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29 de abril de 2018

"Iria sempre ter de mudar de tarefa no futuro e achei que agora era a altura certa"

"Eu gostava da competição, mas estava a chegar a uma idade ou dava o salto para algo que fosse espectacular ou então... sentia que não estava a dar o clique com o passo à frente." Os convites não faltaram para continuar no ciclismo como atleta. Porém, Hélder Ferreira considerou que tinha chegado o momento de seguir outro rumo e aceitou o convite para integrar a equipa da Federação Portuguesa de Ciclismo. Não esconde que sente falta dos treinos, do ambiente de estágio, de estar com os companheiros, mas também não hesita em dizer o quanto está a gostar das novas funções, do quanto está a aprender agora que vive a modalidade que adora noutra perspectiva.

Considerou que seria "mais desafiante e mais enriquecedor" ter outra função na modalidade e passou a ser técnico da federação. "Estou mais na área do Ciclismo para Todos, apesar de gostar da competição e pretender ao máximo envolver-me nesse aspecto", explicou ao Volta ao Ciclismo. E tem marcado presença nas corridas. Agora fora da bicicleta, mas sem muito tempo para sentir a falta da competição. "Não tinha noção de algumas coisas. Na Volta ao Algarve, por exemplo, eu por vezes saía muito tarde do secretariado e fazia trabalhos que não fazia a menor ideia que eram feitos, como imprimir não sei quantos comunicados para a imprensa e muitas outras coisas. Não sabia que se tinha de fazer algumas funções", contou, admitindo que ganhou um novo respeito pelas organizações das provas.

"Se se quer que as coisas corram bem, há que ter muita preparação, há muito trabalho a fazer. Não é fácil! É necessário meios para fazer uma corrida, é necessário gente que saiba o que fazer... Eu ainda estou a aprender, mas já vejo a dificuldade que é pôr uma prova na estrada, ou uma de BTT", referiu. Acrescentou como agora está a conhecer pessoas que estão há muitos mais anos do que ele no ciclismo: "Eu andava de bicicleta e o resto passava-me um pouco ao lado."


"Tenho saudades de sair para treinar com os meus colegas, também de competir, do ambiente de estágio, dos jantares quando estávamos todos juntos... mas tudo passa"

Foi Sérgio Sousa - que no ano passado assumiu o cargo de director da federação depois de terminar a carreira de ciclista - que desafiou Hélder Ferreira. "Eu tinha a possibilidade de continuar [a competir]. Até tive o convite de um treinador com quem já tinha trabalhado e que gostava muito que eu fosse para o projecto dele. Tinha também a possibilidade de continuar no Louletano. Eles contavam comigo. Por acaso este ano até tinha algumas hipóteses em aberto. Mas pensei que era o momento certo para mudar e acho que fiz bem", salientou. A decisão nem se prendeu com questões financeiras. Hélder Ferreira considerou que simplesmente tinha chegado o momento de apostar em algo diferente "Iria sempre ter de mudar de tarefa no futuro e achei que agora era a altura certa."

A carreira de ciclista ficou assim terminada aos 26 anos (entretanto já fez 27), depois de quatro temporadas como profissional, três na Efapel e a última no Louletano-Hospital de Loulé. Fez três Voltas a Portugal e foi sempre um ciclista de confiança para os líderes que apoiou. Regressar é algo que considera difícil, até porque não se cansa de dizer que está mesmo a gostar do que agora faz, ainda mais por ter a oportunidade de realizar diferentes funções: "Estou numa fase de aprendizagem, vou passando por vários departamentos dentro da federação e acho que é útil conhecer as diferentes realidades que este organismo tem. É diferente, mas estou a gostar bastante."

No entanto, confessou: "Tenho saudades de sair para treinar com os meus colegas, também de competir, do ambiente de estágio, dos jantares quando estávamos todos juntos... mas tudo passa. Agora estou focado em tantas tarefas, em tanta coisa nova, que nem tenho tempo para pensar nisso!" Mas claro que apesar do muito trabalho, pedalar continua a fazer parte da sua vida.

Licenciado em Ciências do Desporto e com o mestrado em Treino de Alto Rendimento Desportivo, será que pensa em um dia enveredar pela carreira de treinador? "Gostava de experimentar, mas estou a viver muito o momento. Vou dando um passinho de cada vez. Quem sabe...", disse. "Agora estou a aprender a parte organizativa, como funciona a federação, não estou a fazer muitos projectos para o futuro. O dia de amanhã logo se vê", acrescentou.

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21 de novembro de 2017

O ano da confirmação de Mateos e de um Louletano-Hospital de Loulé cada vez mais ambicioso

Vicente Garcia de Mateos. Eis um ciclista que se deveria seguir com atenção em 2017, ainda mais quando no ano anterior tinha terminado no top dez da Volta a Portugal. Claro que num pelotão que ia contar novamente com uma super equipa como a W52-FC Porto, que iria ter um Sporting-Tavira renovado e fortalecido, uma Efapel que foi buscar Sérgio Paulinho ao World Tour, o Louletano-Hospital de Loulé quase que poderia passar despercebido. Quase, porque a equipa algarvia estava determinada em entrar na discussão das corridas, por mais forte que fosse a concorrência. O ciclista espanhol era a grande aposta e não demorou a mostrar que poderia tornar-se num sério candidato a algo mais do que um top dez na Volta a Portugal. A contratação mais falada foi a de Luís Mendonça, que aos 31 anos chegou à elite nacional. Apostou tarde no ciclismo, mas vontade e ambição não lhe faltavam e o sprinter não se inibiu de andar na frente, mesmo quando ao seu lado teve um Fernando Gaviria e um André Greipel na Volta ao Algarve. No primeiro sprint, Mendonça foi o melhor português.

Jorge Piedade, director desportivo, preparou a temporada para que o seu líder, Mateos, estivesse sempre em crescendo. A primeira vitória surgiu logo na Clássica Aldeias do Xisto e por Espanha somou bons resultados, como o 13º lugar na Volta à Comunidade de Madrid e o sétimo na Volta a La Rioja. Em Junho ganhou o Grande Prémio Abimota e uma etapa. Com o aproximar da Volta a Portugal, Mateos entrou numa fase mais discreta, quebrada apenas com o sexto lugar nos Nacionais. No Troféu Joaquim Agostinho foi apenas 29º, o que talvez tenha contribuído para não entrar no lote dos grandes favoritos para a Volta a Portugal.

Ranking nacional: 4º (1528 pontos)
Vitórias: 4 (incluindo uma etapa na Volta a Portugal)
Ciclista com mais triunfos: Vicente Garcia de Mateos (4)

Contudo, tal não deverá acontecer de novo. A Volta serviu para Mateos enviar uma clara mensagem: contem com ele para fazer frente aos melhores. Porém, também o Louletano-Hospital de Loulé deixou a sua mensagem: um orçamento mais pequeno, uma equipa mais curta não significa que não se possa ser grande, principalmente quando se pode ter menos, mas o que se têm é de qualidade. O ciclista espanhol realizou uma Volta a Portugal a todos os níveis espectacular. Venceu uma etapa e terminou em terceiro. Para quem ainda há poucos anos procurava entrar mais em sprints, a evolução de Mateos foi notória e impressionante. Em 2018 a equipa algarvia vai querer mais e tens razões e base para isso.

