Mostrar mensagens com a etiqueta Amstel Gold Race. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Amstel Gold Race. Mostrar todas as mensagens

18 de abril de 2021

Pidcock afirma-se ao lado de um Van Aert a vencer por milímetros

© Amstel Gold Race
Esta semana pode dizer-se que ficou completo o trio do ciclocrosse que chegou para conquistar a estrada. Wout van Aert e Mathieu van der Poel em pouco tempo tornaram-se grandes figuras do ciclismo mundial. Thomas Pidcock estreou-se este ano ao mais alto nível, depois de já ter feito algumas corridas com a extinta Team Wiggins, e após algumas boas exibições, incluindo um pódio na Kuurne-Bruxelles-Kuurne, na quarta-feira bateu Van Aert De Brabantse Pijl-La Flèche Brabançonne e este domingo ficou a milímetros de repetir o feito na Amstel Gold Race.

Nos últimos dias Mark Cavendish (Deceuninck-QuickStep) até foi notícia por ter regressado às vitórias quase três anos depois e logo com quatro etapas na Volta à Turquia. Porém, é na nova geração que está o foco na Grã-Bretanha, com os resultados de Pidcock a animarem os adeptos daquele país. Tal como já havia acontecido com Van Aert e Van der Poel, Pidcock há muito que ganhou destaque, com as suas performances no ciclocrosse. Nos escalões jovens somou vitórias e ficou conhecido por celebrar ao estilo Super-Homem.

Outro ponto idêntico com os rivais foi a forma como encarou a passagem para a estrada. Era inevitável, mas não teve pressa, pois sempre sublinhou o quanto queria fazer o que mais gostava. E apesar de ter assinado pela toda poderosa Ineos Grenadiers, esta forma de estar não mudou e Pidcock, depois do ciclocrosse e desta auspiciosa estreia na estrada, irá ter o seu momento no BTT.

Aos 21 anos, teve o condão de definitivamente levar a Ineos Grenadiers a apostar ainda mais nas clássicas, principalmente nas do pavé, mas também mostra como podem contar com ele em corridas como a Amstel e vai à Flèche Wallonne experimentar o Muro de Huy. Por pouco, não ganhou a prova de abertura, por assim dizer, da semana das Ardenas, mas a sua exibição já eleva as expectativas para o que possa vir nas próximas temporadas, quando evoluir.

É o primeiro a admitir o quanto está a aprender a cada corrida que passa. Por exemplo, nesta Amstel, salientou como tentar seguir Primoz Roglic, quando o esloveno impôs ritmo, não foi a melhor ideia. Terminada a prova, considera que o melhor teria sido resguardar-se um pouco mais. 

Perder num photo finish no qual não foi fácil determinar que Wout van Aert (Jumbo-Visma) era o vencedor, "belisca". A vitória só foi decidida já com os ciclistas preparados a ir para o pódio... Só não sabiam em que lugar se colocariam. Contudo, Pidcock é mais um ciclista que não fica a moer no que falhou. Pensa, isso sim, em fazer mais e melhor na próxima corrida.

Ao pé dos dois ciclistas que também vieram do ciclocrosse para serem reis na estrada, Pidcock pode perder em tamanho e peso, mas o talento que demonstrou ao conquistar o Paris-Roubaix espoirs, o Giro de sub-23 na época passada e um título mundial de contra-relógio em juniores, está agora a ser confirmado na elite, tal como fizeram o belga e o holandês.

Até já consegue perder uma corrida para um Wout van Aert, mas ser ele o foco no final da Amstel Gold Race! Mais um jovem ciclista que não perde tempo a afirmar-se e apesar de, por agora, serem as clássicas a aposta inicial, quando chegou à Ineos Grenadiers deixou o aviso que quer ser um ciclista completo, com possibilidade de se mostrar também em provas por etapas. Está na lista da equipa como hipótese para ir à Volta à Espanha.

Quanto a Van Aert, numa altura em que se prepara para uma pausa competitiva depois de uma intensa fase de clássicas, despede-se com uma vitória que estava a precisar. Apesar do pior resultado ter sido um 11º lugar na E3 Saxo Bank, só ter ganho a Gent-Wevelgem não lhe estava a cair muito bem. É um ciclista habituado a vencer, pelo que conquistar a Amstel Gold Race era quase uma questão de honra. Até Roglic trabalhou para o belga, pelo menos até um problema mecânico o tirar da frente da corrida.

Van Aert vai agora preparar a próxima fase da época. E é uma fase em que tem sido irresistível nas temporadas passadas: Critérium du Dauphiné e Volta a França.

Van der Poel anda pelo BTT e nem foi à Amstel Gold Race, corrida que teve uma edição para história em 2019, com a vitória do holandês. Vamos ter de esperar para ver este trio a disputar corridas. No ciclocrosse, Pidcock andou, nas semanas antes de vestir o equipamento da Ineos Grenadiers, a assistir às vitórias dos rivais, apesar de também ele somar bons resultados. Como irá ser na estrada? Van Aert já percebeu que não pode dar um centímetro (ou mesmo milímetro) a este irreverente britânico.

Classificação completa, via ProCyclingStats. De referir que a Jumbo-Visma teve um domingo perfeito, pois também ganhou a Amstel Gold Race feminina, com Marianne Vos.

Rui Costa em acção

Numa Amstel Gold Race em que o circuito final tirou algum do interesse durante uma parte da corrida, a movimentação de Max Schachmann (Bora-Hansgrohe) a cerca de 15 quilómetros do final, acabou por ser decisiva. Pidcock e Van Aert juntaram-se ao alemão, que ao não conseguir distanciar num ataque a dois mil metros da meta, ficou a ver o sprint de perto, mas sem capacidade para entrar na discussão.

Porém, houve várias movimentações até esse momento, uma delas de Rui Costa. O português da UAE Team Emirates tem a Liège-Bastogne-Liège como a sua prova preferida nas Ardenas - já fez pódio -, mas com Tadej Pogacar a juntar-se à equipa para essa corrida e, antes, para a Flèche Wallonne, Rui Costa aproveitou para tentar a sua sorte.

Não esteve sozinho, mas a companhia acabou por não ser a ideal para que a tentativa de fuga triunfasse. Ficou o teste, na esperança que possa surgir a oportunidade para, mesmo com Pogacar na equipa, Rui Costa seja uma carta a jogar por parte da UAE Team Emirates nas próximas duas corridas, quarta-feira e domingo.

Rui Costa terminou a Amstel Gold Race na 54ª posição, a 2:12 do vencedor. O companheiro de equipa Ivo Oliveira abandonou.

21 de abril de 2019

Simplesmente fenomenal!

(Fotografia: Facebook Amstel Gold Race)
"Eles já não vos apanham", ouviu do rádio Jakob Fuglsang. E dificilmente alguém acreditaria que, a menos de cinco quilómetros da meta, o dinamarquês e Julian Alaphilippe não iriam discutir a vitória na Amstel Gold Race. Porém, num daqueles volte-face que simplesmente nos faz adorar ainda mais o ciclismo (se tal é possível), num daqueles momentos que se há-de falar durante muito, muito tempo, Mathieu van der Poel alcançou o impossível. Ou melhor, mostrou que nada é impossível quando se tem talento, vontade, atitude e uma qualidade como ciclista que promete colocar este holandês a um nível apenas ao alcance daqueles verdadeiramente especiais.

