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1 de agosto de 2020

João Almeida a conquistar o seu espaço no World Tour

© João Fonseca Photographer
Dizer que João Almeida começa a mostrar-se ao mundo do ciclismo não seria de todo justo para este ciclista. Faz apenas 22 anos na próxima quarta-feira, mas há muito que se percebeu que este jovem tem muito talento, muito potencial. Ainda como júnior já revelava que não era mais um no pelotão. Como sub-23 afirmou-se na Hagens Berman Axeon e ainda é desse escalão agora que está no World Tour. E não perdeu tempo a obter  bons resultados no seu ano de estreia.

Naturalmente que a máquina Remco Evenepoel rouba os holofotes quando na sua terceira corrida do ano, vence pela terceira vez na geral e junta mais uma etapa. Também como júnior deixou tudo e todos rendidos à sua classe quando em 2018 fez uma recuperação incrível na prova de fundo do escalão no Mundial. Venceu com uma categoria que então se percebeu que estava destinado ao sucesso.

A Deceuninck-QuickStep concordou e assinou com o ciclista que aos 20 anos, feitos em Janeiro, tem um senhor como Vincenzo Nibali a alertar que o belga é para seguir com atenção quando se estrear numa grande volta, no Giro. Mas com muita atenção também se segue cada vez mais João Almeida, tal como aliás foi cotado pela imprensa especializada no início de 2020.

Em 2017 surpreendeu quando assinou pela equipa búlgara (com fortes ligações italianas) Unieuro Trevigiani-Hemus 1896. Foi um passo que quis dar. Sair de Portugal, depois de dominar nos juniores, formando uma dupla incrível com Daniel Viegas, actualmente na Kometa Xstra.

O ano correu bem e saltou para a Hagens Berman Axeon, vista como uma das melhores equipas de formação e que nas duas temporadas em que Almeida lá esteve, foi Profissional Continental. Aí somou bons resultados, boas exibições, com destaque para a conquista da Liège-Bastogne-Liège de sub-23. Entretanto já a Deceuninck-QuickStep de Patrick Levefere estava de olho no português, que estagiou inclusivamente com a equipa.

Em 2020 foi considerado pronto para saltar para a fortíssima estrutura belga. E estava mesmo mais do que pronto, como se está a perceber. A equipa é perfeita para João Almeida. Apesar das muitas estrelas, a mentalidade na Deceuninck-QuickStep passa por dar oportunidades a todos. Almeida nem está à espera de uma, está a agarrar todos os momentos que tem para se mostrar.

O segundo lugar na primeira etapa da Volta a Burgos foi já o exemplo. O aviso. Então até ficou à frente de Evenepoel, 10º, apesar de ambos terem ficado a oito segundos do vencedor Felix Grossschartner (Bora-Hansgrohe).

A jovem dupla acabaria por tomar conta das operações num pelotão de respeito, com Evenepoel a vencer a terceira etapa (Almeida foi quinto) e a não sair mais da liderança até final (cinco tiradas). Neste sábado, no último teste em Lagunas de Neila, João Almeida esteve com o seu líder até muito perto de final.

Evenepoel assegurou a geral, Almeida subiu a terceiro, a 1:12 minutos do companheiro. Que lugar tão merecido! A equipa destacou isso mesmo no Twitter.

João Almeida é um daqueles ciclistas que tem nas provas por etapas uma relação perfeita, mas também se pode esperar dele bons resultados em certas clássicas. Por isso mesmo, a equipa já o escolheu para fazer desde já a estreia em monumentos, na Lombardia (15 de Agosto). Três dias depois estará no Giro dell'Emilia.

Contudo, antes, vai ao Tour de l'Ain. Três etapas (de 7 a 9 de Agosto) sem Remco Evenepoel a seu lado, que nem lhe permite ficar com uma classificação da juventude, por exemplo. Terá luz verde para procurar vitórias?

Almeida é de facto um guerreiro, como se lê no twit. Este português acabou de chegar ao World Tour e retomou a competição tal como tinha terminado quando a pandemia interrompeu as corridas: em grande forma. Chegou ao World Tour, onde é o lugar dele. Até onde vai chegar? Certo é que ainda se vai falar muito de João Almeida.

Veja aqui a classificação final da Volta a Burgos, via ProCyclingStats.

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»»João Almeida no pelotão de luxo da Volta a Burgos««

27 de julho de 2020

João Almeida no pelotão de luxo da Volta a Burgos

Evenepoel e João Almeida, a dupla que funcionou tão bem na Volta ao Algarve,
estará novamente junta em Burgos (© João Fonseca Photographer)
Se algo já compensou o esforço da organização em colocar na estrada a Volta a Burgos é a lista de luxo que apresenta de ciclistas. A vontade é muita (mesmo muita) de regressar à competição, pelo que se todos vão estar, por um lado, a tentar perceber em que fase estão na na sua forma física, por outro, serão poucos aqueles que não vão apontar a vitórias. Afinal a Volta a Burgos vai arrancar esta terça-feira (até sábado), mas nunca se sabe se no dia de amanhã haverá corridas.

