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25 de abril de 2021

Joni Brandão mostra-se na W52-FC Porto e época ameaça ser animada

© Federação Portuguesa de Ciclismo
Chuva, frio e paisagens bonitas. A Clássica Aldeias do Xisto é uma das corridas que proporciona um espectáculo além competição dos mais cativantes, passando por regiões de Portugal que bem vale a pena visitar. De bicicleta ou não! Para o pelotão nacional foi mais uma oportunidade de estar na estrada, ficando a sensação que cada prova vale ouro, depois de tanta incerteza, cancelamentos e adiamentos. A vontade de competir é muita e depois da Efapel abrir a época com uma vitória, a W52-FC Porto respondeu.

A rivalidade entre as duas equipas promete e nenhuma esperou para "aquecer" esta temporada. Começaram a ganhar e a mostrar o quanto o querem fazer. Mas nas Aldeias do Xisto a Tavfer-Measindot-Mortágua (antiga Miranda-Mortágua) mostrou que juntar Tiago Antunes a Joaquim Silva foi uma boa opção. Apesar deste destaque, foi Joni Brandão que este domingo demonstrou que quer ter o seu lugar numa equipa em que muitos dos seus ciclistas podem ser líderes.

E basta ver dois dos corredores que ajudaram Brandão. José Neves e Ricardo Vilela estão de regresso a Portugal. O primeiro venceu o Troféu Joaquim Agostinho em 2018, precisamente pela equipa azul e branca, enquanto Vilela acumulou uma enorme experiência internacional e mesmo sendo muitas vezes gregário, é ciclista com qualidade para almejar mais agora que está de volta ao seu país.

Mas o dia era mesmo para Brandão. Apesar de ter falhado inicialmente a presença no grupo de dez ciclistas que se isolou na frente, juntamente com o companheiro José Neves e Tiago Antunes, Joaquim Silva e ainda Frederico Figueiredo (Efapel), a contratação mais sonante do pelotão nacional em 2021, chegou à frente ao atacar no Cêpos. Depois beneficiou do trabalho dos colegas para no final ser mais forte que Antunes (segundo, a quatro segundos) e Figueiredo (terceiro, a seis).

"Tive uma pequena distracção, quando se deram as movimentações decisivas e quase que pagava caro por isso, mas consegui chegar à frente, embora um pouco 'justo'. Mas os meus companheiros trabalharam para eu me poupar para a parte final. Só tive de rematar", salientou o ciclista.

Para Joni Brandão é muito importante começar a ganhar e a Clássica Aldeias do Xisto é uma corrida que aprecia. Em 2019 venceu ao serviço da Efapel (no ano passado a prova não se realizou). Ao mudar-se precisamente da Efapel para a grande rival, o ciclista perdeu o estatuto de líder indiscutível, pois na W52-FC Porto terá de lutar por esse posto com ciclistas como Amaro Antunes e João Rodrigues, os dois últimos vencedores da Volta a Portugal.

"É sempre marcante quando ganhas pela primeira vez pela nova equipa. A vitória é da W52-FC Porto que me ajudou a vencer. Foi um dia muito duro, com condições climatéricas muito difíceis. A isso juntou-se o terreno, sempre de sobe e desce. Acabámos por salvar bem o dia e ganhar, que era o mais importante", afirmou.

A época ameaça ser animada, faltando perceber se alguma equipa vai conseguir intrometer-se entre a W52-FC Porto e a Efapel - venceu a Prova de Abertura Região de Aveiro, com Luís Mendonça -, com a Tavfer-Measindot-Mortágua a mostrar valor nos 142,1 quilómetros entre as aldeias da Benfeira, Arganil, e do Fajão, Pampilhosa da Serra, na procura por uma vitória na temporada de 2021.

De referir que a W52-FC Porto foi ainda a melhor equipa, com Vilela a ser o rei da montanha. Pedro Andrade (Hagens Berman Axeon) foi o melhor jovem. A Clássica Aldeias do Xisto foi a segunda prova pontuável para a Taça de Portugal.

E para a semana há mais. O calendário nacional prossegue com a Clássica da Arrábida, no domingo, mais uma corrida que não se realizou no ano passado devido à pandemia e que esta época sofreu um adiamento. De 5 a 9 de Maio teremos a Volta ao Algarve.

»»Efapel controla, Luís Mendonça finaliza com ataque certeiro««

»»A espera está a terminar. Conheça o calendário nacional para 2021««

1 de maio de 2019

Joni Brandão a caminho do seu melhor

Foram dois anos sem vitórias, com um problema de saúde pelo meio, mas que deixou um dos melhores ciclistas portugueses da actualidade longe do que estava tão habituado fazer: discutir triunfos. O regresso de Joni Brandão à Efapel está a começar a dar frutos. É um ciclista que não só está a ser competitivo, mas a vencer. Depois de conquistar a terceira etapa no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela, Joni deu uma lição de bom ciclismo na Clássica Aldeias do Xisto, cortando a meta isolado, numa subida espectacular e que merece aparecer no percurso de outras provas [porque não uma Volta a Portugal?].

"Há dois anos que estava sem vitórias. Em duas corridas consegui duas. Não me passava isso pela cabeça. Estou bastante feliz", admitiu ao Volta ao Ciclismo. Apesar de ter vencido isolado na chegada a Gondramaz, em Miranda do Corvo, com 32 segundos sobre Luís Mendonça e 58 sobre o companheiro de equipa Henrique Casimiro, Joni não se cansou de salientar o trabalho que os colegas da Efapel realizaram durante os 154 quilómetros, que começaram a contar em Pedrógão Pequeno.

