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4 de dezembro de 2018

Última Ceia na versão ciclismo

(Imagem: © David Law/Hommage au Vélo)
Estamos naquela fase do ano em que há um autêntico bombardeamento de sugestões de prendas de Natal para os amantes de ciclismo. Equipamentos, sapatos, ciclocomputadores, ou algo diferente como uma almofada a dizer Tour de Sofá! Não é fácil encontrar-se algo original, mas quando se vê uma Última Ceia com Peter Sagan no lugar de Jesus Cristo e um Lance Armstrong no de Judas, com outros grandes nomes da modalidade a ocuparem os lugares dos restantes apóstolos, é algo que dificilmente poderia passar despercebido.

A primeira coisa que se pensa é que o ciclismo é como uma religião para muitos e esse foi precisamente um dos aspectos em que se inspirou o autor, David Law, dono da Hommage au Vélo. "[Escolhi] a Última Ceia porque queria misturar a religião com o ciclismo. Muitas pessoas vêem o ciclismo como algo quase religioso, uma experiência religiosa quando anda de bicicleta, e os fãs olham para os seus heróis do desporto como deuses. Por isso, eu quis um quadro muito famoso para ser interpretado com ciclistas", explicou ao Volta ao Ciclismo.

A escolha recaiu na obra de Leonardo da Vinci e a selecção dos corredores não foi nada ao acaso. São alguns dos grandes nomes dos últimos 20 anos e que marcaram David Law. Para o autor, no lugar de Jesus Cristo só podia estar representado Peter Sagan, por este ser um ícone moderno. O eslovaco está vestido com a camisola de campeão do mundo, que envergou durante os últimos três anos. De um lado estão os voltistas, do outro os sprinters e os homens das clássicas, que fazem então a vez dos apóstolos.

Começa-se com Vincenzo Nibali na ponta, seguindo-se Alberto Contador e Chris Froome a medir forças, como tantas vezes o fizeram na estrada até à retirada do espanhol no ano passado. Depois vem Lance Armstrong, sentado no lugar que na versão original pertence a Judas. Não são necessárias mais explicações quanto a esta escolha! Ao seu lado estão os seus rivais de então, Jan Ullrich e Marco Pantani.

Do outro lado da mesa, vê-se Mario Cipollini a ver uma Playboy. Segue-se Mark Cavendish com o equipamento da HTC, equipa na qual viveu a melhor fase da sua carreira. Fabian Cancellara está a ler um guia de engenharia mecânica, numa alusão às suspeitas que recorreu a um motor na bicicleta para ganhar a Volta a Flandres em 2010. David Law considera que ninguém pode acreditar que tal foi verdade, sendo apenas uma piada a quem teima em reavivar essas suspeitas.

Bradley Wiggins fica do lado dos homens das clássicas e não dos voltistas, apesar de ter ganho o Tour. Como para Law não é segredo que o britânico teria optado por este tipo de corridas se tivesse tido essa escolha, então o seu lugar é naquele lado da mesa a olhar para um dos maiores especialistas: Tom Boonen. O belga aparece com o equipamento de campeão nacional, numa animada celebração porque afinal sempre gostou de um bom champanhe. A fechar está mais uma lenda belga do pavé: Johan Museeuw.

Mais um pormenor é o cenário. As bicicletas, as camisolas, mas, olhando pelas janelas, é o Mont Ventoux o local representado. "É simplesmente a subida mais famosa na Volta a França. Queria situar a ceia num local que fosse icónico para o ciclismo e penso que o Mont Ventoux é esse sítio", explicou.

A pintura está à venda no site da Hommage au Vélo (que pode ver neste link). Pode-se escolher com moldura ou sem moldura e nos tamanhos 30x60 cm ou 50x100. O preço varia entre as 75 e as 250 libras (cerca de 84 e 280 euros).


5 de abril de 2018

Tom Boonen diz que Peter Sagan devia estar calado

Os visados das críticas de Peter Sagan mantiveram-se concentrados na preparação para o Paris-Roubaix e o eslovaco ficou sem resposta. Porém, esta veio de quem agora vê de fora as corridas, mas sendo uma das grandes referências das clássicas, continua (e continuará) a ter as suas palavras tidas muito em conta. Tom Boonen não foi nada simpático para com Sagan, considerado que o tricampeão do mundo não pode estar a apontar o dedo aos seus adversários por não colaborarem consigo: "Ele é como um gato numa árvore, fica ali sentando e, de repente, vai para a frente e começa a agitar a pata [para os restantes trabalharem]. Sendo assim, tens de manter a boca fechada."

Recordando. Depois da Volta a Flandres, ganha por Niki Terpstra em mais uma vitória da Quick-Step Floors, Sagan (sexto) criticou os seus adversários por estes não o terem ajudado na perseguição ao holandês que arrancou a cerca de 30 quilómetros da meta e acabou por vencer isolado. "A Quick-Step fez uma corrida linda. Porém, penso que as outras equipas não respeitaram a situação e não colaboraram. Não é só a mim que eles têm de bater. Somos 200 [no pelotão]. Por isso, acredito que eles erraram. Assim a Quick-Step vai ganhar as corridas todas", afirmou o eslovaco. E foi mais longe: "Se os outros ciclistas não acordarem, vai ser assim."

A resposta veio então de Tom Boonen. "Falta de cooperação? Ele está sempre na roda. Acho que o Sagan não pode falar de falta de cooperação. Ele é quem começa sempre por estar sentado [na roda de um adversário]", salientou o ex-ciclista em declarações ao programa no canal belga Sporza, Extra Time Koers.

Boonen assumiu funções de comentador, além de também ter investido na Lotto Soudal, rival da equipa que representou durante quase toda a sua carreira, a Quick-Step Floors. É ainda conselheiro na equipa que viu Tiesj Benoot ganhar a Strade Bianche poucos dias depois de Boonen assumir a função. O belga venceu três Voltas a Flandres e quatro Paris-Roubaix. Sagan tem 28 anos e "apenas" tem uma Volta a Flandres em termos de monumentos.

Apesar das palavras duras que dirigiu ao tricampeão do mundo, Boonen disse que gosta do eslovaco, mas não concorda com a mais recente atitude do ciclista da Bora-Hansgrohe. "Gosto dele e isto não o afasta das suas qualidades. Ele é um corredor muito bom, mas não devia dizer estas coisas se também ele tenta andar na roda", afirmou. "Ele está sempre a tentar beneficiar do trabalho das outras equipas. Não há nada de errado com isso, mas depois não se pode queixar: 'Eles não trabalharam comigo'", acrescentou.

Tom Boonen terminou a carreira há um ano no Paris-Roubaix, a próxima corrida do pavé no calendário, este domingo, e que encerrará esta fase de clássicas em 2018. O Inferno do Norte é um dos monumentos mais desejado por Peter Sagan, mas em seis participações, o melhor que conseguiu foi um sexto lugar, em 2014, quando Niki Terpstra venceu.



