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9 de janeiro de 2021

Marc Madiot não quer Jorge Mendes no ciclismo

© Groupama-FDJ
A entrada de Jorge Mendes no mundo do ciclismo não está a agradar a todos. Marc Madiot, director da Groupama-FDJ, afirmou não querer ver implementado o sistema do futebol e considera que pode ser perigoso que empresários como o português comecem a chegar ao ciclismo.

O responsável de uma das equipas mais antigas do pelotão internacional foi muito crítico à notícia que Jorge Mendes, através da sua empresa Polaris Sport e em parceria com a Corso, vai gerir a imagem de João Almeida, Ruben Guerreiro e dos gémeos Oliveira, todos jovens ciclistas portugueses no World Tour.

"Não quero entrar no sistema do futebol. O sistema dos agentes de futebol é ter um portfólio de jogadores e movimentá-los o mais possível para gerar o máximo de dinheiro possível. Estamos a construir uma bolha de especulação financeira", salientou Madiot no programa de televisão francês Grandes Gueules du Sport, no canal RMC, citado no site BFM RMC Sport.

O director da Groupama-FDJ disse que o futebol está precisamente nessa bolha financeira e questiona como vai ser agora, por exemplo, com a covid-19. "O que se passa lá? Estão à beira do abismo! E querem deixar entrar pessoas como o Mendes no ciclismo? Não quero ver o Mendes no ciclismo. Ele que fique em Portugal com os futebolistas, mas que não venha até nós", salientou.

O empresário representa várias das maiores estrelas mundiais do futebol, com Cristiano Ronaldo à cabeça. Contudo, esta entrada no ciclismo de Jorge Mendes é apenas mais uma extensão a outras modalidades. Representa também atletas como Frederico Morais (surf), João Sousa (ténis) e Patrícia Mamona (triplo salto).

Madiot levanta algumas suspeitas por agora Mendes estar interessado no ciclismo. "Ele não vai ganhar o que ganha no futebol. Poderão existir outras ideias por trás e isso não é bom. Penso que eles querem, a certa altura, apropriarem-se do sistema em geral do ciclismo. E isso é ainda mais perigoso", afirmou.

Em baixo pode ouvir as declarações sobre este assunto de Madiot, no referido programa de televisão.

»»O regresso do bom velho Froome poderá ser no Algarve««

22 de outubro de 2020

A importância da força mental

© Team Jumbo-Visma
A força psicológica de um atleta, seja em que modalidade for, tem uma influência profunda no sucesso que possa ter. Muitas promessas não passam disso mesmo e, por vezes, a questão mental tem o seu papel. Também já aconteceu o contrário. Serem atletas com menor fulgor nos tempos de formação, mas com a evolução, com a ajuda de uma boa mentalidade e/ou acompanhando psicológico, tornam-se atletas de referência. Na Vuelta há, ou havia, dois casos diferentes. Um já abandonou.

Primoz Roglic é o exemplo de como uma mente forte ajuda a colocar um ciclista no topo. Thibaut Pinot é o exemplo de como quando não se está bem, não se consegue ir buscar qualquer motivação por si próprio. Foram dois anos a recuperar este francês para que pudesse atingir as expectativas criadas no seu país, para que soubesse lidar com essa pressão, principalmente na Volta a França. Porém, em 2020 há um novo retrocesso.

Pinot abandonou a Vuelta, não partindo para o terceiro dia. Tinha avisado que ainda não estava bem das costas. O problema surgiu no primeiro dia do Tour, quando sofreu uma queda. Foi quase um fantasma na Volta a França e na Vuelta começou logo a perder 25:19 minutos em duas etapas. Desde aquele 29 de Agosto que Pinot é um homem derrotado. Manteve-se no Tour apesar de não estar bem, mas nem se percebeu bem porquê. Nada fez e aparentemente nem conseguia fazer. Nem lutar por uma etapa.

No Twitter surgiu uma mensagem de um adepto espanhol de ciclismo que questionava porque razão as equipas enviaram à Vuelta corredores que não estão em condições. No caso de Pinot a questão coloca-se de facto. Se não está bem fisicamente, para quê sujeitá-lo a este embaraço de abandonar ao terceiro dia, depois de dois para esquecer. Pinot não precisava disto, se o problema das costas de facto persiste.

Enquanto a Pinot poderá fazer bem a longa pausa que se segue até 2021, Primoz Roglic precisou de poucas semanas para se recompor da desilusão do Tour. Seria compreensível se se mantivesse discreto depois de perder a Volta a França naquele contra-relógio final. Pelo menos até ao fim do ano. Mas não. Entrou na Vuelta a não perder tempo para mostrar que está forte. A desilusão será difícil de esquecer, mas faz parte do passado. Roglic quer mais e quer mais já, em Espanha, onde venceu em 2019, já liderando em 2020. Grande atitude. É de um verdadeiro vencedor e de alguém que transmite confiança e motivação aos companheiros da Jumbo-Visma.

Outro exemplo pode ser Daniel Martin. Carreira de altos e baixos deste irlandês. Quando está bem, está mesmo bem. Mas tem problemas em lidar com os piores momentos. Tem, no entanto, a característica de ser um ciclista que não gosta de atirar a toalha ao chão. Tenta perceber o que está mal e mudar para melhor.

Teve uma passagem infeliz pela UAE Team Emirates. Dois anos, durante os quais pareceu não encaixar na equipa, apesar de até ter ganho uma etapa no Tour. Mudou para a Israel Start-Up Nation, podendo aí ser líder sem tanta concorrência (pelo menos para já). Foi preciso esperar dois anos, mas venceu novamente numa grande volta, ao ser o mais forte na terceira etapa da Vuelta (Lodosa - La Laguna Negra de Vinuesa, 166,1 quilómetros). Martin mostra que ainda tem algo para dar.

Tão importante como ganhar a tirada, aos 34 anos o irlandês está a recuperar aquela sua versão, que sempre sonhou pelo menos com um pódio. A Vuelta é difícil, mas, lá está: quando Martin está bem, está mesmo bem. A ver se consegue manter o bom momento até à 18ª etapa final. Está a cinco segundos de Primoz Roglic.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

4ª etapa (23 de Outubro): Garray. Numancia - Ejea de los Caballeros, 191,7 quilómetros

Ao quarto dia, não haverá montanha! Mas não se espere que seja uma etapa para descansar. Nem seria uma tirada da Vuelta se assim fosse. Caso o vento marque presença, será preciso muita atenção. Com a vontade que muitos dos candidatos têm demonstrado em impor ritmos altos, há equipas que sabem bem como colocar em prática os famosos "abanicos" e gerar o caos.

