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18 de janeiro de 2021

Kelly-Simoldes-UDO com fasquia mais alta

© Federação Portuguesa de Ciclismo
2020 não foi mau para todos. E que o diga Manuel Correia, director desportivo da Kelly-Simoldes-UDO. É certo que a falta de corridas não fez bem a nenhuma equipa portuguesa, mas, perante o escasso calendário que se realizou, a formação de Oliveira de Azeméis acabou a época com cinco vitórias, incluindo a sempre muito desejada etapa na Volta a Portugal. Apesar da saída de jovens importantes, a equipa parte para 2021 com a fasquia mais alta do que em anos recentes, depois do que alcançou na temporada passada.

No final de 2018 a formação sofreu para continuar na estrada com a saída dos seus dois patrocinadores principais. Em 2020, o trabalho de Manuel Correia e Luís Pinheiro em não deixar cair uma estrutura que tantos valores nacionais tem ajudado a formar, recebeu uma compensação em forma de vitórias.

Os responsáveis não só viram os seus jovens alcançar títulos nacionais - Guilherme Mota campeão de contra-relógio, Fábio Costa de fundo e André Domingues de rampa, todos no escalão de sub-23 -, como a aposta no regresso de Luís Gomes à equipa terminou com a conquista da Clássica da Primavera e da primeira etapa da Volta, em Viana do Castelo (garantiu ainda a camisola vermelha dos pontos).

Ou seja, no pouco de competição que houve, a Kelly-Simoldes-UDO aproveitou para mostrar os seus ciclistas... e os seus patrocinadores. Mas, quando se aposta muito em jovens - é uma estrutura que apesar de ter passado à elite em 2018, mantém na sua base a formação de atletas sub-23 -, também tem de se estar preparado para os ver seguir outros caminhos. É o caso de Fábio Costa e André Domingues, que se mudaram para a Efapel, e de Rafael Lourenço, agora corredor da Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel. Venceslau Fernandes, vencedor da Volta a Portugal do Futuro em 2018, assinou pela Antarte-Feirense.

Mota, Hélder Gonçalves, Pedro Miguel Lopes e José Sousa vão continuar o seu processo de evolução na equipa, com Ricardo Machado a ser um dos novos rostos. O júnior da SEISSA ACR Roriz sobe este ano a sub-23 e terá o objectivo de se adaptar a uma nova realidade.

O mesmo não acontecerá com João Salgado. Já com duas temporadas na Rádio Popular-Boavista, ainda que com poucas corridas, aos 21 anos tem uma nova oportunidade para se mostrar ao mais alto nível. Em 2020 deu um passo atrás na esperança de competir mais na equipa de clube JV Perfis-Gondomar Cultural. A pandemia trocou-lhe as voltas, mas o seu trabalho não passou despercebido e regressa a uma equipa Continental.

O reforço mais sonante é César Fonte. Seguindo o exemplo de 2020 em dar mais equilíbrio à equipa com ciclistas experientes ao lado dos mais jovens, chega à Kelly-Simoldes-UDO um corredor com passagens pela Efapel, W52-FC Porto, Rádio Popular-Boavista e LA Alumínios-Metalusa. Aos 34 anos terá novamente possibilidade de ser mais do que um gregário, podendo formar um trio interessante com Luís Gomes e Henrique Casimiro, na procura por triunfos.

Estes dois ciclistas serão pela segunda temporada a principal aposta. Gomes é um ciclista sempre preparado para estar na frente e em 2020 viu-se bem o que este atleta motivado é capaz de fazer. O seu festejo no alto de Santa Luzia (foto em cima) tornou-se numa das imagens da Volta. Casimiro é um homem que poderá olhar mais para as classificações gerais, esperando, certamente, que 2021 possa trazer um maior número de corridas para o seu estilo competitivo.

Equipa Kelly-Simoldes-UDO para esta época:

Permanências: Luís Gomes, Henrique Casimiro, Guilherme Mota, Hélder Gonçalves, Pedro Miguel Lopes, José Sousa.

Reforços: Ricardo Machado (SEISSA ACR Roriz), João Salgado (JV Perfis-Gondomar Cultural), César Fonte (Efapel).

