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4 de fevereiro de 2021

Haverá mais uma equipa nas grandes voltas

© ASO/Pauline Ballet
A UCI cedeu e permitiu que os organizadores das três grandes voltas possam convidar mais uma equipa, ou seja, serão 23 em vez de 22. Este era um desejo crescente desde que as regras foram alteradas, deixando apenas dois wildcards disponíveis, pois 20 dos lugares estavam automaticamente preenchidos. A pandemia veio aumentar ainda mais a vontade de existirem mais convites. Esta decisão será um alívio para algumas equipas dos países das corridas, que assim vêem abrir-se uma oportunidade para estarem presentes.

Com a pandemia a limitar o número de corridas - em 2021 está-se longe de uma normalidade a nível de calendarização neste arranque de temporada -, a UCI optou por ceder aos pedidos das federações de Itália, França e Espanha. Porém, no comunicado, deixou bem claro que é uma medida excepcional, apenas aplicável este ano. Referiu precisamente como será uma oportunidade para equipas e ciclistas terem mais competição num período tão complicado do ciclismo, devido à covid-19.

Com 23 equipas, o número de ciclistas no pelotão de uma grande volta vai aumentar para 184, em vez de 176. Uma das medidas recentes da UCI foi reduzir o número de ciclistas de nove para oito por cada equipa, e esse número mantém-se. O organismo defende que menos corredores significa maior segurança no pelotão, ainda que não seja uma ideia consensual entre responsáveis pelas equipas e os próprios ciclistas. Em 2021 haverá então uma excepção à regra.

Quando as organizações tinham disponíveis quatro convites para as ProTeam (segundo escalão) - numa altura em que eram 18 no World Tour, que têm entrada garantida -, o problema era mais interno. Ou seja, quando algumas formações ficavam de fora em detrimento de outras. A Volta a Itália é normalmente a que gera mais controvérsia, ao deixar equipas do país de fora, para convidar estrangeiras.

Porém, agora são 19 formações World Tour e a melhor ProTeam do ranking de cada ano passou a ter acesso directo às grandes corridas. Em 2020 foi a Total Direct Energie - que até abdicou do Giro - e esta época é a Alpecin-Fenix quem terá esse benefício e que não abdica de nada. Isto significou que as organizações ficaram apenas com dois convites para atribuir, o que criou tensão entre as equipas dos países das grandes voltas, sempre desejosas por estar na corrida de forma a ajudar a garantir patrocinadores.

A ASO teve a vida facilitada com esta decisão da UCI. Na Volta a França vão estar a Total-Direct Énergie, Arkéa Samsic and B&B Hotels p/b KTM, anúncio feito esta quinta-feira, pouco depois da UCI ter confirmado a sua decisão. Entre as formações francesas do segundo escalão, ficou a Delko de fora, mas é uma equipa que normalmente não entra nestas contas do Tour, ficando com convites para algumas clássicas e outras provas por etapas.

Em Espanha, com quatro equipas ProTeams, será boa notícia para uma, mas também ficará uma de fora. Burgos-BH, Caja Rural são presenças habituais, com Euskaltel-Euskadi a querer regressar aos grandes palcos. A Ken Pharma poderá ser a excluída.

Em Itália é onde tudo costuma ser mais complicado. A Eolo-Kometa de Alberto Contador e Ivan Basso - tem licença italiana - parece estar com as portas abertas para o Giro, ainda que sem confirmação oficial. Bardiani-CSF-Faizanè, Androni Giocattoli-Sidermec e Vini Zabù procuram obter uma vaga, mas têm uma forte concorrência "externa".

A russa Gazprom é sempre uma hipótese, colocando-se aqui questões financeiras, enquanto a Arkéa Samsic já fez saber que gostaria de ser convidada. O seu líder, Nairo Quintana quer apostar mais no Giro e não tanto no Tour. O colombiano é um antigo vencedor da grande volta italiana. Um convite a mais pode ser uma ajuda, mas não resolve o imbróglio da atribuição dos wildcards em Itália. Alguém vai ficar desiludido.

»»Os portugueses no World Tour««

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22 de outubro de 2020

Edgar Pinto suspenso provisoriamente quer provar inocência

Edgar Pinto foi suspenso provisoriamente pela UCI devido à suspeita de "uso de métodos e/ou substâncias proibidas". O ciclista português já divulgou uma explicação para o sucedido, mas aguarda agora pela decisão final, tal como acontece com outro ciclista da W52-FC Porto, Raúl Alarcón.

No entanto, tanto Edgar Pinto, como a equipa salientam que as suspeitas em causa referem-se a antes do corredor assinar pela W52-FC Porto, em 2019. O caso está nas mãos da Comissão Antidopagem da UCI.

"Tendo sabido que a UCI tomou a decisão de me suspender da actividade, por suspeitas de indícios de irregularidade no passaporte biológico, venho garantir a minha inocência e a minha vontade de afastar essas suspeitas, que são infundadas, tratando-se de amostras obtidas durante os anos de 2015, 2016 e 2017, em alturas de grande sofrimento, tendo sido sujeito a diversas intervenções cirúrgicas, resultantes de várias quedas graves", explicou Edgar Pinto (35 anos), num comunicado.

Nos primeiros dois anos referidos, o ciclista de Albergaria-a-Velha representava a equipa da Skydive Dubai e em 2017 a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack. Foram temporadas azaradas para Edgar Pinto, com quedas que obrigaram a longas paragens e difíceis recuperações.

"Quero, para além disso, confirmar que estão em causa análises referentes a um período anterior à minha contratação pela equipa W52-FCPorto, que nada tem, por isso, a ver com este processo e onde desejo prosseguir a minha carreira, depois de provar a minha inocência", acrescentou o atleta.

A equipa, num comunicado assinado por Adriano Quintanilha, segundo o jornal O Jogo, reforça este último ponto: "Os factos que estão na origem da investigação são todos eles anteriores à contratação do Edgar pela nossa equipa, contudo aguardaremos o desfecho do processo, esperando que o corredor, que sempre teve, ao nosso serviço, um comportamento exemplar, possa provar a sua inocência e que continue a demonstrar o seu valor ao serviço da nossa equipa."

