos sprinter. Foram dez as vitórias nesta temporada, uma no Giro.

Também ficou novamente claro que os Yates são dos melhores jovens voltistas. No Tour deste ano ganhou Simon essa classificação, há um ano tinha sido Adam. No Giro, Bob Jungels (Quick-Step Floors) estragou a festa. E agora? Têm 25 anos e está na altura de lutarem por outras camisolas.  Simon fez sétimo no Tour, Adam nono no Giro. A Vuelta não correu muito bem. O potencial para top dez é conhecido, mas ficou um dissabor de não se ver os Yates mais competitivos na luta por um pódio ou uma etapa, pelo menos. A Orica-Scott sabe que tem dois ciclistas que podem ir mais longe, falta saber se, tal como acontece com outras estruturas, os conseguirá rodear de homens com qualidade para os apoiar. Quando há uma Sky ou uma Movistar que são exemplos de como se trabalha em equipa, é cada vez mais utópico pensar que se pode ganhar uma grande volta pelo puro talento de um ciclista. Até a Sunweb sabe disso e quer Tom Dumoulin bem protegido.

Ranking: 7º (7190 pontos)
Vitórias: 29 (incluindo uma etapa no Giro e no Paris-Nice)
Ciclista com mais triunfos: Caleb Ewan (10)

A desilusão nem foi os Yates não terem feito um pouco mais, foi Chaves. Um problema nunca bem explicado no joelho do colombiano, fez com que o colombiano estivesse quatro meses sem competir. E quando reapareceu, foi uma sombra do ciclista que fez pódio no Giro e Vuelta em 2016. Foi ao Tour para recuperar sensações e mal se viu. Na Vuelta tentou mostrar-se, surgiu bem numa ou outra subido e durante uma parte da corrida parecia ser o único capaz de fazer frente a Chris Froome. Perdeu fôlego com o passar dos dias e depois do contra-relógio individual, na etapa 16 (tem mesmo de melhorar neste aspecto, urgentemente), foi caindo até ficar fora do top dez (11º). O ano não foi perdido, mas esteve longe de ser ganho. No entanto, se aparecer a 100% em 2018... Cuidado com ele. Ao contrário dos Yates, poderá ser um ciclista que mesmo com menos ajuda de companheiros é capaz de bons resultados. E é nele que residem as maiores esperanças da equipa australiana em alcançar algo histórico para o seu currículo: conquistar uma grande volta.

O que continua a entusiasmar na Orica-Scott é que, apesar da mudança de objectivos, mantém um grupo de ciclistas sempre pronto a lutar por etapas. Ainda assim, certamente que teria gostado de um desempenho mais produtivo nas grandes voltas. Só as clássicas parecem ter ficado mais em segundo plano este ano e, desta vez, não houve surpresas como Mathew Hayman ganhar o Paris-Roubaix. Mas a situação poderá mudar já que a caminho vai Matteo Trentin, uma das sensações de 2017 ao serviço da Quick-Step Floors. O italiano quer sair da sombra dos grandes homens de clássicas que a equipa belga sempre tem e afirmar-se ele próprio como um desses ciclistas de referência. E claro que ganhar etapas em grandes voltas também continuará a ser ambição. Também vai chegar Mikel Nieve e é possível imaginar como poderá ser colocado ali bem ao lado de Chaves.

Cameron Meyer regressa à estrutura depois de um ano pelo escalão Continental (na Mitchelton Scott) e Jack Bauer também deixou a Quick-Step Floors. Ambos serão dois ciclistas que podem dar outra solidez à equipa no que diz respeito ao apoio aos líderes.

»»Azares, erros tácticos, a polémica do ano e Sagan e Majka a precisar de melhor apoio««

»»Ataque ao Tour falhou no contra-relógio, mas AG2R ganhou força nas clássicas««

»»Um ano em que as atenções dividiram-se entre Uran e o director da equipa««

12 de setembro de 2017

Orica-Scott procura novo patrocinador

(Fotografia: Facebook Orica-Scott)
Resolveu-se o problema na Cannondale-Drapac, mas há outra equipa que procura uma solução, ainda que tenha uma garantia tranquilizadora. A Orica vai deixar de apoiar a estrutura australiana, como tinha anunciado há um ano, contudo, não há perigo, pelo menos para já, de extinção. O líder da GreenEdge garantiu que irá continuar a financiar tanto a equipa masculina, como a feminina e também a de sub-23, que está no escalão Continental. Nestes dois últimos casos, acresce a questão da saída da federação no apoio às formações.