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19 de dezembro de 2019

Sobreviver em 2019, crescer em 2020

(Fotografia: © Podium/Paulo Maria)
Com a perda dos dois principais patrocinadores, um dos quais já numa fase tardia de 2018, a então Liberty Seguros-Carglass entrou em modo de sobrevivência para continuar com o projecto na estrada. Chegaram a UD Oliveirense e a InOutBuild que ajudaram a assegurar a continuidade da equipa, ainda que a aposta se tenha centrado quase por completo em ter ciclistas muito jovens, sem contratar inicialmente um de maior experiência. Mesmo com muitas limitações financeiras, Manuel Correia e Luís Pinheiro garantiram um grupo de ciclistas lutador, com talento e ambição.

Apesar de prosseguir como Continental, a equipa tem mantido a sua forte ligação às origens de uma das estruturas mais importantes de formação em Portugal. Contudo, para 2020, os responsáveis vão conseguir o que desejavam: aliar essa juventude a ciclistas mais experientes, que possam permitir à equipa ser ainda mais competitiva.

Desses jovens destacaram-se esta época Fábio Costa e Rafael Lourenço. Dois ciclistas rápidos, combativos e que deram as duas vitórias da equipa em 2019. Fábio conquistou a Taça de Portugal de sub-23 e Rafael foi o mais forte na segunda etapa da Volta a Portugal do Futuro. A equipa somou ainda várias classificações da juventude, Fábio Costa foi medalha de prata nos Nacionais de Melgaço, enquanto Guilherme Mota ficou com o bronze no contra-relógio, ambos no escalão de sub-23.

A UD Oliveirense-InOutBuild não conseguiu repetir a vitória na geral da Volta a Portugal do Futuro, mas terminou 2019 com a sensação de dever cumprido e com a pequena frustração de uma queda de Rafael Lourenço, que o tirou da discussão de uma etapa na Volta a Portugal. Que momento teria sido! Por esta altura, a equipa já se tinha reforçado com Josu Zabala (chegou em Março oriundo da Caja Rural) e com o colombiano Juan Filipe Osório (ex-Manzana Postobón), que assinou em Junho. Ciclistas que deram mais opções e um pouco mais de experiência. Guilherme Mota foi uma contratação de Maio, quando decidiu regressar a Portugal para melhor conciliar a vida académica com a de ciclista. Estava na Caja Rural de sub-23.

Este último vai continuar em 2020, assim como Pedro Lopes e Pedro Miguel Lopes (outros dois corredores muito importantes, regulares e com uma evolução interessante, com o primeiro a começar aos poucos a mostrar-se em terrenos mais difíceis), José Sousa, o benjamim da Volta ao Algarve Hélder Gonçalves (aos 18 anos foi chamado e não se intimidou por estar ao lado de alguns dos melhores do mundo) e também Venceslau Fernandes, que vai tentando agora afirmar-se entre a elite.

Há que não esquecer João Carneiro. Fez um bom primeiro ano como sub-23 em 2018, mas um problema de saúde afastou-o da competição praticamente toda a temporada. Com o futuro ainda incerto, a equipa espera poder contar com o corredor em 2020 e este quer regressar mais forte.

Os responsáveis da estrutura procuravam mais um patrocinador que permitisse contratar ciclistas com mais experiência e com outros argumentos. A Kelly Services, empresa de Gestão de Recursos Humanos, reforçou o orçamento e em 2020 o nome desta formação passará a ser Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense (imagem da nova camisola do lado direito). E terá no seu plantel um dos melhores trepadores do pelotão nacional, Henrique Casimiro (Efapel) e Luís Gomes (Rádio Popular-Boavista), vencedor de uma etapa na Volta a Portugal na Serra do Larouco e um filho da casa, pois esteve na equipa em 2015 e 2016.

Com estes dois ciclistas, de 33 e 25 anos respectivamente, a Kelly-InOutBuild-UD Oliveirense ganha perspectivas diferentes. Ou pelo menos amplia-as, logo a começar com a Volta a Portugal, mas não só. Principalmente Casimiro procurará ter uma maior liberdade que escasseava e iria escassear ainda mais se tivesse permanecido na Efapel. O vencedor da última edição do Troféu Joaquim Agostinho será um líder indiscutível, com Luís Gomes a poder tanto ajudar o seu novo companheiro, como a ser mais um carta a jogar quando a opção for estar ao ataque.

