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25 de setembro de 2020

Ineos Grenadiers reforça-se com juventude e experiência

Montagem: Ineos Grenadiers
No que a reforços diz respeito a Ineos Grenadiers fechou as contratações ao anunciar quatro de uma vez só. Richie Porte, Laurens de Plus e o jovem Thomas Pidcock já eram esperados, mas Dani Martínez foi uma surpresa de última hora. O quarteto junta-se assim a Adam Yates, que ainda antes da Volta a França, já tinha selado o seu futuro para 2021.

Depois de muito sucesso com Chris Froome, sem esquecer Bradley Wiggins, e Geraint Thomas, a Ineos Grenadiers, ex-Sky, começou a contratar vários jovens de enorme potencial. Egan Bernal ganhou o Tour logo no seu segundo ano, mas a equipa começou a dar mostras de estar a perder a força do que agora se percebe terem sido os seus tempos áureos. Em 2020 tudo se desmoronou. Colectivamente a equipa falhou no Tour - e nas corridas anteriores - e Bernal foi uma desilusão. Os adversários já lhe fazem frente, principalmente a Jumbo-Visma, pelo que chegou de uma vez por todas o momento da Ineos Grenadiers seguir um novo caminho e reconstruir a equipa.

A formação britânica não poderia deixar escapar o menino prodígio da Grã-Bretanha, Thomas Pidcock, mas também aposta em ciclistas já com experiência, fortalecendo assim o bloco das grandes voltas. E Richie Porte traz mais do que isso. O australiano, mesmo regressando à equipa para deixar de ser líder, será um gregário com voz de comando para pôr "ordem na casa", numa altura em que Chris Froome se prepara para sair e Geraint Thomas tem tido um discurso pouco (ou nada) unificador.

"Esta época, vimos uma mudança tanto nos níveis de performance individual, como na força colectiva das equipas. Os ciclistas estão melhor preparados e as equipas mais organizadas. A intensidade da competição está a aumentar e está a ficar mais difícil ganhar. Estamos a apreciar este desafio e focados em regressar mais fortes. Os corredores são o coração das equipas e cada uma das novas contratações forma uma parte da evolução da equipa", afirmou Dave Brailsford, o director da Ineos Grenadiers.

Os reforços

Adam Yates (28 anos) era uma pretensão antiga. Tanto ele como o irmão decidiram assinar pela então Orica GreenEDGE (actual Mitchelton-Scott) quando se tornaram profissionais. Apesar de terem a mesma formação de outros britânicos que foram para a Sky nos primeiros tempos do projecto, os gémeos não quiserem ter um papel secundário e foram para a formação australiana. Agora, Adam vai procurar ter protagonismo numa equipa que não só tem Bernal, mas também o compatriota Iván Ramiro Sosa, Eddie Dunbar, Pavel Sivakov e mesmo Tao Geoghegan Hart, todos a ambicionarem serem mais do que gregários.

Contudo, os últimos dois ainda não renovaram, assim como Filippo Ganna, que esta sexta-feira se sagrou campeão do mundo de contra-relógio. Michal Kwiatkowski está entre os da "velha guarda" que também ainda não prolongou o vínculo, mas o polaco já fez saber que a primeira opção passará por continuar.

Entre os reforços hoje anunciados, Thomas Pidcock era um nome há algum tempo relacionado com a estrutura britânica. Tem apenas 21 anos, mas é visto como um autêntico prodígio. Rei do ciclocrosse nas camadas jovens, a passagem para a estrada também foi feita com sucesso, tendo, por exemplo, ganho o Paris-Roubaix de juniores em 2019 e este ano já venceu o Giro para o seu escalão. Evoluiu na extinta Team Wiggins, mas foi adiando um passo maior, principalmente porque sempre quis garantir que poderia continuar a competir no ciclocrosse. Na Ineos Grenadiers será altura de se concentrar mais na estrada e juntar-se ao grupo de jovens talentos, espalhados por várias equipas, que já está a tomar conta do World Tour.

Quando em 2019 assinou pela Jumbo-Visma deixando a Quick-Step Floors, Laurens de Plus foi à procura de maior destaque nas grandes voltas. Parecia estar a caminho de se tornar um homem importante para o bloco de Primoz Roglic, não sendo segredo que queria mais, eventualmente. Acabou desaparecer aos poucos da equipa, ainda mais este ano, quando cedo foi noticiado que estaria a caminho da Ineos Grenadiers. Tem apenas 25 anos, margem para progredir e percebe-se porque foi contratado. Em forma, este ciclista é um incansável trabalhador e com potencial para tentar ganhar, quando e se lhe forem dadas oportunidades.

Daniel Martínez será curioso ver como encaixa. O recente vencedor do Critérium du Dauphiné e de uma etapa no Tour já tinha conquistado estatuto na EF Pro Cycling com quem ainda tinha contrato, mas resolveu mudar-se mais cedo. Percebe-se que a Ineos Grenadiers lhe dará outras condições nas provas por etapas, mas a concorrência interna também será grande, ainda mais se Sivakov, renovar. Aos 24 anos falta-lhe maior estabilidade nas grandes voltas para lutar por top dez (acontece sempre algo para perder tempo), mas já se percebeu que Martínez tem o que é preciso para ser mais um colombiano de sucesso. A equipa americana vai sentir a perda deste ciclista.

Se os dois primeiros assinaram até 2023, tanto Martínez como Richie Porte só rubricaram acordo para 2021. No caso do australiano é compreensível. Aos 35 anos, Porte tinha assumido que este seria o seu último ano como líder, ainda que quisesse despedir-se em grande da Trek-Segafredo. Conseguiu finalmente um pódio numa grande volta e que merecida foi aquela presença no terceiro lugar da Volta a França, nos Campos Elísios.

Falta ainda a vitória numa etapa, mas já é uma alívio para este ciclista ter alcançado este feito, pois quando deixou a Sky em 2015, depois de quatro temporadas, para não estar dependente das escolhas de Chris Froome, o repto era ser um líder ganhador. Quedas, perda de tempo em etapas de vento, furos... aconteceu de tudo a Porte, mesmo quando se apresentou em grande forma, tanto na BMC, como na Trek-Segafredo.

Ainda se falou da possibilidade de assinar pela Israel Start-Up Nation, para retomar a parceria com Froome, com Porte a ter sido um gregário de luxo. Porém, o australiano vai assumir um papel de ajuda na reconstrução da agora Ineos Grenadiers.

