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16 de janeiro de 2020

Convites para o Giro ficam em casa

(© Giro d'Italia)
No ano em que as organizações viram reduzidos os convites que podiam atribuir para as suas corridas, grandes voltas e não só, no que diz respeito às provas de três semanas a escolha está a recair em garantir a presença das equipas da casa. Foi assim com a ASO na Volta a França e agora a RCS Sport seguiu o exemplo para o Giro. Até teve direito a mais um wildcard do que o inicialmente previsto, pelo que foi possível colocar as três equipas italianas sobreviventes no segundo escalão do ciclismo, as ProTeams.

Androni Giocattoli-Sidermec, Bardiani-CSF-Faizanè e Vini Zabù-KTM (a antiga Neri Sottoli-Selle Italia-KTM) têm lugar garantido na Volta a Itália (de 9 a 31 de Maio), para alívio dos responsáveis das três formações. Com as novas regras estabelecidas pela UCI, as organizações passaram a dispor de dois convites em vez dos habituais quatro. A vencedora do ranking entre as ProTeams no ano anterior - neste caso a francesa Total Direct Energie - fica com presença assegurada e com a subida da Cofidis a World Tour, passaram a ser 19 equipas neste nível e o limite nas provas de três semanas continua a ser de 22 formações.

Mauro Vegni acabou por beneficiar do abdicar da Total Direct Energie no que diz respeito ao Giro (irá ao Tour e à Vuelta), algo também previsto nos regulamentos. Desta forma, o director da corrida passou a ter três convites, algo que muito desejava para não ter de deixar uma das formações italianas de fora. Não é que já não o tenha feito no passado recente, quando até dispunha de quatro convites. Contudo, Itália não tem representantes no World Tour e no segundo escalão a Nippo Vini Fantini Faizanè-Selle Italia fechou portas no final de 2019, pois tornou-se ainda mais difícil garantir patrocinadores quando não se consegue "vender" uma provável presença no Giro. Era importante que as três estruturas resistentes tivessem espaço na grande volta italiana.

Algumas notícias deram conta que a organização da Volta a Itália até teria oferecido dinheiro à Total Direct Energie para que esta abdicasse do seu lugar, mas oficialmente a decisão foi justificada com a falta de capacidade para competir num calendário tão extenso, sendo que o principal objectivo continua a ser cumprir o calendário francês, independentemente da categoria a que as corridas pertençam.

Nas últimas duas temporadas a Israel Cycling Academy havia sido uma das convidadas para o Giro, mas este ano também não era uma concorrente para as equipas italianas, pois comprou a licença World Tour da Katusha-Alpecin, subindo assim de escalão. Chama-se agora Israel Start-Up Nation.

A RCS Sport também anunciou os wildcards para outras das suas corridas. O destaque vai inevitavelmente para os que foram entregues à Alpecin-Fenix, que abrem as portas a Mathieu van der Poel à sempre espectacular Strade Bianche e ao monumento Milano-Sanremo. Mais uma oportunidade para o holandês começar a ganhar nos chamados cinco monumentos, pois já sabia que podia estar presente na Volta a Flandres e Paris-Roubaix.

»»Terminou a espera. B&B Hotels-Vital Concept vai ao Tour««

»»A dor de cabeça para a atribuição dos convites««

16 de maio de 2019

Reviravolta no Giro e uns novos pontos de interesse

(Fotografia: Giro d'Italia)
Primoz Roglic perder a camisola rosa para um ciclista que não fosse um rival directo, era absolutamente expectável. Não era sensato ter uma Jumbo-Visma estar a tentar segurar uma liderança desde o primeiro dia, pois poderia pagar um preço alto nas etapas mais decisivas. Porém, deixar um ciclista ficar a 5:24 minutos de distância, ainda mais um que tem bastante qualidade, acabou por ser algo estranho. Menosprezar Valerio Conti também não é sensato. É difícil vê-lo como um candidato, mesmo com esta posição. Nem o próprio se vê como tal nesta fase do Giro. Ainda assim, vestir uma camisola de liderança pode ajudar a transformar um corredor.

Uma coisa é certa, a Volta a Itália deu uma daquelas reviravoltas bem ao estilo desta corrida. E que haja imprevisibilidade! O grupo de favoritos à partida do Giro mantém-se junto. E esteve tão junto nesta etapa, que nenhuma das equipas se preocupou em garantir que a diferença não fosse tão expressiva.