A Efapel também venceu por equipas, mas ainda mais importante do que vencer na corrida de um dos seus patrocinadores, foi o que foi ganho a nível de motivação e confiança com os olhos postos na Volta a Portugal. O director desportivo, Américo Silva, não esconde que é esse o grande objectivo de 2019 e mostrou-se satisfeito por ver a sua equipa cada vez mais... equipa! "Há que ter confiança da parte do Joni para com a equipa e a equipa confiar que tem um líder que ganha quando trabalha para isso", salientou ao Volta ao Ciclismo.

Américo Silva também referiu a importância de Joni estar a vencer novamente, depois de dois anos mais complicados, fase de sucesso que coincide com o regresso à Efapel, equipa pela qual alcançou os seus melhores resultados. "Ele tem vindo a evoluir e principalmente começa a sentir que tem uma equipa em seu redor que lhe pode ajudar neste tipo de vitórias. Essa confiança é muito importante", reiterou.

Foi a terceira edição da Clássica Aldeias do Xisto, que em 2018 a Efapel já tinha vencido, mas por intermédio de Daniel Mestre, que entretanto mudou-se para a W52-FC Porto. O percurso foi muito selectivo, com um acumulado de subida de 2750 metros, incluindo quatro prémios de montanha: Sertã (quarta categoria, ao quilómetro 16,1), Portela do Gavião (terceira, ao quilómetro 63,6), Pampilhosa da Serra (segunda, ao quilómetro 80) e Gondramaz. Esta última subida agradou a Joni Brandão, com 5,5 quilómetros e uma pendente média de 8,5%. Um verdadeiro espectáculo!

Rampas bem difíceis a superar dos 12/13%, com curvas em cotovelos. Apesar do reconhecimento feito na véspera, Joni Brandão admitiu que atacou esta subida muito pelas suas sensações do momento. Arrancou a pouco menos de quatro quilómetros da meta e nunca mais ninguém o apanhou. "É uma bonita subida, muito dura, poucos descansos. Precisamos mais deste tipo de subidas em Portugal. Temos muitas subidas duras, mas as chegadas são fáceis", disse, elogiando a Federação Portuguesa de Ciclismo pela escolha da subida de Gondramaz.

Joni Brandão tem feito uma época em crescendo, não estando muito em competição. Quer agora continuar o bom caminho que está a realizar, rumo a uma subida de forma que tanto ele, como a Efapel, esperam que signifique estar na disputa da Volta a Portugal e finalmente vencê-la.

Nas restantes classificações da corrida, Luís Fernandes (Aviludo-Louletano) foi o melhor trepador, repetindo o feito de 2018. Jorge Magalhães (W52-FC Porto) foi o melhor sub-23.

Classificação completa neste link, via Federação Portuguesa de Ciclismo (documento PDF).

Luís Mendonça vence Taça de Portugal

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Em disputa na Clássica Aldeias do Xisto estava a Taça de Portugal. Depois da Prova de Abertura Região de Aveiro e Clássica da Arrábida, Raúl Alarcón (W52-FC Porto) e Luís Mendonça (Rádio Popular-Boavista) eram os ciclistas presentes em melhor posição para discutir o troféu.

Mendonça foi quem sempre esteve mais activo, apesar da W52-FC Porto ter tentado colocar homens nas fugas. O ciclista da Rádio Popular-Boavista estava ansioso por dar finalmente uma triunfo à sua nova equipa. Contudo, não escondeu alguma desilusão por ter somado mais um segundo lugar na corrida, ainda que lhe tenha garantido um troféu. A Taça de Portugal é dele e abre a contagem de conquistas para a equipa em 2019.

Em sub-23 o vencedor da Taça foi Fábio Costa (UD Oliveirense-InOutBuild), com a W52-FC Porto a conquistar por equipas e a Sicasal-Constantinos em sub-23, um troféu que a formação jovem já tinha garantido na segunda corrida, na Arrábida.

Ranking completo neste link, via Federação Portuguesa de Ciclismo (documento PDF).

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30 de abril de 2019

Clássica Aldeias do Xisto vai decidir Taça de Portugal

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Mudança de data, mas a expectativa de uma boa corrida mantém-se. A Clássica Aldeias do Xisto tem sempre a capacidade de fazer uma selecção de quem vai discutir a vitória, não facilitando se alguém franquejar. A terceira edição tem como novidade a realização a 1 de Maio e não em Março, estando novamente em disputa um outro troféu. Desta feita será a Taça de Portugal, com o vencedor a estar em aberto, até porque os líderes não vão estar presentes.

Serão 154 quilómetros, com as aldeias eleitas para receber a partida e chegada a serem a de Pedrógão Pequeno e de Gondramaz, respectivamente. O percurso tem um acumulado de subida de 2750 metros, incluindo quatro prémios de montanha: Sertã (quarta categoria, ao quilómetro 16,1), Portela do Gavião (terceira, ao quilómetro 63,6), Pampilhosa da Serra (segunda, ao quilómetro 80) e Gondramaz. Esta última, de segunda categoria, será coincidente com a meta, tendo 5,5 quilómetros e uma pendente média de 8,5%. Ou seja, tem os ingredientes certos para ataques.


Vicente García de Mateos (Aviludo-Louletano) e Daniel Mestre (então na Efapel, agora ciclista da W52-FC Porto) foram os vencedores das duas primeiras edições. Porém, salvo alguma alteração de última hora - a lista oficial só será conhecida esta quarta-feira ao final da manhã -, nenhum dos ciclistas estará presente.

Além da vitória na Clássica Aldeias do Xisto, estará então em disputa a conquista da Taça de Portugal Jogos Santa Casa, pelo que será uma corrida duplamente importante, ainda mais tendo em conta que, das nove equipas portuguesas Continentais, só três já venceram em 2019: W52-FC Porto, Sporting-Tavira e Efapel. Nas duas primeiras edições, a corrida decidiu o Troféu Liberty Seguros, agora extinto.

