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| © Tim de Waele/Getty Images/Deceuninck-QuickStep |
8 de maio de 2021
Ganna, aquela máquina. Almeida começa forte
7 de outubro de 2020
João Almeida cada vez mais confiante
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| © Tim de Waele/Getty Images/DeceuninckQuickStep |
A política na Deceuninck-QuickStep continua a ser "vamos ver etapa a etapa". Porém, o objectivo passa por manter João Almeida de rosa o máximo de tempo possível, mas sem criar pressão num jovem que nunca fez uma prova de três semanas. Davide Bramati, director desportivo da equipa belga, afirmou isso mesmo ao Eurosport. Esta forma de lidar com o sucesso rápido de Almeida, conjugado com o apoio que os companheiros lhe estão a dar nas etapas, está a contribuir para que o português esteja a ganhar nome no World Tour e começa a parecer que ninguém quer dar muito mais espaço para que Almeida aumente em demasia a vantagem.
Os seus resultados até ao Giro, já o colocavam entre os melhores estreantes no World Tour em 2020. Agora apresenta credenciais numa grande volta, mesmo perante a incógnita de como será fazer uma prova de três semanas e de como o corpo reagirá, principalmente na última semana.
Mas o importante é o presente. Com Jonathan Caicedo (EF Pro Cycling) a perder tempo na longa subida de 25 quilómetros em Valico di Montescuro, já perto do final da longa tirada de 225 quilómetros entre Mileto e Camigliatello Silano, restou a João Almeida preocupar-se em ficar com o grupo principal. Não houve ataques, mas Vincenzo Nibali (Trek-Segafredo) ainda preocupou quando tentou descer na frente. Contudo, o mau tempo marcou o dia e a estrada estava demasiado perigosa para Nibali arriscar.
Almeida nem sempre esteve na melhor posição. O ritmo por vezes aumentava bastante, fruto das equipas que foram testando a resistência não só do camisola rosa, mas de rivais aos seus líderes. Almeida nunca entrou em pânico.
O melhor ficou para o fim. Filippo Ganna venceu isolado, no segundo triunfo para o italiano da Ineos Grenadiers, depois de vencer o contra-relógio inaugural. Com bonificações em jogo, João Almeida sprintou na curta subida para a meta. Só Patrick Konrad, da Bora-Hansgrohe o bateu. São mais quatro segundos para o português, agora com Pello Bilbao (Bahrain-McLaren) na segunda posição, a 43 segundos, Wilco Kelderman (Sunweb), a 48, Harm Vanhoucke (Lotto Soudal) - outro jovem a surpreender - a 59 e Vincenzo Nibali agora a 1:01.
A pergunta começa a ser até quando Almeida ficará de rosa?
"Estou contente por ter conseguido [segundos de bonificação] e aumentado a minha vantagem na classificação geral. Tenho dois top três nas primeiras cinco etapas da corrida, duas camisolas [a rosa e a branca, da juventude] e a minha confiança está a aumentar a cada dia, o que é bom para as próximas etapas", afirmou João Almeida. O ciclista não esqueceu como está a ter o apoio dos seus companheiros, que chegaram ao Giro com liberdade para procurar vitórias e que agora estão a proteger o português.
Com apenas 22 anos, Almeida está a demonstrar que a rosa não é nenhum acidente e que tem capacidade de liderança. Na Deceuninck-QuickStep a expectativa para mais esta aposta de sucesso cresce e já nem se fala muito da ausência de Remco Evenepoel, que antes da queda a Lombardia, era apontado como um favorito. Mais uma vez a formação belga mostra como tem uma equipa forte e não apenas uma ou duas grandes figuras.
E há que referir como João Almeida faz mais um pouco de história. Quando esta quinta-feira partir em Castrovillari, será o ciclista português que envergou a camisola rosa durante mais tempo. Será o terceiro dia, mais um do que Acácio da Silva, o primeiro a fazê-lo em 1989, em dois dias não consecutivos.
Classificações completas, via ProCyclingStats.
6ª etapa: Castrovillari - Matera, 188 quilómetros
Em condições normais, Almeida até poderá segurar a camisola rosa até domingo. Só nesse dia surgirá nova etapa de montanha mais complicada. Porém, a Deceuninck-QuickStep sabe que não pode facilitar. A tirada desta quinta-feira tem muito sobe e desce na fase inicial, ainda que a única subida categorizada (terceira) esteja mais perto do final.
Com a Bora-Hansgrohe dedicada a levar Peter Sagan a uma vitória que está difícil acontecer em 2020, não é de afastar que o ritmo volte a ser alto, como aconteceu na terceira tirada. Entre os diferentes objectivos de vários ciclistas, neste Giro não se tem andado devagar.
