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28 de outubro de 2019

Alberto Contador vai ter a sua marca de bicicletas

(Fotografia: Facebook Alberto Contador)
Vêm aí mais uma fase da vida de Alberto Contador pós-ciclismo profissional. A perspectiva é que seja já no próximo ano que as bicicletas Contador estejam na estrada e irão ser utilizadas pelas formações dos diferentes escalões da sua fundação - com patrocínio da Kometa que dá nome às equipas -, incluindo a estrutura Continental. Esta escolha de material irá levar ao final do relacionamento com a Trek-Segafredo, que até agora tem utilizado a equipa de Contador como base de formação de potenciais ciclistas, com três a terem sido contratados em duas temporadas.

"Queremos crescer sozinhos. Continuar ligados à Trek-Segafredo era incompatível com o nosso projecto", afirmou Ivan Basso, o parceiro de Contador na liderança das equipas que a fundação do antigo ciclista espanhol financia. Em 2018, passou a ter uma estrutura Continental e o objectivo passava por subir mais um escalão em 2020 e até pensar num convite para a Volta a Itália. A Kometa, marca húngara, via com muito bons olhos estar na corrida que vai ter as três primeiras etapas precisamente na Hungria.

Porém, a subida de escalão ficou para já adiada. A ideia passa por consolidar mais o projecto e que terá então bicicletas de Alberto Contador. A novidade foi dada por Ivan Basso à Gazzetta dello Sport e a confirmar-se, o espanhol seguirá o exemplo de outros antigos ciclistas, como Mario Cipollini, Chris Boardman e Eddy Merckx, por exemplo, todos com bicicletas com os seus apelidos.

As novas bicicletas serão mais um passo na nova estratégia que Basso explicou que está a ser delineada, agora que a equipa preferiu adiar a subida a Profissional Continental. "Trabalhámos muito tempo para isso, mas não caímos em tentação", referiu.

Há uns dias, havido sido Fran Contador - irmão do ex-ciclista que também está envolvido na direcção do projecto - que explicou que a subida poderia ter sido uma realidade, contudo, houve factores que levaram a recuar no plano. "Queremos fazer as coisas bem, sem ter de comprometer as equipas de base e com um projecto sólido que tenha uma duração de pelo menos três temporadas. Não temos pressa de subir, mas queremos que, quando o fizermos, seja da melhor maneira", afirmou ao jornal a Marca.

A Kometa tem juniores, sub-23 e a equipa Continental. Os ciclistas espanhóis são, sem surpresa, a principal aposta, mas aos poucos outras nacionalidades vão entrando, principalmente na estrutura Continental. Para 2020 já estão contratados além de dois espanhóis (Alejandro Molina e Sergio Gonzalez), dois húngaros (Marton Dina e Erik Fetter), dois italianos (Giacomo Garavaglia e Alessandro Facellu) e um dinamarquês (Mathias Larsen). O português Daniel Viegas está há três anos na Kometa, mas ainda não há confirmação se vai continuar.

A ligação à Trek-Segafredo, a última equipa que Contador representou, foi benéfica para três ciclistas. Matteo Moschetti é um sprinter italiano de grande potencial e este ano já se estreou numa grande volta (Giro). Juan Pedro López (espanhol com características para as provas por etapas) e Michel Ries (luxemburguês que poderá mostrar-se mais nas clássicas) vão para a equipa do World Tour em 2020. Ries já estagiou na Trek-Segafredo em 2018, tendo sido escolhido continuar a sua formação na Kometa, dando agora o salto definitivo.

»»Fundação Euskadi reforça-se com ciclistas da Murias, Movistar e com um da Efapel««

»»E se a Hagens Berman Axeon ficasse com os ciclistas que forma e fosse do World Tour?««

7 de agosto de 2018

Daniel Viegas vai subir à equipa principal da Fundação Alberto Contador

(Fotografia: © Polartec-Kometa)
Ganhar não é tudo o que conta para a carreira de um ciclista. Muitos são aqueles que parecem passar despercebidos, mas o reconhecimento também chega a quem faz do trabalho em prol dos outros a sua especialidade. É precisamente isso que Daniel Viegas destaca nas suas declarações, agora que foi premiado com um contrato para a equipa Continental da Polartec-Kometa, também conhecida como a formação que tem Alberto Contador como padrinho, através da sua fundação. O ciclista português está a cumprir a segunda temporada na estrutura de sub-23, nunca escondendo a ambição de onde queria chegar. É mais um passo, mais uma valorização numa equipa que vai ganhando importância, sendo a que funciona como de desenvolvimento de talentos para a Trek-Segafredo, que já conta com um português: Ruben Guerreiro.

