Mostrar mensagens com a etiqueta Thomas Pidcock. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Thomas Pidcock. Mostrar todas as mensagens

18 de abril de 2021

Pidcock afirma-se ao lado de um Van Aert a vencer por milímetros

© Amstel Gold Race
Esta semana pode dizer-se que ficou completo o trio do ciclocrosse que chegou para conquistar a estrada. Wout van Aert e Mathieu van der Poel em pouco tempo tornaram-se grandes figuras do ciclismo mundial. Thomas Pidcock estreou-se este ano ao mais alto nível, depois de já ter feito algumas corridas com a extinta Team Wiggins, e após algumas boas exibições, incluindo um pódio na Kuurne-Bruxelles-Kuurne, na quarta-feira bateu Van Aert De Brabantse Pijl-La Flèche Brabançonne e este domingo ficou a milímetros de repetir o feito na Amstel Gold Race.

Nos últimos dias Mark Cavendish (Deceuninck-QuickStep) até foi notícia por ter regressado às vitórias quase três anos depois e logo com quatro etapas na Volta à Turquia. Porém, é na nova geração que está o foco na Grã-Bretanha, com os resultados de Pidcock a animarem os adeptos daquele país. Tal como já havia acontecido com Van Aert e Van der Poel, Pidcock há muito que ganhou destaque, com as suas performances no ciclocrosse. Nos escalões jovens somou vitórias e ficou conhecido por celebrar ao estilo Super-Homem.

Outro ponto idêntico com os rivais foi a forma como encarou a passagem para a estrada. Era inevitável, mas não teve pressa, pois sempre sublinhou o quanto queria fazer o que mais gostava. E apesar de ter assinado pela toda poderosa Ineos Grenadiers, esta forma de estar não mudou e Pidcock, depois do ciclocrosse e desta auspiciosa estreia na estrada, irá ter o seu momento no BTT.

Aos 21 anos, teve o condão de definitivamente levar a Ineos Grenadiers a apostar ainda mais nas clássicas, principalmente nas do pavé, mas também mostra como podem contar com ele em corridas como a Amstel e vai à Flèche Wallonne experimentar o Muro de Huy. Por pouco, não ganhou a prova de abertura, por assim dizer, da semana das Ardenas, mas a sua exibição já eleva as expectativas para o que possa vir nas próximas temporadas, quando evoluir.

É o primeiro a admitir o quanto está a aprender a cada corrida que passa. Por exemplo, nesta Amstel, salientou como tentar seguir Primoz Roglic, quando o esloveno impôs ritmo, não foi a melhor ideia. Terminada a prova, considera que o melhor teria sido resguardar-se um pouco mais. 

Perder num photo finish no qual não foi fácil determinar que Wout van Aert (Jumbo-Visma) era o vencedor, "belisca". A vitória só foi decidida já com os ciclistas preparados a ir para o pódio... Só não sabiam em que lugar se colocariam. Contudo, Pidcock é mais um ciclista que não fica a moer no que falhou. Pensa, isso sim, em fazer mais e melhor na próxima corrida.

Ao pé dos dois ciclistas que também vieram do ciclocrosse para serem reis na estrada, Pidcock pode perder em tamanho e peso, mas o talento que demonstrou ao conquistar o Paris-Roubaix espoirs, o Giro de sub-23 na época passada e um título mundial de contra-relógio em juniores, está agora a ser confirmado na elite, tal como fizeram o belga e o holandês.

Até já consegue perder uma corrida para um Wout van Aert, mas ser ele o foco no final da Amstel Gold Race! Mais um jovem ciclista que não perde tempo a afirmar-se e apesar de, por agora, serem as clássicas a aposta inicial, quando chegou à Ineos Grenadiers deixou o aviso que quer ser um ciclista completo, com possibilidade de se mostrar também em provas por etapas. Está na lista da equipa como hipótese para ir à Volta à Espanha.

Quanto a Van Aert, numa altura em que se prepara para uma pausa competitiva depois de uma intensa fase de clássicas, despede-se com uma vitória que estava a precisar. Apesar do pior resultado ter sido um 11º lugar na E3 Saxo Bank, só ter ganho a Gent-Wevelgem não lhe estava a cair muito bem. É um ciclista habituado a vencer, pelo que conquistar a Amstel Gold Race era quase uma questão de honra. Até Roglic trabalhou para o belga, pelo menos até um problema mecânico o tirar da frente da corrida.