Os sprinters é que não podem desperdiçar as oportunidades. Não são muitas, porque as etapas para eles também não abundam. Espera-se um frente-a-frente entre Pascal Ackermann (Bora-Hansgrohe) e Sam Bennett (Deceuninck-QuickStep), mas Matteo Moschetti (Trek-Segafredo) é um jovem talento que vai tentar intrometer-se na luta, tal como Jasper Philipsen (UAE Team Emirates).

»»Duas etapas e há quem só pense em tentar chegar a Madrid««

»»Não era bluff de Chris Froome««

9 de outubro de 2020

João Almeida controla, Arnaud Démare ganha

© Giro d'Italia
Depois de três vitórias em sete etapas, Arnaud Démare já merece um destaque. A atenção continua muito centrada em João Almeida, afinal não é todos os dias que se vê um português a liderar uma grande volta. Porém, o francês é outra das figuras desta primeira semana do Giro.

Não foi um dia calmo para ninguém. Mas quando se está numa equipa como a Deceuninck-QuickStep, uma etapa marcada pelo vento não é uma das maiores preocupações, mesmo para um jovem como João Almeida. Ainda assim, houve algum nervosismo, fruto da inexperiência. Tudo foi controlado para manter a rosa. Para Démare, nesta Volta a Itália, uma etapa ao sprint quer dizer vitória. Almeida controla os adversários na geral, o francês vai ganhando e consolidando a classificação dos pontos.

O sprinter da Groupama-FDJ tem tido uma carreira com alguns altos e baixos. Contudo, quando está numa fase alta, Démare é um vencedor nato. No regresso à competição depois do confinamento, Démare está imparável. Já são 13 vitórias, 15 se contarmos com duas classificações dos pontos. Apesar da sua senda vencedora ter começado antes da Volta a França, a equipa manteve a escolha de focar-se em Thibaut Pinot, na luta pela camisola amarela. Uma queda no primeiro dia deitou tudo a perder. Quando chegou a montanha, Pinot ficou fora da disputa pela geral e depois nem uma etapa a Groupama-FDJ ganhou.

Démare foi fazendo a sua época, vencendo e preparando o Giro. Já havia sido feliz em Itália no ano passado, ainda que lhe tenha custado perder a maglia ciclamino (dos pontos) para Pascal Ackermann. Este ano está a consolidar essa liderança, mostrando-se difícil de bater ao sprint. Seja ao milímetro ou por metros, este Démare é um ciclista que poderá ser complicado para a Groupama-FDJ dizer novamente em 2021 que não vai ao Tour.

Démare reagiu muito bem à escolha da equipa em deixá-lo de fora da Volta a França. "Vingou-se" ganhando, ganhando e ganhando um pouco mais. Dos 16 triunfos da Groupama-FDJ em 2020, só três não são da autoria de Démare. E no Giro a contagem pode ainda não estar fechada.

Numa sétima etapa em que o vento tornou o dia caótico para muitos, com cortes e recuperações bem cansativas para não se perder tempo, a Groupama-FDJ esteve dedicada em levar novamente o seu sprinter à vitória. No final, Démare deixou todos a vê-lo pelas costas. Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) é que começa a não gostar nada do que está a acontecer. Foi sempre segundo, atrás do francês nas três etapas discutidas ao sprint.

© Tim de Waele/Getty Images/DeceuninckQuickStep
Mais um dia de rosa

Com o ciclista da Deceuninck-QuickStep a continuar de rosa (e já vai para o quinto dia este sábado), em Itália já se brinca dizendo que só há um português que é mais falado naquele país do que João Almeida: Cristiano Ronaldo. O jovem de 22 anos tornou-se no centro das atenções mediáticas e a cada dia que passa vai mostrando a sua maturidade, adaptando-se bem a uma situação que pouco conhece.

Com uma velocidade muito alta durante a tirada devido à tentativa de aproveitar o forte vento para deixar alguns candidatos para trás, Almeida esteve sempre bem posicionado, protegido pelos colegas de equipas, mas também trabalhou quando foi necessário para proteger o seu lugar.

"A etapa foi muito rápida e nervosa por causa do vento, mas eu tive a equipa perfeita em meu redor, que me protegeu e garantiu que eu estivesse sempre na frente. Graças a eles, tudo correu bem. Estava um pouco nervoso no início por causa dos 'abanicos', porque eu não tenho muito experiência em competir nessas condições", admitiu o ciclista português.

Reiterou elogios à sua equipa, salientando como assim consegue ir aumentando a sua confiança. "Estou muito feliz por manter a camisola rosa, mas agora vem aí um fim-de-semana difícil e espero ter as mesmas pernas para superar os obstáculos", afirmou.

João Almeida refere-se principalmente à etapa de domingo, na qual terá pela frente duas primeiras categorias e duas segundas em 208 quilómetros.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

8ª etapa: Giovinazzo - Vieste, 200 quilómetros

Depois de um dia curto (Matera - Brindisi, 143 quilómetros) seguem-se dois com 200 quilómetros e até um pouco mais. Este sábado a primeira metade da corrida é plana, mas quando chegar a segunda categoria, tudo muda. O terreno terá muito sobe e desce. Mais uma vez, o vento poderá marcar presença e fazer mexer ainda mais a etapa.

»»Dia com um susto. Mas tudo tranquilo««

»»João Almeida cada vez mais confiante««

6 de outubro de 2020

Defender a rosa ao ataque

© Tim de Waele/Getty Images/DeceuninckQuickStep
Primeiro dia de camisola rosa vestida e João Almeida não só sentiu como é ser um líder numa grande volta, com uma equipa dedicada a protegê-lo, como ainda demonstrou que não está disponível para ceder o seu lugar facilmente. O maior perigo do dia era um sprint de bonificação, a cerca de 25 quilómetros da meta. Empatado em tempo com Jonathan Caicedo (EF Pro Cycling), ambos foram à procura de preciosos segundos. Almeida foi mais forte e conquistou dois que lhe deram tranquilidade.

