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28 de novembro de 2019

UCI quer repetir testes às amostras recolhidas em 2016 e 2017

(Fotografia: © Richard Masoner, via Flickr)
Os desenvolvimentos da Operação Aderlass estão a motivar a UCI a ir mais longe nas investigações que possam revelar ciclistas que tenham infringido o regulamento anti-doping em 2016 e 2017. Para já, seis foram envolvidos neste caso e o organismo vai pedir que as amostras recolhidas durante esses dois anos sejam submetidas a novos testes.

Os austríacos Georg Preidler (Groupama-FDJ) e Stefan Denifl (Aqua Blue Sport) foram os dois primeiros nomes da modalidade a serem envolvidos na Operação Aderlass quando esta foi tornada pública entre o final de Fevereiro e início de Março. Ambos acabariam suspensos por quatro anos, com Preidler a ter a suspensão dada como provisória, pois contestou a decisão.

Em Maio, Kristijan Durasek (UAE Team Emirates) foi afastado da Volta à Califórnia pela equipa ao ser envolvido no caso, tendo o mesmo acontecido com o esloveno Kristijan Koren (Bahrain-Merida) na Volta a Itália. A Bahrain Merida viu o nome de um dos seus directores desportivos surgir nas investigações. O eslovano Borut Bozic terminou a carreira como ciclista no final de 2018.

Koren e Bozic foram suspensos por dois anos, enquanto Durasek ficou com a sanção mais pesada: quatro anos. Um dos nomes mais mediáticos foi o de Alessandro Petacchi. O sprinter italiano foi suspenso por dois anos devido a violação do regulamento anti-doping em 2012 e 2013, sendo que terminou a carreira em 2015.

Com a excepção de Petacchi e de Denifl (este último estava sem equipa depois do final da Aqua Blue Sport, tendo anulado o contrato com a CCC ainda antes deste começar) e com Preidler a rescindir de imediato com a Groupama-FDJ, os restantes foram despedidos das respectivas equipas.

"Em virtude da informação e documentos enviados pelas forças de segurança austríacas sobre a operação Aderlass, a UCI anuncia que pediu à Fundação de Anti-Doping do Ciclismo* para proceder às necessárias novas análises das amostras recolhidas durante as temporadas de 2016 e 2017", lê-se no comunicado do organismo.

"Durante a investigação de Aderlass e graças à estreita colaboração entre a UCI e as autoridades austríacas, vários procedimentos foram iniciados devido à violação de regras anti-doping. Vários indivíduos, a maioria em actividade ao mais alto nível, foram sancionados", acrescentou. A UCI afirmou ainda que irá continuar a trabalhar com as autoridades da Áustria "com o objectivo de proteger os atletas honestos" e para "garantir um desporto limpo".

O caso Aderlass tem no centro da polémica o médico alemão Mark Schmidt, que já esteve no passado em equipas do principal escalão. Foram descobertos 40 sacos de sangue na cidade germânica de Erfurt. As primeiras notícias de envolvidos surgiram durante os Mundiais de esqui, com alguns atletas desta modalidade (com várias vertentes) a serem os primeiros a serem "apanhados". Mas de imediato surgiram notícias que a investigação estava a revelar um esquema de doping que envolvia outros desportistas, incluindo do ciclismo. Rapidamente a UCI quis seguir atentamente o que as autoridades austríacas estavam a desvendar.

*A Fundação de Anti-Doping do Ciclismo está integrada na UCI, mas tem total independência e poder de decisão.


30 de outubro de 2019

Volta à Califórnia não vai realizar-se em 2020

(Fotografia: © Amgen Tour of California)
A edição de 2020 da Volta à Califórnia foi cancelada. A organização fala num hiato, pois o objectivo passa por regressar em 2021, mas a decisão não deixa de ser um rude golpe no ciclismo americano, que perde a sua única corrida no World Tour. Também o pelotão sentirá a falta da corrida, pois apesar de se realizar ao mesmo tempo que a Volta a Itália, em Maio, sempre atraiu algumas figuras do ciclismo e até se tornou num local em que muitas principais formações aproveitavam para testar os seus jovens talentos. A única explicação avançada foi a necessidade de encontrar num novo "modelo de negócio" que permita recuperar a prova com sucesso já em 2021.

"Foi uma decisão muito difícil de tomar, mas as bases fundamentais do negócio da Amgen Volta à Califórnia mudaram desde que lançámos a corrida há 14 anos", afirmou a presidente da organização e vice-presidente executiva da AEG Sports, Kristin Klein. Acrescentou que apesar do orgulho em ter contribuído para o aumento da relevância no ciclismo, sobretudo nos Estados Unidos, "tornou-se mais desafiante organizar a corrida todos os anos.". "Esta nova realidade forçou-nos a reavaliar as nossas opções e estamos a analisar activamente todos os aspectos do evento para determinar se há um modelo de negócio que nos permita relançar com sucesso a corrida em 2021", frisou.

No comunicado divulgado é realçado como pela Volta à Califórnia passaram ciclistas que se tornaram figuras do ciclismo mundial e como é o "único evento do seu género que actualmente organiza uma corrida por etapas para homens e mulheres com prémio monetário igual". E é neste ponto que surgiram suspeitas que poderia estar o problema. Naquele estado, é obrigatório que o prize money seja o mesmo para ambos os sexos, mesmo que os dias de corrida não sejam os mesmos (sete contra três), o que poderia colocar pressão no orçamento. No entanto, rapidamente a hipótese foi afastada, já que o dinheiro para pagar estes prémios são apenas uma pequena parte do orçamento total de uma prova da magnitude da Volta à Califórnia.

A falta de exposição mediática é mais provável ser uma das razões na base da decisão. As audiências televisivas não serão o desejado, o que poderá estar a levar ao afastamento de actuais patrocinadores ou de potenciais patrocinadores. Chegaram a ser avançadas notícias que a organização - que têm contado com o apoio da ASO (da Volta a França, por exemplo) - tentou negociar com a UCI uma nova data para a corrida, que não fosse ao mesmo tempo que o Giro. A UCI estaria inclusivamente a pensar em tornar a prova californiana numa de preparação para a grande volta italiana. A nível financeiro, o impacto na economia da região ronda os 3,5 mil milhões de dólares, cerca de 3,1 mil milhões de euros.