E este é um ponto importante para a formação azul e branca. Alarcón está há um ano a aguardar pela conclusão do seu processo, estando suspenso provisoriamente pelas mesma razões agora apontadas a Edgar Pinto. A pandemia e todas as restrições que já estiveram em vigor, não ajudaram à conclusão mais célere do processo do espanhol, vencedor duas duas Voltas a Portugal, em 2017 e 2018.

Duas casos a afectar a mesma equipa poderia ser problemático e colocar a W52-FC Porto sobre alçada disciplinar, dependendo do tempo que separa as duas sanções. Porém, segundo as afirmações de corredor e formação, não é essa situação.

Há outro ciclista português suspenso provisoriamente. Domingos Gonçalves foi notificado em Dezembro do ano passado e as possíveis irregularidades não só afectam o primeiro ano em que esteve na Caja Rural, como os dois seguintes na Rádio Popular-Boavista. Nestes conquistou várias vitórias, incluindo uma etapa da Volta a Portugal e três títulos nacionais: dois de contra-relógio e um na prova de fundo.

»»Domingos Gonçalves suspenso provisoriamente pela UCI««

»»Raúl Alarcón: "Estou inocente e que não pratiquei qualquer infracção"««

2 de setembro de 2020

Mundiais só para a elite e em Itália

Pedersen vai despedir-se da camisola arco-íris no Tour

É a opção possível. A UCI conseguiu um novo local para os Mundiais, mas será uma edição em versão reduzida. Imola irá receber apenas a categoria de elite, entre 24 e 27 de Setembro, para decidir os campeões de 2020 em contra-relógio e na prova de fundo, em feminino e masculino. Outro dos objectivos que o organismo conseguiu foi garantir que a prova mantivesse a dificuldade prevista para o local original, Aigle-Martigny.

Na Suíça, as restrições em vigor devido à pandemia, forçaram o cancelamento das corridas, depois da organização até ter anunciado que iria ser possível, acabando com alguns rumores que já se procurava uma alternativa. Porém, com o governo helvético a manter restrições, como o número limite de aglomerados a não poder ser superior a mil, não houve alternativa senão anular os Mundiais naquela região.

Sem plano B, a UCI procurou uma alternativa que nunca se apresentaria fácil. Itália chegou a ser apontada como hipótese, mas os responsáveis da federação disseram que não. A saúde financeira deste organismo não é a melhor. França pareceu estar na pole-position e ainda na semana passada organizou os Europeus, que estavam previstos para Itália (em Trentino), onde irão ser no próximo ano.

No entanto, a situação da pandemia em Itália é neste momento melhor do que a realidade francesa e a região de Emilia-Romagna, no norte do país, mostrou assim disponibilidade para receber esta versão reduzida dos Mundiais. Imola estará no centro das atenções, pois quando se fala de pole-position é porque o bem conhecido autódromo Enzo e Dino Ferrari será onde vão partir e chegar os ciclistas.

Além disso, também é visto como uma excelente solução para os necessários cuidados com o distanciamento. As boxes mais habituadas a motores, vão albergar as selecções. Também evita assim mais facilmente o contacto com adeptos, enquanto as restantes condições do autódromo vão poder receber comissários e jornalistas, com a segurança que estes tempos que vivemos se exige.

Não é a primeira vez que Imola irá decidir um campeão do mundo. Em 1968, o italiano Vittorio Adorni e a holandesa Keetie van Oosten-Hage conquistaram os títulos de fundo naquela cidade.

Para a UCI é importante conseguir colocar os Mundiais na estrada, mesmo que seja apenas para a elite. Com quase 70% do calendário cancelado em todas as vertentes, só com os Mundiais, o organismo poderá arrecadar, segundo o Cyclingnews, entre três a quatro milhões. Ainda assim abaixo dos pelo menos sete milhões que os Mundiais podem custar ao organizador em situação normal.

A escolha de apostar na elite não se prende só com o facto de reduzir o número de atletas e staff, mas também porque a maioria dos que têm previsto estar nos Mundiais já estão a competir na Europa. A UCI refere no seu comunicado que o mesmo não acontece com os sub-23 e juniores, o que poderia gerar problemas nas viagens, com muitas restrições, principalmente para quem está fora dos países da União Europeia.

O percurso

A UCI explica que apesar da corrida começar e terminar no autódromo, o percurso será bastante exigente. Na prova masculina, os ciclistas terão pela frente cinco mil de acumulado, em 259,2 quilómetros. A feminina será de 144 quilómetros, com 2750 metros de ascensão no total. O circuito será o mesmo para ambos os pelotões, com os homens a dar nove voltas e as mulheres cinco. Haverá duas difíceis subidas com pendentes que rondam os 10%, mas com máximos a atingir os 14%.

Quanto ao contra-relógio, esse será maioritariamente plano. Serão 32 quilómetros, apenas com 200 metros de acumulado.

Mads Pedersen (Trek-Segafredo), Rohan Dennis (Ineos Grenadiers), Annemiek van Vleuten (Mitchelton-Scott) e Chloe Dygert-Owen vão ter de lutar para manter as camisolas (e este não é percurso para Pedersen), enquanto os campeões de sub-23 e júniores vão ficar os equipamentos arco-íris até 2021, como acontece nas outras vertentes, em que os Mundiais foram cancelados este ano.

Calendário:
  • 24 de Setembro (quinta-feira): Contra-relógio individual feminino
  • 25 de Setembro (sexta-feira): Contra-relógio individual masculino
  • 26 de Setembro (sábado): Corrida de fundo feminina
  • 27 de Setembro (domingo): Corrida de fundo masculina
As próximas edições dos Mundiais já têm local escolhido, pelo que Aigle-Martigny terá de esperar por outra oportunidade muito mais adiante. A UCI escolheu que em 2021 Flandres será o palco das corridas, uma opção que muito agradou aos especialistas das clássicas.

Wollongong, Nova Gales do Sul, na Austrália, receberá os Mundiais em 2022 e no ano seguinte a viagem será até Glasgow, na Escócia, num evento ainda mais especial. De quatro em quatro anos, uma cidade será palco dos Mundiais desde a estrada, ao BTT, passando pelo BMX, sem esquecer a pista. Será a primeira vez que um evento destes será organizado.