O próprio admitiu isso mesmo. Pode parecer pouco, mas foi o suficiente para o deixar mais calmo para um final de etapa que se sabia que seria complicado, devido às condições meteorológicas e a velocidade que se alcança na preparação de um sprint. Porém, toda a quarta etapa (Catania - Villafranca Tirrena) foi disputada a alta velocidade, o que obrigou a João Almeida e à Deceuninck-QuickStep a uma redobrada atenção e a sacrificar o sprinter, Álvaro Hodeg

Com apenas 140 quilómetros e uma terceira categoria a meio, a Bora-Hansgrohe impôs um ritmo fortíssimo para tentar deixar para trás sprinters como Fernando Gaviria (UAE Team Emirates), Elia Viviani (Cofidis) e o próprio Hodeg. E na subida cederam todos, com o italiano ainda a conseguir regressar ao grupo mais tarde, mas mais uma vez mal se o viu no sprint, tal como aconteceu no Tour.

Com uma camisola rosa para defender, a Deceuninck-QuickStep só manteve Iljo Keisse com Hodeg. João Almeida foi a prioridade e Davide Ballerini teve a oportunidade de ser ele a disputar a etapa. A esta equipa nunca faltam escolhas para estar na ribalta. O italiano foi terceiro, Almeida manteve a ros, com mais três companheiros a estarem no pelotão, enquanto Ballerini atacava sprint.

O momento mais nervoso foi aquele sprint de bonificação. Caicedo foi, sem surpresa, tentar somar segundos que o permitissem tirar a liderança ao português. João Almeida demonstrou que também tem a sua mudança de velocidade e acompanhado de um companheiro de equipa, frustrou as intenções de Caicedo. A melhor defesa, foi mesmo o ataque.

© Tim de Waele/Getty Images/DeceuninckQuickStep
"Sabendo que estava empatado na geral com o Caicedo, ataquei o sprint intermédio e aqueles dois segundos que somei deram-me tranquilidade antes do final. Estou muito feliz por manter a minha camisola. Foi mesmo especial tê-la hoje vestida. Vou continuar a enfrentar uma etapa de cada vez e ver o que acontece", afirmou o ciclista das Caldas da Rainha.

Almeida agradeceu ainda o trabalho da equipa, que o protegeu durante a etapa. Destacou o vento forte em certas zonas e a "descida traiçoeira", que devido ao piso molhado obrigou a muito cuidado.

Em vez de centésimos, Almeida tem agora dois segundos para Caicedo, mas mais de um minuto para alguns dos principais candidatos, excepto para o líder da Trek-Segafredo, Vincenzo Nibali (57 segundos), e para Wilco Kelderman (Sunweb), que está a 44. Pello Bilbao, da Bahrain-McLaren, tem 39 segundos de diferença. Geraint Thomas (Ineos Grenadiers) está fora do Giro, devido a uma fractura na pélvis, após queda ainda antes da partida real para a terceira etapa, na terça-feira.

Ao continuar de rosa, Almeida iguala Acácio da Silva, que também vestiu a camisola da liderança no Giro em 1989 durante dois dias, ainda que não consecutivos. O corredor da Deceuninck-QuickStep terá esta quarta-feira um etapa mais complicada, mas se continuar em primeiro, poderá ficar mais uns dias como líder (perfil da tirada em baixo).

© BORA-hansgrohe/Bettiniphoto & VeloImages
Sagan a aproximar-se da vitória

A Bora-Hansgrohe trabalhou intensamente para eliminar adversários de Peter Sagan. Conseguiu, mas Arnaud Démare resistiu. O sprinter da Groupama-FDJ regressou do confinamento insaciável e já soma 11 vitórias! Sagan continua a zero em 2020. E em Villafranca Tirrena foi por milímetros que perdeu. Sprint emocionante, com Sagan e Démare a terem de esperar alguns minutos para saberem quem era o vencedor, com Ballerini a surgir na luta.

O italiano explicou que a dois quilómetros da meta foi obrigado a desviar-se de um cão, o que prejudicou o seu posicionamento. Gastou forças para recuperar, mas conseguiu disputar o sprint que Démare acabaria por vencer. Sagan foi "compensado" ao vestir a maglia ciclamino (a dos pontos), um dos seus objectivos nesta sua estreia no Giro. Esta é a camisola que lhe assenta melhor, depois de ter sido líder da montanha por um dia, algo que até o próprio achou estranho!

Almeida terminou no pelotão, dentro do top 20. Rúben Guerreiro (EF Pro Cycling) também chegou integrado no grupo principal, com o português a ocupar a 39ª posição, a 7:53 minutos do compatriota. Os seus planos são bem diferentes. Quer aparecer no Giro numa fuga, à procura de vencer uma etapa.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

5ª etapa: Mileto - Camigliatello Silano, 225 quilómetros

Depois de uma tirada curta, teremos uma bem longa. Vai ser um constante sobe e desce, muito desgastante, ainda mais se alguma equipa colocar um ritmo forte. Depois de uma subida no Monte Etna bem diferente dos últimos anos, com muitos ciclistas a atacar, esta quarta-feira é mais um dia que poderá proporcionar uma luta interessante. João Almeida não deverá ter um dia nada fácil.

As atenções vão estar na primeira categoria quando os ciclistas já estarão perto de ter nas pernas 200 quilómetros. Serão 25 a subir e apesar da pendente rondar os 5,6% de média, a máxima atinge os 18%.

»»João Almeida de rosa e tinha de ser no Etna««

»»Só o campeão do mundo bateu João Almeida na estreia no Giro««

5 de setembro de 2020

Etapa de emoções: Pinot está fora da luta, Jumbo-Visma mostrou que não é perfeita, Pogacar deixou aviso

© ASO/Alex Broadway
A luta pela geral na Volta a França começou a mexer ao oitavo dia. Porém, pouco se decidiu quanto à amarela, mas eliminou-se candidatos, com Thibaut Pinot em destaque. Na rivalidade Egan Bernal/Primoz Roglic perdeu... a Jumbo-Visma. O vencedor do dia acabou por ser Tadej Pogacar. Começa a ser impossível não gostar deste talentoso ciclista, que tem aquela característica que tanto anima corridas: gosta de atacar e quando faz, fá-lo bem.