3 de outubro de 2020
Só o campeão do mundo bateu João Almeida na estreia no Giro
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| ©Tim De Waele/Getty Images/Deceuninck-QuickStep |
Essa está com Filippo Ganna. Está numa série imparável de resultados em contra-relógio. Foi campeão nacional, depois venceu a etapa de esforço individual no Tirreno-Adriatico, foi a Imola sagrar-se campeão do mundo e agora vestiu a camisola rosa. A Ineos Grenadiers entra bem melhor no Giro do que saiu do Tour.
E só o melhor bateu João Almeida. Curiosamente, Ganna já tem um passado em deixar um português em segundo. Ivo Oliveira que o diga na perseguição individual, na pista. Mas para João Almeida, estar aos 22 anos no Giro e começar assim, é uma exibição que sabe a vitória, numa uma carreira que está a dar os passos certos a cada temporada e com uma entrada muito forte no World Tour. O ciclista da Caldas foi chamado para Itália sem a pressão de alcançar resultados, sendo o momento para perceber como é competir em três semanas. Entrou em grande e começar desta forma a Volta a Itália é, para Almeida, "perfeito".
"Conseguir um segundo lugar na minha primeira etapa numa grande volta, é o início perfeito, que me deixa muito feliz e alimenta a minha confiança para as próximas três semanas", admitiu o ciclista. E se vestir a rosa e repetir o feito de Acácio da Silva fica agora na mira de João Almeida, o português irá vestir uma das camisolas: a ciclamino. Será por "empréstimo" de Ganna, mas este domingo Almeida terá o seu destaque no pelotão, que tem mais um nome da nova geração a ter em conta.
Sobre o contra-relógio, João Almeida referiu como o vento estava forte e com uma subida logo no início dos 15,1 quilómetros e ainda uma secção de empedrado... "Não foi nada fácil", disse. "Tive algumas dificuldades, mas mantive o foco e pedalei ao meu ritmo", acrescentou. Realçou como na descida e na parte mais plana não tomou riscos, "especialmente com o vento a vir da esquerda e depois da direita". Estar sentado no lugar de quem tem o melhor tempo "foi uma honra".
As distâncias
Num contra-relógio mesmo ao jeito de Filippo Ganna (completou a distância em 15:24 minutos), João Almeida viu ficar atrás de si Rohan Dennis (Ineos Grenadiers), por exemplo, campeão do mundo de contra-relógio de 2018 e 2019. O australiano fez mais 26 segundos do que o português. Mikkel Bjerg (UAE Team Emirates) - o único ciclista a conquistar três títulos mundiais de contra-relógio de sub-23 - perdeu por centésimas e Geraint Thomas (Ineos Grenadiers) fez mais um segundo, o que na luta entre os candidatos à geral, fez com que o galês saísse de Palermo com vantagem sobre os adversários directos.
Lawson Craddock (EF Pro Cycling), Mathias Brändle (Israel Start-Up Nation), Victor Campenaerts (NTT) foram todos batidos, com este último a ser uma desilusão ao perder 1:07 para Ganna, quando era um dos candidatos à vitória. Mau ano para o belga até agora.
Este é um daqueles dias para mais tarde recordar para João Almeida. Sem Remco Evenepoel, a recuperar da grave queda na Lombardia, a Deceuninck-QuickStep vê outro jovem aproveitar - e de que maneira - a oportunidade. É uma dose de confiança para toda a equipa.
Mas há outra orgulhosa do que aconteceu no primeiro dia do Giro. A Hagens Berman Axeon, do escalão ProTeam, viu três dos ciclistas que ajudou a formar terminarem no top dez: João Almeida (segundo), Bjerg (terceiro) e Lawson Craddock (oitavo). "Não podíamos estar mais orgulhosos", escreveu a equipa no Twitter.
Há mais um português em prova, Rúben Guerreiro fez mais 1:37 do que Ganna, num bom contra-relógio para o ciclista da EF Pro Cycling).
Classificações completas, via ProCyclingStats.
2ª etapa: Alcamo - Agrigento, 149 quilómetros
A curta ascensão final, já perto da meta, terá 5% de pendente média, com uma zona a chegar aos 9%. Tal poderá eliminar alguns dos sprinters, mas Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) tentará finalmente ganhar em 2020. Contudo, Michael Matthews (Sunweb) está no Giro para vencer.
