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25 de setembro de 2020

Ineos Grenadiers reforça-se com juventude e experiência

Montagem: Ineos Grenadiers
No que a reforços diz respeito a Ineos Grenadiers fechou as contratações ao anunciar quatro de uma vez só. Richie Porte, Laurens de Plus e o jovem Thomas Pidcock já eram esperados, mas Dani Martínez foi uma surpresa de última hora. O quarteto junta-se assim a Adam Yates, que ainda antes da Volta a França, já tinha selado o seu futuro para 2021.

Depois de muito sucesso com Chris Froome, sem esquecer Bradley Wiggins, e Geraint Thomas, a Ineos Grenadiers, ex-Sky, começou a contratar vários jovens de enorme potencial. Egan Bernal ganhou o Tour logo no seu segundo ano, mas a equipa começou a dar mostras de estar a perder a força do que agora se percebe terem sido os seus tempos áureos. Em 2020 tudo se desmoronou. Colectivamente a equipa falhou no Tour - e nas corridas anteriores - e Bernal foi uma desilusão. Os adversários já lhe fazem frente, principalmente a Jumbo-Visma, pelo que chegou de uma vez por todas o momento da Ineos Grenadiers seguir um novo caminho e reconstruir a equipa.

A formação britânica não poderia deixar escapar o menino prodígio da Grã-Bretanha, Thomas Pidcock, mas também aposta em ciclistas já com experiência, fortalecendo assim o bloco das grandes voltas. E Richie Porte traz mais do que isso. O australiano, mesmo regressando à equipa para deixar de ser líder, será um gregário com voz de comando para pôr "ordem na casa", numa altura em que Chris Froome se prepara para sair e Geraint Thomas tem tido um discurso pouco (ou nada) unificador.

"Esta época, vimos uma mudança tanto nos níveis de performance individual, como na força colectiva das equipas. Os ciclistas estão melhor preparados e as equipas mais organizadas. A intensidade da competição está a aumentar e está a ficar mais difícil ganhar. Estamos a apreciar este desafio e focados em regressar mais fortes. Os corredores são o coração das equipas e cada uma das novas contratações forma uma parte da evolução da equipa", afirmou Dave Brailsford, o director da Ineos Grenadiers.

Os reforços

Adam Yates (28 anos) era uma pretensão antiga. Tanto ele como o irmão decidiram assinar pela então Orica GreenEDGE (actual Mitchelton-Scott) quando se tornaram profissionais. Apesar de terem a mesma formação de outros britânicos que foram para a Sky nos primeiros tempos do projecto, os gémeos não quiserem ter um papel secundário e foram para a formação australiana. Agora, Adam vai procurar ter protagonismo numa equipa que não só tem Bernal, mas também o compatriota Iván Ramiro Sosa, Eddie Dunbar, Pavel Sivakov e mesmo Tao Geoghegan Hart, todos a ambicionarem serem mais do que gregários.

Contudo, os últimos dois ainda não renovaram, assim como Filippo Ganna, que esta sexta-feira se sagrou campeão do mundo de contra-relógio. Michal Kwiatkowski está entre os da "velha guarda" que também ainda não prolongou o vínculo, mas o polaco já fez saber que a primeira opção passará por continuar.

Entre os reforços hoje anunciados, Thomas Pidcock era um nome há algum tempo relacionado com a estrutura britânica. Tem apenas 21 anos, mas é visto como um autêntico prodígio. Rei do ciclocrosse nas camadas jovens, a passagem para a estrada também foi feita com sucesso, tendo, por exemplo, ganho o Paris-Roubaix de juniores em 2019 e este ano já venceu o Giro para o seu escalão. Evoluiu na extinta Team Wiggins, mas foi adiando um passo maior, principalmente porque sempre quis garantir que poderia continuar a competir no ciclocrosse. Na Ineos Grenadiers será altura de se concentrar mais na estrada e juntar-se ao grupo de jovens talentos, espalhados por várias equipas, que já está a tomar conta do World Tour.

Quando em 2019 assinou pela Jumbo-Visma deixando a Quick-Step Floors, Laurens de Plus foi à procura de maior destaque nas grandes voltas. Parecia estar a caminho de se tornar um homem importante para o bloco de Primoz Roglic, não sendo segredo que queria mais, eventualmente. Acabou desaparecer aos poucos da equipa, ainda mais este ano, quando cedo foi noticiado que estaria a caminho da Ineos Grenadiers. Tem apenas 25 anos, margem para progredir e percebe-se porque foi contratado. Em forma, este ciclista é um incansável trabalhador e com potencial para tentar ganhar, quando e se lhe forem dadas oportunidades.