Em 2024, e novamente no formato só de estrada, as seleções vão estar na Suíça. Depois é possível que se possa pela primeira vez ter uns Mundiais em África. Ruanda já entregou a candidatura e estará na frente para conseguir uma organização histórica.



31 de julho de 2020

Rui Costa em acção no arranque do calendário World Tour

© João Fonseca Photographer
Há um misto de ansiedade, mas também de algum nervosismo, este último provocado pela incerteza que a pandemia provoca. É difícil não repetir incessantemente e com alegria que finalmente o ciclismo está de volta. E logo com uma corrida que tanto espectáculo dá, apesar da sua curta história: Strade Bianche. É já este sábado que o estranho calendário World Tour arranca. Lá está. Finalmente! Mas como se viu em Burgos, não se consegue celebrar muito.

A Volta a Burgos como que inaugurou este regresso às corridas devido às muitas equipas do principal escalão que se inscreveram na prova espanhola. Em 2019 haviam sido quatro. Desta feita foram 14! Porém, se por um lado houve bom ciclismo - grande, grande João Almeida e que dupla está a fazer com Remco Evenepoel na Deceuninck-QuickStep -, também desde o primeiro dia que houve sustos.

Não dá para fingir que tudo está bem, nem se pode. Ainda a prova não tinha arrancado e dois ciclistas da Israel Start-Up Nation estavam a ser afastados por terem estado em contacto com alguém que tinha testado positivo pelo novo coronavírus.

No dia seguinte, três ciclistas da UAE Team Emirates foram retirados da prova pela mesma razão. Foi o maior susto, pois os corredores já tinham estado na primeira etapa. Foi um alívio quando os testes dos três colombianos (Andrés Ardila, Juan Sebastián Molano e Cristian Muñoz) deram negativo.

Por mais medidas que sejam implementadas, por mais cuidado que todos tenham, também todos sabem que o risco estará sempre presente e, por isso, David Lappartient é o primeiro a avisar que qualquer corrida está constantemente sob a ameaça de cancelamento. Mesmo a Volta a França.

Em entrevista à Gazzetta dello Sport, o presidente da UCI reiterou que o calendário - que na sua totalidade foi cancelado em cerca de 70% - está dependente da evolução da pandemia, numa altura em que vários países estão a registar um aumento de casos. É exemplo de Espanha, França e Bélgica, onde estão agendadas algumas das corridas mais importantes para o pelotão. Mesmo os Mundiais na Suíça, em Setembro, não se podem dizer que estão 100% garantidos e Lappartient garantiu que não há plano B se não for possível realizá-los.

Às equipas, aos organizadores, aos adeptos resta esperar que tudo possa correr o melhor possível, cientes que vão haver sustos como em Burgos, mas sempre com alguma esperança que não passe disso, um susto.

Mas mesmo com esta pandemia a tornar tudo tão estranho, a sensação de este sábado poder assistir à Strade Bianche só pode ser fantástica! Chamam a esta clássica o sexto monumento, ainda que oficiosamente. Só vai para a sua 14ª edição, mas já está entre as favoritas de muitos ciclistas e, claro, de adeptos que adoram ver os ciclistas passar pelos famosos sectores de sterrato.

E sim, vai-se tentar pensar apenas numa corrida que contará com o português Rui Costa, que está de volta ao mais alto nível, depois de ter ganho a Prova de Reabertura, em Anadia (contra-relógio individual). A UAE Team Emirates leva ainda Diego Ulissi e Tadej Pogacar, por exemplo, para a prova de 184 quilómetros, com princípio e fim em Siena.

Peter Sagan (Bora-Hansgrohe), Philippe Gilbert (Lotto Soudal), Michal Kwiatkowski (Ineos), Tiesj Benoot (Sunweb) e Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep) - estes três os últimos vencedores da Strade Bianche - estarão presentes, num pelotão que contará ainda com Mathieu van der Poel (Alpecin-Fenix), Greg van Avermaet (CCC), Oliver Naesen (AG2R) e Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo), por exemplo.

Mas o melhor é ver neste link a lista completa, via ProCyclingStats. E há que salientar que também as senhoras vão estar em competição (136 quilómetros) antes dos homens. Veja aqui a lista de inscritas.

Que haja espectáculo, que haja ciclismo e que venham muitas horas a ver o melhor que esta modalidade tem para dar nas próximas semanas. Nada será normal, é certo, mas fica a esperança (é sempre a esperança que nos resta) que este estranho calendário com grandes corridas a coincidir umas com as outras, se possa disputar sem mais cancelamentos e com a segurança sanitária que os tempos exigem.

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29 de julho de 2020

Volta a França antecipa datas devido aos Jogos Olímpicos

© ASO/Pauline Ballet
Perante a apresentação das novas datas dos Jogos Olímpicos, adiados para 2021, a organização da Volta a França já estava a estabelecer contactos para alterar os seus dias e assim evitar "chocar" com as corridas de Tóquio. A UCI anunciou que o Tour vai arrancar uma semana mais cedo, mas fica agora por resolver a questão de quem receberá a partida.

Copenhaga havia sido a eleita para o início do Tour de 2021 e não estava interessada numa alteração de datas. O Tour estava previsto arrancar a 2 de Julho e a mudança para o final de Junho significa que coincide com o Campeonato Europeu de Futebol. A cidade dinamarquesa é uma das escolhidas para ser palco de alguns dos jogos da fase final, na estreia de uma edição de um Europeu que se vai realizar em vários países.

Com os Jogos Olímpicos, tal como o Europeu, a serem adiados para 2021 devido à pandemia, a organização de Tóquio2021 anunciou que a corrida masculina de fundo será a 24 de Julho. O Tour estava previsto terminar a 25 e nesse domingo correm no Japão as senhoras. Os contra-relógios estão marcados para 28 de Julho, o que colocaria problemas para os ciclistas terminarem a Volta a França, viajaram para Tóquio, recuperarem minimamente, enquanto se adaptam a um fuso horário muito diferente (mais oito horas do que em Lisboa).

Depressa se percebeu que dificilmente se poderia pedir aos ciclistas para escolherem entre um Tour que todos querem participar e uns Jogos Olímpicos que só se realizam de quatro em quatro anos (desta feita serão cinco).