Van Aert vai agora preparar a próxima fase da época. E é uma fase em que tem sido irresistível nas temporadas passadas: Critérium du Dauphiné e Volta a França.

Van der Poel anda pelo BTT e nem foi à Amstel Gold Race, corrida que teve uma edição para história em 2019, com a vitória do holandês. Vamos ter de esperar para ver este trio a disputar corridas. No ciclocrosse, Pidcock andou, nas semanas antes de vestir o equipamento da Ineos Grenadiers, a assistir às vitórias dos rivais, apesar de também ele somar bons resultados. Como irá ser na estrada? Van Aert já percebeu que não pode dar um centímetro (ou mesmo milímetro) a este irreverente britânico.

Classificação completa, via ProCyclingStats. De referir que a Jumbo-Visma teve um domingo perfeito, pois também ganhou a Amstel Gold Race feminina, com Marianne Vos.

Rui Costa em acção

Numa Amstel Gold Race em que o circuito final tirou algum do interesse durante uma parte da corrida, a movimentação de Max Schachmann (Bora-Hansgrohe) a cerca de 15 quilómetros do final, acabou por ser decisiva. Pidcock e Van Aert juntaram-se ao alemão, que ao não conseguir distanciar num ataque a dois mil metros da meta, ficou a ver o sprint de perto, mas sem capacidade para entrar na discussão.

Porém, houve várias movimentações até esse momento, uma delas de Rui Costa. O português da UAE Team Emirates tem a Liège-Bastogne-Liège como a sua prova preferida nas Ardenas - já fez pódio -, mas com Tadej Pogacar a juntar-se à equipa para essa corrida e, antes, para a Flèche Wallonne, Rui Costa aproveitou para tentar a sua sorte.

Não esteve sozinho, mas a companhia acabou por não ser a ideal para que a tentativa de fuga triunfasse. Ficou o teste, na esperança que possa surgir a oportunidade para, mesmo com Pogacar na equipa, Rui Costa seja uma carta a jogar por parte da UAE Team Emirates nas próximas duas corridas, quarta-feira e domingo.

Rui Costa terminou a Amstel Gold Race na 54ª posição, a 2:12 do vencedor. O companheiro de equipa Ivo Oliveira abandonou.

15 de janeiro de 2021

Líderes começam a decidir em que grande volta vão apostar

© Wout Beel/Deceuninck-QuickStep
Com muitas das equipas nos habituais estágios de início de ano, ainda que sem saber muito bem quando e onde vão arrancar a temporada - contingências da pandemia -, vão definindo-se objectivos, nomeadamente ao que grandes voltas diz respeito.

Em 2020, Portugal teve a confirmação que tem um voltista e João Almeida (na foto) já tem a sua grande volta escolhida. A principal novidade poderá ser Egan Bernal não apostar tudo no Tour, tal como Mikel Landa.

Começando pelo ciclista português. Depois da espectacular exibição na Volta a Itália, naquela que foi a sua estreia em provas de três semanas, João Almeida aponta à corrida que chegou a ser hipótese no ano passado: a Volta a Espanha. Os planos acabaram alterados, muito devido à queda grave de Remco Evenepoel, na Lombardia, que o tirou do Giro. O resto é história e Almeida conquistou estatuto dentro da Deceuninck-QuickStep. Irá à Vuelta como líder.

Já Evenepoel recupera o plano que tinha para a temporada transacta e está marcado para o Giro, ainda que a sua recuperação continue. O próprio belga afirmou que continua a sentir algumas dores, pelo que o regresso à competição é uma incógnita.

Apesar de ser uma equipa que sempre apostou mais nas clássicas, a Deceuninck-QuickStep tem ganho outro destaque nas três semanas, além de lutar por etapas. Para completar, Julian Alaphilippe tem os olhos postos no Tour, faltando saber com que objectivo: vestir a amarela e tentar lutar por ela, etapas, montanha... um pouco de tudo, talvez...

Mas vamos então por provas. A Volta a Itália (de 8 a 30 de Maio) contará com o vencedor de 2020, Tao Geoghegan Hart, mas o seu companheiro da Ineos Grenadiers, Egan Bernal, afirmou que também gostaria de ir ao Giro, podendo mesmo fazer a dupla Giro/Tour.

Mikel Landa e Pello Bilbao (Bahrain-Victorious), Simon Yates (BikeExchange) e Vincenzo Nibali e Bauke Mollema (Trek-Segafredo) começam 2021 com o pensamento em estar em Itália e depois em França. Yates não é certo, mas a hipótese estará a ser estudada, agora que a equipa não conta com o irmão gémeo, Adam (foi para a Ineos Grenadiers).