Ambos serão uma influência essencial nos jovens que vão continuar a ser uma forte aposta. Porém, haverá um ciclista que irá receber certamente atenção, a começar pelo apelido que tem. Não será apenas Venceslau Fernandes a ter um nome que marca o ciclismo nacional. Vai chegar um corredor com o apelido de um ciclista que fez história ao vestir a camisola rosa do Giro e a amarela do Tour. Tiago da Silva é sobrinho de Acácio da Silva e corria no Luxemburgo (a sua nacionalidade), na formação orientada pelo pai (Francisco da Silva), a Differdange-GeBa.

Para fechar as contratações, uma promoção de júnior a sub-23. André Domingues vai ter a oportunidade de continuar a sua evolução na Kelly-OutInBuild-UD Oliveirense. Estava na Escola de Ciclismo Bruno Neves e foi o vencedor da Volta a Portugal do seu escalão.

Equipa para 2020: Hélder Gonçalves, Pedro Lopes, Fábio Costa, Venceslau Fernandes, Rafael Lourenço, José Sousa, Pedro Miguel Lopes, Guilherme Mota, João Torres, Henrique Casimiro (Efapel), Luís Gomes (Rádio Popular-Boavista), Tiago da Silva (Team Differdange-GeBa), André Domingues (Escola de Ciclismo Bruno Neves).

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1 de julho de 2019

"Estamos a superar as expectativas a todos os níveis"

(Fotografia: © UD Oliveirense-InOutBuild)
Fábio Costa podia estar desolado por ter ficado tão perto de juntar o título nacional de sub-23 à Taça de de Portugal, mas na UD Oliveirense-InOutBuild havia novas razões para sorrir. O final de 2018 foi desgastante para os responsáveis da equipa e 2019 começou com um enorme esforço para garantir que os ciclistas tivessem as melhores condições possíveis para estar na estrada. A saída dos dois patrocinadores abalou a estrutura de uma equipa referência na formação de jovens ciclistas, mas Manuel Correia e Luís Pinheiro lutaram para que o projecto continuasse vivo. Nas últimas semanas, uma temporada que se adivinhava complicada, ganhou contornos muito animadores a nível desportivo. Fábio Costa pode não ter sido campeão nacional, mas Manuel Correia não escondeu como tinha tantas razões para estar orgulhoso do seu ciclista e dos seus restantes corredores.

"A equipa tem estado a um nível [suspiro profundo]... Sabia da qualidade deles, sei como iniciámos a época... Se calhar hoje ninguém imagina como arrancámos com esta equipa. Sabia da qualidade dos miúdos e tinha dito que íamos ter mais dificuldade nas corridas de maior número de dias. Nas clássicas, nas corridas de poucos dias, conseguimos estar num nível muito elevado. Mas surpreendentemente, no Grande Prémio Jornal de Notícias estivemos a um nível elevadíssimo e no Abimota também", salientou o director desportivo ao Volta ao Ciclismo. E acrescentou: "Estamos a fazer uma época muito melhor do que em 2018. Incrível! Daqui para a frente não sei, mas até aqui temos o mais do dobro dos pódios. Estamos a superar as expectativas a todos os níveis."

Além das medalhas nos Nacionais e da Taça de Portugal de sub-23, há a destacar umas classificações da juventude: Troféu O Jogo e Memorial Bruno Neves por parte de Pedro Miguel Lopes e no Grande Prémio Jornal de Notícias, com Rafael Lourenço, que venceu ainda a classificação das Autarquias no Abimota.

"As coisas até se tem vindo a compor, mas nós merecemos mais. O concelho de Oliveira de Azeméis tem de olhar para nós de outra forma"

O final de 2018 foi um autêntico contra-relógio para garantir os patrocínios da equipa, que há dois anos subiu ao escalão Continental, como sub-25. Porém, manteve-se fiel às suas raízes de formação, com os nomes recentes a chegaram ao mais alto nível do ciclismo a serem Ivo e Rui Oliveira e Ruben Guerreiro. E acrescenta-se Rui Costa, Ricardo Vilela e também outros gémeos, os Gonçalves (Domingos e José), como exemplo de corredores que chegaram longe na modalidade.

