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30 de outubro de 2019

Volta à Califórnia não vai realizar-se em 2020

(Fotografia: © Amgen Tour of California)
A edição de 2020 da Volta à Califórnia foi cancelada. A organização fala num hiato, pois o objectivo passa por regressar em 2021, mas a decisão não deixa de ser um rude golpe no ciclismo americano, que perde a sua única corrida no World Tour. Também o pelotão sentirá a falta da corrida, pois apesar de se realizar ao mesmo tempo que a Volta a Itália, em Maio, sempre atraiu algumas figuras do ciclismo e até se tornou num local em que muitas principais formações aproveitavam para testar os seus jovens talentos. A única explicação avançada foi a necessidade de encontrar num novo "modelo de negócio" que permita recuperar a prova com sucesso já em 2021.

"Foi uma decisão muito difícil de tomar, mas as bases fundamentais do negócio da Amgen Volta à Califórnia mudaram desde que lançámos a corrida há 14 anos", afirmou a presidente da organização e vice-presidente executiva da AEG Sports, Kristin Klein. Acrescentou que apesar do orgulho em ter contribuído para o aumento da relevância no ciclismo, sobretudo nos Estados Unidos, "tornou-se mais desafiante organizar a corrida todos os anos.". "Esta nova realidade forçou-nos a reavaliar as nossas opções e estamos a analisar activamente todos os aspectos do evento para determinar se há um modelo de negócio que nos permita relançar com sucesso a corrida em 2021", frisou.

No comunicado divulgado é realçado como pela Volta à Califórnia passaram ciclistas que se tornaram figuras do ciclismo mundial e como é o "único evento do seu género que actualmente organiza uma corrida por etapas para homens e mulheres com prémio monetário igual". E é neste ponto que surgiram suspeitas que poderia estar o problema. Naquele estado, é obrigatório que o prize money seja o mesmo para ambos os sexos, mesmo que os dias de corrida não sejam os mesmos (sete contra três), o que poderia colocar pressão no orçamento. No entanto, rapidamente a hipótese foi afastada, já que o dinheiro para pagar estes prémios são apenas uma pequena parte do orçamento total de uma prova da magnitude da Volta à Califórnia.

A falta de exposição mediática é mais provável ser uma das razões na base da decisão. As audiências televisivas não serão o desejado, o que poderá estar a levar ao afastamento de actuais patrocinadores ou de potenciais patrocinadores. Chegaram a ser avançadas notícias que a organização - que têm contado com o apoio da ASO (da Volta a França, por exemplo) - tentou negociar com a UCI uma nova data para a corrida, que não fosse ao mesmo tempo que o Giro. A UCI estaria inclusivamente a pensar em tornar a prova californiana numa de preparação para a grande volta italiana. A nível financeiro, o impacto na economia da região ronda os 3,5 mil milhões de dólares, cerca de 3,1 mil milhões de euros.

A Volta à Califórnia foi crescendo de importância desde a sua primeira edição em 2006, ganha por Floyd Landis. Se no início foi mais centrada para o ciclismo da casa, aos poucos começou a atrair cada vez mais equipas do World Tour e algumas das principais figuras. O maior nome acabou por ser Peter Sagan. Pela Califórnia passou uma parte do sucesso deste eslovaco, que é recordista em vitórias de etapas (12) e até venceu uma geral em 2015. Foi o ano em que se descobriu que Sagan até poderia defender-se da montanha se tivesse a vitória na geral em mira, ainda que tenha sido uma das edições menos "agressiva" neste tipo de percurso. Foi uma vitória numa geral que ficou para a história do impressionante currículo deste ciclista, mais dado a ganhar etapas e clássicas. Sagan como que foi "adoptado" pelos americanos, com o próprio a não esconder o seu apreço pela aquela zona dos Estados Unidos. Até organiza um granfondo em San Diego. Curiosamente, em 2020 Sagan seria ausência garantida, já que vai estrear-se no Giro.

Julian Alaphilippe, George Bennett, Egan Bernal e este ano Tadej Pogacar, os ciclistas do futuro têm vencido nos últimos anos, numa lista de vencedores que conta ainda com Bradley Wiggins, Tejay van Garderen, Robert Gesink, Michael Rogers e Levi Leiphemer, o único a vencer por mais do que uma vez (três).