Pode-se pensar que num mau dia, Conti perde a vantagem quase toda, se não toda. Pode-se pensar que não é o melhor dos contra-relogistas. Pode de facto não ser um candidato, mas pode entrar numas contas que vai perturbar objectivos de certos ciclistas. O top dez passa a ser algo possível e, com o decorrer dos dias, a reacção do corpo e da mente de Conti à responsabilidade que assumiu, irá ditar se não vai sonhar com mais.

Não é inédito um ciclista fora do radar ver-se nesta posição e depois andar mais tempo do que o esperado a baralhar as contas dos favoritos. Conti já garantiu que fará tudo para manter a rosa o máximo de tempo possível, numa altura em que ainda nem acredita que o sonho concretizou-se. O italiano da UAE Team Emirates havia dito antes da etapa que a rosa era um objectivo. Ficar com 5:24 de vantagem sobre Roglic foi um tremendo bónus.

A Jumbo-Visma escolheu largar a rosa. Decisão ainda mais correcta depois de Roglic ter caído na fase inicial da etapa e ter ficado um pouco mal tratado na nádega direita. A equipa holandesa bem chamou uma Mitchelton-Scott, Astana ou Bahrain-Merida a ajudar na perseguição a 11 ciclistas, entre eles o português Amaro Antunes (CCC). As equipas chegaram a pedalar lado a lado, mas sem ninguém assumir fosse o que fosse. A Jumbo-Visma lá fez o trabalho, mas sem se cansar. A vantagem da fuga chegou a estar próximo dos oito minutos perto do final, mas uma aceleração depois da única subida do dia, lá baixou para os 7:17. Ninguém sequer atacou Roglic na subida, para testar como estaria o esloveno após a queda. Ficaram todos a resguardar-se para o que aí vem. Alianças é que nem pensar nesta fase.

E o que aí vem é um Giro com mais pontos de interesse. Conti pode ter uma equipa muito concentrada em Fernando Gaviria, mas Jan Polanc e mesmo Diego Ulissi podem dar uma ajuda ao camisola rosa para, pelo menos, prolongar este momento especial na vida de uma equipa que ficou com a antiga Lampre-Merida, uma estrutura italiana. Conti, aos 26 anos, está a viver um momento alto na carreira, ele que já venceu uma etapa na Vuelta em 2016.

Mas além de Conti, há um nome que ainda há 24 horas estava fora de qualquer luta devido a uma pobre decisão da Sunweb. Sam Oomen ficou com Dumoulin após a queda do líder e perdeu muito tempo. Após o abandono do chefe-de-fila, a Sunweb ficou sem soluções. Ou talvez não. Oomen esteve na fuga certa e até ficou à frente de Roglic na classificação, por 27 segundos. Nada que o esloveno não recupere no contra-relógio. Ainda assim, a Sunweb está de volta a várias lutas, com um jovem que tem estado a preparar para um dia ser também ele um voltista. A oportunidade apresentou-se mais cedo e Oomen é um homem a seguir com atenção, pois pode bem entrar na disputa por mais do que o top dez e também pela juventude.

Bem se escreveu que uma reviravolta poderia mudar tudo para a Sunweb e ela chegou rápido. Acabou por ser um dia importante para esta equipa, mas principalmente para a UAE Team Emirates. Com dois ciclistas excluídos por suspeitas de doping, ter Conti de rosa foi o melhor que poderia ter acontecido. Juan Sebastián Molano apresentou resultados anómalos nuns testes internos e a UAE Team Emirates mandou-o para casa, perdendo Gaviria um dos seus lançadores. O nome de Kristijan Durasek apareceu envolvido na Operação Aderlass e a Volta à Califórnia do croata terminou mais cedo.

(Fotografia: Giro d'Italia)
Mas por falar em dia importante, sete anos depois a Androni Giocattoli-Sidermec voltou a ganhar uma etapa no Giro. Fausto Masnada está a tornar-se num caso sério de sucesso no ciclismo italiano. Já se sabia que estava em boa forma depois de ganhar duas tiradas na Volta aos Alpes, mas hoje foi mais uma exibição de grande nível, num dos maiores palcos da modalidade. Masnada e Conti deixaram o grupo de fugitivos e, não havendo confirmação de terem combinado o resultado final, o primeiro ficou com uma etapa que muito desejava - queria dedicar uma vitória ao tio que faleceu antes do Giro - e Conti com uma sonhada maglia rosa. Perfeito para ambos. De referir que foi uma vitória de uma equipa Profissional Continental.

