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8 de março de 2019

Strade Bianche brilha por direito próprio

(Fotografia. Facebook Strade Bianche)
Pequeno intervalo nas clássicas do norte, do pavé. Faz-se a viagem até ao sul da Europa, para a espantosa paisagem da Toscana. Chamam-lhe o sexto monumento, mas é apenas uma designação oficiosa. A Strade Bianche conquistou os grandes nomes do ciclismo e as principais equipas do pelotão praticamente desde a sua primeira edição. A ascensão foi rápida. É diferente, é desafiadora, é espectacular. Tem a intensidade que faz parte da génese de qualquer monumento, contudo, é ainda jovem - vai para a 13ª edição -, pelo que terá de esperar para talvez um dia ser oficialmente o sexto monumento. Mas será que precisa de ser oficial?

O pavé há muito que faz parte do ciclismo. São percursos centenários, históricos. E são o terror de muitos voltistas, que se preparam ao máximo quando uma etapa destas surge na Volta ao França, quase com tanta preocupação como se de uma alta montanha se tratasse. No entanto, o pavé faz as delícias de outros grandes ciclistas e que o digam os ex-corredores como Peter Sagan e Greg van Avermaet. Já a terra batida foi saindo dos percursos, à medida que as estradas foram sendo alcatroadas, oferecendo melhores condições ao ciclismo. Mas a Strade Bianche prima por isso mesmo: os sectores de terra batida, ou de sterrato, palavra que acaba por fazer parte do léxico do ciclismo e que não assusta tanto ciclistas que têm as grandes voltas como principal objectivo.

Apesar desta referência ao pavé, não se compare a Strade Bianche a um Paris-Roubaix ou uma Volta a Flandres. Fabian Cancellara salientou precisamente isso numa entrevista à Gazzetta dello Sport e o suíço, já retirado, sabe melhor do que ninguém do que fala, pois ganhou três vezes em Itália. Sim, a Strade Bianche tem algumas rampas cuja dificuldade fazem lembrar a Flandres. É definida pelos sectores de sterrato, como as outras duas provas são definidas pelos sectores de pavé. Porém, tem a capacidade de atrair vários tipos de ciclistas e tem uma identidade própria e sem comparação. Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) é um defensor que a corrida italiana seja considerada o sexto monumento. Romain Bardet (AG2R) fez segundo há um ano. Michal Kwiatkowski (Sky) já a ganhou duas vezes.

Nenhum vai estar presente neste sábado nos 184 quilómetros que têm Siena como ponto de partida e chegada. Mas haverá Geraint Thomas (Sky), Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), Rafal Majka (Bora-Hansgrohe), Julian Alaphilippe (Decenuninck-QuickStep) e Bauke Mollema (Trek-Segafredo), por exemplo. Até Rui Costa (UAE Team Emirates) trocou este ano o Paris-Nice pelo sterrato da Strade Bianche. Thomas e Nibali nem surpreendem muito. O galês até começou a carreira a prometer ser um forte homem de clássicas e o italiano tem a capacidade para se adaptar a todo o tipo de terreno e adora um bom desafio.

O percurso abre a possibilidade de vários tipos de ciclistas vencerem, mas o destaque vai para nomes como Greg van Avermaet (CCC), Zdenek Stybar (Deceuninck-QuickStep e vencedor em 2015) e Wout van Aert (Jumbo-Visma, fez terceiro há um ano). E claro Tiesj Benoot. Uma das provas que esta é uma corrida que vários ciclistas adoram é o facto de o belga ter feito tudo o que era possível para estar presente, depois de há uma semana ter sofrido uma queda feia na Omloop Het Nieuwsblad, que o obrigou a visitar o hospital. Temeu-se que o vencedor de 2018 não estaria presente em Itália, mas o ciclista da Lotto Soudal quer mesmo estar na luta por um segundo triunfo.

Benoot realçou que há quem subestime a Strade Bianche. Provavelmente quem o faz arrepende-se ao fim de poucos quilómetros! Mas muitos até ficam fãs. Já Wout van Aert recordou como, depois de uma grande corrida, quebrou na rampa final. As cãibras até o fizeram sair da bicicleta e fazer uns poucos metros a pé. Ainda assim foi terceiro. A Strade Bianche é uma corrida que quebra o mais forte e especialista dos ciclistas e Peter Sagan também o sabe. Tem dois segundos lugares que revelam como um grande favorito pode ser quebrado naquela chegada. O eslovaco é outra das ausências, mas que não se tema, haverá espectáculo.


Chegar aos metros finais na discussão da vitória é uma batalha contra os rivais, contra um percurso que elimina quem mostra fraqueza e proibida que se tenha azares, contra si próprio, pois a Strade Bianche exige muito a nível físico e a nível. Se a subida final é um enorme teste, há muitos antes para passar.

"Porque é tão especial? As estradas de terra batida, a paisagem da Toscana, a magia de Siena, os caminhos ondulantes, a tradição..." Quem o diz é Fabian Cancellara. Como venceu três edições (2008, 2012 e 2016) teve direito a dar o seu nome a um sector de sterrato, o único até ao momento com essa distinção e não será este ano que haverá mais alguém, já que só Kwiatkowski está a um triunfo dos três, mas não estará presente.

E há uma boa notícia para os ciclistas: a meteorologia será bem simpática, comparativamente com 2018. Chuva, frio, lama... Benoot conquistou uma daquelas vitórias épicas, mas Greg van Avermaet não se importa nada de dizer que prefere que o sol brilhe e "só" ter de lidar com o pó.

Será a 13ª edição, apenas a terceira como corrida do World Tour, mas é uma corrida digna de monumento. Não, não precisa ser oficial. Só ficará bem se o chegar a ser, mas a Strade Bianche ganhou um estatuto em tão pouco tempo, que dificilmente outra corrida mais recente conseguirá. "Por favor, vamos parar de fazer comparações com Flandres e Roubaix. As estradas de terra batida branca brilham por direito próprio." Diz Cancellara e este sábado vai-se mais uma vez perceber que tem toda a razão.

Lista de inscritos, via Procycling Stats. Além de Rui Costa, também os portugueses Nelson Oliveira (Movistar) e Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin) irão competir neste sábado.


4 de dezembro de 2018

Última Ceia na versão ciclismo

(Imagem: © David Law/Hommage au Vélo)
Estamos naquela fase do ano em que há um autêntico bombardeamento de sugestões de prendas de Natal para os amantes de ciclismo. Equipamentos, sapatos, ciclocomputadores, ou algo diferente como uma almofada a dizer Tour de Sofá! Não é fácil encontrar-se algo original, mas quando se vê uma Última Ceia com Peter Sagan no lugar de Jesus Cristo e um Lance Armstrong no de Judas, com outros grandes nomes da modalidade a ocuparem os lugares dos restantes apóstolos, é algo que dificilmente poderia passar despercebido.

A primeira coisa que se pensa é que o ciclismo é como uma religião para muitos e esse foi precisamente um dos aspectos em que se inspirou o autor, David Law, dono da Hommage au Vélo. "[Escolhi] a Última Ceia porque queria misturar a religião com o ciclismo. Muitas pessoas vêem o ciclismo como algo quase religioso, uma experiência religiosa quando anda de bicicleta, e os fãs olham para os seus heróis do desporto como deuses. Por isso, eu quis um quadro muito famoso para ser interpretado com ciclistas", explicou ao Volta ao Ciclismo.

