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4 de fevereiro de 2019

Maria Martins domina Nacionais. Ivo Oliveira somou mais dois títulos

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Com mais de 180 atletas inscritos a comprovar como a vertente de pista está a dar os passos na direcção certa para continuar a crescer em Portugal, foram as grandes referências as figuras dos Nacionais, que decorreram no velódromo de Sangalhos este fim-de-semana. Maria Martins conquistou três títulos e Ivo Oliveira somou mais dois à sua colecção de troféus.

A corredora ribatejana da Sopela Women's Team sagrou-se campeã nacional de scratch, eliminação e corrida por pontos, com Soraia Silva a ser segunda nas três provas. O último lugar do pódio foi ocupado por Melissa Maia (CE Gonçalves/Azeitonense), Joana Ferreira (RSG Hannover) e Liliana Jesus (CE Gonçalves/Azeitonense), respectivamente. De recordar que, no início do mês, Maria Martins já havia conquistado o título nacional de omnium.

Quanto a Ivo Oliveira conquistou os títulos nacionais na perseguição individual (especialidade em que é vice-campeão mundial) e na corrida por pontos. Na primeira disciplina, o ciclista da UAE Team Emirates bateu o campeão de 2018, João Matias (Vito-Feireinse-PNB), dobrando o companheiro de selecção na final. Miguel do Rego (CM Aubervilliers) fechou o pódio. Depois foi César Martingil a ser o adversário mais difícil de bater, mas o reforço do Sporting-Tavira acabou em segundo, com João Matias a ser terceiro.

Já no scratch foi Miguel do Rego o campeão, seguido de Martingil e Matias.

Aqui ficam os restantes títulos nacionais atribuídos neste fim-de-semana.

Juniores Masculinos
Scratch: Pedro Silva (Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact)
Corrida por Pontos: Diogo Narciso (Bairrada)
Perseguição or equipas: Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact
Eliminação: André Silva (Academia Joaquim Agostinho/UDO)

Juniores Femininas
Scratch: Margarida Martins (Bairrada)
Eliminação: Daniela Campos (5Quinas/Município de Albufeira)
Corrida por Pontos: Daniela Campos (5Quinas/Município de Albufeira)

Cadetes Masculinos
Scratch: Sérgio Saleiro (Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact)
Corrida por Pontos: Diogo Saleiro (Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact)
Perseguição por Equipas: Seissa/KTM Bikeseven/Matias & Araújo/Frulact
Eliminação: Tiago Costa (Crédito Agrícola/Jorbi/Almodôvar)

Cadetes Femininas
Scratch: Beatriz Roxo (Maiatos)
Eliminação: Beatrix Roxo (Maiatos)
Corrida por Pontos: Beatriz Pereira (Bairrada)

Master 30 Masculinos
Eliminação: Gonçalo Santos (Vulcal/CC Centro)
Scratch: Gonçalo Santos (Vulcal/CC Centro)

Master 30 Femininas
Scratch: Orieta Oliveira (5Quinas/Município de Albufeira)
Eliminação: Nádia Mendes (CE Gonçalves/Azeitonense)

Master 40 Masculinos
Eliminação: José Amroim (Balantuna)
Scratch: Armindo Coutinho (Sport Clube Paradela)

Master 40 Femininas
Scratch: Filomena Paulo (ACD Milharado/EC Manuel Martins)
Eliminação: Filomena Paulo (ACD Milharado/EC Manuel Martins)

Master 50
Eliminação: Vítor Lourenço (Viveiros Vítor Lourenço/Sintra CC)
Scratch: Manuel Rodrigues (ACD Milharado/EC Manuel Martins)

Master 60
Eliminação: César Mendonça
Scratch: Sílvio Serrenho

Paraciclismo
Perseguição Individual C3: Paulo Teixeira (Rodabike/ACRG/Gondomar)
Perseguição Individual C4: João Monteiro (Mozinho RT Martos)
Perseguição Individual C5: Manuel Ferreira (Silva & Vinha/ADRAP/Sentir Penafiel)
Perseguição Individual D: João Marques (ACD Milharado/EC Manuel Martins)



14 de dezembro de 2018

As contas rumo aos Jogos Olímpicos

Portugal vai este fim-de-semana procurar somar mais uns valiosos pontos rumo ao objectivo de apurar pela primeira vez atletas de ciclismo de pista para os Jogos Olímpicos. A qualificação é longa e as contas dependem de vários factores. Porém, o seleccionador Gabriel Mendes, que sido um dos mentores do sucesso desta vertente que tem crescido nos últimos anos no país, está confiante que o feito inédito é possível, mas ainda há muito trabalho pela frente.

