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3 de julho de 2019

Sprints sem figuras de peso

(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet)
Por um lado, há um reforço da sensação que terminou uma era com a ausência de Mark Cavendish e Marcel Kittel da Volta a França. Por outro, também não vai Fernando Gaviria e Nacer Bouhanni, o primeiro uma das grandes figuras actual e para os próximos anos no sprint, o segundo alguém que ameaça ser um desperdício de talento. A estes nomes junta-se John Degenkolb. Não é só o fim de uma era, é mesmo um Tour sem um lote importante de sprinters.

Para Mark Cavendish é um enorme desgosto. O próprio não o esconde, considerando que estava em forma para fazer mais um Tour, o 13º. Porém, tem tido épocas demasiado inconstantes devido ao vírus Epstein-Barr. Este ano seria mais um a tentar regressar ao mais alto nível, mas o britânico não convence. Preparou a temporada para tentar aparecer no Tour, como no ano passado. Mas na Dimension Data optou-se por Giacomo Nizzolo, um estreante, e Edvald Boasson Hagen. Não terá sido uma decisão consensual, pois segundo a Press Association, citada pela Cycling Weekly, o director de performance, Rolf Aldag, queria Cavendish na grande volta, mas Doug Ryder, o director da equipa, decidiu excluir o britânico.

Desde 2007, quando se estreou no Tour, que Cavendish nunca tinha falhado um Tour. Aos 34 anos, está a quatro vitórias de igualar o recorde de vitórias de etapas de Eddy Merckx, mas agora sim, começa a parecer que o objectivo de carreira que lhe resta não irá ser alcançado.

O homem que fez Cavendish perceber que não era imbatível, como próprio britânico já afirmou, está num período sabático. Marcel Kittel rescindiu contrato em Maio com a Katusha-Alpecin para tentar recuperar a vontade de estar novamente a competir ao mais alto nível. Estreou-se em 2012 e só falhou em 2015 quando estava a recuperar de um problema de saúde. Soma 14 vitórias de etapa. O que vai ser da carreira de Kittel ainda se está por perceber, apesar de não faltarem interessados, a começar pela Jumbo-Visma. Porém, por agora, é altura de se dedicar à sua recuperação psicológica e também à paternidade. O ciclista anunciou há umas semanas que a sua mulher está grávida.

Quanto a Fernando Gaviria, é uma lesão no joelho que o afasta do Tour. Aos 24 anos tem tudo para ser um dos grandes nomes do sprint mundial e marcar ele uma era. Seria a sua segunda Volta a França. Na estreia, em 2018, somou logo duas vitórias de etapa e vestiu a camisola amarela por um dia. Abandonou o Giro devido ao problema no joelho e agora falha o Tour, para desilusão da UAE Team Emirates. Já Alexander Kristoff não se deverá importar muito. Será o líder nos sprints, não esquecendo que há um ano conquistou a desejada etapa dos Campos Elísios.

De Nacer Bouhanni só se pode esperar que ainda não seja um caso perdido. Aos 28 anos está a passar ao lado de uma grande carreira. Pelo segundo ano consecutivo fica de fora do Tour por opção dos responsáveis da Cofidis, tendo já falhado outro por uma lesão na mão, por ter dado um murro a um homem num hotel, que estaria a fazer barulho. Está mais do que visto que só há um caminho a seguir para Bouhanni: sair da Cofidis. Christophe Laporte será novamente a aposta da equipa francesa.

John Degenkolb (30 anos) também fica de fora por opção, com a Trek-Segafredo a preferir rodear Richie Porte de ciclistas para o apoiar na luta pela geral. Há um ano Degenkolb venceu na etapa de Roubaix. Foi um triunfo emotivo. Não só porque já tinha ganho o Paris-Roubaix, mas porque há muito que não sabia o que era uma grande vitória. Porém, não se concretizou a esperança que aquele triunfo seria o tónico para Degenkolb recuperar a sua melhor versão. O alemão nunca mais foi o mesmo depois do atropelamento durante o estágio, ainda como ciclista da Giant-Alpecin (actual Sunweb), em 2016. Fala-se que poderá estar a caminho da Lotto Soudal, para uma nova tentativa de reavivar a carreira.