A escolha recaiu na obra de Leonardo da Vinci e a selecção dos corredores não foi nada ao acaso. São alguns dos grandes nomes dos últimos 20 anos e que marcaram David Law. Para o autor, no lugar de Jesus Cristo só podia estar representado Peter Sagan, por este ser um ícone moderno. O eslovaco está vestido com a camisola de campeão do mundo, que envergou durante os últimos três anos. De um lado estão os voltistas, do outro os sprinters e os homens das clássicas, que fazem então a vez dos apóstolos.

Começa-se com Vincenzo Nibali na ponta, seguindo-se Alberto Contador e Chris Froome a medir forças, como tantas vezes o fizeram na estrada até à retirada do espanhol no ano passado. Depois vem Lance Armstrong, sentado no lugar que na versão original pertence a Judas. Não são necessárias mais explicações quanto a esta escolha! Ao seu lado estão os seus rivais de então, Jan Ullrich e Marco Pantani.

Do outro lado da mesa, vê-se Mario Cipollini a ver uma Playboy. Segue-se Mark Cavendish com o equipamento da HTC, equipa na qual viveu a melhor fase da sua carreira. Fabian Cancellara está a ler um guia de engenharia mecânica, numa alusão às suspeitas que recorreu a um motor na bicicleta para ganhar a Volta a Flandres em 2010. David Law considera que ninguém pode acreditar que tal foi verdade, sendo apenas uma piada a quem teima em reavivar essas suspeitas.

Bradley Wiggins fica do lado dos homens das clássicas e não dos voltistas, apesar de ter ganho o Tour. Como para Law não é segredo que o britânico teria optado por este tipo de corridas se tivesse tido essa escolha, então o seu lugar é naquele lado da mesa a olhar para um dos maiores especialistas: Tom Boonen. O belga aparece com o equipamento de campeão nacional, numa animada celebração porque afinal sempre gostou de um bom champanhe. A fechar está mais uma lenda belga do pavé: Johan Museeuw.

Mais um pormenor é o cenário. As bicicletas, as camisolas, mas, olhando pelas janelas, é o Mont Ventoux o local representado. "É simplesmente a subida mais famosa na Volta a França. Queria situar a ceia num local que fosse icónico para o ciclismo e penso que o Mont Ventoux é esse sítio", explicou.

A pintura está à venda no site da Hommage au Vélo (que pode ver neste link). Pode-se escolher com moldura ou sem moldura e nos tamanhos 30x60 cm ou 50x100. O preço varia entre as 75 e as 250 libras (cerca de 84 e 280 euros).


29 de janeiro de 2018

Gaimon e Cancellara vão resolver "diferendo" na estrada

Desafio aceite! Phil Gaimon aceitou a proposta de Fabian Cancellara de se defrontarem numa das corridas que o suíço organiza, desde que deixou o profissionalismo em 2016. É caso para dizer que os dois antigos corredores vão resolver na estrada um "diferendo" que começou em Novembro quando o americano publicou um livro, no qual relançava as insinuações que Cancellara teria recorrido a um motor na sua bicicleta para ganhar a Volta a Flandres, em 2010. O suíço colocou os seus advogados em acção para que o livro deixasse de ser vendido, exigindo ainda um pedido de desculpas. Porém, das palavras vai-se passar... aos pedais. Só falta saber onde e quando.

"Vamos ver quantos watts o Gaimon ainda tem. Eu tenho uns bons números, mesmo que não por muito tempo já que não estou em forma. Ele deveria vir a uma das minhas corridas. Há nove para escolher, para ver o quanto ele é bom", afirmou Fabian Cancellara em recentes declarações à Gazzetta dello Sport. Logo em Novembro, no auge, digamos, da polémica, Cancellara (36 anos) havia deixado uma mensagem no Twitter a incitar Gaimon a aparecer numa das suas corridas.

O americano, de 32 anos, lá cedeu. "Nunca era o meu objectivo, mas está bem. Eu deixo-te para trás na tua própria corrida. No entanto, tenho algumas condições. O meu pessoal vai falar com o teu", escreveu Phil Gaimon no Twitter. Entre as tais condições estará a possibilidade de ser o americano a escolher qual a prova em que quer participar.

O Chasing Cancellara decorre maioritariamente na Europa, mas tem uma passagem por Abu Dhabi, a 20 de Março, no circuito Yas Marina, que tem recebido a última etapa da Volta a Abu Dhabi (já agora, que Rui Costa ganhou no ano passado). Mas essa não deverá interessar a Phil Gaimon, que é provável que procure terreno mais montanhoso. As duas corridas que têm os Alpes como cenário serão mais atractivas. A 24 de Junho decorre a Disentis-Andermatt e a 19 de Agosto realiza-se uma das mais exigentes deste calendário: Aigle a Villars-sur-Ollon, com passagens nos Col des Mosses, Col du Pillon, Col de la Croix, com um desnível acima dos 2700 metros em pouco mais de 80 quilómetros.

Ambos os ciclistas terminaram a carreira em 2016. Fabian Cancellara mantém-se ligado ao desporto, também numa vertente de empresário e até experimentou o triatlo. Entretanto esteve na universidade. Phil Gaimon, muito menos mediático, escreveu um livro que acabou por lhe trazer bastante atenção, intitulado Draft Animals: Living the Pro Cycling Dream (Once in a While).

"Quando se vêem as imagens, as acelerações dele não são nada naturais. É como se tivesse problemas em manter os pés nos pedais. Aquele cabrão provavelmente tinha um motor." Esta foi a frase que originou toda a polémica, com Gaimon a defender-se, dizendo que foi tirada do contexto e que não estava a alegar nada de novo. As suspeitas de Cancellara utilizar um motor na sua bicicleta já existem desde a tal Volta a Flandres em 2010, mas o livro de Gaimon reacendeu o interesse que até levou o novo presidente da UCI, David Lappartient, a querer que o caso fosse investigado. Numa nota à parte, em Março deverão ser anunciadas novas medidas de fiscalização das bicicletas para descobrir eventuais motores.

Quanto ao frente-a-frente entre Gaimon e Cancellara é esperar por novidades, mas não deixa de ser um ponto de interesse extra-ciclismo profissional! De referir que as corridas do Chasing Cancellara estão abertas ao público em geral e a primeira está marcada para 9 de Março, em Maiorca. Pode ver mais informações no site oficial.