Já Emanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe) deixa o Tour para se estrear no Giro, com Marc Soler a espreitar a oportunidade de liderança na primeira vez que irá à Volta a Itália. O veterano Domenico Pozzovivo (Qhubeka Assos) é que não troca o Giro por nada. Soma 14 presenças, contra apenas três no Tour e outras tantas na Vuelta.

Quanto à Volta a França (de 26 de Junho a 18 de Julho), Chris Froome irá centrar novamente muita das atenções, no ano em que será estranho vê-lo sem o equipamento da Ineos Grenadiers. Agora representa a Israel Start-Up Nation e terá a seu lado o irlandês Daniel Martin e o canadiano Michael Woods. De recordar que se a Volta ao Algarve conseguir realizar-se entre 17 e 21 de Fevereiro, o britânico é uma presença muito provável na corrida.

Na Ineos Grenadiers, Geraint Thomas não desiste do Tour, mesmo tendo dificuldades em ser líder. O galês quer preparar a sua temporada a pensar em França, mas na sua equipa a concorrência é enorme, pelo que, nesta altura, poucas certezas poderá haver para Thomas.

O reforço da Movistar Miguel Ángel López deverá ir a França, ao lado de Enric Mas. A Bora-Hansgrohe, ao "desviar" Buchmann para o Giro, abriu vaga para Wilco Kelderman mostrar o que vale, depois de em 2020 ter estado tão perto de ganhar a Volta a Itália, ao serviço da Sunweb. O holandês será acompanhado pelo jovem talento alemão Lennard Kämna, que ganhou uma etapa no Tour na edição passada.

Para terminar, a Volta a Espanha (de 14 de Agosto a 5 de Setembro). Quem serão os rivais de João Almeida? A EF Education-Nippo tem estado algo silenciosa no anúncio dos calendários dos seus atletas, mas Rigoberto Uran poderá ter a Vuelta como principal objectivo. Ainda se aguarda pelo destino do rei da montanha do último Giro, Rúben Guerreiro.

Alejandro Valverde será aposta da Movistar, com Miguel Ángel López a ter planeado fazer a dupla Tour/Vuelta. Giulio Ciccone terá oportunidade de liderança por parte da Trek-Segafredo, assim como Felix Grossschartner, na Bora-Hansgrohe. No caso do austríaco será a possibilidade de confirmar o seu crescimento como voltista, depois do nono lugar, precisamente na Vuelta.

Como é habitual, a Volta a Espanha é aquela que mais tarde vai conhecendo quem nela aposta, já que surge muitas vezes como a segunda grande volta do ano para alguns ciclistas. Porém, há um que está muito entusiasmado. Fará a sua estreia em três semanas, no seu primeiro ano no World Tour. É mais um jovem que há muito anda a ser seguido e que finalmente optou por dar o salto: Thomas Pidcock.

Tem 21 anos, é um ás do ciclocrosse, mas na estrada foi campeão do mundo de contra-relógio de juniores em 2017, foi evoluindo e agora a Ineos Grenadiers abriu-lhe as portas da elite. Apesar de as clássicas fazerem parte da sua primeira fase do ano, Pidcock não esconde como também quer mostrar-se em provas como as de três semanas.

Estes planos iniciais podem, naturalmente, sofrer alterações e ainda faltam muitos corredores confirmarem os seus objectivos. Mesmo que de normal 2021 nada esteja a ter, o ciclismo tenta manter o ritmo de treinos e planeamento rumo a uma época que se espera que seja o mais próxima possível do calendário estabelecido e principalmente sem cancelamentos.

»»O regresso do bom velho Froome poderá ser no Algarve««

»»Marc Hirschi deixou DSM para se juntar a uma equipa cada vez mais forte««

25 de setembro de 2020

Ineos Grenadiers reforça-se com juventude e experiência

Montagem: Ineos Grenadiers
No que a reforços diz respeito a Ineos Grenadiers fechou as contratações ao anunciar quatro de uma vez só. Richie Porte, Laurens de Plus e o jovem Thomas Pidcock já eram esperados, mas Dani Martínez foi uma surpresa de última hora. O quarteto junta-se assim a Adam Yates, que ainda antes da Volta a França, já tinha selado o seu futuro para 2021.