"Estou muito feliz por chegar à equipa profissional. É uma forma de mostrar que também se pode atingir o profissionalismo através de muito trabalho, sem ganhar corridas. Trabalhei para os meus colegas de equipa nas categorias amadoras e agora tenho a certeza que não vou no próximo ano estar a ganhar corridas. Sei bem o que terei de fazer. Mas quero fazer o meu melhor. Se tiver de ganhar, tenho de estar no meu melhor. Se tiver de trabalhar, quero estar no meu melhor nessa função. Faça o que faça, não interessa: quero ser o melhor no que faço."

As palavras são de alguém ambicioso, mas também com uma enorme percepção da realidade que o espera, como sempre demonstrou este jovem Daniel Viegas. Ainda Março, quando falou com o Volta ao Ciclismo, disse: "Há muito trabalho a fazer e muitos anos para conseguir chegar ao topo." Para este ciclista que dominou as camadas jovens numa parceria temível com João Almeida, quando ambos representava o Clube de Ciclismo da Bairrada, é mais um passo rumo ao sonho de chegar ao topo. Seja em que função seja.

Viegas vai ser o primeiro ciclista estrangeiro a subir à equipa principal na Polartec-Kometa. O director que tem trabalhado com o português de 20 anos salientou: "Ele era um dos melhores juniores no seu país. Desde o primeiro momento que uma das coisas que mais nos impressionou foi a sua forma de correr, a sua inteligência, a forma como trabalhava com a equipa."  Rafa Diáz Justo acrescentou que há muito potencial no ciclista. "Pensamos que ele vai fazer coisas mais bonitas do que no escalão amador. Dani é provavelmente um dos melhores gregários no escalão amador espanhol", referiu.

João Almeida foi mais rápido a dar o salto, estando actualmente a mostrar todo o seu potencial na Hagens Berman Axeon, somando grandes resultados, como a vitória na Liège-Bastogne-Liège em sub-23. Viegas tem outras características. Contudo, com a Polartec-Kometa a realizar um trabalho de formação que quer precisamente que se possa vir equiparar à estrutura americana de Axel Merckx, o ciclista português está também ele num bom caminho para atingir um nível elevado, numa modalidade tão exigente. Viegas descreve-se como uma bom rolador, a precisar de continuar a trabalhar para melhorar na montanha, mas, como já se percebeu, trabalho não é algo que o intimida.

Ambos tomaram o risco de ainda muito novos irem para o estrangeiro, não passando pelas equipas sub-23 portuguesas. São dois exemplos de sucesso que se espera estar apenas no início de excelentes carreiras. Daniel Viegas e João Almeida são dois dos jovens de grande talento de uma geração portuguesa que demonstra cada vez mais não só ter valor, mas também de estar a ser capaz de singrar.

De realçar que logo no seu primeiro ano como equipa Continental, a Polartec-Kometa conseguiu colocar um dos seus jovens ciclistas na Trek-Segafredo. O italiano Matteo Moschetti (21 anos) já assinou para 2019 e 2020, estando desde 1 de Agosto a estagiar na formação do World Tour. O luxemburguês Michel Ries (20 anos) poderá seguir o mesmo caminho, já que também foi chamado para o estágio de meio ano.


22 de março de 2018

"O Contador é alguém que nos pode ajudar a evoluir e é sempre bom ouvir as suas palavras"

Daniel Viegas e João Almeida foram uma dupla temível no escalão de juniores. Juntos somaram conquistas, dominaram corridas e mostraram que se estava perante dois ciclistas de enorme potencial. Em 2017 separaram-se, deixando o Clube de Ciclismo da Bairrada para enfrentar aventuras no estrangeiro. João Almeida foi para a Unieuro Trevigiani-Hemus 1896 e este ano assinou pela a Hagens Berman Axeon. Daniel Viegas mudou-se para a equipa espanhola da Fundação Contador e se já não bastava ter a oportunidade de de quando em vez treinar com um dos ciclistas mais marcantes da modalidade, este ano Alberto Contador criou uma equipa Continental, o que abre novas perspectivas e dá uma enorme motivação a este jovem de 20 anos. Chegar à principal Polartec-Kometa - está nos sub-23 - é um dos objectivos mais imediatos, mas Daniel fala de como quer dar um passo de cada vez: "Há muito trabalho a fazer e muitos anos para conseguir chegar ao topo."

