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25 de outubro de 2019

Director do Giro quer convencer Egan Bernal a escolher a grande volta italiana

(Fotografia: © Team Ineos)
Peter Sagan confirmar que se vai estrear na Volta a Itália é um momento de alegria para Mauro Vegni. Poucos ciclistas rivalizam com o eslovaco quanto a mediatismo e é um ciclista que não vai para uma corrida com outro pensamento que não seja somar vitórias. Porém, se a parte dos sprints e luta pela camisola dos pontos já tem um grande nome para começar, o director do Giro deseja contar com a nova estrela das grandes voltas e até espera juntar os corredores que poderão vir a ser os seus rivais nos próximos anos. Depois de há dois anos Chris Froome ter sido o pretendido, Vegni vira as suas atenções para Egan Bernal e está disposto a pagar para ter o colombiano em Itália.

Richard Carapaz esteve na apresentação do percurso, na quinta-feira, e deixou indicações de que poderá regressar para tentar vencer novamente a grande volta. Vai trocar a Movistar pela Ineos, pelo que o equatoriano sabe que seja qual for a corrida em que esteja, haverá sempre outro forte ciclista a poder disputar o estatuto de líder. Se Chris Froome recuperar das lesões da grave queda de Junho, irá ao Tour e Bernal deixou em aberto a possibilidade de eventualmente não ir a França, apesar de ter ganho este ano a grande volta aos 22 anos. Vegni sabe que poderá ter argumentos para convencer o colombiano e a Ineos.

"Se isso acontecer [Froome for ao Tour], então não sei se o Bernal é o ciclista ideal para o ajudar... Poderá haver outras opções. Penso que a decisão da Ineos irá depender da saúde e forma dos seus corredores", referiu Vegni. O director do Giro ainda não iniciou qualquer conversação com a Ineos, mas a hipótese de oferecer uma verba para garantir Bernal poderá ser uma forma de ter o colombiano em Itália. Era suposto ter competido este ano, mas uma queda levou-o a mudar os planos. Foi ao Tour e ganhou!

Vegni terá oferecido cerca de 1,4 milhões de euros para ter Froome na edição de 2018, depois do britânico ter ganho o Tour e a Vuelta. E não se arrependeu. O responsável da corrida ainda passou por momentos difíceis com as suspeitas que Froome teria utilizado indevidamente uma substância para a asma na Volta a Espanha, num episódio longo e nada benéfico para ninguém. Foi ilibado pouco antes do Giro começar e aquela etapa de Bardonecchia (80 quilómetros de fuga pela montanha) será sempre um dos momentos marcantes do ciclismo. E venceu o Giro.

Além de Bernal, Vegni gostaria ainda de juntar Geraint Thomas para assim ter um trio muito forte da Ineos. A expectativa até é que o galês vá mesmo ao Giro e para enfrentar a equipa britânica, o percurso com três contra-relógios poderá ter deixado a Jumbo-Visma a pensar em juntar Primoz Roglic ao seu reforço para 2020, Tom Dumoulin. Depois de desiludir no Tour, Romain Bardet e a AG2R terão ponderado em mudar de ares e apostar no Giro, mas com três contra-relógios, Itália não é a melhor das opções se o plano for para lutar pela geral.

Mas é a nova geração que a Volta a Itália gostaria de poder juntar. Remco Evenepoel poderá estrear-se em grandes voltas pela Deceuninck-QuickStep no Giro e Tadej Pogacar, terceiro na Vuelta, também poderá ser aposta da UAE Team Emirates. Todos nomes que Vegni não se importaria de ver na lista de inscritos e assim ter no Giro o primeiro grande embate entre os ciclistas do futuro, que já são bem o presente, depois do que fizeram em 2019.

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3 de maio de 2018

Vegni garante que se Froome ganhar o Giro a vitória não será retirada. A UCI não tem tanta certeza...