A Volta à Califórnia foi crescendo de importância desde a sua primeira edição em 2006, ganha por Floyd Landis. Se no início foi mais centrada para o ciclismo da casa, aos poucos começou a atrair cada vez mais equipas do World Tour e algumas das principais figuras. O maior nome acabou por ser Peter Sagan. Pela Califórnia passou uma parte do sucesso deste eslovaco, que é recordista em vitórias de etapas (12) e até venceu uma geral em 2015. Foi o ano em que se descobriu que Sagan até poderia defender-se da montanha se tivesse a vitória na geral em mira, ainda que tenha sido uma das edições menos "agressiva" neste tipo de percurso. Foi uma vitória numa geral que ficou para a história do impressionante currículo deste ciclista, mais dado a ganhar etapas e clássicas. Sagan como que foi "adoptado" pelos americanos, com o próprio a não esconder o seu apreço pela aquela zona dos Estados Unidos. Até organiza um granfondo em San Diego. Curiosamente, em 2020 Sagan seria ausência garantida, já que vai estrear-se no Giro.

Julian Alaphilippe, George Bennett, Egan Bernal e este ano Tadej Pogacar, os ciclistas do futuro têm vencido nos últimos anos, numa lista de vencedores que conta ainda com Bradley Wiggins, Tejay van Garderen, Robert Gesink, Michael Rogers e Levi Leiphemer, o único a vencer por mais do que uma vez (três).

A Volta a Califórnia era uma corrida equilibrada, com etapas para sprinters, trepadores e com um contra-relógio para testar os dotes nesta vertente. Na Europa, a Volta a Califórnia acabava por ser transmitida em horário nobre, devido à diferença horária e ao longo dos anos alguns adeptos ficaram bem conhecidos, como o senhor do capacete de futebol americano com os chifres de alce.

Esta é a segunda prova das que subiram a World Tour em 2017 a sair do calendário da UCI para 2020. A Volta à Turquia não estava a cumprir com o regulamento, nomeadamente na obrigatoriedade de ter 10 equipas do principal escalão na prova. As formações do World Tour não são obrigadas a estar presentes nas corridas que subiram de nível naquele ano, ao contrário do que aconteceu nas restantes. A Volta à Califórnia nunca teve esse problema. A competição turca irá continuar com outra categoria. Quanto à californiana há que esperar para ver se de facto regressa em 2021, mas será uma ausência importante num calendário que não tem nenhuma corrida com relevância idêntica daquela que tinha a Amgen Tour of California, no nome original.


10 de outubro de 2019

Portugal com cinco corridas internacionais e com datas marcadas

Pogacar venceu a Algarvia este ano, no arranque de uma sensacional época
(Fotografia: © João Fonseca Photographer/Volta ao Algarve)
A Volta ao Algarve vai continuar a ser a corrida portuguesa de categoria mais alta na UCI. A partir de 2020, a denominação passa a ser ProSeries e não HC, mas continua a significar que a Algarvia pertence ao segundo escalão, apenas atrás do World Tour. A data já está marcada. De 19 a 23 de Fevereiro, o sul do país espera por algumas das melhores equipas do mundo e, claro, por algumas das principais figuras.

De forma a garantir uma maior estabilidade aos organizadores, a UCI passou a validar as categorias por três anos, um pouco à imagem do que acontece com as equipas no World Tour, que passam a ter licenças garantidas por três temporadas. Ao todo farão parte do escalão ProSeries 54 provas, por etapas e de um dia.

Na mesma data da Volta ao Algarve vai manter-se a Ruta del Sol, como tem acontecido nos últimos anos. Ambas têm atraído equipas do World Tour, mas a data da Volta aos Emirados Árabes Unidos será o maior senão. A prova que arrancou em 2019 vai novamente começar no último dia da Algarvia e da competição espanhola (23), o que poderá afastar alguns ciclistas que as equipas preferem levar onde o cachê é maior.

Porém, a Algarvia tem tornado-se uma das corridas preferidas de grandes nomes da modalidade - Geraint Thomas não foi este ano, mas chegou a escrever no Twitter que gostaria de estar no Algarve -, pelo que agora é esperar por novidades sobre as equipas que estarão presentes. Não deverão demorar.

Quanto à Volta a Portugal vai manter-se como 2.1, apesar de ainda ter sido noticiado que poderia subir a ProSeries. Realizar-se-á entre 29 de Julho e 9 de Agosto. A Clássica da Arrábida (1.2) está marcada para 15 de Março, seguindo-se a Volta ao Alentejo (2.2), de 18 a 22 do mesmo mês. O tradicional Grande Prémio Internacional de Torres Vedras - Troféu Joaquim Agostinho (2.2) irá para a estrada entre 9 e 12 de Julho, pouco antes da Volta a Portugal, como tem sido habitual.

O Grande Prémio Internacional Beiras e Serra da Estrela deverá ser incluído em breve no calendário internacional como 2.2. Um atraso no processo, entretanto já concluído, fez que com não surgisse na lista agora divulgada pela UCI.


(Imagem: UCI.org)

Como curiosidade, o primeiro dia da Volta a Portugal irá coincidir com as provas de contra-relógio nos Jogos Olímpicos de Tóquio. Entre 3 e 9 de Agosto vão disputar-se as medalhas na vertente de pista. As corridas de estrada realizam-se a 25 (masculina) e 26 de Julho (feminina).

A época de 2020 já está a ganhar forma - em Junho tinham sido anunciadas as provas do World Tour -, enquanto a de 2019 aproxima-se do fim. Este sábado realiza-se o último monumento do ano, Il Lombardia, com a temporada a fechar novamente na China, no que diz respeito a provas do principal escalão, na Volta a Guangxi (de 17 a 22 de Outubro).

»»Volta à Turquia sai do calendário World Tour««

»»W52-FC Porto não pediu licença para permanecer no segundo escalão««

5 de outubro de 2019

W52-FC Porto não pediu licença para permanecer no segundo escalão

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
As reformas da UCI não estão a convencer as equipas em procurarem o escalão Profissional Continental, que a partir de 2020 se chamará ProTeam. A W52-FC Porto poderá ser uma dessas "vítimas", com a equipa portuguesa a não surgir na lista divulgada este sábado das formações que pediram licença para o primeiro e segundo escalão. Ainda o poderá fazer, mas as novas regras implicam um maior orçamento. Se não houver mais inscrições, o nível ProTeam passará das 24 equipas de 2019 para 17 em 2020.