O Louletanto-Hospital de Loulé chegou à Volta sem Luís Mendonça, que dias antes havia sido agredido durante um treino por um condutor. Fracturou o braço e não houve tempo para recuperar. Logo na primeira etapa foi Oscar Hernandez que não teve condições para prosseguir, deixando Mateos sem uma importante ajuda. Ainda assim, a reacção foi lutar pelo pódio e Jorge Piedade não tem dúvidas que o seu ciclista poderia estar com a camisola amarela antes da Serra da Estrela se tivesse mais apoio. Nessa etapa ficou mais do que claro que é preciso mais do que um Vicente Garcia de Mateos em forma para bater a W52-FC Porto.

E é esse passo que a formação algarvia quer dar em 2018. Márcio Barbosa (A.C.D.C. Trofa) poderá ser um reforço importante para a montanha, por exemplo. Certo será que a Aviludo-Louletano, como se chamará na próxima temporada, e Vicente Garcia de Mateos não serão novamente remetidos para um segundo plano na habituais listas de candidatos.

15 de novembro de 2017

Pelotão nacional de 2018 vai ganhando forma

As equipas portuguesas estão de olhos postos em 2018, mas continuam a limar algumas arestas quanto a contratações e renovações. A W52-FC Porto anunciou em dois dias duas novas caras e a manutenção de um dos ciclistas portugueses de maior valor: António Carvalho. Em comum há a aposta dos directores desportivos em manterem os principais corredores, pelo que, depois de um ano com grandes novidades - desde os regressos mediáticos de Sérgio Paulinho, Fábio Silvestre e Edgar Pinto, às mudanças de Joni Brandão, Amaro Antunes e Alejandro Marque, por exemplo -, em 2018 vamos assistir a uma continuidade dos núcleos fortes.

Das mais recentes contratações destaca-se a subida a profissional do jovem José Fernandes (22 anos), campeão sub-23 de contra-relógio. A evolução na Liberty Seguros-Carglass deixava antever que o passo para outro nível estaria perto e a W52-FC Porto assegura um dos ciclistas mais promissores da nova geração. José Fernandes ganhou a Volta a Portugal do Futuro, foi quinto no Troféu Joaquim Agostinho e o melhor na classificação da juventude.

César Fonte irá trazer experiência à equipa de Nuno Ribeiro. Aos 30 anos abraça um novo projecto depois de um ano na LA Alumínios-Metalusa-BlackJack e três na Rádio Popular-Boavista. Antes passou pela estrutura da Efapel. O ciclista irá colmatar a saída de Amaro Antunes, sendo certamente um importante apoio a Raúl Alarcón e Gustavo Veloso, sendo de esperar que tenha alguma liberdade em certas corridas, como o director desportivo tenta sempre conceder durante a temporada.

Nuno Ribeiro bem tinha prometido que a equipa continuaria forte, apesar da saída do ciclista algarvio para a CCC Sprandi Polkowice e das incertezas quanto ao futuro de Alarcón, vencedor da Volta a Portugal, e António Carvalho (sexto na Grandíssima e com um ano recheado de excelentes resultados e prestações na ajuda aos líderes). Os últimos dois optaram por renovar.

O Sporting-Tavira foi buscar dois ciclistas desconhecidos: o russo Alexander Grigoryev (Russian Helicopters) e o italiano Nicola Toffali (0711|Cycling). Vidal Fitas também já garantiu Álvaro Trueba, corredor que estava na Efapel. Américo Silva tinha como objectivo tentar ficar com a equipa praticamente intacta. Perdeu Trueba e António Barbio (Miranda-Mortágua), mas foi buscar o experiente David Arroyo. Aos 37 anos, o espanhol pensava que iria terminar a carreira na Caja Rural, mas ao proporcionar-se este regresso a Portugal, agarrou a oportunidade. Em 2004 esteve na LA Pecol, terminando em segundo a Volta a Portugal. David Bernabéu foi o vencedor nesse ano, com Nuno Ribeiro (actual director desportivo da W52-FC Porto) a fechar o pódio e com Sérgio Paulinho a ser sexto. Agora serão companheiros de equipa. David Arroyo tem ainda experiência de World Tour, tendo estado oito anos na estrutura da Movistar.

Jorge Piedade quer colocar o Louletano-Hospital de Loulé (Aviludo-Louletano em 2018) mais perto do nível da W52-FC Porto, para assim ter novamente Vicente Garcia de Mateos na discussão da Volta a Portugal e apontar a mais vitórias noutras corridas. Luís Fernandes (Sporting-Tavira) e Juan Ignacio Perez (W52-FC Porto) estão contratados, tendo o responsável da formação algarvia aberto novamente as portas da elite a Márcio Barbosa (A.C.D.C. Trofa).

A Rádio Popular-Boavista prepara-se para a vida pós-Rui Sousa. Ficou com as principais figuras e foi buscar o veterano Yuri Trofimov (33 anos), que esteve na Caja Rural até meio da temporada transacta. Antes representou a Tinkoff e Katusha no World Tour. Também da equipa espanhola veio Oscar Pelegri e Manuel Sola chegou a ser anunciado, mas antes de assinar contrato foi conhecido um positivo num teste anti-doping, pelo que o acordo ficou sem efeito e falta um ciclista para fechar o plantel de José Santos.

Temos ainda a nova equipa: Vito-Feirense-Blackjack. É o regresso do clube ao ciclismo em ano de centenário. Vencedor da Volta a Portugal em 1990 com Fernando Carvalho, a equipa terá como director desportivo o antigo ciclista Joaquim Andrade e contará com alguns dos principais nomes da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack: Edgar Pinto, João Matias, Hugo Sancho e Luís Afonso. Leonel Coutinho irá regressar a Portugal depois de um ano em Espanha, o marroquino Soufiane Haddi irá reencontrar Edgar Pinto, de quem foi colega na Skydive Dubai. Ricardo Vale deixa a Rádio Popular-Boavista. Três ciclistas do Sport Ciclismo São João de Ver vão estar entre a elite nacional: João Santos, Gonçalo Santos e Bernardo Saavedra.

Em 2018, a formação do Miranda-Mortágua - que este ano esteve em destaque em várias corridas, principalmente com Francisco Campos - irá subir ao escalão Continental, sem, no entanto, perder o seu carácter de formação. Além dos jovens sub-23, destaque para o regresso de Nuno Meireles ao pelotão nacional depois de uma experiência pouco feliz na equipa Bolívia, projecto que terminou a meio da temporada. António Barbio será uma das grandes figuras. Vencedor de uma etapa na Volta a Portugal em 2017, o ciclista deixa a Efapel para regressar a uma estrutura que conhece bem.

Aqui fica o que já se conhece do pelotão nacional (ordem das equipas de acordo com o ranking nacional de 2017, sendo a Vito-Feirense-BlackJack uma nova formação e o Miranda-Mortágua subiu de escalão).