(Fotografia: Giro d'Italia)
Não há volta a dar. O caso do excesso de salbutamol de Chris Froome, que tem marcado os últimos meses no ciclismo, é o assunto que domina este arranque da 101ª edição do Giro. O ciclista acabou por responder às questões colocadas na conferência antes da corrida, já o director da Sky, Dave Brailsford foi mais evasivo. Porém, são as de Mauro Vegni que fazem as manchetes, por assim dizer. O director da corrida afirmou que recebeu abertura por parte do presidente da UCI para que se Froome ganhar o Giro, o resultado não será anulado, caso venha a ser sancionado no processo que decorre. Acaba mesmo por realçar que recebeu garantias. Porém, o organismo apressou-se a dizer que não é bem assim...

Já em Abril o responsável da Volta a Itália tinha assegurado que não se repetiria a situação de Alberto Contador, em 2011. O espanhol também estava a competir "à condição", ganhou o Giro, mas como acabou sancionado ficou sem essa grande volta. Michele Scarponi foi declarado o vencedor. Vegni explicou agora melhor, dizendo que conversou com o presidente da UCI e que David Lappartient concordou com a proposta que um eventual castigo só entraria em vigor no dia em que fosse anunciado.

"Dado o tempo que o caso está a demorar, propus ao presidente Lappartient que qualquer suspensão começasse no momento em que fosse atribuída. Se acontecesse depois do Giro, a suspensão começaria depois do Giro. Se acontecesse depois do Tour, a suspensão começaria depois do Tour", explicou Vegni. "A incerteza não é correcta para o público, para os organizadores e para o atleta. Se Froome for sancionado, ele perderá a vitória na Vuelta, mas qualquer sanção só começaria no momento em que fosse confirmada. O [David] Lappartient parece aberto a esta hipótese e de certa forma garantiu-me que não haveria muitos problemas com o Giro", acrescentou.

Vegni, que se encontrou com o presidente da UCI antes da Milano-Sanremo, em Março, disse mesmo: "Recebemos garantias que isto não aconteceria [Froome perder uma eventual vitória], por isso, estamos confiantes que o resultado final em Roma será o resultado que permanecerá do Giro."

Porém, estas alegadas garantias afinal não estão assim tão... garantidas. "A UCI gostaria de clarificar que o presidente da UCI não está numa posição de decidir quando deve começar uma potencial suspensão por uma qualquer violação anti-doping e se os resultados obtidos antes do início da suspensão devem ser anulados ou mantidos", lê-se num twit, escrito na conta @UCI_media (ver em baixo). A questão é que o caso é analisado no Tribunal Anti-doping, que, estando englobado na UCI é, no entanto, um órgão independente.

De recordar que o salbutamol é uma substância permitida até determinado limite. Froome acusou o dobro do permitido na Vuelta. Visto não ser uma substância proibida (é utilizada por asmáticos), o ciclista não foi suspenso provisoriamente, mas caso não consiga provar que não tomou o correspondente aos valores que surgiram nos testes, pode ser sancionado. Em situações idênticas - e Alberto Contador é exemplo disso, ainda que tenha sido por outra substância, o clembuterol - o ciclista vê todos os resultados desde a corrida em que foi detectada a ilegalidade serem anulados. Para Froome significaria não só a perda da Vuelta, como também ficaria sem a medalha de bronze no contra-relógio nos Mundiais, que passaria para o português Nelson Oliveira (Movistar). Também todas as outras classificações nas corridas que tem feito seriam anuladas.

A Volta a Itália começa esta sexta-feira e mesmo com as atenções a estarem maioritariamente na estrada, será difícil não pensar se o que Froome está a fazer irá de facto contar.

O britânico mantém-se firme em dizer que não fez nada de errado e que o caso era suposto ser confidencial. Defende-se com as regras que o permitem competir e nas declarações antes do arranque da primeira grande volta do ano, Froome tentou desviar o assunto para a parte competitiva. Salientou o quanto se sente feliz por regressar a Itália, onde tudo começou nas competições de três semanas ao serviço da Sky, mas agora como candidato a vencê-la. Em 2010, na sua segunda participação e a primeira pela actual equipa, Froome foi excluído depois de se ter agarrado a uma moto. 