A Volta a Califórnia era uma corrida equilibrada, com etapas para sprinters, trepadores e com um contra-relógio para testar os dotes nesta vertente. Na Europa, a Volta a Califórnia acabava por ser transmitida em horário nobre, devido à diferença horária e ao longo dos anos alguns adeptos ficaram bem conhecidos, como o senhor do capacete de futebol americano com os chifres de alce.

Esta é a segunda prova das que subiram a World Tour em 2017 a sair do calendário da UCI para 2020. A Volta à Turquia não estava a cumprir com o regulamento, nomeadamente na obrigatoriedade de ter 10 equipas do principal escalão na prova. As formações do World Tour não são obrigadas a estar presentes nas corridas que subiram de nível naquele ano, ao contrário do que aconteceu nas restantes. A Volta à Califórnia nunca teve esse problema. A competição turca irá continuar com outra categoria. Quanto à californiana há que esperar para ver se de facto regressa em 2021, mas será uma ausência importante num calendário que não tem nenhuma corrida com relevância idêntica daquela que tinha a Amgen Tour of California, no nome original.


15 de agosto de 2018

Um dos mais antigos patrocinadores despede-se do ciclismo

(Fotografia: Twitter Lionel Mawditt)
Os equipamentos nem sempre eram dos que tinham mais opiniões favoráveis. Mas certo é que camisolas com feijões coloridos nunca passaram despercebidas e nos Estados Unidos a equipa Jelly Belly há muito que reunia muitos adeptos, até porque aqueles feijões são difíceis de resistir quando se começa a comer. Porém, é o fim da linha para a Jelly Belly no ciclismo. A empresa anunciou que irá abandonar a modalidade 19 anos depois. É um dos patrocinadores mais antigos, mas chegou o momento de procurar novas oportunidades, segundo justificou um dos responsáveis.

"Apesar de termos apreciado esta longa relação com a equipa e com a modalidade do ciclismo, sentimos que é altura de procurar oportunidades mais próximas aos nossos programas de patrocínio, de acordo com os objectivos da empresa. Foi um prazer apoiar esta equipa e as suas corridas, de providenciar uma plataforma para identificar jovens talentos e para desenvolver e preparar atletas para avançarem para o nível mais alto da modalidade", disse o representante da Jelly Belly, Rob Swaigen.

O futuro da estrutura Continental é agora incerto. O director Danny Van Haute tem esperança que outro patrocinador surja e em declarações ao Velonews explicou: "Deverei saber algo dentro de duas semanas. Normalmente temos dois ou três anos de contrato com a Jelly Belly e depois os outros parceiros seguem o mesmo caminho."

A Jelly Belly - que este ano chama-se Jelly Belly powered by Maxxis - não é das equipas mais ganhadoras, mas tem tido o seu papel em dar oportunidades a jovens ciclistas, principalmente americanos. Por lá passou Tylar Farrar, que durante muitos anos representou a Garmin, tendo terminado a carreira no ano passado na Dimension Data. Phil Gaimon (também já retirado) é outro nome com ligações à equipa, assim como Lachlan Morton, que reavivou a carreira precisamente na Jelly Belly, depois de uns anos na Garmin, estando agora na Dimension Data.

Uma das principais corridas para a Jelly Belly era a Volta à Califórnia. Com a subida à categoria World Tour da prova, a equipa ainda conseguiu um convite em 2017, apesar de pertencer ao terceiro escalão. Esta ano ficou de fora, no que foi um rude golpe. Algumas das estruturas americanas, como a Hagens Berman Axeon e a Rally Cycling pediram a licença Profissional Continental, mas, infelizmente, a Jelly Belly sai de cena e não haverá mais os equipamentos com os feijões na estrada.

No Twitter da formação é possível ler várias mensagens a lamentar esta anunciada despedida, que estão a ser partilhadas pela equipa.


20 de maio de 2018

João Almeida em destaque numa semana de acção para os jovens portugueses

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Em França estiveram sete portugueses, enquanto noutro continente foi Ivo Oliveira quem esteve em competição, num momento marcante da sua carreira. Nos últimos dias a nova geração de ciclistas do país mostrou-se, com João Almeida a ser mais uma vez o principal destaque. Ainda com a brilhante vitória na Liège-Bastogne-Liège de sub-23 bem fresca na memória, Almeida fechou quinto na Ronde de l'Isard, uma das principais corridas deste escalão. Desta feita foi ao serviço da Selecção Nacional que o ciclista obteve mais um excelente resultado, tendo ainda sido o melhor jovem da competição que tem visto muitos dos seus vencedores (e não só) chegar ao World Tour.