3 de março de 2018

Com Boonen como conselheiro, Benoot cumpriu o que lhe estava destinado

(Fotografia: Facebook Strade Bianche)
O futuro da Bélgica chegou. O próprio sabia que mais cedo ou mais tarde conseguiria uma grande vitória. Ciclistas com a sua qualidade é algo que lhes está destinado. E nada melhor do que conquistar a primeira num cenário épico, em que a lama tornou uma corrida por si só espectacular, numa autêntica luta pela resistência do mais forte. Faltava a Tiesj Benoot uma triunfo que confirmasse as credenciais que já lhe eram reconhecidas. Ela chegou numa Strade Bianche que não será esquecida, pela lama e pela forma como o jovem belga deixou para trás praticamente sozinho toda uma forte concorrência para ganhar a corrida que já se vê como sexto monumento, para já, oficioso.

"Sabia que um dia ganharia algo grande e foi hoje. Sabia que a Strade Bianche era uma grande oportunidade para o fazer", afirmou o ciclista após a corrida que deixou todos os que nela participaram irreconhecíveis, debaixo de uma camada de lama que certamente precisou de um longo duche para sair! Para Benoot esta pode significar mais do que a primeira grande conquista. Para o belga é uma pressão que se liberta - pelo menos um pouco - depois de ter vivido os últimos três anos sob muita. Um quinto lugar na Volta a Flandres quando se tem apenas 21 anos, é uma boa razão para criar essa pressão, principalmente mediática. "É realmente agradável obter o meu primeiro triunfo como profissional. Havia muitas expectativas em meu redor depois do quinto ligar na Volta a Flandres, há três anos. Os jornalistas belgas pressionaram-me muito", desabafou.

Daqui a uma semana Benoot celebrará o 24º aniversário e uma coisa é certa, já é mais do que apenas um dos vários ciclistas que têm vindo a ser apresentados como o próximo Tom Boonen. Benoot está já a trilhar o seu caminho e a deixar uma marca com o seu nome, longe das comparações com a referência belga nas clássicas. A maior semelhança neste momento é o facto de darem espectáculo, contudo, há muito que os separa. Boonen destacou-se como sprinter, além das clássicas, enquanto Benoot já demonstrou características de trepador. O primeiro nasceu para atacar as clássicas do norte, o segundo encaixa bem em algumas destas - logo a começar pela Volta a Flandres -, mas terá nas Ardenas aquelas provas que lhe parecerão perfeitas.

Curiosamente, ou talvez não, a primeira vitória de Benoot chega pouco tempo depois de Tom Boonen ter sido anunciado como conselheiro da equipa belga, depois de falhadas as conversas para assumir um cargo idêntico na formação que representou durante praticamente toda a carreira, a Quick-Step Floors. Mesmo já tendo deixado a competição, Boonen arrisca-se a ser a melhor contratação da Lotto Soudal para as clássicas!

Em 2017 estreou-se numa grande volta, no Tour, e logo com um 20º lugar, quarto na juventude. Se continuar a evoluir como voltista, também poderá haver a tentação de não seguir a senda das clássicas de Boonen e as Ardenas serão certamente a principal aposta, longe dos pavés do norte. Já a Strade Bianche vai encaixando em cada vez mais ciclistas de diferentes características. Romain Bardet (pasme-se!) foi segundo e o homem da AG2R regressa a casa muito feliz, não só pelo resultado, mas por toda a experiência, que incluiu levar os vinhos da região!

Mas o dia é de Benoot. Eis um ciclista que nasceu no coração da Flandres e que tem este tipo de corridas no sangue, como não poderia deixar de ser. É um produto da equipa de desenvolvimento da Lotto Soudal. Em 2014, depois do quarto lugar nos Mundiais, em sub-23, foi chamado para estagiar na estrutura principal. Um oitavo posto na Binche-Chimay-Binche/Memorial Frank Vandenbroucke e dias depois um 16º no Paris-Tours (prova 1.HC) não deixou margem para dúvidas: os responsáveis ofereceram-lhe um contrato profissional.

Em 2015, o brilharete na Volta a Flandres não foi único. Foi também quinto no Grande Prémio de Montreal, quarto no Paris-Tours e deixou logo indicações que poderia ser muito mais do que um homem de clássicas, com o segundo lugar na Volta à Bélgica, atrás de Greg van Avermaet, a apenas 41 segundos. Porém, foi no Critérium du Dauphiné que deixou muitos a olhar para ele, quando se viu ao lado de Chris Froome e Alberto Contador na etapa rainha dessa edição.

Ao contrário do que era quase "exigido" nos meios de comunicação social, a Lotto Soudal não teve pressa em ver Benoot começar a ganhar ou, quanto muito, a andar na frente. A postura foi de deixar a evolução acontecer naturalmente, sem saltar etapas. Foi chamando-o para as clássicas, dando-lhe muitas vezes um papel de joker, ou seja, com liberdade para fazer o seu resultado, testando as suas capacidades. Aos poucos foi também colocando o belga em provas por etapas mais importantes, até que no ano passado levou-o à Volta a França. Antes, tinha passado pela Volta ao Algarve, onde ficou com a camisola branca da juventude.

Benoot é a próxima geração belga que já não é futuro. É o presente. A pressão não irá desaparecer. Agora irá enfrentar a responsabilidade de ter de conseguir mais e melhor... Um monumento, claro está. Porém, será de esperar que a Lotto Soudal se mantenha serena com Benoot. Afinal o caminho tem sido caminhado da forma mais correcta e os resultados estão a aparecer quando o belga demonstra estar mais preparado para os alcançar.

A dúvida será se irá apostar em força nas três semanas. O 20ª lugar no Tour abriu esta porta. É preciso recuar aos anos 70 para encontrar um belga a ganhar uma grande volta. Johan De Muynck venceu o Giro em 1978 e Lucien Van Impe o Tour dois anos antes. Antes claro, que houve o "Canibal" Eddy Merckx. Não deverá ser para já. Agora é altura de se afirmar nas clássicas e ir ganhando experiência nas três semanas, estando prevista nova presença no Tour.

Benoot seguirá agora para o Tirreno-Adriatico, antes de regressar às clássicas. Fará E3 Harelbeke a pensar na Volta a Flandres. Irá depois para a tripla das Ardenas e será muito interessante vê-lo lado a lado com o veterano Alejandro Valverde e outro jovem talento, mas francês, Julian Alaphilippe, isto para dar apenas dois nomes da lista de fortes candidatos, mas que em 2018 são três figuras dos primeiros dois meses de competições.

A corrida

Para já é altura de aproveitar este momento épico da Strade Bianche. Foram 184 quilómetros nas estradas de terra batida - o famoso sterrato - da zona da Toscânia. O mau tempo que está a afectar a Europa, principalmente a zona centro, mas a apanhar também Itália, criou um cenário que tanto pode ser visto como um inferno, ou então levado com alguma boa disposição, como muitos ciclistas o fizeram... antes da corrida, claro!

Romain Bardet estava a ser uma das figuras. O francês surpreendeu quando se chegou ao grupo da frente, onde estavam, entre outros, Valverde (Movistar), Peter Sagan (Bora-Hansgrohe), Zdenek Stybar (Quick-Step Floors) e Michal Kwiatkowski (Sky) - todos homens que já fizeram pódio, ou ganharam a corrida - e não demorou a atacar. Afastou-se juntamente com outro jovem belga de quem muito se irá falar, Wout Van Aert. O campeão do mundo de ciclocrosse está a fazer um início espectacular de época na estrada, pela Vérandas Willems-Crelan. Destacou-se na Omloop Het Nieuwsblad e agora fez pódio numa Strade Bianche com condições parecidas às da sua especialidade.

