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4 de dezembro de 2019

Bahrain terá novo segundo nome de um parceiro mais conhecido da Fórmula 1

(Fotografia: © Bettiniphoto/Bahrain-Merida)
A preparar-se para uma nova fase da sua curta existência, confirma-se que haverá a mudança de nome na Bahrain-Merida. Em 2020 será difícil não nos recordar da Fórmula 1, já que se passará a dizer Bahrain McLaren. A parceria com a marca começou há cerca de um ano e sendo uma de 50-50, como anunciado no início da colaboração, a McLaren vai agora tentar ganhar protagonismo no ciclismo, numa altura em que a equipa do Médio Oriente quer dar um salto de qualidade com nomes como Mikel Landa, Wout Poels e Pello Bilbao, esperando conseguir recuperar um Mark Cavendish que há muito não consegue estar ao seu melhor nível.

Quanto à Merida, foi realçado no comunicado como esta parceria de três anos foi profícua e contribuiu para as bases sólidas de uma equipa que esteve em pódios de grandes voltas, ganhou etapas nestas corridas e também monumentos, a maioria dos principais feitos da autoria de Vincenzo Nibali, que está de partida. Apesar da marca não dar mais o nome à equipa, vai manter-se como fornecedora de bicicletas e uma parceira a nível técnico.

"Este momento assinala uma emocionante nova fase na história da nossa equipa. Estamos muito orgulhosos do que alcançámos enquanto Bahrain-Merida e encantados que possamos agora combinar esta experiência com a nossa parceira McLaren, para inovarmos juntos neste grande desporto. O ciclismo está a tornar-se numa modalidade cada vez mais técnica e, como Bahrain McLaren, vamos estar bem posicionados para competir com os melhores e para trabalhar com os nossos muitos parceiros para desafiarmos o status quo.", afirmou um dos directores da equipa, Milan Erzen.

A McLaren tem colaborado a nível técnico, da performance humana de alto nível e serviços de marketing e comercial. A marca automóvel britânica, uma das equipas históricas da Fórmula 1, quer agora afirmar no ciclismo.

A mudança de nome é apenas uma das várias que se vão ver na agora Bahrain McLaren. Já é conhecida a valiosa contratação de um dos homens por trás do sucesso da Sky/Ineos, Rod Ellingworth, que vai liderar a equipa. Roger Hammond será director de performance, função que desempenhou na Madison Genesis (escalão Continental) e na Dimension Data. A equipa irá ainda reforçar o seu staff nas áreas médicas, de treino, nutrição, mecânica e marketing.

Entre os ciclistas, a grande referência passará a ser Mikel Landa, depois de três anos com Vincenzo Nibali como líder. O italiano vai mudar-se para a Trek-Segafredo. Ellingworth traz com ele da Ineos um Wout Poels tão importante como gregários nas vitórias de Chris Froome na Volta a França (e não só) e o director vai ainda tentar recuperar Mark Cavendish, ciclista que muito ajudou a tornar-se num dos maiores sprinters da história.

Pello Bilbao (Astana), Eros Capecchi (Deceuninck-QuickStep), Marco Haller (Katusha-Alpecin) - ciclista que irá estar ao lado de Cavendish -, Kevin Inkelaar (Groupama-FDJ) e Rafael Valls - que acompanha Landa da Movistar - são os reforços de uma equipa que apostará forte em ciclistas como Dylan Teuns, Sonny Colbrelli, Matej Mohoric, Mark Padun e Iván Cortina.

A Bahrain-Merida é a segunda equipa a anunciar uma mudança de nome para 2020, depois da Dimension Data confirmado que será a Team NTT (ver link em baixo).

11 de novembro de 2019

Temporada interessante de uma Bahrain-Merida a olhar para o pós-Nibali

(Fotografia: © Bettiniphoto/Bahrain-Merida)
A Bahrain-Merida está numa fase de mudança. Vai deixar de ser a equipa que Vincenzo Nibali tanta influência teve em escolher os ciclistas quando o projecto arrancou em 2017, para tentar dar um passo de qualidade, tornando-se mais forte e menos dependente do italiano. O primeiro passo até era suposto ter sido dado já em 2019, ainda com Nibali na equipa - está de saída para a Trek-Segafredo -, mas acabou com o misterioso abandono de Rohan Dennis na Volta a França, na véspera do contra-relógio que se esperava poder vencer. O australiano viu o seu contrato ser terminado após o incidente e a Bahrain-Merida em vez de esperar para ver se este ciclista se tornaria de facto num voltista (que está a demorar aparecer), vai preferir esperar para ver o melhor de Mikel Landa. Se algo positivo ficou deste ano é que Dylan Teuns foi uma excelente contratação, que Iván García Cortina está a evoluir cada vez melhor, principalmente nas clássicas e Sonny Colbrelli precisa de mais companhia no sprint.