As equipas que quiserem pertencer ao segundo escalão são obrigadas a ter 20 ciclistas, mais quatro dos que actualmente representam a W52-FC Porto. Além disso, o acesso às principais competições do World Tour também ficará mais difícil, já que o primeiro escalão deverá subir de 18 para 20 equipas, diminuindo o espaço para convites para as ProTeam e não apenas nas grandes voltas. A formação portuguesa poderá assim seguir o já anunciado passo da americana Hagens Berman Axeon, que optou por regressar ao nível Continental. Também a Burgos-BH não surge na lista, depois de duas temporadas como Profissional Continental.

Se a W52-FC Porto optar por regressar a Continental, Portugal voltará a ficar sem equipas num escalão superior, ficando todas novamente no terceiro. Poderá ainda significar uma diminuição no plantel, já que o calendário ficará mais curto.

Pior são as notícias do final da espanhola Euskadi-Murias, da holandesa Roompot-Charles e da italiana Nippo Vini Fantini Faizanè (a Nippo surge para 2020 com a francesa Delko Marseille Provence, que vai contar com José Gonçalves, enquanto a Faizanè reforça o orçamento da Bardiani). Já a Fundação Euskadi (com o nome Fundacion-Orbea) e a norueguesa Uno-X Norwegian Development Team querem subir.

Entretanto, a Cofidis e a Arkéa-Samsic poderão estar a caminho do World Tour, com as equipas a passarem a ser chamadas em 2020 de WorldTeam. O mesmo deverá acontecer com a Israel Cycling Academy que comprou a licença da Katusha-Alpecin, no entanto, terá de respeitar os critérios da UCI, que estão a ser analisados.

Outra das novidades da lista apresentada é a ausência da Vital Concept-B&B Hotels - que segundo o nome que surge para 2020 irá inverter a ordem dos patrocinadores - e da Total Direct Energie. Esta última não deixa de ser uma surpresa. A chegada da Total, já com a época a decorrer, trouxe um reforço no orçamento e um dos objectivos passava pela subida de escalão. Porém, a equipa irá permanecer mais um ano no segundo nível. Sendo assim, se todas as formações cumprirem com os requisitos, nenhuma das equipas que pediu para ser WorldTeam ficará de fora, já que haverão 20 licenças disponíveis para os próximos três anos, outra das mudanças implementadas pela UCI.

Equipas que pediram licença WorldTeam:
  • AG2R La Mondiale
  • Astana
  • Bahrain-Merida
  • Bora-Hansgrohe
  • CCC Team
  • Cofidis
  • Deceuninck-QuickStep
  • EF Education First
  • Groupama-FDJ
  • Lotto soudal
  • Mitchelton-Scott
  • Movistar
  • NTT Pro Cycling Team (actual Dimension Data)
  • Arkéa-Samsic
  • Ineos
  • Jumbo-Visma
  • Katusha-Israel Cycling Academy (está a ser analisada pela UCI)
  • Sunweb
  • Trek-Segafredo
  • UAE Team Emirates
ProTeam:

  • Androni Giocattoli-Sidermec
  • B&B Hotels-Vital Concept
  • Bardiani CSF Faizanè
  • Caja Rural-Seguros RGA
  • Corendon-Circus
  • Fundacion-Orbea
  • Gazprom-Rusvelo
  • Nippo Delko Marseille Provence
  • Rally Cycling
  • Riwal Readynez Cycling Team
  • Sport Vlaanderen-Baloise
  • Novo Nordisk
  • Neri Sottoli Selle Italia KTM
  • Total Direct Energie
  • Uno-X Norwegian Development Team
  • Wallonie Bruxelles
  • Wanty Gobert-Tormans
WorldTeam feminino:

  • Alé BTC Ljubljana
  • Canyon-Sram Racing
  • CCC-Liv
  • FDJ Nouvelle-Aquitaine Futuroscope
  • Mitchelton-Scott
  • Movistar
  • Sunweb
  • Trek-Segafredo

1 de outubro de 2019

Vem aí o primeiro Mundial de ciclismo virtual

(Imagem: Zwift)
A semana de Mundiais é sempre fértil em novidades. Este ano, a maior foi a organização de um Campeonato do Mundo de ciclismo virtual, uma versão de desporto conhecida por e-sports ou e-racing. A popularidade destas plataformas tem levado a um crescimento de praticantes e de interessados em organizar provas. Já houve uns campeonatos britânicos, por exemplo, a Canyon até criou uma equipa, a Movistar também já organiza corridas e agora vai haver um Mundial, que será precedido de provas de qualificação e de mais provas.

Apesar de existirem várias plataformas, a Zwift tornou-se uma referência e será a parceira da UCI na primeira edição deste campeonato, mas depois serão abertos concursos para escolher quem organizará as próximas. "A beleza de criar uma disciplina nova de ciclismo é que temos uma tábua rasa e não há limitações. Vamos definir as linhas para o fair play e igualdade", salientou Craig Edmondson, CEO da Zwift, durante a apresentação. A igualdade está garantida sobre a forma de prémios monetários serem os mesmos para homens e mulheres, assim como o número de provas, distâncias das corridas e de cobertura mediática.

A UCI não quis passar ao lado desta emergente forma de pedalar, mas quer um regulamento bem definido, assim como uma fiscalização para garantir que não há batota. Ou seja, será necessário garantir que não haverá fraude tecnológica e também, por exemplo, ter a certeza que quem está na corrida é de facto o/a ciclista inscrito/a e que tem as características com que se registou, como o peso e altura.

Como parte do acordo, a Zwift vai ser o organizador exclusivo de no máximo 15 Campeonatos Nacionais, assim como um Campeonato Continental, além das qualificações para o Mundial, que ainda não tem data marcada. "Há uma oportunidade fantástica de através dos e-sports para atrair um público mais jovem para o ciclismo", afirmou o presidente da UCI, David Lappartient.