»»A nova vida de um Cancellara universitário, triatleta e empresário««

»»Uma frase num livro e o alegado motor de Cancellara volta a ser assunto do dia««

»»Cancellara quer que livro deixe de ser vendido e exige pedido de desculpas««

14 de novembro de 2017

Cancellara quer que livro deixe de ser vendido e exige pedido de desculpas

(Fotografia: Edward Madden/Flickr)
Acabou-se o silêncio. Fabian Cancellara passou ao ataque, ainda que sem dar a cara. Através dos seus advogados e empresário, o suíço reagiu às declarações expressas num livro de Phil Gaimon, antigo ciclista que, tal como Cancellara, terminou a carreira há um ano. O americano voltou a levantar suspeitas sobre a utilização de um motor na bicicleta na Volta a Flandres e Paris-Roubaix em 2010, por parte do Spartacus, como era conhecido. A frase reavivou antigos rumores e até o novo presidente da UCI, David Lappartient quer que o caso seja investigado. Depois de uns dias sem qualquer reacção do visado, Cancellara faz agora as suas exigências.

O empresário do ex-ciclista, Armin Meier, afirmou ao jornal belga Het Nieuwsblad: "Os nossos advogados exigem à editora americana Penguin Random House que a venda do livro seja cessada imediatamente e que o escritor, Phil Gaimon, pela desculpa." O antigo ciclista da Cannondale-Drapac acabou por divulgar um comunicado, mas não com as desculpa exigidas por Cancellara.

"Não esperava que isto fosse tirado do contexto e transformado num deslizamento de terras. Peço desculpa a quem perdeu tempo e energia com isto. Não era assim que eu queria vender livros e não compensa a dor de cabeça", lê-se no texto de Gaimon. De recordar que em causa está a passagem do livro Draft Animals: Living the Pro Cycling Dream (Once in a While) em que o americano recorda os dois monumentos de 2010: "Quando se vêem as imagens, as acelerações dele não são nada naturais. É como se tivesse problemas em manter os pés nos pedais. Aquele cabrão provavelmente tinha um motor."

Os rumores não são novos, mas o livro reacendeu uma antiga discussão. Porém, Gaimon realçou que não faz qualquer acusação, apenas fala sobre o eterna suspeita de Cancellara ter um motor na bicicleta: "Eu repeti um rumor que está bem documentado e tem muitos anos. Mantenho a minha opinião, mas é só isso e se alguém abriu de facto o livro, saberia que o que disse foi longe de ser uma acusação."

Gaimon explicou que o livro pretende demonstrar uma imagem do desporto, mas disse que se alguém estiver à espera que ele seja um dos que denuncia tudo, então ficarão desiludidos. "Não refiro nenhum escândalo que não se tenha ouvido antes e provavelmente demonstro empatia para com alguns dopados que vocês querem que eu odeie. Suponho que esse tipo de leitor ficará desapontado", escreveu no comunicado. O americano, de 31 anos, refere-se ao facto de ser amigo e de defender Tom Danielson, ciclista que em 2015 acusou positivo de uma substância anabolizante e foi suspenso por quatro anos, optando por terminar a carreira.

"A história que quero contar é sobre o que significa seguir um sonho (...). É a minha verdade (...) e despendi muito tempo e emoção sobre ela, mas as minhas opiniões nem sempre são populares e eu percebo que algumas pessoas ficarão zangadas. Espero que alguns de vocês leiam para lá do barulho e desfrutem", afirmou Gaimon.

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16 de outubro de 2017

A nova vida de um Cancellara universitário, triatleta e empresário

(Fotografia: Facebook Fabian Cancellara)
Terminou a carreira há um ano. Em 2018, aqui e ali, sentiu-se alguma falta deste grande ciclista de clássicas e não só. A Trek-Segafredo então, nem se fala! Fabian Cancellara não se arrependeu da decisão de retirar-se e salienta como nem sequer pensou em prolongar a carreira mais um ano, ou pelo menos até à fase das clássicas, apesar da época de despedida não ter sido como desejava. Foi para a universidade, está a tornar-se num triatleta (ainda não queira ser profissional), abraçou ainda o desafio empresarial com duas entidades dedicadas à organização de eventos, uma delas a Chasing Cancellara, na qual é possível competir ao lado do suíço.

É uma vida nova aos 36 anos, que está a entusiasmar e muito Fabian Cancellara. "Não sinto nada a falta de competir. Nem quero ganhar as provas amadoras em que participo. Isso acabou. Muitas vezes podes estar contente com menos. Essa pode ser a diferença para se ser feliz. Além disso, falta-me tempo para praticar desporto", salientou o suíço numa entrevista ao El Mundo e ao Expansion. E tem sido um ano bem preenchido. Nas duas empresas em que está envolvido, Cancellara explicou que não se limita a dar a sua imagem. Além de ter entrado com capital, também participa activamente na organização dos eventos, mas claro que vai participando em alguns.

O ciclismo não deixa de ser uma paixão, contudo, não pensa regressar para dirigir uma equipa: "Não queria ser um director desportivo de uma formação, nem treinador de atletas. Esse não é o Fabian que gosto. Prefiro dedicar-me a gestão de eventos desportivos, passo a passo e começando do zero. Acabo de terminar os meus estudos e consegui a certificação como gestor desportivo na Universidade de St Gallen, na Suíça. Não foi fácil ir para a universidade, mas estou contente por o ter feito." Cancellara até teve como colegas universitários dois antigos jogadores de futebol, o suíço Mario Eggimann e o romeno Ciprian Marica. Quando anunciou que iria retirar-se, muito se falou de um possível cargo na Trek-Segafredo. A ligação acabou por se manter, principalmente à marca americana de bicicletas, mas muito longe de funções directivas.

Fabian Cancellara diz ser um "ultraperfeccionista", algo importante também durante a sua carreira. "Se assim não fosse, não poderia ter sido um bom contra-relogista. O detalhe é a diferença entre ganhar e não ganhar." Agora aplica uma parte da sua capacidade de atleta no triatlo. Nem quer pensar no profissionalismo, pois já chega de sacrifícios de um atleta de alta competição. "O triatlo é duro. Mas quando dás tudo, sentes-te mais forte, sobretudo mentalmente. O meu ponto mais fraco é a natação, mas na bicicleta é como um descanso antes de correr. Porém, já não compito como profissional, para ganhar provas", realçou.

Perguntaram-lhe o que era dinheiro para ele. Cancellara foi peremptório: "No final do dia, o dinheiro não te faz feliz. São outras coisas. Obviamente que precisas dele para chegar ao fim do mês. A vida não é só dinheiro. Também há que dar valor à saúde, amigos verdadeiros e, claro, à família." O suíço alertou aqueles que agora apostam numa carreira de atleta profissional: "Se competes por dinheiro, não obténs resultados. Na minha carreira, no momento de assinar por uma equipa, olhava sempre para os aspectos desportivos. Onde estava bem, onde podia ter uma boa equipa, o dinheiro nunca foi motivação, como no futebol. Não é possível no ciclismo. O dinheiro dá-te felicidade? Pode dar durante um ou dois meses. Mas depois, não."

Cancellara não conseguiu deixar o ciclismo com uma inédita quarta vitória na Volta a Flandres, não conseguiu juntar uma maglia rosa do Giro à sua colecção de camisolas da liderança nas grandes voltas, mas saiu como campeão olímpico de contra-relógio, título que já havia conquistado em 2008. 75 vitórias como profissional, entre elas quatro títulos mundiais no esforço individual. Não há volta a dar, Cancellara há-de deixar saudades por muito tempo. Ele e Tom Boonen, que também já está numa vida pós-ciclismo. Que grandes duelos proporcionaram!