W52-FC Porto-Mestre da Cor: Raúl Alarcón, António Carvalho, Gustavo Veloso, Rui Vinhas, João Rodrigues, Samuel Caldeira, Ricardo Mestre, César Fonte (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack), José Fernandes (Liberty Seguros-Carglass);

Sporting-Tavira: Joni Brandão, Alejandro Marque, Rinaldo Nocentini, Frederico Figueiredo, Álvaro Trueba (Efapel), Alexander Grigoryev (Russian Helicopters), Nicola Toffali (0711|Cycling);

Efapel: Sérgio Paulinho, Henrique Casimiro, Daniel Mestre, Rafael Silva, Bruno Silva, Jesus del Pino, David Arroyo (Caja Rural);

Aviludo-Louletano: Vicente Garcia de Mateos, Luís Mendonça, Rui Rodrigues, David de la Fuente, André Evangelista, Oscar Hernandez, Luís Fernandes (Sporting-Tavira), Juan Ignacio Perez (W52-FC Porto), Márcio Barbosa (A.C.D.C. Trofa);

Rádio Popular-Boavista: Domingos Gonçalves, João Benta, Filipe Cardoso, David Rodrigues, Luís Gomes, Egor Silin, Yuri Trofimov (Caja Rural até Julho), Oscar Pelegri (Caja Rural);

Vito-Feirense-BlackJack: Edgar Pinto, João Matias, Hugo Sancho, Luís Afonso, Leonel Coutinho (G.D. Supermercados Froiz), Ricardo Vale (Rádio Popular-Boavista), Soufiane Haddi (Skydive Dubai-Al Ahli), João Santos (Sport Ciclismo São João de Ver), Gonçalo Santos (Sport Ciclismo São João de Ver), Bernardo Saavedra (Sport Ciclismo São João de Ver);

Miranda-Mortágua: Nuno Meireles, António Barbio, Hugo Nunes, Francisco Campos, Jorge Magalhães, Gonçalo Carvalho, Damien Cordeiro, João Rocha, José Sousa, Pedro Teixeira e Artur Chaves.

NOTA: Por lapso não foi incluída na primeira versão do texto a equipa do Miranda-Mortágua. Aqui fica o pedido de desculpa e a inclusão de uma formação que subirá de escalão e que poderá assim participar nas principais competições nacionais, como a Volta a Portugal e a Volta ao Algarve. Boas notícias para o pelotão português.



23 de outubro de 2017

"Com uma equipa mais forte, o Vicente estaria de amarelo antes da etapa da Serra da Estrela"

Jorge Piedade está orgulhoso do que Vicente García de Mateos tem alcançado, como
a vitória na Clássica Aldeias do Xisto (na foto) e, claro, a exibição na Volta a Portugal
O orçamento pode não ser dos maiores, mas o Louletano-Hospital de Loulé realizou uma época extremamente positiva, com vitórias e claro com destaque para a exibição na Volta a Portugal. Jorge Piedade é um director desportivo satisfeito, mas agora só pensa em conseguir mais e melhor em 2018. E diz mesmo: "Podem estar atentos ao Louletano." A começar pela Volta ao Algarve. A correr em casa, o responsável quer estar bem logo no arranque de temporada, ainda mais sendo uma prova de referência internacional.

Porém, é hora de o fazer balanço de 2017 e preparar a equipa para a próxima temporada. Vicente Garcia de Mateos vai continuar, assim como Luís Mendonça, David de la Fuente, Oscar Hernandez, Rui Rodrigues e André Evangelista. Luís Fernandes será reforço, depois de dois anos no Sporting-Tavira e de três na estrutura agora com o nome de W52-FC Porto, que ficará sem Juan Ignacio Perez, que também ruma à formação algarvia. Márcio Barbosa regressa à elite nacional, depois dois anos no A.C.D.C. Trofa. 

"Penso que poderei fazer uma equipa bastante boa e equilibrada para estar com o Vicente", disse Jorge Piedade ao Volta ao Ciclismo. O espanhol afirmou-se definitivamente em 2017 como uma das figuras do pelotão nacional. Venceu a Clássica Aldeias do Xisto, depois o Grande Prémio Abimota e, claro, a vitória na etapa de Oliveira de Azeméis e o terceiro lugar na Volta a Portugal foram os pontos altos da temporada.


"Eu sabia que o Vicente ia discutir a Volta a Portugal. Eu disse a muita gente, mas ignoraram-no um pouco e de alguma forma ficaram surpreendidos"

Jorge Piedade acredita que apesar do excelente resultado, poderia ter sido melhor. A perda de Luís Mendonça, antes da Volta, e de Oscar Hernandez logo no arranque da corrida condicionaram um pouco a estratégia. O director desportivo não tem dúvida: "Com uma equipa mais forte, o Vicente estaria de amarelo antes da etapa da Serra da Estrela." Foi nesse dia, o penúltimo da Volta, que o sonho se desmoronou. Jorge Piedade não coloca em causa a qualidade da W52-FC Porto, muito pelo contrário, deixa elogios, mas defende a exibição da sua equipa durante toda a Volta a Portugal.

"Ficámos orgulhosos. Sabíamos das nossas limitações, mas trabalhámos para segurar os corredores, nomeadamente da W52-FC Porto. Tentámos controlar a Volta com a equipa que tínhamos", explicou. Na Serra da Estrela não houve nada a fazer perante o poderio de Amaro Antunes e Raúl Alarcón - que ficariam nos dois primeiros lugares do pódio final - que unidos destroçaram a concorrência. O espanhol do Louletano-Hospital de Loulé acabou por ter pouca ajuda na perseguição. O terceiro lugar de Vicente García de Mateos pode ter surpreendido alguns, mas não Jorge Piedade: "Eu sabia que o Vicente ia discutir a Volta a Portugal. Eu disse a muita gente, mas ignoraram-no um pouco e de alguma forma ficaram surpreendidos. Não contavam que o Vicente andasse tanto."


"Quero mais. Sou ambicioso e gosto de andar no ciclismo para ganhar. É uma maneira de estar"

Em 2016 foi oitavo e as exibições durante esta temporada até apontavam como um ciclista a aparecer forte na Volta. Porém, ainda assim, surgiu muito como outsider. Agora a atenção dos rivais será outra. "O Vicente tem qualidades que muitos não têm, como por exemplo na chegada ao sprint, anda bem no contra-relógio e na montanha está com eles", disse o responsável. E realçou: "Para a Volta a Portugal é perfeito. O Vicente é um grande ciclista."

A evolução deste espanhol de 29 anos tem sido notória, estando cada vez melhor na montanha. Ganhar a Volta a Portugal é a ambição, brilhar no Algarve também e claro que durante 2018 o Louletano-Hospital de Loulé quer estar novamente bem e não se concentrar apenas nas principais competições do calendário. "Quero mais. Sou ambicioso e gosto de andar no ciclismo para ganhar. É uma maneira de estar", afirmou Jorge Piedade.

No próximo ano há já outra mudança confirmada. Há dias foi anunciado que o nome da equipa irá mudar. A partir de 1 de Janeiro será a Aviludo-Louletano. Como curiosidade, o novo patrocinador a equipa de Loulé é uma empresa especializada na indústria, comércio e distribuição de produtos alimentares.


12 de setembro de 2017

A época do ciclismo nacional chegou ao fim... e soube a pouco

A época chegou ao fim no ciclismo nacional. Já! Estamos em Setembro, com um tempo ainda a convidar tantas pedaladas, mas a nível competitivo, na estrada, a temporada chegou ao fim com o Troféu Concelhio de Oliveira de Azeméis e o Memorial Bruno Neves neste último fim-de-semana, duas provas que até já se deveriam ter realizado, mas foram adiadas para esta altura do ano. Fica a faltar o Festival de Pista de Tavira, mas como o nome bem indica, já não se verá os ciclistas na estrada. O início do ano prometeu, com o pelotão nacional a ser dos melhores dos últimos anos. Os directores desportivos partilhavam essa opinião. Melhores ciclistas, mais potencial para espectáculo. Assim foi, mas... soube a pouco.

Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista), Fábio Silvestre (Sporting-Tavira) e Edgar Pinto (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack) regressaram ao pelotão nacional, que também voltou a contar 12 anos depois com Sérgio Paulinho (Efapel), medalha de prata em Atenas 2004 e um dos homens de confiança durante muitos anos de Alberto Contador. Este grupo juntou-se a uma W52-FC Porto ainda mais forte com a integração de Amaro Antunes, apesar da perda de Rafael Reis, a um Sporting-Tavira que desta feita começou a tempo e horas a mexer-se no mercado e foi buscar Joni Brandão (ex-Efapel) e Alejandro Marque (ex-LA Alumínios-Antarte). Também houve uma Rádio Popular-Boavista que foi buscar Filipe Cardoso à Efapel e João Benta ao Louletano-Hospital de Loulé, tendo perdido César Fonte para a LA Alumínios-Metalusa-BlackJack. Ou seja, muitas mexidas que permitiram equilibrar um pouco melhor as forças no pelotão, com a equipa de Nuno Ribeiro a demonstrar durante a temporada ser ainda claramente superior.

Quanto a competições, o calendário português continua a ter problemas. Falta dinheiro e patrocínios, já se sabe, pelo que organizar corridas não é fácil. Logo no início do ano, por exemplo, foi cancelada a corrida em Vila Nova de Cacela, Algarve, e as duas que agora fecharam a temporada foram adiadas. Houve dúvidas sobre a sua realização, mas acabaram por ir para a estrada. O início do ano até foi algo intenso, mas houve paragens que sempre quebram o ritmo competitivo. As equipas portuguesas tentam gerir os curtos orçamentos para de vez em quando ir a Espanha. A W52-FC Porto até apostou bem forte nestas corridas e com bons resultados, tanto por parte de Amaro Antunes, como de Raúl Alarcón, que venceu a Volta às Astúrias e foi segundo na de Madrid.

No entanto, não é fácil para a maioria das seis formações de elite ir muito lá fora, tentando assim suprimir a falta de corridas por cá. Mas regressando às provas portuguesas. Podem ser poucas, mas há corridas com grande potencial. A Volta ao Algarve já está mais do que confirmada como tal, pertencendo ao segundo escalão mundial, contudo, há que olhar com atenção para as clássicas da Arrábida e Aldeias do Xisto. Percursos muito interessantes, a proporcionar espectáculo, com potencial para chamar ciclistas de outro nível. E claro que há que destacar a vertente visual que o ciclismo tanto ajuda a "vender": que bonitas paisagens! A nossa grande corrida, a Volta a Portugal, acabou por ficar um pouco aquém. A culpa não é da W52-FC Porto dominar, o percurso acabou por criar pouco entusiasmo e isso nota-se nas bermas da estrada despedidas de público, mesmo na Senhora da Graça (que se quer ao fim-de-semana e não a uma terça-feira). Na Torre foi uma desilusão e foi uma etapa para recordar.

Nos 90 anos da Volta, a RTP foi recordando alguns grandes momentos da corrida. Nessas imagens via-se precisamente como as pessoas procuravam todos os cantos, todas as pedras para ver os ciclistas passar na Torre e na Senhora da Graça, por exemplo. Os tempos são outros, é certo. O ciclismo português não tem a fama junto da população de outrora, ainda assim, é triste ver como a Volta a Portugal atrai tão pouco público, tão pouco interesse (excluindo os brindes dos patrocinadores, sempre muito procurados).

Talvez seja por aqui que seja necessário começar. Com a Volta ao Algarve consolidada e com algumas corridas de um dia a irem crescendo aos poucos, é na Volta a Portugal que se quer mais. Para tal é preciso apostar de uma diferente forma, tentar subir novamente o escalão e assim atrair outro tipo de equipas, que não algumas que por cá acabam com um ou dois ciclistas e que nem numa fuga quase tentam entrar. Começar por chamar equipas do nível Profissional Continental seria algo interessante, mas subir de escalão poderá ser essencial. Este ano, só a Israel Cycling Academy cá veio e até venceu a classificação da juventude.

Este ano foi aberto o concurso para a organização das próximas edições da Volta a Portugal, nas linhas definidas pela Federação Portuguesa de Ciclismo, é fácil perceber que é precisamente a subida de nível da corrida que se pretende, mesmo que não de imediato. A Volta é organizada pela Podium, tendo como director o antigo ciclista Joaquim Gomes, e vai continuar a ser até 2025. Foi a única candidatura apresentada.

A Volta teve o seu espectáculo. Disso não há dúvida, mas lá está... soube a pouco. O nosso pelotão foi de qualidade em 2017 e estava preparado para outro desafio mais intenso numa corrida que continua a ser vista como a mais importante para as equipas nacionais. Aqui ainda não falámos do Louletano-Hospital de Loulé, mas apesar de mais discreta nas contratações, a formação apostou na continuidade com Vicente García de Mateos e o espanhol retribui com excelentes resultados, inclusivamente o pódio na Volta a Portugal. A equipa algarvia também foi uma das que mais animou algumas corridas.

Talvez seja querer de mais. Porém, com um pelotão como este gostar-se-ia de ter visto mais corridas e quando foi possível ver uma na televisão (a Volta a Portugal), teria sido excelente se o percurso puxasse um pouco mais pelos ciclistas de qualidade que lá estavam. Das equipas estrangeiras que cá estiveram, alguns dos seus responsáveis não tinham dúvidas que as portuguesas eram de um nível elevado, até colocaram algumas como de nível Profissional Continental e não só a W52-FC Porto.

Quanto ao pós-Volta, não varia mal uma dinamização dos tradicionais circuitos. Marcados por um espírito de descontracção, é uma festa de ciclismo muito particular, mas que em certos sítios parece que vai caindo no esquecimento, até da população local que tem ali uma oportunidade de conviver de uma forma muito próxima com os ciclistas.

Aos poucos o ciclismo português vai renascendo. Não bem das cinzas, mas quase, depois de anos em que o dinheiro escasseou e foi um martírio manter as equipas na estrada. Alguns patrocinadores não perderam a esperança e ainda hoje se vão mantendo, agora com uma projecção outra vez um pouco maior e que merecia ser mais dado os ciclistas que representam as formações nacionais.

O ciclismo português tem qualidade, tem pessoas de muita dedicação e profissionalismo que continuam a dedicar-se seja à elite, seja aos escalões de formação que tantas dificuldades continuam a atravessar, mas resistem. De salientar que os sub-23 competem quase o ano todo com a elite, ajudando a compor o pelotão. E de vez em quando aparecem nas discussão das corridas, que o diga Francisco Campos, do Miranda Mortágua.

O ciclismo português merece mais atenção de todos (media, público...). Os ciclistas que vamos vendo dar o salto para equipas do World Tour, ou para o escalão Profissional Continental começaram por cá, evoluíram cá o suficiente para atrair as atenções de grandes equipas. Portugal não é o World Tour (ainda que temos uma Volta ao Algarve que nos permita viver um pouco esse ambiente), mas se o crescimento continuar em 2018, aos poucos vamos tendo mais e, principalmente melhores corridas. Não é um mar de rosas, mas não é preciso tanto pessimismo. Há muito a corrigir e a melhorar, mas já se vão fazendo coisas bem feitas e é a partir daí que se deve continuar o trabalho. Estaremos aqui para acompanhar, na esperança que para o ano não saiba a pouco!