O anúncio do adeus da Orica foi feito ainda em 2016, em Junho, com a garantia da empresa da indústria mineira que não abandonaria o projecto até ao final de 2017. A marca de bicicletas Scott entrou nesta época e tem contrato durante três anos. Já fornecia as bicicletas, mas escolheu dar também o nome na equipa. Mas é preciso mais. Os responsáveis da estrutura estão já no terreno para encontrar um patrocinador que preencha a vaga deixada pela Orica. Porém, parece haver neste momento uma total tranquilidade, pois já se prepara a próxima temporada. Mikel Nieve (Sky) e Matteo Trentin e Jack Bauer, ambos da Quick-Step Floors, são três nomes confirmados, com Johan Esteban Chaves e os gémeos Yates a serem novamente as apostas para as grandes voltas. Alguns ciclistas também renovaram, casos de Mathew Hayman, vencedor surpresa do Paris-Roubaix em 2016.

A continuidade da equipa feminina também não estará nada em causa. Foi uma das melhores do nível World Tour, somando 18 vitórias, sete das quais em corridas do principal escalão. Tal como a formação sub-23, também deixará de receber da federação, que se encontra em fase de reestruturação, depois de um Jogos Olímpicos com resultados aquém do esperado.

A Austrália é uma das potências no ciclismo de pista, mas nos últimos anos tem visto renascer também a sua vertente de estrada, muito por causa do trabalho da Orica-Scott, equipa que dá o nome actual ao projecto que nasceu na GreenEdge Cycling. Simon Gerrans, mais veterano, e a estrela em ascensão Caleb Ewan são duas das actuais referências, tal como Michael Matthews, que este ano foi para a Sunweb, mas cresceu como ciclista na estrutura da australiana.

As garantias do líder da GreenEdge, Gerry Ryan - que deu nome à equipa desde a criação em 2012, juntamente com a Orica, até ao ano passado -, são suficientes para continuar a trabalhar, já que Ryan terá mesmo dito que cobriria os valores necessários para manter as estruturas na estrada em 2018 e 2019. Porém, os responsáveis sabem como é importante não depender em demasia de uma "fonte", pelo que farão tudo para assegurar um novo patrocinador o mais rapidamente possível.

Desportivamente a equipa vai conquistando os seus resultados, apesar da aposta nas grandes voltas não ter igualado o sucesso de 2016 (destaque para os pódios de Chaves no Giro e na Vuelta).  Ainda assim são 29 vitórias em 2017, 10 do pequeno sprinter Ewan. No entanto, há também o lado da imagem, sendo a Orica-Scott uma equipa muito popular e das melhores a se apresentar junto dos fãs, muito à custa dos vídeos originais que partilham nas redes sociais e que permitem ver um outro lado do ciclismo profissional.

15 de maio de 2017

Director do Giro defende polícia que provocou acidente. Landa tem muitas dores, mas vai continuar na corrida

Mikel Landa conseguiu treinar esta segunda-feira e vai continuar
na corrida (Fotografia: Russ Ellis/Team Sky)
O incidente antes do início da ascensão ao Blockhaus marcou inevitavelmente a Volta a Itália, principalmente porque deixou muito provavelmente dois ciclistas fora da luta (Geraint Thomas e Adam Yates), Wilco Kelderman abandonou e não vai ser o apoio importante que Tom Dumoulin esperava, enquanto Mikel Landa ainda pensou que teria também de deixar a corrida, mas os testes desta segunda-feira foram positivos e o espanhol estará no contra-relógio. O director do Giro lamenta o que aconteceu, estando triste pela competição ter ficado sem alguns dos seus candidatos. No entanto, Mauro Vegni saiu em defesa do polícia em causa, admitindo, contudo, que houve um erro de cálculo, com consequências graves.