4 de maio de 2017

Acha que pode derrotar Cancellara? Então aqui está a oportunidade perfeita

(Fotografia: Facebook Fabian Cancellara)
Já se imaginou a pedalar lado a lado de Fabian Cancellara? Pois o ciclista suíço, que se retirou no final de 2016, está a dar a oportunidade a quem quiser tentar derrotá-lo numa corrida. Conhece alguém que diz que consegue bater os melhores? Então que tal desafiar essa pessoa a demonstrá-lo?!

Fabian Cancellara revelou o desafio nas redes sociais e haverá três oportunidades. Num vídeo (em baixo), o suíço diz que apesar de ter deixado de correr com os profissionais, não significa que tenha deixado de correr. Então a questão é: como está Spartacus após a "reforma"? O primeiro desafio é já a 25 de Junho em Andermatt, seguindo-se Aigle-Villars a 10 de Setembro e Lugano a 23 desse mesmo mês. Todos os locais são na Suíça e as corridas vão decorrer em estradas fechadas. Os preços variam entre 79 francos suíços (cerca de 73 euros) e 119 (cerca de 110 euros), sendo que este último pacote inclui uma camisola especial. Está ainda disponível a experiência VIP que permitirá conviver mais tempo com Cancellara, com direito a um passeio de bicicleta entre 50 a 100 quilómetros, um jantar, além da corrida. No entanto, não tem preço especificado, sendo necessário pedir informações.
Quem bater Cancellara (36 anos) terá direito a um prémio, mas principalmente terá a possibilidade de dizer que foi mais forte que um ciclista que venceu três Voltas a Flandres e três Paris-Roubaix, foi quatro vezes campeão do mundo de contra-relógio e duas vezes campeão olímpico da especialidade, tem sete etapas na Volta a França, uma Milano-Sanremo... O suíço retirou-se há poucos meses e a julgar pelas imagens mantém bem a boa forma, pelo que se alguém o vencer, será um feito memorável.

Para quem estiver interessado, pode inscrever-se e ver mais informações neste link do site oficial do desafio Chasing Cancellara. Porém, a inscrição pode não ser garantida. Os primeiros cem têm entrada certa, enquanto os restantes serão sorteados. Ao todo serão 333 a tentar bater o Spartacus do ciclismo. Boa sorte!

»»Houve festa de despedida, mas o adeus de "Spartacus" ainda não parece real... #ciaofabian««

3 de março de 2017

Strade Bianche, um oficioso sexto monumento

(Fotografia: Facebook Strade Bianche)
Em dez anos de história a Strade Bianche tornou-se numa corrida obrigatória para os homens das clássicas. Só este ano entrou para a categoria World Tour, mas há muito que os melhores ciclistas e as melhores equipas colocam a corrida italiana nos seus calendários. Em 2016, Fabian Cancellara venceu pela terceira vez, o que fez a organização dar o seu nome a um dos sectores de sterrato (caminhos de terra). A Strade Bianche foi mesmo a última clássica que o suíço venceu e este ano os grandes nomes estarão presentes para prosseguir um legado que ainda é pequeno comparando com outras clássicas, mas que na opinião do director desportivo da Cannondale-Drapac, Fabrizio Guidi, tem tudo para transformar a corrida da Toscana em um dos monumentos do ciclismo e assim juntar-se à Milano-Sanremo, Volta a Flandres, Paris-Roubaix, Liège-Bastogne-Liège e Lombardia.

A Strade Bianche é a primeira das novas corridas do calendário World Tour a contar com todas as equipas do principal escalão. Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) e Greg van Avermaet (BMC) partem como favoritos - como tem sido habitual nos últimos dois anos em muitas clássicas -, mas o pelotão contará ainda com Jan Bakelants (AG2R), Tiesj Benoot (Lotto Soudal), Diego Rosa (Sky), Edvald Boasson Hagen (Dimension Data), Fabio Felline (Trek-Segafredo) e também os vencedores de 2013, 2014 e 2015: Moreno Moser (Astana), Michal Kwiatkowski (Sky) e Zdenek Stybar (Quick-Step Floors). E já agora, Peter Sagan conta com dois segundos lugares!

Além destes principais candidatos, Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), Fabio Aru (Astana), Rigoberto Uran (Cannondale-Drapac), Thibaut Pinot (FDJ) e Roman Kreuziger (Orica-Scott) dão ainda mais classe a este pelotão que terá três portugueses. A principal curiosidade é Nuno Bico. O jovem ciclista da Movistar tem uma preferência por corridas de um dia e a equipa espanhola está a oferecer as oportunidades que Nuno Bico deseja. Sem pressão para alcançar desde logo bons resultados, ainda assim é uma corrida que o português terá a possibilidade de aprender a lidar com os melhores do mundo.

Depois temos José Gonçalves. A fazer a estreia no World Tour pela Katusha-Alpecin, esta é uma prova em que o ciclista poderá ter alguma liberdade para se mostrar. Tendo em conta que gosta de "jogar" ao ataque e sendo uma corrida que normalmente fica marcada precisamente por esse tipo de corredores, a ver vamos se será o momento em que vemos o José Gonçalves que bem se conhece dos tempos da Caja Rural.

Quanto a Tiago Machado, também da Katusha-Alpecin, o português tem cada vez mais se notabilizado como homem de trabalho na equipa suíça. Nunca é de afastar a possibilidade de atacar, mas a formação terá Maxim Belkov e Jhonatan Restrepo (que está a realizar um início muito forte de temporada) que deverão ser as principais apostas para a corrida.

"É uma das corridas mais importantes entre as clássicas da Primavera. Já é muito importante para os ciclistas e vê-se os grandes nomes a vir aqui. Pode um dia vir a ser um dos monumentos", salientou Fabrizio Guidi, citado pelo Velonews.

Fabian Cancellara considera que a Strade Bianche é "uma corrida especial". "Serve para os homens das clássicas, para os das Ardenas e até os das grandes voltas têm uma hipótese [de vencer]. Isso torna a corrida única", salientou no dia em que inaugurou a pedra que irá identificar o seu sector de sterrato, o oitavo dos 11 que compõem a prova (vídeo em cima).

A Strade Bianche terá transmissão no Eurosport. Mas há uma incerteza para o espectáculo de amanhã: irá chover? Será que vamos ter muito pó, ou lama? E não esquecer, que também as senhoras terão a possibilidade de enfrentar o sterrato de uma das corridas mais apreciadas do calendário, agora do World Tour.

Veja aqui a lista de inscritos.




»»Bicicleta que Cancellara usou na sua última Volta a Flandres leiloada por mais de 16 mil euros««

»»Clássicas. Tudo começou com um cenário bem conhecido: Avermaet a bater Sagan. Mas será que vão ser desqualificados?««

»»Sagan e Ewan aprenderam rapidamente com os erros««

8 de fevereiro de 2017

Bicicleta que Cancellara usou na sua última Volta a Flandres leiloada por mais de 16 mil euros

O preço de mercado da Trek Domane SLR poderia chegar aos 8500 euros. Porém, estamos a falar de uma bicicleta utilizada por Fabian Cancellara na Volta a Flandres, monumento que venceu três vezes. Estamos a falar da última bicicleta utilizada pelo suíço na derradeira participação na corrida que lhe era tão especial, no ano passado, na qual terminou na segunda posição (atrás de Peter Sagan). Logo, não surpreende que o valor da bicicleta tenha subido substancialmente, ainda mais tendo em conta os pormenores, como o número que teve na prova (41) e a sujidade normal depois de cumprir a Volta a Flandres: a bicicleta não foi lavada.