A adaptação a uma nova realidade não foi fácil. Contudo, Daniel Viegas admite que já nota como evoluiu e espera que este ano possa apresentar bons resultados, sempre tendo em vista uma possível oportunidade de ser chamado à estrutura principal. " Os  que estão na equipa de sub-23 têm agora menos responsabilidade porque há uma equipa acima. Eles têm de se apresentar vitórias e nós temos de fazer o nosso trabalho, continuar a evoluir. Se formos bons e tivermos regularidade poderemos subir", explicou ao Volta ao Ciclismo. E é precisamente em melhorar as suas capacidades como ciclista que Daniel Viegas está mais focado: "Noto que estou a melhorar. Estou muito melhor do que no ano passado e espero ter agora bons resultados. As subidas serão sempre um trabalhinho extra que tenho de fazer, mas sou um bom rolador e passo bem algumas subidas. Se foram um pouco mais longas, vou sofrer um bocadinho!"

"Se estiver a andar bem, penso que é possível [ser chamado à equipa Continental]. É uma grande motivação poder para chegar lá e mostrar o que se vale"

Por esta altura em 2017, Daniel passava por alguns momentos complicados, mas realçou que já se sente mais confortável como uma das grandes diferenças que encontrou em Espanha: o ritmo. "No ano passado senti alguma dificuldade. É um ciclismo diferente. Este ano já aguento mais o ritmo e espero ir melhorando. Há menos ataques nas corridas lá. Quando é para andar rápido, é para andar rápido até final", referiu. Como comparação tem o tempo como júnior em Portugal, ao lado de João Almeida: "Em juniores, as corridas eram feitas aos ataques ou eu e o João íamos embora e era o nosso passo. Lá temos de ir ao passo deles. Dá para fazer esses arranques, mas sabemos que vamos pagar a factura no final!"

Feliz na equipa de Contador, Daniel Viegas salientou o companheirismo que existe e que assume grande importância nos resultados que vão sendo alcançados. A nível de estrutura, considera que está a "melhorar de ano para ano". "Nunca tive uma experiência numa equipa portuguesa de elite, mas sei que a minha está sempre a melhorar nas condições que oferecem aos atletas. Há muitas equipas profissionais que não têm o que nós temos em sub-23", disse. E claro, tem um enorme bónus de haver a possibilidade de ter Alberto Contador como colega de treino. "O Contador é alguém que nos pode ajudar a evoluir e é sempre bom ouvir as suas palavras", afirmou Daniel Viegas.

Ao decidir terminar a carreira, Contador anunciou que iria dedicar mais tempo à sua fundação. Além de ciclismo tem também o lado social, com o antigo ciclista a querer ajudar quem, como ele, sofreu um acidente vascular cerebral. Mas a nível desportivo a aposta é grande. Além dos sub-23, onde está Daniel Viegas, há ainda uma equipa de juniores e escolas de ciclismo. Este ano, com a ajuda de outro ciclista de renome, Ivan Basso, o espanhol avançou com o projecto Continental, ainda que seja para manter o centro das atenções em jovens talentos. Ainda esta quinta-feira, a Polartec-Kometa somou a quinta vitória da época, todas por intermédio do italiano Matteo Moschetti, que tem apenas 21 anos.

O plantel não é muito grande na equipa Continental, pelo que na de sub-23 a motivação dificilmente poderia ser maior perante a perspectiva de uma chamada à estrutura principal. "Se estiver a andar bem, penso que é possível [ser chamado]. Eles têm poucos elementos na equipa, portanto há essa oportunidade. É uma grande motivação poder chegar lá e mostrar o que se vale", frisou Daniel Viegas. No entanto, o jovem corredor gostaria também de continuar a representar a selecção nacional. Recentemente, José Poeira levou-o até à Clássica da Arrábida e a ambição de Daniel passa por estar nuns Europeus, no seu escalão e também em algumas corridas de um dia.


