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24 de abril de 2019

Flèche Wallonne segue guião à risca na confirmação do novo rei do Muro de Huy

(Fotografia: Twitter Flèche Wallonne)
"Este ano foi mais difícil", disse Alaphilippe, no entanto, fá-lo parecer tão fácil. O Muro de Huy ganhou um novo rei, com o francês a vencer pela segunda vez consecutiva. Bem se falou há um ano que, ao bater o Alejandro Valverde, cinco vezes vencedor da Flèche Wallonne, se estava perante uma passagem de testemunho. Alaphilippe confirmou isso mesmo esta quarta-feira, com mais uma exibição de enorme nível na segunda corrida da semana das Ardenas, deixando para trás a frustração de uma Amstel Gold Race perdida com a meta à vista.

Quanto a Valverde, nem se o viu no final, numa temporada muito aquém do que o espanhol habituou. Foi 11º em mais um resultado que ficou longe do ambicionado. O campeão do mundo celebra esta quinta-feira, 25 de Abril, 39 anos, e resta-lhe esperar que seja a Liège-Bastogne-Liège a corrida que o recoloque na disputa por vitórias.

Alaphilippe é agora a grande figura das Ardenas e, desde já, o favorito para o monumento de domingo. Foi com uma já habitual companhia das clássicas de 2019 que discutiu a vitória. Jakob Fuglsang não consegue descobrir forma de bater Alaphilippe. Perdeu a Strade Bianche para o francês, estava na discussão com o mesmo rival na Amstel Gold Race até que Mathieu van der Poel se intrometeu e, na Flèche Wallonne, não teve pernas para sobreviver ao Muro de Huy, sendo novamente segundo, atrás do francês.

Julian Alaphilippe reunia todo, mas mesmo todo o favoritismo para a Flèche Wallonne. Mesmo com o circuito final a ser mais endurecido com três passagens nas subidas Côte d’Ereffe e Côte de Cherave, em vez das duas de 2018, tal não fez diferença naqueles 1300 metros finais de Huy. Até surpreendeu ver Fuglsang ganhar alguma vantagem, com o próprio dinamarquês a admitir que a Flèche Wallonne não é a corrida que melhor lhe assenta. Mas com Alexey Lutsenko a ficar "sentado" ainda antes do Muro de Huy, a Astana apostou novamente num ciclista que está a realizar uma grande temporada. Contudo, Fuglsang admitiu a incapacidade de "apanhar" o ciclista francês, numa subida mais ao estilo de Alaphilippe do que do dinamarquês.

O que não foi surpresa, foi ver Alaphilippe fechar o espaço que Fuglsang chegou a conseguir abrir, ultrapassar o rival, dar um "chega para lá" quando sentiu o dinamarquês aproximar-se um pouco, e ganhar. Desta vez sabia que era o vencedor. Há um ano, pensou que uma fuga tinha singrado! Alaphilippe disse que foi mais difícil ganhar a segunda vez até porque a pressão era bem maior. Apesar de se ter desgastado para recuperar posição devido a um furo, o trabalho da equipa e a classe do francês garantiram a 25ª vitória de 2019 da Deceuninck-QuickStep.

Em causa estava também ultrapassar a enorme frustração que ficou por ver Van der Poel ganhar a Amstel Gold Race, quando tanto Alaphilippe e Fuglsang tinham tudo para discutirem apenas os dois. Dificilmente o francês não teria ganho esse confronto, mas a dupla deixou-se apanhar nos metros finais. A tripla das Ardenas ficou sem efeito para o francês, mas ser o rei de Huy deixa a confiança do ciclista reforçada ao máximo, quando este procura um monumento que parece esperar por ele.


Já ganhou um este ano, a Milano-Sanremo, mas a Liège-Bastogne-Liège sempre foi uma corrida que tem Alaphilippe como um ciclista com tudo para a ganhar. Aos 26 anos, o ciclista junta a uma fantástica forma física, uma capacidade perfeita de ler a corrida e de saber quando deve agir. E claro, com uma Deuceninck-QuickStep a poder controlar a corrida, perder a Flèche Wallonne teria sido um resultado inesperado para Alaphilippe e não discutir a Liège será algo impensável, em condições normais.

A clássica desta quarta-feira até foi mais mexida do que em edições recentes, mas o guião acabou por ser muito idêntico às últimas edições. A diferença é que antes se perguntava quem bate Valverde e a partir de agora será, quem bate Alaphilippe.

As quedas tiraram da corrida alguns candidatos, as "más sensações" tiraram outros, como Dan Martin. Pelo menos foi assim que a UAE Team Emirates justificou o abandono do irlandês. Porém, Diego Ulissi foi ao pódio, com Rui Costa colocar-se muito bem durante grande parte da corrida, mas na penúltima das subidas mostrou que não seria capaz de lutar por um lugar da frente, trabalhando para o colega. O português foi 26º, a 45 segundos, apontando agora à corrida que mais gosta das Ardenas: Liège-Bastogne-Liège.

José Gonçalves (Katusha-Alpecin) terminou na 73ª posição, a 7:40 do vencedor, e o colega de equipa, Ruben Guerreiro, foi 90º, a 10:29 (classificação completa neste link, via ProCyclingStats).

Fica a faltar o quarto monumento do ano para fechar as Ardenas e não é de afastar novo confronto entre Alaphilippe e Fuglsang. Na perspectiva do dinamarquês, tem vindo sempre a melhorar: terceiro na Amstel Gold Race, segundo na Fléche Wallonne... só falta o primeiro lugar...

Na corrida feminina também se confirmou o favoritismo de Anna van der Breggen (Boels-Dolmans). São cinco vitórias consecutivas na Flèche Wallonne, ela que tem o título de rainha de Huy, igualando o recorde de Marianne Vos, que, no entanto, não venceu as cinco vezes consecutivas. Vos bem tentou defender a sua marca, mas ficou no quarto lugar, a 14 segundos da campeã do mundo Van der Breggen (classificação completa neste link, via ProCyclingStats).