Dos seis ciclistas que representaram a selecção na Ronde de l'Isard, Hugo Nunes também estava a bom nível. Porém, o ciclista do Miranda-Mortágua sofreu uma queda na última etapa e apesar de ter conseguido reentrar no grupo, acabaria por não aguentar o ritmo. Caiu de 16º para 25º, o que custou também o terceiro lugar da equipa na classificação colectiva. A selecção terminou no quinto posto.

"Foi um dia muito difícil. Esteve um temporal tremendo. As subidas eram difíceis, mas as descidas não eram menos, em estrada estreita, molhada e inclinada. Felizmente, conseguimos o objectivo principal, que era ganhar a juventude e conservar o João Almeida nos melhores da geral. Por outro lado, lamento o azar do Hugo Nunes, que estava a fazer uma corrida muito boa. Caiu na primeira descida, fez um grande trabalho para reentrar no grupo dos melhores, mas pagou o esforço, descolando perto do topo da segunda montanha", explicou o seleccionador nacional, José Poeira.

João Almeida ficou a 46 segundos do vencedor, o britânico Stephen Williams, da SEG Racing Academy. Hugo Nunes ficou a 12:02. Quanto aos restantes membros da equipa,  André Carvalho foi 31º a 14:52, Jorge Magalhães 55º a 34:11, Venceslau Fernandes 58º a 36:43 e André Ramalho 70º a 45:46.

O sétimo português na corrida, por assim dizer, foi Tiago Antunes. Há um ano, com as cores da selecção, tinha terminado na 10ª posição. Este ano foi chamado pela sua equipa, a espanhola Aldro Team, para a liderar. O jovem ciclista começou muito bem com um terceiro lugar, mas acabaria por cair na classificação após a segunda etapa. Ainda tentou repetir o top dez, mas desta feita ficou à porta, na 11ª posição, a 2:13 de Williams.

Na Volta à Califórnia, que terminou no sábado com uma vitória muito (mesmo muito) convincente de Egan Bernal (Sky), Ivo Oliveira fez a sua estreia numa corrida do World Tour, sendo que este era um dos objectivos que queria concretizar quando a época arrancou. O companheiro de João Almeida na Hagens Berman Axeon conseguiu ser um dos eleitos para a corrida americana e não passou despercebido.

No primeiro dia até foi repreendido por Fernando Gaviria, ainda que o colombiano da Quick-Step Floors se tenha enganado no ciclista com que queria protestar! Era Jasper Philipsen que tinha provocado o descontentamento de Gaviria depois de uns encostos no sprint. Ivo Oliveira até partiu com a missão de ajudar Philipsen, mas nesse dia fez 11º. O belga acabaria por abandonar após uma queda, o que deixou o ciclista português com liberdade para ser ele a sprintar na quinta etapa.

Bem tentou colocar-se ao lado de alguns dos melhores do mundo. Além de Gaviria, esteve Peter Sagan, Caleb Ewan, Alexander Kristoff e Ivo Oliveira bateu o noruguês, terminando na oitava posição. Mesmo nas etapas de montanha esteve a bom nível, mas foi pena não ter podido ir a fundo no contra-relógio. Foi necessário poupar forças para o dia seguinte, precisamente o da quinta etapa. Sendo a sua especialidade, teria sido interessante vê-lo competir ao mais alto nível, ele que é vice-campeão do mundo de perseguição individual (ciclismo de pista). Mas a sua oportunidade há-de chegar. Na geral, o português terminou na 34ª posição, a 18:35 de Bernal.

Já com outra experiência - está no seu segundo ano com a Trek-Segafredo -, Ruben Guerreiro apareceu em boa forma na Califórnia tendo chegado a integrar o top dez até ao contra-relógio. No final foi 14º a 7:05, deixando boas indicações para quem se está a preparar para fazer a estreia numa grande volta. O campeão nacional tem a Vuelta no seu calendário e a próxima corrida será o Critérium du Dauphiné, que decorre de 3 a 10 de Junho.