"Uma coisa garanto: nestas condições não faço mais ciclismo. As coisas até se tem vindo a compor, mas nós merecemos mais. O concelho de Oliveira de Azeméis tem de olhar para nós de outra forma. É muito complicado fazer ciclismo com os meios que nós temos. Temo-lo feito com dignidade e a nível de imagem temos dignificado o ciclismo nacional. Acho que está na hora de olharem para aquilo de bom que temos feito ao longo destes anos. Se as coisas não melhorarem, para o ano... Apesar da garantia do nosso primeiro patrocinador, que está muito entusiasmado e quer continuar, só o farei com muito mais", assegurou.

O plantel é curto e jovem e algumas lesões não têm ajudado na gestão da equipa. Contudo, ganhou reforços importantes já durante a temporada. Primeiro foi o espanhol Josu Zabala, ciclista de 26 anos e de alguma experiência, que veio da Caja Rural. Zabala chegou em Março e há poucas semanas foi um dos talentos emergentes da modalidade em Portugal que se juntou à estrutura: Guilherme Mota. Também veio da Caja Rural, mas da equipa de sub-23, onde esteve alguns meses este ano, mas optou regressar a Portugal para melhor conciliar o ciclismo com os estudos. No entanto, a UD Oliveirense-InOutBuild, está à procura de pelo menos mais um ciclista com 22/23 anos, para ter mais maturidade na equipa na Volta a Portugal.

"O caso do Zabala, ele já queria veria em Janeiro, mas nós não tínhamos condições para o ter. Depois de muita persistência dele e da própria Caja Rural para lhe dar uma oportunidade, conseguimos algo para o compensar, apesar de não ter nada a ver com o valor dele, mas ele está feliz aqui. Espero que ele possa pisar os grandes palcos, estar nas grandes equipas porque acho que é um corredor de enormíssima qualidade", salientou. Quanto a Guilherme Mota, apesar da juventude - é sub-23 de primeiro ano (18 anos) -, Manuel Correia não hesita em considerar que "acrescenta muito à equipa". E conquistou a medalha de bronze no contra-relógio dos Nacionais, no seu escalão.

"Veio tarde, está com peso a mais, mas é normal. Faculdade, estar numa equipa longe de casa, é complicado", referiu o responsável, que elogiou a postura do seu ciclista em querer continuar a estudar. "Isto é uma mais valia para todos nós. Temos de nos orgulhar. O Guilherme encontrou o seu espaço. Ele já é feliz aqui. Estava a passar um mau bocado. Se ele estiver cá para o ano, espero contar com ele", disse.

E é nestas expressões que se percebe que Manuel Correia pode não querer continuar no ciclismo perante as dificuldades que tem passado, mas deseja manter viva a sua equipa. Além de Guilherme Mota e Fábio Costa, Rafael Lourenço é outro atleta que o director desportivo gostaria de continuar a trabalhar.

"Independentemente de termos perdido para um grande corredor e ser justa a vitória do João, nós merecíamos mais nesta corrida"

Há um ano conquistou uma etapa no Grande Prémio Jornal de Notícias e só não repetiu o feito em 2019 porque celebrou cedo de mais e foi ultrapassado sobre a meta. No entanto, fez top dez na geral e foi o melhor jovem. "Isso faz parte da aprendizagem. Já vimos no World Tour a fazer igual! Há que chamar a atenção, mas não o recriminar, nem penalizar por isso. Ele nunca mais voltará a fazer isso!" Manuel Correia considera também que um excesso de confiança acabou por tirar um possível top cinco a Rafael Lourenço. "É um corredor que tem subido degrau a degrau, ano após ano e hoje está num nível elevadíssimo", afirmou.

Regressando a um Fábio Costa que, durante a conversa com Manuel Correia, tentava recuperar da desilusão de tanto ter lutado pelo título nacional, tendo passado grande parte da corrida em fuga (143,2 quilómetros no circuito de Melgaço), o director desportivo frisou como o ciclista "quis em determinados pontos puxar de igual para igual com o João [Almeida] e isso se calhar custou-lhe caro". "Independentemente de termos perdido para um grande corredor e ser justa a vitória do João, nós merecíamos mais nesta corrida", disse. E ficaram rasgados elogios a João Almeida (Hagens Berman Axeon), ciclista já com experiência e vitórias importantes além fronteiras e que o responsável da UD Oliveirende-InOutBuild não dúvida que vai dar muitas alegrias. Ainda assim: "Acho que o Fábio com um bocadinho mais de maturidade poderia ter surpreendido o João."