"Esta é uma de três bicicletas especiais [da Volta a Flandres]: eu tenho uma, a Trek tem outra e a que vai a leilão, por uma causa especial. É uma bicicleta especial, a última bicicleta da Volta a Flandres. E esta utilizei-a. A que a Trek tem não foi utilizada", explicou Cancellara ao canal belga Sporza TV.

O leilão decorreu no site Catawiki e houve 56 licitações, que começaram nos 50 euros! A bicicleta acabou por comprada por um belga, que não foi identificado, pelo valor de 16.100 euros, depois das duas primeiras tentativas não terem resultado (ofereceu 10.050 e depois 14.100).

Um pouco da história de ciclismo que não está ao alcance de qualquer um, mas que agora pertence a um belga por uma quantia que é mais do dobro do valor comercial da bicicleta, mas, no fundo, estamos a falar de uma bicicleta que é difícil definir quanto vale monetariamente, perante o valor histórico.

Fabian Cancellara terminou a carreira no ano passado com o título olímpico de contra-relógio, naquela que foi a sua segunda medalha de ouro em Jogos Olímpicos. Conquistou também quatro Mundiais da especialidade, venceu três dos cinco monumentos (três Voltas a Flandres, outros tantos Paris-Roubaix e uma Milano-Sanremo), sete etapas do Tour... Ao todo foram 75 vitórias em 16 anos como profissional.

O suíço de 35 anos, conhecido como Spartacus, ainda não definiu o seu futuro pós-ciclismo profissional. Uma das possibilidades é continuar na Trek-Segafredo, mas dedicado à formação de jovens ciclistas, ou então dedicar-se ao marketing desportivo, podendo ser o rosto da marca americana, Trek.


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31 de dezembro de 2016

Momentos do ano: do insólito ao dramático

A corrida de Froome no Mont Ventoux foi, inevitavelmente, o momento do ano
2016 foi um excelente ano de ciclismo. Para a história e estatísticas ficarão fantásticas vitórias como o primeiro monumento de Peter Sagan (Volta a Flandres), o seu título europeu e o segundo mundial, o terceiro Tour de Chris Froome, a recuperação incrível de Vincenzo Nibali para vencer o Giro e o inesquecível triunfo de Nairo Quintana numa Volta a Espanha do melhor que já se viu nos últimos anos em grandes voltas. Temos ainda o primeiro monumento da Sky (Wout Poels na Liège-Bastogne-Liège), de Johan Esteban Chaves (Il Lombardia) - depois do pódio no Giro e na Vuelta - e de Arnaud Démare (Milano-Sanremo). E, claro, a grande surpresa chamada Mathew Hayman no Paris-Roubaix. Tivemos o regresso de Marcel Kittel às vitórias e um Mark Cavendish ao seu melhor nível na Volta a França, onde conseguiu, finalmente, vestir a camisola amarela.

O ano ficará ainda marcado pelas despedidas de Fabian Cancellara, Joaquim Rodríguez, Bradley Wiggins, Frank Schleck, Ryder Hesjedal e Jean-Christophe Péraud. Em Portugal, Hêrnani Broco também terminou a carreira, tendo Hugo Sabido e Bruno Pires optado por fazer o mesmo depois de não encontrarem equipa para 2017.

Ainda por cá, a surpresa chamada Rui Vinhas marcou 2016. O gregário da W52-FC Porto beneficiou de uma fuga para vestir a amarela na Volta a Portugal e não mais a largou. Um regresso em grande dos dragões ao ciclismo, ao contrário do Sporting, que se juntou ao Tavira, mas teve um 2016 muito complicado e parco em vitórias.

Regressando ao World Tour, Oleg Tinkov fechou a equipa e a IAM também terminou, o que mexeu muito com o mercado de transferências. Peter Sagan assinou pela Bora-Hansgrohe - equipa que sobe do escalão Profissional Continental para o principal -, num contrato de seis milhões de euros anuais, enquanto Alberto Contador assinou pela Trek-Segafredo. Sérgio Paulinho regressa a Portugal, à Efapel, mas vão estar quatro novos portugueses ao World Tour: José Mendes, José Gonçalves e os jovens Ruben Guerreiro e Nuno Bico. De referir ainda que pela primeira vez haverá uma portuguesa ao mais alto nível no ciclismo feminino: Daniela Reis.

Tantos momentos que ficam por referir, mas aqui ficam alguns dos mais insólitos, marcantes e também dos mais tristes de 2016.

Quedas de Fabian Cancellara no Paris-Roubaix

Foi o ano de despedida do ciclista suíço. Cancellara apostou forte na Volta a Flandres e no Paris-Roubaix, as suas clássicas de eleição. A primeira ficou para Sagan, com o suíço a ficar em segundo, num momento de fair play quando Sep Vanmarcke não sprintou em sinal de respeito, ficando em terceiro. Já no Paris-Roubaix, Cancellara teve uma queda que o tirou da discussão. 



Se essa o desiludiu porque não o deixou lutar pela resultado mais desejado, Cancellara admitiu que foi a queda no velódromo que o mais envergonhou. Ao saudar o público, com a bandeira numa mão, o suíço perdeu o controlo da bicicleta e proporcionou um momento caricato.



A queda da desgraça de Steven Kruijswijk

Estava a ser um Giro fenomenal para o holandês da Lotto-Jumbo. Parecia que nada nem ninguém lhe poderia tirar uma vitória brilhante... Até que aquela descida, aquela curva no Colle dell'Agnello... O tombo na neve arruinou um sonho e tirou-lhe um triunfo que lhe era merecido.



Mais uma queda, mas desta vez do insuflável que assinala o último quilómetro

Preparavam-se os ciclistas para terminar mais uma etapa, a sétima, do Tour, alguns até queriam atacar, como foi o caso de Adam Yates, que acabou por levar com o insuflável que assinala o último quilómetro em cima. Foi uma queda insólita que lhe valeu uns pontos no queixo.



Festejos precipitados, terminar etapa a empurrar a bicicleta e o enganou que parou uma fuga. Tudo na Volta a Portugal

A Volta a Portugal também teve os seus momentos insólitos. Na primeira etapa foi Wilson Ramiro Diaz a festejar uma vitória quando ainda faltava mais uma volta ao circuito final em Braga. Houve um ciclista que acabou uma etapa a empurrar a bicicleta. Teve um problema, já faltava pouco, não valia a pena esperar por apoio. Mas o melhor foi mesmo o engano na oitava tirada. O pelotão foi pelo caminho errado e o comissário optou por parar a fuga, esperar que o pelotão chegasse, dar novamente ordem de partida aos ciclistas da frente e depois aos restantes, mantendo a diferença que estava antes do engano. Pelo meio a RTP1 fez algo que provavelmente foi inédito: entrevistar ciclistas durante a etapa!