Raúl Alarcón, da W52-FC Porto, é quem parte com alguma vantagem. Os dois líderes, Rui Oliveira e Jonathan Lastra não estarão presentes. O primeiro venceu a Prova de Abertura Região de Aveiro ao serviço da selecção, mas está actualmente a cumprir a época com a sua equipa World Tour, a UAE Team Emirates. Já o espanhol fica de fora, pois é a Caja Rural amadora que estará na corrida.

A Clássica Aldeias do Xisto deixou de ser uma prova de categoria internacional, como inicialmente previsto e como aconteceu nas duas primeiras edições. Pertence ao calendário nacional, o que faz com que as formações estrangeiras tenham de ser amadoras. Não haverá Lastra - venceu a Clássica da Arrábida -, mas será a oportunidade para ver dois jovens talentos portugueses: Diogo Barbosa e Guilherme Mota, ambos de 18 anos, que assinaram esta época pela equipa de Espanha.

Além das ausências dos líderes do ranking, há também outras muito devido ao percurso. César Martingil é um ciclista que se dá melhor com terrenos menos "acidentados", por exemplo, pelo que não estará presente pelo Sporting-Tavira, ele que soma os mesmos 65 pontos de Alarcón.

Quem estará então na luta? Luís Mendonça não é um trepador nato, mas nas últimas duas temporadas tem feito um trabalho intenso para melhorar nas subidas. Está na luta e desejoso de dar uma vitória à sua nova equipa, a Rádio Popular-Boavista. Mendonça soma 60 pontos.

Raúl Alarcón e Luís Mendonça são os principais candidatos, ainda que com 75 pontos para atribuir ao vencedor, algum ciclista com pontuação menor, poderá entrar na disputa, dependendo de como decorrer a corrida. Já entre os sub-23 está tudo muito mais por definir. Fábio Costa (UD Oliveirense-InOutBuild), Francisco Guerreiro (Sicasal-Constantinos) e Leonel Firmino (LA Alumínios-LA Sport) são três dos corredores que estarão na luta.

Por equipas, a Sicasal-Constantinos já garantiu o troféu em sub-23, comprovando o seu poderio neste escalão, num ano em que praticamente não dá hipóteses à concorrência. Entre a elite, a Aviludo-Louletano lidera com 32 pontos, mais cinco do que a W52-FC Porto.

A Clássica Aldeias do Xisto arrancará às 12:00, com a chegada prevista para cerca das 16:30.

Lista de inscritos provisória (clique na imagem para ampliar).



As edições anteriores:

»»"Estava com a convicção que era hoje. Disse-lhes que era o meu dia"««

»»Clássica Aldeias do Xisto. "Vicente, quem vai ganhar?" "Eu vou!" E ganhou mesmo««

2 de janeiro de 2019

Calendário nacional para 2019. Época arranca a 10 de Fevereiro

Daqui a pouco mais de um mês o pelotão nacional sairá para a estrada, com a Prova de Abertura Região de Aveiro a dar novamente o mote para a nova temporada de ciclismo em Portugal. O calendário de elite mantém-se praticamente igual, com a novidade de terminar a Taça de Portugal, ainda que as corridas que a constituíam vão continuar a realizar-se. Passará a existir a Taça Jogos Santa Casa, que se disputará nas provas que antes formavam o Troféu Liberty Seguros. Por definir está ainda o Grande Prémio de Portugal Nacional 2, corrida que se estreou em 2018, mas ainda não tem dias confirmados para 2019.

Há alguns pequenos ajustes de datas, como por exemplo a mudança para mais tarde da Clássica Aldeias do Xisto, que está marcada para o feriado de 1 de Maio, deixando assim o mês de Março. De realçar ainda os Nacionais de Elite e Sub-23 que em 2019 vão disputar-se em Melgaço.

A Taça de Portugal de elite irá então desaparecer, tal como o Troféu Liberty Seguros, surgindo a Taça Jogos Santa Casa, que estará em disputa na primeira prova do ano, na Clássica da Arrábida e na Aldeias do Xisto. De referir que nasce ainda a Taça Nacional de Esperanças, para os ciclistas sub-23 das equipas de clube e para os juniores, com o Grande Prémio Portimão Cidade Europeia Desporto (10 e 11 Abril) e depois a 10 e 11 de Agosto, em Murtosa e Curia.

Em baixo fica o calendário de estrada de elite, mas neste link (página do site da Federação Portuguesa de Ciclismo) pode ver o programa completo de ciclismo de estrada em Portugal, de todos os escalões.
  • Prova de Abertura Região de Aveiro (Taça Jogos Santa Casa) - 10 de Fevereiro
  • Volta ao Algarve - 20 a 24 de Fevereiro
  • Clássica da Primavera - 10 de Março
  • Clássica da Arrábida (Taça Jogos Santa Casa) - 17 de Março
  • Volta ao Alentejo - 20 a 24 de Março
  • GP Internacional Beiras e Serra da Estrela - 12 a 14 de Abril
  • Clássica Aldeias do Xisto (Taça Jogos Santa Casa) - 1 de Maio
  • Memorial Bruno Neves - 26 de Maio
  • Grande Prémio Anicolor - 2 de Junho
  • Grande Prémio Jornal de Notícias - 4 a 10 de Junho
  • Grande Prémio Abimota - 19 a 23 de Junho
  • Campeonato Nacional de Elite e Sub-23 - 28 a 30 de Junho
  • Troféu Internacional de Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho - 11 a 14 de Julho
  • Volta a Portugal - 31 de Julho a 11 de Agosto
  • Grande Prémio de Mortágua - 17 de Agosto
  • Circuito do Bombarral - 19 de Agosto
  • Circuito de Alcobaça - 20 de Agosto
  • Circuito da Póvoa da Galega - 24 de Agosto
  • Circuito da Malveira - 25 de Agosto
  • Circuito da Moita - 26 de Agosto
  • Circuito de Nafarros - 26 de Agosto
  • Volta a Albergaria - 1 de Setembro
  • Festival de Pista de Tavira - 5 de Outubro

1 de outubro de 2018

Volta ao Algarve "lidera" corridas portuguesas no calendário internacional

O pano vai caindo sobre a temporada de 2018. A próxima está a ser preparada a grande ritmo, tanto pelas equipas - que estão a preparar os seus plantéis -, como pelas organizações, para colocar na estrada as esperadas corridas. Neste último aspecto, já são conhecidas quais as provas portuguesas que farão parte do calendário internacional UCI, com a Volta ao Algarve a ser novamente aquela que terá a categoria mais alta: 2.HC, ou seja, pertence ao segundo escalão, só abaixo das competições do World Tour.