E como derradeira referência, os dois últimos vencedores do ano foram Domingos Gonçalves, que conquistou o Troféu Concelhio de Oliveira de Azeméis, e Mario González (Sporting-Tavira), vencedor do Memorial Bruno Neves. Tudo acabará a 5 de Outubro, no Festival de Pista de Tavira.


13 de agosto de 2017

A Volta disputada segundo a segundo

(Fotografia: Podium/Volta a Portugal)
Bonifica-se na meta volante, bonifica-se mais um pouco na chegada e segundo a segundo se vai confirmando uma candidatura. Tem sido este o jogo de Gustavo Veloso, Vicente García de Mateos e Rinaldo Nocentini. Raúl Alarcón já assume por completo que a W52-FC Porto aposta mesmo quase tudo em Veloso, pois mesmo de camisola amarela vestida, lança o seu líder para que este bonifique. Com diferenças tão curtas, a Volta pode ser ganha ou perdida por um segundo e, por isso, o trio que neste momento apresenta-se como o candidato - sem nunca tirar Alarcón da equação - faz tudo para os ir conquistando. Na Torre podem jogar-se minutos, ou então, se este teimoso (mas emocionante) equilíbrio se mantiver, será mesmo tudo disputado ao segundo em Viseu.

A etapa da Torre acaba por ser uma grande incógnita. Sem chegada em alto e com cerca de 69 quilómetros a separar o prémio da montanha da meta, com três terceiras categorias pelo meio, ou as diferenças são mesmo significativas durante a subida da etapa rainha, ou então, alguém que passe menos bem, tem possibilidade de recuperar, se não perder por completo as forças nas pequenas subidas que terá pela frente.

Raúl Alarcón e Gustavo Veloso têm o discurso bem afinado: querem definir melhor a classificação na Torre. Nocentini já vai analisando as suas capacidades de contra-relogista, enquanto Mateos prepara-se para uma luta contra o que diz ser uma "equipazo".

Nesta altura, Mateos tem motivação de sobra. Venceu finalmente uma etapa, em Oliveira de Azeméis, e ganhou 16 segundos a Alarcón (está a 14): 10 da bonificação da vitória, dois na meta volante e quatro no corte que houve na meta. O espanhol não parece estar preocupado com esse facto, pois lançou Veloso para que este fosse buscar três segundos na meta volante. Nocentini ficou com um nesse momento, mas na meta só o ciclista do Louletano-Hospital de Loulé foi buscar segundos. Esta é uma luta que tem estado acesa nas últimas etapas. Os três têm sprintando constantemente para ganhar segundos.

Agora é esperar para ver que segundos se ganham ou se perdem na Torre para depois fazer contas para o contra-relógio. Veloso tem estado em crescendo de forma, Alarcón começou forte, mas agora está mais discreto, se calhar na perspectiva de ajudar o líder da equipa. Claro que se chegar ao contra-relógio com vantagem... Será cada um por si. Mateos gosta mais de subidas curtas como a da etapa deste domingo. Passando na Torre, a chegada pode ser novamente ao seu jeito. Nocentini vai espreitando, mas a descrição tem sido a sua táctica. Parece estar à espera do momento certo para finalmente mostrar as garras e causar uma pequena surpresa.

Os restantes ciclistas estão a mais de minuto e meio, começando por João Benta (Rádio Popular-Boavista). Será muito difícil reentrar na luta, mas se há etapa com capacidade para mudar a geral, é a da Torre.



Veja aqui as classificações.


11 de agosto de 2017

De excluídos a substitutos de última hora na Volta a Portugal

Para um ciclista de uma equipa nacional estar na Volta a Portugal é o objectivo máximo da temporada. Mesmo com plantéis curtos, há sempre alguém que fica de fora. Este ano Pedro Paulinho já estava a lidar com essa desilusão no Louletano-Hospital de Loulé, enquanto Mario Gonzalez tinha ordens para treinar caso fosse preciso substituir alguém no Sporting-Tavira há última da hora. Não era uma situação confortável para nenhum dos corredores. Porém, a infelicidade de uns acabou por abrir a porta da Volta a Paulinho e Gonzalez, que só pensam em agarrar a oportunidade.

Desde o Troféu Joaquim Agostinho que Pedro Paulinho sabia que iria falhar a Volta a Portugal. Porém, a pouco mais de uma semana do arranque da corrida, o seu colega, Luís Mendonça, sofreu uma agressão durante um treino e fracturou o braço. Paulinho foi chamado de urgência. "Foram duas semanas em que não fiz um treino intensivo para a Volta", admitiu ao Volta ao Ciclismo. Porém, já não é um estreante e essa experiência ajuda a enfrentar uma competição sempre difícil. "Quero provar a mim mesmo e a todos que também mereço o meu lugar aqui", salientou. Acrescentou ter sido complicado lidar com a inicial exclusão e depois ser chamado de forma inesperada. "Mas como ciclistas profissionais temos de lidar com isso", disse.

Agora só pensa em ajudar o seu líder, Vicente García de Mateos, e esperar por uma eventual liberdade para tentar disputar uma etapa. Quanto ao espanhol, que está a 34 segundos do camisola amarela Raúl Alarcón (W52-FC Porto), Paulinho deixa o aviso: "Os adversários têm de ter cuidado com ele. Quando está bem, faz frente aos melhores. Se chegar a Viseu [última etapa] a segundos da amarela, tenho a certeza que será o maior inimigo de alguns ciclistas [fortes no contra-relógio]."

Pela primeira vez os irmãos Paulinho estão juntos na Volta a Portugal, ainda que em equipas diferentes. "Dá uma motivação extra", confessou o mais novo dos irmãos (27 anos). Mas não haverá "enganos" quando tiver de apoiar alguém: "Sei as minhas cores. Darei todo o apoio ao meu irmão fora da estrada, mas na estrada é o Vicente que é o meu colega." Ainda assim referiu como Sérgio Paulinho está motivado, realçando como "não tem de provar nem a ele, nem a ninguém o ciclista que é". Perfeito para Pedro Paulinho seria ganhar uma etapa, ter Vicente de amarela em Viseu e o irmão Sérgio em segundo!

Mario Gonzalez teve de lidar com emoções diferentes. Foi alertado por Vidal Fitas que teria de treinar como se fosse à Volta a Portugal, apesar de saber que só seria escolhido se algo acontecesse a algum dos colegas. A situação clínica de Joni Brandão fez com que houvesse uma dúvida sobre a presença daquele apontado à liderança do Sporting-Tavira. "Não é fácil [manter a motivação], mas o Vidal sabe trabalhar muito bem com os ciclistas. Falava comigo e tentava que eu estivesse concentrado como se fosse à Volta", contou ao Volta ao Ciclismo o espanhol de 25 anos.

A cerca de uma semana do início da Volta, Joni Brandão anunciou que devido a um problema de saúde não estaria presente na corrida. Gonzalez só pensa em ajudar os colegas de equipa, com Rinaldo Nocentini a estar muito bem, sendo segundo, a 24 segundos de Raul Alarcón. "A equipa este ano está mais forte e há que pensar que se pode ganhar ao rival", salientou um confiante Gonzalez.