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
Luís Gomes venceu Grande Prémio Anicolor

Por cá, a Rádio Popular-Boavista regressou às vitórias depois de Domingos Gonçalves ter ganho a Clássica da Primavera, a 4 de Março. Luís Gomes conquistou o III Grande Prémio Anicolor, em Águeda (142,6 quilómetros), batendo no sprint os dois homens do Sporting-Tavira que estavam na luta pela vitória: Frederico Figueiredo e o russo Alexander Grigorev. O ciclista de 24 anos juntou ainda a classificação da montanha, com a equipa a ser a melhor colectivamente. O campeão nacional de sub-23, Francisco Campos, foi o melhor jovem, com mais dois colegas do Miranda-Mortágua a subirem também ao pódio. Nuno Meireles ganhou a classificação das metas-volantes e António Barbio ganhou nos "pontos-quentes".

O pelotão nacional está em contagem decrescente para uma das principais corridas do calendário nacional. O Grande Prémio Jornal de Notícias arranca no dia 28, terminando a dia 3 de Junho.

Pode ver aqui os resultados das equipas portuguesas em 2018 e o ranking nacional.

6 de abril de 2018

Estarão os gémeos Oliveira e João Almeida a caminho de uma corrida do World Tour?

Ficar de fora da Volta à Califórnia quando a corrida passou a pertencer ao calendário World Tour foi uma enorme desilusão para a então Axeon Hagens Berman. As regras nem permitem que equipas do terceiro escalão sejam convidadas, mas a organização pediu autorização à UCI e houve wildcard para duas. Ainda assim, a de Axel Merckx ficou de fora, com alguma surpresa. A atitude desta equipa é sempre de nunca desistir. Os seus ciclistas são incutidos com esse espírito de luta, que faz parte de todo um extenso processo que faz desta estrutura a referência entre a formação de jovens corredores. Merckx reagiu e conseguiu os apoios necessários para subir ao escalão Profissional Continental. Não era garantia que conseguisse estar na prova californiana, a principal do calendário dos EUA, mas agora o objectivo da temporada está confirmado: a Hagens Berman Axeon (ordem dos patrocinadores foi alterada este ano) estará na Califórnia.

"WE'RE BAAAAAAAAAACCKKK!!!" (Estamos de volta!) Foi assim que Axel Merckx celebrou nas redes sociais o anúncio das equipas que vão estar na 13ª edição da Volta à Califórnia. Para todos os seus jovens ciclistas é aquele impulso que estavam à espera para se concentrarem em mostrar tudo o que valem para tentar estar entre os sete eleitos. A ambição e motivação está sempre lá, mas a perspectiva de poder estar numa corrida do principal calendário é sempre algo diferente, ainda mais quando se fala de ciclistas à procura de "dar o salto".

Esta tem sido uma equipa que raramente passa despercebida na Volta a Califórnia. O próprio Ruben Guerreiro apresentou muitos dos seus créditos nesta prova, então pertencente ao segundo nível do calendário internacional. Foi por isso que ao ser aberta a porta a duas equipas Continentais em 2017 quando subiu ao World Tour, causou alguma surpresa um dos convites não ter ido para Merckx e para os seus corredores. As felizardas foram a Rally Cycling - e que bem esteve com Evan Huffman a ganhar duas etapas -  e a Jelly Belly p/b Maxxis. Esta última não seguiu o exemplo da Hagen Axeon Berman, Rally Cycling e Holowesko-Citadel p/b Arapahoe Resources, que pediram a licença Profissional Continental. 

Os originais equipamentos da Jelly Belly não serão vistos na edição desta temporada, já que não haverá espaço para equipas Continentais entre as inscrições das estruturas do World Tour e as do segundo escalão. Porém, a razão pela qual nem a equipa de Merckx, nem as restantes americanas que em 2018 são Profissionais Continentais podiam estar descansadas, era porque poderiam ser de mais para as vagas disponíveis. Dito e feito. A Novo Nordisk, formação conhecida por ser constituída por ciclistas diagnosticados com diabetes, ficou de fora. A prioridade vai sempre para as do escalão máximo.

Quanto aos portugueses da Hagens Berman Axeon, nenhum esconde o desejo de estar na Volta à Califórnia e os gémeos Oliveira poderão estar bem colocados para uma chamada. Estão no segundo ano com a equipa, a sua evolução tem sido visível e muito positiva. E que bom seria ver Rui Oliveira sprintar ao lado de Peter Sagan, Mark Cavendish, Marcel Kittel, Fernando Gaviria e Alexander Kristoff, quatro dos ciclistas pré-inscritos para a corrida americana.

