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8 de maio de 2021

Ganna, aquela máquina. Almeida começa forte

© Tim de Waele/Getty Images/Deceuninck-QuickStep
João Almeida não perdeu tempo em entusiasmar ainda mais os adeptos portugueses, meses depois de ter deixado um país apaixonado pela camisola rosa. Logo no primeiro dia da Volta a Itália mostrou que está mais do que focado em estar na luta pela geral. Desta feita, apresenta-se como candidato desde a partida e começou novamente com um forte contra-relógio, ainda que tenha sido apenas de 8,6 quilómetros em Turim. Ficou a 17 segundos daquele que é "apenas" o campeão do mundo e que tem ganho quase todos os contra-relógios que faz.

Filippo Ganna (Ineos Grenadiers) repetiu a dose de 2020. No último Giro venceu os três contra-relógios da prova e agora soma nova vitória e veste outra vez a camisola rosa. Bateu outro italiano forte na especialidade. Edoardo Affini fez mais 10 segundos, mas tirou o chapéu (literalmente) à exibição do compatriota. Porém, a Jumbo-Visma não saiu completamente desiludida de Turim. Tobias Foss tem apenas 23 anos, mas já um potencial reconhecido, para o qual contribuiu ganhar o Tour de l'Avenir em 2019.

Apesar de George Bennett ser, na teoria, o líder da Jumbo-Visma, perder 41 segundos, enquanto Foss somou apenas mais 13 que Ganna, deixa o norueguês numa boa posição inicial para poder ser também ele uma aposta.

E dos potenciais candidatos a lutar pela geral, Foss foi o único que bateu João Almeida. "Obtive um resultado melhor do que tinha pensado.  É uma excelente forma de começar a corrida. É um tipo de resultado que te dá uma importante dose extra de motivação", referiu o ciclista, citado pela Deceuninck-QuickStep.

Além de João Almeida, a equipa belga viu ainda Rémi Cavagna ser quinto, a 18 segundos - o campeão francês queria ganhar o contra-relógio - e Remco Evenepoel em sétimo, a 19 segundos. O regresso do belga foi um dos momentos do dia. "Ter três ciclistas no top 10 é excelente para a equipa", afirmou Almeida, numa altura que muito se vai começar a falar da forma física de Evenepoel.

Apesar de surgir com o dorsal um da equipa, a sua longa ausência da competição devido a uma grave queda na Lombardia, levanta dúvidas quanto à sua condição. Evenepoel começou bem, mas os verdadeiros testes chegarão com a montanha. Para João Almeida é ainda mais importante arrancar como o melhor da Deceuninck-QuickStep para que possa reclamar o estatuto de número um na equipa neste Giro.

Quanto aos outros dois portugueses em prova, Nelson Oliveira (Movistar) é um especialista no contra-relógio, mas este de Turim não era nada que pudesse beneficiar as suas características. Terminou a 29 segundos de Ganna, com Ruben Guerreiro (EF Education-Nippo) a perder 47.

Na perspectiva de João Almeida, o ciclista das Caldas da Rainha ganhou tempo aos rivais, com Aleksandr Vlasov (Astana) a ser o melhor, a 24 segundos de Ganna. Egan Bernal fez mais 39 segundos do que o companheiro de equipa e Jai Hindley (DSM), que no Giro passado esteve perto de ganhar a corrida, tem 46 segundos de atraso. Mikel Landa (Bahrain-Victorious), que assumiu que a Volta a Itália é para ganhar, pode dizer que nem foi dos seus piores contra-relógios, tendo 49 segundos para recuperar para Ganna, que não será um adversário directo.

2ª etapa: Stupinigi (Nichelino)-Novara (179 quilómetros)



7 de outubro de 2020

João Almeida cada vez mais confiante

© Tim de Waele/Getty Images/DeceuninckQuickStep
Por mais que se conhecesse João Almeida e se acreditasse que era capaz de um bom resultado no Giro, na sua primeira grande volta, estar todos os dias a ter o português como protagonista da corrida, era algo que não se imaginaria. O ciclista das Caldas da Rainha continua a fazer história e continua a dar motivos para que um pouco por todo o mundo o seu nome esteja a ser referido. É líder, com todo o mérito e mete cada vez mais respeito. Vai para o terceiro dia de rosa e já ganhou de tal forma consideração no pelotão, que ao tentar atacar teve logo um Jakob Fuglsang (Astana) a colocar-se na sua roda. Almeida não é apenas mais um líder, está a aumentar aos poucos a sua vantagem e a confiança cresce.