Benoot percebeu que no grupo ninguém se estava a entender e levou o compatriota Pieter Serry com ele. O ciclista da Quick-Step Floors foi uma ajuda durante alguns quilómetros, mas com os sectores de sterrato a chegarem ao fim, Benoot acelerou e acabou sozinho na perseguição. Chegou-se à frente, respirou um pouco e novo ataque. Perfeito! Grande corrida de Benoot. Grande corrida no geral.

Quanto a portugueses, José Gonçalves (Katusha-Alpecin), que há um ano ficou à porta do top dez, foi o melhor na 27ª posição, a 9:46 de Benoot. Nelson Oliveira foi 46º a 19:27 e o companheiro da Movistar, Nuno Bico, abandonou.

De referir que a Strade Bianche abriu o calendário World Tour feminino, com Anna van der Breggen (Boels-Dolmans) a vencer isolada (pode ver aqui a classificação).

Aqui fica a classificação da corrida masculina, via ProCyclingStats.


»»Tom Boonen vai ser conselheiro na rival da Quick-Step Floors««

»»Avermaet prefere ter Sagan ao seu lado nas clássicas««


22 de fevereiro de 2018

Tom Boonen vai ser conselheiro na rival da Quick-Step Floors

(Fotografia: Photonews)
A sua carreira foi praticamente toda passada na estrutura da actual Quick-Step Floors. Porém, as conversas para continuar na equipa belga com outra função após retirar-se há quase um ano, não terminaram com um acordo e agora Tom Boonen vai permanecer ligado ao ciclismo, mas na rival Lotto Soudal. Com a temporada de clássicas prestes a arrancar com a Omloop Het Nieuwsblad, no sábado, o ciclista que juntamente com Fabian Cancellara marcou mais de uma década neste tipo de corridas, foi apresentado como um dos Capitães do Ciclismo e como conselheiro.

"O meu papel na Lotto Soudal será de aconselhamento. Não irei certamente andar a olhar por cima dos ombros de ninguém, mas nas áreas em que possa partilhar a minha experiência, fá-lo-ei com muito gosto. Claro que conheço muitos dos membros do staff e os ciclistas, por isso, não irei precisar de grande adaptação à equipa", disse o antigo corredor. A 9 de Abril, Tom Boonen percorreu pela última vez os pavés do Paris-Roubaix. Não conseguiu a desejada quinta vitória na corrida que tanto gosta, mas há muito que era um ciclista com o seu lugar na história. Dos 16 anos como profissional, 15 foram passados na estrutura liderada por Patrick Lefevere, tendo começado na US Postal Service, depois de meio ano de estágio em 2001.

O primeiro contacto para as novas funções surgiu ainda em 2017, quando Tom Boonen ficou a conhecer melhor o projecto Captains of Cycling (Capitães do Ciclismo), do qual é agora embaixador. "O Paul [de Geyter] falou-me mais sobre ele [o projecto] e eu considerei um desafio apoiar e ser um embaixador. Penso que como ciclista contribui para promover o ciclismo belga e tentarei fazer o mesmo no meu novo papel. O ciclismo sempre foi o desporto do povo e a Bélgica tem uma longa história ciclística. Tantos os fãs como os investidores sentem-se conectados com a modalidade", salientou Boonen na conferência de imprensa de apresentação.

Sobre o projecto, o Captains of Cyling convida qualquer pessoa a ser um accionista da Lotto Soudal. Para isso basta doar dinheiro, 50, 250, mil ou cinco mil euros. Dependendo do valor, ter-se-á acesso a certos benefícios, como participar nas assembleias gerais, voucher para gastar na loja da equipa, conhecer os ciclistas e convites VIP para a Volta a Flandres, por exemplo.

"Estou muito satisfeito por o Tom querer contribuir para o projecto Captains of Cycling e que queira também aconselhar a Lotto Soudal. Espero que seja o início de uma cooperação de sucesso duradoura. É óbvio que o Tom é mais do que adequado para a função. Como ciclista ele já era um embaixador do ciclismo belga. Isto é meramente a continuação da sua promoção do ciclismo belga", salientou Paul de Geyter, director geral do projecto.

Tom Boonen (37 anos) ganhou quatro Paris-Roubaix, três Voltas a Flandres, outras tantas Gent-Wevelgem e muito mais. Se há alguém ideal para passar conhecimento é ele. Tiesj Benoot é um dos considerados como "o próximo Boonen". Só tem 23 anos, mas será uma aposta muito forte da Lotto Soudal para toda a época das clássicas, tanto no pavé, como nas Ardenas. Não é de estranhar que também ele tenha estado na conferência de imprensa, que serviu também para lançar esta fase da temporada.

Porém, Boonen era suposto estar num papel diferente e na Quick-Step Floors. Ainda antes de terminar a carreira, foi anunciado que assumiria a função de relações públicas tanto na equipa, como na Specialized, a marca de bicicletas que utilizou durante muitos anos. E claro que manteria um papel perto dos ciclistas... como conselheiro. Ao site VTM, a antigo ciclista explicou que falou com Patrick Lefevere, o responsável da Quick-Step Floors, três vezes, mas não chegara a acordo. No entanto, não fecha a porta a um possível regresso: "Somos amigos e certamente que poderia seguir o mesmo caminho com o Patrick."

Quanto às bicicletas, a Lotto Soudal tem as da Ridley.  O jornal Het Nieuwsblad explicou esta ligação. O pai de Tom trabalha na empresa, que pertence à família Kumpen. Anthony Kumpen tem sido um parceiro de Boonen na sua incursão pelo desporto motorizado. O belga tem competido em corridas de automóveis.

A Quick-Step Floors e a Lotto Soudal são ambas belgas e, por isso, com objectivos idênticos: atacar as clássicas é sempre o principal plano, tal como ir atrás de vitórias ao sprint nas competições por etapas. A rivalidade é das mais antigas no ciclismo e mesmo já estando retirado, a escolha de Tom Boonen não passa ao lado desta disputa particular entre as duas estruturas.

»»E o momento chegou. Tom Boonen saiu de cena««

»»Philippe Gilbert: "Foi bom ganhar a Volta a Flandres, mas o futuro é muito mais interessante"««

15 de janeiro de 2018

Estreia adiada do "novo Boonen" devido a alteração no regulamento anti-doping

(Fotografia: Photo News/Lotto Soudal)
Bjorg Lambrecht é um daqueles nomes que surge nas várias listas criadas pelos meios de comunicação social especializados de jovens a seguir, entre aqueles que farão a estreia ao mais alto nível. O belga de 20 anos chega ao World Tour rotulado de "novo Tom Boonen" e dada as exibições em 2017 na equipa de desenvolvimento da Lotto Soudal, a sua chamada à estrutura principal foi antecipada meio ano. A primeira corrida estava marcada para o Tour Down Under e, como se pode calcular, Lambrecht estava muito entusiasmado. Porém, irá começar a época a ter de lidar com uma desilusão. O regulamento anti-doping acabou por adiar a sua estreia, tudo devido ao login tardio no registo sobre o paradeiro do ciclista.