Depois de muito sucesso com Chris Froome, sem esquecer Bradley Wiggins, e Geraint Thomas, a Ineos Grenadiers, ex-Sky, começou a contratar vários jovens de enorme potencial. Egan Bernal ganhou o Tour logo no seu segundo ano, mas a equipa começou a dar mostras de estar a perder a força do que agora se percebe terem sido os seus tempos áureos. Em 2020 tudo se desmoronou. Colectivamente a equipa falhou no Tour - e nas corridas anteriores - e Bernal foi uma desilusão. Os adversários já lhe fazem frente, principalmente a Jumbo-Visma, pelo que chegou de uma vez por todas o momento da Ineos Grenadiers seguir um novo caminho e reconstruir a equipa.

A formação britânica não poderia deixar escapar o menino prodígio da Grã-Bretanha, Thomas Pidcock, mas também aposta em ciclistas já com experiência, fortalecendo assim o bloco das grandes voltas. E Richie Porte traz mais do que isso. O australiano, mesmo regressando à equipa para deixar de ser líder, será um gregário com voz de comando para pôr "ordem na casa", numa altura em que Chris Froome se prepara para sair e Geraint Thomas tem tido um discurso pouco (ou nada) unificador.

"Esta época, vimos uma mudança tanto nos níveis de performance individual, como na força colectiva das equipas. Os ciclistas estão melhor preparados e as equipas mais organizadas. A intensidade da competição está a aumentar e está a ficar mais difícil ganhar. Estamos a apreciar este desafio e focados em regressar mais fortes. Os corredores são o coração das equipas e cada uma das novas contratações forma uma parte da evolução da equipa", afirmou Dave Brailsford, o director da Ineos Grenadiers.

Os reforços

Adam Yates (28 anos) era uma pretensão antiga. Tanto ele como o irmão decidiram assinar pela então Orica GreenEDGE (actual Mitchelton-Scott) quando se tornaram profissionais. Apesar de terem a mesma formação de outros britânicos que foram para a Sky nos primeiros tempos do projecto, os gémeos não quiserem ter um papel secundário e foram para a formação australiana. Agora, Adam vai procurar ter protagonismo numa equipa que não só tem Bernal, mas também o compatriota Iván Ramiro Sosa, Eddie Dunbar, Pavel Sivakov e mesmo Tao Geoghegan Hart, todos a ambicionarem serem mais do que gregários.

Contudo, os últimos dois ainda não renovaram, assim como Filippo Ganna, que esta sexta-feira se sagrou campeão do mundo de contra-relógio. Michal Kwiatkowski está entre os da "velha guarda" que também ainda não prolongou o vínculo, mas o polaco já fez saber que a primeira opção passará por continuar.

Entre os reforços hoje anunciados, Thomas Pidcock era um nome há algum tempo relacionado com a estrutura britânica. Tem apenas 21 anos, mas é visto como um autêntico prodígio. Rei do ciclocrosse nas camadas jovens, a passagem para a estrada também foi feita com sucesso, tendo, por exemplo, ganho o Paris-Roubaix de juniores em 2019 e este ano já venceu o Giro para o seu escalão. Evoluiu na extinta Team Wiggins, mas foi adiando um passo maior, principalmente porque sempre quis garantir que poderia continuar a competir no ciclocrosse. Na Ineos Grenadiers será altura de se concentrar mais na estrada e juntar-se ao grupo de jovens talentos, espalhados por várias equipas, que já está a tomar conta do World Tour.

Quando em 2019 assinou pela Jumbo-Visma deixando a Quick-Step Floors, Laurens de Plus foi à procura de maior destaque nas grandes voltas. Parecia estar a caminho de se tornar um homem importante para o bloco de Primoz Roglic, não sendo segredo que queria mais, eventualmente. Acabou desaparecer aos poucos da equipa, ainda mais este ano, quando cedo foi noticiado que estaria a caminho da Ineos Grenadiers. Tem apenas 25 anos, margem para progredir e percebe-se porque foi contratado. Em forma, este ciclista é um incansável trabalhador e com potencial para tentar ganhar, quando e se lhe forem dadas oportunidades.

Daniel Martínez será curioso ver como encaixa. O recente vencedor do Critérium du Dauphiné e de uma etapa no Tour já tinha conquistado estatuto na EF Pro Cycling com quem ainda tinha contrato, mas resolveu mudar-se mais cedo. Percebe-se que a Ineos Grenadiers lhe dará outras condições nas provas por etapas, mas a concorrência interna também será grande, ainda mais se Sivakov, renovar. Aos 24 anos falta-lhe maior estabilidade nas grandes voltas para lutar por top dez (acontece sempre algo para perder tempo), mas já se percebeu que Martínez tem o que é preciso para ser mais um colombiano de sucesso. A equipa americana vai sentir a perda deste ciclista.