"Penso que não é correcto apontar o dedo ao polícia. Não quer que fiquem com toda a culpa porque a polícia tem feito um excelente trabalho na protecção aos ciclistas durante 70 anos. Naturalmente que eles também estão chocados com o que aconteceu. Infelizmente as coisas podem correr mal, mas não deve arruinar a imagem da polícia", salientou Mauro Vegni. O responsável acrescentou que na corrida estão cerca de 50 veículos, entre motos e carros, que têm o objectivo de proteger os ciclistas. Explicou ainda que a decisão do agente em parar na estrada deveu-se à preocupação de garantir que todos os ciclistas estariam em segurança, numa altura em que o pelotão estava a partir-se em vários grupos mais pequenos. "Concordo que houve um erro de cálculo ao parar ali, numa zona estreita da estrada. Talvez pudesse ter parado cem metros mais à frente", referiu Mauro Vegni.

A Orica-Scott e a Sky foram as equipas mais afectadas, pois os seus líderes acabaram por perder muito tempo. Adam Yates está a 4:49 minutos do líder Nairo Quintana, com Geraint Thomas a 5:14. A missão dos dois britânicos é muito complicada, ainda que nenhum esteja disposto a desistir de pelo menos chegar ao pódio. Afinal ainda há duas semanas de corrida pela frente. 

Já Mikel Landa está feliz por ainda conseguir estar no Giro. O espanhol até foi dos mais rápidos a retomar a prova, mas acabou por perder muito tempo. A dor na perna esquerda provocou-lhe muitos problemas na subida ao Blockhaus. Tem 27:06 minutos de desvantagem, mas depois da desilusão de domingo, Mikel Landa mostrou-se satisfeito pelos exames feitos hoje terem demonstrado que não tem uma lesão grave e depois de um treino de uma hora, o espanhol da Sky assegurou que vai estar no contra-relógio. O ciclista ainda tem dores, mas espera conseguir "fazer coisas bonitas" nas etapas que ainda faltam no Giro.

Já Tom Dumoulin não escondeu a fúria por ter perdido Wilco Kelderman, que teria um importante papel de o apoiar nas etapas de montanha. O holandês da Sunweb chegou mesmo a classificar o incidente como "estúpido".

Contra-relógio para voltar a mudar a classificação geral


Depois do descanso espera aos ciclistas mais um teste. O primeiro de dois contra-relógios individuais é já esta quinta-feira, com 39,8 quilómetros não muito planos a prometeram que haverá um ataque forte de Tom Dumoulin à maglia rosa, camisola que já vestiu no Giro de 2016, precisamente após o esforço individual, logo no primeiro dia. O holandês já garantiu que se se sentir bem, terminar o dia na liderança é o objectivo. O ciclista da Sunweb esteve muito bem no Blockhaus, terminando na terceira posição, com 30 segundos a separá-lo de Nairo Quintana.

O colombiano da Movistar afirmou que gostaria de continuar de rosa, mas admitiu que será difícil, considerando que tanto Dumoulin, como Thibaut Pinot (FDJ) - que está a 28 segundos - são melhores que ele no contra-relógio. Quintana prefere olhar já para as próximas montanhas, onde pretende regressar à liderança, caso a perca na terça-feira. No dia seguinte terá logo essa oportunidade será uma etapa para romper pernas, com duas segundas categorias e duas terceiras. Mas o líder da Movistar terá mesmo marcada a tirada de sábado com a chegada em alto a Oropa.