»»Simplesmente fenomenal!««

»»Rui Costa deixou boas indicações para umas Ardenas de máxima importância««

23 de abril de 2019

Flèche Wallonne de redenção para Alaphilippe e Valverde

(Fotografia: Facebook Flèche Wallonne)
Segundo round da semana das Ardenas (agora sim, mesmo nas Ardenas, depois da passagem pela Holanda) com alguns dos mesmos protagonistas, mas sem Mathieu van der Poel. Depois do que aconteceu na Amstel Gold Race só se quer ver mais do holandês, mas lá se terá de sobreviver à Flèche Wallonne e Liège-Bastogne-Liège sem o homem do momento. Até parece um pouco estranho dizer isto, quando está presente aquele que estava a ser a figura de 2019 até àqueles metros finais da Amstel: Julian Alaphilippe. O francês não era um ciclista nada satisfeito com o que acontecido, perdendo a possibilidade de fazer a tripla na Ardenas naqueles cinco quilómetros finais, quando tanto tinha trabalhado para discutir a corrida. Mas há que levantar a cabeça e estará na corrida que venceu há um ano, batendo Alejandro Valverde num Muro de Huy que quase estava a merecer ser chamado de Muro de Valverde.

Os dois são novamente os cabeça-de-cartaz da Flèche Wallonne desta quarta-feira (transmissão no Eurosport). O espanhol soma cinco triunfos. Ia em quatro consecutivos até que Alaphilippe reclamou a pretensão a um trono que há muito se julgava ser possível ser dele. Apesar da desilusão da Amstel (terminou no quarto lugar, tendo abdicado de lutar pelo pódio ao ver Van der Poel passar por ele) e da Brabantse Pijl-La Flèche Brabançonne (foi segundo atrás do holandês), não há razões para não esperar um Alaphilippe ao seu melhor para vencer novamente a Flèche Wallonne e assim somar a nona vitória do ano.

Tem sido uma caminhada impressionante do ciclista da Deceuninck-QuickStep em 2019, que fechará esta primeira fase nas Ardenas, antes de começar a pensar na Volta a França, onde há um ano foi rei da montanha e vencedor de duas etapas. A sua forma é o oposto da que Valverde apresenta. Na Amstel, o campeão do mundo esperava tentar lutar pela corrida que lhe falta da semana das Ardenas, mas no final ficou longe (66º) e admitiu que acabou "vazio".

O próprio espanhol da Movistar começa a acreditar que a maldição do arco-íris o está a afectar, pois não está nada habituado chegar a esta fase da temporada com apenas uma vitória, na terceira etapa da Volta aos Emirados Árabes Unidos, a 26 de Fevereiro.

Tal como Alaphilippe, estar num terreno que lhe assenta tão bem e que já lhe deu tantas alegrias, poderá ser o que Valverde precisa para reencontrar-se, tendo mais uma motivação: igualar o recorde de Eddy Merckx nas Ardenas. O belga soma dez vitórias (cinco na Liège-Bastogne-Liège, três na Flèche Wallonne e duas na Amstel Gold Race), enquanto Valverde - que celebra 39 anos na quinta-feira - vai em nove: cinco Flèche Wallonne e quatro Liège-Bastogne-Liège.

Em boa forma, mas sem vitórias está Daniel Martin. O ciclista da UAE Team Emirates terá a seu lado Rui Costa, dois homens que podem jogar tacticamente, pois ambos correm bem na Flèche Wallonne. Aliás, correm bem nas Ardenas, pois é uma dupla a ter em conta para a Liège-Bastogne-Liège de domingo, com Diego Ulissi a ser um ciclista que nunca se tira da equação, ainda que tanto seja capaz do melhor, como nem se dá por ele. Tanto Martin como Rui Costa têm pretensões altas para as próximas duas corridas. O irlandês não fez a Amstel, enquanto o português foi 13º, a 46 segundos de Van der Poel.

Ao contrário da prova holandesa, a Flèche Wallonne tem um lote de candidatos muito mais reduzido. O Muro de Huy é daquelas subidas que quebra qualquer ciclista, mesmo aquele que saiba lidar com pendentes que neste caso chegam a rondar os 20%! São cerca 1300 metros que, independentemente das mudanças que organização faça, acabam por ser os que definem o vencedor. Assim tem sido quase exclusivamente este século.

Adam Yates seria um nome a lançar, sendo mais um ciclista em bom momento. Mas o britânico admite que ainda não se entende muito bem com as clássicas da Ardenas. Se se entender, é candidato. Contudo, a Mitchelton-Scott pode sempre apostar no vetereno Michael Albasini. Tem 38 anos, mas os dois pódios nesta corrida dão-lhe muito crédito. Romain Bardet (AG2R), Roman Kreuziger (Dimension Data), Michael Matthews (Sunweb) - um sprinter que se dá bem nos muros desta corrida - e Alexey Lutsenko (Astana) são nomes a ter em conta. Apesar da boa prestação de Jakob Fuglsang na Amstel, o Muro de Huy poderá ser melhor para Lutsenko, mas a Astana volta a ter mais do que uma carta para jogar.

Michal Kwiatkowski (Sky), Tim Wellens e Jelle Vanendert (terceiro classificado em 2018), da Lotto Soudal, ou Matej Mohoric e Dylan Teuns, da Bahrain-Merida, poderão estar na luta, mas atenção a estes nomes: Michael Woods (EF Education-First) já mostrou que sabe lidar com estes finais, tanto na Vuelta (ganhou uma etapa), como nos Mundiais de Innsbruck (foi terceiro); Guillaume Martin (Wanty-Groupe Gobert) está finalmente a confirmar as expectativas e chega à Flèche Wallonne em boa forma; Brandon McNulty (Rally UHC Cycling) é o americano do momento, tendo ganho a Volta à Sicília. Tem apenas 21 anos e a falta de experiência pode ser um contra, mas não é ciclista para se perder de vista. Martin e McNulty estão em equipas Profissionais Continentais, mas a serem certamente seguidos por formações World Tour.