A Algarvia tem estado a crescer de ano para ano. Irá para a sua terceira edição como 2.HC e espera-se por mais um elevado número de equipas do escalão principal a marcarem presença. Em 2018, 13 das 18 estiveram no sul do país, um recorde para a Volta ao Algarve. Até ao final do ano haverá novidades sobre a 45ª edição da corrida que traz o World Tour a Portugal.

Em Março haverá mais duas corridas categorizadas internacionalmente. A Clássica da Arrábida continua na estrada como 1.2. Uma prova com o espectáculo do sterrato, ou, sem estrangeirismos, terra batida. A organização quer fazer crescer esta prova, que marca pela diferença por cá, sendo que por agora vai consolidando o seu lugar.  Realiza-se no domingo dia 17, seguindo-se na quarta-feira a Volta ao Alentejo (de 20 a 24). É uma corrida 2.2.

No mês seguinte, o Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela irá manter a categoria de 2.1, estando agendado entre 12 e 14. Em dia de feriado, 1 de Maio, teremos a Clássica Aldeias do Xisto, da classe 1.2. E numa altura em que a Volta a Portugal começará a estar no pensamento das equipas nacionais, teremos o tradicional Grande Prémio Internacional de Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho. Será uma corrida 2.2, realizando-se entre 11 e 14 de Julho.

Para terminar haverá a Grandíssima. A Volta a Portugal irá começar a 31 de Julho, com o vencedor a ser consagrado a 11 de Agosto. A corrida será 2.1.

Por definir está o Grande Prémio Estrada Nacional 2, que este ano foi para a estrada pela primeira vez. O vencedor foi Raúl Alarcón (W52-FC Porto), antes de conquistar pela segunda vez a Volta a Portugal. Esta corrida por etapas ,que percorre a mítica estrada que liga o norte ao sul do país, ainda não tem data. Contudo, a Federação Portuguesa de Ciclismo (não é a organizadora desta prova), que revelou as datas e categorias aqui mencionadas, refere que se espera que seja incluída no calendário internacional da UCI.

A temporada de 2019 começa a ganhar forma, faltando agora conhecer as provas que irão completar o calendário nacional.

25 de março de 2018

"Estava com a convicção que era hoje. Disse-lhes que era o meu dia"

O cenário foi bem diferente de há um ano. A Clássica Aldeias do Xisto deslumbrou em 2017 com uma primeira edição de paisagens de uma beleza inesquecível. Os incêndios deram outra cor a uma zona do país tão devastada pelos fogos, mas como o pensamento da organização nunca esteve em esconder a realidade que tem no negro das árvores e nas casas queimadas o constante relembrar de uma tragédia, neste segundo ano de corrida, o pelotão passou por algumas das zonas e aldeias afectadas. A paisagem triste não deixou ninguém indiferente, mas na estrada esteve uma competição com muito em jogo. O espectáculo que desta feita não teve o verde forte das florestas circundantes como pano de fundo, teve muita cor na estrada, numa corrida atacada desde muito cedo e que no final viu a "equipa da casa" vencer. Daniel Mestre deu o primeiro triunfo de 2018 à Efapel, num dia também de festa para a Aviludo-Louletano-Uli, que cumpriu com o objectivo de ficar com o Troféu Liberty Seguros.

Daniel Mestre foi o mais forte na subida terceira categoria que levou à meta os ciclistas na Aldeia das Dez, em Oliveira do Hospital, após 145 quilómetros de prova. Depois de algum azar o ter impedido de estar na luta por etapas na Volta ao Alentejo, este era um triunfo desejado, mas que não desesperava por conseguir. Nem ele, nem a equipa. "A nossa união faz com que não haja pressão nenhuma. Nós tentamos sempre ganhar. Não conseguimos, levantamos a cabeça e voltamos a tentar. Está aqui a prova disso", salientou ao Volta ao Ciclismo. E acrescentou: "Eu sei o meu valor, a equipa sabe o meu valor. Não tinha de provar nada a ninguém. É claro que as equipas vivem das vitórias, não escondo isso. Consegui vencer aqui na casa do patrocinador, Aldeias do Xisto, e fico feliz não só por mim, mas também pelos meus colegas que trabalharam ao longo de todas as provas que fizeram até agora."

E numa fuga que contou com quase todos os principais intervenientes do pelotão, Mestre teve ao seu lado Sérgio Paulinho e Bruno Silva. "Estava com a convicção que era hoje. Disse-lhes que era o meu dia", frisou Mestre, pouco depois de ter dito a Paulinho, num sentido cumprimento ao colega: "Bem disse que era hoje."

Foi um final bem ao estilo deste ciclista que no sprint final bateu outros dois nomes de peso do pelotão nacional. Atrás ficou Joni Brandão (Sporting-Tavira) que também tem razões para estar bem satisfeito, já que é o melhor resultado do ciclista deste que regressou à competição, depois de ter falhado a Volta a Portugal devido a problemas de saúde. A compor um pódio de luxo esteve o aniversariante do dia e vencedor da Grandíssima, Raúl Alarcón (W52-FC Porto), que esteve na fuga juntamente com Gustavo Veloso, enquanto Brandão teve a companhia de Frederico Figueiredo.

