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28 de março de 2019

Atirou bicicleta de outra ciclista para longe. A resposta: "Pelo menos atira na minha direcção!"

(Imagem: print screen)
A Driedaagse Brugge-De Panne (ou Três Dias de De Panne, versão um dia) volta a ter um vídeo em destaque que não é o sprint final. Um dia depois de na corrida masculina ter havido um excelente exemplo de companheirismo, na feminina houve um exemplo de exactamente o contrário. Foi "no calor do momento", justificou Elisa Longo Borghini, mas atirar a bicicleta de outra ciclista para longe após uma queda não foi um gesto nada bonito. A resposta não se fez esperar.

A italiana da Trek-Segafredo caiu juntamente com Lizzy Banks (Bigla Pro Cycling). As bicicletas ficaram entrelaçadas e Borghini teve dificuldade em separá-las. Banks estava uns metros mais atrás, ainda a tentar recuperar. Borghini lá conseguiu o que pretendia e foi a bicicleta da ciclista da outra equipa que saiu primeiro e a opção da italiana foi atirá-la para fora da estrada, longe de onde estava Banks. "Pelo menos atira a bicicleta na minha direcção, eh", escreveu a britânica no Twitter, explicando que regressou à corrida na sua bicicleta suplente, mas acabou por abandonar dada a incapacidade de reentrar no grupo da frente.

Borghini, uma das melhores ciclistas do pelotão feminino, também recorreu ao Twitter para admitir o erro. "Peço desculpa pelo atirar da bicicleta. Foi feito no calor do momento e eu estava muito frustrada porque as bicicletas não se desemaranhavam. Foi inaceitável e eu sinto mesmo muito. As minhas desculpas à Bigla Pro Cycling. Eu nunca intencionalmente causaria danos em alguém ou na sua propriedade", escreveu.


A italiana terminou a corrida na 82ª posição, a 23 segundos da vencedora Kirsten Wild (WNT-Rotor Pro Cycling). De referir que a portuguesa Daniela Reis (Doltcini-Van Eyck Sport) foi 43ª, a oito segundos.

Borghini talvez consiga entrar na lista dos melhores "lançamentos de bicicleta" e perante o que a italiana fez, torna-se irresistível recordar um dos mais memoráveis. É que se tentasse fazer de propósito, Bradley Wiggins, recuando a 2013 ao Giro del Trentino, nunca teria conseguido fazer isto...




»»O gesto de companheirismo no meio do caos««

»»Mais um incidente depois da meta a provocar a queda de ciclistas««

27 de março de 2019

O gesto de companheirismo no meio do caos

(Imagem: print screen)
Dia de vídeos no ciclismo. Ainda estamos a tentar recuperar o fôlego depois de ver Niccolo Bonifazio (Direct Energie) descer a mais de 85 quilómetros/hora na Milano-Sanremo, mas esta quarta-feira mais dois vídeos estão a chamar muita atenção. Um mais do que outro, mas vamos começar pelas imagens que demonstram o que de bom pode ter o ser humano, antes de se falar de um acto de insensibilidade total.

Na Driedaagse Brugge-De Panne (conhecida por Três Dias de De Panne, mas que agora é só um dia) um estreitamento de estrada provocou o caos a pouco mais de dez quilómetros para a meta. Vários ciclistas foram ao chão, até se vê uma bicicleta a voar. Entre a confusão, Pascal Ackermann (Bora-Hansgrohe) chamou a atenção por ser um dos afectados, já que era uma dos candidatos à vitória. Vê-se o alemão a tentar levantar-se, enquanto por baixo dele estava outro ciclista, da Israel Cycling Academy. E uma bicicleta no meio de ambos.

Não há aqui qualquer crítica a Ackermann. Já se sabe que quando um ciclista cai, normalmente a primeira coisa que pensa é em seguir caminho o mais rapidamente possível. Há que destacar o que se vê pouco depois. Enquanto o alemão tenta regressar à corrida, um corredor da Mitchelton-Scott encosta a sua bicicleta e vai ajudar o homem da Israel Cycling Academy. É que além de Ackermann, tinha então uma bicicleta em cima do seu corpo. O atleta da equipa australiana não só tira a bicicleta, como dirigi-se ao companheiro de profissão.

Nas imagens só se voltou a ver o ciclista da formação israelita já levantado. A equipa e o corredor que estava no chão ajudaram a perceber o que aconteceu, aproveitando no Twitter para agradecer o gesto de Michael Hepburn, o ciclista da Michelton-Scott. Zak Dempster, o corredor da Israel Cycling Academy, tem em comum com o seu "salvador" ser australiano... e tê-lo como amigo.

"Heppy é um dos meus bons amigos e eu estava como que um pouco estranhamente preso debaixo da minha bicicleta e sem fôlego. Eu só o ouvi perguntar 'estás bem' e depois começou a tirar as bicicletas de cima de mim. Foi muito simpático por parte do Michael e é por isso que é dos meus melhores companheiros", afirmou um agradecido Dempster.

No Twitter, a Israel Cycling Academy partilhou o vídeo, agradecendo o gesto e afirmando que não ficou surpreendida. Aqui ficam as imagens.


De referir que esta Driedaagse Brugge-De Panne teve outra imagem que vale a pena ver, que é Dylan Groenewegen (Jumbo-Visma) a ganhar ao sprint com tanta autoridade que parecia que Fernando Gaviria (UAE Team Emirates) ia devagar!

Quanto ao outro vídeo, esse tornou-se mais viral e envolve o português Domingos Gonçalves. O ciclista da Caja Rural sofreu uma aparatosa queda na primeira etapa da Volta à Catalunha e um homem que assistia à descida filmou o incidente. Até aqui tudo bem. O que está a provocar muito desagrado é a reacção: riu-se e até brincou que lhe ia roubar a bicicleta.

Domingos Gonçalves partiu a clavícula e a omoplata. Poucas razões para sequer sorrir, certamente. A reacção do homem está a sofrer fortes críticas nas redes sociais e nos sites espanhóis que noticiaram esta atitude insensível para com o ciclista que ainda se ouve a gemer com as dores que as lesões lhe estavam a provocar.

Mas para terminar antes com um exemplo do que de bom esta modalidade tem - o espectáculo desportivo que pode proporcionar -, aqui fica a alucinante descida de Bonifazio na Milano-Sanremo de sábado.


»»Milano-Sanremo o monumento dos sprinters? A tradição já não é o que era««


»»Movistar com quase toda a equipa em final de contrato««