Além de Rui Costa, José Gonçalves e Ruben Guerreiro, ambos da Katusha-Alpecin, serão os outros portugueses em prova. Pode confirmar neste link a lista completa de inscritos, via ProCyclingStats.

Quanto ao percurso de 195,5 quilómetros, começa em Ans e o circuito final arranca a 76,5 quilómetros da meta e não a 58, como aconteceu na edição passada. Isto acontece porque haverá três passagens nos Côte d’Ereffe e Côte de Cherave e não apenas duas. O Muro de Huy continuará com as suas três passagens, a última a coincidir com a meta.

Nova tentativa para que a corrida ganhe emoção, sendo que poderá verificar-se uma maior selecção e algum ataque de um ciclista com menos capacidade a sprintar com pendentes tão elevadas como no Muro de Huy. Ainda assim, a expectativa é que sejam novamente aqueles 1300 metros finais a decidir tudo. Só falta saber quem chega lá em condições de discutir a vitória, pois muito se vê como há corredores a apresentarem-se bem até ao Muro de Huy, mas quebrarem com a meta à vista. Não é por acaso que o Muro de Huy é das subidas mais míticas do ciclismo, apesar da sua curta extensão.

(Gráfico: La Flamme Rouge)


18 de abril de 2019

Rui Costa deixou boas indicações para umas Ardenas de máxima importância

(Fotografia: © PhotoFizza/UAE Team Emirates)
Está na altura de mudar o chip! Depois das clássicas do pavé, aproxima-se a semana das Ardenas, com um trio de corridas históricas, a começar já este domingo com a Amstel Gold Race. Segue-se a Flèche Wallonne na quarta-feira e depois, no domingo 28, o quarto monumento do ano, a Liège-Bastogne-Liège. Uma das questões que mais se coloca é se Julian Alaphilippe irá fazer a tripla. Porém, numa perspectiva portuguesa, há a questão de como se irá apresentar Rui Costa.

O poveiro regressou (e com uma boa prestação) na Brabantse Pijl-La Flèche Brabançonne, depois de em Março ter chocado contra um camião durante um treino. Esta famosa semana de ciclismo que se aproxima poderá ter um peso importante no futuro próximo do ciclista.

O acidente em Braga assustou, mas o ciclista não ficou com ferimentos graves. Na corrida belga de quarta-feira, apresentou-se sempre muito activo, terminando na 22ª posição, a 18 segundos do vencedor, Mathieu van der Poel (Corendon-Circus). Rui Costa queria testar a sua condição física. Passou o teste, mas agora vem o exame mais importante.

Depois de um 2018 muito difícil devido à lesão no joelho, Rui Costa tem mostrado esta época a forma que apresentou nos Mundiais do ano passado, quando provou que o pior já tinha passado. Nas provas por etapas, o pior que fez foi um 17º na geral da Volta aos Emirados Árabes Unidos. Tem um quarto lugar em Omã e foi 10º na Volta à Comunidade Valenciana e no Tirreno-Adriatico, uma das corridas mais importantes por etapas desta primeira fase da temporada. Agora chega às clássicas das Ardenas que tanto gosta.

Foi terceiro na Liège-Bastogne-Liège de 2016, naquela que nunca escondeu ser uma das corridas que mais ambiciona triunfar. E que bem lhe faria um bom resultado no monumento, ou numa das duas outras provas antes. Ou nas três! Isso seria perfeito. A perder cada vez mais espaço quanto à liderança na UAE Team Emirates e com a equipa a dar-lhe no final da época anterior uma renovação apenas por mais um ano, a oportunidade de ter destaque nas Ardenas não é para desperdiçar.

"Venho de um mês no qual foquei-me no treino. O trabalho foi bom, mesmo que tenha sido marcado pelo incidente no treino, no final de Março. Não correrei sob particular pressão, mas tenho a vontade de testar a minha condição e para entrar em sintonia com a atmosfera e o ritmo das clássicas das Ardenas", disse antes da Brabantse Pijl-La Flèche Brabançonne.

Com a equipa a ter já jovens que prometem em breve subir na hierarquia, como Tadej Pogacar (corridas por etapas) e Jasper Philipsen (clássicas) à cabeça, por exemplo, não há tempo a perder para Rui Costa, que perdeu espaço com a chegada de Fabio Aru e Daniel Martin em 2018. Adapta-se bem aos três percursos das clássicas das Ardenas e sempre foi um dos ciclistas mais inteligentes tacticamente, o que é ainda mais importante quando a equipa tem dificuldades em funcionar colectivamente (está a melhorar aos poucos esse importante pormenor). Não será um líder único, com Diego Ulissi, a também querer um bom resultado. Daniel Martin deverá aparecer na Liège, ainda que, para já, não haja confirmação. Sendo um antigo vencedor e um apreciador desta corrida, seria estranho não incluir a Liège no seu calendário. Mas tal como aconteceu no ano passado, a presença do irlandês não anulará por completo a liberdade de Rui Costa. Ainda que não ajude.

Aos 32 anos e perante o caminho que a equipa está a fazer para se tornar numa potência, Rui Costa tem de realizar exibições de topo, tendo uma margem de erro muito reduzida. Principalmente tem de agarrar com tudo o que tenha as poucas oportunidades que ainda vai tendo. Perante a sua forma em 2019 e o seu passado nas Ardenas, este é um ciclista que pode ter uma palavra a dizer nas próximas três corridas. "Só" tem de ser aquele Rui Costa de Innsbruck, nos Mundiais.