Em causa está uma alteração que não esteve em sintonia com o início da sua aplicação, segundo a explicação da equipa belga. A Lotto Soudal escreveu no comunicado, publicado no Facebook, que até 2017 os chamados neo-pros (ciclistas que passam a profissionais) no World Tour precisavam de ter no seu passaporte biológico três controlos anti-doping antes de começar a nova temporada. Agora, os ciclistas precisam de dar conta do seu paradeiro durante os 42 dias que antecedem a sua primeira corrida na principal categoria.

A Lotto Soudal referiu que a UCI organizou em Dezembro seminários online para explicar aos neo-pros como mexer no sistema. "Porém, o seminário online em inglês [foi organizado ainda em francês e em espanhol] só se realizou a 14 de Dezembro (apenas 33 dias antes do início do Tour Down Under) e o Bjorg recebeu o login a 15 de Dezembro com a mensagem que precisava de preencher o seu paradeiro a partir de 17 de Dezembro (30 dias antes do início da corrida) para poder competir no Tour Down Under", lê-se no comunicado. É ainda destacado que a mensagem enviada ao jovem belga entra em conflito com os regulamentos.

A equipa fez chegar à UCI a sua contestação perante o sucedido, mas sem uma confirmação por escrito que Bjorg Lambrecht pode competir no Tour Down Under, o belga irá ficar a treinar durante a próxima semana, enquanto os companheiros vão estar na primeira corrida do ano do World Tour. A estreia fica assim adiada para a Cadel Evans Great Ocean Race, a 28 de Janeiro.

"É uma enorme desilusão. Viemos para a Austrália há uma semana, sentia-me bem no grupo e estava entusiasmado com a minha primeira época como profissional e depois é uma enorme desilusão quando ouvimos que não podemos começar. Mas não podemos correr nenhum risco", afirmou o ciclista.

A Lotto Soudal não irá substituir Lambrecht, partindo com seis ciclistas, em vez dos sete permitidos. André Greipel, Adam Hansen, Thomas de Gendt, Lars Bak, Marcel Sieberg e Jens Debusschere são os eleitos num Tour Down Under que abre as hostilidades em 2018, depois do habitual "aquecimento" na People's Choice Classic, que Peter Sagan ganhou.

Apesar de ser apelidado de "novo Boonen", Bjorg Lambrecht até se destacou mais nas provas por etapas do que nas de um dia. À cabeça está o segundo lugar no Tour de l'Avenir (Volta a França do Futuro), atrás de Egan Bernal, colombiano que assinou pela Sky. E segundos lugares não lhe faltaram em 2017: Ronde de l'Isard e Giro Ciclistico della Valle d'Aosta Mont Blanc (provas ganhas por Pavel Sivakov, que também foi para a Sky) e Le Tour de Savoie Mont Blanc (batido novamente por Bernal). Mas somou vitórias como no Grand Prix Priessnitz spa, na República Checa, e na clássica Liège-Bastogne-Liège para sub-23, demonstrando que também poderão contar com ele para a semana das Ardenas. Ninguém lhe pede que seja Tom Boonen, contudo, Lambrecht é um dos jovens que poderá ser o futuro (muito próximo) da Bélgica no ciclismo.

Numa nota à parte e sobre o Tour Down Under, que começa na madrugada desta terça-feira e decorre até domingo, de destacar a presença de todos os portugueses que estão em equipas do principal escalão: Rui Costa (UAE Team Emirates), Tiago Machado e José Gonçalves (Katusha-Alpecin), Nelson Oliveira e Nuno Bico (Movistar) e Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo). O campeão nacional estreou-se precisamente há um ano na corrida australiana e esteve na luta pela camisola da juventude.

»»Sagan já ganha na época do tudo por tudo pelos monumentos««

»»Rui Costa abre ano com uma estreia mas sem confirmar uma grande volta««

30 de dezembro de 2017

2017 marcou o final de carreira de algumas grandes figuras do ciclismo

(Fotografia: Twitter Alberto Contador)
Esta temporada foi a última para alguns ciclistas que marcaram o pelotão na última década (ou mais) no ciclismo. O destino quis que dois dos mais idolatrados decidem-se que tinha chegado o momento em 2017. Primeiro foi Tom Boonen, que escolheu o "seu" Paris-Roubaix para última corrida. Meses depois Alberto Contador considerou que a Vuelta seria o palco ideal para dar as últimas pedaladas. Sem as vitórias do belga e do espanhol, Thomas Voeckler também deixou a sua marca. Por cá, o ciclismo nacional despediu-se de Rui Sousa, uma referência da modalidade que desta vez não adiou mais o abandono, mas antes teve um derradeiro grande momento na Volta a Portugal.

Aqui ficam alguns dos abandonos que marcam 2017.

Alberto Contador, 35 anos
Apostou a época na Volta a França e a Trek-Segafredo deu-lhe essa liberdade. No entanto, Alberto Contador não conseguiu ser uma ameaça a Chris Froome e à concorrência mais forte. O espanhol percebeu que o seu melhor já tinha passado e anunciou que a Vuelta seria a última corrida. Sonhava com um final perfeito, mas logo na primeira etapa de montanha, Contador ficou praticamente fora das contas. Foi recuperando, mas se tudo o que correu mal levou até àquela subida no Angliru, então valeu a pena a espera por um último disparo de El Pistolero. Uma última grande exibição! E foi mesmo! Seguiu-se aquela volta de glória em Madrid antes do pelotão discutir a etapa. Ponto final na carreira de um dos melhores da história do ciclismo. Dois Tours e dois Giros, três Vueltas, sete Voltas ao País Basco, dois Paris-Nice... 68 vitórias no total e muito espectáculo.

Mas Espanha viu ainda mais ciclistas abandonarem o ciclismo: Ángel Vicioso (40) e Alberto Losada (35), ambos da Katusha-Alpecin, Haimar Zubeldia (40) e um dos fiéis escudeiros de Contador, Jesús Hernández (36), da Trek-Segafredo. É altura da nova geração espanhola se mostrar.

Tom Boonen, 37 anos
Um dos reis das clássicas. Há um ano foi Fabian Cancellara, agora o ciclismo ficou sem o outro grande animador das corridas de um dia dos últimos anos. Boonen já estava algo afastado das grandes exibições, mas apareceu em 2017 convicto que poderia ter uma despedida em grande. Estava marcada logo para Abril, no Paris-Roubaix. Queria sair com uma quinta conquista, algo que o tornaria no primeiro a alcançar esse número. Não houve final de conto de fadas, mas o seu nome foi ecoado antes e depois por muitos adeptos. Boonen é um ícone que será recordado pelos incríveis números e exibições. 119 vitórias e além dos quatros monumentos em França, tem ainda mais três na Volta a Flandres, seis etapas no Tour e o título mundial, em 2005.

Thomas Voeckler, 38 anos
Não será recordado pelas grandes vitórias como Contador e Boonen, mas aquele estilo inconfundível do francês não será esquecido. Um lutador nato, aquela língua de fora não enganava quem estava ali. Aquela Volta a França em 2011 foi um dos seus grandes momentos. Foram 10 dias de amarelo e praticamente em todos se dizia que iria perdê-la. De facto acabou por ficar sem ela, mas foi incrível como enfrentou tudo e todos, quebrando as expectativas. Faltou-lhe um pódio para talvez consagrar a sua carreira, mas entre as 40 vitórias, quatro são de etapas no Tour, corrida que escolheu para este ano se despedir.