Começando por Teuns, este belga foi uma das figuras da Vuelta, andando um dia de vermelho, isto depois de ter inscrito o seu nome numa das subidas que vai ganhando cada vez mais nome no Tour: venceu a etapa na La Planche de Belles Filles. Tal como Dennis veio da BMC, mas Teuns está de facto a comprovar o potencial para as provas de três semanas e também de uma semana. Quanto a Cortina, 2019 foi o ano em que mostrou que pode ser a aposta principal para as clássicas da Primavera e vai ser um dos ciclistas a acompanhar de perto na próxima temporada. E dêem-lhe liberdade em certas etapas nas grandes voltas e o resultado poderá ser muito animador.

Já Colbrelli apareceu muito na luta nos sprints. Qualidade não lhe falta, mas falta não se ficar pelo "quase que ganha" nas principais corridas, ainda que tenha somado três vitórias: etapa na Volta a Omã, outra na Volta à Alemanha e o Grande Prémio Bruno Beghelli. É preciso mais ajuda, ainda que o italiano vá ter é mais concorrência. Mark Cavendish está a caminho e não será nenhum lançador. Também chegará Marco Haller da Katusha-Alpecin, que irá direitinho para o comboio do britânico. Vida mais difícil para Colbrelli, mas que até o poderá ajudar a ultrapassar o tal "quase". Boas vitórias, irão dar-lhe novamente o estatuto de principal sprinter, se Cavendish não recuperar a sua melhor versão.
Ranking: 13º (7200,72 pontos) 
Vitórias: 16 (incluindo duas etapas na Volta a França) 
Ciclista com mais triunfos: Sonny Colbrelli (3)
Hermann Pernsteiner tornou-se na maior curiosidade. Este austríaco foi a surpresa na Volta a Espanha. Fez top 15 e as suas exibições foram muito interessantes, mas com a chegada de Mikel Landa (Movistar), não será de surpreender que seja uma escolha (e boa) para ajudar o espanhol, que terá ainda Wout Poels (Ineos) a seu lado. Pello Bilbao (Astana) e Eros Capecchi (Deceuninck-QuickStep) são outros reforços muito interessantes para este bloco para as provas por etapas.

A Bahrain-Merida teve uma temporada consistente - mesmo com o desentendimento de Rohan Dennis, que não estaria satisfeito com a bicicleta de contra-relógio - sem que fosse segredo que durante muitos meses os responsáveis já estavam a preparar o 2020 pós-Nibali, com uma das principais contratações a ser o director de performance da Ineos, Rod Ellingworth. Matej Mohoric, Mark Padun e Luka Pibernik, por exemplo, mostraram esta temporada que podem ter lugar numa estrutura que quer crescer mais rapidamente e que quer tornar-se numa forte candidata principalmente nas grandes voltas, ainda que Nibali nesse aspecto já tenha dado pódios e vitórias de etapas, despedindo-se com uma na Volta a França, naquele estilo que tanto caracteriza este ciclista. Um ataque no momento certo e ninguém o apanha. Nibali podia estar de saída da equipa, mas foi profissional até ao fim.

2019 não foi o mais feliz dos anos do italiano na equipa do Médio Oriente, mas nos anos anteriores ainda deu dois monumentos, pelo que o legado que deixa é de respeito. Porém, a equipa segue agora o rumo que coloca Landa no caminho de ganhar o que mais se quer: uma grande volta. A Bahrain-Merida não tem um plantel como a Ineos ou a Jumbo-Visma, mas entre os ciclistas que já foram dando bons resultados desde 2017 e os nomes fortes que vão chegar, será uma formação com outros argumentos e cuja expectativa sobe de nível.


5 de novembro de 2019

Mais uma oportunidade para André Greipel e Mark Cavendish

(Fotografias: © Arkéa Samsic e © Team Dimension Data)
André Greipel vai regressar ao World Tour, numa derradeira tentativa de sair do ciclismo pela porta grande. A experiência na Arkéa Samsic não foi positiva e o alemão procurava um novo desafio para evitar a retirada aos 37 anos. A Israel Cycling Academy vai dar a oportunidade que o "Gorila" procurava. No aproximar do final de uma era no sprint, também Mark Cavendish vai mudar de ares, esperando que ao reunir-se com um dos homens responsáveis pelo seu sucesso, possa reencontrar-se com algumas boas exibições frente a uma nova geração que já tomou conta da especialidade. A Bahrain-Merida quer tentar recuperar o sprinter, que ainda não perdeu a esperança de tornar-se o recordista de vitórias no Tour.