»»Rui Costa está bem após acidente e a pensar no próximo objectivo««

27 de abril de 2018

Liège-Bastogne-Liège vai mesmo ter um final diferente 28 anos depois

(Fotografia: Twitter Liège-Bastogne-Liège)
Bob Jungels acabou por ser o último ciclista a ganhar em Ans, pelo menos durante alguns tempo. Há alguns meses que se falava com alguma intensidade da possibilidade do percurso do monumento mais antigo ser alterado, visto ter-se tornado uma corrida algo previsível. A confirmação já chegou: a corrida irá fazer jus ao seu nome e regressar a uma meta no centro de Liège, 28 anos depois de ter sido desviada para Ans, que fica na região de Liège, mas mais afastada da cidade.

"A tradição não proíbe mudanças! Apesar da ASO estar ligada à história dos eventos que organiza, também se mantém aberta a mudanças para refrescar a imagem." A justificação da Amaury Sport Organisation (ASO) até é interessante, visto que muitas vezes é acusada de estar presa às escolhas mais tradicionais nas corridas, com destaque para a Volta a França. A Liège-Bastogne-Liège já algum tempo que tinha caído na previsibilidade, com várias subidas a fazer alguma selecção nos candidatos, mas com a última dificuldade em Ans a ser onde se decidia o monumento. Jungels quebrou um pouco essa rotina ao ter escapado antes ao grupo de favoritos e ter alcançado uma vitória a solo.

Os organizadores consideram que as alterações irão tornar o "formato mais condizente com o nome da corrida". "A mudança do local da meta é essencialmente feito por critérios desportivos, com intenção de tornar o final da corrida ainda mais atractivo", explicou a organização, num comunicado.

A última fez que o até então tradicional final no centro de Liège foi o local da consagração, o vencedor foi o italiano Moreno Argentin, em 1991. Agora é preciso aguardar para saber como irão ser distribuídas as subidas que compunham a fase decisiva da corrida e em 2019, 28 anos depois, a La Doyenne regressa, de certa forma, a casa. Até então, só em 1972 tinha fugido à tradição, com um final em Verviers. Também já era falado que se a mudança viesse a confirmar-se, sendo potencialmente um final mais plano, poderá chamar novamente outro tipo de ciclistas, com Peter Sagan e Greg van Avermaet logo à cabeça. Mas primeiro será preciso conhecer o novo percurso.

Onde não se irá mexer é no muro de Huy. Apesar da Flèche Wallonne andar a sofrer um pouco do mesmo mal da Liège-Bastogne-Liège, ou seja, acaba por ser algo previsível que a vitória se vai discutir na mítica subida, ainda assim, esta é uma tradição que continua a resultar a nível de espectáculo. Irá manter-se pelo menos até 2024. Já os locais do início continuarão a ser alterados para irem mostrando várias zonas da Valónia. E em 2019 será Ans a receber o arranque da Flèche Wallonne. Uma forma de compensar a perda da Liège-Bastogne-Liège.


18 de abril de 2018

Só um grande ciclista, um verdadeiro campeão, poderia bater outro. Até Valverde se rendeu a Alaphilippe

Fotografia: Twitter Flèche Wallonne)
Por momentos foi difícil distinguir qual era a principal notícia: Alaphilippe ganhou a Flèche Wallonne ou Valverde foi finalmente batido? No Twitter até houve quem usasse o bom humor para descrever o momento: "Última hora! Alejandro Valverde não ganhou a Flèche Wallonne" (@CafeRoubaix). Mas que não restem dúvidas. Só um grande ciclista poderia destronar o espanhol numa corrida na qual há quatro anos não dava hipótese, somando um total de cinco vitórias. Alaphilippe já tinha dois segundos lugares. Já chegava. Queria mais. "É um corredor muito bom e depois de dois segundos lugares, era a sua vez de ganhar." Palavras de Valverde, um senhor na hora da vitória e claramente também na derrota.

Mas falemos de Alaphilippe, o grande vencedor. E que corrida foi esta! Aquele quilómetro final no Muro de Huy foram de tirar a respiração. O francês cortou a meta, de cabeça baixa. Cansado? Não. Momentaneamente frustrado a pensar que tinha batido Valverde - e por uma distância de respeito -, mas era novamente o segundo. "Pensei que o Nibali ainda estava à frente na fuga. Depois o meu primo, que estava à minha espera na meta, disse-me que eu tinha conseguido [ganhar]", explicou o francês, então já com um sorriso de orelha a orelha.

Apesar da frustração dos dois segundos lugares e de há um ano ter falhado a corrida por problemas físicos, Alaphilippe salientou como sempre continuou a acreditar que com muito trabalho iria conseguir ganhar. "Eu precisava de uma vitória numa grande corrida e fazê-lo ganhado a minha primeira Flèche Wallonne, à frente do Valverde, é algo de muito especial", salientou.

E este é de facto um pormenor importante. Alaphilippe venceu e fê-lo deixando o ciclista que era dono e senhor desta corrida há quatro anos atrás de si. Parecia não haver forma de bater Valverde, pelo que para o francês é significativo ganhar com o espanhol em prova e não quando eventualmente não estivesse na corrida. Valverde escreveu uma história muito própria na Fèche Wallonne - é recordista de vitórias - e Alaphilippe escreve agora a sua, começando com a vitória sobre aquele que era o rei de Huy, o muro que Valverde dominava como ninguém. O rei tem agora um digno sucessor.

Sejamos justos, Alaphilippe não ganhou apenas porque soube atacar no momento certo e porque teve uma força impressionante para deixar para trás um Valverde que, por breves instantes, parecia que vinha em recuperação para mais um triunfo. Alaphilippe foi perfeito, mas antes houve todo um trabalho que envolveu mais equipas, além da sua Quick-Step Floors, que permitiu este desfecho.