O ataque de Contador e Quintana na Vuelta

A etapa 15ª da Volta a Espanha entrará para a história do ciclismo. Há muito que não se via um líder entrar numa fuga numa grande volta, mas Nairo Quintana aproveitou a boleia de Alberto Contador para fugir nos primeiros quilómetros de uma tirada curta. Apanhou uma Sky desprevenida e Chris Froome não só perdeu a Vuelta nesse dia, como só não perdeu a sua equipa, porque a organização fechou os olhos ao facto de grande parte do pelotão ter chegado fora do tempo limite. Que fantástico dia de ciclismo!



Os momentos tristes

Foram muitos os incidentes, alguns graves. 2016 ficará novamente marcado pela questão das motos nas corridas. Antoine Demoitié (Wanty-Groupe Goubert) morreu depois de ter sido atingido por uma moto na Gent-Wevelgem. O motard não conseguiu parar quando se deu uma queda no pelotão. Depois temos Stig Broeckx. O belga da Lotto-Soudal começou o ano a ser "empurrado" por uma moto (vídeo em baixo), recuperou das lesões apenas para voltar a ser atropelado na Volta à Bélgica. Esteve várias semanas em coma.




E o momento dos momentos...

Palavras para quê? Como não poderia deixar de ser, o momento do ano tem de ser a corrida de Chris Froome no Mont Ventoux. Com a bicicleta danificada após uma queda provocada quando uma moto não conseguiu "furar" pelo muito público, o britânico não se atrapalhou por ter uns sapatos nada práticos para correr e começou a subir o Mont Ventoux a pé. Memorável!




Que venha 2017! Bom ano!

12 de novembro de 2016

Houve festa de despedida, mas o adeus de "Spartacus" ainda não parece real... #ciaofabian

(Fotografia: Facebook Fabian Cancellara)
Fabian Cancellara retirou-se. Teve direito a uma festa de despedida, com seis mil pessoas a marcarem presença. Não foram mais porque não havia espaço. Alguns dos melhores ciclistas não faltaram. Ali, no velódromo de Gent, Cancellara mostrou-se por uma última vez como profissional. Bom, já com uns quilos a mais, como o próprio admitiu, mas depois daquelas pedaladas começou uma nova fase na vida do suíço e uma nova era no ciclismo. Se calhar, para muitos, este abandono só se tornará real em 2017. Agora são palavras, festas, mas quando a Volta a Flandres arrancar, ou o Paris-Roubaix - as suas corridas de eleição - e o "Spartacus" não estiver lá, então talvez nesse momento tudo se torne real: um dos melhores classicistas de sempre abandonou o ciclismo e quem ficou a perder foram todos aqueles que adoram a modalidade.

Cancellara marcou de facto uma era nas clássicas, apesar de também ter deixado a sua marca na Volta a França ao vestir a camisola amarela durante mais tempo (29 dias) para um ciclista que não ganhou a competição (além de ter vencido sete etapas). Esse feito é bonito, mas é a Volta a Flandres que sempre mexeu com o suíço. Também o Paris-Roubaix, afinal venceu cada um dos monumentos três vezes - também conta com uma Milano-Sanremo -, mas aquela corrida pela Bélgica será sempre especial para Cancellara. Certamente que terá umas páginas sobre isso na sua autobiografia, apresentada na sexta-feira.

Um contra-relogista exímio, foi quatro vezes campeão do mundo e duas vezes olímpico. E foi assim que escolheu despedir-se. Ao conquistar a medalha de ouro nos Jogos do Rio de Janeiro, Cancellara já nem aos Mundiais foi. Ainda participou numa corrida no Japão, mas já longe de pensar em competir.

Cancellara queria que fosse um ano de despedida memorável. Sonhava conquistar ou a Volta a Flandres ou o Paris-Roubaix, além de vestir a camisola rosa do Giro, o único símbolo de liderança que nunca conseguiu na sua carreira em grandes voltas. No entanto, nenhum desses objectivos foi alcançado, ficando uma vitória na Strade Bianche que o tornou no ciclista com mais vitórias: três em dez edições. Porém, aquela medalha de ouro tornou quase perfeito o ano do adeus.

O velódromo de Gent recebeu a festa de despedida de Cancellara
(Fotografia: Twitter Trek-Segafredo)
A carreira de Cancellara foi feita de sucessos, desde a sua juventude. Mas além de demonstrar talento como ciclista, cedo se revelou como uma voz de liderança. Foi na Mapei que começou como estagiário então com apenas 19 anos. Convenceu de imediato. Na Fassa Bortolo confirmou-se como um dos melhores. Mas foi quando entrou na estrutura dinamarquesa CSC (mais tarde Saxo Bank e que viria a ser a Tinkoff) que começaram os grandes triunfos, aqueles que o viriam a imortalizá-lo. Em 2011 chegou à Leopard Trek e é na agora denominada Trek-Segafredo que deverá estar o seu futuro.

Ainda indeciso quanto ao papel que irá desempenhar - não quer ser director desportivo, mas gostaria de trabalhar com os mais jovens -, a verdade é que não ver Cancellara (35 anos) na estrada ou no pavé das "suas" clássicas será estranho. A alcunha de "Spartacus" explica o porquê de ser tão admirado. Mesmo para quem não seja fã, é impossível não pensar que sem o suíço as corridas serão diferentes. Faltará aquele lutador, aquele ciclista que tinha tanto de imprevisível como de explosivo, aquele ciclista que em 2010 fez 48 quilómetros sozinho para vencer o Paris-Roubaix... Podem dizer que tinha um motor na bicicleta, Cancellara até se ri, mas foi daqueles momentos que nunca será esquecido, tal como o nome de Fabian Cancellara.

A nova geração está aí e com ciclistas que provavelmente daqui a dez anos poder-se-á estar a dizer que marcaram uma época. Porém, Cancellara, com a "reforma", entra para a lista dos grandes que podemos dizer que vimos (e quem esteve na Volta ao Algarve até teve a oportunidade de o ver de perto e vencer um contra-relógio) e que prevalecerá na memória de todos os que adoram o ciclismo.

Em Gent, seis mil pessoas disseram adeus, com Bradley Wiggins, Sep Vanmarcke, Filippo Pozzato e Frank Schleck, entre outros, a participarem na festa da despedida. Seis mil in loco, mas muitos mais por todo o mundo que, com a ajuda das redes sociais, disseram #ciaofabian.

10 de agosto de 2016

O que se pode concluir da participação dos nossos ciclistas nos Jogos Olímpicos

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
A equipa escolhida para os Jogos Olímpicos por José Poeira dava direito a sonhar com algo de muito positivo. E sim, falamos mesmo de medalhas. Só podia levar quatro ciclistas e Portugal pode orgulhar-se de ter bastante qualidade por onde escolher. Mas há que começar desde logo por Nelson Oliveira: grande resultado!! Estamos a falar do contra-relógio,  o esforço individual, durante o qual está cada um por si. Estavam lá praticamente todos os melhores do mundo. A progressão do ciclista de 27 anos neste especialidade tem sido fantástica e ainda há espaço para melhorar.