A UCI anunciou que o Tour de 2021 vai começar a 26 de Junho, terminando a 18 do mês seguinte. Entretanto, a ASO, organizadora da prova francesa, já procura alternativas para substituir Copenhaga.

Aquela normalidade...

Enquanto ainda se vive um 2020 marcado pela pandemia de covid-19, num calendário nunca visto - o principal começa no sábado, com a Strade Bianche - e que apenas se pode esperar que possa decorrer o mais perto possível do previsto, as datas para 2021 traz aquela sensação de normalidade.

Estão lá quase todas as corridas a que se está habituado, nas suas alturas do ano normais. Volta ao País Basco e Volta à Catalunha, por exemplo, estão de regresso depois da opção de cancelar em 2020, assim como as clássicas canadianas, Quebeque e Montréal e a belga Através da Flandres.

No entanto, falta a RideLondon-Surrey Classic. A clássica londrina, uma das mais recentes "aquisições" do calendário World Tour não surge no calendário da próxima época para os homens, mas vai manter a corrida feminina. A UCI explica que não foi pedido o registo da corrida, o mesmo acontecendo com a Volta a Califórina. A organização da competição americana anunciou um hiato em 2020 (muito antes de se falar do coronavírus), mas não será em 2021 que a corrida regressa, apesar de ser uma que tem seduzido várias equipas do World Tour.

De referir que a Volta a Espanha também vai começar uma semana mais cedo do que o habitual (de 14 de Agosto a 5 de Setembro), com o organismo a justificar a mudança como uma forma que permitirá "uma melhor transição entre a Vuelta, os Campeonatos Europeus (anunciados para o fim-de-semana de 11 e 12 de Setembro) e os Campeonatos do Mundo". 

As datas das corridas dos restantes escalões serão discutidas em Setembro, durante os Mundiais de Aigle-Martigny, na Suíça.

A UCI aproveitou ainda para confirmar o cancelamento já conhecido das clássicas do Quebeque e Montréal, mas há mais uma a sair do calendário de 2020. A de Hamburgo também não se irá disputar devido à pandemia.

Confira em baixo o calendário World Tour masculino e feminino.

Masculino:

19-24 de Janeiro: Santos Tour Down Under (Austrália)
31 de Janeiro: Cadel Evans Great Ocean Road Race (Austrália)
21 a 27 de Fevereiro: Volta aos Emirados Árabes Unidos
27 de Fevereiro: Omloop Het Nieuwsblad (Bélgica)
6 de Março: Strade Bianche (Itália)
7 a 14 de Março: Paris-Nice (França)
10 a 16 de Março: Tirreno-Adriatico (Itália)
20 de Março: Milano-Sanremo (Itália)
22 a 28 de Março: Volta à Catalunha (Espanha)
24 de Março: AG Driedaagse Brugge-De Panne (Bélgica)
26 de Março: E3 BinckBank Classic (Bélgica)
28 de Março: Gent-Wevelgem (Bélgica)
31 de Março: Através da Flandres (Bélgica)
4 de Abril: Volta a Flandres (Bélgica)
5 a 10 de Abril: Volta ao País Basco (Espanha)
11 de Abril: Paris-Roubaix (França)
18 de Abril: Amstel Gold Race (Países Baixos)
21 de Abril: Flèche Wallonne (Bélgica)
25 de Abril: Liège-Bastogne-Liège (Bélgica)
27 de Abril-2 Maio: Volta à Romandia (Suíça)
1 de Maio: Eschborn-Frankfurt (Alemanha)
8 a 30 de Maio: Volta a Itália
30 de Maio a 6 de Junho: Critérium du Dauphiné (França)
6 a 13 de Junho: Volta à Suíça 
26 de Junho a 18 de Julho: Volta a França
31 de Julho: Clássica de San Sebastian (Espanha)
9 a 15 de Agosto: Volta à Polónia
14 de Agosto a 5 de Setembro: Volta à Espanha
15 de Agosto: EuroEyes Cyclassics Hamburg (Alemanha) 
22 de Agosto: Bretagne Classic - Ouest-France (França)
30 de Agosto a 5 de Setembro: BinckBank Tour
10  de Setembro: Grande Prémio do Quebeque (Canadá)
12 de Setembro: Grande Prémio de Montréal (Canadá) 
9 de Outubro: Il Lombardia (Itália)
14 a 19 de Outubro: Volta a Guangxi (China)

Feminino:

30 de Janeiro: Cadel Evans Great Ocean Road Race (Austrália)
6 de Março: Strade Bianche (Itália)
14 de Março: Ronde van Drenthe  (Países Baixos)
21 de Março: Trofeo Alfredo Binda-Comune di Cittiglio (Itália)
25 de Março: AG Driedaagse Brugge-De Panne (Bélgica)
28 de Março: Gent-Wevelgem (Bélgica)
4 de Abril: Volta a Flandres (Bélgica) 
11 de Abril: Paris-Roubaix (França)
18 de Abril: Amstel Gold Race (Países Baixos)
21 de Abril: Flèche Wallonne (Bélgica)
25 de Abril: Liège-Bastogne-Liège (Bélgica)
6 a 8 de Maio: Volta à Ilha Chongming (China) 
14 a 16 de Maio: Volta ao País Basco (Espanha)
20 a 23 de Maio: Volta a Burgos (Espanha)
30 de Maio: Clássica RideLondon (Grã-Bretanha)
7 a 12 de Junho: Volta à Grã-Bretanha
2 a 11 de Julho: Volta a Itália
18 de Julho: La Course by Le Tour de France (França)
7 de Agosto: Postnord UCI WWT Vårgårda West Sweden TTT (Suécia)
8 de Agosto: Postnord UCI WWT Vårgårda West Sweden RR (Suécia)
12 a 15 de Agosto: Volta à Noruega
21 de Agosto: GP de Plouay-Lorient-Agglomération Trophée Ceratizit (França)
24 a 29 de Agosto: Boels Ladies Tour (Países Baixos)
3 a 5 de Setembro: Ceratizit Madrid Challenge by La Vuelta (Espanha)
19 de Outubro: Volta a Guangxi (China)


23 de julho de 2020

Mais duas corridas World Tour canceladas

Fotografia: Facebook @GPCQM
O calendário World Tour ficou mais curto. Quando foi apresentado numa primeira versão, algumas corridas não fizeram parte, casos, por exemplo, da Volta ao País Basco e a Volta à Catalunha. Agora são duas clássicas que, perante a incerteza provocada pela pandemia, ficam sem efeito para 2020.