A política na Deceuninck-QuickStep continua a ser "vamos ver etapa a etapa". Porém, o objectivo passa por manter João Almeida de rosa o máximo de tempo possível, mas sem criar pressão num jovem que nunca fez uma prova de três semanas. Davide Bramati, director desportivo da equipa belga, afirmou isso mesmo ao Eurosport. Esta forma de lidar com o sucesso rápido de Almeida, conjugado com o apoio que os companheiros lhe estão a dar nas etapas, está a contribuir para que o português esteja a ganhar nome no World Tour e começa a parecer que ninguém quer dar muito mais espaço para que Almeida aumente em demasia a vantagem.

Os seus resultados até ao Giro, já o colocavam entre os melhores estreantes no World Tour em 2020. Agora apresenta credenciais numa grande volta, mesmo perante a incógnita de como será fazer uma prova de três semanas e de como o corpo reagirá, principalmente na última semana.

Mas o importante é o presente. Com Jonathan Caicedo (EF Pro Cycling) a perder tempo na longa subida de 25 quilómetros em Valico di Montescuro, já perto do final da longa tirada de 225 quilómetros entre Mileto e Camigliatello Silano, restou a João Almeida preocupar-se em ficar com o grupo principal. Não houve ataques, mas Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo) ainda preocupou quando tentou descer na frente. Contudo, o mau tempo marcou o dia e a estrada estava demasiado perigosa para Nibali arriscar.

Almeida nem sempre esteve na melhor posição. O ritmo por vezes aumentava bastante, fruto das equipas que foram testando a resistência não só do camisola rosa, mas de rivais aos seus líderes. Almeida nunca entrou em pânico.

O melhor ficou para o fim. Filippo Ganna venceu isolado, no segundo triunfo para o italiano da Ineos Grenadiers, depois de vencer o contra-relógio inaugural. Com bonificações em jogo, João Almeida sprintou na curta subida para a meta. Só Patrick Konrad, da Bora-Hansgrohe o bateu. São mais quatro segundos para o português, agora com Pello Bilbao (Bahrain-McLaren) na segunda posição, a 43 segundos, Wilco Kelderman (Sunweb), a 48, Harm Vanhoucke (Lotto Soudal) - outro jovem a surpreender - a 59 e Vincenzo Nibali agora a 1:01.

A pergunta começa a ser até quando Almeida ficará de rosa?

"Estou contente por ter conseguido [segundos de bonificação] e aumentado a minha vantagem na classificação geral. Tenho dois top três nas primeiras cinco etapas da corrida, duas camisolas [a rosa e a branca, da juventude] e a minha confiança está a aumentar a cada dia, o que é bom para as próximas etapas", afirmou João Almeida. O ciclista não esqueceu como está a ter o apoio dos seus companheiros, que chegaram ao Giro com liberdade para procurar vitórias e que agora estão a proteger o português.

Com apenas 22 anos, Almeida está a demonstrar que a rosa não é nenhum acidente e que tem capacidade de liderança. Na Deceuninck-QuickStep a expectativa para mais esta aposta de sucesso cresce e já nem se fala muito da ausência de Remco Evenepoel, que antes da queda a Lombardia, era apontado como um favorito. Mais uma vez a formação belga mostra como tem uma equipa forte e não apenas uma ou duas grandes figuras.

E há que referir como João Almeida faz mais um pouco de história. Quando esta quinta-feira partir em Castrovillari, será o ciclista português que envergou a camisola rosa durante mais tempo. Será o terceiro dia, mais um do que Acácio da Silva, o primeiro a fazê-lo em 1989, em dois dias não consecutivos.

Classificações completas, via ProCyclingStats.

6ª etapa: Castrovillari - Matera, 188 quilómetros

Em condições normais, Almeida até poderá segurar a camisola rosa até domingo. Só nesse dia surgirá nova etapa de montanha mais complicada. Porém, a Deceuninck-QuickStep sabe que não pode facilitar. A tirada desta quinta-feira tem muito sobe e desce na fase inicial, ainda que a única subida categorizada (terceira) esteja mais perto do final. 

Com a Bora-Hansgrohe dedicada a levar Peter Sagan a uma vitória que está difícil acontecer em 2020, não é de afastar que o ritmo volte a ser alto, como aconteceu na terceira tirada. Entre os diferentes objectivos de vários ciclistas, neste Giro não se tem andado devagar.