No entanto, esta oitava etapa - entre Cazères-Sur-Garonne e Loudenvielle (141 quilómetros) - ficará aquela em que mais um ano passa e Pinot não consegue sequer estar na luta pelo Tour. Sem chegada em alto na entrada nos Pirenéus, mas com duas primeira categorias e uma especial pelo meio, no Port de Balès, foi precisamente nessa que tudo se desmoronou para o ciclista, para a Groupama-FDJ e para os franceses que tanto sonhavam com uma vitória de Pinot.

Afinal, o francês tinha razão em estar zangado naquela primeira etapa, quando caiu a três quilómetros na meta. A pancada nas costas deixou marcas e nem as três horas de tratamento a que se submeteu todos os dias desde então o salvaram. Parecia estar a melhorar, mas o Tour acabou a nível de geral. A ver vamos se animicamente o ciclista resiste.

Aos 30 anos, o trabalho que realizou para se libertar da pressão da imprensa francesa, dos adeptos, para se libertar da pressão que colocava em si próprio, deu uma nova vida a Pinot. Afastou-se de maior responsabilidade do Tour em 2017 e 2018 (nesse ano nem foi devido a doença) para depois a abraçar mais forte mentalmente. Sobre a edição de 2019 irá ficar sempre aquela dúvida se Pinot não se tivesse lesionado (que bem estava)... Sobre a de 2020 a frustração será ainda maior. Tudo se desmoronou afinal logo na primeira etapa.

É um momento importante na carreira de Pinot. A ver vamos como irá reagir. Se não for possível já no Tour, dado o problema nas costas, talvez na Vuelta. Tem boas memórias da corrida espanhola. Foi lá que completou a sua "transformação" do Pinot que se intimidava com o ambiente do Tour, para o Pinot que não teme nada nem ninguém na grande corrida do seu país.

O bom e o mau para a França

Thibaut Pinot ficou a 18:56 minutos do líder Adam Yates, mas os franceses viram também Julian Alaphilippe sair de uma posição que o poderiam levar a vestir mais uma vez a amarela, mesmo que fosse apenas por mais uns dias. O ciclista da Deceuninck-QuickStep atacou, mas pouco depois quebrou por completo. A liderança ficou a 11:42 minutos.

Os franceses vão virar a atenção para uma improvável figura e uma confirmação. Ou seja, Romain Bardet, que tão mal tem estado nos últimos dois anos e que nem era suposto ir ao Tour se a época tivesse decorrido normalmente, está a 11 segundos da liderança. Até caiu, mas atacou Adam Yates nos últimos metros. Serviu pelo menos para ganhar confiança.


Nans Peters ganhou a oitava etapa do Tour
© ASO/PresseSports/Franck Faugere
Está de saída da AG2R, mas ninguém o pode acusar de estar a pensar na Sunweb. Bardet disse que ia ao Tour sem a responsabilidade da luta pela geral e queria lutar por vitórias de etapas. Neste momento as possibilidades têm de estar todas em aberto. Mais um francês que precisa de se libertar da intensa pressão.

A confirmação chama-se Guillaume Martin. O líder da Cofidis até chegou a ser líder virtual, mas não conseguiu finalizar o ataque com sucesso. Contudo, se há ciclista que está a ser muito consistente é o filósofo do pelotão. Está a nove segundos de Yates.

E para terminar, um francês ganhou a etapa. Nans Peters venceu uma no Giro, em 2019, e agora aproveitou a fuga e o facto de Ilnur Zakarin (CCC) ser um dos piores ciclistas a descer no pelotão, para dar uma vitória à AG2R.

O bom e o menos bom da Eslovénia

© ASO/Pauline Ballet
Na sexta-feira, na etapa do vento, Pogacar perdeu 1:21 minutos. No dia seguinte, este sábado, na alta montanha, o esloveno não se coibiu de recuperar tempo. Não é demasiado calculista, mas sabe escolher o momento certo para atacar. Aos 21 anos (faz 22 no dia 21 de Setembro) lê a corrida como poucos com a sua idade.

Aquele primeiro ataque em que Primoz Roglic e Nairo Quintana o seguiram, ao perceber que a ajuda de Roglic não era muita e que a de Quintana era ainda menor (ainda assim, nota positiva para o colombiano nesta tirada), esperou por nova oportunidade. Já está a 48 segundos de Yates. Na Vuelta, onde foi terceiro, este jovem líder da UAE Team Emirates passou três semanas a melhorar fisicamente até Madrid. Depois da exibição deste sábado, deixou mais sobreaviso a dupla de favoritos Roglic/Bernal.

O compatriota, Roglic, não foi o ciclista avassalador de outros dias. Ficou sozinho na última subida, num trabalho mal calculado da Jumbo-Visma. Apesar de ver como Bernal não era capaz de acompanhar sempre que alguém atacava, Roglic pouco vez para tentar fazer maior diferença.

Talvez seja de mais dizer que não está tão em forma como parecia. Afinal há que recordar o que aconteceu quando um super Roglic tentou controlar tudo e todos no início do Giro de 2019.  O esloveno tornou-se um ciclista que gere melhor o seu esforço - assim venceu a Vuelta - e ainda há muito Tour pela frente.

Jumbo-Visma auto-destruiu-se, mas primeiro destruiu a Ineos Grenadiers

Se numa primeira fase da corrida a Mitchelton-Scott não teve outro remédio senão tomar conta das operações, na categoria especial a Jumbo-Visma quis impor-se. Tudo parecia decorrer como esperado até que... Sepp Kuss fica para trás. Foi dos primeiros a ceder da equipa, quando é suposto ser dos últimos a trabalhar para Roglic. A equipa não abrandou. Mais estranho foi ver um Wout van Aert a acelerar nos últimos dos 11 quilómetros do Port de Balès, com Tom Dumoulin e George Bennett a ficarem algo aflitos com o ritmo.

Pelo caminho já a Ineos Grenadiers tinha desaparecido. Sobrava Richard Carapaz com Egan Bernal. Está mais do que confirmado que a equipa britânica nada tem a ver com o tempo da Sky. A esperança é que Pavel Sivakov possa recuperar fisicamente das quedas do primeiro dia e ainda vir a ser útil. Bernal bem precisa.

No entanto, a Jumbo-Visma também mostrou debilidades. Talvez tenha sido entusiasmo a mais tal é a força que tem vindo a demonstrar até este Tour. Tom Dumoulin foi o último a trabalhar para Roglic, mas acabou a descolar tal como os restantes companheiros. Ficou a 2:20 de Yates, com Carapaz a 2:40 depois da etapa do vento. Jumbo-Visma e Ineos Grenadiers têm os planos B comprometidos.