"Não sou alguém que esteja a olhar para o passado. Quero apenas olhar para o futuro e começar a partir daí. Estou ciente das minhas capacidades e vou dar o meu melhor", afirmou Greipel, no dia em que a Israel Cycling Academy confirmou mais uma figura para o projecto que se prepara para dar o salto para o World Tour, em 2020. Greipel vai juntar-se a Dan Martin, irlandês que trocará a UAE Team Emirates pela equipa israelita, que comprou a licença da Katusha-Alpecin.

Nas últimas três temporadas, o tempo começou a apanhar Greipel e as vitórias diminuíram, sendo claro a dificuldade em medir forças com os sprinters então emergentes (entretanto já mais do que confirmados) como Fernando Gavira e Dylan Groenewegen, por exemplo. A difícil relação com o então director da Lotto Soudal, Paul de Geyter - que acabou por sair da equipa - resultou no adeus de Greipel a uma estrutura, depois de oito anos de muitas e importantes vitórias.

O alemão venceu apenas uma etapa na Tropicale Amissa Bongo, em Janeiro, pela Arkéa Samsic. Na Volta a França, mal se viu nos sprints. Greipel nem terminou a temporada, rescindindo o contrato em Outubro. A Israel Cycling Academy justifica a contratação do veterano por acreditar que pode ainda ganhar, mas "mais importante, pela vasta experiência que traz à equipa, tanto nas clássicas, como nas discussões ao sprint". Ou seja, Greipel vai ter de assumir um papel de voz de comando, numa equipa que vê a chegada ao World Tour como apenas mais uma passo na sua subida de nível. A Israel Cycling Academy quer tornar-se nos próximos anos numa equipa forte e ganhadora.

11 etapas no Tour, sete no Giro, quatro na Vuelta... e são apenas algumas de um currículo de luxo de um sprinter fantástico e que é difícil não pensar que merece um final de carreira mais animador do que a temporada que Greipel viveu na Arkéa Samsic, equipa que pertencia ao escalão Profissional Continental. E há que não esquecer que na primeira fase da sua carreira foi um lançador importante para Mark Cavendish, outro sprinter à procura de melhores dias.

O diagnóstico do vírus Epstein-Barr fez a carreira do britânico cair a pique. A Dimension Data ainda renovou contrato com o ciclista para 2019, mas depois até o deixou de fora do Tour, algo que não acontecia há 13 anos. Aos 34, Cavendish é um sprinter que merece o respeito de todos, mas já não é visto como ameaça de outrora. O britânico recusa desistir e viu com bons olhos a possibilidade de trabalhar de novo com o director Rod Ellingworth, o homem que o ajudou a sagrar-se campeão do mundo em 2011 e não só. Ellingworth deixou a Sky/Ineos para liderar uma Bahrain-Merida que vai entrar na era pós-Vincenzo Nibali e tentar dar um passo rumo ao plano de se tornar numa das equipas referências do pelotão mundial.

Recentemente Cavendish regressou à pista e mostrou estar bem melhor fisicamente, mas mantém-se a incógnita de como se poderá apresentar na estrada em 2020. O britânico não faz segredo que lhe resta um objectivo a cumprir na carreira: igualar ou mesmo ultrapassar as vitórias de etapas no Tour de Eddy Merckx (34). Cavendish vai em 30. Uma marca ali tão perto, mas que depois das últimas três temporadas parece estar tão longe de alcançar.

Greipel e Cavendish, dois gigantes do sprint, dois ciclistas que marcaram uma era e serão sempre recordados como dos melhores na vertente. O tempo não perdoa, mas nenhum está ainda disposto a deixar a bicicleta. Assinaram apenas por uma temporada pelas respectivas equipas. É o tudo ou nada para ambos.