»»Não basta ter estilo Nibali, é preciso ter categoria e Quintana tem muita««

»»Chega de irresponsabilidade. O acidente no Giro não foi ciclismo, foi estupidez««

14 de maio de 2017

Chega de irresponsabilidade. O acidente no Giro não foi ciclismo, foi estupidez

Thomas ficou mal tratado, mas acabou a etapa (Fotografia: Giro d'Italia)
Os olhares dos ciclistas da Sky envolvidos na queda no início da subida ao Blockhaus para o polícia que tinha provocado o acidente dizem quase tudo. Eram fulminantes. É inacreditável como foi possível acontecer algo tão irresponsável, numa das principais corridas mundiais, com uma elevada exigência de profissionalismo de todos os participantes, seja em que função for. O polícia escolheu parar na berma, mas ainda na estrada, quando o pelotão se aproximava a alta velocidade, concentrado em preparar o início de uma das subidas mais difíceis do Giro. Os ciclistas da frente conseguiram desviar-se, mas a Sky foi ao chão, Adam Yates caiu, Wilco Kelderman terminou ali a Volta a Itália, para revolta do seu líder Tom Dumoulin. O homem da Sunweb não teve problemas em considerar o que aconteceu como consequência de um acto estúpido. Palavra dura, mas que explica tudo. Foi uma estupidez o que aconteceu e quem pagou foram homens que passaram meses a preparar o Giro e que agora viram esse trabalho deitado fora porque um polícia resolveu parar a moto num local proibido com o pelotão a passar.

Recentemente a UCI anunciou novas regras que visavam proteger os ciclistas dos incidentes com as motos. No entanto, é impossível à UCI e aos organizadores das corridas evitarem o que aconteceu este domingo na Volta a Itália. É impossível prever que alguém, que certamente terá recebido formação para estar naquela função, resolvesse parar na naquele local, numa altura em que o pelotão ainda estava muito bem composto e a ocupar todo o espaço disponível da estrada, como seria de prever naquela fase da etapa. Foi um erro na avaliação da corrida por parte do polícia, que certamente que não queria provocar uma queda, mas que inadvertidamente se tornou numa das figuras do Giro, pela pior das razões.

(Carregue no play que o vídeo começará no momento do acidente.)


Giro d'Italia - Stage 9 - Highlights por giroditalia

Os ciclistas bem tentaram desviar-se, mas bastou um não conseguir e foi uma queda colectiva. O resultado afecta a classificação geral da corrida, pois Geraint Thomas, Mikel Landa e Adam Yates eram três homens com aspiração à vitória final. Perder a Volta a Itália por condições físicas, até mesmo por se ter um furo ou uma avaria mecânica no pior dos momentos, isso pode-se dizer que é ciclismo. Uma queda provocada por um acto irresponsável, irreflectido, não!

Geraint Thomas perdeu 5:08 minutos, Adam Yates (Orica-Scott) 4:39. Milkel Landa, o outro líder da Sky baixou completamente os braços perante as dores com que ficou e perdeu 26:56. Se calhar pode-se tentar ver o lado positivo realçando como nada de muito grave aconteceu aos ciclistas, isto comparando com acidentes com motos em corridas num passado recente. Porém, é impossível não existir alguma frustração, irritação e uma vontade enorme de exigir justiça perante o que aconteceu.

A Sky optou por um discurso mais racional, tentando não alimentar a polémica, mas o mesmo não aconteceu com a Orica-Scott. Se a corrida pudesse ter sido neutralizada foi uma questão levantada, Matt White apontou antes o dedo à Movistar. A equipa espanhola estava a impor um ritmo elevado há algum tempo e não abrandou. "Penso que a decisão da Movistar não foi correcta. Não havia uma fuga, era uma fase a descer e todos estavam cientes que tinha acontecido uma queda. A melhor decisão de desportivismo seria ter desacelerado por um ou dois minutos. Teria dado tempo aos rapazes para regressar ao pelotão. Não havia necessidade para puxar como eles puxaram. É uma desilusão porque tenho muito respeito pela equipa, mas acho que tomaram uma má decisão", salientou o director desportivo da Orica-Scott.

Porém, Nairo Quintana contrariou a afirmação de Matt White que tinham conhecimento da queda. "As ordens eram para puxar na frente. Não sabíamos o que tinha acontecido atrás, não sabíamos que tinha sido tão grave", explicou o colombiano, que acabaria por ganhar a etapa com uma grande exibição e subir à liderança da corrida. Quintana lamentou ainda o sucedido.