Contudo, o dia foi quase todo da Efapel, que foi ainda a melhor equipa da clássica. "É lógico que era uma vitória que ambicionávamos. Com o patrocinador Aldeias do Xisto diz-nos muito e não podia ser melhor", afirmou um muito satisfeito Américo Silva. O director desportivo referiu que estavam cientes "do porquê de alguns resultados e de alguns maus desempenhos". "Soubemos esperar e as coisas aconteceram", disse, realçando que o triunfo "é muito bom para o Daniel". "A primeira já está, que é sempre a que custa mais!"

Festa partilhada

A Aviludo-Louletanto-Uli partiu determinada da Aldeia de Álvaro a ficar com o Troféu Liberty Seguros, que há um ano conquistou com Vicente Garcia de Mateos, que também venceu a primeira edição da Clássica Aldeias do Xisto. Agora foi outro espanhol a triunfar. "Objectivo cumprido. A ideia era ganhar o troféu e a equipa trabalhou muito bem. Foi uma corrida muito complicada, pois deixaram-nos fazer o trabalho todo", explicou Óscar Hernández. Acompanhado na fuga por Luís Mendonça, que também tinha a possibilidade de ganhar, David de la Fuente e Luís Fernandes - que ficou com o prémio da montanha -, Hernández teve de estar atento para quando houve o ataque final, cortando a meta na quinta posição. A maior ameaça vinha de Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), que apesar de acabar um lugar acima de Hernández, foi insuficiente para se sagrar vencedor.

Para a equipa algarvia é o fechar de um mês de Março que não irá esquecer. Uma semana depois de conquistar a Volta ao Alentejo com Luís Mendonça, Óscar Hernández ficou com o Troféu Liberty Seguros e a equipa foi ainda melhor desta competição, que englobou além da Clássica Aldeias do Xisto, a Clássica da Arrábida e a Prova de Abertura Região de Aveiro.

Enquanto a Efapel deixou o patrocinador feliz pela vitória na corrida, André Carvalho fez o mesmo ao ser o melhor jovem do troféu. O ciclista da Liberty Seguros-Carglass realçou precisamente esse pormenor: "Era uma prova que era importante para a equipa, visto ser patrocinada pela Liberty Seguros. Foi um dia em que a equipa esteve bastante bem e ajudou-me ao máximo e eu consegui cumprir com as expectativas. Foi uma corrida dura, com constante sobe e desce e o vento complicou, mas o que interessa é que acabou tudo bem." O jovem foi 19º, mas o melhor sub-23 do dia foi o espanhol da Caja Rural Javier Fuentes.

Depois de um Março intenso em corridas pelas estradas nacionais, o regresso do pelotão será entre 12 e 15 de Abril, no Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela. Quanto à Clássica Aldeias do Xisto, ficou a garantia que para o ano há mais.


24 de março de 2018

Louletano na Clássica Aldeias do Xisto à procura de fechar um mês perto da perfeição

Se se perguntar a Jorge Piedade se esperava estar a ter um arranque de temporada tão positivo, o director desportivo da Aviludo-Louletano-Uli é peremptório em dizer que vai sempre para uma corrida com a intenção de a ganhar. Logo: "Temos concretizado os nossos objectivos." A confiança é grande na equipa algarvia. A conquista da Volta ao Alentejo há uma semana, por intermédio de Luís Mendonça, foi o culminar de um conjunto de resultados bons, mas a que faltava juntar um triunfo. E nada melhor do que ganhar uma das mais importantes competições em Portugal e com categoria internacional (2.2). Agora é altura de pensar na próxima possível vitória que está bem definida para este domingo: o Troféu Liberty Seguros.

Óscar Hernández vestiu a camisola amarela desta competição há 15 dias. A Clássica Aldeias do Xisto é a última corrida das três que compõem o troféu. Tudo começou na Prova de Abertura Região de Aveiro e depois houve a Clássica da Arrábida. E há mais do que a conquista da Alentejana para Jorge Piedade estar confiante na vitória. Hernández lidera e o "rival" mais próximo é Luís Mendonça, a 23 pontos. Portanto, a Aviludo-Louletanto-Uli vai para a decisão numa posição bem simpática. Olhando para a classificação, retirando da equação os ciclistas que não estarão presentes - como Tiago Machado, Dmitry Strakhov e até João Matias - a maior concorrência deverá vir da Rádio Popular-Boavista, que tem Luís Gomes e Domingos Gonçalves a 33 e 40 pontos, respectivamente, de Hernández. A vitória na corrida dá 75.

"Vamos tentar vencer o Troféu Liberty Seguros, ou com Hernández ou com o Mendonça. Está a ser um excelente início de temporada. Espero bem que as coisas continuem a decorrer assim", disse Jorge Piedade ao Volta ao Ciclismo, depois de ter garantido a Alentejana. Se conseguir, repetirá a vitória de 2017. Então, Vicente Garcia de Mateos ganhou a clássica, o que acabou por lhe valer também o troféu.

Hernández consegue defender-se em algumas subidas. Já no caso de Mendonça é um atributo que o português está a trabalhar e a evoluir bastante. Há um ano não apareceria como candidato a estar na frente na Clássica Aldeias do Xisto, agora Jorge Piedade deixa o aviso que é um ciclista que poderá estar muito em destaque durante o ano no ciclismo nacional. "Eu acreditei no Mendonça. Comecei a vê-lo em amador, fiz uma análise e acreditei que poderia ser o ciclista que está a ser. Foi uma aposta bem conseguida", salientou o director desportivo.

Está em disputa um troféu, mas também uma vitória numa clássica que tem tudo para se tornar numa das mais importantes do calendário. Tal como a corrida da Arrábida, é internacional (1.2) e se uma tem o sterrato como imagem de marca, pelas Aldeias do Xisto temos um constante sobe e desce, que proporcionam ataques e contra-ataques, sendo difícil controlar a corrida. Estas são duas provas que não ficariam nada mal com um pelotão com equipas de maior gabarito. Mas estão apenas a começar, por isso há que construir uma base sólida antes de dar um passo maior.