17 de outubro de 2016

Portugueses nos Mundiais do Qatar: nem tudo foi mau. Temos jovens com grande potencial

(Fotografia: Facebook Federação Portuguesa de Ciclismo)
Rui Costa habituou-nos mal. Venceu o título mundial em 2013 e desde então que se passou a olhar para os ciclistas portugueses de outra maneira, percebendo que a possibilidade de grandes vitórias é real e não apenas pelo ciclista da Lampre-Merida. Por isso, quando as coisas não correm tão bem, lá vem ao de cima o pessimismo luso, que, no fundo, não é mais do que uma forma de lidar com a desilusão. No Qatar, a corrida de elite correu, de facto, bastante mal. Não que se esperasse nada de fantástico, mas, apesar do percurso plano não assentar aos nossos ciclistas, havia sempre aquela esperança... Porém, este Mundiais tiveram um lado positivo para a selecção nacional: Portugal tem um conjunto de jovens de grande qualidade, que têm tudo para continuar a aumentar o número de portugueses em grandes equipas internacionais.

Nuno Bico foi claramente o grande destaque de Portugal. O jovem procura equipa para 2017 depois do anunciado fim da Klein Constantia, formação satélite da Etixx-QuickStep, e se alguém tinha dúvidas sobre a sua qualidade, certamente que ficaram dissipadas. O português foi uma das figuras da corrida de sub-23. Não só integrou a fuga, como muito trabalhou nela, mostrando também muita maturidade na forma como encarou a corrida. E se não fosse a falta de ajuda dos colegas de ocasião a partir de certo momento, apenas se pode imaginar o que poderia ter acontecido.

Apanhada a fuga, César Martingil e Ivo Oliveira também mostraram que podem lutar com os melhores. Acabaram prejudicados por serem apenas dois, não sendo fácil a colocação havendo selecções fortes com mais homens. Ainda assim, um 21º e um 27º são dois resultados de realce.

Quanto aos juniores, a corrida não foi fácil já que a fuga acabou por vingar. Porém, João Almeida vai comprovando ser um ciclista com uma margem de progressão muito interessante. Dominou a Volta a Portugal da sua categoria e no Qatar esteve bem no contra-relógio com o 26º lugar. Na prova em linha fechou com o pelotão. O seu colega da equipa da Bairrada, Daniel Viegas, também mostra ser um jovem com potencial. Pedro Teixeira estreou-se nestas andanças e foi mais discreto.

A juventude cumpriu. À elite nada correu bem. Nelson Oliveira não prometia um grande resultado no contra-relógio, visto o percurso não ser ao seu jeito, mas ainda assim ficou desiludido com o 20º lugar. Na prova em linha, José Gonçalves caiu, Nelson Oliveira e Sérgio Paulinho ficaram em grupos atrasados quando o pelotão se partiu e foram forçados a abandonar pela organização. No calor do Qatar e num percurso para sprinters... o melhor é começar a pensar em Bergen, na Noruega, os Mundiais de 2017.

14 de outubro de 2016

No calor do Qatar, os nórdicos ganham com a frieza do trabalho de equipa

(Fotografia: UCI Doha 2016/Pauline Ballet)
Mãos no rosto, abanar a cabeça... Jakob Egholm expressou de todas as formas a sua incredulidade por estar a cortar a meta em Doha no primeiro lugar. O dinamarquês, que apenas queria ajudar o seu colega sprinter a lutar pelo título em juniores, acabou por conseguir fugir com sucesso. Aos 18 anos, na sua curta carreira, Egholm apenas contava com uma vitória o que não admira que confessasse o quanto o título mundial é inesperado.

Depois de um norueguês conquistar o título de sub-23 - Kristoffer Halvorsen -, agora foi um dinamarquês em juniores. Dois países nórdicos, dois ciclistas mais habituados a outras temperaturas, do que o calor do Qatar. No entanto, o trabalho de equipa acabou por ser determinante nos dois casos. Se nos sub-23 o título foi resolvido ao sprint, nos juniores uma fuga contrariou as expectativas para estes Mundiais e foi dessa forma que se decidiu a vitória.

Com um grupo grande na frente e um pelotão sem se organizar na perseguição, a dez quilómetros do fim dois dinamarqueses tentaram ganhar alguma vantagem. O primeiro acabou por "estourar" depois de garantir uma boa distância para o grupo, deixando caminho aberto para Jakob Egholm que fez sete quilómetros de puro contra-relógio e só o francês Alexis Brunel ainda tentou alcançá-lo, mas nunca se conseguiu aproximar. O segundo e terceiro lugar acabaram por se resolver ao sprint, com mais um alemão a garantir uma medalha, Niklas Märkl, e o suíço Reto Muller a ficar com o bronze.