Já Dave Brailsford, director da Sky, tenta ser a voz da razão perante o seu grupo de ciclistas prontos a explodir de raiva. "Às vezes os postes da baliza mexem-se, sabes que isso acontecerá e tens de responder. A moto não deveria ter estado ali, penso que todos vêem isso, mas tenho a certeza que o homem que a conduzia sabe disso também, tenho a certeza que também não se sente muito bem", frisou. Para Brailsford é importante que se deixe o que incidente no passado, a nível desportivo, mas há que "questionar porque é que aconteceu". "Portanto, continuamos a lutar. Recalibrar e continuar", disse o director da Sky.

Talvez esta seja a melhor forma de pensar para garantir que os seus ciclistas continuem em prova e tenta salvar algo de mais um azar a atingir a Sky na Volta a Itália. Com Richie Porte houve o incidente do furo e da roda dada por um compatriota, mas que não era companheiro de equipa, com Mikel Landa foi uma gastroenterite em 2016... O contra-relógio de terça-feira ainda pode recolocar Thomas pelo menos no top dez. Mas a ver vamos como estão os ciclistas fisicamente. Mentalmente não esconderam estar de rastos. Há muito trabalho a fazer nesta segunda-feira de descanso por parte de Brailsford para elevar o moral dos atletas.

»»"Quintana vai deixar todos para trás e ganhar o Giro a fumar o seu cachimbo"««

»»Sete etapas sem vencedores italianos no Giro. A crise chega agora às vitórias e logo na 100ª edição««

1 de maio de 2017

Giro. Candidatos: Kruijswijk, Zakarin e Yates

Steven Kruijswijk (29 anos, Holanda, Lotto-Jumbo)

Aquela queda... Parecia que o difícil seria perder o Giro de 2016. Kruijswijk tinha estado simplesmente brilhante até que uma descida em condições meteorológicas pouco simpáticas colocaram um ponto final num sonho que estava tão perto de se tornar realidade. Aquele mortal para a neve... O holandês nunca esquecerá como deixou fugir a Volta a Itália. Mas é também por isso mesmo que aparece em 2017 muito motivado, ciente que é capaz de estar na luta, só que este ano terá um Nairo Quintana que tem tendência a impor-se.

Mas Kruijswijk não tem que ficar intimidado. Não tem nada a perder. É um ciclista de qualidade, sem que seja um prodígio. Mas não é preciso o ser para se ganhar. O seu estilo sóbrio e calculista de competir fazem com que passe despercebido em grande parte das corridas. Foi assim que entrou no Giro de 2016. Analisou os seus adversários e escolheu o momento certo para atacar.

Toda a sua preparação este ano foi feita a pensar no Giro. Apesar de ser um percurso mais duro que em 2016, Kruijswijk deverá adaptar-se sem grande dificuldade e tem a vantagem de se defender melhor no contra-relógio do que alguns dos seus adversários.

Há naturalmente curiosidade para ver se o holandês consegue repetir o nível e não ficar conhecido como um acaso o que fez em 2016. Na Vuelta teve o azar de ir contra um pequeno poste na estrada, que provocou uma queda violenta. A Lotto-Jumbo tem grande esperança de ter um ciclista que possa, no mínimo, chegar ao pódio no Giro100.

Ilnur Zakarin (27 anos, Rússia, Katusha-Alpecin)

Tudo por Zakarin. Depois do flop que foi Alexander Kristoff na época das clássicas (e a vitória desta segunda-feira na Eschborn-Frankfurt não altera esse facto), a Katusha-Alpecin aposta quase tudo o que tem no russo. Pensava-se que depois de nos dois últimos anos Ilnur Zakarin ter somado bons resultados na Volta a Itália, que seria aposta para o Tour. Porém, o ciclista e a equipa vêem no Giro uma oportunidade de vencer, já que na Volta a França já se sabe: bater Froome e a Sky é uma missão demasiado difícil.

Zakarin falhou o pódio há um ano devido a uma queda assustadora durante uma descida. Enquanto Kruijswijk caiu na neve, o russo ainda desceu uma parte de uma ribanceira. É um ciclista de grande qualidade para as corridas de três semanas e com a retirada de Joaquim Rodríguez, a Katusha-Alpecin colocou Zakarin como o número um, sem discussão, da equipa para as grandes voltas.