No meio de ataques e contra-ataques, Adam Yates lá sobreviveu de amarelo, mas o número um da Mitchelton-Scott está longe de mostrar que a pode manter por muito mais tempo, o que também não é sua intenção. Quer ganhar uma etapa.

Em condições normais será mesmo uma luta entre Roglic e Bernal, mas com a Ineos Grenadiers a não assustar e a Jumbo-Visma a mostrar que também falha, é o momento de outros ciclistas repensarem tácticas e ambicionar mais do que ficar na expectativa.

Este Tour pode não ser tão linear como se pensaria e pode ir mais além do frente-a-frente Roglic/Bernal.

Classificação completa, via ProCyclingStats.

9ª etapa: Pau - Laruns, 153 quilómetros


Não sendo uma etapa tão difícil como a de sábado, o desgaste de nove dias de Tour já se faz sentir. E depois de um dia tão intenso, os ataques na nona etapa deverão ficar guardados para aquela última subida, principalmente por parte de quem quer recuperar algum tempo perdido. É inevitável pensar em Pogacar, mas também Mikel Landa (Bahrain-McLaren) e Emanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe), por exemplo. Yates vai estar atento a Bardet ou Martin que podem tentar ir buscar a camisola amarela.

»»Bora-Hansgrohe e Ineos Grenadiers em trabalho de alta velocidade. Mas no final ganhou a Jumbo-Visma««

»»Ineos Grenadiers mostrou-se. Jumbo-Visma esteve atenta mas sem razões para se preocupar««

4 de setembro de 2020

Pinot com tratamentos diários de mais de três horas

© Groupama-FDJ
Thibaut Pinot era um homem zangado no final daquela caótica primeira etapa do Tour. O francês foi um dos muitos ciclistas que caiu, mas, o mais frustrante, foi que a sua queda aconteceu à entrada dos três quilómetros finais. Era a altura em que os comissários haviam decidido tirar o tempos, de forma a permitir que quem não estivesse interessado no sprint, pudesse desacelerar e terminar a etapa com calma. Porém, foi precisamente esse desaceleramento que provocou a queda de Pinot. Desde então, o líder da Groupama-FDJ, esteve discreto nas etapas com montanha realizadas e tem estado a realizar tratamentos durante mais de três horas por dia. Tudo para garantir que quando as grandes tiradas de montanha chegarem, possa estar em condições de lutar pela camisola amarela.

E essas etapas vão chegar já este fim-de-semana. Nada está a ser deixado ao acaso, pois a pancada que sofreu nas costas preocupa. Pinot tem assim um dia preenchido, antes e depois de competir. "Na terça-feira ele não estava a 100%", explicou ao jornal L'Equipe o médico da equipa, Jacky Maillot. Referiu que ainda não é o Pinot do Critérium du Dauphiné, que esteve perto de conquistar, após a desistência de Primoz Roglic (Jumbo-Visma). Foi segundo, a 29 segundos de Daniel Martínez, da EF Pro Cycling.

Porém, ficou desde logo a garantia de Maillot: "Ele está a melhorar. Terça-feira não foi um bom teste. Nos próximos dias vai melhorar. Podemos estar razoavelmente optimistas". O médico referia-se ao dia da primeira chegada em alto da Volta a França. Na quinta-feira, em mais um final com montanha pela frente, Pinot esteve novamente junto dos restantes candidatos, mantendo assim intocáveis as pretensões de finalmente conquistar a Volta a França. E esta sexta-feira, numa tirada marcada pelo vento, voltou a estar bem, num dia muito complicado para outros candidatos. Não houve montanha, mas também não houve um metro de descanso.

Os tratamentos

Os dias de Thibaut Pinot começam com 90 minutos de tratamento, com o osteopata e fisioterapeuta da Groupama-FDJ, tendo sessões de crioterapia e electroterapia. Segue depois para a etapa, mas quando termina, tem pela frente cerca de duas horas de massagem nas costas, o que faz com que muitas vezes só vá dormir por volta das 23 horas. Estará também a usar uma fita de cinesiologia na zona afectada.

O próprio Thibaut Pinot admitiu que domingo e segunda-feira foram dois dias muito difíceis, mas que na terça-feira já se sentiu melhor e a julgar pelo resultado da sexta etapa (quinta-feira), as indicações serão positivas. No entanto, este fim-de-semana será de muita montanha. No sábado haverá duas primeiras categorias e, pelo meio, a subida ao Port de Balès é de categoria especial. No domingo uma quarta categoria, duas terceiras e ainda duas primeiras terão de ser enfrentadas, antes do muito desejado dia de descanso.

Mas na Groupama-FDJ também há outra preocupação além de Thibaut Pinot. O jovem David Gaudu também caiu naquela etapa e tem passado por algumas dificuldades. Apesar de ter apenas 23 anos, está a cumprir a sua terceira Volta a França. Tornou-se num elemento essencial da equipa francesa na ajuda a Pinot. Pode mesmo dizer-se que é o seu principal gregário, mas até o director da equipa, Marc Madiot, admitiu após a queda que estava muito preocupado com o estado físico de Gaudu.

22 de fevereiro de 2020

"Não há muitos contra-relógios ao longo do ano e, especialmente, bons como este"

© João Calado/Volta ao Algarve
Este ano a Volta ao Algarve recuperou a versão de terminar em contra-relógio, mas mantém-se em Lagoa, que vai assim para o terceiro ano consecutivo a receber alguns dos melhores especialistas. O vencedor do ano passado está presente e com a ambição de ganhar mais uma vez, num contra-relógio que vê como perfeito tanto pelo percurso, como pelos adversários, ainda mais tendo em conta que se está numa fase tão inicial da época. Stefan Küng quer terminar a sua primeira corrida de 2020 com uma vitória e assim lançar uma temporada em que é impossível não pensar nos Jogos Olímpicos, sem esquecer que, mais do que nunca, toda a Groupama-FDJ acredita ser possível conquistar a Volta a França.