Andrew Talansky, 29 anos
Quando parecia que o americano estava a recuperar alguma confiança para tentar ainda confirmar um pouco do que tanto se esperava dele, Talansky provocou uma enorme surpresa ao anunciar que colocava um ponto final numa carreira que tanto prometeu, mas que nunca se confirmou. Talansky sentiu que estava na altura de procurar novos desafios e encontrou-os no triatlo, modalidade na qual já ganha. As sete vitórias, destacando-se o Critérium du Dauphiné, em 2014, sabem a pouco.

Tyler Farrar, 33 anos
Mais um ciclista que ficou um pouco aquém das expectativas. No início da década, Farrar prometeu muito com vitórias no Giro (duas), na Vuelta (três) e no Tour (uma). Porém, foi-se eclipsando e apesar da mudança para a então MTN-Qhubeka, actual Dimension Data, não conseguiu encontrar a sua melhor forma, para fazer frente aos principais sprinters. A equipa sul-africana confiava no americano, que soube sempre ser um ciclista que pensava no colectivo e não apenas no sucesso pessoal.

Jurgen van der Broeck, 34 anos
Quando se fala de ciclistas que não concretizaram todo o seu potencial, o que será o que os belgas dirão de Van der Broeck? Fez praticamente toda a sua carreira na estrutura da Lotto e ano após ano foi considerado um candidato a algo mais que um top dez numa grande volta. Mas nunca foi além disso, de um candidato e de um ciclista de top dez, que alcançou no Giro, Tour e Vuelta. Só tem duas vitórias: um título nacional de contra-relógio e uma etapa do Critérium du Dauphiné. Esteve um ano na Katusha-Alpecin e outro na Lotto-Jumbo, mas já praticamente ninguém se lembrava que estava sequer em prova, tão discretas foram as performances. Qualidades de trepador e voltista tinha, mas nunca conseguiu estar ao nível das principais figuras. Faltou-lhe equipa em alguns momentos, mas também pareceu faltar... aquele clique.

Adriano Malori, 29 anos
Teve uma recuperação considerada milagrosa depois de uma queda na Argentina que o deixou em coma. Porém, o italiano não mais conseguiu encontrar o ritmo necessário para estar ao mais alto nível no pelotão. Nas poucas provas em que participou, inclusivamente na Volta ao Alentejo, não as terminou e percebeu que a sua carreira tinha chegado ao fim. Anunciou durante a Volta a França, com a Movistar a perder um excelente homem de trabalho, com capacidade para também ele tentar algumas vitórias, sendo ainda um dos melhores contra-relogistas da actualidade.

Christophe Riblon, 36 anos
Foi toda uma carreira na AG2R. Tanto foi um fiel homem de trabalho, como soube mostrar-se quando lhe foi dada alguma liberdade. Ganhou duas etapas no Tour, o que para um francês ser mais especial, só se estiver no pódio nos Campos Elísios. Porém, o ciclismo tem destas coisas. Uma carreira dedicada a uma equipa que não lhe renovou agora o contrato. Riblon não estava a pensar em retirar-se, mas não conseguiu lugar noutra equipa e optou pelo adeus.

Rui Sousa, 41 anos
Foram mais de 20 anos no pelotão nacional. Rui Sousa tornou-se numa das vozes mais importantes do ciclismo nacional e num ciclista admirado por muitos. A sua forma de correr, sempre com garra, sempre com vontade de dar espectáculo e de procurar vitórias transformaram Rui Sousa num dos ciclistas com mais adeptos. Esteve para retirar-se em 2016, mas cedeu aos pedidos dos fãs e da equipa, Rádio Popular-Boavista, para competir mais um ano. Estava decidido que 2017 seria mesmo o último e se lutar pela Volta a Portugal cedo terminou, Fafe foi o palco de um último espectáculo bem ao seu estilo. Cortou a meta isolado, aplaudido por todos. O adeus merecido. Pódios e top dez tornaram-se normais, mas faltou-lhe a vitória na geral. De recordar que fez a Volta a Espanha em 2002, terminando na 16ª posição.

Mais algumas despedidas: Paolo Tiralongo (Astana), Manuel Quinziato e Martin Elmiger (BMC), Martin Velits (Quick-Step Floors), Twan Castelijns (Lotto-Jumbo), Cédric Pineau (FDJ), Ondrej Cink (Bahrain-Merida), Albert Timmer (Team Sunweb) e Lars Peter Nordhaug (Aqua Blue Sport).

»»Houve mesmo um último disparo. Gracias Contador««

»»A promessa nunca confirmada que acaba a carreira aos 28 anos««

9 de abril de 2017

E o momento chegou. Tom Boonen saiu de cena

(Fotografia: Facebook Quick-Step Floors)
É o dia inevitável, mas que se tenta não pensar nele. O dia do adeus a um grande ciclista. Quando durante 15 anos se viu Tom Boonen dar espectáculo, somar vitórias, pensar que não se o voltará a vê-lo na estrada e nos seus adorados pavés, deixa um vazio. Ainda se está a tentar habituar a ausência de Fabian Cancellara e perde-se agora o outro grande nome das clássicas da última década e meia. "Chegou o momento." A frase diz tudo. Boonen (36 anos) tem completa percepção que não dava mais e um grande atleta também se define por saber admitir quando é altura de se afastar.

Há 15 anos, um jovem Boonen saltou para a ribalta ao ficar em terceiro no Paris-Roubaix. Este domingo, foi no mesmo velódromo que o belga escolheu terminar a carreira. O próprio confessou que já no ano passado sabia que tinha chegada o momento de terminar a carreira. Mas também sabia que ainda tinha algo para dar e nos Mundiais demonstrou isso mesmo com o terceiro lugar. Talvez aquele segundo lugar em Roubaix, atrás de um Mathew Hayman que não tem metade do potencial de Boonen ao sprint, tenha motivado o belga a fazer uma última tentativa em chegar ao inédito quinto triunfo no monumento francês. Patrick Lefevere apoiou-o, como sempre, e colocou a equipa à sua disposição.

Boonen até disse que sonhava arrancar em Arenberg e só parar no pódio de Roubaix. Mas a realidade foi bem diferente. O ciclista esteve muito activo, deu tudo o que tinha, mas o Paris-Roubaix tanto dá de glória, como cria enormes frustrações. É demasiado imprevisível e a Boonen restou-lhe pedalar como há algum tempo não se via nas clássicas. Não terminou com a glória que imaginava há meses, mas a forma como foi ovacionado após a corrida, com uma multidão a rodear o autocarro da Quick-Step Floors para o saudar como o campeão que é, emocionou o belga. Disse não esperar que tal acontecesse, mas os fãs quiseram dar-lhe a volta de honra que Boonen não deu no velódromo. "Eu dei voltas de honra suficientes. As voltas de honra são para aqueles que mereceram hoje", afirmou. A frustração de uma despedida longe do desejado era notória. Se recuarmos um ano, Fabian Cancellara teve a sua volta de honra, mesmo não tendo ganho. E foi bastante memorável e não pelas melhores razões: caiu!