Há outro francês ausente por opção da equipa, com a Groupama-FDJ a apostar tudo em Thibaut Pinot para a geral, deixando de fora Arnaud Démare (27 anos).

São ausências de vulto, mas não significa que não haverá espectáculo nos sprints, até porque há novos nomes a ganhar força. Além dos referidos Kristoff e Laporte, Dylan Groenewegen (26 anos, Jumbo-Visma) está, como Gaviria, a afirmar-se como um dos grandes sprinters. Soma três vitórias no Tour, incluindo nos Campos Elísios. Elia Viviani (30 anos, Deceuninck-QuickStep) não está a ter temporada ao nível de 2018, mas já confirmou que é mesmo sprinter para ganhar aos melhores e está com uma fome enorme de vitórias! Será apenas a sua segunda participação no Tour e se ganhar, fará o pleno em grandes voltas.

Sem Tom Dumoulin, Michael Matthews tem responsabilidade acrescida na Sunweb, mas há que ter em conta um outro nome: Cees Bol. Jovem talento holandês de 23 anos, que este ano começou a ganhar (já são duas) e é um ciclista a manter debaixo de olho. Matthews e Bol foram recompensados esta quarta-feira com uma extensão de contrato até 2021. Outro jovem a ter em conta é Jasper Philipsen, mas estará "tapado" por Alexander Kristoff na UAE Team Emirates. Será um Tour de aprendizagem para o belga de 21 anos.

Caleb Ewan encontrou na Lotto Soudal a equipa que o serve na perfeição, venceu duas etapas no Giro e quer agora mostrar-se no grande palco do Tour na sua estreia. Sonny Colbrelli (Bahrain-Merida) é sempre um ciclista a ter em conta, tal como Matteo Trentin, ainda que o corredor da Mitchelton-Scott não é o chamado sprinter puro, como os restantes ciclistas aqui referidos. Mas vai querer estar na luta.

Um nome da velha guarda é André Greipel. Está completamente em quebra e a mudança para a Arkéa Samsic não foi nada positiva. Aos 36 anos, o melhor do alemão já passou, mas fica a curiosidade de ver se haverá um último fôlego deste excelente sprinter que tem 11 vitórias de etapa na Volta a França.

Do lado oposto está Rick Zabel. Ciclista com qualidade, jovem (25 anos), mas até agora algo na sombra de líderes para quem tinha de trabalhar. Chegou o momento de se mostrar e comprovar que não tem só apelido famoso, mas também tem o que é necessário para singrar ao mais alto nível no sprint.

E depois há um Peter Sagan, aquele que quer tirar o recorde do pai de Rick. Tal como Eric Zabel tem seis camisolas verdes (dos pontos). O eslovaco está irreconhecível em 2019. Desiludiu nas clássicas e só a espaços se vai vendo um pouco do poderoso ciclista que se sabe que é. A ver vamos se é no Tour que dá a volta a uma fase menos boa na carreira. Michael Matthews é um dos seus rivais à camisola verde, tendo-a conquistado há dois anos, quando Sagan foi expulso do Tour.

A Volta a França começa em Bruxelas no sábado e com uma primeira camisola amarela à espera de um sprinter ficar com ela.


30 de agosto de 2018

A tentativa de redenção de Nacer Bouhanni

(Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Qualquer dia é bom para ganhar, mas para Nacer Bouhanni, vencer nesta sexta etapa da Vuelta teria mais significado do que apenas regressar às grandes vitórias depois de uma temporada muito (mas mesmo muito) complicada. Menos de 24 horas antes do sprinter francês ser o mais forte em San Javier, Mar Menor, tinha sido divulgado que o ciclista teria batido no carro da equipa, o que teria resultado numa penalização de 30 segundos. Bouhanni e a equipa desmentiram, mas a melhor reacção viria mesmo na estrada. Há quatro anos que o sprinter não ganhava numa grande volta e há quase ano e meio que não vencia numa corrida World Tour.