»»Defender a rosa ao ataque««

»»João Almeida de rosa e tinha de ser no Etna««

3 de outubro de 2020

Só o campeão do mundo bateu João Almeida na estreia no Giro

©Tim De Waele/Getty Images/Deceuninck-QuickStep
Que estreia fenomenal! João Almeida não demorou a ter impacto na Volta a Itália. E logo na estreia numa grande volta! No contra-relógio inaugural, o português chegou a estar com o melhor tempo, até que um campeão do mundo o bateu. Mas mais ninguém. Para Almeida foi uma estreia perfeita, ele que só recentemente foi confirmado pela Deceuninck-QuickStep que estava entre eleitos para o Giro. A confiança ficou reforçada e são 22 segundos que o separam da maglia rosa...

Essa está com Filippo Ganna. Está numa série imparável de resultados em contra-relógio. Foi campeão nacional, depois venceu a etapa de esforço individual no Tirreno-Adriatico, foi a Imola sagrar-se campeão do mundo e agora vestiu a camisola rosa. A Ineos Grenadiers entra bem melhor no Giro do que saiu do Tour.

E só o melhor bateu João Almeida. Curiosamente, Ganna já tem um passado em deixar um português em segundo. Ivo Oliveira que o diga na perseguição individual, na pista. Mas para João Almeida, estar aos 22 anos no Giro e começar assim, é uma exibição que sabe a vitória, numa uma carreira que está a dar os passos certos a cada temporada e com uma entrada muito forte no World Tour. O ciclista da Caldas foi chamado para Itália sem a pressão de alcançar resultados, sendo o momento para perceber como é competir em três semanas. Entrou em grande e começar desta forma a Volta a Itália é, para Almeida, "perfeito".

"Conseguir um segundo lugar na minha primeira etapa numa grande volta, é o início perfeito, que me deixa muito feliz e alimenta a minha confiança para as próximas três semanas", admitiu o ciclista. E se vestir a rosa e repetir o feito de Acácio da Silva fica agora na mira de João Almeida, o português irá vestir uma das camisolas: a ciclamino. Será por "empréstimo" de Ganna, mas este domingo Almeida terá o seu destaque no pelotão, que tem mais um nome da nova geração a ter em conta.

Sobre o contra-relógio, João Almeida referiu como o vento estava forte e com uma subida logo no início dos 15,1 quilómetros e ainda uma secção de empedrado... "Não foi nada fácil", disse. "Tive algumas dificuldades, mas mantive o foco e pedalei ao meu ritmo", acrescentou. Realçou como na descida e na parte mais plana não tomou riscos, "especialmente com o vento a vir da esquerda e depois da direita". Estar sentado no lugar de quem tem o melhor tempo "foi uma honra".

As distâncias

Num contra-relógio mesmo ao jeito de Filippo Ganna (completou a distância em 15:24 minutos), João Almeida viu ficar atrás de si Rohan Dennis (Ineos Grenadiers), por exemplo, campeão do mundo de contra-relógio de 2018 e 2019. O australiano fez mais 26 segundos do que o português. Mikkel Bjerg (UAE Team Emirates) - o único ciclista a conquistar três títulos mundiais de contra-relógio de sub-23 - perdeu por centésimas e Geraint Thomas (Ineos Grenadiers) fez mais um segundo, o que na luta entre os candidatos à geral, fez com que o galês saísse de Palermo com vantagem sobre os adversários directos.

Lawson Craddock (EF Pro Cycling), Mathias Brändle (Israel Start-Up Nation), Victor Campenaerts (NTT) foram todos batidos, com este último a ser uma desilusão ao perder 1:07 para Ganna, quando era um dos candidatos à vitória. Mau ano para o belga até agora.

Este é um daqueles dias para mais tarde recordar para João Almeida. Sem Remco Evenepoel, a recuperar da grave queda na Lombardia, a Deceuninck-QuickStep vê outro jovem aproveitar - e de que maneira - a oportunidade. É uma dose de confiança para toda a equipa.

Mas há outra orgulhosa do que aconteceu no primeiro dia do Giro. A Hagens Berman Axeon, do escalão ProTeam, viu três dos ciclistas que ajudou a formar terminarem no top dez: João Almeida (segundo), Bjerg (terceiro) e Lawson Craddock (oitavo). "Não podíamos estar mais orgulhosos", escreveu a equipa no Twitter.