Já João Almeida pode ter como desvantagem estar há poucos meses na equipa - em 2017 esteve na Unieuro Trevigiani-Hemus 1896 - e pelos seus apenas 19 anos. Contudo, analisando a equipa, muitos são os novos rostos para esta época e a faixa etária não varia muito, não fosse afinal a aposta em jovens de qualidade. Os seus resultados são animadores, pelo que até 13 de Maio, quando o pelotão partir de Long Beach, o ciclista português ainda pode convencer Axel Merckx.

Almeida é um dos grandes talentos do ciclismo nacional, que juntamente com Daniel Viegas (actualmente na equipa de sub-23 da Polartec-Kometa, de Alberto Contador) dominou o escalão de juniores. Apesar da idade, demonstra enorme maturidade, pelo que certamente alimenta a esperança - e com razão - de ser chamado. A confiança da equipa ficou logo demonstrada com o contrato de dois anos que lhe foi dado e tem sido frequentemente chamado para as corridas que estão a ser feitas no continente europeu.

E ser dos reforços de 2018 não é algo que afaste de imediato seja quem for de uma convocatória. Longe disso. O belga Jasper Philipsen (20) tem sido a figura ganhadora, somando três das quatro vitórias da equipa. O campeão mundial de contra-relógio de sub-23 foi outra das contratações e Mikkel Bjerg, dinamarquês de 19 anos, já venceu pela Hagens Berman Axeon, mas tem andado pouco activo. Por outro lado há William Barta. O americano, de 22 anos, está há quatro na estrutura e seria estranho vê-lo ficar de fora.

O périplo que a equipa está actualmente a realizar pela Europa, entre Bélgica, Itália e agora em França, poderá ser decisivo para alguns ciclistas. Portanto, nada como "somar pontos". Na primeira etapa do Circuit des Ardennes, Rui Oliveira foi o melhor da Hagens Berman Axeon, ao cortar a meta em sétimo, com o mesmo tempo do vencedor, John Murphy (Holowesko-Citadel p/b Arapahoe Resources). João Almeida foi 24º e Ivo Oliveira 55º, com ambos a terminarem no grupo principal. A prova termina no domingo e nesse dia haverá dupla jornada.

Um dos antigos pupilos de Merckx também deverá viajar até à Califórnia, pois a Trek-Segafredo tem planeado levar Ruben Guerreiro. As sete etapas são distribuídas por três para sprinters, três para trepadores e um contra-relógio individual pouco plano. Agora é esperar para ver se os três jovens portugueses da Hagens Berman Axeon conseguem juntar-se ao compatriota e que veste a camisola de campeão nacional

De recordar que há um ano o vencedor foi o neozelandês da Lotto-Jumbo, George Bennett, com Peter Sagan a ser a grande estrela por terras americanas, detendo o recorde de 16 etapas, além de uma surpreendente vitória na geral em 2015.

As equipas presentes serão:

World Tour: AG2R, BMC, Bora-Hansgrohe, Dimension Data, EF Education First-Drapac p/b Cannondale, Katusha-Alpecin, Lotto-Jumbo, Mitchelton-Scott, Quick-Step Floors, Sky, Sunweb, Trek-Segafredo, UAE Team Emirates;


Profissional Continental: Hagens Berman Axeon, Holowesko-Citadel p/b Arapahoe Resources, Rally Cycling e UnitedHealthcare.

»»João Almeida: "Acho que este ano tenho mais pressão e estou mais nervoso!"««

»»Daniel Viegas: "O Contador é alguém que nos pode ajudar a evoluir e é sempre bom ouvir as suas palavras"««

»»Ivo sorri, é um orgulho e um feito ganhar uma medalha de prata nos Mundiais ««

16 de maio de 2017

Skujins mal conseguia manter-se de pé mas continuou na corrida até o obrigarem a parar

Skujins em mau estado, mas sorridente
(Fotografia: Twitter Tom Skujins)
"Nunca vou sugerir em entrar numa luta com o asfalto porque irás perder." Toms Skujins já recuperou a boa disposição, mas na etapa desta segunda-feira na Volta à Califórnia não havia razões para sorrir, mas sim para estar bastante preocupado. Talvez não tanto ele que depois de uma aparatosa queda só pensou em regressar à corrida apesar de mal conseguir manter-se de pé. A equipa e certamente a família terão ficado preocupados com a saúde do ciclista. 

As imagens são impressionantes. Skujins caiu desamparado. Tentou levantar-se, mas estava claramente desorientado. Tentou voltar à bicicleta, mas caiu novamente. Não desistiu e quase foi atropelado pelos ciclistas que estavam a descer a grande velocidade quando, pelo que parece, estava a tentar recuperar o seu Garmin. O instinto de qualquer ciclista é quase sempre tentar seguir caminho e depois de tanto trabalhar para acabar a etapa como líder da montanha, o homem da Cannondale-Drapac tinha essa motivação e mesmo haveria de conseguir regressar à corrida.