Na última revisão apresentada pela UCI a meio de Junho, havia sido a Através da Flandres a principal ausência. Desta feita, os organizadores das clássicas do Canadá, Quebeque e Montréal optaram por esperar que em 2021 alguma normalidade possa regressar.

"Hoje ainda há demasiadas questões por responder. Por exemplo, a abertura das fronteiras, quarentena obrigatória e autorização de ajuntamentos em público. Adiar mais esta decisão não teria sido nem responsável, nem respeitável para todas as partes envolvidas que confiam em nós desde 2010", explicou Serge Arsenault.

O presidente do comité organizador das clássicas do Quebeque e Montréal assegurou que nos últimos meses tudo foi feito para que as corridas pudessem ser disputadas, respeitando todas as medidas de segurança sanitárias. "Todos os esforços para manter os nossos níveis de qualidade, assim como para garantir a segurança de todos, foram em vão", desabafa o responsável.

Arsenault realça como em dez anos, as duas clássicas canadianas ganharam um lugar importante entre as preferências de alguns dos melhores ciclistas do mundo. Edição após edição, o pelotão tem sido competitivo e com vencedores como Peter Sagan, Greg van Avermaet, Rigoberto Urán, Philippe Gilbert, Michael Matthews e Rui Costa. O português venceu a Clássica de Montréal em 2011.

As corridas canadianas estavam agendadas para 11 e 13 de Setembro e iriam coincidir com a Volta a França e com o Tirreno-Adriatico. A Arsenault restou dizer no final: "A todos os fãs de ciclismo dizemos: até para o ano, a 10 e 12 de Setembro."


13 de junho de 2020

Calendário World Tour revisto perde uma clássica e um monumento muda de data

© João Fonseca Photographer
A UCI realizou algumas alterações no calendário no que diz respeito a corridas do World Tour. A principal novidade é o cancelamento da Através da Flandres e da mudança do monumento da Lombardia. As mexidas "empurram" a corrida chinesa em Guangxi para o final do calendário - como é habitual -, não sendo assim a Vuelta a fechar a temporada.

A Strade Bianche mantém-se como a corrida que vai reabrir a época após a paragem forçada devido à pandemia, mas a Lombardia deixa a sua data de 31 de Outubro, para se realizar logo a 15 de Agosto, passando assim de último monumento para segundo, após a Milano-Sanremo. No entanto, irá coincidir com o Critérium du Dauphiné, mas neste calendário com tão pouco tempo para tantas provas, é quase impossível que não existam grandes corridas a coincidir.

A Através da Flandres estava agendada para 14 de Outubro, mas é mais uma prova que só se voltará a ver em 2021, como acontece com a Volta à Catalunha e ao País Basco, por exemplo.

Quanto à Volta a Guangxi, também estava marcada para o mês de Outubro (15 a 20), mas a UCI optou por a colocar novamente no final do calendário World Tour, realizando-se assim entre 5 a 10 de Novembro, ou seja, a Vuelta já não irá fechar o principal calendário, quando o pelotão chegar a Madrid a 8 de Novembro.

Estas datas agora revistas pela UCI não estão livres de sofrerem novas alterações, já que a situação de pandemia de covid-19 está a ser constantemente acompanhada e a realização das corridas estará sempre dependente das medidas de restrição que estiverem em vigor nos países.

Os Mundiais mantêm a data de 20 a 27 de Outubro, com a expectativa que a Suíça irá conseguir manter a organização, apesar de algumas dúvidas recentes, mais uma vez devido às medidas de restrição. Quanto aos Nacionais, a maioria dos países, principalmente na Europa, deverá disputá-los no fim-de-semana de 22 e 23 de Agosto, mas é uma data que em alguns casos poderá ser alterada, pela razão já apontada.

Portugal tem duas corridas internacionais agendadas pela UCI. O Troféu Joaquim Agostinho (categoria 2.2) está marcado para 24 a 26 de Julho, seguindo-se logo depois a Volta a Portugal (2.1), que arranca a 29 desse mês, até 9 de Agosto. Porém, ainda se mantém a incerteza quanto ao ciclismo no país, pois continua-se a aguardar que o governo dê luz verde para a realização de provas. Esta espera levou a que fosse escrito um manifesto a apelar para que seja tomada uma decisão que permita recomeçar a época por cá.

Calendário World Tour revisto:
  • Strade Bianche: 1 Agosto
  • Milano-Sanremo: 8 de Agosto
  • Volta à Polónia: 5 a 9 de Agosto
  • Critérium du Dauphiné: 12 a 16 de Agosto
  • Lombardia: 15 de Agosto
  • Bretagne Classic - Ouest-France: 25 de Agosto
  • Volta a França: 29 de Agosto a 20 de Setembro
  • Clássica do Quebeque: 11 de Setembro
  • Clássica de Montréal: 13 de Setembro
  • Tirreno Adriático: 7 a 14 de Setembro
  • Flèche Wallonne: 30 de Setembro
  • Clássica de Hamburgo: 3 de Outubro
  • Volta a Itália: 3 a 25 de Outubro
  • Liège-Bastogne-Liège: 4 de Outubro
  • Amstel Gold Race: 10 de Outubro
  • Gent-Wevelgem: 11 de Outubro
  • Volta a Flandres: 18 de Outubro
  • Volta a Espanha: 20 de Outubro a 8 de Novembro
  • AG Briedaagse Brugge-De Panne: 21 de Outubro
  • Paris-Roubaix: 25 de Outubro
  • Volta a Guangxi: 5 a 10 de Novembro

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21 de abril de 2020

Garra dos ciclistas para ultrapassar o desalento

por Sofia Santos

© João Fonseca Photographer
Estamos a receber notícias diariamente que tanto dão esperança, como nos deixam confusos. Se por um lado parece que a percentagem de infectados por dia é relativamente pequena, por outro a realidade é que o seu total não para de aumentar a larga escala. Outra coisa que nos dá esperança, a UCI lançou algumas datas e mencionou algumas das provas que se irão realizar ainda está época (vamos ter época). Mas, para quem não faz parte do grupo de ciclistas inseridos nestes pelotões, a incerteza do futuro mantém-se. Temos datas de campeonatos nacionais, uma lufada de ar fresco que permite perceber que a competição voltará à estrada. Mas, apenas isso não chega.