Recta final de quatro etapas


Santuário de Nossa Senhora da Assunção. A sétima etapa é uma das que preocupa os candidatos. O final em Santo Tirso aparece como uma subida de segunda categoria, mas os pouco mais de seis quilómetros com uma pendente média de 6,2% podem ser ideais para ciclistas como Vicente García de Mateos tentar atacar, ou até para o próprio Raúl Alarcón pensar em aumentar as distâncias.

A etapa da Torre é na segunda-feira, mas com alguns corredores a terem de encurtar diferenças, é de esperar que ciclistas menos fortes no contra-relógio, casos de João Benta, por exemplo (ciclista da Rádio Popular-Boavista está a 1:28 minutos da liderança) e mesmo os homens da Efapel que precisam mesmo de recuperar tempo (Henrique Casimiro está a 1:40 e Sérgio Paulinho a 1:48, este último já mais forte no esforço individual) possam mexer com a corrida ou já este sábado, ou então no domingo, quando o pelotão passar pelo Gamarão, em Arouca.

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6 de agosto de 2017

"Não fico feliz com um pódio, estou aqui para ganhar"

Há dois anos não se esperaria estar a falar de um Vicente García de Mateos candidato a vencer a Volta a Portugal. No entanto, em 2016 foi oitavo e tornou-se claro que o espanhol estava a preparar-se para atacar algo mais. Preparou-se como nunca e está feito num trepador com uma confiança de quem somou vitórias que o fazem acreditar ser possível estar ao nível dos favoritos. Ou melhor, ser um dos favoritos. E não tem receio de mostrar toda essa confiança, assegurando que só tem um objectivo para a Volta: conquistá-la.

"Não fico feliz com um pódio, estou aqui para ganhar", salientou ao Volta ao Ciclismo o espanhol do Louletano-Hospital de Loulé, acrescentando: "Claro que um pódio para a equipa seria uma vitória, mas estamos aqui para ganhar." Mateos acredita que está em condições de enfrentar as subidas muito complicadas que vão aparecer nesta Volta a Portugal, explicando que fez uma preparação diferente a pensar no desafio que quer vencer. Os resultados apareceram com a vitória na Clássica Aldeias do Xisto e no Grande Prémio Abimota. "Ganhar dá sempre confiança e ainda mais quando se ganha sabendo-se que não se está a 100% e que ainda há margem para melhorar", disse.

De sprinter a trepador não foi uma mudança assim tão grande, pois afinal Vicente García de Mateos já tinha mostrado essa capacidade quando corria em Espanha: "O que aconteceu foi que quando vim para Portugal, o Jorge Piedade [director desportivo] não me pedia isso. Pedia que lutasse nos sprints e eu tentei melhorar esse aspecto. Quando tive liberdade mostrei que podia subir e estar com os melhores... E aqui estamos."

Vem aí a Senhora da Graça, na terça-feira, naquele que será o primeiro grande teste aos candidatos. Mateos afirma que é natural estar preocupado com as etapas mais duras, mas são as consideradas menos complicadas que o deixam mais apreensivo. "Um furo ou outro qualquer percalço que pode custar tempo... Essas etapas preocupam-me muito e há que estar muito atento." E este domingo foi a prova que num dia supostamente mais calmo, tudo pode mudar, neste caso com uma queda que deixou a maioria dos candidatos para trás. Como foi nos últimos três quilómetros, não houve problemas a nível de tempo.

Com a W52-FC Porto a mostrar todo o seu poderio, Mateos não se deixa intimidar e acredita que os seus colegas vão dar-lhe o apoio necessário. "A equipa está muito forte e mostrou isso mesmo no Abimota. Eles confiam em mim e eu neles", frisou. No entanto, o ciclista espanhol de 28 anos perdeu um elemento que durante a temporada se revelou importante. Luís Mendonça foi agredido durante um treino cerca de uma semana antes da Volta começar. Ficou com o braço partido e acabou substituído por Pedro Paulinho: "Foi muito triste perder o Luís desta forma. Pensávamos que ia ser um homem para nas chegadas perigosas me ajudar muito. É lamentável que não possa estar aqui."

Vicente García de Mateos é o nono classificado a 29 segundos de Raúl Alárcon, depois de três dias de corrida. A segunda etapa, que ligou Reguengos de Monsaraz (o regresso ao Alentejo do pelotão na Volta a Portugal) a Castelo Branco, foi a mais longa (214,7 quilómetros) e acabou por ficar marcada por duas quedas já dentro dos três quilómetros finais. A primeira afectou Rui Vinhas e Ricardo Mestre, da W52-FC Porto, com João Benta (Rádio Popular-Boavista) a também ir ao chão. Porém, foi a segunda que deixou maiores preocupações, principalmente para Edgar Pinto. O líder da LA Alumínios-Metalusa-BlackJack fez um corte na testa e ficou mal-tratado nas costelas. Foi transportado para o hospital e ainda não há confirmação se irá ou não continuar em prova.

Quanto ao vencedor, Samuel Caldeira aumentou a conta para a W52-FC Porto. Em três dias, duas vitórias para a equipa de Nuno Ribeiro. Raúl Alárcon continua de amarelo e é também líder na classificação por pontos.


O dia ficou ainda marcado pelo muito calor, mas a etapa desta segunda-feira também preocupa as equipas nesse aspecto. Serão 162,1 quilómetros que começam em Figueira de Castelo Rodrigo, com a meta à espera dos ciclistas em Bragança.

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28 de julho de 2017

Luís Mendonça agredido durante um treino, tem a Volta a Portugal em risco: "Foram momentos de terror"

Porquê? É esta pergunta que não sai da cabeça de Luís Mendonça. Por que razão um homem, possivelmente com mais de 65 anos, tentou atirá-lo ao chão enquanto treinava e acabou por o agredir. Com o ciclista estavam mais três corredores e um outro também foi alvo desta violência que Luís Mendonça não consegue perceber. O resultado é dramático para os seus objectivos de 2017: tem o braço partido e a Volta a Portugal está em risco. Mas além das consequências físicas ficam ainda as psicológicas. Luís Mendonça ficou em choque e tenta agora reagir a uma situação que o deixou muito desanimado. Foi um ano dedicado a estar na Volta a Portugal em grande nível e agora tudo pode ter ido por água abaixo por uma atitude que Luís Mendonça continua a questionar: "Porquê?"

Tudo aconteceu na quarta-feira, mas só no dia seguinte o ciclista do Louletano-Hospital de Loulé conseguiu falar publicamente. "Ninguém imagina o que eu chorei. Pouco dormi desde o que aconteceu. Chorei muito", desabafou. Acabou por partilhar no Facebook o que lhe aconteceu e as reacções não se fizeram esperar. Não sendo por esta razão que queria ter atenção mediática, Luís Mendonça espera que ao contar o que viveu possa fazer alguma diferença na difícil relação que continua a existir entre condutores e ciclistas. "A ver se as pessoas ganham consciência. O que aconteceu foi uma coisa bárbara... de uma atrocidade incrível."