Muito positivo também para Amaro Antunes. Na sua estreia numa grande volta foi 10º na etapa e agora é sexto na geral, a 2:45 de Conti. O português adoraria ganhar uma etapa, mas será que, se conseguir ir melhorando a sua condição física, poderá tentar segurar um top dez. O contra-relógio de domingo poderá ajudar nessa decisão.

Aqui ficam as classificações completas, via ProCycling Stats, com um top dez completamente novo.

7ª etapa: Vasto - L'Aquila, 185 quilómetros


Será uma etapa com um significado diferente. A passagem por Áquila é uma forma de recordar e homenagear os mais de 300 mortos no sismo de há dez anos. O pelotão passará por algumas das zonas que foram então afectadas, nuns últimos quilómetros, após a segunda categoria, com subidas curtas, mas nem sempre fáceis. A final, por exemplo, chega a ter uma pendente de 11%, com uma média de sete.




»»Sunweb sem Dumoulin e sem soluções««

»»Dumoulin, Roglic, Carapaz e um Landa a ter de pedir desculpa««

25 de janeiro de 2019

Convites para o Giro finalmente anunciados. Israel Cycling Academy está de novo entre as equipas eleitas

(Fotografia: Giro d'Italia)
Não estava fácil a decisão, com o anúncio a ser adiado cerca de uma semana. Finalmente os convites para a Volta a Itália foram revelados e não foram boas notícias para uma das equipas da casa, ainda que tenha sido um alívio para outra. Este é o último ano em que as organizações podem atribuir os quatro wildcards para as grandes voltas, pois a partir de 2020 só terão dois, com os restantes a serem automaticamente garantidos pelas duas melhores equipas Profissionais Continentais do ano anterior.

A RCS Sport resistiu à tentação, por assim dizer, de garantir que as quatro formações italianas participassem no Giro, não esquecendo que actualmente o país não tem nenhuma do World Tour. A Israel Cycling Academy voltou a ser uma das eleitas. Se há um ano não surpreendeu a escolha, tendo em conta que a corrida começou em Israel, já em 2019 a escolha estava longe de ser óbvia. Não encantou na edição passada - o melhor foi o segundo lugar de Rubén Plaza numa etapa e a presença em algumas fugas - e nem é das equipas mais fortes do segundo escalão. Porém, a conhecida ambição de subir ao World Tour em 2020 - fala-se da possibilidade de ficar com a Sky - e com a Wanty-Groupe Gobert e a Cofidis mais interessadas no Tour, os dois factores podem ter ajudado a candidatura da formação israelita. E sempre tem três italianos no plantel: Davide Cimolai, Riccardo Minali e Kristian Sbaragli.

A preterida foi a Neri Sottoli-Selle Italia-KTM, novo nome da Wilier Triestina-Selle Italia. Desde 2010 que a equipa não falhava um Giro, o que ajudava o peso do patrocinador e também a presença de Filippo Pozzato. O veterano ciclista retirou-se e a estrutura teve ainda de procurar por um novo patrocínio. Contratou Giovanni Visconti e Dayer Quintana, mas não convenceu a RCS Sport. Agora poderá passar pelo susto da Androni Giocattoli-Sidermec, que ao ficar de fora do Giro viu o seu futuro tremido, pois afinal, os patrocinadores italianos olham muito para a possibilidade de ver o nome numa das mais importantes corridas de ciclismo.

Gianni Savio começou a apostar tudo na Taça de Itália. Quem a vence, fica automaticamente com um convite para o Giro, ainda que não se saiba se a política irá manter-se em 2020. Assim a Androni Giocattoli-Sidermec assegurou nos últimos dois anos o seu lugar. A Nippo Vini Fantini Faizanè também viveu o mesmo problema, mas a parceria entre Itália e Japão deu alguma segurança à estrutura que vai agora regressar à Volta a Itália, o que não deixará de ser um alívio. Há um ano, a ausência do convite fez com que Damiano Cunego não pudesse cumprir o seu desejo de despedir-se na corrida que venceu em 2004.