A quarta etapa da Taça do Mundo realiza-se em Londres, com a Equipa Portugal a marcar presença no madison e no omnium, as duas disciplinas em que procura a qualificação olímpica. Maria Martins também terá a oportunidade de estar presente, no que poderá ser o início de um feito também no feminino.

Mas afinal, como se processa esta qualificação? Está tudo interligado, ou seja, há que estar bem nas Taças do Mundo, para reforçar os rankings, para assim se estar nos Mundiais, que têm o maior peso quando se quer estar em Tóquio2020. O Campeonato do Mundo é a competição que dá mais pontos, pelo que haverá dois: o que finaliza esta temporada de 2018/19 e o de 2019/20 para influenciar o ranking olímpico.

O Campeonato da Europa também entra nas contas, enquanto as Taças do Mundo, são as melhores três de cada temporada que vão ser contabilizadas no ranking olímpico. De salientar que as selecções têm obrigatoriamente de fazer uma fora do seu continente, ou seja, Portugal não pode fazer apenas as Taças do Mundo na Europa, se assim fosse, só contariam duas.

Para se conseguir o apuramento para as Taças do Mundo, interessa o ranking indivual dos atletas, que entra depois para o ranking nações, com as pontuações dos três melhores ciclistas.

Apesar do objectivo de qualificação dos Jogos Olímpicos ser um dos principais, Gabriel Mendes fala em Tóquio2020 como algo a alcançar a médio prazo, porque salientou ao Volta ao Ciclismo como a Equipa Portugal entra nas competições para as discutir, sejam disciplinas olímpicas, ou não (a perseguição individual, na qual Ivo Oliveira é vice-campeão europeu e mundial, não está no programa olímpico). Portanto, há Mundiais e Europeus para se preparar antes dos Jogos.

Mas continuando com o processo de qualificação para Tóquio. Portugal procurar agarrar uma vaga no madison e omnium, ou pelo menos nesta última disciplina. Se conseguir no madison, automaticamente terá um ciclista no omnium.

São 16 as vagas no madison, sendo que oito são preenchidas pelas nações que se apurarem na perseguição por equipas. Ou seja, Portugal olha para as restantes oito vagas. "Está a correr bem. Temos dois oitavos lugares na prova de madison, no omnium temos um 11º e o Rui fez 16º na última Taça do Mundo [em Berlim] e ainda temos três Taças do Mundo para melhorar resultados", referiu Gabriel Mendes, que realçou a necessidade de melhorar no omnium. "É um processo passo a passo", referiu quanto à qualificação.

No ranking olímpico, Portugal é neste momento, antes do início da Taça do Mundo de Londres, 15º classificado, com 1550 pontos, não estando longe dos adversários imediatamente acima, como Irlanda (1620) e Bielorrússia (1720), por exemplo. Já no omnium, Portugal ocupa a 23º posição no ranking olímpico, com 515 pontos.

De referir que competições como o recente Troféu Internacional Município de Anadia também têm pontos em jogo, mas menos do que os dados em Taças do Mundo, Europeus e Mundiais.

O seleccionador está confiante que a qualificação pode mesmo ser uma realidade, ainda que se esteja numa fase inicial: "Estamos a fazer o nosso trabalho e estamos a fazer bem." Os gémeos Oliveira têm uma vital importância neste processo, sendo o rosto do ciclismo de pista que, no entanto, tem outro elemento essencial. João Matias é já um valor mais do que confirmado, com César Martingil a ser aposta constante, preparando-se para a estreia em Taças do Mundo este fim-de-semana.

Ivo e Rui estão a cerca de 15 dias de vestir pela primeira vez o equipamento de uma formação do World Tour. Os gémeos vão representar a UAE Team Emirates, mas a pista irá continuar a ser aposta para ambos. Gabriel Mendes garantiu que não haverá problemas em conciliar a pista e a estrada. "É uma questão de planeamento e nós trabalhamos com a equipa para podermos lutar por este objectivo. Eles são fundamentais. A equipa está a colaborar nesse plano trabalho. Não vejo problemas", disse. O seleccionador deu o exemplo do que aconteceu com o italiano Elia Viviani, que conciliou a pista e a estrada e tanto a equipa como a selecção ficaram a ganhar. O mesmo pode acontecer com a UAE Team Emirates, pois, para Gabriel Mendes, também sai valorizada com o sucesso de Ivo e Rui na pista.