Há mais um português em prova, Rúben Guerreiro fez mais 1:37 do que Ganna, num bom contra-relógio para o ciclista da EF Pro Cycling).

Classificações completas, via ProCyclingStats.

2ª etapa: Alcamo - Agrigento, 149 quilómetros

A curta ascensão final, já perto da meta, terá 5% de pendente média, com uma zona a chegar aos 9%. Tal poderá eliminar alguns dos sprinters, mas Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) tentará finalmente ganhar em 2020. Contudo, Michael Matthews (Sunweb) está no Giro para vencer.

»»Volta a Itália arranca com o estreante João Almeida««

»»Alaphilippe com uma camisola que lhe fica tão bem««

25 de setembro de 2020

Filippo Ganna, a confirmação

No dia em que a Ineos Grenadiers anunciou quatro reforços para 2021, Filippo Ganna confirmou com um título mundial de elite que é um dos melhores no contra-relógio. Foi uma exibição de enorme nível, com desde o primeiro quilómetro a perceber-se que Itália preparava-se para um dia muito especial. Ganna ainda não renovou contrato, mas tornou-se agora um ciclista ainda mais apetecível. Afinal quem não quer um campeão do mundo nas suas fileiras?

Pela primeira vez, Itália conquista em título mundial de contra-relógio em elite e logo nuns Mundiais que, inesperadamente, acabaram por se realizar naquele país, depois da organização suíça de Aigle-Martigny ter cancelado devido à pandemia. Nos 31,7 quilómetros de Imola, Ganna foi dono e senhor da estrada, com o bicampeão Rohan Dennis a ficar a 39 segundos (quinto lugar). O título muda de país, mas fica na Ineos Grenadiers... se Ganna renovar (publicamente ainda não foi anunciado qualquer acordo).

Ganna ficou algo incrédulo com a vitória. Emoções do momento, porque o italiano era um dos grandes favoritos, depois de no ano passado ter sido terceiro. O percurso plano e não muito longo, encaixava perfeitamente nas suas características. Wout van Aert era um dos seus maiores adversários, mas desta feita o belga teve de se contentar com a medalha de prata, fazendo mais 26 segundos que os 35:54 minutos de Ganna.

O italiano terminou com uma velocidade média de 52,89 quilómetros/hora, num traçado que teve o vento a dificultar durante uma parte (as rajadas aproximaram-se dos 40 quilómetros/hora), mas a ajudar quando esteve de costas.

A fechar o pódio esteve o campeão europeu Stefan Küng, com o suíço a precisar de mais 29 segundos do que o italiano para completar a distância. Geraint Thomas foi quarto, a 37 segundos, sendo que o britânico fica com uma história para contar. Quando lhe foi entregue a bicicleta, minutos antes de partir, faltava o ciclo-computador.

Ainda lhe foi dado um alternativo, mas não encaixava e Thomas fez o contra-relógio sem qualquer indicação de velocidade, potência, tempo ou sequer quilómetros, como o próprio contou. O pódio ficou a oito segundos, em mais um bom resultado de um ciclista que está a subir de forma, rumo à Volta a Itália que arranca daqui a uma semana.

Quanto a Ganna, aos 24 anos cumpre na estrada o que já prometia na pista. Conquistou vários títulos entre europeus e mundiais, com destaque para os de perseguição individual. Dois deles à custa de Ivo Oliveira. Em 2016 foi campeão europeu de sub-23 batendo o português, repetindo o feito em 2018 nos Mundiais de elite.

Na estrada, a sua evolução tem sido feita com calma e também não deixou por completo a pista. Já conta com dois títulos nacionais de contra-relógio e algumas outras vitórias, como aconteceu recentemente no Tirreno-Adriatico. Novamente no contra-relógio. Mas em 2016 venceu o Paris-Roubaix para juniores.

No World Tour, começou em 2015 como estagiário da então Lampre-Merida e em 2017 assinou pela UAE Team Emirates, herdeira da estrutura italiana. Porém, está desde 2019 na Ineos e o título mundial poderá ser a projecção que lhe estava a faltar.

Os portugueses

O seleccionador José Poeira bem tinha avisado que o contra-relógio de Imola favorecia ciclistas mais possantes. No entanto, apesar de ser curto e com pouca dificuldade para as características de Nelson Oliveira, o ciclista português ficou à porta do top dez, algo que já alcançou em quatro ocasiões. 99 centésimos, foi essa a diferença! Foi Tom Dumoulin que "tirou" essa hipótese a Nelson Oliveira, apesar do holandês quase ter caído à entrada do autódromo Enzo e Dino Ferrari, onde a prova terminou.