Daniel Martínez será curioso ver como encaixa. O recente vencedor do Critérium du Dauphiné e de uma etapa no Tour já tinha conquistado estatuto na EF Pro Cycling com quem ainda tinha contrato, mas resolveu mudar-se mais cedo. Percebe-se que a Ineos Grenadiers lhe dará outras condições nas provas por etapas, mas a concorrência interna também será grande, ainda mais se Sivakov, renovar. Aos 24 anos falta-lhe maior estabilidade nas grandes voltas para lutar por top dez (acontece sempre algo para perder tempo), mas já se percebeu que Martínez tem o que é preciso para ser mais um colombiano de sucesso. A equipa americana vai sentir a perda deste ciclista.

Se os dois primeiros assinaram até 2023, tanto Martínez como Richie Porte só rubricaram acordo para 2021. No caso do australiano é compreensível. Aos 35 anos, Porte tinha assumido que este seria o seu último ano como líder, ainda que quisesse despedir-se em grande da Trek-Segafredo. Conseguiu finalmente um pódio numa grande volta e que merecida foi aquela presença no terceiro lugar da Volta a França, nos Campos Elísios.

Falta ainda a vitória numa etapa, mas já é uma alívio para este ciclista ter alcançado este feito, pois quando deixou a Sky em 2015, depois de quatro temporadas, para não estar dependente das escolhas de Chris Froome, o repto era ser um líder ganhador. Quedas, perda de tempo em etapas de vento, furos... aconteceu de tudo a Porte, mesmo quando se apresentou em grande forma, tanto na BMC, como na Trek-Segafredo.

Ainda se falou da possibilidade de assinar pela Israel Start-Up Nation, para retomar a parceria com Froome, com Porte a ter sido um gregário de luxo. Porém, o australiano vai assumir um papel de ajuda na reconstrução da agora Ineos Grenadiers.

Juntamente com Luke Rowe (30 anos) será certamente um capitão, ficando agora a dúvida onde entrará Geraint Thomas (34) nesta reconstrução. Para o galês seria importante ganhar a Volta a Itália se quer ter uma palavra a dizer em 2021 (último ano do seu contrato), numa altura em que já pouco o vão ouvindo.

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28 de janeiro de 2018

O apelo de Bob Jungels após o atropelamento de dois colegas de equipa

Jungels estava a treinar com Vakoc e De Plus (Fotografia: Twitter Bob Jungels)
Bob Jungels tem mostrado através dos Twitter o quanto o atropelamento de dois dos seus companheiros da Quick-Step Floors, enquanto treinavam, o afectou. O luxemburguês tem publicado mensagens de apoio, mas foi agora mais longe, partilhando um vídeo apelando ao respeito na estrada por parte de todos, seja qual for o veículo que se esteja a conduzir. "Espero que ninguém tenha de passar pelo que eu passei com os meus dois colegas de equipa. Aconselho vivamente a partilhar a estrada, talvez fazer um sinal se alguém faz algo mal, mas não façam nenhuma acção que possa provocar uma situação como a que tivemos", apelou o ciclista.

Os três corredores da formação belga estavam em estágio na África do Sul, quando o checo Petr Vakoc e o belga Laurens de Plus foram atropelados por uma carrinha. Jungels seguia à frente dos dois companheiros e não foi apanhado no acidente. Ambos foram transportados para o hospital, com Vakoc a ser a situação mais grave. Precisou de ser operado à coluna, já se encontrando a recuperar. Dentro de dez dias deverá poder regressar a casa.

"Num momento estamos a rir com o nosso companheiro e no segundo seguinte estamos a correr, a gritar, sem saber o que fazer, a pedir a ajuda. Depois, tê-lo nos meus braços, sem saber se ele vai praticar outra vez ciclismo, andar, ou seja o que for... No final, tudo acabou de forma bastante positiva, apesar do que aconteceu", referiu Jungels no vídeo publicado no YouTube (pode ver mais em baixo).

A África do Sul tem tornado-se num destino preferencial para alguns ciclistas, além de Chris Froome, que também já influenciou o colega da Sky, Geraint Thomas, pelo menos em 2017. Além do trio da Quick-Step Floors, também os gémeos Yates, Adam e Simon, da Mitchelton-Scott, por exemplo, estão no país a preparar a nova temporada. Jungels quis que ficasse bem claro que a decisão de ir para a África do Sul foi a mais acertada, dizendo mesmo que os condutores demonstram grande respeito pelos ciclistas.