Se os dois primeiros assinaram até 2023, tanto Martínez como Richie Porte só rubricaram acordo para 2021. No caso do australiano é compreensível. Aos 35 anos, Porte tinha assumido que este seria o seu último ano como líder, ainda que quisesse despedir-se em grande da Trek-Segafredo. Conseguiu finalmente um pódio numa grande volta e que merecida foi aquela presença no terceiro lugar da Volta a França, nos Campos Elísios.

Falta ainda a vitória numa etapa, mas já é uma alívio para este ciclista ter alcançado este feito, pois quando deixou a Sky em 2015, depois de quatro temporadas, para não estar dependente das escolhas de Chris Froome, o repto era ser um líder ganhador. Quedas, perda de tempo em etapas de vento, furos... aconteceu de tudo a Porte, mesmo quando se apresentou em grande forma, tanto na BMC, como na Trek-Segafredo.

Ainda se falou da possibilidade de assinar pela Israel Start-Up Nation, para retomar a parceria com Froome, com Porte a ter sido um gregário de luxo. Porém, o australiano vai assumir um papel de ajuda na reconstrução da agora Ineos Grenadiers.

Juntamente com Luke Rowe (30 anos) será certamente um capitão, ficando agora a dúvida onde entrará Geraint Thomas (34) nesta reconstrução. Para o galês seria importante ganhar a Volta a Itália se quer ter uma palavra a dizer em 2021 (último ano do seu contrato), numa altura em que já pouco o vão ouvindo.

»»Filippo Ganna, a confirmação««

»»As equipas do Tour uma a uma««

24 de agosto de 2019

Fim de ciclo para a Team Wiggins

(Fotografia: Facebook Team Wiggins)
A Team Wiggins prepara a sua despedida do ciclismo. Depois de cinco anos fecha-se um ciclo de uma equipa que nasceu para ajudar Bradley Wiggins e companheiros a prepararem os Jogos Olímpicos, na busca pelo ouro na prova de perseguição colectiva (pista) e que deu depois o passo para formar jovens talentos. No entanto, sem grande justificação, a estrutura é mais uma a fechar portas na Grã-Bretanha, que no ano passado já tinha perdido duas das suas equipas Continentais.

"Depois de cinco anos fantásticos, os responsáveis pela equipa tomaram a decisão que a operação chegou à sua natural conclusão", lê-se num curto comunicado. O objectivo inicial foi cumprido, pois Wiggins ganhou a sua quinta medalha olímpica ao sagrar-se campeão com os restantes colegas, no Rio de Janeiro. Com Wiggins a retirar-se, a formação passou a ser o plano principal e a equipa viu ciclistas seus dar o salto para o World Tour: Owain Doull e Chris Lawless (Ineos), James Knox (Deceuninck-QuickStep), Scott Davies (Dimension Data), Mark Donovan (Sunweb) e Corentin Ermenault (Vital Concept). E a lista vai crescer.

Gabriel Cullaigh já assinou pela Movistar para as próximas duas temporadas. Este sprinter de 23 anos até deixou a sua marca por Portugal, ao ganhar três etapas na Volta ao Alentejo, duas em 2018 e uma este ano. James Fouché poderá ser o próximo. Já está a estagiar na Mitchelton-Scott e tem o perfil para encaixar perfeitamente numa equipa agora virada para as provas por etapas. O neozelandês de 21 anos mostra qualidade para clássicas com algumas subidas (foi segundo em 2018 e quinto em 2019 na Clássica da Arrábida), mas tem demonstrado evolução nas provas de uma semana. Venceu a classificação da montanha na Volta ao Alentejo, comprovando que a Team Wiggins gostava de passar por Portugal no início de época. Fouché Tem a particularidade de ser o campeão nacional de fundo em elite e o de sub-23 em contra-relógio.

A estrela da equipa chama-se Tom Pidcock, um dos miúdos maravilha do ciclismo. Tem 20, é um puro talento do ciclocrosse e na estrada também já vai somando vitórias e boas exibições. Não tem pressa de chegar ao World Tour, mas o final da Team Wiggins poderá precipitar este passo. Pretendentes não faltam para contratar este ciclista, que encara a modalidade muito ao estilo de um Peter Sagan e Matthew van der Poel. Quer fazer o que gosta, divertir-se, ser dono do seu destino, dar espectáculo e, claro, ganhar. Para ele também não há impossíveis. Está actualmente a recuperar de uma queda no Tour de l'Avenir, na qual ficou mal tratado no rosto.