A Bardiani-CSF fecha o lote dos quatro convites, não havendo surpresas neste caso. Mesmo quando dois ciclistas foram suspensos um dia antes do arranque do Giro100 e apesar do director da corrida, Mauro Vegni, até ter chegado a ameaçar levar a equipa a tribunal caso considerasse que haviam sido feitos danos à imagem do Giro, no ano seguinte, em 2018, atribuiu novamente um convite à equipa. É normalmente das mais activas, justificando a escolha.

A Volta a Itália realiza-se entre 11 de Maio e 2 de Junho, com início em Bolonha e final em Verona, ambos os dias com um contra-relógio individual.

Foram esta sexta-feira anunciados também os convites para outras corridas da RCS Sport, ficando a faltar a Lombardia. A 
Neri Sottoli-Selle Italia-KTM foi, de certa forma, compensada pela ausência no Giro e terá lugar garantido na Strade Bianche, Milano-Sanremo e Tirreno-Adriatico.

Strade Bianche (9 de Março): Neri Sottoli-Selle Italia-KTM, Nippo Vini Fantini Faizanè e a francesa Vital Concept-B&B Hotels.

Tirreno-Adriatico (13 a 19 de Março): Bardiani-CSF, Neri Sottoli-Selle Italia-KTM, Israel Cycling Academy, a francesa Cofidis e a russa Gazprom-Rusvelo.

Milano-Sanremo (23 de Março): Androni Giocattoli-Sidermec, Bardiani-CSF, Neri Sottoli-Selle Italia-KTM, Israel Cycling Academy, as francesas Cofidis e Direct Energie e a americana Novo Nordisk.



9 de outubro de 2018

Sky estará a preparar-se para "tirar" Iván Sosa à Trek-Segafredo

Sosa chegou a liderar a Volta aos Alpes
(Fotografia: Facebook Volta aos Alpes)
Está a tornar-se na novela de transferências desta temporada. Em Setembro, a Trek-Segafredo anunciou a contratação de mais um jovem talento colombiano. Iván Sosa (Androni Giocattoli-Sidermec) impressionou este ano, principalmente desde a Volta aos Alpes, que chegou a liderar por um dia. Foi depois vencer quatro corridas por etapas, com destaque para a Volta a Burgos (2.HC). Sem surpresa, despertou o interesse das equipas do World Tour, entre elas a Sky, que poderá estar perto de perder aquele que poderia ser a sua futura estrela nas corridas de três semanas.

Apesar de tanto a equipa americana, como o ciclista terem anunciado um acordo, nada terá sido assinado e começa então a novela com a entrada da Sky em cena. A mudança para a Trek-Segafredo foi negociada pelos então agentes do ciclista de 20 anos, Paolo Alberati e Maurizio Fondriest, dois ex-corredores. Entretanto, Sosa mudou de empresário. Giuseppe Acquadro tem uma relação próxima com a Sky, representando, entre outros, Egan Bernal, o colombiano que a equipa inglesa foi buscar também à Androni e que conquistou o World Tour em pouco tempo esta época.

Segundo o Cycling NewsAcquadro informou a Trek-Segafredo no final da semana passada, que Sosa não iria para a equipa em 2019. A Sky pode então ser o possível destino, ainda que a formação britânica nada tenha confirmado. Levantou-se então a questão do dinheiro pago pela Trek-Segafredo à Androni Giocattoli-Sidermec para ficar com o ciclista que ainda tinha contrato com a equipa italiana Profissional Continental até 2019.

Em causa estão 120 mil euros. Gianni Savio, director da equipa, garantiu ao Cycling News que irá devolver o dinheiro. "Pelo que sei o Iván vai para a Sky em 2019. Isso significa que irei devolver o bónus de desenvolvimento que recebi da Trek-Segafredo no Verão e receberei outro da Sky", explicou o responsável italiano. Este "bónus desenvolvimento" é uma espécie de cláusula para libertar o ciclista mais cedo do seu contrato, compensando assim o trabalho que foi realizado no desenvolvimento do corredor, que chegou à estrutura transalpina em 2017. Ao contrário do futebol, por exemplo, quem forma um ciclista nada recebe se este ao, terminar o seu vínculo contratual, decidir ir para outra equipa.