Oliveira foi 11º, a 1:15 minutos de Ganna, enquanto o outro Oliveira, Ivo, participou pela primeira vez num Mundial como ciclista de elite. Fechou em 34º, a 3:23 do vencedor.

"O Nelson não começou com o ritmo que lhe conhecemos. Os primeiros 7/8 quilómetros foram responsáveis por o resultado não ser ainda melhor. Na fase final andou muito bem. Foi pena o contra-relógio ser tão curto", explicou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Quanto a Ivo Oliveira: "Gostei da prova que fez. Não foi perfeita, mas foi muito bem conseguida. Não sendo perfeita foi uma boa corrida, sobretudo se tivermos em conta que foi a estreia num Mundial de elite."

Este sábado realiza-se a prova feminina de fundo, recordando-se que a holandesa Anna van der Breggen conquistou o título de contra-relógio. No domingo, é a vez dos homens competirem no circuito, que após nove voltas terá 258,2 quilómetros de extensão, com cinco mil de acumulado, dada apenas a duas subidas. As senhoras farão 143 quilómetros, com 2800 de acumulado.

A Equipa Portugal terá em prova novamente os dois Oliveira, assim como Rui Costa (campeão do mundo em 2013) e Rúben Guerreiro.

Classificação do conta-relógio, via ProCyclingStats.

»»Menos dias de Volta a Portugal será uma experiência interessante««

20 de outubro de 2018

Sky prepara o futuro com uma base sul-americana

(Fotografia: Twitter Quick-Step Floors)
O contrato de cinco anos oferecido na renovação de Egan Bernal foi apenas o início de uma clara preparação para o futuro da Sky. A aposta na América do Sul continua. Se a situação de Iván Sosa continua por definir, a equipa britânica foi agora buscar um equatoriano e nem o contrato que tinha com a Quick-Step Floors dissuadiu uma estrutura que tem dinheiro para ter quem quer, quando quer.

Jhonatan Narvaez é um trepador por excelência, ciclista para corridas por etapas. Ou seja, bem à imagem da Sky. A Quick-Step Floors foi buscá-lo à Hagens Berman Axeon e esta época fez um calendário com o objectivo de adaptar-se ao mais alto nível, afinal só tem 21 anos. Destaca-se o quinto lugar na Volta à Valónia, não tendo inscrito o nome na lista de 72 vitórias - um recorde da equipa belga -, mas esteve em dois triunfos colectivos. O director desportivo Patrick Lefevere não costuma falhar na captação de talentos, mas perante a indefinição sobre a chegada de um novo patrocinador principal, perdeu poder de negociação para segurar este.

A entrada da Deceuninck trouxe algumas garantias financeiras, mas Lefevere não fechou a porta a eventual saídas de ciclistas com contrato em 2019. Fernando Gaviria está no topo da lista, mas foi Narvaez aquele que acabou por quebrar contrato. Este tipo de transferências, normalmente implicam um pagamento por parte da equipa que vai ficar com o ciclista, tal como aconteceu com Egan Bernal quando foi contratado à Androni-Sidermec-Bottecchia (terá custado à Sky cerca de 350 mil euros).

"Narvaez torna-se no primeiro equatoriano a assinar pela Sky e faz parte da nova geração de de jovens sul-americanos a florescer na equipa", lê-se no comunicado da equipa. São neste momento três, pois além de Narvaez e Bernal, a Sky renovou com o colombiano Sebastián Henao (25 anos). O primo Sergio (30) vai para a UAE Team Emirates.

Falta então saber se Sosa, outro colombiano, se irá juntar a este trio sul-americano, depois de ter sido avançado que tinha chegado a acordo com a Trek-Segafredo, mas não terá assinado um contrato e a Sky terá intrometido-se. O director da Androni Giocattoli-Sidermec, Gianni Savio já admitiu publicamente que iria devolver o dinheiro que recebeu da equipa americana, dizendo que Sosa deveria estar a caminho da Sky. Também este colombiano tinha (e tem) mais um ano de contrato com a actual equipa.