O seu rival, Tom Dumoulin, também foi questionado sobre o processo salbutamol. O holandês afirmou que não estaria no Giro, até porque a Sunweb faz parte do Movimento por um Ciclismo Credível, o que faria com que nem tivesse escolha. A Sky não faz parte deste grupo, pois considera que as suas regras até são mais exigentes.

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15 de março de 2018

Não mexam no Giro e na Vuelta... ou então, mexam também no Tour

(Fotografia: Giro d'Italia)
A sugestão de reduzir a Volta a Itália e Espanha para no máximo 17 dias não foi recebida com agrado, principalmente pelos organizadores das duas grandes voltas. Ambos defendem a importância que as corridas têm actualmente a nível desportivo e financeiro. Para Mauro Vegni, se for para mexer nas duas provas, então o Tour não pode ficar de fora: "Se eles [UCI] conseguirem demonstrar a validade [da redução], então poderemos considerar [a hipótese], mas também terá de ser para o Tour, senão é como se todas corridas as fosse alteráveis menos as francesas!"

Um recado bem claro para o presidente da UCI, o francês David Lappartient, que foi quem adiantou a ideia de reduzir o Giro e a Vuelta, mas considerando que a Volta a França é "o evento mundial de ciclismo" e que não deve ser alterado. "Estamos a caminhar para um mundo onde só o Tour importa. Não gosto disso", salientou Vegni, director do Giro, em declarações ao Cycling Weekly. Javier Guillén, responsável da corrida espanhola, foi o primeiro a responder a Lappartient: "A Vuelta e o Giro são monumentos do ciclismo que crescem a cada ano a nível desportivo, social e mediático. Seria um erro tirar-lhes dias de competição."

À agência EFE, citado pelo As, Guillén afirmou não perceber porque razão o presidente da UCI tem esta pretensão, considerando que se viesse a acontecer a redução de dias, tal poderia prejudicar "a possibilidade de crescimento das marcas que apoiam esta modalidade e as equipas".

Mauro Vegni referiu precisamente como a parte financeira pode ser colocada em causa. "Somos um negócio. Ele [Lappartient] pode provocar-nos danos económicos por dizer coisas dessas", realçou. O director do Giro acrescentou que gostaria que Lappartient consultasse primeiro os organizadores. Mesmo tendo falado publicamente sem conversar antes com os visados, o responsável da UCI disse na altura que qualquer possível alteração teria sempre de passar pelos organizadores do Giro e Vuelta.

As mudanças no ciclismo não é algo que Vegni esteja contra. O próprio recordou como até há pouco mais de dez anos a Volta a Itália terminava em Junho, por vezes até já durante a segunda semana do mês. "Antecipámos [a data], mas isso não significa que estejam mais ciclistas a fazer o Giro e o Tour. Se calhar há menos", disse.

Segundo Guillén, a Vuelta foi mesmo o segundo evento de ciclismo mais visto em 2017, só ultrapassado pelo Tour. No entanto, algo que talvez seja mais difícil de medir, seja o sucesso entre os amantes da modalidade. A corrida espanhola tem sido cada vez mais elogiada por quem assiste, cuja a aposta em etapas de muita montanha ou então com chegadas em alto, tornou-a diferente das outras duas grandes voltas. Também os ciclistas - mais os trepadores, não tanto os sprinters que criticam um percurso pouco dado para eles - estão cada vez mais rendidos. Os grandes nomes colocam cada vez mais a Vuelta como objectivo.

Também o Giro tem vindo a ganhar terreno. Mesmo por vezes não conseguindo chamar o pelotão do Tour ou mesmo da Vuelta, tem sido palco de dias de muito espectáculo, algo que tem faltado à histórica volta francesa que vive cada vez mais precisamente dessa sua história, da sua tradição. Falta-lhe a incerteza do resultado, as etapas de grande espectáculo, os ciclistas arriscarem mais em ataques... E como aqui já foi escrito, a culpa não é só do controlo da Sky.