Estando sob contrato, é uma forma de garantir algum encaixe financeiro ao permitir que o ciclista saia mais cedo. Foi o que aconteceu com Egan Bernal. Então, Savio terá recebido qualquer coisa como 350 mil euros da Sky. Sosa também beneficiará financeiramente desta mudança de planos, pois deverá receber um salário mais alto na Sky, do que o oferecido pela Trek-Segafredo. A confirmar-se este volte face na transferência de Sosa, a Sky juntará dois talentos colombianos. Há ainda o rumor que Jhonatan Narváez também poderá reforçar a equipa de Dave Brailsford.

O equatoriano tem contrato com a Quick-Step Floors até 2020, mas a Sky quererá tentar contratá-lo antes, fazendo-se valer de uma possível contenção financeira da equipa belga. No entanto, já apareceu um patrocinador a Deceuninck que oferece novamente estabilidade monetária à formação, pelo que o equatoriano deverá ficar onde está.  A única dúvida neste caso será mesmo Fernando Gaviria que, segundo o director Patrick Lefevere, ainda não está garantindo que cumpra o contrato até 2019, dependendo do que foi ou não assinado com a UAE Team Emirates, numa altura em que o sprinter teve autorização para falar com outras equipas.

Mas regressando aos colombianos e à Sky. Depois de um primeiro ano sensacional, com a conquista da Volta à Califórnia e um Tour de grande nível como gregário de Geraint Thomas e Chris Froome, Bernal não deverá demorar muito a ter uma oportunidade para liderar a equipa numa grande volta. Recentemente renovou contrato até 2023. Sosa irá ter o seu ano de adaptação. Fosse na Sky ou na Trek-Segafredo, a expectativa seria sempre enorme depois do que fez em 2018, mas indo para a equipa britânica, terá de saber lidar com as inevitáveis comparações que irão surgir com Bernal. Não terá também tanto espaço para se destacar tão rapidamente, como poderia acontecer na Trek-Segafredo, que não tem tantos ciclistas com as características de Sosa, como tem a Sky.

E quem ficará a perder e muito é mesmo a Trek-Segafredo. Richie Porte (BMC) foi contratado com o objectivo de dar no imediato uma maior força à equipa nas três semanas. No entanto, a idade tem o seu peso. Porte fará 34 anos em Janeiro e a Trek-Segafredo está a necessitar de sangue novo na equipa. Este ano soma 20 vitórias, mas apenas quatro no World Tour. John Degenkolb ainda não rendeu o que se esperava nas clássicas e sprints, havendo esperança que o triunfo na etapa de Roubaix no Tour possa ser o tónico que o alemão precisa para a próxima época de clássicas.

Nas três semanas, Bauke Mollema é um ciclista de top dez ou de luta por etapas e a grande aposta Alberto Contador apenas ficou uma temporada na equipa. Richie Porte é um excelente ciclista, mas nunca venceu uma etapa numa grande volta, nem tem um pódio. É perseguido por azares, mas se no imediato até poderá dar à Trek-Segafredo uma maior esperança de alcançar algo de importante numa grande volta, Sosa era o futuro que os responsáveis da estrutura americana procuravam. Essa esperança irá agora recair toda em Giulio Ciccone. O italiano de 23 anos da Bardiani-CSF demonstra enorme potencial. Sem Sosa, poderá conquistar mais rapidamente algum protagonismo.

Quanto à Androni Giocattoli-Sidermec, Gianni Savio já se fez valer dos seus conhecimentos na América Latina, principalmente na Colômbia, para garantir mais um potencial ciclista a dar nas vistas. Daniel Muñoz (21 anos) já assinou por três temporadas. Em 2016 esteve na Manzana Postobón e nesta temporada representou a equipa Continental EPM. Savio contratou ainda Miguel Eduardo Flórez, outro colombiano (22), mas já com experiência na Europa, pois está há duas temporadas na Wilier Triestina-Selle Italia.