Só este ano, Van der Poel já tinha demonstrado o que poderia fazer. Em anos anteriores foi deixando indicações que faziam com que se desejasse vê-lo finalmente dedicado à estrada, ele que no ciclocrosse só tem Wout van Aert como rival. A subida da Corendon-Circus a Profissional Continental apresentou finalmente todo o talento deste ciclista ao mundo. Van der Poel não só não está desiludir nem um bocadinho, como está a ultrapassar quaisquer expectativas. Que poder, que força naquela pedalada final, depois de mais de 260 quilómetros! Para quem tinha receio de fazer distâncias longas, o saldo ficou num quarto lugar na Volta a Flandres e nesta inesquecível vitória na Amstel Gold Race. 

Em menos de cinco quilómetros, Van der Poel recuperou qualquer coisa como um minuto de desvantagem, rebocando um pequeno grupo que nem se consegue perceber se não quis ajudar ou se era difícil fazer melhor do que o holandês. Matteo Trentin foi ultrapassado como se estivesse a fazer cicloturismo, Michal Kwiatkowski, que já tinha feito algo improvável de encostar ao duo da frente, pareceu ficar parado na estrada. Alaphilippe e Fuglsang mal conseguiam acreditar naquele homem que passava por eles, com um Simon Clarke (EF Education First) "agarrado" àquela roda como se a vida dependesse disso. Ficou em segundo lugar, num esforço que noutra ocasião lhe poderia ter dado uma vitória.

Mas com este Van der Poel a pedalar daquela forma, um segundo lugar tem de saber um pouco a vitória. O holandês, de mão na cabeça ao cortar a meta, estava incrédulo com o que tinha acabado de alcançar. A incredulidade era partilhada por quase todos. Aquele sprint, aquela recuperação fez qualquer um abrir bem os olhos perante um momento que, de repente, se percebeu que ia ser histórico.

Van der Poel disse que não acreditava ser possível chegar à vitória depois de não ter ido com Alaphilippe e Fuglsang. O holandês já tinha testado antes a concorrência, como já se percebeu que gosta de fazer, e ainda faltavam 50 quilómetros. O melhor ficou para o fim. E que final! Não se deixou contentar com um top dez. Procurou algo mais. Conseguiu o prémio maior. Um exemplo de atitude e de quem não fica à espera que façam por ele, o que ele pode fazer.

Ganhar a Através da Flandres tinha sido um marco importante na sua carreira, por ser a sua primeira conquista numa corrida World Tour. Na Amstel a história continuou a ser escrita e tantos vão ser os capítulos... Van der Poel só tem 24 anos.

A semana das Ardenas abriu com estrondo. A Amstel é na Holanda, mas pertence a esta semana e desde 2001 que um homem da casa não vencia. O último foi Erik Dekker. Como se pode imaginar a festa foi grande na corrida da cerveja. Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep) parecia estar a caminho de conquistar a primeira vitória rumo à tripla. Bem se tinha dito que Van der Poel seria aquele que provavelmente poderia estragar o objectivo do francês, que acabou num quarto lugar, com sabor a frustração. Fuglsang salvou um pódio, mas foi o primeiro a assumir o erro de baixar o ritmo, acreditando nas palavras que já não seriam apanhados.

Agora é esperar para ver o próximo espectáculo de Van der Poel e até onde irá este atleta com genes de ciclista (o pai é Adrie van der Poel, que venceu a Amstel Gold Race em 1990 e o avô é Raymond Poulidor, um dos grandes nomes do ciclismo francês). As Ardenas não contarão mais com Van der Poel e ainda não se sabe qual será a próxima prova. Que chegue rápido.

Neste link pode ver a classificação completa, via ProCyclingStats, com Rui Costa (UAE Team Emirates) a ser 13º, a 46 segundos. Ruben Guerreiro (Katusha-Alpecin) abandonou. Na corrida feminina, a vencedora foi a polaca Katarzyna Niewiadoma (Canyon SRAM Racing).

Aqui fica a parte final do sprint, mas que não faz jus a todo aquele esforço de outro mundo de Van der Poel.
»»Será ano de tripla nas Ardenas? Alaphilippe é o candidato e tem a seu lado o último ciclista a alcançar o feito««

»»Rui Costa deixou boas indicações para umas Ardenas de máxima importância««

20 de abril de 2019

Será ano de tripla nas Ardenas? Alaphilippe é o candidato e tem a seu lado o último ciclista a alcançar o feito

(Fotografia: © Deceuninck-QuickStep)
É altura de deixar o pavé e atacar os muros das Ardenas. A famosa semana de clássicas começa com a Amstel Gold Race que, objectivamente, não fica nas Ardenas! Mas faz parte do trio de corridas que este ano tem Julian Alaphilippe como a grande figura. Em 2018 como que houve uma espécie de passagem de testemunho entre Alejandro Valverde e o francês. Perante a temporada que o ciclista da Deceuninck-QuickStep está a realizar, a questão é se vai conseguir fazer a tripla. O favoritismo é dele, mas a concorrência é grande, tanto em qualidade, como em número de adversários, neste último caso principalmente na Amstel Gold Race.

Apesar de esta ser uma semana que muito tem tido Valverde como figura, o espanhol nunca ganhou a Amstel. É rei na Flèche Wallonne: cinco vitórias, quatro consecutivas, com Alaphilippe a quebrar a senda no ano passado, mostrando que o Muro de Huy afinal não era o Muro Valverde. Ficou a sensação de uma passagem de testemunho... Na Liège-Bastogne-Liège, Valverde vai em quatro conquistas e no ano em que está de arco-íris vestido, o campeão do mundo não se importaria nada de juntar mais umas vitórias ao seu vasto currículo, a começar pela Amstel Gold Race. A época não tem sido pródiga em triunfos como no passado recente, mas ninguém coloca Valverde como carta fora do baralho.

Porém, é inevitável que Alaphilippe chegue às Ardenas como o grande favorito. É o ciclista mais em forma, com oito vitórias, tendo conquistado o seu primeiro monumento na Milano-Sanremo. Pensou-se que seria na Liège-Bastogne-Liége que abriria a contagem pessoal, mas o francês está feito num todo o terreno. No entanto, é este terreno, das próximas três corridas, que lhe assenta tão bem. Desde 2011 que ninguém faz a tripla e Alaphilippe pode pedir uns conselhos ao último autor da proeza: o companheiro de equipa, Philippe Gilbert. Claro que será de contar que o belga terá também alguns planos próprios, ainda mais com a motivação que traz ao ter ganho o Paris-Roubaix. E já se sabe, nesta Deceuninck-QuickStep há sempre mais do que uma opção, o que se tem revelado um formato de sucesso.

É já na Amstel Gold Race deste domingo que Alaphilippe poderá encontrar o maior entrave a fazer a tripla. É a corrida com um maior lote de candidatos, porque tendo alguns "berg" (os famosos muros), não são os que esperam ao pelotão nas duas corridas seguintes. Por isso, a prova holandesa seduz tanto ciclistas que apostam na fase do pavé, como os que têm as Ardenas como objectivo.

Peter Sagan (Bora-Hansgrohe), Wout van Aert (Jumbo-Visma), Oliver Naesen (AG2R) e Greg van Avermaet (CCC) são exemplo disso mesmo. Sagan - que em 2018 estreou-se na Amstel com um quarto lugar - vai fugir à regra e este ano irá estrear-se na Liège, enquanto os restantes terminarão esta fase da época na Amstel. E não, não nos estamos a esquecer de Mathieu van der Poel. O ciclista da Corendon-Circus é o único a conseguir ofuscar um pouco o estrelato de Alaphilippe e até bateu o francês no sprint da Brabantse Pijl, naquela que foi a primeira prova de 2019 que Alaphilippe não venceu. Até então tinha conquistado as duas clássicas em que tinha participado (Strade Bianche e Milano-Sanremo) e pelo menos uma tirada nas corridas por etapas.