Os portugueses ficaram de fora da discussão de uma boa classificação, visto que nenhum conseguiu integrar o grupo da fuga. João Almeida foi o melhor (55º), seguido por Daniel Viegas (56º). Ambos chegaram integrados no pelotão a 1:45 minutos do vencedor. Pedro Teixeira cortou a meta pouco depois, na 89ª posição, a 2:06 minutos.

“Sabia que estavam lá os melhores e, por isso, tentei saltar para a fuga. Estive lá perto, mas não consegui chegar à frente. Acabo a minha passagem pelos juniores tranquilo, porque deixei tudo na estrada", afirmou João Almeida, citado pelo site da Federação Portuguesa de Ciclismo. Já Pedro Teixeira, que fez a sua estreia em Mundiais,  sofreu com o calor: "Foi uma estreia muito dura. Não esperava que as duas primeiras voltas fossem tão exigentes. Nessa altura bati os meus recordes de pulso. Senti muito o calor, tal como muitos ciclistas. Viam-se alguns aos ziguezagues, devido ao desgaste e à desidratação."


Antes dos rapazes, as raparigas também disputaram o título deste escalão, com a vitória a ficar para a italiana Elisa Balsamo. Skylar Schneider (EUA) e Susanne Andersen (Dinamarca) fecharam o pódio. Veja aqui os resultados completos.

Marianne Vos em busca do quarto título mundial

Este sábado as senhoras discutem o título mundial de elite, com a holandesa Marianne Vos a apresentar-se como principal candidata a reconquistar a camisola do arco-íris, depois de a ter vencido em 2006, 2012 e 2013. A ciclista soma ainda cinco segundos lugares aos 29 anos. Se vencer, Vos iguala a belga Yvonne Reynders e fica a uma vitória do recorde da francesa Jeannie Longo.

A forma da campeã em título, Lizzie Deignan (Armitstead), é uma incógnita. A britânica tem estado sob suspeita de doping depois de ter falhado três controlos, mas ganhou um apelo que lhe permitiu competir nos Jogos Olímpicos, onde foi quinta e as críticas têm sido muitas. A australiana Chloe Hosking é também uma forte candidata à vitória.

A competição de 134,5 quilómetros começa às 12:45 locais (menos duas horas em Portugal Continental). A temperatura deverá rondar os 36 graus e há previsão que o vento pode atingir os 21 quilómetros/hora.

11 de outubro de 2016

Superou uma meningite que a deixou em coma, um cancro na pele, fracturas de stress e ainda uma acusação de doping. Aos 41 anos voltou a ser campeã do mundo

(Fotografia: Facebook UCI Doha 2016)
Aos 41 anos Amber Neben voltou ao topo do ciclismo depois do desgosto de ter ficado de fora dos Jogos Olímpicos. Porém, a americana tem uma história de vida que vai muito além da desilusão de não ter competido no Rio de Janeiro. Não surpreende que apesar de ter planos para continuar em 2017 a participar em algumas corridas, queira começar a preparar o futuro e esse passe por ajudar os mais jovens a superar as adversidades que a vida pode trazer.

Foram duas horas sentada naquela cadeira do meio que é suposto ser sinal de glória, mas que para Neben tornou-se sinal de ansiedade. "O meu coração estava a saltar batimentos", confessou. A longa espera piorou quando as principais candidatas se fizeram à estrada, mas uma após outra cortou a meta sem conseguir bater o tempo da americana. A holandesa Ellen van Dijk e a australiana Katrin Garfoot assustaram, mas foram cinco e oito segundos a separar as ciclistas do tempo de Neben, que completou os 28,9 quilómetros em 36:37 minutos.

Este é o segundo título mundial de contra-relógio para Amber Neben. Em 2008 sagrou-se campeã um ano depois de ter combatido com sucesso um melanoma. Porém, a história de superação começou aos quatro anos quando uma meningite a deixou em risco de vida. Esteve em coma e os médicos previam que pudesse ficar com danos cerebrais. Neben tornar-se-ia uma atleta. Jogou futebol, mas enveredou pelo atletismo, que lhe valeu uma bolsa de estudo na Universidade de Nebraska. No entanto, mas uma vez teria de lutar contra problemas de saúde. Fracturas de stress obrigaram-na a abandonar o atletismo e ao terminar a universidade virou-se para o ciclismo.