17 de abril de 2018

Bateu Froome e Aru, acompanhou López e Pinot, lidera a Volta aos Alpes, mas não terá lugar no Giro

(Fotografia: Facebook Volta aos Alpes)
Ainda estamos a começar a entender o enorme potencial de Egan Bernal e Gianni Savio já tem outro colombiano a conquistar todas as atenções e mais algumas. Chama-se Iván Ramiro Sosa e está a partilhar os holofotes na Volta aos Alpes com a Astana. Os ciclistas da equipa cazaque venceram as duas etapas, enquanto o colombiano da Androni-Sidermec-Bottecchia vestiu esta terça-feira camisola da liderança. Mais impressionante é vê-lo, aos 20 anos, deixar para trás Fabio Aru e Chris Froome - que são os ciclistas que são e estão numa fase avançada de preparação para o Giro -, vê-lo responder ao ataque de Miguel Ángel López e seguir na roda de Thibaut Pinot, também eles com olhos postos na grande volta italiana.

São dois terceiros lugares que lhe valem o primeiro na geral, com seis segundos de vantagem sobre o francês da FDJ e o compatriota da Astana. Ainda faltam três etapas, mas a apresentação está feita. Porém, Sosa não aparece na lista da Androni-Sidermec-Bottecchia para o Giro e nem vai aparecer. Para Savio, é importante deixar o ciclista evoluir ao seu ritmo e não se pode comparar corridas de uma semana, com uma de três.

"É a minha decisão final e é no interesse do corredor. Sei que um ciclista como o Iván estaria bem [no Giro], mas a minha filosofia é descobrir os talentos aos poucos e deixá-los crescer pouco a pouco. É uma coisa correr a Volta aos Alpes com grandes campeões como o Froome e o Aru, mas são só cinco dias de corrida e as etapas são curtas", salientou o director da 
Androni-Sidermec-Bottecchia. Savio diz mesmo que quer proteger o ciclista.

"Se o Ivan participasse na Volta a Itália então seria um risco tanto físico como psicologicamente. Conheço-o e sei que iria prego a fundo e poderia rebentar, impedindo o correcto desenvolvimento físico, porque ele ainda é muito novo", realçou, citado pelo Cycling Weekly.

Iván Ramiro Sosa chegou à Androni-Sidermec-Bottecchia no ano passado. Savio é um enorme fã do ciclismo colombiano, estando sempre atento ao que se passa naquele país, considerando mesmo que o futuro do ciclismo passa pelos corredores da Colômbia. É quase estranho não haver dois ou três colombianos na sua estrutura.

A história de Sosa começa aos dez anos, quando o tio o levou para o mundo das bicicletas. Treinava juntamente com 12 jovens, mas não foi um amor à primeira vista, até porque tinha dificuldade em acompanhar o ritmo dos companheiros. "Na verdade sentia-me mal. Diziam para me dedicar aos estudos", contou ao El Colombiano. Se foi o tio que o iniciou, foi a mãe que não o deixou desistir e foi com o primo que começou a treinar mais sério. "Se se trabalha o suficiente, as metas podem ser alcançadas", salientou, recordando como lutou muito para as alcançar.

A recompensa acabaria por chegar, tanto para Sosa como para o primo, Jhojan Garcia: "Fomos os únicos desse grupo que chegámos a equipas profissionais." Garcia está na Manzana Postobón, ao lado do português Ricardo Vilela. Para Sosa bastou uma corrida  na Colômbia para fazer as malas para a Europa. Em 2015, então com 17 anos, competiu na Vuelta del Porvenir, uma competição para juniores. Foi quinto, mas ganhou a etapa de montanha que ultrapassou os 2500 metros de altitude.

A assistir estava Paolo Alberati, antigo ciclista e agora empresário. O italiano não hesitou em meter Sosa num avião para assinar pela equipa amadora Maltinti Lampadari, por onde tinha passado em 2009 Winner Anacona, actualmente na Movistar. Iván Sosa admitiu que tinha convites para ficar no seu país, mas foi aconselhado a ir para a Europa se de facto queria ir longe no ciclismo. Alberati confiava de tal forma no potencial do jovem Sosa que lhe prometeu que se ganhasse uma corrida, o colocaria numa equipa melhor. O ciclista aceitou o repto e venceu a prova de um dia Schio-Ossario del Pasubio. Promessa cumprida: em 2017 estava na Androni-Sidermec-Bottecchia, onde se cruzou com Bernal, então a afirmar-se como um dos novos talentos colombianos. A Sky não o deixou terminar contrato e garantiu-o para 2018.