19 de julho de 2019

O texto que poderia ter sido escrito há oito anos

A fotografia é de 2017, quando Froome pensava a estar a caminho
de conquistar a sua primeira Vuelta, afinal, foi a segunda
(Fotografia: © La Vuelta)
Chris Froome tornou-se no primeiro britânico a conquistar uma grande volta. O projecto da Sky veio para a estrada com o objectivo de levar um ciclista daquele país ao topo do ciclismo mundial, com a Volta a França em mente. Porém, foi já em Espanha que esta equipa fez história na modalidade, com um jovem talento a superar o seu líder, Bradley Wiggins. Com o seu número um a claudicar, a equipa deu ordens a Froome para perseguir a glória e escrever o seu nome no topo do ciclismo britânico. Froome não desaproveitou a oportunidade de ouro.

Aos 26 anos, Froome demonstra ser um talentoso trepador que dificilmente ficará muito tempo a servir de gregário de Wiggins, o ciclista escolhido para liderar este projecto, que tem como objectivo máximo conquistar a Volta a França. Froome, um britânico que nasceu no Quénia, venceu uma etapa, em Peña Cabarga e a consistência nas difíceis etapas de montanha tornaram-no num ciclista difícil de bater, mesmo que parte da corrida tenha sido passada a proteger Bradley Wiggins. O britânico (31 anos) ficou a 1:26 minutos do companheiro de equipa, com outra jovem promessa a fechar o pódio.

O holandês Bauke Mollema, de apenas 24 anos, - que venceu a classificação por pontos e ficou a 1:50 do vencedor da geral - esteve perto de ganhar etapas e as suas exibições nos dias mais complicados deixam a Rabobank a sonhar alto com o talento deste ciclista, que fecha pódio naquela que foi apenas a sua terceira grande volta e uma estreia em Espanha. Também Froome correu pela primeira vez na Vuelta (quarta grande volta), que pode muito bem ter assistido ao nascimento de dois grandes corredores.

O melhor espanhol nesta Vuelta terminou apenas na nona posição, com a distinção a pertencer a Daniel Moreno, que este ano transferiu-se para a Katusha. Moreno ficou a 5:07 minutos de Froome, tendo ganho a etapa que terminou na Serra Nevada. Depois de Mollema, todos os ciclistas ficaram a mais de três minutos e meio de Froome, numa demonstração da Sky do que poderá estar para vir na Volta a França de 2012. Esta equipa veio para marcar a diferença.

Este poderia muito ter sido um texto escrito para marcar a primeira grande conquista da Sky em 2011, naquele que era o segundo ano na estrada da equipa britânica. Então Juan José Cobo foi o autor de um conto de fadas. Um ciclista, pouco conhecido, de uma equipa Profissional Continental - a também espanhola Geox-TMC Transformers -, fez a exibição de uma vida e conquistou a Vuelta. Pouco mais alcançou na carreira, mas aquele triunfo marcou a carreira do espanhol e a própria história da corrida.

Oito anos depois, o conto de fadas acabou em pesadelo. A UCI suspendeu o espanhol por três anos por irregularidades encontradas no passaporte biológico, considerando que o antigo ciclista violou o regulamento anti-doping entre 2009 e 2011. Cobo tinha um mês para recorrer da decisão. Segundo a UCI não o fez, pelo que a suspensão entra em vigor e Cobo perde a vitória na Vuelta. O organismo confirmou a nova classificação que atribui o triunfo na geral a Froome, Wiggins passa para segundo e Mollema já pode dizer que tem um pódio numa grande volta. Cobo tinha vencido a 15ª etapa, no Anglirú, triunfo que passa agora a pertencer a Wout Poels, holandês que está na Ineos, mas que em 2011 representava a Vacansoleil-DCM.

A UCI publicou os resultados actualizados que podem ser consultados neste link. A consequência maior é a perda de resultados, pois a suspensão nada afecta Cobo, que terminou a carreira em 2014 e está afastado da modalidade.

Chris Froome, que está a recuperar da grave queda que sofreu no Critérium du Dauphiné, escreveu no Twitter que "mais vale tarde do que nunca", acrescentando que foi uma Vuelta com "memórias muito especiais". Já Dave Brailsford, director da agora Ineos, ficou satisfeito por ter sido reposta a verdade desportiva, mas admite que não sente que aquela Vuelta tenha sido a primeira grande conquista da equipa britânica, pois afinal não houve celebrações.

Porém, a história foi mesmo reescrita. Já não é Bradley Wiggins o primeiro britânico a vencer uma grande volta, é Chris Froome, que passa agora a contar com quatro Tours, duas Vueltas e um Giro. Para a Sky/Ineos significa que são nove vitórias em grandes voltas nos dez anos que está na estrada.

Quanto ao texto que poderia ter sido escrito há oito anos, Froome confirmou que era de facto um enorme talento e já está entre os principais voltistas da história do ciclismo. Já Mollema foi uma promessa constantemente adiada e, aos 32 anos, já não se espera uma confirmação tardia, ainda que seja um ciclista de inegável qualidade.

»»Após seis horas de cirurgia Froome só pensa em recuperar e pode ter ganho mais uma grande volta««

»»A nova geração está pronta para continuar o legado Sky na Ineos««

4 de julho de 2019

Novas pistas de BMX e BTT dão ao CAR novo estatuto internacional

(Fotografia: © João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Todas as pedaladas vão dar à Anadia. Cada vez mais é uma autêntica capital do ciclismo, com o Centro de Alto Rendimento (CAR) a crescer e a receber uma distinção importante. No dia em que foram inauguradas as pistas de BMX e BTT foi anunciado por David Lappartient, presidente da UCI, que o CAR será um Centro Continental de Ciclismo. É um momento importante para a modalidade não só em Portugal, mas também a nível internacional, pois se o velódromo de Sangalhos já é eleito por várias selecções para estagiar, agora haverá ainda mais opções, outras vertentes, não esquecendo como as infraestruturas vão contribuir para a evolução dos corredores portugueses, como já acontece com o ciclismo de pista.