"Não há muitos contra-relógios ao longo do ano e, especialmente, bons como este. Ganhei no ano passado e conheço muito bem, pois já o fiz duas vezes. É um bom contra-relógio, de 20 quilómetros. Não é muito curto, não é muito longo, é perfeito para esta corrida por etapas", começou por dizer o ciclista suíço ao Volta ao Ciclismo. E explicou as características e como se deve enfrentar a etapa deste domingo em Lagoa: "É muito diversificado. Tem zonas rápidas, mas também zonas técnicas e algum sobe e desce. É um contra-relógio que me assenta bem, naturalmente!"

E continuou: "Acho que temos de ter muito cuidado com a gestão de esforço. Há umas subidas onde temos de ir o mais forte possível, mas não podemos exagerar porque corremos o risco de 'estourar'. Pode-se perder tempo crucial. Temos também a fase plana, mas se medirmos bem o nosso esforço podemos puxar sempre. É um contra-relógio que nunca dá para recuperar. Temos de estar sempre focados. São poucos segundos que separam os ciclistas no final. Temos de ir no máximo desde o princípio."

Dada a receita de como se enfrenta os 20,3 quilómetros da última etapa da Algarvia, Küng (26 anos) realçou como é positivo poder ter tão cedo na época um primeiro teste frente a alguns dos melhores especialistas. No Algarve estão presentes o bicampeão do mundo Rohan Dennis (Ineos), o campeão europeu Remco Evenepoel (Deceuninck-QuickStep) e o tricampeão mundial de sub-23 Mikkel Bjerg (UAE Team Emirates), só para numerar três, além de Küng, tricampeão suíço da especialidade.

"É precisamente o papel deste contra-relógio no Algarve, para testar, para perceber se o que se fez durante o Inverno foi o mais correcto"


"Não vai ser fácil ganhar, mas vou lutar por isso. Treinei muito durante o Inverno. Será um contra-relógio importante para se perceber como se está [fisicamente], se se fez o trabalho de casa durante o Inverno", salientou. Na sua primeira participação, em 2018, Küng foi terceiro, a 19 segundos de Geraint Thomas. O galês da Ineos também está na Algarvia. Há um ano, apenas dois segundos separaram Küng - desta feita o mais forte - da surpresa da prova, Soren Kragh Andersen (Sunweb), que não viajou até ao Algarve este ano.

O suíço considera também relevante o contra-relógio ser a última etapa e não a terceira, como aconteceu em edições recentes. Além do desgaste - ainda este sábado houve duas subidas ao Alto do Malhão - haverá também quem esteja a pensar muito mais na geral, enquanto Küng e Dennis, por exemplo, têm o contra-relógio como objectivo primordial da Volta ao Algarve. Evenepoel está com a camisola amarela e é daqueles ciclistas que quer sempre ganhar tudo.

Num ano sempre especial de Jogos Olímpicos, Küng não esconde que vai pensando em Tóquio, ainda que até 29 de Julho tenha muito com que se preocupar. "Isto agora vai ser muito rápido. Vamos começar as clássicas da Primavera, posteriormente haverá um tempo para ultimar pormenores e depois vem o Tour e logo a seguir Tóquio. É muito importante que se trabalhe as pequenas coisas durante o Inverno, para não se começar a temporada a pensar que há coisas por fazer. Se se começar a época com tudo preparado, então é prefeito. É precisamente o papel deste contra-relógio no Algarve, para testar, para perceber se o que se fez durante o Inverno foi o mais correcto", referiu.

Sobre o desafiante percurso de Tóquio, de 44,2 quilómetros com muito sobe e desce, Küng realça como "será muito difícil e exigente", além de ter em conta que estará calor. "Vai ser preciso perceber como me sentirei quando lá chegar", disse, sabendo que se fizer a Volta a França até ao fim, terá apenas seis dias para recuperar da grande volta e de uma longa viagem até ao Oriente.

E no Tour não haverá tempo para relaxar, pois a Groupama-FDJ está cada vez mais crente que pode levar Thibaut Pinot à camisola amarela e assim o país ver novamente um francês a ganhar. Tal não acontece desde 1985, quando Bernard Hinault venceu. "Acho que especialmente o Thibaut Pinot viu no ano passado que podia ganhar. Percebemos que estando em boa forma, podemos lutar contra os melhores. Fizemos alguns erros. Por exemplo, perdemos muito tempo com os ventos cruzados, mas vamos aproveitar algumas das corridas por etapas até ao Tour para trabalhar estas coisas", afirmou.

Mas nem tudo depende da boa forma. Küng destacou como Pinot tinha estado fortíssimo nos Pirenéus, tendo vencido no mítico Tourmalet e depois, quando chegou aos Alpes, abandonou devido a uma lesão. "Como vimos em 2019, tudo muda muito rápido. Passa-se de praticamente um favorito, a estar fora da corrida. Isto é o ciclismo! Vamos fazer tudo para nos preparar, mas no final também precisamos de um pouco de sorte. Mas sim, acreditamos mais do que nunca", realçou.

Perfil do contra-relógio de Lagoa




6 de janeiro de 2020

Os colegas de equipa de João Almeida e Ruben Guerreiro e a estreia da Israel Start-Up Nation

Continuando com a apresentação das equipas do principal escalão, é inevitável destacar a presença de dois jovens talentos portugueses. João Almeida vai estrear-se no World Tour numa das melhores equipas, a Deceuninck-QuickStep. Já Ruben Guerreiro prepara-se para o seu quarto ano, ainda que com novas cores, representando agora a americana EF Pro Cycling, depois de duas temporadas na Trek-Segafredo e uma na Katusha-Alpecin.

Depois há a Ineos e Jumbo-Visma cujo frente-a-frente na Volta à França é cada vez mais aguardado com enorme expectativa, principalmente depois de conhecida a decisão da formação holandesa em apostar no trio Roglic/Kruijswijk/Dumoulin, com a Ineos a levar o vencedor de 2019, Egan Bernal, quer Chris Froome recupere ou não das graves lesões da queda no Critérium du Dauphiné, em Junho.

Neste grupo de sete hoje publicado, das 19 WorldTeams (como são agora apelidadas as equipas pela UCI), há ainda que referir a estreia da Israel Start-Up Nation, ex-Israel Cycling Academy, que passa a ser o nome da equipa de desenvolvimento, que está no escalão Continental. A estrutura israelita chega à categoria principal depois de comprar a licença da Katusha-Alpecin. Ficou com sete ciclistas da equipa que saiu de cena, mas contratou também nomes bem conhecidos como Daniel Martin e André Greipel.