Maria Martins com oportunidade de ouro

Com o ciclismo feminino a anos-luz do masculino em Portugal, Maria Martins é neste momento a grande referência no que a pista diz respeito. Aos 19 anos vai quebrando barreiras, tentando ser uma pioneira nesta vertente. Apesar da idade, já compete em elite e recebeu a oportunidade de ouro de ir à Taça do Mundo de Londres.

Voltamos a fazer contas. "Não obtivemos qualificação por vaga para a Taça do Mundo, somos a reserva número cinco na prova de omnium e a Maria tem a possibilidade de competir, uma vez que houve países que não fizeram uso da quota", explicou Gabriel Mendes. Isto significa que Maria Martins tem a possibilidade de pontuar para o ranking olímpico, no qual já tem um nono lugar conquistados nos Europeus. Por outro lado, um bom resultado permite subir no ranking individual e ambicionar estar nos Mundiais. A maior parte da quota é preenchida por quem se apura via ranking das nações, mas, como afirmou o seleccionador, 1/3 é preenchida pelo ranking individual e é aí que entra Maria Martins.

Numa ambição maior, se conseguir um lugar no Campeonato do Mundo, podem começar a abrirem-se as portas para uma possível qualificação olímpica, o que seria mais um feito inédito. Nesta caso, estamos a falar numa presença na disciplina do omnium, com Maria Martins a ocupar a 36ª posição no ranking, com 900 pontos, mas também com algumas adversárias acima da ciclista portuguesa na tabela a estarem muito perto.

Taça do Mundo de Londres

César Martingil e Maria Martins vão então fazer a sua estreia nestas competições este fim-de-semana. O ciclista da Liberty Seguros-Carglass e que irá mudar-se para o Sporting-Tavira em 2019, vai formar dupla com Miguel do Rego (CM Aubervilliers) no madison, numa prova marcada para as 18:45 de sábado.

João Matias (Vito-Feirense-BlackJack) vai competir no omnium no domingo: scratch às 9:45, corrida tempo às 12:20, eliminação às 15:10 e corrida por pontos às 17:05.

Quanto a Maria Martins é no sábado que estará em acção no omnium: scratch às 9:45, corrida tempo às 12:20, eliminação às 15:10 e corrida por pontos às 17:05.


8 de dezembro de 2018

"Fisicamente sinto-me mais forte e também consigo ler melhor as corridas"

(Fotografia: © João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Miguel do Rego está a tornar-se uma presença cada vez mais habitual na selecção nacional de ciclismo de pista. Já se estreou em Taças do Mundo e juntou-se a um grupo que procura um feito inédito na modalidade em Portugal: a presença nos Jogos Olímpicos Tóquio2020. A razão pela qual só se fala do seu nome quando se realizam provas desta vertente, prende-se com o simples facto de o corredor viver e competir em França, onde nasceu. Porém, as origens falaram mais alto quando o seleccionador Gabriel Mendes lhe propôs vestir a camisola da selecção. Miguel do Rego não hesitou em aceitar.

"Sinto-me muito bem aqui, adoro estar aqui", admite de imediato, considerando que os seus companheiros de equipa mais parecem irmãos, dada a relação que tem com eles e que o faz sentir em família. E quando se fala de família, também foi por causa dela que começou no ciclismo. O irmão, Fábio, foi a sua influência, sendo ambos corredores da CM Auberviliers, formação amadora francesa. É nesse escalão que compete, somando algumas vitórias, tendo este ano ganho uma corrida e alcançou vários top dez, o que o deixa bastante satisfeito com a sua temporada.

Aos 20 anos, só pensa em melhorar, para poder dar o salto que todos os jovens ciclistas ambicionam. Poder um dia estar no Paris-Roubaix seria um sonho que gostaria de concretizar. "Já lá fui experimentar [os sectores]. Foi espectacular", realçou, acrescentando que algumas corridas que faz decorrem na zona da corrida conhecida como o Inferno do Norte.

"Sou mais de fugas. Sprints não muito, mas consigo desenrascar-me. E ando a rolar bem"

Apesar de querer continuar a representar a Equipa Portugal, competir por cá não está nos seus planos. "Com as condições que tenho agora, em França, vir para cá correr... Ia ser complicado. Sinceramente não sei [se viria para Portugal]." Miguel do Rego não esconde que se sente muito bem no país onde nasceu (mais precisamente em Paris), explicando que o pelotão amador francês é muito competitivo.

E afinal que tipo de ciclista é Miguel do Rego na estrada? "Sou mais de fugas. Sprints não muito, mas consigo desenrascar-me. E ando a rolar bem. Não sou nada trepador, gosto mais de terreno plano", respondeu. E a pista tem ajudado muito à sua evolução, como próprio confessou: "Fisicamente sinto-me mais forte e também consigo ler melhor as corridas. A pista é uma boa preparação."