"Tinha muita vontade de ganhar hoje depois dos falsos rumores que circularam sobre mim ontem", admitiu Bouhanni. O próprio ciclista referiu de imediato como é especial regressar às vitórias nas grandes voltas, precisamente naquela onde tinha vencido pela última vez, então ainda ao serviço da FDJ.fr. Mas num momento em que não escondeu alguma emoção, Bouhanni recordou como em 2017 uma queda quase lhe acabou com a carreira, com o ciclista até a considerar que poderia ter sido ainda mais grave: "No ano passado tive um acidente muito sério no Tour de Yorkshire. Não se deu muita importância, mas podia ter acabado com a minha vida e tive problemas de visão durante uma boa parte da temporada."

Os relatos de conflitos com os responsáveis da Cofidis não eram novidade, mas desta feita, a equipa assegurou que a penalização de 30 segundos se deveu a uma abastecimento fora do limite estipulado pela organização. Em comunicado garantiu ainda que Bouhanni tem toda a confiança nesta Vuelta.

Bouhanni não quis entrar em euforias, recusando dizer que está de regresso à sua melhor versão. "Foi uma temporada difícil e a pressão afectou-me muito. Senti-me humilhado, mas tinha de me redimir", afirmou, não escondendo a decepção que sofreu ao ficar de fora do Tour, com Christophe Laporte a ser o sprinter escolhido da Cofidis. O francês até disse que chegou a falar com outras equipas, mas o responsável máximo da Cofidis, Thierry Vittu, telefonou-lhe antes da Vuelta para lhe dar todo o seu apoio.

Esta foi a sexta vitória do ano para Bouhanni, mas falta saber se poderá ser aquela que inicie a sua redenção dentro de uma equipa na qual parece ter o seu espaço a diminuir desde que Cédric Vasseur assumiu a liderança. Primeiro o seu comboio foi reduzido, depois perdeu o estatuto de líder indiscutível, falharia o Tour, mesmo depois de ter conseguido algumas vitórias. Não ajudou ter desrespeitado ordens da equipa: deveria ter ajudado Laporte na primeira etapa da Route d'Occitanie, mas acabou por disputá-la e até ganhou, à frente precisamente do colega.

Vinte quilómetros de caos

Se até essa marca estava a cumprir-se quase todas as expectativas, menos a da velocidade, já que o vento de frente não ajudou nada, depois foi um caos. Uma queda abriu as hostilidades que o vento viria a ter um papel decisivo.  O pelotão partiu-se em vários grupos e Wilco Kelderman acabou por ser o mais prejudicado. O holandês da Sunweb perdeu 1:44 minutos, naquele que é um rude golpe nas suas aspirações, que passam por disputar a Vuelta. São 2:50 para Rudy Molard, o que deixa Kelderman numa posição em que não poderá ficar à espera de terceiros para tentar estar novamente na luta por um bom resultado.

Thibaut Pinot também perdeu tempo, cortando a meta no grupo de Kelderman. Tendo em conta que o francês disse que o objectivo principal na Vuelta era ganhar etapas, não se pode dizer que seja uma desilusão. Porém, um dia depois da Groupama-FDJ ver Rudy Molard vestir a camisola vermelha, não deixou de ser um contratempo ver Pinot cair na classificação geral, até porque ficou bem claro que continua a receber toda a protecção. Molard ficou sozinho na frente, com a equipa a tentar socorrer Pinot, sem sucesso.

Rafal Majka perdeu 3:05 minutos, entregando definitivamente a liderança da Bora-Hansgrohe a Emanuel Buchmann. A seu lado estava um Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin) que cada vez mais se vai enterrando na classificação geral.

Se o pelotão esperava que os 155,7 quilómetros entre Huércal-Overa e San Javier, Mar Menor pudessem ser mais tranquilos do que nos dias anteriores, mas não houve descanso para ninguém. Esta sexta-feira serão 185,7 quilómetros, com partida em Puerto Lumbreras e meta em Pozo Alcón.