Luís Mendonça contou ao Volta ao Ciclismo os momentos que diz terem sido de terror. "Nós não fizemos absolutamente nada ao senhor. Íamos numa estrada sem trânsito, na nossa berma que era larga e as faixas estavam desimpedidas. Havia boa visibilidade e não havia ninguém. Uma pacatez absoluta às 15:15. Nem hora de ponta era... Vínhamos na berma, dois a dois, não estávamos sequer na estrada. Ele veio para cima de nós. Saiu da faixa de rodagem, veio para a berma, quase que virava o carro. Veio com tudo. Super agressivo. Não chegou a tocar-nos. Se calhar se fossem pessoas que andam uma ou duas vezes por semana teriam ido ao chão. Íamos rápido, 45/50 km/hora, pois era um pouco a descer. Escapámos por um triz", começou por descrever.

O ciclista de 31 anos referiu que por vezes há um "pré-aviso" para uma atitude mais agressiva, ou seja, uma buzinadela, uma troca de palavras, mas disse que não foi o caso: "Nós reclamámos [após ter tentado abalroar o grupo] e ele começou a fazer gestos obscenos, a travar e nós ficámos assustados." O condutor acabou por seguir caminho e Luís Mendonça lamentou então não ter tirado a matrícula para fazer uma queixa. "Nunca fiz nenhuma, mas daquela pessoa faria." Ao aperceber-se que o carro tinha virado numa estrada à direita, o grupo fez o mesmo e encontrou de novo o homem em causa. "Fui abordá-lo porque queria saber a razão de uma atitude tão louca. Queria saber o que tínhamos feito."

Naquele momento chegou a pensar se teriam dito algum palavrão ou feito algo entre o grupo que o homem pudesse ter pensado que era para ele. Ao falar com o autor da tentativa de atropelamento, Luís Mendonça não obteve respostas, apenas violência. "Começou a disparatar e nós vimos que era uma perda de tempo estar ali a discutir. Eu disse para sairmos dali. Ele estava perto de casa dele e saiu com uma espécie de barrote, nem sei bem o que era, e começou a agredir. Atingiu primeiro o Hugo Nunes, do Miranda-Mortágua, só que eu não reparei senão teria tido uma postura mais defensiva quando se virou para mim. Eu pensei que ia ameaçar-me, não agredir. Fingiu uma vez vez que ia dar e depois deu mesmo. Ao proteger-me com o braço esquerdo... ele partiu-me o braço", recordou.

Luís Mendonça destacou como o quarteto evitou sempre partir para a violência: "Só queríamos perceber de onde vinha toda aquela brutalidade." Hugo Nunes foi atingido na zona dorsal, mas depois de uma ida ao hospital soube que não tinha nada fracturado. Menos feliz foi Luís Mendonça. Perante as agressões, os ciclistas chamaram a GNR e o corredor do Louletano-Hospital de Loulé garantiu que vai para a frente com um processo contra o homem em causa.

A pequena esperança de estar na Volta a Portugal

Em 2016 Luís Mendonça teve uma oportunidade de ouro de se estrear na Volta a Portugal ao ser convidado pela equipa brasileira Funvic para competir na corrida portuguesa e noutras até ao final do ano. Foi um sonho. Apesar de ser um ritmo diferente ao que estava habituado, o ciclista chegou mesmo a conseguir acabar no top dez na luta ao sprint.

Apostou tarde no ciclismo, depois de uma passagem pelo mundo da moda, tendo também trabalhado num bar. Conseguiu um contrato com uma equipa de elite portuguesa em 2017 e Luís Mendonça estava determinado em agradecer a oportunidade com bons resultados, se possível uma vitória. Tem estado em claro crescendo de forma durante o ano e diz que estava a 200% para a Volta a Portugal. Agora poderá ficar de fora.

Fracturou o cúbito, mas não o rádio e o médico afirmou que ao partir apenas um dos ossos que a possibilidade de uma recuperação mais rápida é possível. "Em 100, eu diria que tenho 25% de estar na Volta a Portugal." Não tem o discurso mais animador, afirmando que tem de pensar na equipa e não quer ir à corrida para abandonar logo na primeira etapa por não se sentir em condições.

A sua lesão foi comparada ao do futebolista do Benfica, Salvio. Porém, como ciclista, Luís Mendonça depende muito mais do seu braço, para se apoiar no guiador, do que um jogador de futebol. "A minha condição física é do melhor. Estava tão confiante... Ia ter as minhas oportunidades e depois ajudar o Vicente [García de Mateos]. Quando avisei o director desportivo [Jorge Piedade] ele ficou muito desanimado. Ficámos os dois. Nunca na minha vida passei por momentos assim... Foram momentos de terror", salientou.

Se sentir que tem condições mínimas para pelo menos ajudar o seu líder na luta pela geral, Luís Mendonça pensa em apresentar-se no dia 4 em Lisboa. A esperança existe, mas é pequena. Ele que é autor de uma das histórias de conquista do ciclismo pela forma como chegou à elite nacional, espera acrescentar mais um episódio de superação. Agora é esperar para ver como o braço recupera.

Falta de civismo

São muitos anos a pedalar na estrada, mesmo que nem sempre como profissional. Luís Mendonça diz que a falta de civismo mantém-se, apesar do número crescente de pessoas a andar de bicicleta. "Há muita falta de paciência. Aos domingos é um 'caos' na estrada [com tantos ciclistas] e há quem não tenha civismo", realçou. No entanto, frisou também como os casos acontecem dos dois lados. "Por vezes, se fosse de carro, também pensaria em chamar a atenção ao que alguns ciclistas fazem."

Luís Mendonça lamenta a desinformação. Contou como são inúmeras as vezes que é abordado por condutores a mandar o grupo seguir em fila e não dois a dois. Considera que seria importante serem feitas campanhas de sensibilização, mas ainda mais que houvesse um aumento de policiamento na estrada. Dá o exemplo de como em Espanha polícias de bicicletas detectam quem não respeita a distância de segurança de ultrapassagem de 1,5 metros.

"Psicologicamente pode ser desgastante. Nós somos o elo mais fraco. E estamos a falar de pessoas que se for preciso excedem os limites de velocidade ou fazem coisas que não devem na estrada. Não têm moral para nos acusar assim", afirmou.

O ciclista pede respeito, por parte de todos, condutores e ciclistas, recordando como ainda há pouco tempo um jovem corredor morreu num acidente de viação enquanto treinava. Tiago Alves tinha 18 anos. "Respeitem-nos", apela, não escondendo que na sua mente há uma dúvida que o assombra: "Porquê que foi alvo de tanta violência?"

Neste link pode ver as alterações feitas ao Código da Estrada relativas à utilização de velocípedes na estrada. O documento é da Autoridade Nacional de Segurança Rodoviária. Uma das destacadas por Luís Mendonça é a regra de se andar dois a dois. É legal, excepto se estiver trânsito intenso. Ciclista, condutor, peão consulte em caso de dúvida.

26 de junho de 2017

Volta a Portugal: a opinião dos directores desportivos e não só

Conhecido o percurso da Volta a Portugal entrou-se em contagem decrescente para o início da corrida, a 4 de Agosto em Lisboa. A preparação dos ciclistas começou há muito, mas agora será mais específica, a pensar nos pormenores que podem ser decisivos nos 11 dias de competição. O que pensam os directores desportivos das equipas portuguesas da 79ª edição? O Volta ao Ciclismo falou com os seis e ainda com Sérgio Paulinho, ciclista presente na apresentação desta segunda-feira, e também com Joaquim Gomes, o director da Volta a Portugal.