Pode ver neste link as primeiras seis equipas publicadas no domingo.

Deceuninck-QuickStep
(© Sigfrid Eggers/Deceuninck-QuickStep)
Julian Alaphilippe, Remco Evenepoel, Bob Jungels, Yves Lampaert, Zdenek Ztybar, Fabio Jakobsen, Álvaro Hodeg, Kasper Asgreen, Rémi Cavagna, Tim Declercq, Dries Devenyns, Mikkel Frolich Honoré, Iljo Keisse, James Knox, Michael Morkov, Florian Sénéchal e Pieter Serry.

Reforços: João Almeida (Hagens Berman Axeon), Sam Bennett (Bora-Hansgrohe), Shane Archbold (Bora-Hansgrohe), Mattia Cattaneo (Androni Giocattoli-Sidermec), Bert van Lerberghe (Cofidis), Davide Ballerini (Astana), Stijn Steels (Roompot-Charles), Andrea Bagioli (Colpack), Ian Garrison (Hagens Berman Axeon), Jannik Steimle (Vorarlberg Santic) e Mauri Vansevenant a partir de 1 de Julho (EFC-L&R-Vulsteke).

Saídas: Philippe Gilbert (Lotto Soudal), Elia Viviani (Cofidis), Enric Mas (Movistar), Max Richeze (UAE Team Emirates), Eros Capecchi (Bahrain McLaren), Petr Vakoc (Alpecin-Fenix), Fabio Sabatini (Cofidis) e Davide Martinelli (Astana).

EF Pro Cycling
(© EF Pro Cycling)
Rigoberto Uran, Daniel Martínez, Sergio Higuita, Sep Vanmarcke, Hugh Carthy, Michael Woods, Sebastian Langeveld, Tejay van Garderen, Alberto Bettiol, Sean Bennett, Jonathan Caicedo, Simon Clarke, Lawson Craddock, Mitchell Docker, Moreno Hofland, Alex Howes, Tanel Kangert, Lachlan Morton, Owen Logan, Tom Scully, Julius van den Berg, Luis Villalobos e James Whelan.

Reforços: Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin), Neilson Powless (Jumbo-Visma), Jens Keukeleire (Lotto Soudal), Magnus Cort (Astana), Kristoffer Halvoresen (Ineos), Jonas Rutsch (Lotto-Kern Haus) e Stefan Bissegger (Swiss Racing Academy).

Saídas: Sacha Modolo (Alpecin-Fenix), Daniel McLay (Arkéa Samsic), Joe Dombrowski (UAE Team Emirates), Nathan Brown (Rally Cycling), Matti Breschel e Taylor Phinney terminaram a carreira.

Groupama-FDJ
(© Groupama-FDJ)
Thibaut Pinot, David Gaudu, Arnaud Démare, Stefan Küng, Rudy Molard, Anthony Roux, Marc Sarreau, Bruno Armirail, William Bonnet, Mickaël Delage, Antoine Duchesne, Kilian Frankiny, Kevin Geniets, Jacopo Guarnieri, Ignatas Konovalovas, Matthieu Ladagnous, Olivier le Gac, Tobias Ludvigsson, Valentin Madouas, Sébastien Reichenbach, Miles Scotson, Romain Seigle, Ramon Sinkeldam, Léo Vincent e Benjamin Thomas.

Reforços: Fabian Lienhard (IAM Excelsior), Alexys Brunel e Simon Guglielmi (ambos da equipa Continental da Groupama-FDJ).

Saídas:Daniel Hoelgaard (Uno-X Norwegian), Benoît Vaugrenard e Steve Morabito terminaram a carreira.

Ineos
(© Team Ineos)
Chris Froome, Egan Bernal, Geraint Thomas, Michal Kwiatkowski, Tao Geoghegan, Pavel Sivakov, Iván Ramiro Sosa, Dylan van Baarle, Jonathan Castroviejo, Leonardo Basso, Owain Doull, Eddie Dunbar, Filippo Ganna, Michal Golas, Sebastián Henao, Vasil Kiryienka, Christian Knees, Chris Lawless, Gianni Moscon, Jhonatan Narváez, Salvatore Puccio, Luke Rowe, Ian Stannard e Ben Swift.

Reforços: Richard Carapaz (Movistar), Rohan Dennis (Bahrain-Merida), Brandon Smith Rivera (GW-Shimano), Ethan Hayter (Great Britain Cycling Team) e Carlos Rodriguez (Kometa sub-19).

Saídas: Wout Poels (Bahrain McLaren, David de la Cruz (UAE Team Emirates), Diego Rosa (Arkéa Samsic), Kenny Elissonde (Trek-Segafredo) e Kristoffer Halvorsen (EF Pro Cycling).

Israel Start-Up Nation
(© Israel Start-Up Nation)
Matthias Brändle, Matteo Badilatti, Rudy Barbier, Guillaume Boivin, Davide Cimolai, Alexander Cataford, Itamar Einhorn, Omer Goldstein, Ben Hermans, Guy Niv, Guy Sagiv, Krists Neilands, Mihkel Räim e Tom Van Asbroeck.

Reforços: André Greipel (Arkéa Samsic), Daniel Martin (UAE Team Emirates), Rory Sutherland (UAE Team Emirates), Daniel Navarro, Alex Dowsett, Nils Politt, Mads Würtz Schmidt, Rick Zabel, Reto Hollenstein, Jenthe Biermans (todos da Katusha-Alpecin cuja licença World Tour a equipa israelita comprou), Hugo Hofstetter (Cofidis), Patrick Schelling (Voralberg Santic), Travis McCabe (Floyd's Pro Cycling), James Piccoli (Elevate-KHS Pro Cycling), Alexis Renard (Côtes d'Armor-Marie Morin) e Norman Vahtra (Cycling Tartu).

Saídas: Kristian Sbaragli (Alpecin-Fenix), Edwin Ávila, Ben Perry, Daniel Turek e Awet Gebremedhin (Israel-Start Up Nation Devo - equipa Continental), Sondre Holst Enger (Riwal Readynez), August Jensen (Riwal Readynez), Riccardo Minali (Nippo Delko One Provence), Nathan Earle (Ukyo), Dennis van Winden (sem equipa), Clément Carisey (Team Pro Immo Nicolas Roux), Hamish Schreurs (sem equipa), Rubén Plaza, Conor Dunne e Roy Goldstein terminaram a carreira.