Em conversa com alguns ciclistas a quem gosto de chamar amigos percebi o desalento que estes possuem no momento. Sim, sabem que vão voltar a competir mas não sabem quando nem em que condições. Este desalento pode trazer agarrado a si algumas consequências negativas. Desmotivação, ansiedade generalizada, raiva, sentimento de impotência e injustiça são algumas das coisas pelas quais os ciclistas (e não só) poderão estar a passar.

Não é fácil continuar a treinar sem saber quando regressar às estradas (montes, pistas) para competir, é necessário ser muito resiliente para não ter vontade de desistir de tudo. E mesmo os mais resilientes poderão passar por isso. Isso não significa nada mais do que são humanos. 

Com esta pandemia, todos nós passamos por dias bons e dias maus, temos momentos de esperança e desespero, procuramos dar o melhor de nós ou nem queremos sair do sofá. Tornasse importante para cada um de nós perceber se o desalento é passageiro ou uma questão e, neste último caso, não ter medo de pedir ajuda a que nos estendam a mão.

Em Portugal existem cada vez mais psicólogos especializados em desporto e/ou situações de crise que se podem tornar bons aliados neste momento. É preciso ter coragem para sair de casa e ir treinar, mais coragem é precisa para pedir ajuda. Uma coisa boa desta pandemia, mesmo afastados, não estamos sozinhos.  O bicho não nos irá vencer, para isso basta lutar, ficar em casa e, se necessário, pedir ajuda a quem nos estenda a mão.

O futuro é incerto, sempre foi, mas a garra dos ciclistas portugueses é uma constante e juntos voltaremos a correr as estradas portuguesas! Estou e estarei aqui para esticar a mão a qualquer ciclista que o necessite.

»»O exemplo importante que os ciclistas profissionais estão a dar««

Sofia Santos, formada em Psicologia pela Faculdade de Psicologia da Universidade de Lisboa, aficionada pelo ciclismo. Costuma galgar as estradas portuguesas atrás, frente ou no meio do pelotão mas irás encontrá-la mais facilmente no velódromo às voltinhas pela pista. Psicóloga de profissão, seguidora de ciclismo por paixão e de momento, super-heroína do sofá de onde sai quando não há outra solução, por si e por todos!

15 de abril de 2020

Tour com nova data num calendário possível e sempre rodeado de incerteza

© ASO/Pauline Ballet
A UCI começa a delinear a época possível de ciclismo a partir de Agosto, no que diz respeito a provas World Tour, com a suspensão total a durar até ao final de Junho. Para já... Com tanta incerteza, o organismo tenta passar a mensagem que as grandes voltas e os monumentos vão realizar-se num calendário adaptado à realidade, ou seja, até Novembro. A grande novidade foi a nova data da Volta a França, a corrida que todos mais querem ver na estrada, tanto pelo dinheiro que mexe internamente, como na importância que tem para os patrocinadores das actuais estruturas, que muito desejam a maior da exposição mediática que o Tour sempre traz.

Entre 29 de Agosto e 20 de Setembro, o pelotão espera então partir de Nice, num percurso que será o mesmo apresentado em Outubro. Sem surpresa, a notícia foi recebida com alívio e satisfação por parte de responsáveis de equipas e dos ciclistas. Numa fase em que é difícil delinear objectivos, com este agendamento, alguns atletas passam a ter uma data concreta em que pensar. O Giro poderá ser agendado para depois dos Mundiais em Aigle-Martigny (Suíça), que se mantêm agendados entre 20 a 27 de Setembro.

Será a primeira vez na história que o Tour irá realizar-se tão tarde, pois a data mais tardia de um final foi a 9 de Agosto de... 1908. Já a Vuelta está mais habituada a mudanças e em 2020 a melhor das perspectivas apresenta-se no mês de Novembro. Nunca uma grande volta aconteceu tão tarde. De recordar que duas das etapas estão previstas passar por Portugal. Itália e Espanha são os dois países europeus com mais casos de Covid-19, assim como com mais mortes.

No comunicado da UCI é ainda salientado que os cinco monumentos (Milano-Sanremo, Volta a Flandres, Paris-Roubaix, Liège-Bastogne-Liège e Lombardia, esta última prevista só em Outubro) vão ter também novas datas e que será feito um esforço para que o maior número de outras provas possam ter também realizarem-se. De realçar que os Campeonatos Nacionais passam do final de Junho para 22 e 23 de Agosto.

O plano é que até meio de Maio fique definido o novo calendário, numa altura em que se espera já perceber melhor como estará a situação nos diferentes países. Em muitos, a taxa de infecção de Covid-19 tem vindo a descer e alguns já começaram a aligeirar as medidas de contenção. Por essa razão e como em países como Espanha, por exemplo, não é sequer permitido os ciclistas treinarem na rua, a UCI, juntamente com os principais organizadores de corridas, representantes das equipas e dos ciclistas, optaram por atrasar ao máximo a Volta a França. A incerteza irá manter-se, mas além da esperança de realizar esta e as outras corridas, todos querem ter tempo para treinar.

A realização do Tour talvez assuma uma importância ainda maior este ano. Mais do que nunca os patrocinadores vão querer expor a sua marca. Algumas equipas já reduziram os ordenados dos seus ciclistas durante esta paragem competitiva, enquanto da CCC as notícias são mais preocupantes, com a empresa a enfrentar problemas financeiros, agravados com a situação actual.

O calendário que está a ser preparado terá sempre muitos "ses" a enfrentar. A Volta a Itália está longe de garantida, mesmo numa fase mais tardia do ano, o que poderá também colocar em causa a Milano-Sanremo e a Lombardia, dois monumentos que se realizam em zonas que mais estão a ser afectadas pelo coronavírus.

O espectro de uma segunda vaga de infecções de Covid-19 também não pode ser afastado, mas há que lidar com o presente e pensar num futuro em que tudo esteja um pouco melhor para, pelo menos ter tudo preparado para colocar na estrada algumas corridas, se for possível.