Van der Poel tem, em cada corrida que se tem estreado este ano, deixado o seu impacto. Soma cinco vitórias e é um dos principais favoritos numa corrida que o pai, Adrie, ganhou em 1990. Para Mathieu a maior preocupação prende-se na distância, pois está pouco habituado a fazer provas acima dos 200 quilómetros. Mas o quarto lugar na Volta a Flandres mostrou que não é um problema de maior!

Todos os nomes até agora mencionados estão entre os candidatos, mas podemos juntar mais alguns há lista. A começar pelo vencedor de 2018: Michael Valgren. Não está a ser uma mudança nada feliz do dinamarquês para a Dimension Data, depois de um ano tão forte na Astana. Contudo, regressar a um palco de uma grande vitória poderá ser o tónico que precisa. A seu lado estará outro vencedor da Amstel: Enrico Gasparotto. Venceu em 2012 e 2016, sendo terceiro há um ano, ao serviço da Bahrain-Merida. Já tem 37 anos, mas as Ardenas traz sempre ao de cima o melhor deste italiano.

E é curioso como a Dimension Data contratou o pódio da Amstel de 2018, pois o segundo classificado foi Roman Kreuziger, que trocou a Mitchelton-Scott pela formação sul-americana. Boa equipa para a Amstel, a ver vamos se a equipa encontra o caminho de uma bem vitória bem necessária.

Precisamente na Mitchelton-Scott temos outro nome do pavé, Matteo Trentin, mas atenção a Michael Albasini e Daryl Impey. Alexey Lutsenko é uma das figuras de 2019 da Astana, que terá ainda Jakob Fulgsang e não será de esperar um Luis León Sánchez à espera de pedir licença para atacar. Depois de vencer a Volta a Flandres, Alberto Bettiol (EF Education-First) ganhou outro destaque, com Tim Wellens (Lotto Soudal) e Michael Matthews (Sunweb) a serem dos mais fortes candidatos. Michal Kwiatkowski (Sky) é outro homem a ter em conta e atenção a Dylan Teuns (Bahrain-Merida).

Entre os portugueses temos Rui Costa (UAE Team Emirates) que sempre gostou muito desta semana das Ardenas. A Katusha-Alpecin chamou Ruben Guerreiro para a Amstel, com José Gonçalves a ficar guardado para a Flèche Wallonne (quarta-feira) e Liège-Bastogne-Liège (domingo, dia 28).

O pelotão para as corridas belgas já terá algumas alterações, mas antes temos então a Amstel Gold Race, a corrida que tem à espera dos três primeiros umas cervejas para o brinde no pódio, não fosse o nome da prova o de uma cerveja!

É uma corrida que se tornou bem mais interessante desde que o seu percurso foi alterado, principalmente com a retirada do Cauberg como ponto de decisão. A tentação do pelotão era esperar por esta subida, o que retirava aos mais de 200 quilómetros anteriores um ponto de interesse. Depois do Cauberg há então ainda mais duas subidas: Geulhemmerberg e Bemeleberg. Antes de aqui se chegar, acaba por se verificar uma maior eliminação de ciclistas e o percurso pode proporcionar mais ataques. Serão 265,7 quilómetros, com partida em Maastricht e o final em Berg en Terblijt. O Eurosport 1 tem previsto o início da transmissão para as 14:15, depois da última etapa da Volta à Turquia.

Lista completa de inscritos, via ProCyclingStats.

(Gráfico: La Flamme Rouge)


19 de abril de 2019

Várias equipas já sondam Van der Poel e há uma que não surpreende

(Fotografia: print screen)
Mathieu van der Poel despertou de vez o interesse de várias equipas do World Tour. O próprio o admite. Se era um ciclista que estava a criar algumas expectativas, principalmente depois de ter sido campeão nacional em 2018, este ano confirmou-as e, se calhar, até as ultrapassou. Mas não vai ser fácil convencer o holandês a sair da Corendon-Circus e parece que nem ter a melhor equipa de clássicas interessada o faz pensar quebrar contrato.

Já são cinco vitórias esta época, mas foram as na Através da Flandres (corrida World Tour) e na De Brabantse Pijl que o tornaram num dos ciclistas mais apetecíveis do momento. Isto sem esquecer o fantástico quarto lugar na Volta a Flandres, numa estreia que mais auspiciosa, só se tivesse terminado no pódio ou mesmo ganho. A super-estrela do ciclocrosse já está a ser também uma na estrada, pelo que o contrato até 2022 com a sua actual equipa parece ser algo difícil de manter.

Ou talvez não. "Há de facto grandes equipas que me contactaram, mas não quero mencionar nomes. Disse a todas que, para já, terão de esperar. Estou sob contrato", salientou ao Sporza. Não quis dizer nomes, contudo, ao ser questionado pelo possível interesse de Patrick Lefevere, Van der Poel não o negou, recordando a relação que o director da Deceuninck-QuickStep tem com o seu pai, Adrie van der Poel. "Faz sentido que tenha havido um contacto", disse.

Deceuninck-QuickStep querer um dos ciclistas que maior potencial apresenta neste momento para as clássicas, não é certamente nenhuma surpresa, ainda mais quando é necessário pensar em contratar sangue novo. E claro, porque a formação belga sempre procura ter os melhores homens de clássicas no seu plantel.

Apesar de ser um ciclista de nível World Tour, Van der Poel sente-se bem na sua equipa e há outro pormenor a ter em conta. O seu pai, Adrie, afirmou que a Corendon-Circus já pensa em tentar subir ao principal escalão, ainda que não tenha sido uma das equipas a pedir a licença para as próximas três temporadas. Afinal, acabou de chegar ao escalão Profissional Continental e com Van der Poel nas fileiras, não terá problemas em receber convites para as grandes corridas e em cimentar a sua estrutura, provavelmente começando a reforçar mais o plantel. Com a exposição mediática que tem, mais patrocinadores poderão chegar.

Adrie van der Poel referiu que Lefevere é "suficientemente inteligente para não estar sempre a perguntar". Porém, a primeira abordagem está feita. O pai do ciclista de 24 anos, realçou que não vê razões para Mathieu mudar de equipa, vendo o actual contrato como algo para honrar.

A questão financeira interfere muitas vezes neste tipo de decisões e, no caso de Van der Poel, há uma Canyon muito interessada em ter este ciclista a competir com as suas bicicletas. Apesar de patrocinar a Movistar e a Katusha-Alpecin, por exemplo, a imagem de Van der Poel está a tornar-se extremamente valiosa, talvez só sendo comparável ao que Peter Sagan representa para a Specialized. Esta marca foi decisiva quando o eslovaco assinou pela Bora-Hansgrohe e, a título de curiosidade, é esta marca que fornece as bicicletas à Deceuninck-QuickStep. A Canyon poderá ter uma palavra a dizer no futuro do holandês, mas não será fácil, nem barato manter Van der Poel como a sua imagem.

Recentemente a Canyon lançou uma nova publicidade com o holandês.



Mathieu vai fechar a época de clássicas na Amstel Gold Race, uma corrida que o pai ganhou em 1990. Arie referiu que o filho não lhe faz muitas perguntas sobre a prova, até porque o percurso é diferente. Salientou ainda que não está surpreendido com o que Mathieu está a alcançar tão rapidamente.

O ciclista também falou da corrida de domingo, considerando que é um dos favoritos, mas não um dos principais favoritos. "Há ainda corredores que já provaram mais do que eu neste tipo de corridas", afirmou, deixando um elogio a Julian Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep), ciclista que bateu ao sprint da De Brabantse Pijl: "Acho que é actualmente o melhor ciclista no pelotão. É bom ter a oportunidade de competir contra alguém como ele." Considerou ainda que Greg van Avermaet é outro atleta a ter em atenção na Amstel Gold Race.