Jumbo-Visma
(© Jumbo-Visma)
Primoz Roglic, Steven Kruijswijk, Dylan Groenewegen, Wout van Aert, George Bennett, Laurens de Plus, Tony Martin, Koen Bouwman, Pascal Eenkhoorn, Robert Gesink, Lennard Hofstede, Amund Grondahl Jansen, Sepp Kuss, Tom Leezer, Bert-Jan Lendeman, Paul Martens, Timo Roosen, Mike Teunissen, Antwan Tolhoek, Taco van der Hoorn, Jonas Vingegaard, Maarten Wynants e Jos van Emden.

Reforços: Tom Dumoulin (Sunweb), Christoph Pfingsten (Bora-Hansgrohe), Chris Harper (BridgeLane) e Tobias Foss (Uno-X).

Saídas: Neilson Powless (EF Pro Cycling), Danny van Poppel (Circus-Wanty Gobert), Floris de Tier (Alpecin-Fenix) e Daan Olivier (terminou a carreira em Maio).

Lotto Soudal
(© Lotto Soudal)
Tim Wellens, Thomas de Gendt, Caleb Ewan, Sander Armée, Jasper de Buyst, Stan Dewulf, Frederik Frison, Carl Fredrik Hagen, Adam Hansen, Rasmus Iversen, Roger Kluge, Nikolas Maes, Tomasz Marczynski, Remy Mertz, Gerben Thijssen, Tosh van der Sande, Brian van Goethem, Brent Van Moer, Harm Vanhoucke e Jelle Wallays.

Reforços: Philippe Gilbert (Deceuninck-QuickStep), John Degenkolb (Trek-Segafredo), Steff Cras (Katusha-Alpecin), Jonathan Dibben (Madison Genesis), Matthew Holmes (Madison Genesis), Stefano Oldani (Kometa), Kobe Goossens (Lotto Soudal sub-23), Florian Vermeersch a partir de 1 de Junho, fará a primeira fase da época na Lotto Soudal sub-23 (estava na Creafin-Tuv Sud em 2019).

Saídas: Tiesj Benoot (Sunweb), Lawrence Naesen (AG2R), Jens Keukeleire (EF Pro Cycling), Victor Capenaerts (NTT), Jelle Vanendert (Bingoal-Wallonie Bruxelles), Enzo Wouters (Tarteletto-Isorex), Maxime Monfort e Adam Blythe terminaram a carreira.

15 de novembro de 2019

O ano em que se voltou a acreditar em Pinot

(Fotografia: Facebook Groupama-FDJ)
2019 ficará como a época em que a Groupama-FDJ não conseguirá afastar a sensação de que poderia ter sido "o" ano. Aquele que muito se aguarda em França: um francês vencer o Tour. Thibaut Pinot afastou rapidamente todas as dúvidas depois de tantas dificuldades em dar continuidade ao pódio de 2014. E muito se sonhou este Verão naquele país perante as fortes exibições do ciclista que, depois de duas temporadas sem o Tour ser o principal objectivo, ressurgiu forte no que mais lhe faltava: mentalmente. Porém, foi a parte física que fez todo o trabalho de meses acabar em lágrimas. Lesão maldita na perna que ainda hoje o corredor diz não saber bem o que aconteceu.

Tal como a AG2R, também a Groupama-FDJ foi muito de consumo interno a nível de vitórias, mas alcançou não só mais, como mais importantes. 14 dos 24 triunfos foram em casa, entre eles a etapa no Tour por Pinot e logo no mítico Tourmalet, para juntar ao Alpe d'Huez (2015). E grande parte da temporada da equipa foi em torno de Thibaut Pinot. Aos 29 anos era necessário que o líder regressasse ao Tour e mostrasse de vez se pode de facto ter aspirações a suceder a Bernard Hinault, o último francês a vencer a camisola amarela, em 1985. Pinot teve uma ascensão meteórica quando surgiu na equipa. A pressão tornou-se demasiada, mas finalmente está no ponto certo, depois de um final de 2018 muito forte: ganhou duas etapas na Vuelta, a Milano-Torino e o monumento da Lombardia.

Um problema muscular terminou com o grande Tour que Pinot estava a realizar. Foi na 19ª etapa que abandonou em lágrimas, numa desilusão que se estendeu aos adeptos daquele país, depois de uma Volta a França memorável, com a ajuda de outro francês: Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep).
Ranking: 12º (7319 pontos) 
Vitórias: 24 (incluindo uma etapa no Giro e no Tour) 
Ciclistas com mais triunfos: Thibaut Pinot, Arnaud Démare e Marc Sarreau (5)
A época, mesmo acabando desta forma, pelo menos trouxe a crença que é possível Pinot lutar pela vitória no Tour. E mais importante, Pinot acredita novamente que o pode fazer. O que de bom trouxe o ano para este ciclista, trouxe o oposto para Arnaud Démare. Preterido no Tour para a equipa se concentrar em Pinot, Démare lá ganhou uma etapa no Giro, mas este é um sprinter que convence cada vez menos. Somou cinco triunfos, mas tem dificuldades em alcançá-los no frente-a- frente com os principais nomes da especialidade.

Se Démare não melhorar, arrisca-se a perde estatuto para Marc Sarreau. Também somou cinco vitórias e está a crescer como sprinter, não surpreendendo se a Groupama-FDJ começar a chamá-lo cada vez mais para as principais corridas. E depois há David Gaudu, esse um trepador que dificilmente ficará muito mais tempo como o gregário de luxo, que se tornou imprescindível para Pinot. No entanto, um ciclista com a qualidade de Gaudu (tem apenas 23 anos) está destinado a muito mais. Mais um nome para a nova geração de tanto talento que em 2019 se afirmou.

O director da Groupama-FDJ, Marc Madiot, está tão confiante que tem uma equipa para o presente e com ciclista para aparecer no futuro próximo, que para 2020 se concentrou principalmente em manter quase todos os seus corredores, reforçando-se com dois da equipa de desenvolvimento, Alexys Brunel e Simon Guglielmi, e foi buscar um suíço de 26 anos à equipa Continental daquele país, a IAM Excelsior.

Já há algum tempo que a confiança na Groupama-FDJ não estava tão em alta e depois deste 2019, há razões para tal.