Agora é olhar em frente para uma fase importante da temporada, com a aproximação da Volta a Portugal (de 31 de Julho a 11 de Agosto), com o Troféu Joaquim Agostinho a realizar-se um pouco antes, de 11 a 14 de Julho. Se estar bem na Volta é importante, a Volta a Portugal do Futuro é sempre um objectivo para os jovens ciclistas. "Eu já ganhei 11 Voltas a Portugal do Futuro e eram muito mais competitivas. É mais [importante] para eles do que para mim. Qualquer um gosta de a ganhar."

Uma coisa é certa na UD Oliveirense-InOutBuild, os ciclistas estão motivados em procurar mais bons resultados. Apesar dos problemas que a estrutura atravessou e atravessa para continuar na estrada, os corredores estão animados. "Acho que sempre estiveram. Mais do que eu! Eles são jovens, às vezes nem se apercebem das dificuldades. Quando arrancámos com a equipa explicámos a situação, mas acho que eles nem notaram. Acho que nós também tentámos deixá-los confortáveis. Nunca faltou nada e continua a não faltar e as coisas inclusive tem vindo a melhorar."

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27 de janeiro de 2018

"Não é só no César ou no Gaspar que vamos focar a atenção, pois temos jovens com muito, muito talento"

(Fotografia: Facebook Bike Clube de Portugal)
Rigor, talento, inovação, honestidade e compromisso. Há bases que Manuel Correia não quer alterar na sua equipa, seja de sub-23, ou agora de sub-25 e no escalão Continental. A Liberty Seguros-Carglass consolidou o seu projecto como um dos melhores na formação de jovens e mesmo dando um passo que irá proporcionar outro nível competitivo aos ciclistas, o director desportivo não abdica da identidade da equipa, apostando em quem conhece e confia para ascender à elite, enquanto reforçou a estrutura com cinco corredores que corriam no escalão de juniores. "Num curto espaço de tempo, no escalão sub-23, acho que até excedemos todas as expectativas que tínhamos criado sobre o projecto, quer em termos desportivos, quer em termos de notoriedade, mesmo a nível internacional.  A partir do momento em que surgiu esta oportunidade para as equipas de sub-25, nós achámos por bem aproveitar, até porque acho que merecemos. Temos feito um bom trabalho", salientou Manuel Correia ao Volta ao Ciclismo.

Juntamente com Luís Pinheiro, o director desportivo optou por dar a oportunidade a dois dos seus ciclistas para serem profissionais, não contratando corredores mais experientes, como aconteceu com o Miranda-Mortágua e com a LA Alumínios, as outras duas formações que também serão Continentais, mas de sub-25. César Martingil e Gaspar Gonçalves terão de assumir maiores responsabilidades. Foram os escolhidos por serem já bem conhecidos da estrutura, ou como disse Manuel Correia: "Temos o perfil biológico e nós preservamos a ética do desporto." E acrescentou: "Quer ao César, ao sprint, e quer ao Gaspar, que já tem demonstrado nos últimos dois anos que é muito consistente e tem estado com os melhores, é deles que vamos cobrar um pouco mais. Não é só neles que vamos focar a atenção, pois temos jovens com muito, muito talento", realçou. O responsável referiu ainda que a nível orçamental, a principal opção passa por dar as "melhores condições de trabalho e inovadoras".


"Há corredores que com a ambição que têm podem conseguir algum resultado numa ou outra corrida"

Manuel Correia assume as condicionantes que terá devido à juventude dos seus ciclistas: "É lógico que ao fazermos uma equipa destas, não podemos ter como principal objectivo o resultado final, se bem que com trabalho e dedicação eles acabarão por aparecer, mas não podemos exigir deste tipo de corredores - inclusivamente tenho cinco de primeiro ano - que consigam ombrear com as equipas muito mais cotadas e com mais maturidade." Não tendo um ciclista mais experiente, estão abertas as portas para que todos tenham liberdade para lutar por bons resultados e Manuel Correia quer assegurar que isso acontece de facto. "Há corredores que com a ambição que têm podem conseguir algum resultado numa ou outra corrida", garantiu.