»»Van der Poel é já um grande ausente do Paris-Roubaix e até dos seus calções se fala««

»»Corre por instinto, dá espectáculo e já ganha no World Tour. Abram alas: chegou Van der Poel««

18 de abril de 2019

Rui Costa deixou boas indicações para umas Ardenas de máxima importância

(Fotografia: © PhotoFizza/UAE Team Emirates)
Está na altura de mudar o chip! Depois das clássicas do pavé, aproxima-se a semana das Ardenas, com um trio de corridas históricas, a começar já este domingo com a Amstel Gold Race. Segue-se a Flèche Wallonne na quarta-feira e depois, no domingo 28, o quarto monumento do ano, a Liège-Bastogne-Liège. Uma das questões que mais se coloca é se Julian Alaphilippe irá fazer a tripla. Porém, numa perspectiva portuguesa, há a questão de como se irá apresentar Rui Costa.

O poveiro regressou (e com uma boa prestação) na Brabantse Pijl-La Flèche Brabançonne, depois de em Março ter chocado contra um camião durante um treino. Esta famosa semana de ciclismo que se aproxima poderá ter um peso importante no futuro próximo do ciclista.

O acidente em Braga assustou, mas o ciclista não ficou com ferimentos graves. Na corrida belga de quarta-feira, apresentou-se sempre muito activo, terminando na 22ª posição, a 18 segundos do vencedor, Mathieu van der Poel (Corendon-Circus). Rui Costa queria testar a sua condição física. Passou o teste, mas agora vem o exame mais importante.

Depois de um 2018 muito difícil devido à lesão no joelho, Rui Costa tem mostrado esta época a forma que apresentou nos Mundiais do ano passado, quando provou que o pior já tinha passado. Nas provas por etapas, o pior que fez foi um 17º na geral da Volta aos Emirados Árabes Unidos. Tem um quarto lugar em Omã e foi 10º na Volta à Comunidade Valenciana e no Tirreno-Adriatico, uma das corridas mais importantes por etapas desta primeira fase da temporada. Agora chega às clássicas das Ardenas que tanto gosta.

Foi terceiro na Liège-Bastogne-Liège de 2016, naquela que nunca escondeu ser uma das corridas que mais ambiciona triunfar. E que bem lhe faria um bom resultado no monumento, ou numa das duas outras provas antes. Ou nas três! Isso seria perfeito. A perder cada vez mais espaço quanto à liderança na UAE Team Emirates e com a equipa a dar-lhe no final da época anterior uma renovação apenas por mais um ano, a oportunidade de ter destaque nas Ardenas não é para desperdiçar.

"Venho de um mês no qual foquei-me no treino. O trabalho foi bom, mesmo que tenha sido marcado pelo incidente no treino, no final de Março. Não correrei sob particular pressão, mas tenho a vontade de testar a minha condição e para entrar em sintonia com a atmosfera e o ritmo das clássicas das Ardenas", disse antes da Brabantse Pijl-La Flèche Brabançonne.

Com a equipa a ter já jovens que prometem em breve subir na hierarquia, como Tadej Pogacar (corridas por etapas) e Jasper Philipsen (clássicas) à cabeça, por exemplo, não há tempo a perder para Rui Costa, que perdeu espaço com a chegada de Fabio Aru e Daniel Martin em 2018. Adapta-se bem aos três percursos das clássicas das Ardenas e sempre foi um dos ciclistas mais inteligentes tacticamente, o que é ainda mais importante quando a equipa tem dificuldades em funcionar colectivamente (está a melhorar aos poucos esse importante pormenor). Não será um líder único, com Diego Ulissi, a também querer um bom resultado. Daniel Martin deverá aparecer na Liège, ainda que, para já, não haja confirmação. Sendo um antigo vencedor e um apreciador desta corrida, seria estranho não incluir a Liège no seu calendário. Mas tal como aconteceu no ano passado, a presença do irlandês não anulará por completo a liberdade de Rui Costa. Ainda que não ajude.

Aos 32 anos e perante o caminho que a equipa está a fazer para se tornar numa potência, Rui Costa tem de realizar exibições de topo, tendo uma margem de erro muito reduzida. Principalmente tem de agarrar com tudo o que tenha as poucas oportunidades que ainda vai tendo. Perante a sua forma em 2019 e o seu passado nas Ardenas, este é um ciclista que pode ter uma palavra a dizer nas próximas três corridas. "Só" tem de ser aquele Rui Costa de Innsbruck, nos Mundiais.

»»Rui Costa está bem após acidente e a pensar no próximo objectivo««

21 de abril de 2018

Benoot critica diferentes decisões para ciclistas que usam ciclovias nas corridas

Tiesj Benoot criticou as recentes decisões dos comissários que tanto castigam um ciclista que passa numa ciclovia durante uma corrida, como deixam outro sem sanção. Os casos em causa envolvem Luke Rowe, na Volta a Flandres, e Peter Sagan, na Amstel Gold Race. O ciclista belga, da Lotto Soudal, não gostou de ver o primeiro ser retirado da competição, enquanto o eslovaco foi até final e não sofreu qualquer castigo. Deixa mesmo entender que há diferentes pesos e medidas dependendo de quem se trata.

"A UCI tem de ser consistente. Se diz que não é permitido e os melhores ciclistas fazem, então tens de os tirar da corrida. Só assim se marca uma posição", afirmou Benoot ao Sporza. "O Rowe ganhou menos vantagem [comparativamente com o Sagan]. Ele teve de sair [da estrada] senão caía. Ele não deveria ter sido retirado da corrida", considerou o belga. A decisão de expulsar o britânico causou alguma surpresa e levou a algumas críticas na altura. O próprio ciclista não concordou, mas foi o primeiro a tentar não criar muita polémica.

As imagens televisivas deixaram de imediato a sensação de que o ciclista viria depois a explicar, ou seja, que ao ver-se na ciclovia e, por consequência, no meio de algum público, Rowe travou e tentou regressar à estrada da forma mais segura possível. O britânico da Sky referiu que dada a luta pela colocação, acabou por ser forçado a ir para a ciclovia, de forma a evitar uma queda. Por causa disso, entrou no Kwaremont na parte de trás do grupo. Ou seja, não tirou qualquer vantagem. Ainda assim, foi obrigado a "encostar" pelos comissários.

Quanto a Sagan, o eslovaco aproveitou para cortar caminho numa curva e assim recolocar-se mais à frente no pelotão. Havia uma diferença: na Volta a Flandres o vídeo-árbitro estava em acção, na Amstel Gold Race não. Ainda assim, as imagens televisivas mostraram claramente o que o líder da Bora-Hansgrohe fez e para Benoot também está em causa quem comete a infracção. "Há dois anos houve pela primeira vez muita discussão sobre as ciclovias. Na Omlopp Het Nieuwsblad, o grupo que liderava, com o Sagan, Avermaet e Vanmacke, andou na ciclovia, mas tinha sido repetido cinco vezes que era proibido. Não foi permitido aos perseguidores seguir o mesmo exemplo e tiveram de andar no pavé. Foi onde perderam a corrida", recordou Benoot.

Este é um assunto que continua a ser muito sensível, com as organizações das corridas de pavé a considerarem que é difícil aplicar as regras da UCI em provas com características tão especiais como estas. Uma das soluções tem sido colocar barreiras, mas há certo locais em que simplesmente não é possível. Ainda recentemente na Kuurne-Brussels-Kuurne, o caminho de pavé ficou completamente vazio, enquanto o pelotão seguiu em fila indiana pela ciclovia na lateral. O director da corrida limitou-se a dizer: "O que posso fazer? Desqualificá-los a todos?"