O director da formação suíça, José Azevedo, acredita que Zakarin está pronto para se debater pela vitória no Giro, mesmo que a concorrência seja mais forte do que nos anos anteriores. A preparação até foi algo discreta, mas este é um ciclista explosivo. Tanto não se o vê, como de repente lá está ele a mexer com tudo e com todos. Foi assim na Volta a Abu Dhabi, que acabou por perder para Rui Costa (UAE Team Emirates).

Zakarin é um candidato de respeito. Um ciclista pronto para se afirmar como um dos melhores neste tipo de corridas.

Adam Yates (24 anos, Grã-Bretanha, Orica-Scott)

É a vez de Yates. Nos últimos anos a Orica-Scott tem preparado os gémeos britânicos para que possam ser ciclistas com condições por lutar pelas corridas de três semanas. Ambos são novos, mas já com experiência. Era suposto estarem os dois no Giro, mas a incerteza quanto ao estado físico de Johan Esteban Chaves fez com que a equipa preferisse jogar pelo seguro e vai levar Simon ao Tour. Adam será assim o líder indiscutível na equipa, tal como aconteceu em 2016, mas na Volta a França.

A irreverência da juventude talvez tenha ajudado a que não se tenha deixado intimidar pelo domínio da Sky, como pareceu ter acontecido com outros ciclistas bem mais experientes. Ganhou a classificação a juventude, ficou no quarto lugar na geral e pode-se queixar de lhe ter sido retirada a hipótese de lutar por uma etapa, quando levou (literalmente) com o insuflável que sinalizava o último quilómetro em cima.

Adam já conta com uma Clássica de San Sebastian, Uma Volta à Turquia, este ano foi quarto na Volta à Catalunha... Yates é um daqueles ciclistas de quem tudo já se espera, apesar de ter apenas 24 anos. Há um ano Chaves vestiu a camisola rosa, mas não conseguiu segurá-la na penúltima etapa. Ficou em segundo. A Orica-Scott procura resultado idêntico, com uma ambição um pouco maior que não é expressa publicamente, mas que também é difícil esconder: ver Yates deixar de ser uma promessa e vencer o Giro. Porque não?!

»»Giro. Candidatos (e não só): Pozzovivo, Van Garderen e Rolland««

»»Giro. Candidatos (e não só): Landa, Dennis e Carthy««

»»Giro. Candidatos (e não só): Jungels, Brambilla e Verona««

25 de abril de 2017

Uma mudança de planos que aumenta o suspense em redor de Chaves

(Fotografia: Facebook Orica-Scott)
O que se passa com Chaves é uma pergunta que é cada vez mais feita e as escassas declarações da Orica-Scott e do ciclista têm sido pouco convincentes e apenas contribuem para a crescente especulação sobre o problema no joelho que mantém o colombiano longe da competição desde 5 de Fevereiro, quando acabou a Herald Sun Tour, na Austrália. Johan Esteban Chaves preparava-se para participar nos campeonatos nacionais, quando anunciou que não estaria nas corridas devido a um problema no joelho. Nada de alarmismos, pois o ciclista até tinha um calendário diferente em 2017, a pensar na Volta a França e não no Giro. Este era suposto ser o ano em que Chaves se confirmaria como um dos melhores ao competir contra os melhores no Tour, depois de uma fabulosa afirmação que ganhou forma com as duas etapas ganhas na Vuelta em 2015, uma etapa e o segundo lugar no Giro de 2016, mais o terceiro na geral da Volta a Espanha e a conquista do seu primeiro monumento na Lombardia. Perante estes resultados, aos 27 anos era óbvio que tinha chegado a vez de Chaves medir forças com Chris Froome, Nairo Quintana e Alberto Contador no Tour.

A Orica-Scott juntou os gémeos Yates para o Giro, preparando uma equipa toda concentrada em Chaves para a Volta a França. O único problema é aquele joelho. Chaves desapareceu quase completamente do mapa. Foi cancelando as corridas em que estava escalado perto destas arrancarem e se é certo que ainda faltam mais de dois meses para o Tour - começa dia 1 de Julho - a falta de competição do colombiano é desde já uma enorme preocupação, faltando saber como está realmente aquele joelho.