Com a Movistar a controlar todas as operações de uma Flèche Wallonne mais dura que em anos anteriores na parte inicial, foi um Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) que voltou a abrir as hostilidades decisivas, tal como na Volta a Flandres. Então Niki Terpstra aproveitou a "boleia" para depois seguir sozinho para a vitória. Nesta quarta-feira, o italiano foi fantástico e aguentou mais tempo na frente, primeiro acompanhado por mais de 20 ciclistas, depois num grupo mais selecto. Cedeu pouco antes da terceira e última subida ao muro de Huy. Perante tanta confusão na perseguição, Alaphilippe nem viu que o italiano tinha encostado e seguia calmamente já sem pensar na vitória.

O ataque promovido por Nibali acabou por numa fase inicial contar com mais equipas, o que obrigou a Movistar a trabalho extra e solitário. Mikel Landa esteve muito bem, mas acabou por ser só ele quem ficou até mais tarde com Valverde. Todos atacaram a Movistar e aos poucos conseguiram quebrar a resistência da equipa espanhola, o que foi importante para expor o mais cedo possível Valverde.

Regressando à fase final, quando Nibali ficou para trás, com Tanel Kangert (Astana). Jack Haig (Mitchelton-Scott) e Max Schachmann (Quick-Step Floors) - sétimo classificado na Volta ao Algarve - entraram no Huy com menos de 15 segundos de vantagem. O colega de Alaphilippe parecia poder aguentar e ser ele a ganhar, mas aqueles 25/26% de pendente foram demasiado  para o alemão. Alaphilippe passou por ele quase de moto! Que determinação teve, ainda mais tendo em conta que pensava que ia ser segundo! Schachmann ficou em oitavo, mas o plano da Quick-Step Floors voltou a ser desempenhado na perfeição: 26 vitórias em 2018, a quarta para Alaphilippe (duas etapas na Volta ao País Basco e uma na Colombia Oro y Paz). O último francês a conquistar a Flèche Wallonne tinha sido Laurent Jalabert, em 1997.

Para Alaphilippe é uma tremenda motivação o que alcançou, ainda mais quando no domingo vai tentar o seu primeiro monumento, na Liège-Bastogne-Liège. Estas corridas das Ardenas pareciam destinadas a um dia serem conquistadas pelo francês, que aos 25 anos abriu assim a contagem. Para Alejandro Valverde, ser segundo não é uma desilusão, pois voltou a estar no pódio, como disse. Palavras de ocasião talvez, mas é certo que também ele ganha ainda mais motivação, pois não quer sair das Ardenas sem uma vitória. Conquistar a quinta Liège seria perfeito.

Nesta batalha especial entre duas gerações - Valverde celebra 38 anos a 25 de Abril -, Jelle Vanendert viu-se relegado para um segundo plano. Porém, o experiente ciclista belga da Lotto Soudal (33 anos) merece o destaque pela forma como subiu o muro de Huy para fechar um pódio totalmente inesperado para ele, ainda mais com Tim Wellens a ser um líder em boa forma.

É preciso falar de uma desilusão: Daniel Martin. Já com três pódios atrás de Valverde (dois segundos e um terceiro lugar) e outro ciclista que parece ter nas Ardenas uma vitória que lhe assentaria bem, a verdade é que esteve muito mal. Mesmo muito mal. Só cortou a meta quase dez minutos depois de Alaphilippe. Que início de época mais desapontante para o irlandês. Bem melhor esteve Rui Costa. O português andou sempre bem colocado, mas aquele Huy não o favorece nada. Ainda assim, um 19º lugar a 32 segundos é muito positivo. O melhor da UAE Team Emirates foi Diego Ulissi: 14º, a 25 segundos. Contudo, esta equipa começa a desesperar por vitórias.

O outro português em prova, Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo) não terminou. O mesmo aconteceu com Daniela Reis (Doltcini-Van Eyck Sport) na corrida feminina, ganha por Anna van der Breggen. A holandesa da Boels-Dolmans - que no ano passado venceu as três corridas das Ardenas - conquistou pela quarta vez consecutiva a Flèche Wallonne. Alaphilippe pode ser o novo rei do muro de Huy, mas também há uma rainha.

Classificação via ProCyclingStats da Flèche Wallonne: 198,5 quilómetros entre Seraing e Huy.


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17 de abril de 2018

Como bater Valverde na Flèche Wallonne? "Só podemos esperar que ele esteja a ficar mais lento"

(Fotografia: Facebook Flèche Wallonne)
Para Alejandro Valverde as coisas são simples nesta fase da sua carreira, numa altura a que está a pouco mais de uma semana de celebrar 38 anos (25 de Abril): "Enquanto continuar a ganhar, vou continuar a competir." Tendo em conta que já são nove vitórias este ano (contando com etapas e classificações gerais e montanha), é caso para dizer que a reforma está longe. O que poderá estar bem perto é mais um triunfo na Flèche Wallonne, corrida em que o espanhol da Movistar conta com cinco vitórias, as últimas quatro consecutivas. O Muro de Huy já se confunde com o Muro de Valverde, pois ninguém parece encontrar forma de bater o espanhol nesta corrida das Ardenas.

Que o diga Daniel Martin e Julian Alaphilippe. Das recentes quatro vitórias de Valverde - ele que é o recordista nesta prova -, Martin foi ao pódio em três, falhando 2015 por ter sofrido uma queda. Já o francês foi segundo em 2014 e 2015. São dois ciclistas a quem o percurso da corrida assenta bem, ainda que este ano seja um pouco mais duro, o que pode levar a uma maior selecção quando chegar a decisão no mítico Huy. É preciso ter em conta que além do habitual sobe e desce, o Muro de Huy será ultrapassado duas vezes, antes da derradeira subida até à meta.

Mas afinal, como se pode bater Alejandro Valverde numa corrida que lhe é tão perfeita? "Só podemos esperar que ele esteja a ficar mais lento." Melhor resposta é impossível e veio de Daniel Martin. O irlandês também vê esta Flèche Wallonne com condições ideiais para as suas características e acredita mesmo que a maior dureza o pode beneficiar. Para Martin não há dúvidas que tudo se voltará a decidir naqueles 900 metros finais (1300 se contarmos a fase de 6/7%), com uma pendente média 11,9%, mas que quase chega aos 26 na segunda metade.