Os casos que originaram as declarações de Benoot são diferentes e demonstraram como as regras não são aplicadas de forma uniforme, ainda que a decisão que afectou Rowe foi vista como exagerada e não só por Benoot.

Por outro lado, e como exemplo que demonstra que as desqualificações em massa não se podem evitar só porque são muitos a desrespeitar as regras, na recente Scheldeprijs foi deixada uma mensagem muito clara. 35 ciclistas foram imediatamente excluídos da corrida, depois de desrespeitarem a sinalização de uma passagem de nível e entre eles estavam alguns dos grandes nomes do pelotão, como Dylan Groenewegen (Lotto-Jumbo), Arnaud Démare (Groupama-FDJ) e Tony Martin (Katusha-Alpecin). E aqui não havia vídeo-árbitro, mas ninguém escapou. Este foi um assunto que ganhou relevo depois de no Paris-Roubaix, em 2015, alguns ciclistas não terem parado quando a cancela fechou. Houve quem passasse segundos antes do comboio surgir. As sanções endureceram desde então. Além da exclusão, os 35 ciclistas pagaram 100 francos suíços de multa (cerca de 83 euros).


17 de abril de 2018

Levefere acusa motos de decidirem as corridas

Depois de uma época de clássicas (e não só) simplesmente brilhante, o director da Quick-Step Floors "atirou-se" às motos que estão nas diferentes funções de apoio às corridas. Patrick Levefere é célere em dizer que não é um mau perdedor e até apontou alguns dos problemas que ditaram que não colocasse nenhum dos seus ciclistas no pódio na Amstel Gold Race. No entanto, mostrou-se muito insatisfeito com o que diz ter sido uma ajuda que fez a diferença na decisão da corrida que abriu a Semana das Ardenas. Realçou não ser caso único e vai mesmo escrever ao presidente da UCI para expor a situação.

As motos estão assim envolvidas numa questão diferente. Desta feita não está em causa o eventual perigo que certas manobras ou o excesso deste tipo de veículos no pelotão possa causar, como alguns defendem, mas sim o facto de estarem de tal forma perto dos ciclistas, que acabam por lhes oferecer alguma protecção, ou seja criando cones de ar ou cone de aspiração.

"Não quero parecer mau perdedor, mas o papel das motos na corrida foi escandaloso. Isto aplica-se a outras provas além desta edição da Amstel Gold Race. Enquanto o Pieter Serry estava a esforçar-se ao máximo na frente do grupo de favoritos, a fuga continuava a seguir por causa do cone de ar criado pelas motos", salientou Patrick Lefevere ao jornal belga Dernière Heure. O director acrescentou que quando a diferença é menos de 20 segundos, então as motos devem estar atrás dos ciclistas que lideram a corrida. "Vou escrever uma carta ao presidente da UCI, David Lappartient, porque isto não pode continuar. São as motos que estão a decidir as corridas", realçou.

A Quick-Step Floor teve uma fase louca em que ganhou quase corrida sim, corrida sim, agora está numa espécie de pausa. O último triunfo foi a 7 de Abril, no fecho da Volta ao País Basco, com Enric Mas a dar a 25ª vitória à equipa belga. Três dias antes, Fabio Jakobsen venceu a Scheldeprijs. "Foi a primeira vez em algumas semanas que não tive ninguém no pódio numa clássica. Alaphilippe tentou duas vezes ir atrás de Valverde e isso deixou-o de pernas vazias. Philippe [Gilbert] ficou um pouco curto. Como acontece muito nesta corrida, tudo se decide um pouco com quem consegue manter mais tempo a calma. É muito difícil escapar ao controlo que certas equipas fazem na corrida", explicou Lefevere.

A Amstel Gold Race foi ganha por Michael Valgren (Astana), com Roman Kreuziger (Mitchelton-Scott) e Enrico Gasparotto (Bahrain-Merida) a fecharem o pódio. Julian Alaphilippe foi o melhor da Quick-Step Floors, ao terminar na sétima posição, a 19 segundos do vencedor. O francês irá ser uma das apostas para a Flèche Wallonne, que se realiza esta quarta-feira.

Esta questão das motos está longe de ser nova. Várias são as vezes que mesmo durante as corridas se vê ciclistas a pedir para as motos se afastarem ou então a tentarem aproveitar a colocação destas para procurar uma protecção de forma a poupar esforço, mas ter velocidade, o cone de ar. Há certas corridas em que a colocação das motos se torna ainda mais complicada e a Amstel Gold Race é uma delas. As estradas estreitas dificultam a convivência entre todos os veículos que compõem a caravana de uma prova de ciclismo. Pior é quando chove, ou então mesmo num Paris-Roubaix ou Strade Bianche, em que o pavé, a terra, a lama faz com que os ciclistas consigam por vezes ir mais rápido do que as próprias motos.

Lefevere é apenas e só um dos directores mais antigos, respeitado e carismático do pelotão, pelo que as suas declarações podem contribuir para dar outra atenção a este assunto, ainda que, e pelos exemplos dados, nem sempre é fácil conduzir uma moto no pelotão, mas também nem sempre as distâncias são cumpridas, o que leva aos tais desentendimentos, transmitidos em directo, com os ciclistas.


15 de abril de 2018

Valgren a tornar o seu nome num dos grandes da Astana

Valgren no pódio com Kreuziger e Gasparotto
(Fotografia: Facebook Amstel Gold Race)
Faltam grandes nomes? Então está na altura de os criar. Poder-se-ia pensar que a Astana ia levar as mãos à cabeça por em dois anos ter ficado sem as suas duas referências para as grandes voltas: Vincenzo Nibali e Fabio Aru. Alexander Vinokourov ficou furioso por este último não ter renovado e até o ameaçou processar por alegadamente nunca ter dito nada e ter anunciado a saída numa altura em que já era missão impossível arranjar um substituto do seu nível. Porém, e apesar de até se ter reforçado com bons ciclistas, esta foi a oportunidade para os homens da casa se mostrarem e, principalmente, se afirmarem. Se mais à frente se espera por Miguel Ángel López, entretanto Michael Valgren aproveitou para dizer que a Astana pode ser uma equipa ganhadora nas clássicas. Duas grandes vitórias de um ciclista inteligente, com enorme talento para este tipo de corridas, mas também com capacidade para algumas provas de uma semana, além de ser um excelente contra-relogista. E sim, tomou o gosto de ganhar.

Com Peter Sagan e Alejandro Valverde no grupo que ficou na frente para discutir a Amstel Gold Race, não será difícil de adivinhar que muitos estariam a pensar que se houvesse sprint, o eslovaco "limparia" a concorrência, mas o espanhol poderia fazer um ataque letal para finalmente conquistar esta prova, a que lhe falta da semana das Ardenas. Sejamos justos, pelo menos Tim Wellens (Lotto Soudal) e Julian Alaphilippe (Quick-Step Floors) também mereciam algum (muito) crédito. Porém, mais uma vez a Astana jogou bem. Colocou dois homens na frente e Jakob Fuglsang não é um qualquer. Soube valer-se dessa vantagem, mas teve essencialmente um Valgren que atacou no momento certo, que soube "enganar" Roman Kreuziger (Mitchelton-Scott) para passar pela frente quando se aproximava o momento do sprint e Enrico Gasparotto (Bahrain-Merida) se aproximava. Desferiu o golpe final e foi claramente superior. Nove vitórias para uma Astana que no ano passado por esta altura ainda não tinha vencido.