A Wiggins-Le Col, como se chamou este ano, fará a sua última corrida em casa, na Volta à Grã-Bretanha, entre 7 e 14 de Setembro. Num país que em 2018 alcançou o feito de ter três ciclistas diferentes a ganhar as três grandes voltas (Chris Froome, Geraint Thomas e Simon Yates), está a verificar-se o desaparecimento de estruturas importantes ao nível Continental, com um papel importante ajudar a dar o salto dos atletas para o World Tour. Em 2018, a JLT Condor e a One Pro Cycling disseram adeus por razões financeiras.

»»Hagens Berman Axeon prepara-se para regressar ao escalão Continental««

21 de fevereiro de 2018

Conselho de Wiggins: "Não vás para a Sky no futuro. Eles vão arruinar-te"

(Fotografia: Team Wiggins)
Bradley Wiggins quer transformar a sua equipa numa de referência na formação de jovens ciclistas que acabem por rumar ao World Tour. É o próprio que admite querer seguir o exemplo da Hagens Berman Axeon de Axel Merckx. Na apresentação da Team Wiggins para 2018 houve dois destaques: a inclusão de Thomas Pidcock, um dos ciclistas que mais expectativa está a criar já muito além da Grã-Bretanha, e a declaração de Wiggins sobre a possibilidade da jovem estrela, ou outro dos seus corredores, assinar um dia pela Sky: "Não vás para a Sky no futuro, vai para outro lado. Eles vão arruinar-te."

Como se pode calcular, a frase está a ter eco em vários meios de comunicação social. Afinal estamos a falar do ciclista que foi o líder indiscutível quando a Sky surgiu, que venceu a Volta a França e até se poderia pensar que a Team Wiggins poderia servir de certa forma como um trampolim de futuros talentos para a toda poderosa equipa de Dave Brailsford. O site Cyclist salienta que a declaração foi feita em tom de brincadeira, mas, a brincar a brincar... É ainda referido que ficou claro que foi também um recado muito sério.

Wiggins foi o símbolo inicial da Sky, mas a vitória na Volta a França em 2012, o principal objectivo quando a equipa foi criada, acabou por marcar a queda de estatuto do ciclista. Chris Froome mostrou várias vezes que estava mais forte que o seu líder e deixou claro que tinha de ser o número um, rapidamente. A Sky prometeu-lhe a liderança logo para o ano seguinte, com Wiggins a tentar planos alternativos, como o Giro. Porém, a vitória na Volta a Califórnia em 2014 soube a pouco, mas o título mundial de contra-relógio nesse mesmo ano soube certamente bem melhor, até porque meses depois acabou por deixar a Sky.

Claro que se volta sempre ao famoso caso do pacote entregue ao ciclista durante uma corrida, quando estava na Sky. O caso foi arquivado, mas ajudou, e de que maneira, a aumentar as suspeitas em redor de uma equipa que colocou no léxico ciclístico a expressão "ganhos marginais".

Owain Doull e Jonathan Dibben são dois ciclistas que foram para a Sky após uma passagem na Team Wiggins. Já se fala de Pidcock poder ser o próximo. É um autêntico prodígio de 18 anos, que soma camisolas de campeão nacional, europeu e mundial no ciclocrosse, mas também já tem títulos na estrada, sendo o campeão do mundo de juniores em contra-relógio. Já foi visto a treinar uma vez com a Sky, ainda que o jovem tenha dito que foi uma coincidência.

É difícil não ver a frase de Wiggins como um recado, ou mesmo um aviso, bem explícito. Porém, o antigo ciclista, que chegou a competir pela sua equipa até terminar a carreira em 2016 - agora está a dedicar-se ao remo - não compareceu na conferência de imprensa marcada para após a apresentação dos 17 jovens da Team Wiggins. Ficaram umas questões por fazer...

Além da frase sobre a Sky e dos elogios ao trabalho de Axel Merckx - Wiggins espera que a sua formação possa também começar a colocar muitos ciclistas no World Tour -, o antigo corredor, agora com 37 anos, afirmou que quer recuperar uma identidade do ciclismo: a proximidade com os fãs. Wiggins não quer os ciclistas "escondidos" em autocarros, quer que sejam vistos pelas pessoas, que estas possam conversar com eles. E lá saiu mais um recado em que não é preciso muito para perceber a quem se referia: "Vejam a maior equipa do mundo neste momento. Não é muito popular."