O diploma olímpico que o ciclista de Anadia garantiu quase sabe a ouro. Senão vejamos: no pódio ficou Fabian Cancellara  - que já sabe o que é ser campeão olímpico -, Tom Dumoulin e Chris Froome, três dos maiores especialistas no contra-relógio. Há que ter em conta que Nelson Oliveira teve uma queda na corrida em linha no sábado que o obrigou a abandonar e que deixou as suas marcas nos corpo. Mas nesta altura, o próprio português não deverá procurar desculpas. O resultado é excelente e confirmou Oliveira entre os melhores. E ainda temos os mundiais em Outubro...

Nelson Oliveira mais do que cumpriu o que se esperava. Já na prova em linha é difícil esconder alguma desilusão. O décimo lugar de Rui Costa foi muito bom. Não há qualquer dúvida disso. Mas soube a pouco. A prova acabou por ter dificuldades acrescidas com tantas quedas (e algumas bem graves) e uma delas pode ter contribuído para prejudicar Rui Costa. Nelson Oliveira era um ciclista importante quando se fazia uma perseguição ao grupo da frente e ao ficar fora, Rui Costa perdeu um importante apoio naquela fase rápida da corrida

José Poeira optou por construir toda a equipa em redor de Rui Costa. O mais próximo que se poderia falar de plano B, seria André Cardoso (36º), já que o percurso de sobe e desce também poderia assentar-lhe. No entanto, a exclusão de José Gonçalves causou alguma surpresa. O seleccionador preferiu José Mendes (53º) - que tinha recentemente sagrado-se campeão nacional - e que tinha as tais características que Poeira procurava para proteger um líder.

Já Gonçalves, vencedor da Volta a Turquia, teria obrigado a uma táctica diferente, pois o seu estilo atacante provavelmente seria um plano B que, no entanto, poderia não proteger o A, já que Gonçalves certamente que tentaria a sua sorte. E para o levar ao Rio de Janeiro nem faria sentido outra coisa, ainda que também sabe bem fazer o papel de gregário, se o tiver de fazer. Mas seria um desperdício. José Gonçalves ficou desiludido por ter ficado de fora, reacção compreensível depois dos resultados que tem vindo a alcançar.

Agora pouco importa, mas há que admitir que teria sido interessante ver José Gonçalves no Rio de Janeiro. Porém, José Mendes cumpriu com o seu trabalho à letra e realmente foi pena Rui Costa não ter conseguido aproximar-se de um grupo que lhe teria permitido pelo menos lutar por um merecido diploma olímpico.

São opiniões. Porque os factos dizem que a prestação foi positiva quando se olha para o super pelotão que esteve no Rio de Janeiro, demonstrando mais uma vez por que razão os ciclistas portugueses são muito respeitados, pois tanto Rui Costa como Nelson Oliveira (no contra-relógio) foram colocados pelos media internacionais como potenciais top dez. E lá estão eles.

O pódio olímpico do contra-relógio
Uma palavra para Fabian Cancellara. No ano do adeus, o suíço não conseguiu a Volta a Flandres, o Paris-Roubaix ou a camisola rosa no Giro, três dos principais objectivos para 2016. Mas eis mais uma medalha de ouro que lhe fica tão bem.

Pelo lado negativo destacou-se o americano Taylor Phinney que foi dobrado, mas talvez a mesma situação seja pior quando se fala do campeão do mundo em título Vasil Kiryienka. O australiano Rohan Dennis foi o azarado do dia. Estava na luta pelo ouro com Cancellara quando partiu o extensor e a troca de bicicleta acabou por o atirar para o quinto lugar.

Nas senhoras, Kristin Armstrong (EUA) conquistou o ouro, Olga Zabelinskaya (Rússia) a prata e Anna van der Breggen (Holanda) com o bronze.

Aqui ficam as classificações completas masculinas e femininas do contra-relógio olímpico. O ciclismo no Rio de Janeiro irá agora passar para a pista.

10 de abril de 2016

Paris-Roubaix: Ganhou Mathew Hayman... Quem?

(Fotografia: Twitter @ORICA_GreenEDGE)
Chama-se Mathew Hayman, tem 37 anos (faz 38 no dia 20), é australiano e pertence à Orica-GreenEDGE. Até hoje era um ciclista com uma carreira de muito trabalho para outros companheiros, mas com oportunidades de liderança em corridas de um dia. Chegou a profissional com a Rabobank, esteve quatro anos na Sky antes de assinar pela Orica em 2014. Tinha uma vitória na carreira, no Paris-Bourges em 2011, somando alguns resultados interessantes em clássicas. Quem é Mathew Hayman? É o homem que surpreendeu tudo e todos (inclusivamente a ele próprio) ao vencer o Paris-Roubaix.

O nome pode ser pouco conhecido e é provável que, com o passar dos anos, vá ficando perdido e esquecido nos registos de vencedores da clássica do "Inferno do Norte". Provável é também que seja muitas vezes referido como aquele que tirou a oportunidade a Tom Boonen de somar a quinta vitória no Paris-Roubaix, que o tornaria no ciclista com mais vitórias na corrida.O seu triunfo pode não ser daqueles que será recordado como se calhar merece, mas nada tirará o mérito com que este australiano venceu.

Hayman até já tinha alcançado um marco de destaque no monumento de hoje: era o ciclista no activo com mais participações, 15 (um top dez). Entrou na fuga inicial e que raramente determina um vencedor em Roubaix. Incidentes não faltaram. Esta corrida por eliminação fez jus a essa denominação. Mas no final, Hayman sobreviveu a tudo, até recuperou quando parecia que já não aguentava o ritmo de Boonen, Vanmarcke, Stannard e Boasson Hagen. No velódromo escolheu a melhor táctica, ao contrário de Boonen, e concluiu a surpresa ao derrotar o belga no sprint.

O rosto sujo de Hayman parecia dizer: "O que aconteceu? Ganhei mesmo?" E não era para menos. "É pura incredulidade. Não consigo acreditar. Parti o meu braço há cinco semanas [na Omloop Het Nieuwsblad] e perdi todas as corridas. Fiz uma em Espanha na semana passada. Os médicos estavam convencidos que a época de clássicas tinha terminado para mim, mas eu só queria recuperar", afirmou o australiano.

Vencer a clássica francesa era um sonho, mas Hayman admitiu que se lhe tivessem dito que ia ganhar este ano, nunca acreditaria. "Esta é a minha corrida favorita, é a corrida que sonhei vencer todos os anos. Este ano nem sequer me atrevi a sonhar [com a vitória]", salientou. Confessou ainda que só pensava em desfrutar da corrida, concentrado em tentar ajudar Jens Keukeleire, caso surgisse a oportunidade do belga lutar pela vitória. Ao ver-se na fuga, mais uma vez disse que só pensava em aproveitar o momento, mas: "Às vezes temos de simplesmente tentar e às vezes coisas boas acontecem."