Nesta última semana, Boonen salientou como tentou não se deixar levar pela emoção. Tentar não pensar que era a última corrida era impossível, mas o belga contou como foi aos cinco quilómetros que pensou: "Estes serão os últimos." Então restava-lhe sprintar pelo sexto lugar, mas nem sequer tentou. "O sexto lugar não tem muito significado", afirmou. Ficou em 13º. Nem o pódio conseguiu, o seu segundo objectivo se falhasse a vitória.

Não foi o adeus perfeito. Porém, serão 113 vitórias que ficam para a história. Quatro Paris-Roubaix, três Voltas a Flandres, seis etapas na Volta a França, um título mundial... Tom Boonen, um dos melhores ciclistas de clássicas da modalidade que influenciou gerações, que inspirou ciclistas (como Peter Sagan, por exemplo), que fidelizou fãs como poucos o conseguem.

"E agora, o que vai fazer?" À pergunta respondeu: "Agora... vou procurar o meu carro!" E Boonen saiu de cena.

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Greg van Avermaet e a vitória da persistência

(Fotografia: Facebook BMC)
Que espectáculo de corrida! Que grande Avermaet! Na 115ª edição do Paris-Roubaix não houve apenas a emoção do costume (e é normalmente muita), houve um espectáculo de luxo, com ataques, contra-ataques, velocidade de loucos, indefinição até final... Quando alguém perguntar como é possível ficar quase seis horas a assistir a 257 quilómetros de ciclismo, a resposta tornou-se ainda mais fácil: vejam o Paris-Roubaix deste ano. Para tornar ainda mais inesquecível esta edição, Greg van Avermaet conquistou finalmente o seu primeiro monumento. E que bem que lhe soube! Claro que muitos considerariam que perfeito, perfeito, teria sido um Paris-Roubaix com a vitória de Tom Boonen no dia da sua despedida. Mas o triunfo de Avermaet não é menos perfeito, pois nestes últimos dois anos é dos ciclistas que mais ganha. Pode não ser tão amado como o compatriota, pode nunca vir a ter o currículo de Boonen, mas com este monumento Avermaet garante de vez o seu lugar de destaque na história do ciclismo belga.

"Sofri muito [durante a corrida], mas com a vitória, agora não sinto dores!" Avermaet não conseguiu esconder a emoção de um momento que há tanto tempo procurava. E de facto sofreu muito. Fisicamente e psicologicamente. Mas este Paris-Roubaix resume muito do carácter deste ciclista, que depois de ser um crónico segundo, encontrou nos últimos dois anos o caminho dos triunfos. Tem quase 32 anos, apareceu tarde, mas muito a tempo de construir uma carreira a todos os níveis excelente.

(Fotografia: Facebook BMC)
Avermaet lutou durante anos contra a desilusão de ficar perto de vencer, mas faltar sempre algo. Lutou contra as desconfianças que nunca estaria ao nível de, por exemplo, um Tom Boonen. Lutou para garantir que a BMC não lhe tirava o seu lugar de líder em prol de um Philippe Gilbert, então de créditos firmados. Lutou e lutou. Foi persistente, pegou nas desilusões e transformou-as em armas para se tornar um ciclista melhor e mais forte. Nunca desistiu. Neste Paris-Roubaix, teve uma avaria, apanhou um valente susto num estreitamento de estrada e por duas vezes teve de fazer uma recuperação. Chegou a parecer que, tal como na Volta a Flandres, poderia hipotecar os seus planos a 100 quilómetros do fim. Mas tal como na Flandres, não baixou os braços. Há uma semana ficou com o segundo lugar, mas desta feita, ficou no trio que entrou no velódromo de Roubaix para discutir o monumento. Avermaet sabia que era a oportunidade que tanto esperava. Dores? Cansaço? É daquelas alturas em que se vai buscar forças não se sabe bem onde, mas elas estavam lá e garantiram o famoso troféu em forma de pedregulho, que ficou muito bem entregue.

Vencer uma Volta a Flandres tem um significado especial para qualquer belga. É a corrida que Avermaet tanto ambiciona ganhar. Mas voltou a ser em França que foi feliz. No ano passado, no Tour, venceu uma etapa e vestiu a camisola amarela. Ficou muito orgulhoso. Agora leva o monumento, fechando uma fase das clássicas do pavé quase perfeita, depois de ter conquistado a tripla Omloop Het Nieuwsblad, E3 Harelbeke e Gent-Wevelgem. É uma fase do ano quase perfeita porque faltou a desejada Volta a Flandres. Mas foi um Março e Abril sensacional para Avermaet, a quem fica agora a faltar um título mundial, recordando que é o campeão olímpico.


Adeus amargo de Boonen, o azar de Sagan e a desilusão da Katusha

Grande parte das atenções estavam em Tom Boonen. O ciclista da Quick-Step Floors sonhava terminar a carreira com uma histórica quinta vitória no Paris-Roubaix, que seria um feito inédito na corrida. Deu tudo e um pouco mais, mas este já não é o Boonen de outros tempos e não houve um último fulgor de génio do belga. Acabou inclusivamente fora do top dez. Despedida sem glória, mas plena de homenagens dos fãs que ao longo da corrida o apoiaram e desejaram tanto como ele que o adeus fosse um conto de fadas com final feliz.

Boonen não conseguiu entrar no grupo que acabaria por discutir a vitória e como na frente estava um colega de equipa, Zdenek Stybar, não só limitou um pouco a sua margem de manobra, como também o prejudicou, pois não teve um companheiro da Quick-Step Floors que o ajudasse nos quilómetros finais. Stybar, que no final tentou poupar-se, não conseguiu derrotar Avermaet e ficou em segundo.

Peter Sagan merece o prémio de azarado do Paris-Roubaix. Tão crescido que se mostrou tacticamente e tão infeliz foi quando em dois ataques muito sérios, furou. Ao segundo percebeu que não ia ser o seu dia e terminou a mais de cinco minutos de Avermaet. Foi um 2017 para esquecer nas clássicas do pavé, tendo somado apenas uma vitória na Kuurne-Bruxelles-Kuurne.

Outro destaque pela negativa foi a Katusha-Alpecin. A equipa de José Azevedo alimentava as esperanças de ver Alexander Kristoff aparecer e tinha ainda um Tony Martin que colocou o Paris-Roubaix como um objectivo para 2017. A formação suíça esteve muito activa na primeira metade da corrida, sendo uma das grandes responsáveis por à entrada do primeiro sector de pavé não existir uma fuga digna desse nome, algo raro no Paris-Roubaix. Chegou inclusivamente a tentar a táctica de meter alguém numa fuga, mas foi um daqueles dias que ninguém conseguia afastar-se do pelotão.

Os dois líderes da Katusha-Alpecin acabaram por ser vítimas das circunstâncias da corrida, isto é, os sectores de pavé foram fazendo a habitual eliminação de ciclistas. O primeiro a ceder foi Kristoff. O norueguês passou novamente ao lado de uma das principais corridas e nem acabou o Paris-Roubaix. Tony Martin esteve melhor e até experimentou um golpe à Fabian Cancellara, tentando um ataque de longe. Não aguentou o ritmo e cortou a meta a quase dez minutos do vencedor.