Às equipas Continentais portuguesas e às de clube, juntam-se este ano as espanholas da Aluminios Cortizo/Anova, Bicicletas Rodríguez/Extremadura, Caja Rural-Seguros RGA (sub-23), CC Rías Baixas e Supermercados Froiz.

A Clássica Aldeias do Xisto começa desta feita na Aldeia de Álvaro, concelho de Oleiros (12:00), e termina na Aldeia das Dez, concelho de Oliveira do Hospital (cerca das 16:00), com uma terceira categoria à espera dos ciclistas no final, depois de muita montanha, como se pode ver o gráfico em baixo. Nos 145 quilómetros de distância, o pelotão passará pelas aldeias de Janeiro de Baixo, Janeiro de Cima, Fajão e Vila Cova de Alva.


A corrida promete animação, com as equipas portuguesas a terem aqui uma boa oportunidade para se mostrar, já que neste início de temporada, ciclistas de fora têm estragado os planos dos que por cá estão. Domingos Gonçalves triunfou na Clássica da Primavera - a única prova em Março na qual a Aviludo-Louletano-Uli não subiu ao pódio -, Edgar Pinto já deu uma vitória à Vito-Feirense-BlackJack na Volta ao Alentenjo, tal como fez Gustavo Veloso para a W52-FC Porto.

A pressão vai crescendo na Efapel e no Sporting-Tavira. A equipa algarvia até já venceu, logo em Janeiro, com Rinaldo Nocentini a levar duas etapas no Gabão, mas por cá, ambas estão a zero. A expectativa começa a aumentar para ver se Joni Brandão está a recuperar as melhores sensações. Já na Efapel, atenção a Henrique Casimiro que poderá ser a principal aposta, com a equipa a querer não só abrir a sua conta de triunfos, como oferecê-lo a um dos seus patrocinadores: Aldeias do Xisto.

Também as três que este ano subiram ao escalão Continental, Miranda-Mortágua, LA Alumínios e Liberty Seguros-Carglass procuram a primeira vitória. A última tem André Carvalho bem colocado para garantir a classificação da juventude no troféu do mesmo patrocinador. André Ramalho (Jorbi-Team José Maria Nicolau) e André Crispim, companheiro de Carvalho, são os que estão mais próximos - daqueles que estarão em prova -, a 30 e 35 pontos, respectivamente, do líder.

»»Óscar Hernández: "Dá sempre motivação conseguir a camisola amarela. Vamos tentar mantê-la"««

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5 de janeiro de 2018

Calendário nacional com alterações e mais competitividade até Outubro

Falta um mês para a primeira corrida do ano em Portugal. A Prova de Abertura será novamente na região de Aveiro, a 4 de Fevereiro, dez dias antes da prova de maior importância a nível internacional, a Volta ao Algarve (de 14 a 18 de Fevereiro). Verificam-se algumas alterações de forma a tentar preencher melhor o calendário, ou seja, evitar fases extensas sem competições em território nacional. Também se destaca mudanças na Taça de Portugal que será discutida até ao final da temporada.

A Volta ao Alentejo regressa a Março, depois da experiência de a colocar mais perto da Algarvia não ter obtido o resultado desejado, ou seja, as equipas do World Tour ficaram por Portugal. Só a Movistar permaneceu. E Março será um mês bem interessante, pois inclui ainda a Clássica da Primavera, além das duas corridas que completam o Troféu Liberty Seguros: Clássica da Arrábida e Aldeias do Xisto (a primeira é a Prova de Abertura). São duas competições com um percurso espectacular... e muito bonito. O Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela será mais cedo, em Abril. Junho e Julho serão meses em que já muito se estará a pensar na Volta a Portugal (de 1 a 12 de Agosto), mas destaque para os Campeonatos Nacionais, que este ano serão novamente organizados pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Outra das alterações, relativamente a 2017, a ter em conta é a Taça de Portugal. A competição irá terminar apenas na última prova do ano, em Tavira, quando se realizava o Festival de Pista. Serão cinco etapas para se conhecer o vencedor - em 2017 foi Samuel Caldeira (W52-FC Porto) -, a primeira a 10 de Junho, no Memorial Bruno Neves.

Com esta alteração, o calendário nacional mantém-se mais competitivo após a Volta a Portugal, pois serão duas as etapas da Taça que se irão cumprir em Setembro e Outubro, com Agosto a ficar marcado com os habituais circuitos, depois de terminada a Grandíssima.

Neste link pode conferir o calendário de todas as vertentes, mas em baixo ficam as corridas a ter em atenção quanto ao calendário de estrada.

4 de Fevereiro: Prova de Abertura Região de Aveiro-Troféu Liberty Seguros
14 a 18 de Fevereiro: Volta ao Algarve
4 de Março: Clássica da Primavera (Póvoa do Varzim)
11 de Março: Clássica da Arrábida-Troféu Liberty Seguros
14 a 18 de Março: Volta ao Alentejo
25 de Março: Clássica Aldeias do Xisto-Troféu Liberty Seguros
13 a 15 de Abril: Grande Prémio Beiras e Serra da Estrela
28 de Maio a 3 de Junho: Grande Prémio Jornal de Notícias
9 de Junho: Troféu Concelhio Oliveira de Azeméis
10 de Junho: Memorial Bruno Neves, primeira etapa Taça de Portugal
14 a 17 de Junho: Grande Prémio Abimota
22 a 24 de Junho: Campeonatos Nacionais
1 de Julho: Volta a Albergaria, segunda etapa Taça de Portugal
12 a 15 de Julho: Grande Prémio Torres Vedras-Troféu Joaquim Agostinho
1 a 12 de Agosto: Volta a Portugal
18 de Agosto: Grande Prémio Mortágua, terceira etapa da Taça de Portugal
19 de Agosto: Circuito do Bombarral
20 de Agosto: Circuito de Alcobaça
25 de Agosto: Circuito Póvoa da Galega
26 de Agosto: Circuito da Malveira
27 de Agosto: Circuito da Moita
27 de Agosto: Circuito de Nafarros
16 de Setembro: Quarta etapa Taça de Portugal
6 de Outubro: Quinta etapa Taça de Portugal (Tavira)