Hayman é o segundo australiano a ganhar o Paris-Roubaix, depois de Stuart O'Grady em 2007. É o seu momento de glória e pouco importa o que não se fale ou não se escreva sobre Hayman daqui em diante. O ciclista venceu um monumento e aquele troféu de pedra ninguém lhe tira.


Quedas e Tony Martin ajudaram a decidir a corrida

No Paris-Roubaix as quedas e os furos têm uma incidência muito maior do que na maior parte das corridas. Este ano não foi excepção. Foi precisamente uma queda que acabou por ajudar a decidir quando faltavam ainda cerca de 110 quilómetros para o final. Alexander Porsev (Katusha) caiu e "partiu" o grupo que perseguia os ciclistas na fuga. Por essa altura já Tony Martin começava a mostrar que o Paris-Roubaix assenta-lhe bastante bem. Foi para a frente e não mais olhou para trás. Boonen aproveitou a boleia do colega da Etixx, tal como Vanmarcke (Lotto-Jumbo), Luke Rowe e Ian Stannard (ambos da Sky), entre outros.

Já Fabian Cancellara (Trek) e Peter Sagan (Tinkoff) foram apanhados no corte. A desvantagem para o grupo de Boonen chegou a ser de mais de minuto e meio. Cancellara ainda contou com a ajuda de colegas. Sagan ficou sozinho muito cedo, como está habituado. As despesas da perseguição pertencia aos dois, mas mais uma vez uma queda foi decisiva. O suíço caiu, quase levou Sagan consigo - momento de pura técnica do eslovaco para passar por cima da bicicleta de Cancellara -, e perdeu mais de dois minutos. Sagan, sem ajuda, também percebeu que ganhar o Paris-Roubaix teria de esperar. Esta queda terminou ainda com a corrida de Niki Terpstra. O vencedor de 2014 abandonou a prova.

Outras duas quedas aparatosas foram dos elementos da Sky. Eram quatro na fuga até que Gianni Moscon "escorrega" quando faltavam 52 quilómetros. Luke Rowe tenta saltar por cima do colega, mas também cai de forma aparatosa. Moscon nunca mais se viu, Rowe ainda reentrou, mas não teve forças para ir até final. Um quilómetros depois é Salvatore Puccio que vai ao chão e por pouco não fez cair o colega Ian Stannard.

E para completar os azares da Sky, após a corrida soube-se que Elia Viviani foi abalroado, no sector de Arenberg, por uma moto da organização. Mais um incidente do género...


E a quinta vitória ali tão perto

Há muito que não se via Tom Boonen tão bem. O belga prometeu que estaria na luta e cumpriu. Teve em Tony Martin um aliado de luxo. O alemão trabalhou mais de 30 quilómetros, mas quando terminou o trabalho, Boonen viu-se sozinho ainda com quase 70 quilómetros para cumprir. Mas este belga sente-se em casa nesta corrida francesa. Defendeu-se de todos os ataques - e Vanmarcke bem que assustou - atacou e parecia que no sprint dificilmente seria batido. Mas no velódromo escolheu ficar na parte de baixo da pista numa altura em que Hayman e Vanmarcke era os adversários. Mas chegaram Stannard e Boasson Hagen. Boonen ficou "preso" e quando finalmente teve espaço, não teve força para passar o australiano, terminando em segundo.

Aos 35 anos, muito se fala de reforma, mas não será surpresa nenhuma se Boonen fizer pelo menos mais um Roubaix. E certamente que quererá Tony Martin a seu lado. Que grande exibição do alemão.

Despedida amarga

Se o segundo lugar na Volta a Flandres deixou Fabian Cancellara desiludido, a aposta em conquistar um último monumento no Paris-Roubaix acabou da pior maneira. Uma aparatosa queda, a 46 quilómetros do fim, tirou o suíço da equação. Não desistiu, mas não havia tempo nem forças para uma recuperação épica. Terminou no 40º lugar, mas recebeu a ovação que merecia no velódromo.

"Na semana passada foi mais difícil [a despedida na Volta a Flandres]. Hoje estou apenas feliz que tenha terminado", confessou o suíço, que aponta agora ao próximo objectivo: conquistar a maglia rosa no Giro, querendo para isso vencer o contra-relógio inicial.

Oportunidade perdida para Vanmarcke. Sky cada vez mais perto

Vai somando bons resultados, mas Sep Vanmarcke não consegue a procurada vitória. Não por falta de tentativas. O belga fez um ataque que assustou o grupo da frente. Boonen perseguiu, mas só a ajuda de Stannard acabou com a aventura de Vanmarcke. Depois viu Boonen e Hayman afastarem-se. Quando já não se esperava, colou-se ao duo já no velódromo. O sprint era quase missão impossível e acabou em quarto.

Ian Stannard ficou com o último lugar do pódio. O britânico chegou ao Paris-Roubaix com a ideia de tentar a vitória, mesmo tendo Luke Rowe como número um. Os dois estiveram na fuga, mas só Stannard resistiu. De pouco vale fazer o exercício do "e se", mas dá sempre que pensar "e se a Sky tivesse conseguido manter os quatro elementos mais tempo na fuga, o que teria acontecido". Uma coisa é certa, esta Sky quer um monumento este ano.

Boasson Hagen na luta, Cavendish a mostrar serviço

A Dimension Data estará satisfeita com a performance no Paris-Roubaix. Edvald Boasson Hagen confirmou o grande momento de forma com o quinto lugar e Mark Cavendish mostrou grande carácter. Não foi à clássica apenas para picar o ponto. Andou em fuga, ajudou no que pôde e terminou no 30º lugar a 7:12 minutos do vencedor. Para um puro sprinter, dificilmente se podia pedir melhor.

Um outro puro sprinter, André Greipel (Lotto Soudal) também se portou muito bem: 35º a 7:24.

Nelson Oliveira infeliz

O ciclista português da Movistar tinha aspirações a um bom resultado numa corrida que muito aprecia. Motivação parecia não faltar, mesmo depois de na Volta a Flandres ter desistido após uma queda. O azar perseguiu Nelson Oliveira. Voltou a cair a cerca de 152 quilómetros para o final e ficou agarrado ao ombro. A Movistar anunciou no Twitter que amanhã serão feitos exames médicos para se conhecer a gravidade da lesão.

O outros português em prova, Mário Costa (Lampre-Merida), também caiu e não terminou a corrida.

As desilusões

A Lotto Soudal foi das equipas que mais desiludiu, apesar do seu sprinter ter estado novamente bem numa clássica muito difícil. A equipa belga pouco se viu, ainda que tenha colocado um ciclista no top dez, Marcel Sieberg. Uma das suas apostas Jurgen Roelandts terminou a quase 15 minutos de Mathew Hayman, enquanto o jovem Tiesj Benoot foi dos últimos a chegar a mais de 18 minutos do vencedor.

Sem Greg van Avermaet, que caiu na Volta a Flandres, fracturando a clavícula, a BMC mostra não ter plano B para as clássicas. Ainda se esperou que Taylor Phinney agarrasse a oportunidade, mas o norte-americano terminou a mais de 14 minutos de Hayman. O melhor foi Marcus Burghart a 5:48.



Confira os resultados completos do Paris-Roubaix de 2016.