Juntamente com Luke Rowe (30 anos) será certamente um capitão, ficando agora a dúvida onde entrará Geraint Thomas (34) nesta reconstrução. Para o galês seria importante ganhar a Volta a Itália se quer ter uma palavra a dizer em 2021 (último ano do seu contrato), numa altura em que já pouco o vão ouvindo.

»»Filippo Ganna, a confirmação««

»»As equipas do Tour uma a uma««

4 de setembro de 2020

Bora-Hansgrohe e Ineos Grenadiers em trabalho de alta velocidade. Mas no final ganhou a Jumbo-Visma

© BettiniPhoto/Bora-Hansgrohe
Qual montanha, qual quê. Um pouco de vento e finalmente a Volta a França animou. Primeiro foi a Bora-Hansgrohe a partir do pelotão, para deixar para trás os sprinters - e principalmente Sam Bennett - de forma a garantir que Peter Sagan voltasse a vestir a camisola verde e talvez ganhar a etapa sem uma concorrência tão forte. Depois foi a Ineos Grenadiers que repetiu a dose de liderar o grupo, como na sexta etapa, mas desta vez, "estilhaçou" com a ajuda do vento o grupo, com alguns candidatos a ficarem para trás. Porém, a Jumbo-Visma não quebra. E até ganha!

Tem sido algo comum em anos recentes. Uma etapa relativamente plana com vento e vários ciclistas que ambicionam à geral vêem as contas complicarem-se. Costuma ter o condão de animar as tiradas de montanha que se seguem. E há que dizer que o Tour estava mesmo a precisar de um abanão destes. O pensamento de todos parecia estar mais nas dificuldades que estão mais adiante, do que arriscar já no início. Claro que não ajudou aquela primeira etapa recheada de quedas, mas mesmo assim, tem sido muito controlo e pouco ataque.

Se em dias anteriores o ritmo nem sempre entusiasmou, nos 168 quilómetros da sétima etapa - entre Millau e Lavaur - foi registada uma média de 47,5 quilómetros/hora, ao que se juntou então um vento com rajadas a rondar os 30 a 40 quilómetros/hora. Percebe-se desde logo porque foi irresistível alguém tentar um "abanico", utilizando a expressão espanhola. Para a animação, contribuiu ainda a luta pela camisola verde juntar-se à luta pela amarela.

A Bora-Hansgrohe começou por acelerar de tal forma na primeira subida que deixou a maioria dos sprinters para trás. Já se sabe que Peter Sagan tem capacidade para ultrapassar melhor estas dificuldades e o eslovaco tem nos últimos anos mostrado como se ganha a classificação dos pontos, sem ser preciso dominar nos sprints finais. Foi segundo no intermédio, já no final, saltou a corrente da bicicleta e foi apenas 13º. Mas recuperou a camisola verde, com nove pontos de vantagem sobre Sam Bennett. Por enquanto parece que há luta por esta classificação.

Depois do trabalho inicial da Bora-Hansgrohe - foi ainda recompensada com o prémio da combatividade para Daniel Oss -, o trabalho a alta velocidade continuou, com a Ineos Grenadiers a entrar em acção no último terço da etapa. Rapidamente começaram ciclistas a perder o contacto com o grupo da frente.

Mikel Landa (Bahrain-McLaren) continua a escrever a sua habitual história. Arranja sempre maneira de perder tempo na primeira semana. Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) teve azar. Furou pouco antes da Ineos Grenadiers iniciar a aceleração e acabou por ceder a liderança da juventude a Egan Bernal. Richie Porte é outro que não se dá bem com abanicos, com o companheiro da Trek-Segafredo, Bauke Mollema também a ficar para trás.

Com a táctica da equipa britânica a resultar, Jumbo-Visma e Groupama-FDJ saltaram também elas para a frente. A Ineos Grenadiers acabou por falhar na sua maior pretensão: Primoz Roglic e Tom Dumoulin permaneceram intocáveis na frente, assim como o líder da formação francesa, Thibaut Pinot. Os principais adversários de Egan Bernal não perderam tempo, nem mostraram fraqueza.

A Ineos Grenadiers queria um dia para recordar, mas viu Richard Carapaz ser um dos prejudicados. Mais um furo a estragar os planos de um ciclista. A equipa deu ordem a Jonathan Castroviejo para ajudar o equatoriano, mas não havia nada a fazer. O facto de não ter ficado sozinho demonstra que esta Ineos Grenadiers não queria ver Carapaz a já 2:02 minutos na geral. Se precisar de um plano B, a opção estará mais complicada, ao contrário do que acontece com a Jumbo-Visma, que continua a ter Primoz Roglic e Tom Dumoulin na luta pela geral.

Tal é a discrição, que quase dá para esquecer que o camisola amarela é Adam Yates. Com outras equipas a assumirem as rédeas das etapas, a Mitchelton-Scott "só" teve nestes últimos dois dias de se preocupar em proteger Yates. O que não foi nada fácil hoje, mas o britânico sobreviveu a uma etapa louca, emotiva e muito interessante a nível táctico.

© ASO/Alex Broadway
No final ganhou a Jumbo-Visma

Não deixará de ser algo frustrante para quem tanta trabalhou ver a equipa rival não só não quebrar, como ainda a ganhar a etapa. Esta Jumbo-Visma dá para tudo e ainda nem foi forçada a intenso trabalho na montanha. Esse talvez surja este fim-de-semana.

Com o esforço na primeira fase da etapa, a Bora-Hansgrohe esperava que fosse desta que Peter Sagan ganhasse. Parte da missão está cumprida ao recuperar a camisola verde, mas começa a ser difícil perceber como irá este eslovaco quebrar um longo jejum de triunfos. Que coisa estranha em dez anos como profissional!

Bryan Coquard (B&B Hotels-Vital Concept) e Christophe Laporte (Cofidis) conseguiram ficar na frente e com razão sonharam à ambicionada vitória no Tour, com Edvald Boasson Hagen (NTT) a mostrar que a idade passa, mas não é um ciclista que se deva menosprezado.

Mas não foi nenhum destes ciclistas a aproveitar a falta de sprinters na discussão. No grupo estava Wout van Aert. Que mais dizer sobre este belga? Mais uma vez trabalhou na frente depois da Ineos Grenadiers forçar o andamento. Expôs-se, mas nem assim perdeu forças para bater a concorrência nos metros finais. Lá foi ele ganhar e até com relativa tranquilidade. Segunda vitória para o belga, terceira para a Jumbo-Visma - venceu com Primoz Roglic na primeira chegada em alto no Tour - em sete etapas.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

8ª etapa: Cazères-Sur-Garonne - Loudenvielle, 141 quilómetros


Perante a perda de tempo na sétima etapa, o fim-de-semana pode ter ganho outro interesse. Com cerca de minuto e meio para recuperar, ciclistas como Mikel Landa, Tadej Pogacar e os líderes da Trek-Segafredo, vão ter de começar a procurar forma de recuperar tempo. Com um dia de descanso à espera na segunda-feira, principalmente a etapa deste sábado tem um percurso interessante para estes atletas, mesmo sem ter chegada em alto. O pelotão chega à fase dos Pirenéus.