Portanto é preciso ter explosão e Julian Alaphilippe já demonstrou que a tem. Só que Valverde tem tido mais... O francês da Quick-Step Floors colocou esta fase das Ardenas como um dos principais objectivos de temporada. Na Amstel Gold Race, no domingo, demonstrou estar forte, mas desgastou-se talvez um pouco cedo de mais. Ainda assim, é a corrida de amanhã que lhe favorece mais, tal como aos dois adversários. E é na corrida de quarta-feira que se concentra este texto, mas este é um trio que no domingo, no monumento Liège-Bastogne-Liège, estará igualmente no topo de candidatos.

Alaphilippe até está a realizar uma temporada bastante interessante, já com três vitórias, as últimas duas na Volta ao País Basco. No entanto, também já sente a pressão de uma Quick-Step Floors que lhe exige mais, depois de quatro anos de amadurecimento. O director, Patrick Levefere, chegou mesmo a criticá-lo quando se afundou na classificação no Paris-Nice, mas o ciclista francês reagiu com as vitórias em Espanha. Ainda assim, é nas Ardenas que joga parte da sua época, antes de se concentrar na Volta a França.

Regressando a Daniel Martin, a pressão também é grande, pois a UAE Team Emirates apostou forte na sua contratação, na de Fabio Aru e Alexander Kristoff, mas só o último rendeu vitórias, duas, as únicas da equipa em 2018. Muito pouco. E Martin tem estado muito discreto. De olhos postos no Tour, a Semana das Ardenas sempre foi um objectivo seu, principalmente as próximas duas corridas. Só um novo pódio pode saber a pouco para o irlandês e para os responsáveis da equipa. Rui Costa estará ao seu lado, mas o Muro de Huy não é bem para o português que tanto sonha, isso sim, com a Liège-Bastogne-Liège. E que importante seria um bom resultado nessa corrida por parte do campeão mundial de 2013.

Se Valverde lidera a lista de candidatos destacado, com Martin e Alaphilippe na perseguição mais perto, Tim Wellens tem estado numa grande forma, com vitórias na Brabantse Pijl e na Ruta del Sol. A Lotto Soudal leva também Tiesj Benoot. O problema é aquele Huy, que parece estar feito à medida de Valverde.

Bauke Mollema (Trek-Segafredo), Rafal Majka (Bora-Hansgrohe), Rigoberto Uran (EF Education First-Drapac p/b Cannondale), Sergio Henao e Michal Kwiatkowski (Sky) estarão presentes, mas talvez quando se olha para a tal explosividade necessária para os metros finais, Romain Bardet (AG2R), Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), Dylan Theuns (BMC) e porque não Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) podem ser as maiores ameaças a Valverde. Warren Barguil tem andado tão desaparecido nesta sua primeira temporada na Fortuneo-Samsic, que acaba por se colocar um ponto de interrogação na sua forma. Mas eis a oportunidade perfeita para se mostrar.

Ruben Guerreiro será o outro português em prova e a sua prestação estará dependente do trabalho que lhe for definido na ajuda a Bauke Mollema. Nas senhoras, Daniela Reis volta a estar entre as eleitas da Doltcini-Van Eyck Sport.

Veja aqui a lista de inscritos da Flèche Wallonne, 198,5 quilómetros entre Seraing e Huy. Como curiosidade, além de Valverde, o único antigo vencedor desta corrida em prova será Philippe Gilbert, que ainda procura a primeira vitória em 2018.



»»Valgren a tornar o seu nome num dos grandes da Astana««

»»Antes das Ardenas, os mais e menos de uma grande época de clássicas do pavé««

19 de abril de 2017

Muro de Huy? Não. Muro de Valverde. Espanhol ameaça recorde de Eddy Merckx

(Fotografia: Facebook Movistar Team)
Como se bate Alejandro Valverde na Flèche Wallonne? Para já a resposta é: não se bate. O ciclista espanhol tem as medidas certas do muro de Huy, uma das subidas mais famosas da modalidade. Sabe perfeitamente quando atacar, conhecendo todos os centímetros daquela ascensão e claro, aliando esse conhecimento à sua experiência e à forma como sabe ler a corrida, a organização da Flèche Wallonne bem pode começar a pensar numa forma de homenagear esta ciclista fora de série. No ano passado tornou-se recordista de vitórias e em 2017 estendeu essa marca para a manita, ou seja, já são cinco triunfos, quatro consecutivos (2006, 2014, 2015, 2016 e 2017).

No dia 25 de Abril Valverde vai celebrar o 37º aniversário. E tem mesmo razões para festejar. Está a realizar um ano sensacional, somando já 13 vitórias, entre etapas e classificações gerais e por pontos. Um pouco frustrado por não ter conseguido lutar pela conquista da Amstel Gold Race, a única corrida das Ardenas que ainda não venceu, Valverde queria ainda mais (se tal fosse possível) continuar a sua história na Flèche Wallonne. Numa corrida algo desinteressante, com praticamente todos a esperar pela última passagem no Muro de Huy para jogar o tudo ou nada - valeu Bob Jungels (Quick-Step) que atacou mais cedo e ainda provocou alguma incerteza nos quilómetros finais -, Valverde controlou, controlou e controlou, até que atacou. E nada havia a fazer. Simplesmente aquele muro de Huy é perfeito para Valverde. Ninguém conseguiu acompanhá-lo. Não fossem tantos ciclistas a não conseguirem esconder o esforço que é concluir aquela subida, numa corrida com 200,5 quilómetros, e Valverde passaria a ideia que até parece fácil.