Outras corridas:
11 de Março: Primeira etapa Taça de Portugal Júnior
24 de Março: Primeira etapa Taça de Portugal Femininas
25 de Março: Segunda etapa Taça de Portugal Femininas
29 a 31 de Março: Volta a Loulé Júnior
7 e 8 de Abril: Volta a Santa Maria da Feira
14 de Abril: Segunda etapa Taça de Portugal Júnior CRI - Troféu José Poeira
15 de Abril: Terceira etapa Taça de Portugal Júnior CRI - Troféu José Poeira
29 de Abril: Terceira etapa Taça de Portugal Feminina
5 de Maio: Quarta etapa Taça de Portugal Júnior
6 de Maio: Quinta etapa Taça de Portugal Júnior
27 de Maio: Quarta etapa Taça de Portugal Feminina
30 de Junho e 1 de Julho: Campeonato Nacional de Fundo de Cadetes e Júniores
27 de Julho: Volta a Portugal de Cadetes-Liberty Seguros
5 a 9 de Setembro: Volta a Portugal do Futuro


12 de março de 2017

Clássica Aldeias do Xisto. "Vicente, quem vai ganhar?" "Eu vou!" E ganhou mesmo

Faltavam poucos minutos para o arranque de mais uma corrida que prometia espectáculo, depois de uma fantástica Clássica da Arrábida há uma semana. Vicente Garcia de Mateos aproveitava para aquecer um pouco, escondido entre o autocarro da equipa e o muro de uma casa, numa das estreitas ruas da Aldeia da Barroca, no Fundão. A concentração contrastou com uma espécie de grito de guerra. "Vicente, quem vai ganhar hoje?", diz Jorge Piedade, director desportivo do Louletano-Hospital de Loulé, num "tom militar". E da mesma forma responde Mateos: "Eu vou!" Um momento de boa disposição, mas que não era apenas uma brincadeira. O espanhol, que tem vindo a somar bons resultados neste início de temporada, mas queria uma vitória para dedicar à equipa antes de se juntar à selecção para os Mundiais de Pista, cumpriu o objectivo de uma forma muito convincente.

Os 140 quilómetros da Clássica Aldeias do Xisto terminavam numa rampa de 1500 metros, com uma média de inclinação 10,7%, mas o máximo aproxima-se dos 20%. A pacata e lindíssima Aldeia da Cerdeira, na Lousã, esperava por todas as decisões não só da clássica (de categoria 1.2), mas também do Troféu Liberty Seguros. A equipa algarvia trabalhou bem para deixar o seu líder colocado como queria, para apostar tudo naquela impressionante rampa, a fazer lembrar alguns finais que a organização da Volta a Espanha tanto gosta. Mateos atacou logo no início da subida de segunda categoria, tentando fazer-se valer do seu potencial explosivo que muito trabalha na pista. Para trás deixou Amaro Antunes, que havia ganho há uma semana e procurava repetir o triunfo para assim conquistar o troféu. Mas este não foi o dia do algarvio, que foi "apenas" quinto, a 21 segundos do vencedor. Mateos foi demasiado forte, tendo em segundo ficado uma das surpresas deste início de ano: Rinaldo Nocentini (Sporting-Tavira) ficou a 12 segundos. O pódio foi fechado pelo norueguês Andreas Vangstad (Team Sparebanken Sor), tal como fez na Arrábida, com Sérgio Paulinho (Efapel) a estar novamente bem, ao fechar no quarto lugar, ainda que a equipa procurasse a vitória já que "jogava" em casa de um dos seus patrocinadores, as Aldeias do Xisto.


Jorge Piedade ficou muito satisfeito com a vitória do seu ciclista
Mas regressando ao homem do dia, que quer também ser o homem da Volta a Portugal. Vicente Garcia de Mateos não se inibe no discurso ambicioso. O espanhol, de 28 anos, quer estar na luta pela vitória da principal competição nacional e fisicamente é um ciclista bem mais magro, bem mais com o perfil de um trepador. "Já em Espanha, como amador, tinha ganho corridas muito duras, mas realmente nunca consegui ficar tão magro como estou agora. Para ganhar a Volta a Portugal tem de se ser um trepador e um contra-relogista muito bom. Penso que tenho essas características", salientou ao Volta ao Ciclismo.

Em 2016 foi oitavo e ganhou uma etapa na Volta a Portugal e Mateos diz que este ano está "ainda mais motivado", deixando elogios à sua formação: "Está mais forte e precisamos de uma equipa assim para defender uma liderança e tentar ganhar a Volta." No final da Clássica Aldeias do Xisto, o espanhol salientou mesmo: "Eles acreditaram em mim e eu neles. A correr assim vamos conseguir mais bons momentos."


"Para ganhar a Volta a Portugal tem de se ser um trepador e um contra-relogista muito bom. Penso que tenho essas características"

A vitória na Aldeia da Cerdeira coroou o grande arranque da temporada, no qual já somava um segundo lugar na subida ao Alto ao Malhão, na última etapa à Volta ao Algarve, o quarto na Arrábida e logo no início da época, nas provas do Challenge de Maiorca, fez dois 10º lugares, um 19º e um terceiro. "O resultado no Malhão foi importante para mim e para a equipa. Eles [colegas] sabem que podem confiar em mim", realçou.