No entanto, o luxemburguês, de 25 anos, desabafou: "É triste que se tenha sempre de chegar a uma situação como esta para se acordar." O ciclista considera que "muito está a ser feito para a segurança dos ciclistas na estrada", mas realçou: "Somos os mais vulneráveis na estrada. Não temos um chassi a proteger-nos."  Jungels deixou por isso um apelo: "Todos devem considerar se vale a pena perder um ou dois minutos a ultrapassar-nos, ou a ver-se envolvido numa situação como a que estivemos há dois dias. Não estou a dizer que os ciclistas fazem tudo bem. Muitas vezes ocupamos demasiado da estrada, muitas vezes não respeitamos as regras, o que é justo dizer que também não é correcto."

Este incidente reavivou a memória do choque violento que atirou cinco ciclistas da então Giant-Alpecin (actual Sunweb) para o hospital, em Alicante, em Janeiro de 2016. John Degenkolb, Warren Barguil, Chad Haga, Fredrik Ludvigsson, Ramon Sinkeldam e Max Walscheid foram atropelados por uma condutora britânica que conduzia em contra-mão. Haga e Degenkolb foram os casos mais preocupantes. O alemão quase perdeu um dedo e ficou de fora grande parte da temporada. No ano passado Chris Froome também teve um encontro imediato com o carro quando treinava numa zona perto do Mónaco, na preparação para a Volta a França, mas não sofreu ferimentos de maior.

A mensagem de Jungels não está a passar despercebida, com alguns comentários a salientarem precisamente como o ciclista apelou a todos, incluindo quem anda de bicicleta, para que assim se possa de facto falar em segurança na estrada.

Veja o vídeo na íntegra.



Psicólogo ajudou mãe de Laurens de Plus

Laurens de Plus não está a ter meses fáceis. Em Outubro terminou a temporada na Lombardia com uma aparatosa queda, passando por cima do raile de protecção e caindo numa ribanceira. Apesar dos ferimentos, principalmente numa perna, o belga de 22 anos recuperou e queria começar bem a nova temporada, a terceira na Quick-Step Floors. 

Aquando do incidente na Lombardia, o ciclista admitiu que o psicólogo da equipa ajudou a sua mãe a lidar com o sucedido. "Agora a minha mãe tem sempre medo. O ciclismo é um desporto com numerosos riscos e dá muitos problemas. Porém, na equipa temos um bom psicólogo, o Jef Brouwers, que a ajudou muito. Espero que veja as próximas corridas de forma mais serena", disse então ao site RTBF.

Perante este novo acidente com alguma gravidade, agora durante um treino, Brouwers deverá entrar novamente em acção, não só para ajudar a família dos ciclistas, mas também os próprios. Para De Plus, por exemplo, será um verdadeiro teste a sua capacidade mental para recuperar de duas situações muito complicadas, num curto espaço de tempo.

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26 de janeiro de 2018

Início de ano atribulado para a Quick-Step Floors: depois da queda de Gaviria, dois ciclistas foram atropelados

De Plus e Vakoc estavam a treinar com Jungels quando foram atropelados
(Fotografia: Twitter Bob Jungels)
Num dia parecia que a temporada da Quick-Step Floors estava a arrancar para mais a senda de vitórias habitual (acima de 50 por ano), mas inesperadamente as preocupações são agora com a condição física de três ciclistas. Fernando Gaviria sofreu uma queda aparatosa na Volta a San Juan e já regressou a casa. Mas se o colombiano não inspira cuidados de maior e apesar de ter ficar maltratado, irá voltar à competição rapidamente, a pior notícia chegou esta sexta-feira: Laurens De Plus e Petr Vakoc foram atropelados durante um treino, na África do Sul, com o checo a precisar de ser operado devido a lesões nas vértebras. Bob Jungels estava com os companheiros, mas escapou ao embate causado por uma carrinha.

"Estávamos a treinar quando, de repente, ouvi um barulho muito alto e no segundo seguinte vi o Laurens e o Petr no chão. Não vi a carrinha que vinha atrás, mas tê-los-á atingido ou com o espelho ou mesmo com o lado esquerdo da parte frente [do veículo]. Corri na direcção deles e pude ver que estavam feridos, por isso, não me atrevi a mexer neles", contou Bob Jungels, que seguia à frente de De Plus e Vakoc. "Uma senhora que estava na berma da estrada aproximou-se e ajudou-nos, chamando uma ambulância, enquanto o nosso treinador Koen [Pelgrim] e eu falávamos com eles. Foi muito difícil vê-los naquele estado e espero que eles recuperem rapidamente deste momento complicado", acrescentou Bob Jungels, citado no comunicado da equipa.