O "Bala", como é conhecido, admitiu que queria aproveitar o grande momento de forma que está a atravessar para vencer nesta semana das Ardenas. Falhou na Amstel, acertou na Flèche Wallonne e agora vai atacar a Liège-Bastogne-Liège, que já venceu três vezes, a última das quais em 2015. Valverde persegue também a marca de Eddy Merckx, pois está a apenas duas vitórias de igualar o antigo ciclista belga, que soma 10 vitórias nas Ardenas: duas Amstel, três Flèche e cinco Liège. Tendo em conta que retirar-se não está nos planos mais próximos de Valverde, será de esperar que consiga apanhar e até mesmo ultrapassar Merckx. De recordar que a Movistar renovou com a sua estrela no final do ano passado até 2019.

A superioridade de Valverde na Flèche Wallonne é tal, que já se vai discutindo se não seria benéfico para a corrida ver o seu percurso ser um pouco alterado, principalmente para evitar que a decisão seja guardada para aqueles metros finais do muro de Huy. Não se está a tentar evitar que Valverde ganhe, mas sim a pensar em aumentar a incerteza e o espectáculo, tal como aconteceu na Amstel Gold Race, cuja mudança do Cauberg fez muita gente "torcer o nariz" e afinal resultou muito bem, com a corrida a ter muito mais interesse.

Daniel Martin (Quick-Step Floors) disse no final da corrida que não gostaria de ver a Flèche Wallonne ser alterada. Quanto a bater Valverde, afirmou que se calhar terá de esperar que o espanhol se retire. O irlandês ficou em segundo, seguido por uma surpresa: o belga de 25 anos Dylan Teuns (BMC) tirou o pódio a Sergio Henao (Sky).

Mas o dia foi de Valverde. Um sensacional Valverde que vai escrevendo não uma página, mas já um autêntico livro na história do ciclismo, demonstrando como a longevidade na modalidade com grande sucesso é absolutamente possível. Depois da Liège-Bastogne-Liège, no domingo, Valverde fará uma paragem competitiva e será altura de começar a pensar na Volta a França, onde terá a função de ajudar Nairo Quintana, Porém, com o colombiano a apostar primeiro no Giro, a Movistar quererá aproveitar este momento de Valverde e mantê-lo como um plano B muito viável. E claro, o espanhol poderá não admitir, mas é difícil não pensar que terá uma enorme ambição em conquistar a sua segunda Vuelta, chegar ao título mundial que lhe falta e a Lombardia também entra nos seus planos. Contudo, até lá, haverá muito Valverde para se ver e provavelmente mais vitórias para assistir.

Rui Costa (UAE Team Emirates) foi o melhor dos portugueses em prova, tendo cedido na última subida ao muro de Huy, terminando a 37 segundos do ciclista da Movistar, na 31ª posição. O jovem Ruben Guerreiro esteve em bom nível, demonstrando que está a recuperar a boa forma depois da paragem forçada devido a uma infecção nos dentes. O corredor da Trek-Segafredo, que está a fazer a sua estreia numa equipa World Tour, foi 43º, a 54 segundos do vencedor. O colega André Cardoso terminou na 74ª posição, a 2:09 minutos.

Veja aqui os resultados da 81ª Flèche Wallonne.

Na corrida feminina, a holandesa Anna van der Breggen continua a somar vitórias. A campeã olímpica e da Europa foi novamente superior à concorrência, num pódio que foi exactamente o mesmo da Amstel Gold Race. Em segundo ficou a colega da Boels-Dolmans, Lizzie Deignan, e em terceiro a polaca da WM3 Energie, Katarzyna Niewiadoma. A portuguesa Daniela Reis (Lares-Waowdeals) terminou na 79ª posição, a 9:23 minutos. Veja aqui os resultados completos.



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»»Adeus tripla das Ardenas. Gilbert foi mais herói na Amstel do que se pensava, mas não compete mais esta semana««

21 de abril de 2016

Um pouco de história para Valverde

(Fotografia: Twitter @Movistar_Team)
Ataque, contra-ataque e mais uns ataques, mas no fim ganha Alejandro Valverde. Há três anos que é assim na Flèche Wallonne, onde o espanhol fez história: somou a quarta vitória, a terceira consecutiva depois da primeira em 2006. Feito inédito nesta clássica das Ardenas. O espanhol supera ciclistas como Eddy Merckx (1967, 70 e 72), Moreno Argentin (1990, 91 e 94), Marcel Kint (1943, 44 e 45 - a corrida foi das poucas que se realizou durante a II Guerra Mundial) e, mais recentemente, Davide Rebellin (2004, 07 e 09).

"A verdade é que isto é inacreditável. Estar na história da Flèche Wallonne é uma grande honra. Eu sabia que me sentia bem, mas as circunstâncias na corrida podem mudar rapidamente, por isso, estou muito satisfeito", salientou Valverde que fez algum bluff antes da prova ao afirmar que não estava a 100%. Ora se aquilo que demonstrou não é a 100%, então os adversários que tenham mesmo muito cuidado para a corrida de domingo.

Mas esta é uma daquelas vitórias que obrigatoriamente tem de se falar da equipa. A Movistar sabia que teria de assumir a responsabilidade da corrida. A equipa trabalhou e ainda foi tacticamente perfeita ao colocar, por exemplo, Izaguirre na frente quando Bob Jungels tentou fugir. A Katusha, que ia de forma ténue ia ajudando, teve de trabalhar mais para garantir que Joaquin Rodríguez podia estar na luta. Onde estava Valverde? A controlar. Confiança total na equipa e nas suas capacidades.

Como era de esperar, não houve fuga que triunfasse e o Muro de Huy voltaria a ser decisivo. Rodríguez foi a vítima da subida. Atacou, mas claudicou. Terminou em 28º a 29 segundos do vencedor. Valverde controlou a subida toda. Não se assustou quando dois homens da Etixx-QuickStep o rodearam. Daniel Martin atacou primeiro, abrindo caminho a Julian Alaphilippe. Valverde esperou e atacou a menos de 100 metros. Ninguém conseguiu responder.

Não foi por isso descabido que no final lhe tenham dito que o Muro de Huy deveria ser o Muro de Valverde. Timing, inteligência táctica e boa forma, claro. Assim se passa Huy. Assim faz Valverde.