O mesmo poderá muito bem acontecer com Sosa, que Gianni Savio tem seguro até 2019, ou seja, se alguém o quiser levar, terá de pagar. Sexto na Colombia Oro y Paz - ganha por Bernal -, o jovem também esteve a bom nível na Settimana Internazionale Coppi e Bartali (12º), mas é na Volta aos Alpes que está a chamar todas as atenções. Também ajuda estar perante alguns dos melhores do mundo.

Uma grande volta terá de esperar. Também Bernal não fez o Giro, mas a equipa não tinha sido convidada, pelo que não saberemos se Savio teria optado pelo mesmo tipo de protecção. O director irá levar o experiente colombiano Rodolfo Torres, 31 anos, apostando depois nos seus ciclistas italianos. Mas fica a questão: e se Sosa ganhar a Volta aos Alpes, ficará mesmo de fora? As três etapas que faltam são duras e não haverá qualquer pressão para Sosa segurar a liderança, mas espera-se que dê mais um pouco de espectáculo, pois está a ser bem agradável ver este jovem competir. Quanto ao Giro, pelas qualidades que está a demonstrar, não faltarão grandes voltas para participar no futuro promissor que demonstra ter.

Pode ver aqui as classificações da segunda etapa da Volta aos Alpes. O único português em prova é Amaro Antunes (CCC Sprandi Polkowice), que foi 22º, a 1:30 do vencedor Miguel Ángel López. Na geral é 23º, a 2:45 de Sosa.

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20 de janeiro de 2018

Convites para o Giro atribuídos. Não haverá despedida para Damiano Cunego

Cunego esteve em destaque no Giro em 2016. Lutou pela classificação da montanha,
o que o levou ao pódio 12 anos depois da última vez. Porém, acabou em segundo
(Fotografia: Giro d'Italia)
Uma Volta a Itália, quatro etapas e mais duas na Vuelta, três Lombardias, três Giros del Trentino (actual Volta aos Alpes), uma Amstel Gold Race e um título mundial de juniores. Há muito que Damiano Cunego se apagou, mas o italiano não deixa de ser uma figura do ciclismo transalpino, um destaque da então Lampre e antes na Saeco. Foram 35 vitórias como profissional. Em 2015 mudou-se para a Nippo-Vini Fantini, à procura de um último fôlego na sua carreira, numa equipa com responsabilidades diferentes, mas com a ambição de com Cunego destacar-se onde qualquer estrutura italiana mais quer: no Giro. Em 2017 foi uma tremenda desilusão ficar de fora da 100ª edição, mas a Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini tinha renovado a esperança de um convite para 2018, quando Cunego anunciou que pretendia terminar a carreira na Volta a Itália. Porém, o derradeiro desejo do ciclista não foi atendido.

A organização do Giro, que se realiza de 4 a 27 de Maio, anunciou os destinatários dos quatro convites: Androni Giocattoli-Sidermec, Wilier Triestina-Selle Italia, Bardiani-CSF e Israel Cycling Academy. Três equipas italianas e, sem surpresa, a formação israelita. Esta última tinha entrada praticamente garantida dada as três primeiras etapas da corrida estarem agendadas para aquele país. A equipa que esteve na Volta a Portugal no ano passado - venceu a classificação da juventude com o letão Krists Neilands - reforçou-se em 2018, a pensar precisamente na muito provável estreia numa grande volta. O veterano espanhol Rubén Plaza (37 anos) acaba por ser o rosto mais conhecido, ao lado do italiano Kristian Sbaragli (27).

A dúvida agora é se irão estar presentes os quatro israelitas que fazem parte do plantel: Roy Goldstein (campeão nacional de estrada), Guy Sagiv (actual campeão nacional de contra-relógio e campeão de estrada em 2015 e 2016), Aviv Yechezkel (campeão nacional de contra-relógio em 2016) e Omer Goldstein, jovem promessa de 21 anos que chegou a ser dispensado da equipa de desenvolvimento no ano passado por razões disciplinares, mas recebeu uma segunda oportunidade e logo para a estrutura principal.