Com as novas infraestruturas, realçando como as estradas em redor têm boas condições para a prática de ciclismo de estrada, Anadia é um local de eleição para a modalidade. A pista de BMX é a única com caraterísticas olímpicas na Península Ibérica. "Hoje é um dia muito feliz. Já tinha vindo a Anadia algumas vezes, mas as novas pistas de BTT e de BMX superam o que poderia esperar. Excepto no Centro Mundial de Ciclismo, em Aigle, não há outro centro no mundo que junte todas as vertentes olímpicas do ciclismo, como acontece aqui. Falta apenas, mas espero que esteja para breve, uma pista de BMX freestyle. Por isso, tenho a honra de anunciar que o Comité Diretor da UCI decidiu, por unanimidade, atribuir a Anadia o estatuto de Centro Continental", afirmou Lappartient durante a inauguração que decorreu esta quinta-feira.

(Fotografia: © João Calado/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Anadia junta-se assim aos centros continentais que a UCI tem em África, Ásia e América, que têm tido um papel importante em ajudar os potenciais ciclistas de regiões com poucas condições (e nenhuma tradição) para a prática da modalidade. O CAR português é o primeiro Centro Satélite na Europa, o que irá permitir, por exemplo, que atletas de países em vias de desenvolvimento possam fazer estágios mais prolongados em Anadia.

De salientar que o edifício de apoio da pista de BMX alberga a partir de agora o Centro de Avaliação e Controlo de Treino da Federação Portuguesa de Ciclismo. Estará ao serviço de todo o ciclismo nacional, com o objectivo de desenvolver os melhores padrões de qualidade científica.

Esta quinta-feira foi ainda assinado um protocolo entre a Federação Portuguesa de Ciclismo e a Fundação do Desporto para o desenvolvimento do ciclismo de pista para cegos.

26 de junho de 2019

Volta à Turquia sai do calendário World Tour

(Fotografia: Facebook Volta à Turquia)
Os Jogos Olímpicos de Tóquio obrigaram a UCI a fazer alterações nas datas de algumas corridas, a começar pelo Tour. No entanto, no caso da Volta à Turquia, o organismo finalmente implementou o regulamento e tirou o estatuto de World Tour à prova, com a organização a poder pedir uma outra categoria, como integrar o ProSeries que arrancará em 2020.

Quando o calendário World Tour abriu portas a novas corridas, ao contrário das que já pertenciam a esta categoria, as novas não contariam automaticamente com todas as equipas do principal escalão. Além disso, as organizações ficaram obrigadas a garantir o mínimo de dez formações World Tour, pois dois anos sem atingir esse número levaria à perda de categoria. Em três edições, a Volta a Turquia contou com quatro em 2017, nove em 2018 e este ano seis. A UCI aplica assim finalmente o seu regulamento e tira a corrida do calendário mais importante do ciclismo.

É um fim mais do que esperado para a Volta à Turquia que começou mal no seu ingresso no World Tour e não conseguiu confirmar as expectativas que em tempos chegaram a tornar a prova uma que várias equipas e ciclistas gostavam bastante. Em 2017, na estreia, a organização pediu uma mudança de calendário, com a justificação que estava com dificuldades em atrair equipas, pois coincidia com a época de clássicas. A UCI acedeu e a prova realizou-se em Outubro.

Porém, a fraca adesão das formações, apenas 13 inscreveram-se e uma era a selecção turca, expôs o verdadeiro problema. A instabilidade política, os ataques terroristas tiveram peso na hora de decidir em viajar ou não à Turquia. Além disso, desportivamente, a Volta à Turquia também já não tinha o prestígio de outrora, apesar de ter subido de categoria. Os casos de doping, incluindo de um vencedor turco, geraram desconfiança.

Apesar de em 2018 a Volta à Turquia até ter sido animada, com Edu Prades (Euskadi-Murias) a ganhar a geral na última etapa a Alexey Lutsenko (Astana), a prova continuou sem atrair grandes nomes, o que se comprovou em 2019, com a organização a tentar revitalizar de vez a prova, passando para o calendário habitual em Abril. Foi a derradeira oportunidade que não foi aproveitada. As equipas World Tour continuaram sem colocar a Turquia como destino e as que colocaram não levaram muitas estrelas.

Os sprinters são quem mais gostam da prova, mas ainda assim houve anos com nomes mais fortes, casos de Mark Cavendish e André Greipel. Agora é aguardar para perceber o futuro de uma corrida onde não falta dinheiro para organização, mas que se tornou em mais um o exemplo de não ser o suficiente para se tornar numa corrida de topo. De referir, que há um português entre os vencedores: José Gonçalves, então na Caja Rural, conquistou a Volta à Turquia em 2016.

Relativamente às restantes alterações para 2020, a Volta a França vai realizar-se uma semana mais cedo, para evitar "chocar" com os Jogos Olímpicos. Será de 27 de Junho a 19 de Julho, o que está, ainda assim, a levantar dúvidas sobre a escolha de alguns ciclistas que queiram lutar pelo ouro olímpico. Falhar o Tour ou sair mais cedo poderá ser a opção, ou então não ir aos Jogos. Fazer as duas corridas, dado os seis dias para recuperar com uma longa viagem para fazer, será um plano difícil de concretizar.

Também devido aos Jogos Olímpicos, a Volta à Polónia passa para Julho em vez de Agosto e a clássica Prudential RideLondon-Surrey vai realizar-se uns dias mais tarde.

De salientar que a Volta à Espanha vai ganhar um dia, mas será de folga. Como a partida estar marcada para Utrecht, na Holanda, será necessário um dia para as equipas fazerem a viagem para Espanha. Ou seja, a última grande volta do ano começará a uma sexta-feira, dia 14 de Agosto, para terminar a 6 de Setembro. Esta folga extra também aconteceu no Giro de 2018, quando a partida foi em Israel, o que significa que ao fim de três dias de competição, haverá uma paragem na Vuelta, mas mantém-se as 21 etapas.

Quanto ao calendário feminino, as principais mudanças também se prendem com a mudança de datas devido aos Jogos e com a saída da Prudential RideLondon-Surrey.

O calendário completo de todas as categorias será conhecido em Setembro, segundo informou a UCI.