"Planeámos a táctica para o Julian ficar na roda do Alejandro e batê-lo na meta, enquanto eu tentaria atacar um pouco mais cedo. Mas o Alejandro conhece a subida e leu a nossa táctica na perfeição. É difícil batê-lo", desabafou Daniel Martin (terceiro classificado). A Etixx-QuickStep acaba por ser, outra vez, a grande derrotada do dia. E a época das clássicas continua sem vitórias para a equipa belga. Porém, tem uma garantia: Alaphilippe repete o segundo lugar de 2015, mostrando que esta é uma corrida perfeita para as suas características e atenção ao francês na Liège - Bastogne - Liège de domingo... se Valverde deixar alguém mais brilhar.


Rui Costa no top dez

O ciclista português alcançou o seu melhor resultado na Flèche Wallonne. Entrou no Muro de Huy com o grupo principal, muito bem colocado. Não conseguiu ir com Valverde e os homens da Etixx, mas Rui Costa conseguiu terminar na décima posição, a cinco segundos do vencedor. Que venha a corrida de Liège, pois o português da Lampre mostrou tanto na Amstel como esta quarta-feira, estar num bom momento.

Neste top dez, destaque para Enrico Gasparotto. Depois de vencer a Amstel Gold Race, o italiano da Wanty voltou a estar na luta por uma vitória na semana das Ardenas. Foi quinto. Wout Poels continua a fazer uma excelente temporada. Com a retirada da prova de Sergio Henao - foram levantadas questões sobre o seu passaporte biológico e a Sky decidiu não colocar o seu ciclista na corrida, a exemplo do que aconteceu em 2014 numa situação idêntica - o holandês acabou por ser um plano B que a equipa sabe que pode confiar. Ficou no quarto lugar.

Uma palavra ainda para Samuel Sánchez. Aos 38 anos, o campeão olímpico de 2008 tem tido um Abril muito positivo. Terminou em sexto na Volta a Catalunha, onde venceu uma etapa, e agora foi novamente sexto. Com Philippe Gilbert limitado devido ao dedo fracturado, o espanhol aproveitou a oportunidade de ter maior liberdade na BMC.

Quanto aos restantes portugueses, Mário Costa (Lampre) terminou em 118º a 6:58 minutos e Tiago Machado (Katusha), que muito trabalhou para Rodríguez foi 101º a 5:11.

A semana das Ardenas aproxima-se do fim. Domingo é a vez da Liège - Bastogne - Liège. E a questão é simplesmente: conseguirá Valverde repetir a "dobradinha" de 2015?

20 de abril de 2016

Flèche Wallonne: eis Valverde

(Foto: Twitter @alejanvalverde)
Concentrado na preparação para a Volta a Itália, o início de ano de Alejandro Valverde tem sido um pouco diferente. Vitorioso, mas mais discreto (conquistou a Ruta del Sol e a Volta a Castela e Leão, esta última corrida no domingo). Participar nas próximas duas clássica das Ardenas até pode nem ser o calendário preferido de um ciclista que esteja a pensar no Giro, mas Valverde não consegue resistir. Afinal ganhou a Flèche Wallonne e a Liège - Bastogne - Liège três vezes cada uma. No ano passado venceu as duas.

O ciclista da Movistar chega a estas clássicas como o preferido e nem o discurso que não está na forma necessária para as conquistar novamente lhe retira esse estatuto. É difícil não dizer: eis Valverde. Mesmo não estando a 100%, certamente que o espanhol irá lutar pela vitória.


Um dos seus principais adversários esta quarta-feira poderá ser Joaquim Rodríguez. O ciclista da Katusha não tem estado bem em 2016, mas aquele Muro de Huy é quase perfeito para as suas características e para repetir o triunfo de 2012.

Porém, esta poderá ser uma clássica para Etixx-QuickStep. O jovem Julian Alaphilippe lidera a equipa belga, mas os olhos estarão mais fixados em Daniel Martin. O irlandês parece ter finalmente encontrado a equipa perfeita. Já soma duas vitórias este ano, precisamente em etapas (Volta à Comunidade Valenciana e Volta à Catalunha) com chegadas após subidas não muito longas, mas duras.

Com Philppe Gilbert (BMC) a colocar-se fora dos candidatos devido ao dedo fracturado com que vai voltar a competir, há ainda assim outros candidatos a colocarem-se entre os favoritos. A Orica-GreenEDGE vai agora apostar em Michael Albasini, enquanto a Sky tem Sergio e Sebastián Henao, enquanto Wout Poels pode surpreender.

Diego Rosa (Astana), Samuel Sanchez (um possível plano B para BMC), Roman Kreuziger (Tinkoff) e Enrico Gasparotto (Wanty) são ciclistas a ter em conta. No caso do italiano, volta a entrar no radar do pelotão depois de ter batido a concorrência na Amstel Gold Race, no domingo.

E claro: Rui Costa. O português esteve bem na primeira corrida das Ardenas (17º) e o Muro de Huy não assusta o campeão do mundo de 2013, até porque, além da capacidade física, esta subida requer muita inteligência para atacar no momento certo. No entanto, há que recordar que é a Liège - Bastogne - Liège o principal objectivo desta semana para Rui Costa.

E dos portugueses é aquele que se poderá ver a lutar pela vitória. Mário Costa, também da Lampre, e Tiago Machado (Katusha) deverão trabalhar para os seus líderes.

Muro de Huy: força e táctica

O Muro de Huy é das subidas mais populares no ciclismo. 1,3 quilómetros, com 9,6% de inclinação média, que chega a ter 23% e máxima. Um muro! Esta subida revela quem são os melhores tacticamente, pois, muito simplesmente, quem ataca cedo mais, pode acabar bastante mal, quem espera demasiado, pode não ter tempo para recuperar tempo perdido para outro ciclista. O timing é tudo... ou quase.