Esta intenção de Lappartient não é inédita e foi levantada há poucos anos, mas acabou por nunca avançar. E esta não é a única ideia do presidente da UCI que está a encontrar resistência. Depois de reduzir o número de ciclistas nas grandes voltas de nove para oito e de oito para sete nas restantes competições, o responsável quer ainda menos corredores por equipas. Já este ano algumas estruturas cortaram não só no número de atletas, mas também nos elementos do staff, pelo que a pretensão de reduzir ainda mais os ciclistas por parte da UCI, está a levantar questões como os postos de trabalho que estão a ser colocados em causa. Muitos consideram que a nível competitivo não há muito a ganhar com esta diminuição.

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18 de janeiro de 2018

A edição do Giro que se queria histórica está a tornar-se num pesadelo

(Fotografia: Giro d'Italia)
Mauro Vegni queria superar um Giro100 memorável com uma edição 101 histórica. O director da Volta a Itália pensava que estava a concretizar e, se calhar, até a superar as expectativas. Primeiro começou por anunciar que pela primeira vez uma grande volta iria começar fora da Europa, tendo escolhido Jerusalém como cidade de partida, com o pelotão a ficar em Israel mais dois dias. O desejo de ter Chris Froome como cabeça de cartaz não era segredo e depois de várias declarações públicas para aliciar o britânico, o líder da Sky "cedeu" e confirmou que estaria mesmo no Giro, contra as previsões que apontavam para primeiro garantir o quinto Tour, antes de tentar ganhar em Itália, a grande volta que lhe falta. Porém, os sorrisos rasgados de missão cumprida deram lugar a umas valentes dores de cabeça. A desejada edição histórica está a tornar-se num pesadelo.

Era impossível o conflito entre Israel e a Palestina ficar de parte. A decisão de realizar três etapas naquele território gerou contestação oriunda de vários pontos do mundo e, para agravar a situação, a opção do presidente dos EUA, Donald Trump, em mudar a embaixada para Jerusalém, considerando aquela cidade como capital de Israel, elevou ainda mais os níveis de protesto e de insegurança no local, com a violência a resultar nem mais derramamento de sangue. Resultado, existe um plano B que poderá ser accionado e, se assim for, o Giro será 100% em estradas italianas. No plano desportivo, o caso de suspeita de utilização acima dos limites da substância salbutamol, deixa Froome no limbo e Vegni nem quer pensar em ver na sua corrida uma situação idêntica à de Alberto Contador, em 2011.

Começando pela vertente puramente desportiva. Chris Froome não foi suspenso provisoriamente por ser uma substância legal, utilizada por asmáticos. O britânico está a tentar provar que não excedeu o limite permitido (o resultado do teste feito na Vuelta revelou o dobro) e, enquanto decorre o processo, poderá competir. A Sky também optou por não afastar o seu ciclista, mantendo-se o plano de estar na Volta a Itália, ainda que se desconheça o calendário de Froome até à prova, apesar de já se estar a mais de meio do mês do Janeiro.

De recordar que Vegni tinha desafiado Froome a estar presente para não só ganhar a grande volta que lhe ficou a faltar depois de conquistar a Vuelta, em Setembro, além dos quatro Tours, mas também para alcançar um feito raro: ganhar as três grandes voltas de forma consecutiva. Froome e a Sky querem ir mais longe e vencer também o quinto Tour, ou seja, o ciclista fazer a dobradinha que ninguém alcança desde 1998. Marco Pantani foi o último a ganhar em Itália e França no mesmo ano.

Agora Vegni já não está tão satisfeito por ter Chris Froome previsto para o Giro. "Estávamos mesmo felizes por Froome vir à nossa corrida. Agora esperamos que tudo seja rapidamente clarificado, pelo Froome, pelos interesses do Giro e do ciclismo em geral", afirmou recentemente ao L'Equipe. O director foi mais longe: "Não podemos aceitar uma solução de compromisso como a de Alberto Contador, em 2011, quando a sua vitória foi riscada pelo teste positivo que tinha acontecido noutra corrida." Mauro Vegni refere-se ao caso de doping na Volta a França de 2010. Então, Contador também pôde continuar a competir enquanto apresentava a sua defesa. Ganhou a Volta a Itália, mas acabou por ser castigado. Michele Scarponi foi declarado o vencedor, mas nunca foi um momento que tenha agradado a ninguém, a começar pelo ciclista italiano.