Entretanto, nas redes sociais muitos questionavam porque razão Skujins ainda estava em prova. O director da equipa, Jonathan Vaughters, estava no autocarro, enquanto o carro de apoio estava ainda afastado do ciclista, visto que a fuga não tinha um minuto de vantagem e na descida o pelotão ficou muito estendido pela estrada. Vaughters escrevia no Twitter que estava com pouca rede e que não tinha acesso às imagens, mas lá conseguiu falar com quem estava no carro. Passado alguns minutos, Toms Skujins foi obrigado a parar. Não ficou satisfeito, mas as suspeitas de uma concussão cerebral eram demasiado fortes e foi necessário proteger a saúde do ciclista.



"Instintivamente o Toms continuou a pedalar, mas era claro que ele não poderia continuar. Foi um rude golpe para a equipa e para a ambição pessoal dele, contudo, foi uma queda feia e a competição pode ficar para segundo plano enquanto ele recupera", salientou o director desportivo da Cannondale-Drapac, Tom Southam.

O susto foi grande, mas o ciclista letão de 25 anos já está a recuperar da concussão, mas tem ainda uma clavícula partida e a pele muito queimada pelo contacto com o alcatrão. "Estou a sentir-me bem. Estou muito chateado, claro", disse Skujins que não sabe quando voltará aos treinos. O ciclista explicou ainda que nos próximos tempos não poderá responder às muitas mensagens que tem recebido, pois devido à concussão não deve olhar para ecrãs de forma a não prejudicar a recuperação.

Este incidente é um exemplo tanto da tenacidade de um ciclista e da importância de alguém que tem de ser objectivo e célere em tomar decisões que defendam a saúde de um atleta, por mais vontade que este tenha em continuar na corrida.

»»Volta à Califórnia e a recuperação de prestígio do ciclismo americano««

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13 de maio de 2017

Volta à Califórnia e a recuperação de prestígio do ciclismo americano

Em 11 edições, a Volta a Califórnia não só se consolidou como uma das melhores (se não a melhor) corrida nos EUA, como a cada edição foi atraindo cada vez mais equipas e ciclistas de renome do pelotão internacional. Com o crescente mediatismo foi também contribuindo para que jovens ciclistas americanos (e não só) tivessem uma janela para se mostrarem e tentarem dar o salto para outro nível. A Volta à Califórnia sobreviveu ao descrédito em que caiu o ciclismo norte-americano depois do caso Armstrong, manteve-se na estrada apesar da diminuição de patrocínios que custou a realização de outras corridas e chega a 2017 fortalecida com o estatuto World Tour. É uma das competições que se estreia no principal calendário, mas mais importante é também a prova que o ciclismo nos EUA está a renascer das cinzas.

A importância desta corrida é tal que as equipas daquele país desesperaram este ano para receber um convite. Com porta aberta às formações do World Tour - e serão 12 das 18 -, a subida de escalão colocou em causa a presença de equipas que nos últimos anos se habituaram a ter garantido um lugar e uma enorme oportunidade para competir ao lado dos melhores. O renascimento do ciclismo americano tem sido de tal forma, que sem ter equipas de um nível muito elevado, a verdade é que têm sido nesta corrida que alguns ciclistas têm conseguido convencer directores desportivos a darem-lhes contratos no World Tour.

A subida à principal categoria da corrida custou um lugar à Axeon Hagens Berman dos gémeos Oliveira. É considerada uma das melhores equipas de formação e tem estado em destaque sempre que participa na Volta à Califórnia. Mas alguém teve de ficar de fora e a fava tocou ao conjunto de Axel Merckx. Há um ano Ruben Guerreiro foi um dos animadores da competição por esta equipa. Este ano regressa como uma das jovens promessas da Trek-Segafredo.

Com o tempo o caso Armstrong vai sendo ultrapassado, ainda que nos tribunais continuem a decorrer processos contra o americano. E não, Armstrong não morreu, apesar da notícia que circulou na internet e que começou num site de notícias falsas. Mas a modalidade foi recuperando alguma credibilidade, ainda que continue frágil. Em nada tem ajudado os recentes estudos que demonstram que o doping é uma realidade assustadora e disseminada no ciclismo amador. No profissional, não se têm verificado casos e essa credibilidade tem sido construída com ciclistas que podem não ser os mais ganhadores, mas têm presença forte no pelotão.