Francisco Campos venceu na corrida Região de Aveiro
e conseguiu segurar a camisola da juventude
Agora é altura de rumar à pista, antes de dedicar-se exclusivamente à preparação para a Volta à Portugal. Vicente Garcia de Mateos levou também para casa a camisola amarela do Troféu Liberty Seguros, competição que englobou a prova de abertura Região de Aveiro e as clássicas da Arrábida e Aldeias do Xisto. O espanhol somou 130 pontos, mais cinco que Amaro Antunes e dez que Sérgio Paulinho e Andreas Vangstad. A classificação da juventude ficou para Francisco Campos (Miranda-Mortágua). O sub-23, que venceu em Aveiro, sofreu na corrida deste domingo, mas conseguiu terminar a prova, o que acabou por ser o suficiente para segurar a camisola branca. Era o seu grande objectivo, apesar de ter partido como líder da geral, em igualdade pontual com Amaro Antunes. Em termos colectivos, o troféu foi conquistado pelo Sporting-Tavira.



»»Amaro Antunes tomou-lhe o gosto e eis Sérgio Paulinho, o líder««

»»O jovem que surpreendeu a elite em Ovar: "Ainda estou em choque!"««

11 de março de 2017

José Poeira juntou grupo de talento para representar a selecção na Clássica Aldeias do Xisto

É preciso aproveitar todas as oportunidades e José Poeira não quis desperdiçar a possibilidade de conseguir juntar um grupo de muita qualidade de jovens ciclistas, para assim os analisar na Clássica Aldeias do Xisto - que se realiza este domingo - já a pensar nas corridas da Taça das Nações e, claro, nos Europeus e Mundiais. Para estes últimos campeonatos ainda faltam uns meses, mas o seleccionador nacional diz que é preciso começar a trabalhar logo no início do ano para preparar ao pormenor a participação portuguesa nos vários escalões. Os gémeos Oliveira, André Carvalho, João Almeida e Daniel Viegas são os jovens que José Poeira vai aproveitar para ver e que espera que possam também de beneficiar da experiência de André Cardoso, Tiago Machado e Ricardo Vilela.

"Neste caso o interesse maior é pelos sub-23 porque são com eles que vamos trabalhando durante o ano em diferentes corridas da Taça das Nações. Por vezes é complicado juntá-los antes porque estão em diferentes equipas e vai ser interessantes vê-los este domingo", explicou José Poeira ao Volta ao Ciclismo. O seleccionador valoriza o facto de ciclistas do World Tour - André Cardoso (Trek-Segafredo) e Tiago Machado (Katusha-Alpecin) - e de formações Profissionais Continentais - Ricardo Vilela (Manzana Postobón) - terem interesse em representar nesta fase da época a selecção: "É bom para eles, é bom para nós e é bom para a corrida, pois enriquece o pelotão e torna as coisas mais interessantes. Motiva toda a gente, pois são ciclistas que fazem a Volta a Itália ou a Volta a França e isso é importante para a corrida e para o ciclismo." Apesar do objectivo não ser lutar pela vitória, pois ver os como estão os ciclistas é o mais importante, José Poeira não afasta a possibilidade de algum dos seus corredores entrar na luta por um bom resultado.

Há que salientar que o grupo de potenciais ciclistas eligíveis para a selecção conta com alguns que estão em equipas nacionais, mas José Poeira disse que esses vão competindo nas suas formações. O seleccionador tenta aproveitar para ver aqueles que estão no estrangeiro, como João Almeida, por exemplo. O jovem de 18 anos assinou pela italiana Unieuro Trevigiani-Hemus 1896, do escalão continental, e José Poeira vai aproveitar para ver como está a evoluir o ciclista, agora que subiu ao escalão de sub-23.

Não conhecendo o trabalho que está a ser feito com João Almeida na formação transalpina, o seleccionador deixa o alerta: "Essas equipas, esses directores têm de ter cuidado, pois há que se ter a percepção que estão a lidar com um jovem que veio de júnior, onde a distância das corridas e o ritmo é diferente. Penso que essas pessoas têm a percepção que ciclistas como o João Almeida devem fazer corridas adequadas para a idade e não devem fazer muitas. Para se ter bons atletas, temos de saber trabalhar com eles nestas alturas das carreiras."

Quanto a Ivo e Rui Oliveira assinaram por uma das melhores equipas de formação, a americana Axeon Hagens Berman de Axel Merckx, e José Poeira deixa elogios aos gémeos. "Eles devem muito à pista. São dotados de uma técnica e de uma experiência de domínio da bicicleta no pelotão. Estão a evoluir fisicamente, estão a melhorar nas subidas e já passam bem a média montanha, além de terem uma excelente ponta final. Para a idade que têm [20], em corridas de sub-23 dão bem conta de si e discutem os primeiros lugares", realçou.

Clássica Aldeias do Xisto para decidir o Troféu Liberty Seguros

Serão 140 quilómetros de sobe e desce, com o pelotão a começar na Aldeia da Barroca (Fundão) às 12:00 e com a meta colocada na subida de segunda categoria na Aldeia da Cerdeira (Lousã). Pelo meio haverá duas ascensões de terceira e uma de primeira que antecede a última subida do dia. E para fazer jus ao nome, a clássica passará pelas aldeias Janeiro de Baixo, Janeiro de Cima, Casal Novo, Talasnal e do Candal.

O Troféu Liberty Seguros é liderado pelo jovem Francisco Campos (Miranda-Mortágua), em igualdade pontual com Amaro Antunes (W52-FC Porto), que foram os vencedores da primeira e segunda corrida respectivamente, ou seja, na prova de abertura Região de Aveiro e na Clássica da Arrábida. Dado o fantástico início de temporada que está a realizar, Amaro Antunes é o grande favorito à vitória tanto na corrida, como à conquista do troféu.