Também a Trek-Segafredo não estará nada satisfeita com esta fase da época. John Degenkolb voltou a estar longe da decisão e Jasper Stuyven, que acabou por ser o ciclista que ficou na frente, não resistiu ao ritmo do trio que acabaria por lutar pela vitória. Dado o habitual suspense final no velódromo, Stuyven e Gianni Moscon, da Sky - atenção a este italiano para o futuro próximo - ainda chegaram novamente aos três da frente, mas de nada valeu. Zero vitórias nas clássicas do pavé, no ano pós-Cancellara.

Já a Cannondale-Drapac está entre mais uma desilusão e um bom resultado. A equipa americana continua apenas com uma vitória em 2017, que nem é de nível World Tour. Mas depois de Dylan van Baarle ter sido quarto na Volta a Flandres e demonstrado que aos 24 anos é um ciclista a seguir com atenção (foi 20º no Paris-Roubaix), este domingo foi a vez de um veterano sonhar com a vitória. Sebastian Langeveld (32 anos) sabia que tinha uma missão difícil tendo dois adversários claramente mais rápidos ao sprint que ele. Mas não desistiu e o terceiro lugar é um lugar honroso. Ainda assim pedem-se (começa a ser mais desespera-se) por vitórias na Cannondale-Drapac.

Para terminar, Nelson Oliveira e Nuno Bico não foram felizes. Os ciclistas portugueses da Movistar caíram, perderam tempo e acabaram por abandonar.

Ponto final no pavé, mas as clássicas continuam agora com uma das semanas mais popular do ciclismo, a das Ardenas, que irá também ficar marcada pelo regresso de Rui Costa à competição, depois de uma pausa de um mês, após de um início fenomenal de temporada.

Veja aqui os resultados da 115ª edição do Paris-Roubaix, o Inferno do Norte.



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8 de abril de 2017

Como se ganha o Paris-Roubaix? Dicas de alguns dos vencedores

(Fotografia: Facebook Paris-Roubaix)
Tácticas são muitas. Estilos também. Ganhar o Paris-Roubaix vai muito além de segredos. Há quem fale em boas doses de sorte, há quem fale no talento inato de enfrentar o pavé, há quem fale na importância das estratégias. E, claro, que sem uma condição física a rondar a perfeição a missão será impossível. No fundo, um pouco de tudo ajuda. Alguns dos vencedores daquela, que é considerada a clássica mais dura do calendário, dizem o que é preciso para conquistar o Inferno do Norte.

Tom Boonen, o belga que soma quatro vitórias (2005, 2008, 2009 e 2012) e que procura uma histórica quinta para a despedida, referiu que não se escolhe o momento para atacar. "Ele chega e tu aproveitas ou não", referiu em declarações à Procycling Magazine. "Estás a ver os rivais, quantos colegas de equipa têm... O momento em que a corrida fica mesmo dura e que tu estás quase morto? Aí sabes que os teus adversários também estão quase mortos", disse. Boonen acrescentou que nem sempre se faz as escolhas certas, mas tenta-se lidar com as circunstâncias que vão aparecendo da melhor forma que se consegue. Salientou ainda a necessidade de se ter de lidar com as emoções.

Stuart O'Grady foi o primeiro australiano a ganhar a clássica, em 2007. Realçou desde logo ser essencial correr com inteligência, mas também falou da imprevisibilidade da prova: "Tens 15 planos diferentes e acabas sempre a fazer algo diferente. É raro um plano resultar a 100%. Ciclistas mais inteligentes adaptam-se melhor." A experiência também é um factor dado como importante por O'Grady, ciclista que se retirou em 2013, tal como o apoio dos companheiros de equipa que ajudam a retirar algum do stress que possa surgir perante um pelotão ansioso e nervoso por sobreviver aos sectores do pavé. Ter um colega numa fuga é também uma boa vantagem, principalmente em Arenberg: "Ali, um companheiro de equipa vale por dez homens."

O outro australiano a também conquistar o Paris-Roubaix foi Mathew Hayman, no ano passado, e o veterano ciclista mostra ser muito calculista. Reconhecer o percurso é para ele essencial, para assim conhecer todos os cantos, todos os locais onde houveram quedas e para saber quando deve gerir melhor o esforço. A colocação tem um papel importante, principalmente se se pensar na necessidade em tentar não desperdiçar energia em recuperações quando se fica para trás. Para Hayman, o facto de no ano passado ter estado na fuga, permitiu-lhe evitar muitos problemas e guardar forças para o tudo por tudo no final.

Em 2015 John Degenkolb levou o famoso troféu de pedregulho para casa e para o alemão é impossível guardar energias. "Tens de correr e precisas de estar atento para estares na posição certa. Não há possibilidade de guardar energias porque quando os ciclistas importantes começam a ir embora, precisas de ir também. Não podes ficar para trás. Se perdes a frente da corrida, então não vais estar no sprint pela vitória", frisou. E Degenkolb falou ainda precisamente do sprint: "É muito difícil. Não estás a sprintar numa bicicleta aerodinâmica. Parece que estás a sprintar num tractor e toda a experiência é diferente. Tens pneus mais grossos, menos pressão e as tuas pernas não estão frescas, nem com força depois de uma corrida tão longa."

A mais ciclistas se pediria dicas e provavelmente teríamos várias diferentes. Afinal, cada um tem as suas capacidades, cada um tem a sua mentalidade, cada um procura a estratégia que melhor se aplica às suas características. E depois não há volta a dar. Aquele factor tão incontrolável tem um peso enorme. Sem um bocadinho de sorte, é difícil conquistar o Inferno do Norte.

O Paris-Roubaix é este domingo e ficará marcado pelo final de carreira de Tom Boonen. O Eurosport transmite todos os 257 quilómetros, a partir das 10:00.


7 de abril de 2017

Temos os candidatos, mas este Paris-Roubaix será de Tom Boonen, quer ganhe ou não

Tom Boonen tirá toda uma equipa a apoiá-lo para que consiga despedir-se
com o sonhado quinto triunfo no Paris-Roubaix
(Fotografia: Facebook Tom Boonen)
Na Scheldeprijs Marcel Kittel venceu pela quinta vez, mas as atenções centraram-se em Tom Boonen. Foi ele o ciclista rodeado pelos jornalistas, foi ele o mais aplaudido, foi ele que gerou maior emoção, inclusivamente em Kittel. Afinal foi a sua última corrida na Bélgica, o seu país. A derradeira na carreira será este domingo e é de Boonen que muito se fala e será de Boonen que muito se falará quando terminar o Paris-Roubaix, quer ganhe ou não. Quando há um ano Fabian Cancellara fazia pela última vez as duas clássicas do pavé que tanto gostava - Volta a Flandres e Paris-Roubaix - houve muita emoção, mas como o suíço competiu até aos Jogos Olímpicos (e até depois, mas já sem o objectivo de somar vitórias) como que houve tempo para que todos se fossem despedindo aos poucos do Spartacus. Boonen decidiu que o Inferno do Norte seria o local perfeito para o adeus e é inevitável que as emoções do ponto final de um dos ciclistas que marcou uma era superem as emoções de uma corrida sempre...emocionante.