Haverá a primeira categoria especial deste Tour, no Port de Balès. São 11,7 quilómetros, com uma pendente média de 7,7%. Atenção aos segundos de bónus no Col de Peyresourde (oito, cinco e dois). Chegou a altura de este Tour começar a mexer mais na geral, com a expectativa de ver se Roglic ou Bernal vão continuar na expectativa, ou se a Jumbo-Visma e a Ineos Grenadiers vão finalmente medir forças. A vontade de ver este frente-a-frente cresce...

»»Ineos Grenadiers mostrou-se. Jumbo-Visma esteve atenta mas sem razões para se preocupar««

»»Alaphilippe perdeu a camisola amarela (afinal aconteceu algo na quinta etapa)««

2 de setembro de 2020

Alaphilippe perdeu a camisola amarela (afinal aconteceu algo na quinta etapa)

© ASO/Alex Broadway
Uma situação que custa a entender custou a camisola amarela a Julian Alaphilippe. Num dia em que o vento poderia provocar alguns problemas, afinal nem foi muito forte, mas nem assim o pelotão se preocupou em fazer desta etapa uma minimamente interessante. Valeram os 10 quilómetros finais e o sprint. Ou assim se pensava. Afinal, com cerca para 17 quilómetros do fim, um pequeno gesto acabaria por se tornar na história do dia. Julian Alaphilippe recebeu um abastecimento ilegal, foi sancionado com 20 segundos e entregou de bandeja a camisola amarela a Adam Yates.

O abastecimento não era permitido nos 20 quilómetros finais, mas as imagens televisivas não deixam dúvidas. Alaphilippe recebeu um bidão de um membro do staff da Deceuninck-QuickStep já dentro desse limite. Um erro que custou muito caro. A equipa ainda tirou uma fotografia orgulhosa por Sam Bennett ter vestido a camisola verde - mais um estranho pormenor do dia: Peter Sagan perdeu a verde (!) - e de ter Alaphilippe de amarelo. Mas afinal, a liderança está agora a 16 segundos, com o francês a cair para a 16ª posição na geral.

Uma desilusão para Alaphilippe, mas que preferiu olhar para a frente e para a possibilidade de continuar a ser uma das figuras do Tour. Disse mesmo que amanhã não se falaria mais nisso, numa etapa em que é novamente apontado como candidato à vitória.

O director desportivo Tom Steels admitiu o erro, justificando com dificuldades em escolher um local seguro para poder abastecer os ciclistas naquela zona do percurso (vídeo em inglês).


A Deceuninck-QuickStep vai ser forçada a ainda mais trabalho se quiser recuperar já a amarela. Não pode "apenas" controlar. A acção irá decorrer toda nos últimos 50 quilómetros, com duas terceiras categorias e uma primeira. Haverá ainda segundos bónus na última subida (oito, cinco e dois). A Alaphilippe não basta a vitória de etapa, terá de ser aquele ciclista que em 2019 deslumbrou se quer recuperar rapidamente a camisola amarela.

Já para Adam Yates é um dia de orgulho, mas com uma sensação algo estranha, como foi, aliás, todo o dia. O britânico da Mitchelton-Scott admitiu que não era assim que queria vestir a camisola amarela. Realçou que esta quinta-feira ia tentar ganhá-la a Alaphilippe. Mesmo sendo líder, Yates - um vencedor da juventude no Tour e quarto classificado, mas que está a demorar a confirmar credenciais na luta pela geral das grandes voltas -, afirmou que vai manter-se fiel ao plano: ganhar etapas. A amarela é algo para mostrar enquanto for possível.

Dia estranho

Foi assim a etapa quase toda. Até deu para pôr a conversa em dia entre os ciclistas
© ASO/Alex Broadway
É o que se pode dizer desta quarta-feira no Tour. Foi um dia estranho. O pelotão fez uma espécie de pacto de não agressão. Ninguém sequer atacou para uma fuga. 183 quilómetros entre Gap e Privas que deram para mais do que para fazer uma sesta. Quase deu para colocar o sono em dia!

O dia foi tão estranho que o prémio da combatividade foi entregue a Wout Poels (Bahrain-McLaren), que passou grande parte da etapa na parte de trás do pelotão. Um prémio por continuar em prova depois de partir uma costela e sofrer uma contusão pulmonar numa queda na primeira etapa.

Nos últimos 50 quilómetros lá se aumentou um pouco o ritmo (no final foi de 42,01 quilómetros/hora). Mas foram nos últimos dez que todos tiveram de se preocupar com a corrida. A Ineos Grenadiers acelerou e bem, provocando cortes no pelotão, com a ajuda do vento. Não houve continuidade no trabalho, pelo que a maioria dos que chegaram a perder o contacto com o pelotão, conseguiram regressar.

© ASO/PresseSports/Bernard Papon
E depois o sprint. A Sunweb foi a única equipa que conseguiu fazer o comboio para o seu sprinter. Cees Bol começa a ameaçar ganhar, mas Wout van Aert está simplesmente incrível. Um dia depois de trabalhar de forma perfeita para Primoz Roglic ganhar na primeira chegada em alto do Tour, o belga conquistou a sua etapa, repetindo o sucesso de 2019.

Strade Bianche, Milano-Torino, etapa e classificação dos pontos no Critérium du Dauphiné, campeão nacional de contra-relógio e agora etapa no Tour. Que 2020 memorável está a ter Van Aert. Ganha e ajuda a ganhar. A Jumbo-Visma tem mesmo um super ciclista.

Classificações complestas, via ProCyclingStats.

6ª etapa: Le Teil - Mont Aigoual, 191 quilómetros


Percurso sem dificuldades até aos 50 quilómetros finais. A situação de Julian Alaphilippe poderá alterar um pouco os planos para a etapa, mas os principais candidatos deverão ficar mais na expectativa, do que pensar em ataques. Claro que se repetir uma situação como a de terça-feira, cuidado com Primoz Roglic. Poderá ser um bom dia para uns ciclistas mais atrasados na classificação arriscarem uma fuga e talvez "terem autorização" do pelotão para disputar a vitória.