Wiggins realçou: "É tudo sobre os medidores de potência e os fatos. Quero regressar ao tempo em que encontravas o Bernard Hinault a vestir-se na parte de trás do carro. Longe vão os dias em que o patrocinador mete seis milhões de libras [cerca de 6,8 milhões de euros] só para aparecer na televisão!"

De recordar que a Team Wiggins tem presença prevista para a Clássica da Arrábida, no dia 11 de Março.


23 de dezembro de 2017

Prodígio britânico já escolheu equipa de estrada, mas só pretende competir em Maio. Primeiro está o ciclocrosse

(Fotografua: UEC)
Já colecciona camisolas do arco-íris e só tem 18 anos. Na Grã-Bretanha olham para Tom Pidcock como um prodígio e não é apenas no país que já se anseia por ver no que este jovem ciclista poderá tornar-se. O "problema" com Pidcock é que tem uma enorme paixão pelo ciclocrosse, vertente que não quer para já deixar, apesar da pressão para que invista mais tempo na estrada. E já o vai fazer em 2018. Finalmente anunciou que é mesmo pela Team Wiggins que irá competir, mas sem deixar o ciclocrosse, que será a sua prioridade durante o inverno.

Apesar de não descartar aparecer em algumas corridas de estrada mais cedo, Pidcock gostaria de se estrear no Tour de Yorkshire, ou seja, a 3 de Maio. Curiosamente, poderá nem o fazer pela Team Wiggins. Em 2017, a equipa de Bradley Wiggins não recebeu um convite, mas o ciclista não está preocupado, pois considera que terá sempre a possibilidade de estar na corrida em representação da selecção.

"Será a minha primeira corrida a sério. Sou capaz de fazer umas mais pequenas antes. Ainda não sei", disse Pidcock ao site britânico Cyclist. Salientou que não irá logo tentar somar vitórias, mas, como se ler no texto, não será uma surpresa se o ciclista começar rapidamente a ser visto em fugas e noutros ataques durante as competições.

Já muito se fala que terá equipas do World Tour prontas a contratá-lo depois da adaptação à estrada estar feita. A Sky tem aparecido no topo da lista, muito porque Pidcock foi visto a treinar com a formação britânica. No entanto, afirmou que não passou de uma coincidência, pois estava a representar a selecção, que ficou hospedada no mesmo hotel da Sky. "No dia de recuperação pedalei com a Sky, mas fora isso, cada um seguiu o seu caminho", garantiu.

Conhecido por celebrar vitórias colocando-se numa posição de Super-Homem, Tom Pidcock foi campeão da Europa e do mundo de ciclocrosse em juniores e quer mais uma camisola do arco-íris nesta vertente, mas agora como sub-23. Os Mundiais realizam-se em Fevereiro e antes haverá os Nacionais. Na estrada foi campeão do mundo, também como júnior, de contra-relógio em Bergen.

E para preparar-se da melhor forma para os primeiros objectivos do ano, Pidcock irá passar o Natal na Bélgica, pois no dia 26 há uma corrida com um percurso que diz ser idêntico ao que encontrará na Holanda, nos Mundiais. Regressar a casa, só para o ano novo.

Quando foi campeão em Bergen, logo naquela altura foi anunciado por um responsável da Team Wiggins que Pidcock seria um dos reforços em 2018. O pai do ciclista desmentiu, sendo confirmado que a escolha era a Telenet-Fidea Lions, estrutura que representa no ciclocrosse. Mas como o próprio Pidcock agora reconheceu "era o segredo mais mal guardado" e irá mesmo para a formação britânica, que dedicar-se-á à evolução de ciclistas sub-23.

Chamam-lhe o novo Peter Sagan e pelo menos na forma de encarar o ciclismo até se podem ver parecenças, pois Pidcock não está preocupado em agradar a uma ou outra equipa, a um ou outro responsável. O próprio já admitiu que quer divertir-se enquanto compete e é uma forma de estar que não pretende abandonar. Lá para Maio, Pidcock será um daqueles ciclistas que muitos vão querer seguir com atenção. As expectativas são enormes. A ver vamos como irá lidar com elas.