Pode ver aqui as classificações completas. Não se verificaram mudanças nos donos das camisolas. Molard está vermelho, Michal Kwiatkowski (Sky) de verde (pontos), Luis Ángel Maté (Cofidis) regressou às fugas para reforçar a liderança da montanha, Alejandro Valverde (Movistar) tem a camisola do prémio combinado e a Astana é a primeira entre as equipas.



2 de julho de 2018

Bouhanni perdeu o sprint para o Tour contra Laporte

(Fotografia: © La Route d'Occitanie/Henri Jean)
Nem a ganhar Nacer Bouhanni convenceu Cédric Vasseur. O sprinter francês ficou de fora das escolhas da Cofidis para a Volta a França e nem se pode dizer que seja uma surpresa. A maior parte da época foi uma desilusão e começou logo com o novo director a cortar no comboio de apoio a Bouhanni. Vasseur não se coibiu de criticar o ciclista pela falta de resultados, enquanto apostava em Christophe Laporte (que rendeu triunfos) e ficou ainda mais descontente quando Bouhanni desobedeceu ordens e em vez de ajudar o colega, discutiu um sprint e ganhou.

Quando há umas semanas Vasseur alertou que ou Bouhanni melhorava o seu rendimento ou não iria ao Tour, o director da Cofidis não procurava apenas que o sprinter conquistasse mais vitórias. Vasseur também queria ver uma mudança de atitude de um ciclista que aos 27 anos está a ameaçar seriamente passar ao lado de uma grande carreira. A relação entre os dois foi tensa desde o início, principalmente porque Vasseur acabou com o proteccionismo promovido pelo antigo responsável, Yvon Sanquer.

Bouhanni trocou a FDJ, do World Tour, pela Cofidis, do escalão Profissional Continental, em 2015 porque não queria ter de lutar por protagonismo e queria estar garantidamente no Tour. A Cofidis mudou a sua filosofia até então mais centrada em apostar em fugas e ter ciclistas a lutar na montanha e eventualmente a aspirar a um bom lugar na geral. Com Bouhanni tinha o objectivo de aumentar o número de vitórias e de facto ganhar nunca foi um grande problema a não ser na Volta a França. Os anos foram passando e continua sem ganhar uma etapa, apesar de ter três no Giro e duas na Vuelta, mas foram ainda na FDJ.

Em 2015 foi para casa na sexta etapa do Tour, pois as quedas tornaram inglória a sua tentativa de fazer algo nos sprints. Em 2016 nem lá foi depois de lesionar na mão. Uma semana antes, agrediu um hóspede num hotel que estaria a fazer barulho. No ano passado renovou por duas temporadas, mas a forma como Vasseur - que foi contratado depois dessa extensão do contrato - tem lidado com Bouhanni já deixava antever que nos planos poderia estar forçar uma saída antecipada, por opção do ciclista. Deixá-lo de fora do Tour é um recado mais do que claro das intenções de Vasseur.

O director explicou as escolhas não só por querer ver Laporte (seis vitórias em 2018) nos sprints, mas porque também quer apostar nas fugas e este ciclista também tem capacidade para tentar esse tipo tácticas. Bouhanni, nem pensar, Além disso, Jésus Herrada e Daniel Navarro terão um papel mais importante quando chegarem as etapas da montanha. É a Cofidis a regressar ao passado, mas a pensar no futuro. Laporte já renovou até 2021, enquanto a contratação dos Herrada (José não irá ao Tour), principalmente do mais novo (27 anos), é a pensar em começar a tentar algo mais nas gerais.

Apesar do seu temperamento que definitivamente não o torna no mais popular dos ciclistas, Bouhanni tem sempre evitado fazer grandes comentários sobre a sua situação. Ficou de fora do Tour e no Twitter escreveu apenas estar desiludido, desejando sorte aos companheiros.