A Volta ao Alentejo, por exemplo, é uma prova que o responsável acredita ser possível ter César Martingil na luta, mas vai apontando a outras corridas por etapas. Já na Volta a Portugal deseja "estar a um bom nível" e na Volta ao Algarve... "Vai ser muito duro e difícil. Sabemos do nível competitivo que a corrida vai ter. Mas a ambição e vontade de correr com os melhores também fará com que se superem a eles próprios. Vamos participar, tentar estar com dignidade na corrida", afirmou, garantindo que não haverá qualquer dificuldade em gerir o lado emocional de jovens corredores que se vão ver ao lado de alguns dos melhores ciclistas mundiais. "Acho que é a parte mais fácil. Estes jovens já não têm a mentalidade que eu tinha quando corria. Quando passávamos a fronteira já estávamos derrotados. Agora não. Eles gostariam de correr todos os dias Voltas ao Algarve. Tenho 13 corredores e só posso levar sete. Perguntei a todos quem queria correr a Volta ao Algarve. Todos queriam. Não tenha dúvida que qualquer um deles abdicaria de correr a Volta a Portugal para estar na Volta ao Algarve!"

Saiu Neves, regressou Carvalho

Manuel Correia gostaria de ter mantido José Neves na sua equipa e até diz que o ciclista também não se teria importado nada em continuar na Liberty Seguros-Carglass. No entanto, a proposta da W52-FC Porto era muito superior e o director desportivo realçou como quer ver os seus ciclistas conseguirem bons contratos. "A carreira de ciclista é muito curta e nós entendemos que as diferenças eram abismais. Para nós lhe dar-mos o mínimo iríamos ter algumas dificuldades. Achámos por bem que o Zé agarrasse [a oportunidade]", contou, acrescentado que praticamente todas as equipas de elite queriam o campeão nacional de contra-relógio de sub-23. O director desportivo disse mesmo que espera que Martingil, Gonçalves ou qualquer outro dos seus atletas possa para o ano ou em breve estar a um nível mais alto. Esse tem sido um dos objectivos por que tanto tem batalhado na sua equipa. Formar ciclistas, mas também homens, pois, como reforçou, nem todos conseguem singrar no ciclismo. Contou como Luís Pinheiro esteve na equipa como sub-23, o contabilista também, além de haver médicos, fisioterapeutas e outros antigos corredores nas mais variadas áreas da sociedade.

Mas houve um ciclista que teve uma experiência menos boa no estrangeiro e que agora regressa "a casa". "Tivemos muita pena quando o André Carvalho abandonou. Achámos que foi mal aconselhado. Se o André tivesse saído para uma equipa como a Axeon Hagens Berman, como os gémeos e antes o Ruben Guerreiro... Mas a equipa que o André foi representar [Team Cipollini] era no mínimo de qualidade dúbia e acho que o André deu dois passos atrás. Depois teve um problema familiar e eu tive conhecimento e tentámos dar-lhe apoio", explicou. Por altura dos Nacionais, Manuel Correia falou com o ciclista e perante a vontade deste em regressar a Portugal e à Liberty Seguros-Carglass, o responsável abriu-lhe as portas e acredita que também André Carvalho poderá mostrar-se em algumas corridas.


"São ciclos e temos de estar preparados para isso. Tomara que a Liberty Seguros permaneça mais dez anos no ciclismo"

Apesar do entusiasmo para esta nova aventura, a preparação para a nova época começou com um sobressalto. Luís Pereira foi atropelado, quando treinava com Filipe Cardoso (Rádio Popular-Boavista) e Fábio Oliveira (LA Alumínios). "Podia ter sido muito mau. Apesar de tudo foi feliz. A sorte foi que o carro que o atropelou era alto e ele ficou por debaixo, porque se fosse um ligeiro... O condutor vinha distraído. Eles entraram na rotunda, tiveram que travar, ele era o último e acabou por o apanhar. Teve mesmo muita sorte... A bicicleta ficou toda desfeita. Ele só ficou escoriações e levou pontos no sobrolho. Até parece incrível", desabafou.

O incontornável nome da Liberty Seguros

Se há patrocinador que rapidamente é reconhecido no ciclismo nacional é a Liberty Seguros. A empresa há muito que está ligada à modalidade e chegou mesmo a ter uma equipa profissional. Em 2009, um escândalo de doping que envolveu alguns dos seus ciclistas, fez com que o apoio fosse retirado, mas a seguradora não abandonou por completo a modalidade, ficando ligada à federação e também à estrutura de São João de Ver, liderada por Manuel Correia. Apoiar os mais novos passou a ser a palavra de ordem.