Mas estará Vegni disposto a impedir a presença de Chris Froome no Giro? "Espero que não chegue a isso. Não me compete decidir e aplicar as regras. Os organizadores não têm esse estatuto em casos como este. É o Froome que tem de provar as coisas. Está tudo nas mãos da UCI. Eles têm de garantir que estará tudo esclarecido até lá [ao Giro]", respondeu Vegni. Há um precedente: depois do escândalo de doping Festina, no final dos anos 90, Richard Virenque foi impedido pela ASO, organizador do Tour, de participar na corrida em 1999. A UCI defendeu o direito do francês em competir e deu ordens à ASO para aceitar o ciclista.

Muitas tem sido as vozes para que o processo seja célere, contudo, ameaça ser o contrário. Chris Froome está a preparar a sua defesa alegando problemas no funcionamento dos rins, segundo o L'Equipe, e mesmo que consiga ser ilibado, a Agência Mundial Antidopagem poderá agir e levar o caso até ao Tribunal Arbitral do Desporto. Ou seja, pode arrastar-se por vários meses.

Quanto ao caso Froome, Vegni nada pode fazer. Já sobre a situação em Jerusalém, o director da RCS Sport, que organiza o Giro, afirmou já há umas semanas que o plano B existia. Não se alongou sobre o assunto, mas com os protestos violentos a marcarem as semanas seguintes à decisão de Donald Trump, começou a ganhar força que o arranque histórico em Israel, poderá mesmo estar em causa.

O sul de Itália foi apontado como o provável plano B se os três primeiros dias tivessem de ser realizados "em casa". A Sicília poderá ser uma hipótese para arranque da corrida. Com mais países a, entretanto, seguirem o exemplo de Trump, a situação começa a ser de nervos para Mauro Vegni e a restante organização da Volta a Itália. Para já mantém-se o plano inicial, mas a incerteza instalou-se, além de subir de tom o apelo de, por exemplo, organizações de defesa dos direitos humanos, que pedem para que o Giro não comece em Israel.

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»»Uma batalha nos Alpes para decidir um Giro que já é histórico««

27 de novembro de 2017

Sky muda para o branco. E Froome, muda para o Giro por dois milhões?

Froome com o equipamento para 2018 (Fotografia: Team Sky)
Aumentam os rumores, aumentam as teorias, aumenta o suspense. E Chris Froome ajuda. Na sua conta de Twitter partilhou uma mensagem do Giro sobre o contra-relógio inaugural em Israel. Já se sabe que o grande objectivo de carreira do britânico é ganhar o quinto Tour e possivelmente um sexto. Assim seria o recordista. É o grande objectivo do ciclista e também da Sky. Mas será que dois milhões de euros são suficientes para mudar as ideias de Froome e de Dave Brailsford, responsável máximo da equipa?

A Sky apresentou esta segunda-feira o equipamento para 2018 e até há novidades, com a equipa a abandonar o tradicional preto. Momento sempre importante a nível de marketing. Contudo, quando na quarta-feira se vai conhecer ao pormenor o percurso do Giro e quando surgiu a notícia que Froome estará mesmo muito tentado a estar presente, a camisola branca passou para segundo plano num ápice.

Resumindo o que se tem passado nas últimas semanas. A organização da Volta a Itália anunciou que Israel irá receber os três primeiros dias da corrida, numa decisão inédita: nunca uma das grandes voltas começou fora da Europa. O director, Mauro Vegni, não escondeu que queria ter Chris Froome na partida em Jerusalém e afirmou que tudo faria para convencer o britânico. O ciclista da Sky já em 2017 sentiu uma pequena tentação em ir até ao Giro, mas estava (e está) demasiado concentrado em alcançar a histórica marca dos cinco Tours. Já só falta um, pelo que ir a Itália em 2018 parece algo fora de questão. Talvez em 2019, caso consiga o penta. Vegni foi insistindo. Defende que Froome tem de vencer as três grandes corridas de três semanas e só lhe falta o Giro.