»»Assim Roglic é imbatível««

»»Caleb Ewan feito para o Tour««

30 de agosto de 2020

Segundos bónus não seduzem a todos. Mas Alaphilippe agradece

© ASO/Alex Broadway
A ASO, organizadora da Volta a França, repete em 2020 a fórmula de segundos de bónus em algumas etapas, depois da experiência no ano passado. Na prática a intenção é fazer com que haja maior movimentação na tentativa de procurar ganhar tempo, além das habituais bonificações em todas as metas, para os três primeiros. Este domingo estiveram os primeiros em jogo, mas será que os que lutam pelo Tour estão assim tão preocupados com estes segundos?

Em jogo estão oito, cinco e dois segundos, que vão estar disponíveis em mais sete etapas, depois da de hoje. Primoz Roglic (Jumbo-Visma) é um ciclista que gosta de lutar por qualquer segundo que possa estar disponível. A prova é, mesmo quando já não pode ganhar uma etapa, tenta sempre um segundo ou terceiro posto nas provas. E aquelas bonificações têm sido importantes.

Porém, é diferente desgastar-se um pouco na meta e ir à procura de bónus durante a etapa, mesmo que estejam colocados mais perto do final como é o caso neste Tour. Os ciclistas que começam por tentar aproveitar mais estas oportunidades, são atletas como Julian Alaphilippe. O corredor da Deceuninck-QuickStep não é um candidato a vencer a geral, mas para repetir a exibição de 2019, em que esteve 14 dias de camisola amarela vestida, somar estes segundos pode ser uma garantia que vai adiando a entrega da liderança àqueles que a procuram como objectivo máximo.

O trio que disputou os segundos bónus da 2ª etapa
© ASO/Pauline Ballet
Alaphilippe tinha esta segunda etapa marcada para tentar ganhar e vestir a amarela. Atacou na última subida, que nem era categorizada, mas tinha os tais segundos de bónus. Por acaso até foi apenas segundo, com Adam Yates (Mitchelton-Scott) a sprinter para ficar com os oito e o francês com os cinco. Em comum, estes ciclistas têm quererem ganhar etapas e estar de amarelo, mas sem pensar em chegar na condição de líder aos Campos Elísios.

Marc Hirschi (Sunweb) ficou com os dois segundos que restaram, com o pelotão, na altura comandado pela Ineos Grenadiers, a não se preocupar minimamente em colocar os seus líderes na luta pelos bónus. Para Egan Bernal, Roglic, Thibaut Pinot, as diferenças vão fazer-se nas grandes etapas de montanha.

Sprint final, com Hirschi a dar muito espaço a Alaphilippe,
que já não conseguiu recuperar
© ASO/Alex Broadway
Talvez mais adiante na corrida estes segundos de bónus possam tornar-se mais valiosos para os chamados favoritos, principalmente se ninguém estiver a conseguir fazer grande diferença. Se for o caso, então a Jumbo-Visma, que quer de facto ser a patroa do Tour, pode tentar explorar o lado rápido de Roglic em sprints em pequenos grupos.  E, lá está, o esloveno adora ir atrás de qualquer segundo que possa ajudar. Mas a preferência irá sempre para uma vitória de etapa. Pelo prestígio, claro, e porque são 10 segundos para o vencedor, seis para o segundo classificado e quatro para o terceiro.

A ideia de tentar que haja mais luta e logo mais espectáculo com a colocação destes bónus não resultou no imediato, mas Alaphilippe agradece, pois conquistou 15 segundos de bonificação e mais dois na estrada para o pelotão. Yates está a quatro e Hirschi - o novo líder da juventude, tirando a camisola branca a Mads Pedersen (Trek-Segafredo) - a sete.

© ASO/Alex Broadway
Início de nova saga no Tour?

O francês ainda não tinha vencido em 2020, apesar de ter estado perto na Milano-Sanremo (foi segundo, atrás de Wout van Aert) e nos Campeonatos Nacionais, há uma semana. Julian Alaphilippe viveu momentos difíceis com a morte do pai, a quem de imediato dedicou a vitória em Nice. Chorou de emoção, ao mesmo tempo que não escondeu algum alívio. Já se instalava algum nervosismo no ciclista pela falta de vitórias, depois de um 2019 memorável.

Apesar da Deceuninck-QuickStep não ser uma equipa para a montanha, já se percebeu que Alaphilippe é um lutador, que na edição passada até fez os franceses sonharem. Acabou em quinto, mas ainda assim, muito melhor do que se esperaria. Agora já não surpreenderá que faça algo idêntico. Contudo, apesar da exibição de hoje, este não é o Alaphilippe de 2019.

© ASO/Alex Broadway
Mesmo na forma como atacou, sem conseguir que Hirschi e Yates ficassem para trás, é notório que falta algo ao francês. Porém, pode compensar com aquela bem conhecida garra. Alaphilippe pode muito bem manter a camisola amarela por vários dias, com a oitava etapa a ser o pior dos testes, quando surgir a primeira categoria especial, no Port de Balès.

O senão é que Alaphilippe vai ter adversários que também querem vestir a amarela, nem que seja por um só dia. Dentro da margem dos 17 segundos estão, por exemplo, Sergio Higuita (EF Pro Cycling), Esteban Chaves (Mitchelton-Scott), Greg van Avermaet (CCC) e Pierre Latour (AG2R). E exclui-se aqueles que tem objectivos mais altos, ainda que não é de afastar que Tadej Pogacar (UAE Team Emirates) vá tentar fazer um pouco de história para a Eslovénia (Roglic tem concorrência nesta luta nacional).

Sempre que houver mais montanha, qualquer um destes ciclistas (e não só) podem fazer o mesmo que Alaphilippe. Procurar uns segundos bónus para ter aquele momento de amarelo.

Classificação completa, via ProCyclingStats.

Etapas com segundos bónus

  • 2ª - Col des Quatre Chemins
  • 6ª - Col de la Lusette
  • 8ª - Col de Peyresourde
  • 9ª - Col de Marie Blanque
  • 12ª - Suc au May
  • 13ª - Col de Neronne
  • 16ª - Montée de Saint-Nizier-du-Moucherotte
  • 18ª - Montée du plateau des Glières
3ª etapa: Nice-Sisteron, 198 quilómetros



Mesmo com quatro subidas categorizadas, é um dia que os sprinters não vão querer desperdiçar. Vai ser preciso as suas equipas trabalharem, pois também deverá haver quem vai apostar forte na fuga.