Isto para dizer que se escreverá sobre Boonen no domingo, talvez como o ciclista que conseguiu a despedida perfeita com uma inédita quinta vitória no Paris-Roubaix, talvez como o ciclista que não conseguiu a inédita vitória, mas que teve uma carreira que o colocam como um dos melhores que a modalidade teve. Se o belga diz que está a tentar não se deixar emocionar pelo que irá viver na sua corrida de eleição, então vamos também guardá-la para o final em Roubaix. Por isso, hoje falar-se-á dos outros. Os "outros" não é de todo uma forma pejorativa de tratar os candidatos, mas é que este Paris-Roubaix será uma edição em que as atenções se centram num ciclista que nem é o principal favorito. Boonen tem quatro vitórias e uma Quick-Step Floors 100% concentrada em levar o belga ao triunfo. Até Philippe Gilbert ficou de fora, admitindo que não seria a ajuda ideal, dado não ter muita experiência no Inferno do Norte. Mas os principais favoritos são, e repetindo a expressão utilizada no texto sobre a Volta a Flandres, os suspeitos do costume.

Boonen é sempre um candidato, mas, mais uma vez, é em Peter Sagan e Greg van Avermaet que se centram as apostas. Nenhum venceu em Roubaix e enquanto o primeiro já tem um monumento - a Volta a Flandres, em 2016 - o outro continua a busca pelo monumento que tanto lhe foge. A pressão é naturalmente grande para os dois, mas enquanto o belga da BMC realizou uma excelente fase das clássicas do pavé, com a tripla Omloop Het Nieuwsblad, E3 Harelbeke e Gent-Wevelgem, Sagan (Bora-Hansgrohe) só venceu a Kuurne-Bruxelles-Kuurne. Apesar de normalmente estar na luta - excepto quando abdicou para passar a mensagem que não irá trabalhar mais para outros depois lhe ganharem ao sprint -, a verdade é que só um triunfo nesta fase de clássicas sabe a pouco.

Peter Sagan caiu na Volta a Flandres e a ver vamos como estará fisicamente. O bicampeão do mundo não esconde algum desconforto, mas não é uma situação inédita para o eslovaco, que só não vai com tudo para uma corrida se realmente não conseguir, como aconteceu na Strade Bianche.

Sagan e Avermaet dispensam apresentações prolongadas, tal como John Degenkolb e Alexander Kristoff. Mas quando se fala de pressão, então estes dois ciclistas carregam muita. O alemão venceu o Paris-Roubaix e a Milano-Sanremo em 2015, teve um 2016 para esquecer depois do atropelamento na pré-época, mudou-se para a Trek-Segafredo e apesar de ser notório que até está numa boa forma, está a falhar corrida após corrida nos momentos chaves. Nem chega a estar na discussão. A equipa americana contratou-o a pensar que seria o substituto ideal para Fabian Cancellara. Não se pode dizer que estaria à espera que tivesse o sucesso do suíço, mas na equipa já não se esconde a desilusão e chegou a última oportunidade para salvar esta fase das clássicas.

A chama de Kristoff vai-se apagando a cada corrida que passa. Onde está aquele super norueguês de 2014 e 2015, que venceu a Milano-Sanremo, Volta a Flandres, duas etapas no Tour?... O homem da Katusha-Alpecin vai vencendo, mas não convence e continua a passar ao lado das grandes competições. Na Volta a Flandres até entrou inicialmente no grupo que deixou para trás Sagan e Avermaet, mas foi enorme o esforço fez para se manter nele, sem sucesso. Tony Martin prometeu que a equipa tem umas surpresas para o Paris-Roubaix. Que venham elas e que sejam boas para um Kristoff, que vai desaparecendo da lista de principais candidatos. É difícil acreditar que aos 29 anos já se viu o melhor do norueguês, mas está de facto difícil recuperar a sua melhor versão.

Oliver Naesen (AG2R), Ian Stannard e Luke Rowe (Sky), Jurgen Roelandts (Lotto Soudal) - e porque não André Greipel -, Dylan Groenewegen (Lotto-Jumbo), Arnaud Démare (FDJ) e Edvald Boasson Hagen (Dimension Data) são, sem grande surpresa, mais alguns nomes a ter em conta. Mas vamos juntar também Mathew Hayman. Recorda-se dele? O veteraníssimo australiano que surpreendeu Tom Boonen, quem seguia a corrida e ele próprio ao vencer o Paris-Roubaix no ano passado.


(Fotografias: Orica-Scott)
Hayman, um homem de trabalho por excelência, que semanas antes do Paris-Roubaix tinha partido um braço, aproveitou a oportunidade que lhe surgiu e conquistou a maior vitória da sua carreira. E só foram duas. Este ano Hayman disse que a preparação foi bastante diferente, até porque tem estado em competição, enquanto no ano passado esteve na sua garagem a fazer treinos de rolos devido ao braço partido. O australiano de 38 anos foi pai de gémeos, situação que também provocou grandes mudanças na sua vida. Mas regressar ao palco do seu grande sucesso é um momento importante e Hayman sentir-se-á orgulhoso quando colocar o dorsal número 1. "No ano passado não coloquei muita pressão sobre mim e talvez isso seja algo que possa transportar para este domingo. Vou tentar apreciar o dia e apreciar quando colocar o dorsal", referiu Hayman, citado pela sua equipa, a Orica-Scott. E para marcar este dia especial, Hayman teve direito a uma bicicleta personalizada (ver fotografias).

Dizer que Mathew Hayman é um candidato, talvez seja ir longe de mais. Mas o australiano é mais um exemplo como no Paris-Roubaix ser candidato nada garante, pois se há corrida que é rica em surpresas, é esta. Niki Terpstra e Johan Vansummeren são mais dois dos casos recentes de como é possível surpreender os favoritos.

Não se poderia deixar de referir os portugueses. Tal como na Volta a Flandres, Nuno Bico e Nelson Oliveira estarão presentes, ambos pela Movistar. O primeiro terá a oportunidade de continuar a sua evolução ao mais alto nível e logo neste icónico monumento. Já Nelson Oliveira tem mais experiência, foi 18ª na Flandres - Bico abandonou - e o quatro vezes campeão nacional de contra-relógio gosta do Paris-Roubaix. Portanto, é de ficar atento ao ciclista.

Veja aqui a lista de inscritos da 115ª edição do Paris-Roubaix.

Quanto ao percurso, serão 257 quilómetros com 55 em pavé, divididos por 29 sectores, três de cinco estrelas: floresta de Arenberg, onde normalmente se começa a fazer as escolha dos melhores, Mons-en-Pévèle e Carrefour de l’Arbre. O primeiro sector surge aos 98,5 quilómetros. Até aí a corrida deverá ser percorrida com o pelotão a preparar-se para enfrentar o Inferno do Norte, certamente com alguém a arriscar uma fuga. Mas as verdadeiras selecções chegarão com o pavé e será em Arenberg que se espera que se comece a perceber quem tem pedalada para aquela que é considerada a clássica mais dura do ciclismo.

Abram as portas do Inferno do Norte... Mas antes é irresistível voltar a Boonen. Fica aqui este vídeo, no qual alguns colegas da Quick-Step Floors falam deste ciclista que deixará saudades.