Aqui ficam as declarações em discurso directo:

Américo Silva (Efapel): "É um percurso que não difere muito do da Volta do ano passado. Eventualmente é um pouco mais fácil. A etapa da Serra da Estrela, que é a que faz as grandes diferenças entre os principais favoritos, como era de prever no ano passado não o fez e este ano ao subir só uma vez, a situação irá repetir-se. Mas logicamente subir só uma vez a Serra da Estrela é só por si já um factor de uma Volta a Portugal menos dura, tendo em conta que só temos duas etapas míticas: a Serra da Estrela e a Senhora da Graça. Gosto do percurso para o Sérgio Paulino. A época está a correr-nos bem, muito embora sem demasiada visibilidade, mas penso que estamos num bom caminho para estarmos a disputar a Volta a Portugal com o Sérgio. Até mesmo por isso [apenas uma passagem na Torre] é uma Volta que se adapta às características dele. Estou muito confiante."

José Augusto Silva (LA Alumínios-Metalusa-BlackJack): "O percurso tem algumas partes que serão mais complicadas para as equipas, mas não tem a chegada mítica ao alto da Serra da Estrela. Depois, a mudança de dia da Senhora da Graça... Acho que a nível de adeptos de ciclismo é um pouco prejudicial. Apesar de ser um mês em que está muita gente de férias, há outros que estão a trabalhar e acho que poderia ter muito mais gente se fosse no fim-de-semana como era até aqui. Fora disso, não é por isso que vai faltar luta e considero que vai haver o suspense normal até ao final da Volta por causa do contra-relógio final. Em princípio até é mais acessível aos que não são contra-relogistas por não ser tão longo, mas acho que vai haver suspense até final. Se calhar a chegada ao alto da Torre seria preferível [para o Edgar Pinto]. Mas haverá outras situações que nos serão favoráveis. Temos de nos adaptar ao percurso."

Jorge Piedade (Louletano-Hospital de Loulé): "O percurso não foge muito aos dos outros anos. Poderá ter uma etapa ou outra mais dura, como a etapa de Fafe, que vai passar o Viso. De resto, penso que as decisões da Volta serão tomadas nos palcos onde todos os anos se fazem: na passagem pela Torre e chegada à Guarda, contra-relógio e na Senhora da Graça. A etapa de Santo Tirso também poderá fazer algumas diferenças. Logicamente que serão os pontos chaves da Volta a Portugal. Penso que as diferenças que seriam ser feitas na Torre ou na chegada à Guarda serão idênticas. A fase da etapa depois da Torre é muito dura, com a chegada de terceira categoria no final e acaba por fazer diferenças como se a chegada fosse na Serra da Estrela. O ano passado provou-se isso."

José Santos (Rádio Popular-Boavista): "Penso que é um percurso que não foge muito ao que é tradição das provas da Podium [organizador da Volta a Portugal]: os contra-relógios, não tem a chegada na Torre... Tem a subida do Viso, uma nova, que pode tornar as coisas mais difíceis. É um percurso que não foge muito ao que tem sido tradição na Volta a Portugal nos últimos anos. Vamos tentar ganhar uma etapa e discutir a geral. Vamos ver com quem. A equipa é muito homogénea e tem três ou quatro ciclistas que podem estar bem: o João Benta, o Domingos Gonçalves, não sei como vai ser o comportamento do Egor Silin. Nunca estarei satisfeito [com o percurso] porque uma prova deste género com dois contra-relógios não se justifica."

Vidal Fitas (Sporting-Tavira): "Os pontos que fazem a diferença são basicamente os mesmos todos os anos: o contra-relógio - mais ou menos plano -, há-de ser a etapa da Serra da Estrela e Senhora da Graça e depois há sempre mais uma ou outra que aparece todos os anos. Este ano, talvez a subida à Nossa Senhora da Assunção, em Santo Tirso, mas não acredito que seja significativa para apurar o vencedor da Volta. Não tem muitas novidades ao que o percurso costuma ser. No ano passado a Volta teve um vencedor diferente dos prognósticos porque foi algo proporcionado pelo percurso e este ano poderá acontecer a mesma coisa. Foi uma situação excepcional, que poderá repetir-se. Não conseguimos adivinhar, mas a corrida deverá ser decidida nos pontos habituais. [Não acabar da Torre] no ano passado beneficiava o Alejandro [Marque] e ele ficou no segundo grupo dos seis minutos, o Rinaldo [Nocentini] apanhou 20... A etapa é relativamente igual e ela faz diferença dependendo como a subida é feita e a parte final também é selectiva. Irá depender de como as equipas irão abordar, se atacam ou não. O que é de realçar é essa etapa estar no penúltimo dia da Volta. Independentemente de não terminar lá em cima, já serão dez dias de corrida e torna-se uma etapa complicada. Marcará diferenças de certeza absoluta."

Nuno Ribeiro (W52-FC Porto): "É um bom percurso. Será duro. Poderia ter uma chegada à Torre. Temos uma equipa forte que vai estar na luta e estamos a trabalhar nesse sentido."

Sérgio Paulinho (Efapel): "Gostei do percurso. É idêntico ao que tem sido nos últimos anos, principalmente do ano passado. Vai ser uma Volta muito dura. A única etapa que poderá ser mais tranquila será a que tem chegada a Setúbal (a segunda). A partir daí serão etapas muito exigentes a nível de temperaturas, percurso... Vai ser uma Volta muito, muito exigente. Para mim acho que assenta bem. Não tendo a chegada à Torre acaba por me favorecer um pouco mais e o contra-relógio. Iremos tentar vencer a Volta. Estou a ganhar confiança e a preparação está a correr bastante bem."

Joaquim Gomes (director da Volta a Portugal): "Eu divido esta Volta em três partes. Uma primeira parte vai ter o prólogo em Lisboa, a etapa mais longa que vai recuperar o Alentejo e termina em Castelo Branco com mais de 200 quilómetros, a Beira Alta e Trás-os-Montes, percursos sempre muito agrestes onde vamos ter a chegada a Bragança, a Senhora da Graça surge logo nos primeiros dias e será o primeiro decisivo. Depois há uma sequência de etapas de transição, daquelas que há primeira impressão se pode pensar que não são muito importantes, mas têm um índice de dificuldade tão acima da média, que de um momento para o outro, perante um desfalecimento de um protagonista, podem virar a classificação. Refiro-me na chegada à Viana de Castelo, a Fafe e a etapa rainha da Volta, com chegada à Guarda e passagem na Serra da Estrela, na vertente Sabugueiro-Torre. O final dessa etapa é muito difícil. Se restar força a alguém, temos os 20 quilómetros de Viseu exigentes física e animicamente, porque os segundos serão fundamentais. Acho que juntá-mos os ingredientes que podem fazer desta Volta um grande sucesso. Todos os anos a Volta a Portugal é exigente e o principal apelo que se faz aos ciclistas é a capacidade de recuperação. Só um lote de 15/20 corredores dos 160 têm capacidade para lutar pela discussão da geral. Depois há os que têm capacidade para lutar nos sprints, ou entrar nas fugas. Ou seja, todos terão a sua oportunidade.

Veja aqui as etapas da 79ª edição da Volta a Portugal.

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