Calendário World Tour masculino:

21 a 26 de Janeiro: Santos Tour Down Under (Austrália)
2 de Fevereiro: Cadel Evans Great Ocean Road Race (Austrália)
23 a 29 de Fevereiro: Volta aos Emirados Árabes Unidos
29 de Fevereiro: Omloop Het Nieuwsblad (Bélgica)
7 de Março: Strade Bianche (Itália)
8 a 15 de Março: Paris-Nice (França)
11 a 17 de Março: Tirreno-Adriatico (Itália)
21 de Março: Milano-Sanremo (Itália)
23 de 29 Março: Volta à Catalunha (Espanha)
25 de Março: AG Driedaagse Brugge-De Panne (Bélgica)
27 de Março: E3 BinckBank (Bélgica)
29 de Março: Gent-Wevelgem (Bélgica)
1 de Abril: Através da Flandres (Bélgica)
5 de Abrill: Volta a Flandres (Bélgica)
6 a 11 de Abril: Volta ao País Basco (Espanha)
12 de Abril: Paris-Roubaix (França)
19 de Abril: Amstel Gold Race (Holanda)
22 de Abril: La Flèche Wallonne (Bélgica)
26 de Abril: Liège-Bastogne-Liège (Beégica) 
28 de Abril a 3 de Maio: Volta à Romandia (Suíça)
1 de Maio: Eschborn-Frankfurt (Alemanha)
9 a 31 de Maio: Volta a Itália
10 a 16 de Maio: Volta à Califórnia (EUA)
31 de Maio a 7 de Junho: Critérium du Dauphiné (França)
6 a 14 de Junho: Volta à Suíça
27 de Junho a 19 de Julho: Volta a França
5 a 11 de Julho: Volta à Polónia
25 de Julho: Clássica de San Sebastian (Espanha)
14 de Agosto a 6 de Setembro: Volta a Espanha
16 de Agosto: EuroEyes Cyclassics Hamburg (Alemanha)
16 de Agosto: Prudential RideLondon-Surrey Classic (Grã-Bretanha)
23 de Agosto: Bretagne Classic - Ouest-France (França)
31 de Agosto a 6 de Setembro: BinckBank Tour (Bélgica)
11 de Setembro: Grande Prémio de Quebéque (Canadá)
13 de Setembro: Grande Prémio de Montreal (Canadá)
10 de Outubro: Il Lombardia (Itália)
15 a 20 de Outubro: Gree - Volta a Guangxi (China)

Calendário World Tour feminino:

1 de Fevereiro: Cadel Evans Great Ocean Road Race (Austrália)
7 de Março: Strade Bianche (Itália)
15 de Março: Ronde van Drenthe (Holanda)
22 de Março: Troféu Alfredo Binda – Comune di Cittiglio (Itália)
26 de Março: AG Driedaagse Brugge – De Panne (Bélgica)
29 de Março: Gent-Wevelgem (Bélgica)
5 de Abril: Volta a Flandres (Bélgica)
19 de Abril: Amstel Gold Race (Holanda)
22 de Abril: La Flèche Wallonne (Bélgica)
26 de Abril: Liège-Bastogne-Liège (Bélgica)
7 a 9 de Maio: Volta à Ilha de Chongming (China)
14 a 16 de Maio: Volta à Califórnia (EUA)
8 a 13 de Junho: OVO Energy Women’s Tour (Grã-Bretanha)
26 de Junho a  5 de Julho: (Volta a Itália)
10 de Julho: La Course by Le Tour de France (França)
8 de Agosto: Postnord UCI WWT Vårgårda West Sweden TTT (Suécia)
9 de Agosto: Postnord UCI WWT Vårgårda West Sweden RR (Suécia)
13 a 16 de Agosto: Volta à Noruega
22 de Agosto: GP de Plouay – Lorient Agglomération Trophée WNT (França)
25 a 30 de Agosto: Boels Ladies Tour (Holanda)
5 a 6 de Setembro: Ceratizit Madrid Challenge by La Vuelta (Espanha)

2 de abril de 2019

Corrida aos pontos. 23 equipas querem ser World Tour em 2020

(Fotografia: © João Fonseca/Volta ao Algarve)
Com 18 vagas disponíveis, a corrida pelos pontos vai ser mais acesa do que nunca. A UCI poderá aumentar o número de vagas para 20 para evitar problemas legais, devido à recente mudança de regulamento, mas continuarão a faltar lugares para todos os pretendentes. As francesas Direct Energie (futura Total), Arkéa Samsic, Vital Concept-B&B Hotels e Cofidis juntam-se à Israel Cycling Academy no que será uma autêntica competição por um lugar ao mais alto nível, o que poderá ser uma dor de cabeça para algumas equipas que estão actualmente no principal escalão.

As equipas que pretendem ter uma licença World Tour tinham de apresentar a candidatura até 1 de Abril e esta terça-feira a UCI confirmou os pedidos que recebeu. Agora é altura das formações garantirem que têm acesso a nível desportivo, o que significa recorrer aos pontos conquistados para o ranking por equipas. Há que salientar que os pedidos de licença não dependem apenas do mérito desportivo, com as estruturas a terem de respeitar regras financeiras, éticas, organizacionais e administrativas.

Porém, vai ser na corrida aos pontos que muito se centrará a restante temporada. Com a mudança de regulamento quanto aos convites para as grandes voltas, por exemplo, as equipas Profissionais Continentais já têm estado muito activas para os conquistar e assim terminar entre as duas melhores do escalão. Isto garantirá um lugar nas grandes voltas, não tendo de depender de convites. As organizações continuarão a ter direito a atribuir dois wildcards. Contudo, esta regra poderá ser suspensa. E será apenas uma das mudanças, ainda que provisória.

A pontuação das equipas reflecte o que têm alcançado nos últimos três anos. O Cycling News explica que esta forma de contagem poderia criar um problema legal, já que há uma potencial exclusão de equipas que estão actualmente no World Tour. Com as equipas a não se preocuparem muito com o somar de pontos até à mudança de regulamento, faz com que há dois/três anos, os pontos serviam mais para ganhar o ranking, então World Tour (foi extinto esta época) e não para garantir uma licença.

O site fez as contas e significaria que a Dimension Data e a Katusha-Alpecin, por exemplo, estariam em maus lençóis. Para evitar questões legais, a UCI vai, segundo o Cycling News, aumentar o número de licenças World Tour para 20, entre 2020 e 2022. De recordar que as licenças passaram a ser atribuídas por mais do que um ano para assim dar alguma segurança às estruturas e aos patrocinadores que nelas investem. Com este aumento, a UCI evita questões legais e o possível fim de algumas estruturas, já que ao não ter um lugar garantindo nas principais competições, com a Volta a França à cabeça, poderá levar alguns patrocinadores a sair ou a escolher outras equipas.