Recentemente Fabio Aru confirmou que irá atacar a Volta a Itália (de 4 a 27 de Maio) e Espanha no seu primeiro ano como ciclista da UAE Team Emirates. Aproveitou para desafiar Froome a estar também na prova do seu país. O britânico e a Sky estão formatados para a Volta a França. Foi para vencer esta competição que a equipa nasceu. Ganhar este ano a Vuelta foi mais um objectivo pessoal a que Froome se propôs, já que estava cansado dos segundos lugares. Porém, a prova espanhola realiza-se depois da francesa. Logo, ganhar o Tour e perder a Vuelta não seria grave. Ganhar o Giro e depois falhar no Tour é algo inconcebível para Froome e para a Sky. Em França é para estar novamente de amarelo nos Campos Elísios em 2018.

Regressando ao dinheiro. O jornal holandês De Telegraaf e o site Cycling Weekly avançaram que estão a decorrer negociações com o ciclista e com a equipa e que o sim ao Giro estará próximo. E Israel estará a ter um papel importante. Segundo o Cycling Weekly, para receber o Giro terão sido enviados 10 milhões de euros para os cofres da RCS Sport, empresa que organiza a prova. Os responsáveis israelitas querem aproveitar o Giro para fazer uma enorme campanha turística em prol do país. Claro que ter Froome, a maior estrela das grandes voltas - agora que já não partilha esse estatuto com Alberto Contador, que se retirou -, seria absolutamente perfeito se se pensar no impacto mediático que um ciclista como o britânico tem. E para seduzir Froome terão sido oferecidos dois milhões de euros (não incluídos nos 10 referidos), valor que a ser verdade será superior ao que Lance Armstrong terá recebido em 2009.

Froome não estará na apresentação em Milão. Fabio Aru, Vincenzo Nibali e Tom Dumoulin, vencedor este ano, estarão. Como sempre, há uma enorme curiosidade em conhecer o percurso de mais uma grande volta, depois de ter sido anunciado o do Tour. No entanto, está visto que a novela será se Froome estará ou não à partida em Jerusalém. Depois haverá outros episódios que irão além da competição, com muitas organizações humanitárias a apelarem à RCS Sport para cancelar as três etapas em Israel. É impossível ignorar a questão política que rodeia esta decisão de levar a Volta a Itália até àquela zona do globo. Muito se vai falar do Giro101...

O equipamento! A Castelli já tinha apresentado uma camisola branca especial para a última Volta a França. A recepção tanto da equipa, como de muitos fãs foi boa e eis que o tradicional preto ficará em 2018 de parte, menos nos calções, que mantêm a cor. A faixa azul com o nome da equipa não é novidade. Mantém-se as pequenas riscas que sinalizam as vitórias da equipa e que tantos memes originaram na internet quando o equipamento de 2017 foi apresentado. Os ciclistas terão ainda os seus nomes nas costas.


18 de setembro de 2017

Depois da edição centenária há que "criar algo grande". Será este um "Giro Santo"?

Alberto Contador (à esquerda) e Ivan Basso (direita) estiveram na apresentação
e pedalaram acompanhados pelo presidente da câmara Nir Barkat
e o presidente honorário do arranque do Giro em Jerusalém, Sylvan Adams
(Fotografia: Twitter Giro d'Italia
Já lhe chamam assim: o "Giro santo". Está oficializado o início da Volta a Itália em Jerusalém e agora correm os rumores que o final será no Vaticano. Mauro Vegni, director da competição, não confirma, preferindo destacar a importância da corrida ir até Israel. O Giro quer marcar a diferença e se tudo começa com um contra-relógio individual de 10,1 quilómetros, ao terceiro dia haverá uma etapa de 226 quilómetros que atravessará o deserto. Vegni diz que "o Giro inova", equanto a "Vuelta melhora" e o Tour está "atascado".