»»Lembram-se deste Kristoff««

»»Muito mais do que um Tour««

20 de novembro de 2019

Mitchelton-Scott cada vez mais dependente dos gémeos Yates

(Fotografia: Facebook Mitchelton-Scott)
Dizer que uma equipa que conquista 35 vitórias, incluindo quatro etapas no Tour, uma no Giro, outra no Paris-Nice, na Volta a Catalunha e também na Volta ao País Basco ficou um pouco aquém do que se esperava para 2019, pode parecer estranho. Porém, quando finalmente se consegue não só ser uma equipa capaz de disputar uma grande volta, mas que a ganhou - Vuelta de 2018 - a Mitchelton-Scott queria dar o passo seguinte de tentar conquistar mais uma, ou pelo menos estar mais na linha da frente da discussão. Mas não. Simon Yates não deu continuidade às performances do ano anterior, Adam não conseguiu ser um líder de meter respeito no Tour com o irmão a seu lado - a dupla foi importante na referida Vuelta - e depois ainda há Esteban Chaves. Ou melhor, será que há?

Perceber se é possível recuperar o colombiano depois de um ano marcado por doença que o afastou da competição durante muitos meses, era a grande dúvida. O vírus Epstein-Barr está a prejudicar e muito a carreira de Mark Cavendish e a de Chaves também não tem  grandes certezas. A vitória na etapa do Giro teve o condão de restituir confiança - sem dúvida um momento marcante na temporada para a Mitchelton-Scott - e na Vuelta terminou no top 20. No entanto, foi perceptível as dificuldades que Chaves sente em ser regular nas três semanas e não só. A equipa acabou por renovar contrato, mas por enquanto, as garantias que o colombiano dava há dois ou três anos não existem, numa altura em que o ciclista está a cerca de dois meses de completar 30 anos.

A Mitchelton-Scott não vai desistir de Chaves, tal como não deve de desistir de fortalecer o seu bloco para ajudar os irmãos Yates. Adam e Simon (27 anos) vão ter toda a pressão de conquistar mais e melhores resultados. Simon queria ajustar contas com o Giro, depois da quebra que o fez perder a edição anterior. Apesar de começar com um segundo lugar no contra-relógio e de dizer que o deviam temer, não demorou muito a mostrar que não era o mesmo ciclista de 2018. E aprendeu a ter cuidado com o que diz publicamente. Foi oitavo, mas foi uma desilusão. Foi ao Tour - abdicando de tentar repetir o sucesso na Vuelta - e compensou o desaire do Giro com duas etapas em França. Por outro lado, Adam foi apenas 29º, o que não deixou todos os responsáveis da equipa satisfeitos.
Ranking: 8º (9108,74 pontos) 
Vitórias: 35 (incluindo quatro etapas no Tour e uma no Giro) 
Ciclista com mais triunfos: Daryl Impey (6)
Matteo Trentin e Daryl Impey também venceram no Tour, mas na Vuelta a equipa pouco se viu, com Mikel Nieve a fazer-se valer da experiência e conhecimento das estradas espanholas para fechar top dez.

A Mitchelton-Scott deixou para trás os tempos em que as clássicas e sprints eram o objectivo e a "fonte de rendimento" nas vitórias. Quer ganhar gerais das principais corridas. Impey até deu o mote com a vitória no Tour Down Under logo em Janeiro, mas mais gerais só no final do ano e foram na República Checa (Impey novamente) e na Croácia (Adam Yates). Pouco, muito pouco para os objectivos da equipa australiana.

E a equipa está concentrada em manter toda a sua aposta nos gémeos Yates. Vai perder Matteo Trentin para a CCC e Daryl Impey ainda não anunciou o seu futuro. Foram dois dos ciclistas que mais vitórias garantiram e Trentin ficou tão perto de conquistar ainda um título mundial, mas foi batido por Mads Pedersen (Trek-Segafredo). Há que não esquecer que há um ano foi Caleb Ewan que partiu para a Lotto Soudal para poder ser um sprinter de primeira linha e não apenas quando a equipa não tem pretensões à geral.

Vai aumentar a exigência de ter os seus ciclistas na luta pelas grandes voltas e pelas principais provas de uma semana. Adam e Simon vão passar a contar com o experiente Andrei Zeits (Astana), cazaque com 18 corridas de três semanas feitas. As duas outras contratações serão dois jovens que se vão estrear no World Tour. Barnabás Peák (SEG Racing Academy), sprinter húngaro, e Alexander Konychev, italiano da Dimension Data for Qhubeka (equipa de formação da Dimension Data) que tem características de trepador, mas tem apenas 21 anos.

Com Ineos e Jumbo-Visma noutro patamar a nível colectivo, com Movistar ainda que em fase de mudança, mas com bons ciclistas para o bloco de apoio a Enric Mas, com a Bahrain-Merida e a UAE Team Emirates a reforçarem-se também para crescer nas grandes voltas, a Mitchelton-Scott vê a concorrência a aumentar, numa altura em que está a ficar demasiado dependente dos resultados dos Yates.

»»Contraste de emoções na época da Lotto Soudal««

»»Trek-Segafredo com final de temporada memorável no ano de ascensão de Ciccone««

22 de dezembro de 2018

Mitchelton-Scott finaliza transformação, já ganha grandes voltas e quer mais. Muito mais

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Reformulação terminada, com um tremendo sucesso. Agora é altura de construir o futuro sabendo que a equipa está consolidada numa de respeito para as grandes voltas e que tem um Yates já com uma grande volta e absolutamente capaz de ganhar mais e outro Yates que não vai querer ficar muito tempo atrás do irmão. A Mitchelton-Scott não abandona por completo os seus primórdios de equipa para tentar ganhar clássicas e alguns sprints, mas esta responsabilidade ficará entregue quase exclusivamente Matteo Trentin, pois o que esta equipa na idade  adulta mais quer é o Giro, o Tour e a Vuelta e as corridas por etapas que foram aparecendo entre elas.

Pretendia-se que os gémeos Yates confirmassem que não eram apenas jovens talentosos, que dividiram entre eles classificações da juventude nos últimos anos. Era responsabilidade dos dois levarem esta equipa ao patamar para que trabalhou nos últimos anos. Na sexta temporada, Simon respondeu ao repto. Parecia que ia ser no Giro, mas em Itália, se se pode dizer que uma corrida passou de um sonho a um pesadelo, este é um dos melhores exemplos. Acabou por ser em Espanha que Simon venceu a grande volta que a Mitchelton-Scott tanto procurava.