Com 20 lugares disponíveis, a Dimension Data e a Katusha-Alpecin poderão respirar um pouco de alívio, ainda que não muito. As equipas continuam a mostrar grandes dificuldades em alcançar bons resultados, com as suas estrelas a estarem muito apagadas. Não é preciso ganhar para somar pontos, ainda que ajude e muito, mas as classificações dos ciclistas destas duas formações não são animadoras.

A confirmar-se o alargamento, isto significaria que os tais dois lugares garantidos para as equipas Profissionais Continentais nas grandes voltas seria suspenso, mantendo-se apenas os convites. A UCI não quer aumentar o número de equipas nas corridas, pelo que se mantém o limite actual de 22 nas grandes voltas.

Mesmo com 20 vagas, continuam três equipas em risco de ficar de fora. A corrida aos pontos até já anda animada. A Israel Cycling Academy está a tentar colocar ciclistas seus em variadas provas de forma a tentar ir somando pontos onde possa. Para já, é a Cofidis que está na linha da frente para ser uma das que subirá ao World Tour, o que neste caso significará um regresso ao escalão máximo da equipa francesa.

Esta corrida aos pontos explica porque cada vez mais se vêem ciclistas a sprintarem por lugares inferiores, mas que ainda ajudam a somar uns pontinhos que podem ser importantes no final da temporada.

Esta situação de 20 equipas poderá ser novamente alterada em 2023, quando forem atribuídas as novas licenças. O mesmo site refere que a UCI pretende regressar às 18 equipas do World Tour, numa altura que já todas as formações sabem o que têm de fazer desportivamente para garantir que continuam ao mais alto nível.


1 de março de 2019

Atenção ciclistas como atiram os bidões

As regras para os ciclistas deitarem fora o lixo que fazem durante as corridas já sofreram algumas alterações, acompanhando a consciencialização que no desporto, seja em que modalidade for, também é necessário ser cada vez mais amigo/a do ambiente. Aos poucos o regulamento vai-se tornando ainda mais rígido e neste fim-de-semana de abertura das clássicas do pavé, na Omloop Het Nieuwsblad (sábado) e na Kuurne-Bruxelles-Kuurne (domingo), o atirar de bidões vai estar sobre escrutínio. Além da questão ambiental, está também em causa o risco de ferir alguém. Os ciclistas terão de ter mais cuidado, pois as multas aumentaram e os fãs, que tanto procuram um destes "brindes", terão de mudar algumas "tácticas" para ficar com algum bidão deitado fora pelos ciclistas.

Hoje em dia, os corredores não podem simplesmente deitar fora as embalagens dos géis, ou de qualquer outro produto que possam ingerir durante as corridas. Foram criadas as chamadas zonas verdes. Durante uns metros pré-definidos e devidamente identificados, os ciclistas deitam para o chão o seu lixo, que será depois limpo. Até lá, terão de os manter com eles ou entregar nos carros das equipas. Este exemplo também serve para quem não é profissional, com algumas marcas até a colocar mais um pequeno bolso nas camisolas, especial para o lixo, já que nos passeios/treinos do dia-a-dia não há zonas verdes. Só caixotes do lixo (às vezes nem isso)!

Os bidões eram uma excepção. Devem ser de material biodegradável, mas como são muito procurados por fãs, a maioria acaba por ser apanhado por alguém. E são várias as vezes que se vê o próprio ciclista a deitar fora em zonas com público, precisamente porque sabe que vai servir de uma bela recordação. Mas também este acto vai ter de ser feito com outro cuidado.

"Temos de parar aqueles ciclistas que deixam o seu lixo em todo o lado. Temos de parar aqueles que logo a seguir a ir ao carro da equipa, imediatamente atiram o bidão pelo ar", explicou Philippe Marien, comissário da UCI responsável das primeiras duas clássicas do pavé do ano, ao jornal belga Het Nieuwsblad. As multas podem variar entre 200, 500 e até 1000 francos suíços, ou seja, 880 euros no máximo, 176 no mínimo.

Além de terem de respeitar religiosamente a zona verde, os ciclistas ficam proibidos de atirar os bidões pelo ar, com as multas mais pesadas a incidirem sobre quem o fizer. "Podem gentilmente dirigi-los para o público ou entregá-los no carro da equipa, claro. Um ciclista que atire um bidão cheio ou meio-cheio para o público cheio de adrenalina, é um risco para a vida. Não queremos ver mais isso", salientou.

Ver um bidão voar até ao público não é anormal, principalmente quando um ciclista está no meio do pelotão. Atirá-los pelo chão, quando o corredor está do lado de fora do pelotão, é uma solução, mas corre-se o risco de bater em alguém, ou em algo e regressar para a estrada, podendo provocar uma queda.


Mais uma mudança de mentalidade em curso, que começará na Bélgica. Pequenas adaptações por parte dos ciclistas e de quem está nos carros das equipas. Quanto aos fãs, haverá sempre a possibilidade de um bidão rolar pelo chão até aos seus pés, senão pode ir sempre tentar a sua sorte no autocarro das equipas.


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8 de fevereiro de 2019

O primeiro "super" Mundial de ciclismo já tem cidade anfitriã

(Fotografia: Facebook Mundiais de Innsbruck)
Uma das mudanças que David Lappartient queria implementar como presidente da UCI já está em marcha. O que se pode apelidar de super Mundial tem data marcada para 2023 e o palco deste novo formato será Glasgow. A cidade escocesa irá receber 13 disciplinas diferentes, desde a estrada, ao BTT, passando pelo BMX e até Granfondo, sem esquecer a pista, o paraciclismo, trial e ciclismo indoor.

Este formato de Mundiais irá realizar-se de quatro em quatro anos, no anterior aos Jogos Olímpicos, e pretende ser uma enorme celebração das várias vertentes da modalidade. As provas disputar-se-ão durante duas semanas em Agosto, um pouco mais cedo no calendário do que o normal (Setembro).