A apresentação das três primeiras etapas aconteceu com a presença de um Alberto Contador a gozar os primeiros dias pós-profissionalismo, recuperando de uma desgastante Volta a Espanha, mas já a pensar em dedicar-se aos seus projectos com os jovens ciclistas da sua fundação. O espanhol admite que ainda só andou de bicicleta um dia após o final da Vuelta, mas garante que irá voltar aos treinos, mas certamente com outro ritmo. O vencedor do Giro em 2008 e 2015 esteve acompanhado por Ivan Basso, que conta também com duas vitórias: 2006 e 2010.


Inevitavelmente Contador desviou algumas das atenções, mas é em Jerusalém que todas se vão centrar quando a 4 de Maio o pelotão arrancar na Cidade Velha de Jerusalém (10,1 quilómetros). Seguem-se dois dias para os sprinters. Primeiro serão 167 quilómetros que ligarão Haifa a Telavive e no dia seguinte a tal longa etapa pelo deserto de Neguev, que é mais de metade do território israelita. A partida será em Beersheba e a meta estará em Eilat, junto ao Mar Vermelho.


Mauro Vegni explicou ao jornal Marca que a ideia de viajar para Israel integra o plano de internacionalizar ainda mais a Volta a Itália. Para já, entra na história como a primeira grande volta a começar fora da Europa. "Israel representa um bom projecto para revalorizar o território israelita e também para promover a itanialização do mundo", salientou o responsável. Naturalmente que a questão financeira foi uma das questões, mas Vegni disse apenas que não deram primazia "ao aspecto económico, mas sim à ideia de querer algo novo".


Num país sempre sobre ameaça a nível de segurança, Mauro Vegni passa uma imagem de tranquilidade: "Francamente creio que estaremos seguros. Temos visto como os perigos podem estar em qualquer sítio. Tivemos há pouco um atentado no metro de Londres e também em Barcelona. Aqui contaremos com uma grande segurança."

Vegni também se mostra descansado com a logística necessária para levar o Giro até tão longe. Depois de uma edição especial como foi a 100ª, que atravessou Itália desde as ilhas a sul até ao norte do país, o director quer começar um novo século da corrida de uma forma inovadora. "A edição de 2017 foi histórica porque era o nosso centenário, agora temos de criar algo grande", salientou. Quanto ao falado final no Vaticano, Vegni não quis confirmar, estando ainda em estudo se Roma ou Milão recebem a etapa da consagração. 

Este ano assistiu-se à confirmação de um grande voltista, com Tom Dumoulin a ganhar o Giro. Agora falta receber se aquele a quem só lhe falta precisamente a Volta a Itália irá estar na corrida: "Estamos a trabalhar para que [Chris Froome] venha e pensamos que está perante uma oportunidade única para a disputar. Acho que não temos de mudar o percurso para o seduzir. Nunca desenhamos um percurso a pensar num ciclista." A missão não se apresenta fácil, já que Froome tem como principal objectivo garantir o quinto Tour. Depois, talvez comece mesmo a pensar no Giro.

Em 2018, a partida em Jerusalém servirá ainda de mote para uma homenagem a Gino Bartali. O ciclista italiano, que nas décadas de 30 e 40 venceu três Giros e duas Voltas a França, além de quatro Milano-Sanremo e três Giros di Lombardia, teve um papel importante na ajuda a judeus perseguidos no Holocausto, durante a II Guerra Mundial. "Ajudou a salvar muitos judeus através da bicicleta", destacou Vegni. Bartali morreu em 2000 aos 85 anos.

»»"Infelizmente as notícias sobre Israel são mais sobre a guerra do que sobre a vida normal"««

»»O Giro100 é dele e merecidamente. E agora Dumoulin?««

15 de maio de 2017

Director do Giro defende polícia que provocou acidente. Landa tem muitas dores, mas vai continuar na corrida

Mikel Landa conseguiu treinar esta segunda-feira e vai continuar
na corrida (Fotografia: Russ Ellis/Team Sky)
O incidente antes do início da ascensão ao Blockhaus marcou inevitavelmente a Volta a Itália, principalmente porque deixou muito provavelmente dois ciclistas fora da luta (Geraint Thomas e Adam Yates), Wilco Kelderman abandonou e não vai ser o apoio importante que Tom Dumoulin esperava, enquanto Mikel Landa ainda pensou que teria também de deixar a corrida, mas os testes desta segunda-feira foram positivos e o espanhol estará no contra-relógio. O director do Giro lamenta o que aconteceu, estando triste pela competição ter ficado sem alguns dos seus candidatos. No entanto, Mauro Vegni saiu em defesa do polícia em causa, admitindo, contudo, que houve um erro de cálculo, com consequências graves.