25 de setembro de 2020
Filippo Ganna, a confirmação
Pela primeira vez, Itália conquista em título mundial de contra-relógio em elite e logo nuns Mundiais que, inesperadamente, acabaram por se realizar naquele país, depois da organização suíça de Aigle-Martigny ter cancelado devido à pandemia. Nos 31,7 quilómetros de Imola, Ganna foi dono e senhor da estrada, com o bicampeão Rohan Dennis a ficar a 39 segundos (quinto lugar). O título muda de país, mas fica na Ineos Grenadiers... se Ganna renovar (publicamente ainda não foi anunciado qualquer acordo).
Ganna ficou algo incrédulo com a vitória. Emoções do momento, porque o italiano era um dos grandes favoritos, depois de no ano passado ter sido terceiro. O percurso plano e não muito longo, encaixava perfeitamente nas suas características. Wout van Aert era um dos seus maiores adversários, mas desta feita o belga teve de se contentar com a medalha de prata, fazendo mais 26 segundos que os 35:54 minutos de Ganna.
O italiano terminou com uma velocidade média de 52,89 quilómetros/hora, num traçado que teve o vento a dificultar durante uma parte (as rajadas aproximaram-se dos 40 quilómetros/hora), mas a ajudar quando esteve de costas.
Ainda lhe foi dado um alternativo, mas não encaixava e Thomas fez o contra-relógio sem qualquer indicação de velocidade, potência, tempo ou sequer quilómetros, como o próprio contou. O pódio ficou a oito segundos, em mais um bom resultado de um ciclista que está a subir de forma, rumo à Volta a Itália que arranca daqui a uma semana.
Quanto a Ganna, aos 24 anos cumpre na estrada o que já prometia na pista. Conquistou vários títulos entre europeus e mundiais, com destaque para os de perseguição individual. Dois deles à custa de Ivo Oliveira. Em 2016 foi campeão europeu de sub-23 batendo o português, repetindo o feito em 2018 nos Mundiais de elite.
Na estrada, a sua evolução tem sido feita com calma e também não deixou por completo a pista. Já conta com dois títulos nacionais de contra-relógio e algumas outras vitórias, como aconteceu recentemente no Tirreno-Adriatico. Novamente no contra-relógio. Mas em 2016 venceu o Paris-Roubaix para juniores.
No World Tour, começou em 2015 como estagiário da então Lampre-Merida e em 2017 assinou pela UAE Team Emirates, herdeira da estrutura italiana. Porém, está desde 2019 na Ineos e o título mundial poderá ser a projecção que lhe estava a faltar.
Os portugueses
O seleccionador José Poeira bem tinha avisado que o contra-relógio de Imola favorecia ciclistas mais possantes. No entanto, apesar de ser curto e com pouca dificuldade para as características de Nelson Oliveira, o ciclista português ficou à porta do top dez, algo que já alcançou em quatro ocasiões. 99 centésimos, foi essa a diferença! Foi Tom Dumoulin que "tirou" essa hipótese a Nelson Oliveira, apesar do holandês quase ter caído à entrada do autódromo Enzo e Dino Ferrari, onde a prova terminou.
Oliveira foi 11º, a 1:15 minutos de Ganna, enquanto o outro Oliveira, Ivo, participou pela primeira vez num Mundial como ciclista de elite. Fechou em 34º, a 3:23 do vencedor.
"O Nelson não começou com o ritmo que lhe conhecemos. Os primeiros 7/8 quilómetros foram responsáveis por o resultado não ser ainda melhor. Na fase final andou muito bem. Foi pena o contra-relógio ser tão curto", explicou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo. Quanto a Ivo Oliveira: "Gostei da prova que fez. Não foi perfeita, mas foi muito bem conseguida. Não sendo perfeita foi uma boa corrida, sobretudo se tivermos em conta que foi a estreia num Mundial de elite."
Este sábado realiza-se a prova feminina de fundo, recordando-se que a holandesa Anna van der Breggen conquistou o título de contra-relógio. No domingo, é a vez dos homens competirem no circuito, que após nove voltas terá 258,2 quilómetros de extensão, com cinco mil de acumulado, dada apenas a duas subidas. As senhoras farão 143 quilómetros, com 2800 de acumulado.
A Equipa Portugal terá em prova novamente os dois Oliveira, assim como Rui Costa (campeão do mundo em 2013) e Rúben Guerreiro.
Classificação do conta-relógio, via ProCyclingStats.
»»Menos dias de Volta a Portugal será uma experiência interessante««20 de outubro de 2018
Sky prepara o futuro com uma base sul-americana
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| (Fotografia: Twitter Quick-Step Floors) |