Gabriel Mendes está a ter um papel importante no desenvolvimento de Miguel do Rego, comunicando muito com o ciclista antes e depois da corrida, de forma a apontar o que é bem feito e o que pode ser ainda melhor. "O seleccionador puxa muito por mim, dá-me muitos conselhos. Estou a aprender muito aqui", disse, acrescentando como também os colegas lhe dão conselhos para que possa melhorar. Apesar de serem apenas dois anos mais velhos, a experiência dos gémeos Oliveira é muito diferente da de Rego, assim como a de João Matias e César Martingil. Todos têm sido uma ajuda nesta aposta na pista do jovem luso-francês.

Um dos objectivos para 2019 é continuar a melhorar nesta vertente do ciclismo, enquanto na estrada vai à procura de chegar ao profissionalismo. Os pais apoiam-no totalmente e, claro, que estão orgulhosos por ver o filho vestir as cores de Portugal. "Eles ficaram muito contentes", recordou, quando lhes disse que iria representar a selecção. Naturais de Viana do Castelo, Miguel contou que tem passado alguns Natais na terra da família e a bicicleta não fica em casa. Com subidas como a bem conhecida ao Santuário de Santa Luzia, sendo um ciclista que não tem particular gosto por este tipo de terreno, afirmou que treinar em Viana do Castelo não é uma experiência fácil.

5 de dezembro de 2018

Fim-de-semana prolongado de ciclismo de pista em Anadia

(Fotografia: António Borga/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Tudo preparado para mais uma edição do Troféu Internacional Município de Anadia. O espectáculo do ciclismo de pista está de regresso ao Velódromo Nacional, com a competição que inclui disciplinas olímpicas a atrair muitos ciclistas estrangeiros, mas com as principais figuras portuguesas a marcarem também presença de sexta-feira a domingo. A entrada é gratuita para o público assistir a uma modalidade na qual Portugal está a procurar marcar presença pela primeira vez nos Jogos Olímpicos.

Colocada num calendário entre duas etapas da Taça do Mundo, Berlim e Londres, a competição de Anadia é uma oportunidade para muitos atletas apurarem a sua forma a pensar nos desafios que têm pela frente, com Tóquio2020 a estar cada vez mais no pensamento de todos. Estão confirmados 168 inscritos, oriundos de 27 países: Argélia, Argentina, Azerbaijão, Barbados, Canadá, Dinamarca, Eslováquia, Espanha, Estados Unidos da América, França, Grã-Bretanha, Holanda, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Lituânia, Luxemburgo, México, Nova Zelândia, Polónia, Portugal, Roménia, Rússia, Suécia, Suíça e Uzbequistão.

A Equipa Portugal contará com um dos reforços do Sporting-Tavira, César Martingil (Liberty Seguros-Carglass), com Maria Martins (Sopela Women Team) e Miguel do Rego (CM Auberviliers). Mas estarão mais três portugueses presentes, em representação das suas equipas e que são presenças habituais na selecção: Ivo e Rui Oliveira (Hagens Berman Axeon) - que também farão provas pela equipa nacional - e João Matias (Vito-Feirense-BlackJack).

Os últimos dois estiveram no último fim-de-semana em Berlim. A dupla ficou na oitava posição na prova de madison. No omnium, Rui Oliveira foi 16º, tendo competido debilitado devido aos problemas gastrointestinais que sofreu durante a semana.

O programa do Troféu Internacional Município de Anadia inclui então provas das disciplinas olímpicas de madison, omnium, velocidade e keirin, além de perseguição individual, corrida por pontos e scratch.

Na sexta-feira as corridas realizam-se entre as 14:00 e as 19:30. No sábado começam às 9:30 até às 13:00 e depois das 16:00 às 19:30. Para terminar, no domingo, as provas estão agendadas para o período entre as 9:30 e as 15:00.

Em paralelo vai disputar-se no sábado o Campeonato Nacional Universitário de Pista nas disciplinas de perseguição individual e de scratch, corridas que estão marcadas para as 12:30 e para as 16:00.

Na próxima semana (15 e 16 de Dezembro), a Equipa Portugal segue para Londres para a quarta ronda da Taça do Mundo. O seleccionador Gabriel Mendes pré-convocou César Martingil, João Matias e Miguel do Rego, que irão competir nas provas de madison e de omnium.

»»Perfis das etapas da 45ª Volta ao Algarve««

»»André Carvalho assina pela Hagens Berman Axeon««