Somou cinco vitórias em mês e meio, mas aquela na primeira etapa da Route d'Occitanie poderá ter ditado o seu destino. Bouhanni e Laporte apareceram a disputar o sprint. Até foi preciso photo finish. Ganhou Bouhanni e pelos resultados recentes até poderia pensar-se que era mesmo ele o líder, até porque ficou na roda de Laporte nos últimos metros antes do sprint. Mas não. Era Bouhanni quem deveria ter trabalhado para o companheiro, que mais parece um rival. Vasseur já nem quer voltar a ter os dois juntos numa corrida.

De estrela e líder indiscutível, a dispensável. Chegou o momento de Bouhanni pensar como irá relançar a sua carreira, pois tem apenas 27 anos e não quer ser um lançador. No sprint mais importante da época, Bouhanni perdeu-o para Laporte (25 anos).

Equipa da Cofidis para o Tour: Christophe Laporte, Jésus Herrada, Daniel Navarro, Dimitri Claeys, Nicolas Edet, Anthony Perez, Julien Simon e Anthony Turgis.

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»»Uma Volta a França sem ciclistas portugueses««

9 de maio de 2018

Bouhanni vai de mal a pior

Estar ou não na Volta a França começa a não ser a principal preocupação de Nacer Bouhanni. O fim da linha na Cofidis poderá mesmo estar a aproximar-se. À falta de resultados e a uma longa ausência da competição, junta-se agora uma alegada troca de agressões com um dos directores desportivos da equipa. Já é conhecido o gosto pelo boxe por parte de Bouhanni. Também não é novo que chega a praticar quando perde a paciência, como aconteceu há dois anos, quando deu um murro num homem que estava a fazer barulho no hotel. Lesionou-se e falhou o Tour. Porém, um desentendimento com um director, ainda mais quando a sua posição na equipa está cada vez mais fragilizada... Bouhanni entrou numa fase crucial para definir o futuro da sua carreira.

O sprinter francês regressou às corridas no dia 1 de Maio, na clássica alemã Eschborn-Frankfurt. A época está a ser muito fraca, ainda mais tendo em conta que é o mais bem pago da Cofidis, recebendo mais de um milhão de euros por época. Há um quase mês que Bouhanni não competia. O resultado foi mais um abandono em 2018. O L'Equipe conta que, já no autocarro, o ciclista discutiu com o director desportivo Roberto Damiani sobre a táctica da equipa, que não incluiu esperar por ele quando ficou para trás. O jornal gaulês escreve que a discussão acabou em agressões.

A chegada de Cédric Vasseur ao comando técnico da Cofidis mudou a mentalidade da estrutura. O comboio de Bouhanni foi cortado, com a equipa a não querer apostar apenas no sprinter. O melhor resultado do francês foi um segundo lugar numa etapa do Volta ao Dubai. Na restante temporada, mal se o tem visto na luta por vitórias. No Paris-Nice abandonou devido a uma bronquite. Ficou de fora da Milano-Sanremo e não teve problemas em dizer publicamente que não percebia a decisão da equipa, já que o médico dizia que o ciclista estava em condições. Foi à Volta à Catalunha e abandonou pela mesma razão da corrida francesa. Ainda esteve em duas corridas do calendário nacional antes da mais recente ausência das corridas.

Bouhanni nunca falou muito e a única reacção que teve às mudanças na Cofidis foi que precisava de tempo para se adaptar ao novo método de trabalho. A Volta a França era o que mais ambicionava e apesar de até estar entre os possíveis convocados, Vasseur veio agora avisar que Bouhanni está longe de ter um lugar garantido. "Se não estás no melhor nível, então não tens nada para oferecer. Queremos levar o Nacer ao Tour, mas estou à espera de uma melhoria na sua forma", disse Vasseur ao Cycling News. Quanto às agressões, tudo estará sanado, segundo Vasseur.