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16 de outubro de 2019

Bahrain-Merida anuncia seis reforços. Forte apoio para Landa a pensar nas grandes voltas

(Fotografia: © Bahrain-Merida)
Rod Ellingworth foi preponderante em tornar a Sky (actual Ineos) numa referência, além de, antes de integrar a equipa, ter ajudado ciclistas a notabilizarem-se, como foi o caso de Mark Cavendish e Geraint Thomas. O director de performance da formação britânica já abraçou a sua nova função na Bahrain-Merida, que tem estado muito activa no mercado de transferências. Termina a era Vincenzo Nibali e, para já, a aposta está a ser principalmente em ciclistas com experiência ao mais alto nível, numa clara tentativa de procurar vitórias importantes rapidamente. Só esta quarta-feira foram anunciados seis reforços, com destaque para Pello Bilbao e Rafael Valls, dois espanhóis que podem tornar-se nos principais aliados de Mikel Landa, o novo líder para as três semanas e que, finalmente, assina por uma equipa que lhe dá esse estatuto sem concorrência interna.

Eros Capecchi (33 anos, Deceuninck-QuickStep), Scott Davies (24, Dimension Data), Marco Haller (28, Katusha-Alpecin) e o Kevin Inkelaar (22, Groupama-FDJ Continental) foram anunciados juntamente com Bilbao (29, Astana) e Valls (32, Movistar). O jovem holandês Inkelaar é o único que não tem experiência World Tour, pois o britânico Davies tem dois anos de Dimension Data e este ano fez o Giro, a sua primeira grande volta. Antes de "dar o salto" passou pela Team Wiggins. Com a excepção de Haller, todos são ciclistas com características para provas por etapas.

"A equipa vai concentrar-se nas três semanas. Há corredores com experiência em idade e vamos dar o máximo rendimento. O projecto tem boa pinta", afirmou Bilbao à Rádio Marca, admitindo que o acordo há muito que estava fechado e que não foi difícil decidir ao saber que Landa iria para a Bahrain-Merida, deixando a Movistar, tal como Valls. A estes nomes junta-se Wout Poels, homem de confiança na Ineos (ex-Sky) e que Ellingworth conhece bem. Aos 32 anos, o holandês sabia que dificilmente iria liderar a equipa numa grande volta, ainda que tenha tido essa hipótese na última Vuelta, que correu muito mal à Ineos. Poels tanto poderá estar ao lado de Landa, como poderá ter algum protagonismo na Volta a Itália ou Espanha.

Quanto ao austríaco Marco Haller poderá ser a preparação de um comboio para Mark Cavendish. O britânico tem sido dado como provável reforço da Bahrain-Merida, mas ainda nada foi oficializado. Mas a equipa mantém Sonny Colbrelli no plantel, pelo que Haller poderá sempre ser importante na ajuda ao italiano tanto nos sprints, mas também nas clássicas, duas vertentes em que o jovem espanhol Iván Cortina (23 anos) vai começando a confirmar alguns créditos.

Matej Mohoric (24), Mark Padun (23), Hermann Pernsteiner (29) e, claro, Dylan Teuns (27) serão ciclistas que Ellingworth quererá tirar maior rendimento, com o belga a ganhar muito crédito depois de se destacar no Tour e na Vuelta deste ano. Na primeira corrida venceu uma etapa, na segunda vestiu a camisola vermelha da liderança. O director também queria contar com Rohan Dennis, mas a equipa decidiu terminar o contrato depois de uma relação difícil e que culminou com o abandono aparentemente sem explicação do ciclista no Tour.

Para trás fica a ligação entre o xeque Nasser bin Hamad Al Khalifa, dono da equipa, e Vincenzo Nibali, que em 2017 assumiu a liderança da equipa, tendo escolhido ciclistas da sua confiança. Venceu dois monumentos, venceu etapas em grandes voltas e o pódio no Giro e Vuelta, além de outros momentos de destaque. Faltou um sucesso no Tour para Nibali.

O caminho agora é outro para ambos. Nibali vai para a Trek-Segafredo e o desejo na Bahrain-Merida é atingir o nível de uma Ineos e nada melhor do que contratar um dos homens que muito contribuiu para tornar a formação britânica no que é hoje. Ellingworth é desde logo uma das grandes contratações da Bahrain-Merida e sem esquecer que a estrutura neste último ano tem contado com o apoio da McLaren na colaboração técnica, performance humana de alto nível e serviços de marketing e comercial.


19 de abril de 2019

Sky perde um dos directores que a levou ao sucesso e que mudou o ciclismo britânico

(Fotografia: © Team Sky)
A Bahrain-Merida vai contar a partir de 2020 com um dos homens que mudou o ciclismo britânico, tendo contribuído decisivamente para que o país seja hoje uma das maiores potências na modalidade. A Sky confirmou que Rod Ellingworth vai deixar a equipa no final da temporada, com a formação do Médio Oriente a ganhar um dos responsáveis mais importantes para sucesso que a estrutura britânica alcançou na última década. É já uma das contratações do ano.