Recentemente o colombiano falou com o Cycling News e disse que já não tinhas dores, mas que ainda não se sentia bem na bicicleta... Uma semana depois, a Orica-Scott anuncia que Simon Yates não iria ao Giro e afinal seria aposta no Tour, para tirar pressão a Chaves, Ou será mais por uma questão de prevenção? É mais o que parece. "A Volta a França é a maior corrida do ano e nós conseguimos elaborar um plano que irá beneficiar os nossos jovens candidatos à classificação geral e as ambições da equipa para a época", salientou Matt White, director desportivo da formação australiana. Acrescentou que esta será a terceira participação de Yates, enquanto Chaves irá fazer a sua estreia e que a presença do britânico ajudará, por isso mesmo, a retirar a pressão sobre o colombiano. Quanto à condição física, o próprio de Chaves, limitou-se a referir que não sabe como estará depois de uma paragem tão longa.

Já White preferiu salientar que ao separar os Yates, eles poderão assim ter a possibilidade de lutar pelas classificações da juventude no Giro e no Tour. Adam ganhou a camisola branca na Volta a França no ano passado, tendo sido quarto na geral. Simon não participou devido a uma suspensão por ter tomado uma substância para a asma que não foi declarada pelo médico da equipa.

Quando se lê as declarações de Chaves que diz que irá tentar estar no Critérium Dauphiné (de 4 a 11 de Junho) ou na Volta à Suíça (de 10 a 18 de Junho), as dúvidas aumentam. Tentar? Estamos a falar de mais de um mês longe da competição e parece não haver grande certeza se irá conseguir estar numa das corridas. Mesmo que faça uma, será claramente pouco para ser competitivo no Tour. Chaves afirmou que quer estar em França para aprender, já que é a sua primeira vez na corrida. Mas mesmo sendo um ciclista ainda jovem, aos 27 anos, depois do que já fez no Giro e na Vuelta, falar em aprender, ou é pouca ambição ou uma clara noção que não será competitivo. O Tour tem as suas características muito próprias, tem uma Sky dominadora, pode-se falar em ganhar experiência, mas já não há muito a aprender nesta fase. A Orica-Scott percebeu que chegou a altura do colombiano lutar por uma vitória, mesmo que não fosse esperada já este ano, mas o joelho obrigou a uma mudança de planos.

A separação dos gémeos é um claro sinal que algo não estará bem com Chaves. Com Simon e Adam no Giro, a Orica-Scott aspirava tentar ganhar a corrida italiana, pois actualmente o Tour parece estar "trancado" pela Sky, com Quintana e a Movistar a serem os únicos concorrentes com capacidade para colocar um pouco em causa esse domínio da equipa britânica. Chaves seria um adversário de peso e o pódio estaria certamente na mira.

O que se passa com Chaves? É um mistério, mas com a mudança de planos relativamente aos Yates, o problema no joelho não só está a ser difícil de ser ultrapassado, como é claro que a equipa tem dúvidas que poderá ter o colombiano pronto para o Tour. Será o problema mais grave do que tem sido revelado (e não tem sido muito)? É mais uma questão sem resposta.

Apesar de mais novo, 24 anos, Simon Yates (tal como o irmão) já demonstra alguma maturidade. Não se pode dizer que poderá enfrentar um Froome ou um Quintana em forma, mas a Orica-Scott prefere ter uma carta para jogar, do que ter de desistir do jogo demasiado cedo. E mesmo não sendo a corrida mais interessante das três grandes voltas a nível de percurso, o Tour continua a ser a mais mediática. De longe.

A Chaves poderá restar participar na Volta a França para "aprender", se é a palavra que o ciclista quer utilizar, mas o mais correcto poderá ser participar para ganhar ritmo, ganhar mais experiência e depois pensar na Vuelta... se o joelho deixar.

»»O irresistível 'El Chavito' já tem o seu monumento««