Em Portugal, os olhos estão postos na Volta a Portugal (de 29 de Julho a 9 de Agosto) que as equipas nacionais muito esperam que não sofra qualquer alteração e muito menos um cancelamento. Além disso, o desejo de responsáveis, ciclistas e da Federação Portuguesa de Ciclismo é que sejam reagendadas as provas (ou pelo menos algumas) que já foram canceladas, numa temporada que, sendo assim, se prolongaria até Outubro. Actualmente, a última corrida é a Rota da Filigrana, marcada para 12 de Setembro, sendo que só se realizaram a Prova de Abertura Região de Aveiro, Volta ao Algarve e Clássica da Primavera.


28 de novembro de 2019

UCI quer repetir testes às amostras recolhidas em 2016 e 2017

(Fotografia: © Richard Masoner, via Flickr)
Os desenvolvimentos da Operação Aderlass estão a motivar a UCI a ir mais longe nas investigações que possam revelar ciclistas que tenham infringido o regulamento anti-doping em 2016 e 2017. Para já, seis foram envolvidos neste caso e o organismo vai pedir que as amostras recolhidas durante esses dois anos sejam submetidas a novos testes.

Os austríacos Georg Preidler (Groupama-FDJ) e Stefan Denifl (Aqua Blue Sport) foram os dois primeiros nomes da modalidade a serem envolvidos na Operação Aderlass quando esta foi tornada pública entre o final de Fevereiro e início de Março. Ambos acabariam suspensos por quatro anos, com Preidler a ter a suspensão dada como provisória, pois contestou a decisão.

Em Maio, Kristijan Durasek (UAE Team Emirates) foi afastado da Volta à Califórnia pela equipa ao ser envolvido no caso, tendo o mesmo acontecido com o esloveno Kristijan Koren (Bahrain-Merida) na Volta a Itália. A Bahrain Merida viu o nome de um dos seus directores desportivos surgir nas investigações. O eslovano Borut Bozic terminou a carreira como ciclista no final de 2018.

Koren e Bozic foram suspensos por dois anos, enquanto Durasek ficou com a sanção mais pesada: quatro anos. Um dos nomes mais mediáticos foi o de Alessandro Petacchi. O sprinter italiano foi suspenso por dois anos devido a violação do regulamento anti-doping em 2012 e 2013, sendo que terminou a carreira em 2015.

Com a excepção de Petacchi e de Denifl (este último estava sem equipa depois do final da Aqua Blue Sport, tendo anulado o contrato com a CCC ainda antes deste começar) e com Preidler a rescindir de imediato com a Groupama-FDJ, os restantes foram despedidos das respectivas equipas.

"Em virtude da informação e documentos enviados pelas forças de segurança austríacas sobre a operação Aderlass, a UCI anuncia que pediu à Fundação de Anti-Doping do Ciclismo* para proceder às necessárias novas análises das amostras recolhidas durante as temporadas de 2016 e 2017", lê-se no comunicado do organismo.

"Durante a investigação de Aderlass e graças à estreita colaboração entre a UCI e as autoridades austríacas, vários procedimentos foram iniciados devido à violação de regras anti-doping. Vários indivíduos, a maioria em actividade ao mais alto nível, foram sancionados", acrescentou. A UCI afirmou ainda que irá continuar a trabalhar com as autoridades da Áustria "com o objectivo de proteger os atletas honestos" e para "garantir um desporto limpo".

O caso Aderlass tem no centro da polémica o médico alemão Mark Schmidt, que já esteve no passado em equipas do principal escalão. Foram descobertos 40 sacos de sangue na cidade germânica de Erfurt. As primeiras notícias de envolvidos surgiram durante os Mundiais de esqui, com alguns atletas desta modalidade (com várias vertentes) a serem os primeiros a serem "apanhados". Mas de imediato surgiram notícias que a investigação estava a revelar um esquema de doping que envolvia outros desportistas, incluindo do ciclismo. Rapidamente a UCI quis seguir atentamente o que as autoridades austríacas estavam a desvendar.

*A Fundação de Anti-Doping do Ciclismo está integrada na UCI, mas tem total independência e poder de decisão.


30 de outubro de 2019

Volta à Califórnia não vai realizar-se em 2020

(Fotografia: © Amgen Tour of California)
A edição de 2020 da Volta à Califórnia foi cancelada. A organização fala num hiato, pois o objectivo passa por regressar em 2021, mas a decisão não deixa de ser um rude golpe no ciclismo americano, que perde a sua única corrida no World Tour. Também o pelotão sentirá a falta da corrida, pois apesar de se realizar ao mesmo tempo que a Volta a Itália, em Maio, sempre atraiu algumas figuras do ciclismo e até se tornou num local em que muitas principais formações aproveitavam para testar os seus jovens talentos. A única explicação avançada foi a necessidade de encontrar num novo "modelo de negócio" que permita recuperar a prova com sucesso já em 2021.

"Foi uma decisão muito difícil de tomar, mas as bases fundamentais do negócio da Amgen Volta à Califórnia mudaram desde que lançámos a corrida há 14 anos", afirmou a presidente da organização e vice-presidente executiva da AEG Sports, Kristin Klein. Acrescentou que apesar do orgulho em ter contribuído para o aumento da relevância no ciclismo, sobretudo nos Estados Unidos, "tornou-se mais desafiante organizar a corrida todos os anos.". "Esta nova realidade forçou-nos a reavaliar as nossas opções e estamos a analisar activamente todos os aspectos do evento para determinar se há um modelo de negócio que nos permita relançar com sucesso a corrida em 2021", frisou.

No comunicado divulgado é realçado como pela Volta à Califórnia passaram ciclistas que se tornaram figuras do ciclismo mundial e como é o "único evento do seu género que actualmente organiza uma corrida por etapas para homens e mulheres com prémio monetário igual". E é neste ponto que surgiram suspeitas que poderia estar o problema. Naquele estado, é obrigatório que o prize money seja o mesmo para ambos os sexos, mesmo que os dias de corrida não sejam os mesmos (sete contra três), o que poderia colocar pressão no orçamento. No entanto, rapidamente a hipótese foi afastada, já que o dinheiro para pagar estes prémios são apenas uma pequena parte do orçamento total de uma prova da magnitude da Volta à Califórnia.