O ciclista, de 27 anos, mudou-se em 2015 para a Cofidis para ter o estatuto de líder intocável. No ano passado renovou até 2019 a acreditar que assim continuaria. Entretanto chegou Vasseur e tornou-se rapidamente claro que a relação não era a mais calorosa. E Bouhanni teve ainda outro "problema" chamado Christophe Laporte. Um jovem sprinter (25 anos) e que também demonstra cada vez mais capacidade para as clássicas. E tem algo que Bouhanni não tem esta época: vitórias, no plural (quatro). Até foi ele o eleito para liderar a equipa no monumento Milano-Sanremo. O 13º lugar não foi uma desilusão para um ciclista que começa seriamente a despontar. Ainda foi à Gent-Wevelgem fazer quarto e foi 16º na Através da Flandres. Ou seja, o pavé também lhe assenta bem.

O aparecimento de Laporte coloca ainda mais pressão em Bouhanni, pois Vasseur não está a ter problemas em apostar no ciclista em detrimento da até agora estrela da Cofidis. Está em queda, mas não está excluído. Se Bouhanni quiser salvar o seu lugar e de certa forma a sua carreira, foi-lhe dado o repto que poderá muito bem ser a sua última oportunidade. A contratação dos Herrada demonstra que a montanha é novamente uma aposta e com um ordenado tão alto, a saída do sprinter permitirá a estrutura reforçar-se e continuar a adaptação ao que Vasseur tem idealizado para a Cofidis.

Com a falta de resultados, a sua personalidade - que não lhe dá a melhor da fama no pelotão (também já distribuiu umas cabeçadas e empurrões nos sprints) - e o elevado salário também não ajudarão se optar por procurar uma nova equipa já para o próximo ano. Tem contrato até 2019, mas o seu futuro está cada vez mais incerto.



24 de março de 2018

Bouhanni a cair do pedestal

(Imagem: Team Cofidis)
Vida difícil para Nacer Bouhanni. A nova visão para sua equipa tirou ao sprinter francês o lugar de total destaque na Cofidis, mas a reestruturação implementada pelo novo director Cédric Vasseur está a ir mais longe. O ciclista não rende vitórias, foi deixado de fora da Milano-Sanremo e nas últimas duas corridas abandonou devido a uma bronquite. Bouhanni foi contratado em 2015 com a única função de trazer vitórias a uma equipa que queria desesperadamente ser vista outra vez como ganhadora, mesmo estando no segundo escalão. O sprinter conseguiu algumas, mas longe do esperado. E falhou no objectivo máximo: Volta a França. Alguns episódios fora de competição e umas cabeçadas em sprints também não ajudaram à reputação de Bouhanni.

"Nos últimos anos, tudo tem estado centrado nele [Bouhanni] e isso significa que os outros ciclistas perderam o seu instinto ganhador. Se se trabalha apenas para um ciclista, então nunca se irá estar nas fugas e isso tem de mudar. Quero ver a equipa ser mais agressiva. Quero ver as camisolas da Cofidis nas fugas e isso irá ajudar a retirar a pressão do Nacer." As palavras de Vasseur, quando chegou à equipa, eram claras quanto ao estatuto de Bouhanni. É o ciclista mais bem pago da Cofidis, pelo que a responsabilidade continua a ser enorme, contudo, Vasseur cortou com a mentalidade anterior do director que trouxe o ciclista para a estrutura, Yves Sanquer. Despedido para dar lugar a Vasseur, Bouhanni evitou fazer comentários à saída de quem o colocou no centro das atenções na Cofidis, como queria quando bateu com a porta à FDJ, equipa do World Tour, mas onde recusou partilhar estatuto com Arnaud Démare.