»»O sucessor de Sagan que deixa as grandes equipas à espera de o contratar««

12 de novembro de 2017

O sucessor de Sagan que deixa as grandes equipas à espera de o contratar

Campeão nacional, europeu (na foto) e mundial, Pidcock já vestiu todas

as camisolas e tem apenas 18 anos (Fotografia: UEC)
Com a época de estrada em pausa no que diz respeito às principais equipas - ainda estão a realizar-se algumas corridas pela Ásia, por exemplo - as atenções viram-se para o ciclocrosse. É por esta vertente que anda um ciclista que tanto se deseja vê-lo definitivamente na estrada, mas o próprio admite que não será para já. Porém, Thomas Pidcock não irá conseguir adiar muito mais o inevitável. Tem apenas 18 anos e devem ser poucas as equipas que não esteja de olho nele. Dizem que poderá ser melhor do que Peter Sagan, mas o próprio sorri quando recorda que na primeira corrida em que participou foi batido por uma rapariga.

"Não foi uma rapariga qualquer", realçou Pidcock, recordando como Pfeiffer Georgi, também britânica, foi sétima nos Mundiais no contra-relógio e sexta na prova em linha no escalão de juniores. Já num nível mais a sério, ganhou a primeira corrida que fez de ciclocrosse... com uma bicicleta de BTT. Em Bergen, Pidcock sagrou-se campeão do mundo no esforço individual, mais um título em júnior para juntar ao que tem em ciclocrosse, conquistado em Fevereiro. Este jovem britânico é puro talento e não é de admirar que a Sky esteja muita atenta ao ciclista que simplesmente parece fazer o que quer numa bicicleta. Faz lembrar Sagan, um dos seus ídolos, pois claro, até porque têm desde logo em comum uma faceta na personalidade: ambos encaram o ciclismo como uma forma de divertirem-se a competir. Não são menos profissionais por isso, apenas gostam de mostrar mais do que apenas vitórias. Sagan conhece-se bem, Pidcock saltou para a ribalta quando terminou uma corrida em pose de Super-Homem na bicicleta. Saltou para a ribalta mediática, leia-se, pois desportivamente o britânico já recebe muita atenção apesar de apenas ter 18 anos.

Por altura dos Mundiais, em Setembro, um responsável da Team Wiggins tinha informado que Pidcock iria correr pela equipa do antigo ciclista. Até faria sentido, pois Pidcock considera Bradley Wiggins como o melhor ciclista britânico. Mark Cavendish não precisa de ficar com ciúmes! Pidcock também o teve como ídolo, ainda que diga que o primeiro foi o seu pai, aquele que cresceu a ver competir, também como sprinter.

Ainda durante os Mundiais, o pai de Pidcock desmentiu a suposta contratação. Havia mais propostas a analisar e a paixão pelo ciclocrossee era demasiada para deixar a modalidade de parte. A escolha recaiu em manter-se na Telenet-Fidea Lions do belga Sven Nys, que já havia anunciado em Junho. Equipa desconhecida para muitos, mas uma das mais fortes no ciclocrosse. "Decidi aceitar esta oferta porque colocaram à minha disposição o melhor material e porque me pagam bem para fazer o que mais gosto: ciclocrosse", afirmou ao jornal belga Het Nieuwsblad.

Contudo, no próximo Verão parece que iremos ver Pidcock na estrada e numa grande equipa. Qual? Teremos de esperar. O jovem britânico deixa, ainda assim, o aviso que irá continuar com o ciclocrosse por mais três anos, pelo menos, e perante a procura que já tem, quem o queira contratar terá muito provavelmente de ceder neste aspecto. Claro que chegará o momento em que a passagem definitiva para a estrada será inevitável.

E há já uma corrida que tem marcada como objectivo: Paris-Roubaix. Eis uma escolha que não surpreende... "É pura, dura. É o homem contra os elementos. Uma corrida magnífica. Icónica!" Thomas Pidcock já a fez e venceu na categoria de juniores. Se contabilizarmos também a passagem pela pista, estamos a falar de um ciclista que já venceu mais de 100 corridas. Além do título mundial, também conta com o europeu e nacional.

Talento, confiança, ambição, um jovem que sabe bem o que quer e que não tem problemas em dizer a homens fortes do ciclismo mundial que terão de esperar para o conseguir contratar. Aos 18 anos colocar as expectativas tão altas é sempre um risco, talvez seja por isso que Thomas Pidcock seja um daqueles ciclistas que mais rapidamente se quer ver na estrada para ver como evolui e se, de facto, se estará perante o próximo fenómeno do ciclismo mundial. Para já, o estatuto mantém-se com Sagan. "Encanta-me o seu estilo. A forma como lida como se tudo fosse o jogo. Compete pela diversão de competir. Eu também vejo assim", salientou.