Os grandes nomes têm objectivos bem mais altos que esta prova espanhola, é certo. Porém, num calendário encaixado em tão poucas semanas e sempre com a ameaça que a pandemia pregue nova partida e leve ao cancelamento de provas - recentemente foram as duas clássicas do Canadá -, não há tempo a perder para alcançar resultados.

A Volta a Burgos acabou por beneficiar da colocação no calendário. Não foi fácil receber luz verde das autoridades espanholas, dada numa altura em que os contágios diminuíam. Já se sabe que em certas zonas de Espanha as notícias são agora outras, mas em Burgos vai viver-se a festa do ciclismo... de uma forma diferente, claro.

O calendário World Tour arranca a 1 de Agosto (sábado), com a Strade Bianche, mas para quem não se vai focar tanto nas clássicas, Burgos foi o ponto de partida eleito principalmente por voltistas, mas também por alguns sprinters.

Estarão presentes 14 equipas World Tour na corrida do segundo escalão (o mesmo da Volta ao Algarve). No ano passado e em 2018 foram apenas quatro! E que pelotão de luxo vai ter.

Vejamos: Alejandro Valverde e Enric Mas (Movistar), Mikel Landa e Mark Cavendish (Bahrain-McLaren), Richard Carapaz e Iván Ramiro Sosa (Ineos), Fabio Aru e Fernando Gaviria (UAE Team Emirates), Rafal Majka (Bora-Hansgrohe), Simon Yates e Esteban Chaves (Mitchelton-Scott), Arnaud Démare e David Gaudu (Groupama-FDJ), Matteo Trentin (CCC), George Bennett e Sepp Kuss (Jumbo-Visma), Louis Meintjes e Giacomo Nizzolo (NTT)...

A Astana levará ciclistas menos cotados, mas em Espanha irá olhar-se para os seus: Alex Aranburu e Óscar Rodríguez. A Israel Start-Up Nation deverá apostar em Daniel Navarro e David Cimolai.

Até o campeão do mundo irá marcar presença em Burgos. É tão difícil conquistar a camisola arco-íris e Mads Pedersen só a quer mostrar e vencer com ela. Matteo Moschetti também vai regressar à competição depois de um bom início de época, que no seu caso ficou marcado não só pela pandemia, mas por uma grave queda antes do confinamento. Edward Theuns e Jasper Stuyven também vão marcar presença pela Trek-Segafredo.

Confirmadíssimo está Remco Evenepoel. O miúdo maravilha do pelotão internacional vai tentar manter o recorde de 100% de conquistas em 2020. Duas corridas, duas vitórias: Volta a San Juan e Volta ao Algarve. A Deceuninck-QuickStep levará ainda o sprinter Sam Bennett e o português João Almeida. O campeão nacional de sub-23 de fundo e contra-relógio parece começar a tornar-se num dos homens de confiança de Evenepoel. Ainda ninguém esqueceu o excelente trabalho que realizou na Volta ao Algarve, naquele que está a ser o seu ano de estreia no World Tour. Almeida foi nono na corrida.

O pelotão fica completo com algumas formações Pro Team e a Kern Pharma, que sendo Continental, já está a apontar à subida em 2021.

A Sibiu Tour deu o mote para este regresso às corridas das principais equipas, com a Bora-Hansgrohe e a Israel Start-Up Nation a marcarem presença na Roménia. O austríaco da Bora-Hansgrohe, Gregor Mühlberger, venceu (geral, pontos e montanha), ficando à frente do companheiro Patrick Konrad. A equipa alemã ganhou ainda quatro das cinco etapas, duas por Mühlberger e outras tantas com o sprinter Pascal Ackermann (pode ver aqui a classificação final, via ProCyclingStats).

Contudo, é em Burgos que se centra a maior atenção. O ciclismo está de volta e agora é esperar para perceber como será esta relação entre desporto de alta competição e a pandemia. A expectativa é alta numa altura do ano em que tanto já se deveria ter passado, mas, afinal, quase tudo ainda está por acontecer. Mesmo sendo um estranho calendário, com ausências de nota, grandes corridas a coincidirem com outras, o desejo de ciclistas, staff, directores, adeptos, organizadores é que haja ciclismo! Que comece o espectáculo em semanas que serão certamente muito, muito, muito intensas!

Veja aqui a lista completa de inscritos da Volta a Burgos, via ProCyclingStats.