Mais do que uma individualidade ter alcançado o desejado sucesso, o que há mais a destacar é a equipa construída em redor do britânico. Esta Mitchelton-Scott reuniu um conjunto de gregários que começam a ser vistos de luxo. Christopher Juul-Jensen, Jack Haig, Damien Howson e Sam Bewley são todos ciclistas que estão praticamente ao nível de importância em manter na equipa, como os gémeos Yates. E precisamente por ter plena noção como os seus companheiros tão bem trabalharam para ele, Simon ficou ainda mais destroçado quando, a três dias de chegar a Roma de camisola rosa, o seu corpo cedeu. Somava três vitórias de etapas, dois segundos lugares, mas quatro top dez e simplesmente estava a ser uma exibição irrepreensível. Mas foi de mais e o trambolhão na geral atirou-o para fora do top 20.

Lição aprendida e muito bem aprendida. Chegou à Vuelta menos espectacular e mais pragmático. Também a equipa controlou o seu ímpeto e até soube ceder o trabalho "pesado" - e a liderança da prova - para poupar força e não quebrar quando as decisões chegassem. Yates venceu uma etapa, foi novamente muito regular, mas menos atacante. Foi cirúrgico e venceu a Vuelta. Era o que interessava e o que merecia.

Ranking: 5º (8660,03 pontos)
Vitórias: 37 (incluindo a Volta a Espanha e uma etapa e mais três no Giro. A vitória de Trentin nos Europeus é contabilizada como ao serviço da selecção)
Ciclista com mais triunfos: Simon Yates (8)

Adam não conseguiu seguir o exemplo do irmão, com a queda na Volta à Catalunha a estragar-lhe a temporada numa fase em que estava em claro ganho de forma. Fracturou a pélvis. Foi ao Tour e tanto na Volta à Califórnia, como no Critérium du Dauphiné deu demonstração que talvez pudesse estar entre os melhores em França. A meio da corrida começou a ceder. Foi atrás de uma etapa e uma nova queda estragou-lhe os planos. O 29º lugar esteve longe de ser algo que o deixou animado. Foi à Vuelta para ser o braço-direito do irmão e foi importante nesta rara união dos gémeos, normalmente separados nas grandes voltas.

Ganhar pela primeira vez uma corrida de três semanas é, inevitavelmente, a marca que fica de 2018 para a Mitchelton-Scott, um projecto que se prepara para a sua oitava época ao mais alto nível do ciclismo e que passará a ser de vez vista como um capaz de discutir qualquer prova por etapas.

A formação australiana nem se coibiu de deixar em casa o sprinter que ajudou a formar como ciclista. Caleb Ewan apostou muito numa ida ao Tour, mas depois do que aconteceu no Giro, mais do que nunca a Mitchelton-Scott acreditou que o seu caminho era lutar pela geral. Ewan ficou devastado e não escondeu que estava num pico de forma naquela altura do ano. Em final de contrato, decidiu sair para a Lotto Soudal e ocupar o lugar de André Greipel. Nada que preocupe a equipa australiana, cujos reforços para 2019 foram escolhidos para aumentar a escolha de blocos para as corridas por etapas.

Se Simon Yates (26 anos) confirmou que já não é o futuro da equipa, mas sim o presente, Daryl Impey demonstrou que aos 34 anos, feitos este mês, não é o passado. Começou a temporada com a conquista do Tour Down Under e juntou mais uns títulos nacionais sul-africanos ao seu currículo. Apareceu várias vezes na discussão de corridas e venceu a segunda etapa do Dauphiné.

A desilusão foi Matteo Trentin. O italiano deixou a Quick-Step Floors depois de uma época com sete vitórias, quatro na Vuelta. Já se sabe que há uma tradição dos ciclistas que saem da formação belga terem dificuldade em reencontrar sucesso idêntico e Trentin teve um 2018 que só não quererá esquecer, porque foi campeão da Europa. Não tendo o pelotão que normalmente aparece num Mundial, não deixa de ser um título e uma vitória que animou Trentin. Ainda se pensou que partiria para um final de temporada forte, mas não conseguiu repetir o sucesso na Vuelta. Foi somar dois triunfos no périplo final pela China, mas já a pensar que em 2019 quer muito mais e melhor.

A equipa até poderá estar mais apostada em ganhar a Volta a Itália - onde irá apostar Simon Yates, que disse ter contas a fechar com a corrida -, contudo, a contratação de Trentin também foi pensada por ser um ciclista que sabe bem correr sem depender em demasia de um apoio de companheiros. Sprints e clássicas vão ser para ele.

Quanto a Johan Esteban Chaves não se pode falar de desilusão, mas sim de incerteza. O colombiano foi o primeiro a fraquejar no Giro, depois de ter ganho no Etna, com Yates a seu lado. Foi uma das imagens do ano e uma das últimas vezes que se viu Chaves. Depois apareceu de vez em quando na televisão na parte de trás do pelotão. Dizer que fraquejou não descreve bem o que aconteceu ao colombiano que esteve irreconhecível. Terminou a corrida, ainda que se suspeitava que algo não estava bem. Chaves não competiu mais em 2018 e depois de meses de espera foi divulgado que o ciclista, de 28 anos, sofria de uma mononucleose.

O objectivo passou a ser apenas recuperar Chaves para que em 2019 possa ir atrás da grande volta que se pensava poder ser dele antes dos Yates afirmarem-se. A dúvida é enorme, tendo em conta os exemplos recentes de problema de saúde idêntico. Mark Cavendish (Dimension Data) não mais foi o mesmo, enquanto Beñat Intxausti competiu 23 dias em três anos na Sky. Se conseguir ser o Chaves que já vez pódio no Giro e Vuelta, então a Mitchelton-Scott aspirará a ainda mais.

Permanências: Simon Yates, Adam Yates, Johan Esteban Chaves, Matteo Trentin, Daryl Impey, Michael Albasini, Jack Bauer, Sam Bewley, Alex Edmondson, Luke Durbridge, Jack Haig, Lucas Hamilton, Michael Hepburn, Damien Howson, Cameron Meyer, Luka Mezgec, Christopher Juul-Jensen, Mikel Nieve e Robert Stannard. Michael Hayman irá retirar-se após o Tour Down Under.

Contratações: Nick Schultz (Caja Rural), Dion Smith (Wanty Groupe-Gobert), Callum Scotson (Mitchelton-BikeExchange), Brent Bookwalter (BMC), Edoardo AFfini (SEG Racing Academy) e Tsgabu Grmay (Trek-Segafredo). 


13 de setembro de 2018

Ao ataque

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Dois dias para tudo decidir. Simon Yates e Alejandro Valverde podem liderar o favoritismo para lutarem entre eles pela vitória na Vuelta, mas Enric Mas demonstra uma tremenda atitude para quem tem apenas 23 anos e está na sua segunda grande volta. O espanhol quer ir ao ataque e tentar levar a surpresa da sua exibição ainda mais longe. Também Yates assume um discurso ofensivo, ainda que um pouco mais comedido. Só Valverde revela uma forma de estar expectante, mais do género: "vamos ver". Mas há 25 segundos para recuperar, pelo que o espanhol também não ficará à espera que o rival falhe. A experiência é muita, pelo que não surpreende a sua postura mais sensata, por assim dizer.