Dos que estarão presentes na Volta à Califórnia, Andrew Talansky tem sido uma das principais figuras. É certo que aos 28 anos ainda não confirmou as expectativas criadas nos seus primeiros tempos de profissional sempre na estrutura da actual Cannondale-Drapac. Tem três top dez em grandes voltas, conquistou um Critérium du Dauphiné, mas tem faltado sempre algo a este talentoso ciclista. Nesta equipa americana, há ainda dois nomes que tiveram os seus momentos nesta corrida antes de "darem o salto": Nathan Brown (25 anos) e Lawson Craddock. São dois "produtos" da escola Axel Merckx que ajudam a compor a invejável lista de corredores que o belga ajudou a evoluir e a chegar ao World Tour, como é o caso recente de Ruben Guerreiro.

O que os americanos gostariam mesmo de ver este ano seria um dos seus ganhar. Seria a forma perfeita de começar a carreira da corrida no calendário principal. Brent Bookwalter é dos mais experientes. Tem 33 anos e já avisou que apesar de Samuel Sánchez estar presente, está na Califórnia para tentar ganhar. A BMC não se importa, já que é uma das equipas com mais vitórias este ano e é americana. Tyler Farrar (Dimension Data) e Taylor Phinney (Cannondale-Drapac) são dois dos ciclistas locais mais admirados, mas há muito afastados dos bons resultados.

A verdade é que de ano para ano são mais os nomes de ciclistas americanos que se tem vindo a falar no pelotão dada a qualidade, ainda que continue a faltar um grande vencedor. Não vamos dizer como Armstrong, pois é algo que o ciclismo não precisa, mas falta um homem que conquiste uma vitória mediática numa grande volta ou num monumento. Tejay van Garderen parece cada vez menos ser o candidato a tal, mas é tempo de deixar o talento de outros evoluir e talvez a curto prazo os EUA tenha um campeão que resista ao teste do tempo e das suspeitas.

Mas a Volta à Califórnia está longe de se fazer apenas de americanos. Continuando com os portugueses, além de Ruben Guerreiro - e vamos ter atenção a este ciclista que tanto gosta daquelas estradas - estará presente Tiago Machado na ajuda a Alexander Kristoff, numa Katusha-Alpecin que quer ver o seu sprinter ganhar forma para o Tour. Vamos ficar de olho em Jhonatan Restrepo porque este colombiano é de muita qualidade e é um facto que os colombianos têm tendência a aparecer nesta corrida.

Elia Viviani (Sky) estará com uma vontade enorme em vencer depois de ter sido excluído da equipa para o Giro100, mas o sprint terá uma das suas maiores estrelas da actualidade: Marcel Kittel (Quick-Step Floors) é mais um nos EUA a pensar no Tour. Também se deverá ver John Degenkolb (Trek-Segafredo) nesta luta.

Porém, todas estas estrelas sabem que a nível de popularidade não batem Peter Sagan. O eslovaco como que foi adoptado pela Califórnia e é absolutamente idolatrado. E ele retribui esse carinho, admitindo também o quanto gosta desta corrida. Desde 2010 que vence etapas e já lá vão 15, além de uma surpreendente vitória na geral em 2015. Agora a competição já não é tanto para as suas características - naquele ano Sagan defendeu-se bem na etapa rainha e fez valer a sua qualidade em contra-relógios para bater Alaphilippe -, mas a Bora-Hansgrohe vem com vontade de ganhar. Rafal Majka também está nos EUA e é possível que se comece a ver mais do polaco nesta fase da temporada. O vencedor de 2016, Julian Alaphilippe, não estará presente, pois foi operado ao joelho e vai inclusivamente falhar a Volta a França.


A Volta a Califórnia implica uma longa viagem, logística sempre mais complicada e dispendiosa, realiza-se ao mesmo tempo do Giro, mas sem surpresa não tem problema algum em chamar equipas do World Tour, sendo das competições que apresenta para já todas as condições para continuar no principal calendário, sendo cada vez mais encarada como preparação para o Tour, seja para os sprinters, como para os trepadores. É uma corrida completa, com percurso interessante, com os adeptos que gostam de se distinguir com fatos (às vezes falta deles) originais e claro que para quem está na Europa ainda tem aquele pormenor de se assistir a ciclismo em horário nobre.