No entanto, no pouco que disse ficou a ideia de algum mal-estar. Sobre as novas ideias de Vasseur, Bouhanni limitou-se a dizer: "Penso que preciso de algum tempo para me adaptar ao novo método de trabalho." A grande diferença está no comboio que ajudava o sprinter. Foi cortado para metade. Porém, houve mais. Christophe Laporte passou a ser aposta e este ano já tem três vitórias. Bouhanni está a zero. Para alimentar ainda mais uma possível ruptura entre ciclista e director, o sprinter foi excluído da Milano-Sanremo, com Laporte a ser chamado e a fazer 13º. Dias antes, Bouhanni tinha abandonado o Paris-Nice devido a uma bronquite. Ao seu estilo, o ciclista de 27 anos reagiu dizendo que o médico lhe tinha dado alta e que já estava a treinar, pelo que não percebia a decisão. Na equipa a justificação era que o ciclista não estava a 100%. Regressou na Volta à Catalunha e novo abandono por uma bronquite. Passaram as três corridas que Bouhanni tinha colocado como objectivo no início de temporada e as exibições do sprinter acabaram por ser uma nota de rodapé.

Em 2014, Bouhanni venceu três etapas no Giro, duas na Vuelta, mas pelo meio ficou de fora do Tour, com a FDJ a escolher Arnaud Démare como sprinter para essa corrida. Bouhanni assinou então pela Cofidis, onde lhe foi garantido que não haveria dúvidas que seria o líder indiscutível. Mesmo sendo Profissional Continental, é uma equipa cronicamente convidada para o Tour, até porque é um patrocinador que vai além da equipa de ciclismo nesta modalidade. Era o que Bouhanni queria e com o registo que trazia o sprinter na época de 2014, na Cofidis acreditava-se que se regressaria às vitórias na Grande Boucle.

Foi o quebrar com o passado, quando a equipa se mostrava mais na montanha, ou em fugas. O último triunfo no Tour foi por intermédio de Sylvain Chavanel em 2008! Em grandes voltas, Daniel Navarro venceu uma etapa na Vuelta em 2014 e depois o registo fica a zero em corridas de três semanas, precisamente porque tem sido no Tour que tem estado e Bouhanni não rende. Até chegou a ficar de fora numa edição por ter agredido um homem no hotel por alegadamente estar a fazer barulho. Faltava uma semana para o Tour e a lesão na mão acabou por ser impeditiva para competir e viu a prova em casa.

Em três temporadas na Cofidis, Bouhanni somou 28 vitórias. Muitos são os ciclistas que gostariam de ter registo idêntico. O problema é que apenas sete são do nível World Tour e duas HC. Sabe a pouco para uma equipa que apostou tanto (para não dizer tudo) neste ciclista de tanto potencial, mas que começa a dar indicações que poderá passar ao lado de uma grande carreira. E pode continuar a ganhar, mas sem aparecer no Tour, na Cofidis será sempre difícil, senão impossível, pensar que a aposta em Bouhanni foi algo perdida.

É um sprinter que se espera ter lugar no World Tour, mas no ano passado renovou por dois na Cofidis, pois Bouhanni não queria perder o seu estatuto. As suas pretensões acabaram por esbarrar na ambição da equipa que quer mais e percebeu que só com Bouhanni não iria lá. Quando Vasseur chegou os Herrada já tinham sido contratados, numa clara ideia de voltar a discutir mais do que sprints, sempre com o Tour em mente. Quando Vasseur chegou, não só se percebeu que os espanhóis teriam ainda mais destaque, como outros ganharam outro espaço, caso de Laporte (25 anos).

Não se sabe quando Bouhanni irá regressar à competição, apesar de estarem previstas participações em corridas francesas no final deste mês e início de Abril. A paciência com o sprinter poderá estar a atingir os limites. O corredor disse uma vez que não conhecia Vasseur, só de o ver na televisão a fazer comentários ou de quando era ciclista (representou precisamente a Cofidis entre 2002 e 2005). Agora já o conhece o suficiente para perceber que tem todo o poder para colocar em risco o estatuto de intocável da estrela da equipa. Em 2017, Bouhanni sofreu uma grave queda no Tour de Yorkshire, que lhe provocou problemas na visão que o perturbaram durante seis meses, segundo explicou o próprio. Porém, a bronquite de agora não irá servir de desculpa para continuar com um grande zero a nível de vitórias.