Tenta-se perceber se os dois percursos decisivos da Vuelta favorecem mais um ou outro ciclista, mas depois de tantas dificuldades, de ganhos e perdas de tempo, Yates e Valverde acabam por estar a um nível idêntico e ambos parecem mais convencidos que será no sábado que se tentarão fazer as diferenças. Bluff? Enric Mas não o faz. "Se as forças me acompanharem, talvez eu possa tirar alguma vantagem." Esta postura de Mas pode baralhar os planos dos dois primeiros. O espanhol tem estado a subir de forma durante esta Vuelta e se a inexperiência o poderá trair, a irreverência tem sido um elixir de sucesso.

"Conheço muito bem as estradas de Andorra. Sei onde atacar. Se me sentir com força, sem dúvida que o farei", disse Mas. Yates é britânico, mas Andorra também não tem segredos para ele. Afinal é um dos muitos ciclistas que fez daquela região a sua casa. "As etapas serão muito difíceis, mas estou entusiasmado. Estou só a tentar fazer a minha corrida. Penso que posso ganhar", afirmou um Yates, que ao dizer que quer fazer a sua corrida, já se sabe, é ao ataque que melhor sabe pedalar.

Temos então o sábio Valverde. "Quanto às estratégias, vamos ver como será o dia. Vamos ver como estamos e como estão os nossos rivais. Na parte final veremos o que se passa", referiu. Lá está: a postura do "vamos ver". Este discurso é de alguém que não quer revelar nada do que está planeado. A Movistar assumiu que estava na Vuelta para ganhar. Nairo Quintana desiludiu, mas Valverde confirmou como aos 38 anos continua num nível altíssimo de competitividade. Até o próprio admite que não esperava estar tão bem nesta altura da competição.

Valverde não é tão metódico como Quintana, mas também não é de se lançar ao ataque de qualquer maneira. O plano está delineado. Para amanhã e para sábado e poderá muito bem passar por ver se um eventual nervosismo afecta Yates ou tentar provocar esse nervosismo. Afinal ainda não foi há muito que o britânico esteve nesta situação de líder e perdeu-a. Foi precisamente na 19ª etapa do Giro que tudo se desmoronou e ficou sem a camisola rosa. Yates está diferente, aprendeu a lição, assim como a sua equipa, Mitchelton-Scott, e o ciclsita está decidido a manter a vermelha. Valverde mais decidido está para vencer pela segunda vez a Vuelta, quando se pensava que tal já não seria possível nesta fase tardia da carreira. E Mas? Porque não uma última reviravolta numa corrida em que o que parecia ser, teve tendência a não se confirmar.


Três ciclistas de enorme qualidade. Três personalidades distintas, mas que no ciclismo são todas sinónimos de espectáculo. Assume-se um trio de candidatos - Mas (Quick-Step Floors) tem 1:22 minutos de desvantagem -, que pela forma que apresenta, é um trio perfeito para um final emocionante. É isto que se pede depois de quase três semanas de ciclismo.

E claro, se mais alguém quiser reentrar na luta numa Vuelta em que tudo é possível, nem que seja pelo pódio, haverá então mais ataques. Miguel Ángel López (Astana, a 1:36) não tem medo nem nada a perder em arriscar. Steven Kruijswijk (Lotto-Jumbo, a 1:48) não é de grandes mudanças de ritmo, mas, capaz do melhor e do pior, tem de mostrar na montanha a força que mostrou no contra-relógio.

19ª etapa: Lleida - Andorra. Nauturlandia, 154,4 quilómetros

Para começar, um dia de final mais explosivo, antes da curta etapa de muita montanha, num dos dias mais esperados do ano no ciclismo. Esse é só no sábado. Primeiro há que passar o Coll de la Rabassa. 17 quilómetros com os dois primeiros (nem isso) a obrigarem a todos a estarem bem atentos. As pendentes aproximam-se dos 14% (nada de mais para quem já enfrentou de 24%!), mas depois irão variar entre 7/8%, baixam para os 3/4% e serão estas oscilações constantes até ao fim da etapa.



Sábado serão os 97,5 quilómetros com três primeiras categorias, uma segunda, uma terceira a abrir e a fechar esta sequência, antes do Coll de la Gallina, uma categoria especial, para um momento ainda mais especial. Sim, já se chegou àquela fase da Vuelta em que se implora: tempo, passa rápido! Mais rápido!

Wallays e o vento frustraram Sagan

Muito quer o eslovaco uma última vitória com camisola do arco-íris. Apesar de ir para Innsbruck tentar o quarto título, Peter Sagan sabe que naquele percurso tão montanhoso seria um milagre ganhar novamente. Por isso, vencer na Vuelta antes de se despedir da camisola (pelo menos por um ano) é algo que tanto quer, que vai até ao fim da corrida, quando não surpreenderia se já tivesse feito as malas.

O pelotão tirou mal as medidas à fuga, que recebeu a preciosa ajuda do vento, que durante muitos quilómetros empurrou o trio pelas costas. Sagan fez um assalto final e aproximou na que então já era uma dupla, mas era tarde. O belga Jelle Wallays deu uma vitória à Lotto Soudal, um dia depois de Thomas de Gendt vestir a camisola da montanha. Sven Erik Bystrom (UAE Team Emirates) perdeu o sprint, com Sagan a cortar a meta logo a seguir, cabisbaixo. Tem apenas Madrid como derradeira oportunidade.

Numa etapa completamente plana, sem contagens de montanha, a média foi de 47,10 quilómetros/hora! Os 186,1 entre Ejea de los Caballeros e Lleida foram percorridos rapidamente, no que Yates considerou ser a etapa mais fácil da Vuelta, apesar da alta velocidade, principalmente da parte final. Já Valverde não gostou tanto do perigo que acabou por ser aquela perseguição desenfreada à fuga. Mas faz parte e foi um teste à atenção de todos.

Pode ver aqui as classificações completas.