"Penso que não é correcto apontar o dedo ao polícia. Não quer que fiquem com toda a culpa porque a polícia tem feito um excelente trabalho na protecção aos ciclistas durante 70 anos. Naturalmente que eles também estão chocados com o que aconteceu. Infelizmente as coisas podem correr mal, mas não deve arruinar a imagem da polícia", salientou Mauro Vegni. O responsável acrescentou que na corrida estão cerca de 50 veículos, entre motos e carros, que têm o objectivo de proteger os ciclistas. Explicou ainda que a decisão do agente em parar na estrada deveu-se à preocupação de garantir que todos os ciclistas estariam em segurança, numa altura em que o pelotão estava a partir-se em vários grupos mais pequenos. "Concordo que houve um erro de cálculo ao parar ali, numa zona estreita da estrada. Talvez pudesse ter parado cem metros mais à frente", referiu Mauro Vegni.

A Orica-Scott e a Sky foram as equipas mais afectadas, pois os seus líderes acabaram por perder muito tempo. Adam Yates está a 4:49 minutos do líder Nairo Quintana, com Geraint Thomas a 5:14. A missão dos dois britânicos é muito complicada, ainda que nenhum esteja disposto a desistir de pelo menos chegar ao pódio. Afinal ainda há duas semanas de corrida pela frente. 

Já Mikel Landa está feliz por ainda conseguir estar no Giro. O espanhol até foi dos mais rápidos a retomar a prova, mas acabou por perder muito tempo. A dor na perna esquerda provocou-lhe muitos problemas na subida ao Blockhaus. Tem 27:06 minutos de desvantagem, mas depois da desilusão de domingo, Mikel Landa mostrou-se satisfeito pelos exames feitos hoje terem demonstrado que não tem uma lesão grave e depois de um treino de uma hora, o espanhol da Sky assegurou que vai estar no contra-relógio. O ciclista ainda tem dores, mas espera conseguir "fazer coisas bonitas" nas etapas que ainda faltam no Giro.

Já Tom Dumoulin não escondeu a fúria por ter perdido Wilco Kelderman, que teria um importante papel de o apoiar nas etapas de montanha. O holandês da Sunweb chegou mesmo a classificar o incidente como "estúpido".

Contra-relógio para voltar a mudar a classificação geral


Depois do descanso espera aos ciclistas mais um teste. O primeiro de dois contra-relógios individuais é já esta quinta-feira, com 39,8 quilómetros não muito planos a prometeram que haverá um ataque forte de Tom Dumoulin à maglia rosa, camisola que já vestiu no Giro de 2016, precisamente após o esforço individual, logo no primeiro dia. O holandês já garantiu que se se sentir bem, terminar o dia na liderança é o objectivo. O ciclista da Sunweb esteve muito bem no Blockhaus, terminando na terceira posição, com 30 segundos a separá-lo de Nairo Quintana.

O colombiano da Movistar afirmou que gostaria de continuar de rosa, mas admitiu que será difícil, considerando que tanto Dumoulin, como Thibaut Pinot (FDJ) - que está a 28 segundos - são melhores que ele no contra-relógio. Quintana prefere olhar já para as próximas montanhas, onde pretende regressar à liderança, caso a perca na terça-feira. No dia seguinte terá logo essa oportunidade será uma etapa para romper pernas, com duas segundas categorias e duas terceiras. Mas o líder da Movistar terá mesmo marcada a tirada de sábado com a chegada em alto a Oropa.

»»Não basta ter estilo Nibali, é preciso ter categoria e Quintana tem muita««

»»Chega de irresponsabilidade. O acidente no Giro não foi ciclismo, foi estupidez««