Depois de ter nascido para ganhar o Tour e levar os ciclistas britânicos ao lugar mais alto do pódio nessa grande volta, a Sky vai-se rendendo aos talentos sul-americanos. Bradley Wiggins tornou-se no primeiro britânico a ganhar a Volta a França e uma grande volta. Seguiram-se Chris Froome e Geraint Thomas, com estes dois a serem ainda a aposta do presente. Com Bernal já se pensa em levar o primeiro colombiano a ganhar o Tour, já que Nairo Quintana (Movistar) não consegue em tempos recentes andar sequer lá perto.

Narvaez segue as pisadas de Richard Carapaz na afirmação do ciclismo equatoriano. O ciclista da Movistar venceu este ano uma etapa no Giro, tendo sido recebido como um herói no seu país.

Mas Narvaez não é o único jovem a ser uma das novas caras da Sky em 2019. A equipa contratou Filippo Ganna, italiano de 22 anos, especialista de contra-relógio e já campeão da Europa e do Mundo de perseguição individual, na pista, tendo batido Ivo Oliveira. Estava na UAE Team Emirates, para onde vão os gémeos portugueses, mas, em final de contrato, escolheu a Sky para continuar a carreira. Ao contrário de Narvaez que assinou por dois anos, Ganna só tem contrato para 2019.

A própria equipa salienta a forte presença de parceiros italianos, como a Castelli (vestuário) e Pinarello (bicicletas), por exemplo, pelo que é sempre importante ter um contingente interessantes de ciclistas daquele país, com Gianni Moscon à cabeça. Diego Rosa e o jovem Leonardo Basso completam o quarteto para já definido de italianos para 2019.

A juntar a Bernal, Narvaez e Ganna, a Sky tem um Pavel Sivakov (21 anos) que pode não ter "pegado" como Bernal, mas é um dos grandes talentos jovens do ciclismo. Com o fim antecipado da Aqua Blue Sport, a equipa contratou de imediato, em Setembro, Eddie Dunbar, irlandês de 22 anos. E há ainda o norueguês Kristoffer Halvorsen (22). Esta juventude irá continuar a evoluir com a experiência valiosa de Froome, Thomas, Vasil Kiryienka, Wout Poels...

Falta ainda saber o futuro de Tao Geoghegan Hart. O britânico de 23 anos é uma das revelações de 2018 e parece ter tudo para fazer parte de um bloco de apoio a Bernal e, talvez, ter também ele um papel de líder no futuro. Porém, ainda renovou.

Espanhol estreia-se no World Tour aos 31 anos

Edu Prades foi uma das figuras de uma Euskadi-Murias que teve um primeiro ano como Profissional Continental para recordar. Prades venceu a Volta à Noruega e Volta à Turquia , esta última da categoria principal, e não demorou muito à Movistar a anunciar que ia contratar o ciclista de 31 anos por uma temporada. Será a sua estreia no escalão principal, depois de já ter passado por Portugal, tendo em 2013 e 2014 representado a então OFM-Quinta da Lixa. Conquistou o Troféu Joaquim Agostinho. Prades junta-se a Carlos Verona (Mitchelton-Scott), Jurgen Roelandts (BMC) e Luis Mas (Caja Rural) nos reforços da Movistar para 2019.

As equipas vão ultimando os plantéis para a próxima época e nas recentes transferências destaque-se o regresso de Edward Theuns à Trek-Segafredo. O belga, de 27 anos, admitiu que não se adaptou à forma de trabalhar da Sunweb e terminou o contrato por mútuo acordo, regressando à equipa americana. A outra formação dos EUA, a EF Education First-Drapac p/b Cannondale assegurou um dos jovens talentos daquele país, Sean Bennett. Tem 22 anos, é um especialista de corridas por etapas e é mais um que a Hagens Berman Axeon de Axel Merckx coloca no World Tour.

Em Portugal irá assistir-se ao regresso de Tiago Machado ao pelotão nacional, nove anos depois, com o Sporting-Tavira a contratar o ainda ciclista da Katusha-Alpecin para liderar a equipa, numa altura em que irá perder Joni Brandão, que está de regresso à Efapel, que vê Daniel Mestre mudar-se para a W52-FC Porto.

Entre os portugueses, uma das grandes incógnitas continua a ser o futuro de Rui Costa, que está em final de contrato com a UAE Team Emirates. Ricardo Vilela deverá deixar a colombiana Manzana Postobón para rumar à espanhola Burgos-BH. Domingos Gonçalves também irá regressar a Espanha, mas à Caja Rural.