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15 de maio de 2016

EUA à reconquista do prestígio

Ano após ano, competição após competição e ciclistas de uma nova geração de qualidade. Os EUA têm vindo a reconquistar o prestígio perdido após o escândalo Lance Armstrong e, cujos os problemas tinham começado anos antes com Floyd Landis. Tem sido nas suas provas que os EUA têm aos poucos voltado a chamar a atenção para o seu ciclismo. E a Volta à Califórnia é um bom exemplo disso. As equipas World Tour não só vão aparecendo em maior número, como levam algumas das suas principais figuras. O senão é que equipas da casa acabam por ficar de fora, mas a projecção que esta competição tem dado à modalidade no país tem compensado.

Realizar uma prova quando se está a disputar a Volta a Itália e quando muitos estão concentrados a preparar o Tour é sempre um risco, ainda mais quando implica viajar para outro continente. Porém, a Volta à Califórnia tem evoluído de forma a ser vista ideal para alguns ganharem ritmo a pensar no Tour - não tanto um Chris Froome ou Alberto Contador, mas mais uma segunda linha, ou então sprinters - e para outros aproveitarem para ganharem experiência - tem sido uma prova que tem revelado muitos jovens talentos.

Naturalmente que terá ajudado bastante Peter Sagan (Tinkoff) ter ganho um gosto especial por esta competição. 13 vitórias de etapa e uma surpreendente conquista da geral em 2015 tornaram-no num dos favoritos em terras americanas e tendo em conta que é um dos preferidos em todo o mundo, Sagan transformou-se quase na imagem da Califórnia... apesar de ser eslovaco. E este ano terá envergada a camisola de campeão do mundo. Mais uma conquista para a Califórnia, ou melhor duas, pois o campeão do mundo de contra-relógio também estará presente: Vasil Kiryienka (Sky).

Mas para se ter uma melhor noção de como a Califórnia atrai grandes nomes do ciclismo nacional, aqui ficam alguns exemplos: Tom Boonen (Etixx-QuickStep), Mark Cavendish (Dimension Data), Alexander Kristoff (Katusha), Greg van Avermaet (BMC), John Degenkolb (Giant-Alpecin - que vem à procura de ganhar forma após uma longa paragem), Byan Coquard (Direct Energie) e a revelação deste ano Dylan Groenewegen (Lotto-Jumbo).

Claro que há um nome ainda a referir, mas tendo em conta que tem aproveitado nos últimos tempos a sua equipa para quase descontrair na estrada enquanto pensa na medalha olímpica na pista, Bradley Wiggins é, naturalmente, cabeça de cartaz, mas não estará para lutar pela vitória. Continuará o seu papel de ensinar os seus jovens colegas.

Os americanos estão para ganhar

Com uma Volta à Califórnia (de 15 a 22 de maio) mais montanhosa, ou seja, Peter Sagan voltará à missão de conquistar etapas, sem ambição à geral, os principais candidatos acabam por ser da casa. E não são uns desconhecidos. Andrew Talansky (Cannondale) lidera a lista de favoritos, com Brent Bookwalter (BMC) a dar-se bem quando regressa a casa. Taylor Phinney (BMC) é um dos ciclistas mais acarinhados no seu país. Não será expectável vê-lo lutar pela vitória, mas apontará a alguma etapa.

Os outros favoritos

Depois de ver Peter Sagan tirar-lhe a vitória há um ano, Julian Alaphilippe (Etixx-QuickStep) parte como um dos principais candidatos. O jovem francês fez uma boa época de clássicas e já demonstrou que também tem capacidade para as provas de uma semana. Apesar de ser Peter Stetina o líder da Trek-Segafredo, atenção ao colombiano Julián Arredondo. Não está a ter um 2016 muito positivo, mas os terrenos californianos poderão beneficiá-lo.

Os portugueses

Tiago Machado e Ruben Guerreiro serão os representantes lusos. Enquanto o ciclista da Katusha deverá estar mais preocupado em proteger Alexander Kristoff e a dar uma ajuda a Jurgen van den Broeck nas montanhas, Guerreiro estará desejoso de se mostrar. Está a ser um excelente ano para o jovem de 21 da Axeon Hagens Berman: ganhou uma prova de um dia em Itália e foi terceiro na Liège-Bastogne-Liège em sub-23. A equipa de Axel Merckx tem sido uma das que mais tem revelado novos talentos.