A Quick-Step Floors explicou que o belga Laurens de Plus (22 anos) sofreu contusões num pulmão e rim e irá ficar uns dias no hospital para se observado. Porém, destacou que é Vakoc (25) quem mais preocupa e a intervenção cirúrgica estava prevista ainda para hoje. De recordar que em Outubro De Plus foi um dos ciclistas que caiu numa ribanceira durante o último monumento do ano, a Lombardia, que o deixou com uma lesão no joelho, além de ficar mal tratado noutras partes do corpo. O belga estava a preparar o regresso à competição.

Bob Jungels deixou esta mensagem no Twitter (texto continua em baixo).


Quanto a Fernando Gaviria, a queda durante a Volta a San Juan levou-o a passar uma noite do hospital, mas o ciclista já recebeu autorização para regressar à Colômbia. O sprinter, que havia vencido a primeira etapa, ficou ferido nas costas, braços e nas mãos, mas o estado do joelho e o facto do capacete ter partido na queda, fez com que o médico optasse por ordenar a ida de Gaviria ao hospital. Porém, foi confirmado que, apesar do aparato, os problemas físicos não são graves. "Sinto-me bem depois da queda de ontem", garantiu o ciclista, que contou que o pelotão ia a grande velocidade, até porque era uma zona de muito vento, e que houve um movimento nos corredores à sua frente, acabando por tocar com a roda num dos seus companheiros. "Ninguém podia fazer nada para evitar [o que aconteceu]."

Gaviria mantém o plano de competir na Colombia Oro y Paz, que se realiza entre 6 e 11 de Fevereiro, num início de temporada em que pretende preparar uma forte presença nas clássicas, tendo no seu calendário os monumentos Milano-Sanremo, Volta a Flandres e Paris-Roubaix. Quanto a grandes voltas, depois de dominar na sua estreia em 2017 na Volta a Itália (quatro etapas e a classificação dos pontos), Gaviria vai atacar o Tour.

É um arranque de temporada acidentado para a Quick-Step Floors, que ainda assim, já soma três vitórias em Janeiro: Elia Viviani (terceira etapa do Tour Down Under), Fernando Gaviria e Maximiliano Richeze (primeira e quarta etapa da Volta a San Juan, respectivamente).

De recordar que a Quick-Step Floors é uma das 13 equipas do World Tour que marcará presença na Volta ao Algarve. Bob Jungels e Philippe Gilbert são duas hipóteses para estar num pelotão que já está a ficar bastante interessante (ver link em baixo).

»»Se é preciso mais alguma razão para ver a Algarvia, aqui ficam duas: BMC e Trek-Segafredo com as principais armas««

»»208 dias depois, eis Valverde!««

8 de outubro de 2017

Bicicleta de Bakelants ficou pendurada numa árvore. Ciclista continua hospitalizado

(Fotografia: AG2R La Mondiale)
As imagens de Laurens de Plus a cair numa ravina após chocar contra rails de protecção numa curva na Il Lombardia são arrepiantes. O belga da Quick-Step Floors acabou por não sofrer lesões muito graves, mas aquela zona da descida no Sormano causou mais vítimas. A queda de Jan Bakelants (AG2R) não foi filmada, mas há uma fotografia impressionante que mostra como a bicicleta do também belga ficou pendurada numa árvore. O ciclista tem ferimentos mais graves e ainda se encontra no hospital. Simone Petilli (UAE Team Emirates) também ficou bastante mal tratado.

A curva em causa era complicada, sem grande margem de erro. O pior era que do lado de lá do rail estava uma ravina. De Plus não terá caído tão para baixo como Bakelants. O corredor da AG2R partiu sete costelas (mas sem afectar os pulmões) e fracturou a vértebra L1 e L3 e são estas lesões as que mais preocupam. Bakelants (31 anos) está consciente e consegue mexer-se, segundo o médico da equipa francesa. Porém, até serem conhecidos os resultados dos exames que estavam agendados para este domingo, não seriam corridos riscos em transportar o ciclista de regresso ao seu país. Não estava afastada a possibilidade de uma intervenção cirúrgica.

Aqui fica a referida fotografia. O repórter explica que a bicicleta estava pendurada a quatro metros de altura, com o ciclista ferido por baixo dela.


Laurens de Plus já recebeu alta, mas terá ainda de fazer também mais exames, pois sofreu contusões no braço e perna direita. Já jovem italiano da UAE Team Emirates, Simone Petilli (24 anos),  tem lesões no pescoço, na vértebra D1, fracturou a clavícula e a omoplata do ombro esquerdo.



O quinto e último monumento do ano foi ganho pelo italiano Vincenzo Nibali, que venceu a corrida pela segunda vez, naquela que foi a 50ª vitória na carreira.

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