Ellingworth é actualmente o director de performance da Sky (Ineos a partir de 30 de Abril), tendo estado na estrutura desde a sua criação em 2010. Porém, o seu papel no ciclismo britânico começou antes, com destaque para quando em 2003 começou a preparar o programa de academia da British Cycling e que viria a revelar nomes como Mark Cavendish e Geraint Thomas, por exemplo. A escola de formação acabaria por mudar o ciclismo no país, sucedendo-se medalhas olímpicas na pista e com o sucesso a passar depois para a estrada. A Sky surgiu precisamente para abrir as portas aos britânicos nesta vertente, aproveitando muito o trabalho feito na pista.

A história já se conhece. O objectivo era colocar um britânico como vencedor de uma grande volta, principalmente no Tour, e dez anos depois já são três os que ganharam pela Sky: Bradley Wiggins, Chris Froome e Geraint Thomas. Com Froome a equipa já conquistou todas as grandes voltas e claro que há que não esquecer que Simon Yates venceu uma Vuelta, mas ao serviço da Mitchelton-Scott. Os gémeos Yates foram dos poucos a dizer não à Sky e a procurar espaço noutra equipa.

Como ciclista, Rod Ellingworth teve uma carreira curta. No entanto, aos 46 anos, é um dos directores mais respeitados e admirados na modalidade. Cavendish não esquece como foi Ellingworth que acreditou nas suas potencialidades quando era júnior. Correu o risco de não entrar na academia, pois outros ciclistas apresentavam números mais interessantes, mas Ellingworth viu potencial em Cavendish. A relação entre ambos inclui a conquista do título mundial de estrada em 2011, numa altura em que Ellingworth assumia funções tanto na Sky como na British Cycling. No ano seguinte, o sprinter juntou-se à Sky, ainda que só por uma época. Não surpreende que Cavendish, perante a influência que aquele responsável teve na sua carreira, tenha chegado a sugerir que Ellingworth recebesse o título de Sir.

Ian Stannard, Ben Swift e Peter Kennaugh são mais alguns dos nomes que passaram pela academia e foram treinados por Ellingworth. Geraint Thomas, que entrou na academia ainda durante o primeiro ano da sua existência, escreveu no livro que publicou recentemente, após a vitória no Tour: "A sua academia mudou-nos não só como ciclistas, mas como jovens. Não era apenas sobre ganhar corridas, ainda que isso fosse obviamente importante. Era sobre aprender em ser um bom profissional, sobre organização, higiene, dieta e atitude."

Ellingworth é visto não apenas como um excepcional director e treinador no que diz respeito em conseguir levar um ciclista às vitórias, mas também por dar importância ao lado humano, tudo fazendo para manter um espírito de equipa saudável e que todos sintam que façam parte essencial da estrutura.

A Sky agradeceu através de um muito curto comunicado o serviço de Ellingworth, explicando que o director de performance tinha anunciado a sua saída há algum tempo e que se manterá ainda na equipa de forma a garantir uma "suave transição".

Por parte da Bahrain-Merida, que ainda não se pronunciou, a formação ganha um elemento essencial para o crescimento de uma estrutura que ambiciona chegar muito mais alto. Vincenzo Nibali estará de saída para a Trek-Segafredo, salvo algum volte face, pelo que o orçamento ficará mais folgado para contratar um novo líder para as grandes voltas. O italiano deu dois monumentos, um pódio no Giro e outro na Vuelta, mas as exigências contratuais não vão ao encontro do que a Bahrain-Merida procura.

A entrada de Ellingworth será a segunda grande mudança em 2020, pois a equipa deverá passar a chamar-se Bahrain-McLaren. A marca de automóveis estabeleceu uma parceria já em 2019. A Merida deverá continuar a fornecer as bicicletas. A entrada da McLaren permitiu um reforço do orçamento.

Falta agora saber que papel terá Ellingworth e que influência terá nas futuras contratações e renovações. No entanto, ele próprio é uma grande contratação para a Bahrain-Merida e uma perda para a Sky, que vê sair um dos homens que não só sabe tudo sobre o funcionamento da equipa, como é um dos mentores dos segredos do sucesso da equipa mais poderosa do ciclismo mundial.

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