"Sabíamos que fazer uma equipa profissional com a Liberty Seguros seria muito complicado", frisou. Porém, a possibilidade de pedir uma licença Continental, mas ficando como uma equipa sub-25, na qual apenas dois ciclistas podem ser profissionais, o patrocinador manteve o apoio. No entanto, Manuel Correia admitiu alguma incerteza quanto ao futuro, pois, como explicou, o CEO, José António Sousa, vai retirar-se no final do ano. "Não sabemos se quem vem a seguir vai manter a mesma política. Temos a noção que é um passo arriscado [subir a Continental], mas decidimos dá-lo, pensando essencialmente nos nossos jovens ciclistas."

Referiu que não tem qualquer indicação de que a Liberty Seguros vá abandonar o ciclismo, mas a experiência permite-lhe ser cuidadoso: "São ciclos e temos de estar preparados para isso. Tomara que a Liberty Seguros permaneça mais dez anos no ciclismo, connosco ou com outros. Só teríamos todos a ganhar, até pela credibilidade da empresa."

Manuel Correia vai começar desde já a preparar 2019, para procurar o mais cedo a estabilidade necessária, para depois a transmitir aos seus ciclistas. Estes projectos sub-25 assumem uma enorme importância num ciclismo nacional que tem vindo a crescer nos últimos anos. "O grande problema destas equipas será sempre a sua sustentabilidade no futuro e nós temos isso bem presente. Muitas das vezes quem apoia quer resultados, mas não é o caso nem da Liberty Seguros, nem da Carglass", afirmou.


"Nós queremos o melhor para os nossos ciclistas. Eles têm uma carreira pela frente. Mesmo que queiram ficar, se houver uma boa situação para eles, vamos ajudá-los"

E que vantagens irá trazer a curto/médio prazo estas novas estruturas Continentais, mas que apostam na juventude? "Mais jovens corredores vão ter oportunidades", respondeu de imediato. O director desportivo recordou como na última Volta a Portugal, quase não houve ciclistas lusos para disputar a classificação da juventude, situação que considera ser "muito má". Na próxima edição será bem diferente, o que é desde logo uma vantagem na existência das três estruturas sub-25. "Haverá mais renovação do ciclismo em Portugal", acrescentou, exemplificando como algumas das principais referências estão a aproximar-se dos 30 anos e assim haverá uma nova geração já com rodagem ao mais alto nível nacional, pronta para assumir a responsabilidade.

Com as equipas profissionais a procurarem muitas vezes terem ciclistas que possam produzir resultados mais no imediato, a filosofia poderá alterar-se agora que os sub-23 passam a ter acesso a outras experiências. "Acredito que as equipas portuguesas os contratem, mas mesmo a nível internacional será importante [essa exposição]. Não vamos afastar a hipótese de correr lá fora, ainda que não seja fácil a nível orçamental. Mas já temos acesso a corridas mais importantes. Se tivermos de abdicar correr cá para fazer uma prova lá fora, fá-lo-emos", assegurou o responsável, que pretende assim criar a possibilidade de os seus ciclistas se mostram no estrangeiro. "Nós queremos o melhor para os nossos ciclistas. Eles têm uma carreira pela frente. Mesmo que queiram ficar, se houver uma boa situação para eles, vamos ajudá-los", reiterou.

Será, portanto, uma Liberty Seguros-Carglass igual a ela mesma, mas a querer aumentar o nível de qualidade dos seus ciclistas, proporcionando-lhes as melhores experiências, nas melhores corridas a que passam a ter acesso. Há corredores nesta equipa que já são bem conhecidos e não são nada de virar a cara a um desafio.

Equipa Liberty Seguros-Carglass: César Martingil, Gaspar Gonçalves, André Crispim, Luís Pereira, Rafael Lourenço, Venceslau Fernandes, Filipe Rocha, André Carvalho (Team Cipollini) Pedro Miguel Lopes (Seissa ACR Roriz), Pedro Lopes (Alcobaça Clube Ciclismo), João Carneiro (Rádio Popular-Boavista, equipa de juniores), João Dinis (Rádio Popular-Boavista, equipa de juniores), Fábio Costa (Centro Ciclista de Barcelos).

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