Quanto às equipas italianas, depois da polémica de 2017 quando a Androni Giocattoli-Sidermec foi preterida, tal como a Nippo-Vini Fantini, em prol de duas formações estrangeiras - a polaca CCC Sprandi Polkowice e a russa Gazprom-RusVelo - o director Gianni Savio estava bem mais descansado, pois tinha presença garantida. A sua equipa foi a vencedora da Taça de Itália, que tem como um dos prémios o convite para o Giro. A Willier Triestina-Selle Italia, do veterano Filippo Pozzatto e do jovem talentoso sprinter Jakub Mareczko, tem sido sempre escolhida.

Já o convite para a Bardiani-CSF causa algum espanto. Apesar de nos últimos anos ter sido um dos conjuntos que mais se vê nas fugas, animando muito as etapas, conseguindo também vitórias em etapas, há um ano dois dos seus ciclistas foram afastados do Giro no dia antes da corrida começar por terem testado positivo a utilização de uma substância hormonal proibida (mais tarde a contra-análise confirmou e Stefano Pirazzi e Nicola Ruffoni foram suspensos por quatro anos). Muito se falou sobre o futuro da equipa. Os patrocinadores ficaram e a RCS Sport, que organiza a Volta a Itália, parece assim dar o seu voto de confiança, depois do director, Mauro Vegni, de ter chegado a ameaçar levar a equipa a tribunal por eventuais danos provocados à imagem da prova.

E assim ficou novamente a Nippo-Vini Fantini de fora. "Com o passar do tempo notei que o nível do ciclismo está a aumentar. Sinto que está a ficar mais difícil para mim ser competitivo. É altura de me retirar e gostaria de o fazer no Giro, onde, de certa forma, tudo começou", disse Cunego quando anunciou que iria terminar a carreira. Esse início foi em 2004, no sua segunda Volta a Itália (e segunda grande volta), quando tinha apenas 22 anos. Foi nesse ano que ganhou as quatro etapas que tem no seu currículo e a geral.

Mesmo que não se despeça no Giro, foi lá que acabou mesmo por ter um último fôlego quando em 2016 vestiu a camisola da montanha - esteve 12 anos sem subir ao pódio naquela corrida -, que Mikel Nieve (Sky) lhe acabou por tirar. Foi um animador dessa corrida, acabando em segundo nessa classificação específica e, por isso, surpreendeu ainda mais quando a Nippo-Vini Fantini não foi convidada em 2017. Sem wildcard também este ano, faltará agora saber onde irá Damiano Cunego fechar a sua carreira, aos 36 anos. A última vitória aconteceu a 21 de Julho, na sexta etapa da Volta ao Lago Qinghai, na China.

Ontem, a equipa publicou no Facebook um vídeo de homenagem ao ciclista. (Texto continua em baixo)



Amaro Antunes terá de esperar um pouco mais por uma grande volta

Primeiro a Volta ao Algarve, agora o Giro. Amaro Antunes subiu ao escalão Profissional Continental ao assinar pela CCC Sprandi Polkowice, mas não irá estar em duas das corridas que ambicionava. A equipa polaca esteve no Giro100 e com a perspectiva da Polónia vir a receber um início desta competição, havia a expectativa que pudesse surgir novo convite em 2018. Tal não se confirmou.

Fica a faltar a atribuição dos wildcards para a Vuelta, mas a concorrência é maior do que nunca, pois haverá três equipas "da casa" à procura de um lugar, em vez de apenas a Caja Rural, como aconteceu nos últimos anos.

A RCS Sport revelou ainda os convites para as restantes corridas do World Tour que organiza, incluindo o monumento Milano-Sanremo.

Strade Bianche (3 de Março): Androni Giocattoli-Sidermec e Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini

Tirreno-Adriatico (de 7 a 13 de Março): Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini, Wilier Triestina-Selle Italia, Israel Cycling Academy e Gazprom-RusVelo.


Milano-Sanremo (17 de Março): Bardiani-CSF, Wilier Triestina-Selle Italia, Nippo-Vini Fantini-Europa Ovini, Cofidis, Gazprom-RusVelo e Israel Cycling Academy.

O anúncio dos wildcards surge poucos dias depois de terem sido apresentadas as quatro camisolas que estarão em discussão na Volta a Itália. Será o primeiro ano em que a Castelli será a responsável, sucedendo à Santini. Destacam-se os pormenores nas mangas e também o fecho em forma de troféu.
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