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7 de julho de 2018

Líderes aos trambolhões logo no primeiro dia

Chris Froome sofreu uma queda e perdeu tempo
(Imagem: print screen, ver vídeo em baixo)
Se Fernando Gaviria teve um início perfeito de Volta a França - estreia mais auspiciosa é impossível -, já alguns dos principais líderes das equipas para a geral começam a fazer contas logo após o primeiro dia. Uma queda cortou o pelotão e prejudicou ciclistas como Richie Porte e Adam Yates, Nairo Quintana partiu as duas rodas antes dos três quilómetros finais e Chris Froome deu um trambolhão ao ficar sem espaço numa estrada estreita. Ninguém tem razões para entrar em pânico, mas têm de pensar desde já onde poderão recuperar o tempo que não esperariam perder numa etapa plana.

Os 201 quilómetros entre Noirmoutier-en-l'Île e Fontenay-le-Comte eram relativamente planos, com uma quarta categoria para atribuir a camisola da classificação da montanha. O vento era a maior preocupação, assim como a colocação nuns quilómetros finais com uma estrada estreita e alguns obstáculos habituais de uma via urbana. Os percalços podem acontecer a qualquer um, mas não se esperava tanto e logo no primeiro dia do Tour.

Durante a etapa houve alguns incidentes e Lawson Craddock tornou-se o herói da jornada, ao fazer mais de 100 quilómetros a sangrar do sobrolho e com uma fractura na omoplata. E não, não quer ir para casa. "Vou ver como me sinto esta noite, como durmo, como me sentirei de manhã, andarei de bicicleta e vou ver se conseguido aguentar", lê-se numa mensagem no Twitter, partilhada pela equipa, EF Education First-Drapac p/b Cannondale.

Mas foram os últimos dez quilómetros que foram algo caóticos. Enquanto se preparava já o sprint, uma queda na frente envolveu, entre outros, ciclistas da Groupama-FDJ. O pelotão ficou cortado. Na luta particular pela etapa, Arnaud Démare foi um dos afectados, mas aos poucos começou a ver-se que Adam Yates tinha ficado para trás, depois viu-se Richie Porte, para referir dois daqueles que estão na lista de favoritos na geral. A acção continuou. Ao tentar colocar-se no pelotão, Chris Froome foi vítima da estrada estreita. Ficou sem espaço e deu um valente trambolhão, mas sem consequências físicas. As imagens foram captadas pela câmara instalada na bicicleta de Jasper de Buyst (Lotto Soudal).

(Texto continua depois do vídeo)




Ainda se está a tentar perceber onde estão exactamente Froome, Porte e Yates e eis que aparece a imagem de Nairo Quintana parado na berma. Ao passar por uma lomba, o colombiano da Movistar partiu as rodas. O apoio neutro teve dificuldades em ajudar e o ciclista acabou mesmo por esperar pelo carro da equipa para receber outra bicicleta. Resultado? 1:15 minutos perdidos para a frente da corrida, onde estavam Romain Bardet (AG2R), Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) e Tom Dumoulin (Sunweb) e mais alguns daqueles que estão no Tour com pretensões elevadas.

Mas Quintana viu o aspecto positivo. No final destacou como Mikel Landa e Alejandro Valverde não tiveram problemas e como para Froome não perdeu muito tempo. O britânico da Sky cortou a meta 51 segundos depois de Gaviria, no mesmo grupo de Porte e Yates. Porém, há duas questões que acabam por ser colocadas logo após o primeiro dia. Nem foi preciso esperar pela montanha ou pela etapa do pavé. 1:15 é uma distância já algo preocupante, pelo que Landa poderá ganhar alguma vantagem na luta interna pela liderança, caso se apresente de facto bem quando chegar os momentos de decisão.

Também na Sky se viu algo que em anos anteriores seria impensável. Com o líder a precisar de recuperar, Geraint Thomas ficou na frente da corrida e cortou a meta sem problemas. O galês sempre disse que iria ao Tour como co-líder e logo a abrir a competição demonstrou como não vai estar dependente do que Froome irá fazer. Pelo menos para já. Ainda assim, são 51 segundos que o poderá colocar uma posição para de facto vir a ter um papel mais livre na equipa. Sabendo como a Sky sempre actuou em prol de um ciclista, até parece estranho. Falta muita corrida, mas as vitórias alcançam-se muitas vezes nos pequenos pormenores. E 51 pequenos pormenores podem vir a ter efeito mais tarde.

(Texto continua depois do vídeo)




O início da história de Gaviria

Antes do Tour começar, Fernando Gaviria mostrou uma tremenda modéstia. Afirmou que esperava ganhar pelo menos uma etapa. Tendo em conta que a expectativa era que conquistasse o Tour como fez no Giro há um ano (quatro etapas na sua primeira grande volta), Gaviria pelo menos tentou não entrar na euforia que o rodeia. Contudo, no seu primeiro Tour, na sua segunda grande volta, venceu logo ao primeiro dia. Em 2012, Peter Sagan também venceu na primeira etapa na estreia em França, mas antes houve um prólogo, ganho por Fabian Cancellara, que em 2004 venceu logo a abrir na sua primeira Volta a França.

Gaviria é também o segundo colombiano a vestir a camisola amarela, 15 anos depois de Victor Hugo Peña. Além disso tem também a verde (dos pontos), que revelou poder ter pretensões, já que lutou logo no sprint intermédio. A pouco mais de um mês de cumprir 24 anos, Gaviria tem ainda a camisola branca da juventude. A da montanha ficou para um dos homens da fuga, o francês Kevin Ledanois, da Fortuneo-Samsic.

A vitória de Gaviria acabou um pouco ofuscada por todos os acontecimentos nos últimos dez quilómetros, mas foi um triunfo claro do colombiano, num sprint bem preparado pela Quick-Step Floors, como já era de esperar. Se havia alguma ansiedade nesta sua estreia, então nada como um triunfo a abrir para libertar o ciclista desse tipo de sentimentos. Só Peter Sagan ainda tentou ameaçar Gaviria. "Agarrou" a roda do colombiano, mas não conseguiu contrariar a potência final do rival. Todos os outros sprintaram, mas estiveram sempre a ver as costas do ciclista da Quick-Step Floors, como o antigo companheiro Marcel Kittel, que foi terceiro, mas sem se poder dizer que esteve na disputa.

Sagan está no Tour para ir buscar mais uma camisola verde, mas já percebeu que vai ter um adversário à altura. Porém, no final, não hesitou em dizer que o mais forte tinha ganho em Fontenay-le-Comte.

Este domingo será uma etapa de características idênticas, com o contra-relógio colectivo à espera das equipas na segunda-feira. Se era aqui que se esperaria que começassem a ser feitas algumas diferenças, agora será preciso pensar em recuperar algumas diferenças!

Pode ver aqui as classificações após a primeira etapa.

Segunda etapa: Mouilleron-Saint-Germain - La Roche-sur-Yon, 182,5 quilómetros



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