Classe. É um ciclista com muita classe. Estamos a falar de um dinamarquês que venceu duas vezes a Liège-Bastogne-Liège em sub-23 (2012 e 2013), que já tinha sido segundo nesta mesma Amstel Gold Race em 2016, então atrás de Gasparotto - Valgren lá tinha as suas razões para não querer o italiano a discutir o sprint - e este ano conquistou a Omloop Het Nieuwsblad. O quarto lugar na Volta a Flandres também não é nada para ficar em segundo plano. Ganhou no pavé, venceu agora na abertura da Semana das Ardenas e ao contrário de outros ciclistas que tiveram em acção na fase do empedrado, Valgren vai estar também na Flèche Wallonne (quarta-feira) e no monumento Liège-Bastogne-Liège.

O dinamarquês (26 anos) bateu dois dos nomes que marcam o ciclismo actual e ficarão na história. Agora Peter Sagan (foi quarto) sai de cena. Irá recuperar forças e regressar a 15 de Maio na Volta à Califórnia. Já Alejandro Valverde, falhado o objectivo de uma Amstel Gold Race que lhe teima em escapar, vira-se para as suas duas corridas. O Muro de Huy espera pelo espanhol da Movistar para fazer mais um pouco de história na Flèche Wallonne. Vai em cinco vitórias, quatro consecutivas, um recorde, tendo em conta que mais ninguém passou dos três triunfos. Pode não ter ganho este domingo, mas Valverde mostrou-se forte. Muito forte mesmo. Se nas clássicas do pavé eram todos contra a Quick-Step Floors, nas próximas duas corridas - conta com quatro Liège-Bastogne-Liège - serão todos contra Valverde.

Nos 263 quilómetros entre Maastricht entre Berg en Terblijt, Rui Costa esteve bem colocado até à aceleração já nos últimos 20/25 quilómetros, quando o grupo onde estava tentou definitivamente acabar com a fuga. O ciclista da UAE Team Emirates foi 27º a 2:11 minutos, mas deixou boas indicações para a restante Semana das Ardenas, principalmente para a Liège-Bastogne-Liège, uma corrida que tanto ambiciona ganhar e na qual já foi pódio em 2016 (terceiro atrás de Wout Poels e Michael Albasini). Ruben Guerreiro (Trek Segafredo) terminou na 55ª posição a 3:26.

Na corrida feminina, a vencedora foi a campeã do mundo Chantal Blaak (Boels-Dolmans). A holandesa bateu ao sprint a compatriota da Sunweb, Lucinda Brand. Amanda Spratt (Mitchelton-Scott) fechou o pódio. A portuguesa Daniela Reis (Doltcini-Van Eyck Sport) não terminou.

Classificação via ProCyclingStats:


»»Astana perdeu Aru, está sem financiamento, mas reencontrou-se com as vitórias««

»»João Almeida vence Liège-Bastogne-Liège e Rui Oliveira qualifica Portugal para os Mundiais««

14 de abril de 2018

Valverde procura a vitória que lhe falta e Gilbert persegue um recorde

(Fotografia: Facebook Volta à Catalunha)
Respirámos fundo, recuperámos de um intenso Paris-Roubaix e de uma época de pavé com muito espectáculo e agora mergulhamos no mundo das Ardenas. Mudam a maioria dos protagonistas, mas prometem emoção e claro que as atenções vão centrar-se muito em Alejandro Valverde. O espanhol já tem sido a estrela desta semana de clássicas, que inclui a Amstel Gold Race, a Flèche Wallonne e a Liège-Bastogne-Liège, mas este ano está a reescrever uma página fantástica da sua já incrível história. E no dia 25 celebrará 38 anos.

A 1 de Julho temeu-se que a carreira de Valverde pudesse ter terminado, depois da grave queda no contra-relógio do Tour. O espanhol recuperou e regressou à sua senda vitoriosa: já são nove, contando com etapas, classificações gerais e montanha. Há algo que falta no seu currículo: a Amstel Gold Race. Tem cinco Flèche Wallonne e quatro Liège-Bastogne-Liège. Há três curiosidades que fazem com que Valverde vá receber muita atenção: será que vence finalmente a Amstel Gold Race; será que faz a tripla das Ardenas; será que bate o recorde de Eddy Merckx? Neste caso está a duas vitórias do belga na semana das Ardenas. Tem oito contra dez de Merckx, que venceu nas três corridas.

Mas fiquemos por agora pela competição que se realiza na Holanda. Há outro nome que procura uma marca história: Philippe Gilbert. O belga está a um triunfo de igualar o holandês Jan Raas, ou seja, cinco Amstel Gold Race. Não conseguiu o primeiro cinco do ano, isto é, ganhar a Milano-Sanremo e o Paris-Roubaix e assim ficar com os cinco monumentos, mas também admite não estar obcecado em ganhar este domingo. Aliás, avisa que a Quick-Step Floors tem outra arma a jogar: Julian Alaphilippe. Valverde tem andado a frustar o jovem belga nas outras duas corridas das Ardenas, mas já ficou mais do que claro que Alaphilippe é homem para se tornar numa figura destas clássicas na Holanda e Bélgica. E a equipa bem precisa de uma vitória, afinal há uma semana que não ganha!

Michal Kwiatkowski venceu em 2015 e foi segundo em 2017, atrás de Gilbert. O polaco da Sky já se tornou um candidato em praticamente todas as corridas em que participa. Porém, atenção. Mesmo muita atenção a Tim Wellens e Tiesj Benoot. Os dois ciclista da Lotto Soudal demonstraram na Brabantse Pijl que estão bem fisicamente. Primeiro e terceiro classificado. Estão entre os principais candidatos. E é melhor não desviar o olhar nem por instantes de Vincenzo Nibali. Ganhou a Milano-Sanremo e nem era um dos principais objectivos. Mas a semana das Ardenas é.

Peter Sagan está de regresso à Amstel Gold Race cinco anos depois. Chega à corrida confiante e com o pedregulho, troféu do Paris-Roubaix. Será a única corrida das Ardenas que fará, mas o eslovaco não sabe competir só para passear a sua camisola de campeão do mundo. E até tem um incentivo, pois uma vitória será uma bela forma de festejar a renovação de contrato do patrocinador Bora até 2021.

Dos homens que vêm da fase do pavé, é Greg van Avermaet quem estará mais pressionado. O belga da BMC está a zero e a temporada não tem estado a correr nada bem.

Atenção aos portugueses

Rui Costa tem esta semana como uma das suas preferidas do ano, tendo um especial apreço pela Liège-Bastogne-Liège, na qual já fez terceiro em 2016. A UAE Team Emirates levará também Daniel Martin e Diego Ulissi, mas será importante para o ciclista português obter um bom resultado, até porque tem uma posição a defender na estrutura, numa altura em que se continua sem saber que grandes volta ou grandes voltas irá fazer. Depois da queda no Paris-Nice, Rui Costa mostrou na Volta ao País Basco que estava a recuperar a boa forma.

Ruben Guerreiro também gosta destas corridas das Ardenas. Ele que foi terceiro na Liège-Bastogne-Liège em sub-23 há dois anos, em 2017 experimentou pela primeira vez na categoria de elite e ganhou experiência como pretendia a Trek-Segafredo. Este ano surge com um estatuto de maior relevo e o início de temporada tem sido bastante positivo, com aquele segundo lugar no Malhão a ser uma das suas grandes exibições. Terá Bauke Mollema como líder, mas o português poderá ter a sua oportunidade.

Pode ver aqui a lista de inscritos completa.

De referir que a semana das Ardenas também está no calendário World Tour feminino e Daniela Reis, da Doltcini-Van Eyck Sport, estará em prova na Amstel Gold Race.