Glasgow organizou em 2018 os Campeonatos Europeus que englobaram vários desportos, incluindo o ciclismo e este facto foi salientando por Lappartient aquando do anúncio da escolha da cidade, já que há experiência em "montar" um evento que englobe tantos atletas e tantas disciplinas. Na cidade escocesa também já se disputaram Mundiais de BTT, de pista e trial, além dos Jogos da Commonwealth, em 2014. Isto faz com que as infraestruturas estejam todas em funcionamento, pelo que não será necessário construir nada para os Mundiais de 2023.

Nos restantes anos, o formato actual mantém-se, com as diferentes disciplinas a terem cada uma as suas cidades anfitriãs. Na estrada, depois de Innsbruck, na Áustria, será Yorkshire, Inglaterra, a receber as corridas de juniores, sub-23 e elite (de 22 a 29 de Setembro). No próximo ano e em 2024 será a Suíça o palco dos Mundiais e em 2021, no centenário dos primeiros Campeonatos do Mundo, a escolha foi para a zona de Flandres, na Bélgica. Em 2022 a viagem será mais longa para muitas das selecções: Wollongong, na Austrália.

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25 de novembro de 2018

Crowdfunding para angariar dinheiro na luta de André Cardoso contra a UCI

André Cardoso procura angariar 250 mil euros para continuar a sua batalha contra a decisão da UCI em o suspender por quatro anos. O ciclista recorreu à plataforma GoFundMe para iniciar um crowdfunding e assim obter a necessária ajuda financeira para poder prosseguir a sua defesa, mas não só. "Esta é a minha tentativa de corrigir o que está errado e limpar não apenas o meu nome mas também garantir que isto não aconteça com outra pessoa", escreveu na sua página de Facebook.

Em Junho do ano passado, André Cardoso foi notificado de uma análise positiva por EPO (Eritropoetina). Foi suspenso provisoriamente, quando estava a poucos dias de competir na sua primeira Volta a França, ao lado de Alberto Contador, na Trek-Segafredo. Só há poucos dias o processo foi encerrado pela UCI, com uma pesada sanção de quatro anos de suspensão.

O ciclista, de 34 anos, não se conforma com a decisão, pois a contra-análise foi inconclusiva, ou seja, não confirmou o primeiro teste. Ainda assim, a UCI acabou por castigar André Cardoso, pois como o resultado foi considerado "atípico", ficou aberto a interpretação por parte do organismo. Cardoso considera que a UCI quis fazer dele um exemplo, mas recusa baixar os braços.

O próximo recurso é no Tribunal Arbitral do Desporto, mas, como é explicado no texto da página de crowdfunding, é necessário dinheiro para contratar advogados e prosseguir com o processo.

Com o título "André Cardoso vs the UCI" (contra a UCI), a página pode ser vista neste link, estando até ao momento da publicação deste texto angariados 2575 euros, dos 250 mil pretendidos.


17 de novembro de 2018

Luta pela inocência passará por angariar fundos para recorrer da suspensão

Desiludido com a decisão da UCI? Sim. Mas André Cardoso não está disposto a desistir de lutar por comprovar a sua inocência no caso de doping que o leva a enfrentar uma suspensão de quatro anos. Resta ao ciclista recorrer ao Tribunal Arbitral do Desporto e com a questão financeira em jogo, Cardoso quer angariar fundos para ter o dinheiro necessário de forma a continuar a batalha e tentar reverter uma sanção, que considera ter sido decidida para fazerem dele um exemplo.

"Tenho lutado contra isto há 16 meses, mas, desde o início, ficou claro que a UCI queria fazer de mim um exemplo para criar um precedente para sancionar atletas com a amostra A, ignorando o devido processo." Cardoso reagiu através de um comunicado à suspensão atribuída por ter testado positivo por EPO. O corredor tem sempre defendido a sua inocência. Apesar da contra-análise não ter confirmado o resultado da primeira e ter sido considerado "atípico", a UCI acabou por aplicar a pesada suspensão a André Cardoso.

"Estou a tentar não ficar furioso, mas esta confirmação é extremamente decepcionante", lê-se no comunicado. O ciclista questiona porque razão foi contratada "uma firma de advogados de topo e quase todos os especialistas médicos" - que até poderiam ajudar o próprio atleta - se o caso era, como a UCI defendia, muito claro. "Se fosse um caso simples, isto teria sido concluído rapidamente", disse.

Perante a decisão da UCI, resta a André Cardoso o Tribunal Arbitral do Desporto, na Suíça. Para poder recorrer da suspensão, será preciso dinheiro. "Neste momento tenho de considerar todas as minhas opções, mas pretendo angariar fundos para uma batalha legal e continuar a trabalhar para provar a minha inocência. Para mim, isto é uma discussão sobre equidade porque, a não ser que alguém tenha os recursos de um ciclista de topo, é impossível lutar."

Aos 34 anos, é assumido que a longa suspensão coloca um ponto final na carreira de André Cardoso. O ciclista de Gondomar foi informado do resultado da análise realizada fora de competição, quando se preparava para fazer a sua estrear na Volta a França, ao lado de Alberto Contador, na Trek-Segafredo. Já lá vão quase 17 meses. Um regresso à competição só poderá acontecer a 27 de Julho de 2021, se o atleta não conseguir que o seu recurso tenha sucesso.

Apesar da contra-análise não ter confirmado o primeiro teste, a UCI terá considerado que a EPO se tinha dissipado durante o tempo que separou as duas análises. André Cardoso pediu a um especialista anti-doping, Dowe de Boer, para investigar o que terá provocado o resultado inicialmente. "As autoridades de anti-doping estão a lutar uma dura batalha contra os verdadeiros infractores. Infelizmente, em todas as batalhas há vítimas inocentes. Essas vítimas também têm direitos e devem ter a oportunidade para provar a sua inocência e limpar os seus nomes", afirmou  De Boer, citado no comunicado do ciclista português.

E acrescenta: "Neste caso específico, há algumas razões para investigar a causa desta aparente infracção de doping. Uma investigação como esta requer tempo e esforço de todas as partes envolvidas." Para De Boer, há que fazer tudo para que se previna que existam vítimas inocentes nesta batalha contra o doping.

Leia o comunicado na íntegra.