Começou no BTT, mas era claramente na estrada que podia explorar todo o seu potencial como atleta. Em 2003 foi campeã nacional e na sua carreira soma várias vitórias principalmente em provas de um dia. Mas precisamente nesse ano, Neben enfrentou uma acusação de doping. Alegou que a ingestão tinha sido feita através de suplementos alimentares e a decisão final acabou por determinar que Neben não se dopou intencionalmente, tendo cumprido, ainda assim, seis meses de suspensão e durante 18 foi regularmente testada.

Amber Neben já vai pensando no final da carreira e o título mundial não estava bem nos seus planos, pois o percurso plano não era muito ao seu jeito. Contudo, mais uma vez, Neben ultrapassou as expectativas e tem a camisola do arco-íris novamente vestida.

Em 2017 não a vamos ver muito na estrada. Neben diz que estará apenas em alguns eventos, em algumas corridas mais importantes. "Gostava também de começar a minha equipa nos EUA, fazer uma parceria com a minha equipa UCI e assim ajudar jovens ciclistas e também falar sobre alguns assuntos a alunos das escolas secundárias, como a depressão ou distúrbios alimentares. Gostaria de conseguir encorajar jovens a estabelecer objectivos, a serem perseverantes e a trabalhar arduamente." Em suma, Neben quer agora colocar a sua experiência pessoal ao serviço das novas gerações.


João Almeida o melhor dos portugueses

(Fotografia: Twitter UCI Doha 2016)
O dia começou com o contra-relógio de juniores masculinos (28,9 quilómetros). Brandon McNulty (EUA) sagrou-se campeão do mundo com o tempo de 34:42 minutos. A 35 segundos ficou o dinamarquês Mikkel Bjerg e a 53 o também americano Ian Garrison. Dos portugueses, foi João Almeida quem alcançou o melhor resultado, numa manhã de muito calor que não facilitou em nada a performance dos ciclistas. João Almeida foi 26º a 2:57 minutos do vencedor, enquanto Daniel Viegas foi 45º a 3:54.

Esta quarta-feira é dia de novo contra-relógio, com a elite masculina a fazer-se à estrada. A prova começa às 13.30 locais (menos duas horas em Portugal Continental) e terá transmissão na RTP2. As atenções centram-se em Nelson Oliveira, que apesar de não ter um percurso que assente às suas características, irá tentar somar mais um bom resultado, depois do sétimo lugar nos Jogos Olímpicos e o quarto nos Europeus.

Além do calor - 38 graus de temperatura máxima - o vento poderá também ser um problema para os 40 quilómetros da distância.

10 de outubro de 2016

O sonho do World Tour de Daniel Viegas e João Almeida pode muito bem começar no Qatar

Um voltista e um classicista. Daniel Viegas e João Almeida sonham alto, sem no entanto deixarem-se levar por uma ambição desmedida. Sabem o que querem e sabem o quanto terão de trabalhar para concretizar os objectivos. Daniel quer um dia estar na Volta a França. Já João prefere as clássicas e quer enfrentar o inferno do norte do Paris-Roubaix. Daniel quer também tornar-se num contra-relogista e talvez seguir os passos de Nelson Oliveira.

Esta terça-feira, os juniores portugueses (ambos com 18 anos) partem para o contra-relógio nos Mundiais do Qatar, tendo também agendada a presença na prova de fundo, na sexta-feira, na companhia de Pedro Teixeira. Os dois ciclistas do Clube de Ciclismo da Bairrada são repetentes nestas andanças dos Mundiais, pelo que não deixam transparecer grande nervosismo ou ansiedade. É mais entusiasmo que sentem por voltarem a estar num palco que sabem poder ser importante para os seus futuros.

O objectivo é tentar melhorar os resultados de há um ano. "Esta ano evolui bastante. Sinto-me melhor e com maior capacidade. O percurso [da prova de fundo] não é bom para mim, é sempre a rolar, mas nunca se sabe. É um campeonato do mundo e a sorte também tem a sua influência", referiu Daniel Viegas ao Volta ao Ciclismo. Já João Almeida - que venceu a Volta a Portugal do seu escalão - afirmou que o percurso é melhor para ele, contudo, admitiu que nunca competiu num como o de Doha: "Não estou habituado, será uma nova experiência."

João explicou como será enfrentada a corrida de 135,5 quilómetros: "Primeiro vamos tentar chegar integrados no pelotão. Depois vamos tentar o melhor lugar possível no sprint, que é provavelmente como irá terminar." Acrescentou que  estão "mais ou menos habituados ao ritmo" deste tipo de provas, ainda mais tendo este ano competido em algumas competições no estrangeiro pela equipa e também em duas pela selecção.