O Cauberg tão longe



Serão 263 quilómetros entre Maastricht e Berg en Terblijt. O famoso Cauberg será passado três vezes, a última das quais a cerca de 20 quilómetros do fim. No entanto, o facto de já não ser o factor decisivo causa algumas dúvidas entre os ciclistas e alguns adeptos. Mas as corridas evoluem e não vão faltar motivos de interesse. E não será apenas o sobe e desce, os muros que farão a diferença. A organização irá colocar o pelotão a passar por estradas bem estreitas e já referiu que tal poderá fazer diferenças. Uma má colocação e a corrida pode ser perdida.




»»Antes das Ardenas, os mais e menos de uma grande época de clássicas do pavé««

»»Cunego já preparou o seu futuro pós-ciclista e vai continuar na modalidade a ajudar... os japoneses««

13 de abril de 2018

Cunego já preparou o seu futuro pós-ciclista e vai continuar na modalidade a ajudar... os japoneses

Último Giro de Cunego foi em 2016, quando liderou a classificação
a montanha durante 13 etapas, mas acabaria por perder para Mikel Nieve
(Fotografia: Giro d'Italia)
É difícil esconder alguma desilusão por não ter a oportunidade de correr uma última Volta a Itália. A organização não deu um convite à Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini e Damiano Cunego ficou sem o seu ambicionado adeus, mas vai tentar de ter uma despedida em grande. Não se sabe qual será última prova, contudo, está garantido que marcar presença na Amstel Gold Race dez anos depois de a ter vencido, teria um sabor bem especial fazer algo marcante na corrida que abre a Semana das Ardenas.

Aos 36 anos, Cunego considera que chegou o momento de se afastar e ceder lugar à nova geração, que quer ajudar a evoluir. Longe vão os tempos em que com apenas 22 anos se tornou num dos ídolos em Itália, tendo contribuído para tal vencer o Giro logo na sua segunda participação, em 2004. Nesse ano ganhou ainda três etapas. Somou mais algumas grandes vitórias, como a Amstel Gold Race em 2008, mas Cunego não conseguiu prolongar a senda vencedora e foi aos poucos perdendo preponderância e destaque, sem nunca perder o carinho dos tifosi.

"Vou terminar porque sinto que a modalidade mudou. Há muitos ciclistas novos e novas equipas. Já cumpri o meu tempo. Também estou pronto para fazer outra coisa na vida", salientou Cunego, numa entrevista à Gazzetta Dello Sport. O ciclista disse que "depois de todos este anos" sente que terminar a carreira é o passo certo. "Queria fazer o Giro uma última vez, mas...", desabafou. Pelo segundo ano consecutivo a equipa italo-japonesa ficou sem um convite para a grande volta transalpina e Cunego aponta agora a outras corridas para terminar a carreira da melhor maneira possível. Sem Giro, a Volta aos Alpes, que começa na segunda-feira, será uma prova apetecível para o corredor que a venceu em 2004, 2006 e 2007, quando se chamava Giro del Trentino.


Entretanto, Cunego vai mantendo-se ocupado, além dos treinos. "Quero trabalhar como treinador. Comecei a estudar para uma licenciatura em Ciência do Desporto, mas foi difícil correr e ter tempo para estar com a família. Agora estou pronto para mudar de papéis e ser treinador a tempo inteiro", referiu. E o emprego já estará garantido, com os nipónicos a prepararem-se para contar com a experiência de Cunego: "Vou trabalhar com a Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini até pelo menos 2020 e também ajudarei os ciclistas japoneses a prepararem-se para os seus Jogos Olímpicos em 2020 [em Tóquio]."

Quanto à corrida de domingo, o italiano começou por agradecer à organização por ter convidado a equipa para a Amstel Gold Race, permitindo-lhe assim fazer por uma última vez a prova onde alcançou uma das suas maiores vitórias. "Espero fazer o melhor possível. Quando ganhei, o final era mais selectivo. Agora com a meta longe do Cauberg, a luta nas subidas finais é ainda mais intensa. Haverá provavelmente entre 50 a 80 ciclistas na frente, a lutar por uma posição. Eu sou um pouco peso-pluma, mas não tenho medo de lutar por uma posição. Já enfrentei algumas batalhas", explicou. Apesar de querer mostrar-se, Cunego aponta ainda o colega Marco Canola: "Está em forma e é um bom ciclista." 

Em contagem decrescente para a despedida, só falta saber ao certo quando, surge a pergunta natural: qual o melhor e pior momento? "O melhor foi quando vesti a camisola rosa na etapa para Falzes, em 2004. O pior? Algumas pessoas pensam que foi quando terminei em segundo no campeonato do mundo em Varese, mas ainda ganhei a medalha de prata nesse dia. Os piores momentos foram as quedas e as dores, como na Volta a França de 2008", recordou. O tal Mundial foi o de 2008 quando foi batido pelo compatriota Alessandro Ballan, mas parece que não ficaram ressentimentos. E não se pode esquecer que até tem um título mundial, mas em juniores.

Cunego entrou na fase que irá desfrutar ao máximo das suas últimas corridas, mas sempre com o objectivo de ajudar uma equipa a precisar de uma vitória. Ficar de fora do Giro dois anos consecutivos foi um rude golpe para o projecto, que em 2018 continua sem vencer. Além de Cunego e Canola, Ivan Santaromita é outro nome de relevo na Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini, que contratou no final de Fevereiro Juan José Lobato. O espanhol estava sem equipa depois de ter sido despedido da Lotto-Jumbo, por ter consumido medicamentos  para dormir não autorizados pela equipa.

»»Convites para o Giro atribuídos. Não haverá despedida para Damiano Cunego««

17 de abril de 2017

Adeus tripla das Ardenas. Gilbert foi mais herói na Amstel do que se pensava, mas não compete mais esta semana

Gilbert disse adeus ao sonho de mais uma tripla na Ardenas
(Fotografia: Facebook Quick-Step Floors)
Por esta não se esperava. Tão rapidamente se falou de Philippe Gilbert apontar a repetir a tripla das Ardenas, que conseguiu em 2011, e agora comenta-se a infelicidade que atingiu o ciclista quando estava num fenomenal momento de forma. O belga teve de passar 24 horas no hospital após a vitória na Amstel Gold Race e vai falhar a Flèche Wallonne (quarta-feira) e a Liège-Bastogne-Liège. A notícia que Gilbert sofreu uma ruptura no rim numa queda a cerca de 130 quilómetros do final da Amstel Gold Race teve tanto de desilusão, como de transformar a vitória na clássica ainda mais heróica. O ciclista admitiu que não se sentiu bem após a queda, mas que foi melhorando com o passar do tempo. Melhorou de tal forma que quando chegou ao momento decisivo, teve um final explosivo para bater Michal Kwiatkowski (Sky) e assim garantir o quarto triunfo nesta corrida.

Nunca imaginou que o problema seria uma ruptura no rim, mas agora tenta aceitar que o seu regresso às vitórias vai ter uma paragem forçada. Gilbert espera recuperar a tempo de estar preparado para a Volta a Itália. "É triste não estar nas restantes corridas da semana porque estava numa grande forma, mas a nossa equipa é forte e estou confiante que outros bons resultados se seguirão", afirmou o ciclista, num comunicado divulgado pela Quick-Step Floors. Um voto de confiança que a formação bem espera que possa traduzir-se em mais sucessos. A verdade é que o afastamento de Gilbert é um rude golpe nessa confiança, pois para esta semana das Ardenas a equipa esperava ter um super trio constituído pelo belga, Julian Alaphilippe e Daniel Martin, contudo, agora vê-se reduzida a um ciclista. O francês foi excluído devido a um problema no joelho e é o irlandês quem terá de mostrar o seu melhor, ele que até já venceu uma Liège-Bastogne-Liége.