A falta de exposição mediática é mais provável ser uma das razões na base da decisão. As audiências televisivas não serão o desejado, o que poderá estar a levar ao afastamento de actuais patrocinadores ou de potenciais patrocinadores. Chegaram a ser avançadas notícias que a organização - que têm contado com o apoio da ASO (da Volta a França, por exemplo) - tentou negociar com a UCI uma nova data para a corrida, que não fosse ao mesmo tempo que o Giro. A UCI estaria inclusivamente a pensar em tornar a prova californiana numa de preparação para a grande volta italiana. A nível financeiro, o impacto na economia da região ronda os 3,5 mil milhões de dólares, cerca de 3,1 mil milhões de euros.

A Volta à Califórnia foi crescendo de importância desde a sua primeira edição em 2006, ganha por Floyd Landis. Se no início foi mais centrada para o ciclismo da casa, aos poucos começou a atrair cada vez mais equipas do World Tour e algumas das principais figuras. O maior nome acabou por ser Peter Sagan. Pela Califórnia passou uma parte do sucesso deste eslovaco, que é recordista em vitórias de etapas (12) e até venceu uma geral em 2015. Foi o ano em que se descobriu que Sagan até poderia defender-se da montanha se tivesse a vitória na geral em mira, ainda que tenha sido uma das edições menos "agressiva" neste tipo de percurso. Foi uma vitória numa geral que ficou para a história do impressionante currículo deste ciclista, mais dado a ganhar etapas e clássicas. Sagan como que foi "adoptado" pelos americanos, com o próprio a não esconder o seu apreço pela aquela zona dos Estados Unidos. Até organiza um granfondo em San Diego. Curiosamente, em 2020 Sagan seria ausência garantida, já que vai estrear-se no Giro.

Julian Alaphilippe, George Bennett, Egan Bernal e este ano Tadej Pogacar, os ciclistas do futuro têm vencido nos últimos anos, numa lista de vencedores que conta ainda com Bradley Wiggins, Tejay van Garderen, Robert Gesink, Michael Rogers e Levi Leiphemer, o único a vencer por mais do que uma vez (três).

A Volta a Califórnia era uma corrida equilibrada, com etapas para sprinters, trepadores e com um contra-relógio para testar os dotes nesta vertente. Na Europa, a Volta a Califórnia acabava por ser transmitida em horário nobre, devido à diferença horária e ao longo dos anos alguns adeptos ficaram bem conhecidos, como o senhor do capacete de futebol americano com os chifres de alce.

Esta é a segunda prova das que subiram a World Tour em 2017 a sair do calendário da UCI para 2020. A Volta à Turquia não estava a cumprir com o regulamento, nomeadamente na obrigatoriedade de ter 10 equipas do principal escalão na prova. As formações do World Tour não são obrigadas a estar presentes nas corridas que subiram de nível naquele ano, ao contrário do que aconteceu nas restantes. A Volta à Califórnia nunca teve esse problema. A competição turca irá continuar com outra categoria. Quanto à californiana há que esperar para ver se de facto regressa em 2021, mas será uma ausência importante num calendário que não tem nenhuma corrida com relevância idêntica daquela que tinha a Amgen Tour of California, no nome original.


10 de outubro de 2019

Portugal com cinco corridas internacionais e com datas marcadas

Pogacar venceu a Algarvia este ano, no arranque de uma sensacional época
(Fotografia: © João Fonseca Photographer/Volta ao Algarve)
A Volta ao Algarve vai continuar a ser a corrida portuguesa de categoria mais alta na UCI. A partir de 2020, a denominação passa a ser ProSeries e não HC, mas continua a significar que a Algarvia pertence ao segundo escalão, apenas atrás do World Tour. A data já está marcada. De 19 a 23 de Fevereiro, o sul do país espera por algumas das melhores equipas do mundo e, claro, por algumas das principais figuras.

De forma a garantir uma maior estabilidade aos organizadores, a UCI passou a validar as categorias por três anos, um pouco à imagem do que acontece com as equipas no World Tour, que passam a ter licenças garantidas por três temporadas. Ao todo farão parte do escalão ProSeries 54 provas, por etapas e de um dia.

Na mesma data da Volta ao Algarve vai manter-se a Ruta del Sol, como tem acontecido nos últimos anos. Ambas têm atraído equipas do World Tour, mas a data da Volta aos Emirados Árabes Unidos será o maior senão. A prova que arrancou em 2019 vai novamente começar no último dia da Algarvia e da competição espanhola (23), o que poderá afastar alguns ciclistas que as equipas preferem levar onde o cachê é maior.

Porém, a Algarvia tem tornado-se uma das corridas preferidas de grandes nomes da modalidade - Geraint Thomas não foi este ano, mas chegou a escrever no Twitter que gostaria de estar no Algarve -, pelo que agora é esperar por novidades sobre as equipas que estarão presentes. Não deverão demorar.

Quanto à Volta a Portugal vai manter-se como 2.1, apesar de ainda ter sido noticiado que poderia subir a ProSeries. Realizar-se-á entre 29 de Julho e 9 de Agosto. A Clássica da Arrábida (1.2) está marcada para 15 de Março, seguindo-se a Volta ao Alentejo (2.2), de 18 a 22 do mesmo mês. O tradicional Grande Prémio Internacional de Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho (2.2) irá para a estrada entre 9 e 12 de Julho, pouco antes da Volta a Portugal, como tem sido habitual.

O Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela deverá ser incluído em breve no calendário internacional como 2.2. Um atraso no processo, entretanto já concluído, fez que com não surgisse na lista agora divulgada pela UCI.


(Imagem: UCI.org)

Como curiosidade, o primeiro dia da Volta a Portugal irá coincidir com as provas de contra-relógio nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Entre 3 e 9 de Agosto vão disputar-se as medalhas na vertente de pista. As corridas de estrada realizam-se a 25 (masculina) e 26 de Julho (feminina).

A época de 2020 já está a ganhar forma - em Junho tinham sido anunciadas as provas do World Tour -, enquanto a de 2019 aproxima-se do fim. Este sábado realiza-se o último monumento do ano, Il Lombardia, com a temporada a fechar novamente na China, no que diz respeito a provas do principal escalão, na Volta a Guangxi (de 17 a 22 de Outubro).

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