O calor é, naturalmente, uma preocupação, mas João Almeida rapidamente dispara: "Sou do Algarve. Estou mais habituado do que a maior parte dos ciclistas." Porém, realçou que em Doha é muito diferente. "O país é outro, as pessoas são outras, as comidas são diferentes. Mas há países que têm alguma desvantagem, pois têm frio o ano todo!"

Mesmo estando ainda no escalão de juniores, ambos têm consciência que a participação em Mundiais poderá ser relevante para o futuro na modalidade. "Somos novos, mas é agora que se faz a diferença e um bom resultado pode definir muito a nossa carreira", salientou Daniel Viegas, que assegurou que "irá lutar" para chegar ao pelotão do World Tour. "É preciso muito trabalho e também muita sorte para encaixar nesse pelotão. Se calhar há um milhão de ciclistas e só lá estão 200 ou 300", acrescentou João Almeida.

Para já é o momento de se mostrarem em mais um Mundial para depois continuarem a trabalhar e tentar confirmar as expectativas de serem mais dois jovens talentos a emergir no ciclismo nacional.

»»Nelson Oliveira: "Vou dar o meu máximo para obter um bom resultado, mas não quero dar esperanças aos portugueses de um top dez ou um top cinco"««

14 de setembro de 2016

Vento não ajudou, mas foi um bom primeiro dia dos portugueses nos Europeus

Ivo Oliveira estreou-se nos Europeus com o 24º tempo nos sub-23
(Fotografia: Facebook Federação Portuguesa de Ciclismo)
Ivo Oliveira, João Almeida e Daniel Viegas foram os primeiros portugueses em acção nos Europeus de ciclismo. Os três tiveram prestações positivas no dia antes de Nelson Oliveira fazer-se à estrada, naquele que será o primeiro contra-relógio de elite destes campeonatos. Mas o destaque desta quarta-feira vai para os dois juniores que cumpriram o objectivo de melhorar as prestações de há um ano... e que grande melhoria.

João Almeida cumpriu os 25 quilómetros do percurso em Plumelec, França, em 37:55 minutos, mais 1:57 do que o vencedor, o francês Alexys Brunel. A 18ª posição significa uma melhoria de 20 posições, comparativamente com 2015. Já Daniel Viegas foi 25º, uma subida de 33 lugares, ao completar a distância a 2:22 minutos de Brunel. Ambos queixaram-se do vento forte que os prejudicou, principalmente na parte mais plana do contra-relógio.

O pódio de juniores ficou completo com o suíço Marc Hirschi (mais 10 segundos que o vencedor) e o norueguês Iver Knotten (mais 11 segundos).

Nos sub-23, a estreia de Ivo Oliveira resultou num 24º lugar com o tempo 36:31 minutos, mais 2:32 minutos que o campeão da Europa, o alemão Lennard Kamna. "Dei o meu melhor na minha estreia em europeus de sub-23. O vento estava tão forte que eu, com 70 quilos, cheguei a ziguezaguear em cima da bicicleta com as rajadas”, explicou Ivo Oliveira, citado no site da Federação Portuguesa de Ciclismo. No pódio ficaram ainda o italiano Filippo Ganna (mais 29 segundos que Kamna) e o francês Remi Cavagna (mais 34 segundos).

Neste primeiro dia realizou-se ainda a prova de juniores femininas, que não contou com representação portuguesa. A campeã da Europa é a italiana Lisa Morzenti, que completou o percurso de 12,7 quilómetros em 19:02 minutos, com a compatriota Alessia Vigilia a ficar a 14 segundos. A francesa Juliette Labous fechou o pódio, com mais 22 segundos que Morzenti.

O país anfitrião conseguiu assim ter um representante no pódio em todas as competições desta quarta-feira.

Para esta quinta-feira estão marcadas as provas de sub-23 e elite femininas e a de elite masculina, que contará então com a presença de Nelson Oliveira. De recordar, que o ciclista é o campeão nacional da especialidade, título conquistado em quatro ocasiões. Foi sétimo nos Jogos Olímpicos e dos oito primeiros - que recebem o diploma - sete eram europeus e só Jonathan Castroviejo estará presente. O espanhol foi quarto classificado e é colega de equipa do português na Movistar.