"Quando caí senti dores, mas quando voltei para a bicicleta e continuei a correr, as coisas foram melhorando e a dor desapareceu. Infelizmente, depois de terminar, as dores na zona lombar voltaram. Juntamente com o médico da equipa decidi ir ao hospital. Felizmente não é nada grave e se tudo correr bem, dentro de uma semana regresso aos treinos", explicou Philippe Gilbert. A desilusão é natural, mas o campeão belga tenta agora agarrar-se às excelentes semanas que viveu, depois de anos longe dos grandes momentos. "Está a ser um dos meus melhores anos e estou muito feliz com o que alcancei. Ser competitivo tanto nas clássicas do pavé como nas Ardenas e ajudar a equipa a ser a melhor do mundo, dá-me muita satisfação", salientou.

Aquela vitória épica na Volta a Flandres será para sempre um dos principais momentos da história da corrida e da carreira de Gilbert. Contudo, também a forma como conquistou a Amstel Gold Race será difícil de esquecer. Mas não há tempo para lamentos. Gilbert parte com ambição para a Volta a Itália, onde terá tanto um papel de ajuda aos líderes, seja Jungels na geral, como na preparação dos sprints para Gaviria, mas, naturalmente, que terá liberdade para também ele procurar vitórias, que nunca alcançou no Giro.

»»Bem-vindo Philippe Gilbert, novamente o ciclista das grandes vitórias««

»»Épico Gilbert reacende sonho dos cinco monumentos««

16 de abril de 2017

Bem-vindo Philippe Gilbert, novamente o ciclista das grandes vitórias

E aí vão quatro Amstel Gold Race para Philippe Gilbert
(Fotografia: Facebook Quick-Step Floors)
As saudades que se tinha deste Philippe Gilbert! Há mudanças que vêm por bem e bendita a hora em que o belga optou por deixar a BMC e assinar pela Quick-Step Floors, mesmo só tendo contrato por um ano, já que a equipa nem sabe se continua em 2018. Mas de um Gilbert que parecia quase acabado para as grandes vitórias, o ciclista está de volta com um enorme estrondo. Este é o ano em que a Bélgica recorda outros tempos de domínio nas clássicas. Depois da Volta a Flandres, Gilbert regressou às "suas" corridas das Ardenas e conquistou a quarta Amstel Gold Race, apontando a tentar uma segunda tripla nesta famosa semana de ciclismo. Avermaet ficou desta vez de fora da discussão, mas a verdade é que os belgas estão a dominar as clássicas em 2017.

Michal Kwiatkowski é o outro grande nome desta fase do ano e o polaco da Sky parecia estar a caminho de juntar uma Amstel à Strade Bianche e à Milano-Sanremo. Foi traído pelas suas forças e por um Gilbert que as foi buscar quando parecia já não as ter. Aos 34 anos não há dúvida que o belga está a viver uma nova fase de glória na carreira e é impossível para quem gosta de ciclismo não se render a este corredor de excelência quando está em forma.

Foi naquele fantástico 2011 que Gilbert alcançou um dos resultados mais bonitos da sua carreira. Venceu a Amstel Gold Race, Flèche Wallonne e Liège-Bastogne-Liège. Antes já era um dos ciclistas que a Bélgica idolatrava, juntamente com Tom Boonen. Mas em 2011, Gilbert parecia estar destinado a uma carreira ao nível dos grandes nomes do ciclismo do seu país. Deixou a Omega Pharma-Lotto (actual Lotto Soudal) e foi para a poderosa BMC. Não se pode dizer que tenha fracassado, afinal até conta com um título mundial, uma Amstel Gold Race e outras vitórias. No entanto, aquela estrelinha de campeão, do Gilbert quase imbatível em certas corridas, apagou-se.

Mas não, Gilbert não estava acabado como se chegou a temar. Gilbert não estava velho para regressar ao seu melhor. Precisava claramente de uma mudança, de uma equipa em que se voltasse a sentir como um líder que tivesse a completa confiança dos colegas e directores desportivos. Precisava que o fizessem sentir que era um vencedor. Só um ciclista com as características de um lutador, aliadas à inteligência táctica, alguma dose de loucura (a Volta a Flandres foi um bom exemplo disso) e muito confiante poderia ter feito aquele esforço final para apanhar um Kwiatkowski que já olhava para o risco de meta a aproximar-se com ele em primeiro. Gilbert foi lá, Gilbert passou o polaco e ainda teve tempo de celebrar. Foi simplesmente brilhante, emocionante... foi Gilbert. Bem-vindo novamente às grandes vitórias.




Será que vai conseguir outra tripla? Perante os resultados deste ano, há que acreditar que é bem possível. Claro que terá uma concorrência feroz, a começar por Michal Kwiatkowski e também por Alejandro Valverde. É raro, mas o espanhol da Movistar desta vez falhou o timing de ficar na frente da corrida. Quando tentou, já não houve forças do grupo que fez a perseguição aos ciclistas da frente. E mesmo com o colega José Joaquín Rojas na frente, Valverde tinha toda a permissão para atacar, mas nem com um parceiro de ocasião de luxo, Greg van Avermaet, conseguiu. Num ano que está a ser dos melhores da carreira do "Bala", ainda não foi desta que conquistou a Amstel Gold Race. Agora vai apontar a uma quinta Flèche Wallonne (quarta consecutiva) e a mais um monumento na Liège-Bastogne-Liège, que já venceu três vezes.

Seria injusto não referir Michael Albasini. O suíço da Orica-Scott pode não ser um ciclista de grandes vitórias, mas tem o mérito de saber aproveitar as oportunidades que lhe vão surgindo. E na Amstel Gold Race agarrou mais uma. Não conseguiu ir com o duo fantástico que se isolou na frente a poucos quilómetros da meta, mas não baixou os braços para aos 36 anos subir a mais um pódio. Albasini é um daqueles ciclistas que as equipas gostam de ter. É de confiança tanto no trabalho em prol de outros, como em ir à procura de um resultado quando assim se proporciona.

Quanto aos portugueses, Rui Costa (UAE Team Emirates) trabalhou muito. Teve mérito na forma como tudo fez para apanhar o grupo de Avermaet e Valverde, depois de ter sido obrigado a uma recuperação complicada devido a um furo a 60 quilómetros da meta e quando a corrida estava a ser lançada pela BMC. Acabou por não resultar, mas o próprio já escreveu no seu Facebook que se sente bem para atacar a Flèche Wallonne, na próxima quarta-feira. Rui Costa foi 38º a 1:11 minuto do vencedor. Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) terminou na 75ª posição, a 9:21 minutos e o colega de equipa André Cardoso foi 93º, a 10:26.

De referir ainda que a organização da Amstel Gold Race resolveu este ano tirar o Cauberg como subida decisiva, pouco antes da meta. Quando há algo que resulta e é alterado, há tendência a desconfiar, mas esta foi uma mudança que de facto proporcionou outro espectáculo, que fez com que a corrida fosse atacada muito mais cedo. O Cauberg esteve lá, por três vezes, mas não foi preciso esperar por ele para se ver mais acção.

Numa última nota, este ano as senhoras também têm a sua semana das Ardenas. A holandesa Anna van der Breggen venceu a Amstel Gold Race, com a colega da Boels-Dolmans, Lizzie Deignan a ficar em segundo. O pódio foi fechado pela polava Katarzyna Niewiadomak (WM3 Energie).

A chamada semana das Ardenas prossegue agora com a Flèche Wallonne.

Confira aqui a classificação da 52ª edição da Amstel Gold Race.

»»Ardenas e um aguardado embate Valverde vs Gilbert««

»»Épico Gilbert reacende sonho dos cinco monumentos««

»»Polícia encontrou quase todas as bicicletas roubadas à equipa polaca CCC««