Com contrato até 2019, não seria de surpreender que a Cofidis esteja disposta a deixar sair Bouhanni. Talvez mais do que disposta, esteja mesmo com vontade de se livrar de um enorme peso salarial que poderá permitir a contratação de ciclistas que reequilibrem a equipa em todos os sectores, tornando-a mais competitiva em qualquer tipo de corrida, como quer Vasseur. Lá está, vida difícil para Nacer Bouhanni, que talvez esteja a precisar de uma dose do mundo real para recuperar a sua melhor versão, pois ao ser colocado num pedestal tão cedo na sua carreira, no seu caso, acabou por não ser o que precisava para continuar a senda de grandes vitórias que se pensava que estava apenas a começar em 2014.


2 de fevereiro de 2018

Teklehaimanot desce de escalão, mas já tem equipa

(Fotografia: Pymouss/Wikimedia Commons)
Era um ilustre desempregado no ciclismo, mas não tinha perdido a esperança de ainda conseguir uma equipa de referência para 2018, depois de ter ficado surpreendido pela Dimension Data não ter renovado o seu contrato. Daniel Teklehaimanot desceu ao escalão Profissional Continental, mas ficou numa das melhores, com presença garantida na Volta a França. A Cofidis reforçou a sua estrutura para a montanha com um ciclista talentoso, mas que tem sentido dificuldade em confirmar as enormes expectativas criadas, quando em 2015 vestiu a camisola da montanha do Tour por uns dias.

"Acabámos de recrutar um ciclista do World Tour e tenho a certeza que as suas qualidades de trepador e de [corredor] de ataque vão permitir o grupo atingir um novo nível", afirmou o novo responsável da equipa francesa, Cédric Vasseur. O eritreu, de 29 anos, limitou-se a escrever no Twitter: "Obrigada Cofidis por abrir a porta." E Teklehaimanot mal vai ter tempo para se adaptar ao novo equipamento! O ciclista irá competir já a partir de terça-feira na Volta ao Dubai, substituindo Geoffrey Soupe. Junta-se então a Nacer Bouhanni, Loic Chetout, Nicolas Edet, Cyril Lemoine, Daniel Navarro e Bert Van Lerberghe. O restante calendário irá ser confirmado mais adiante, mas o eritreu deverá ficar naquela zona do globo e participar também na Volta a Abu Dhabi.

Teklehaimanot foi uma das figuras africanas que contribuiu para a notoriedade que a então MTN-Qhubeka ganhou, tendo depois subido com a equipa ao World Tour. O nome mudou para Dimension Data, foram contratados ciclistas de maior mediatismo, como Mark Cavendish, mas o ciclista eritreu foi mantendo o seu espaço. Contudo, os resultados foram muito irregulares, com Teklehaimanot a ter a capacidade para estar ao melhor nível em certos dias, mas a desaparecer por completo noutros.

Em Janeiro, o ciclista afirmou ao L'Equipe que pensava que era um erro quando o seu contrato não foi renovado, salientando que não entendia o que tinha acontecido. A BMC chegou a ser falada como uma das possíveis interessadas, mas foi um rumor nunca confirmado. Teklehaimanot continuou a treinar, sem perder a esperança que um contrato chegasse. Vasseur acabou por ver no ciclista uma possibilidade de ter uma estrutura mais equilibrada, sem depender tanto do sprinter Nacer Bouhanni, como pretende.

Numa entrevista ao L'Equipe, Vasseur confirmou novamente que Bouhanni irá continuar a ser, naturalmente, uma das referências, mas a aposta será diferente. A primeira mudança passou por reduzir o seu "comboio", com o responsável a considerar que não estava a resultar para o sprinter, que se via muitas vezes fechado nos últimos metros. "A equipa trabalha durante a corrida e no final são os instintos do sprinter que fazem a diferença. O Nacer não precisa de seis corredores à sua volta, nem precisa de Christophe Laporte para ser o seu lançador para ganhar corridas de importância média", salientou Vasseur, justificando porque Laporte tem um calendário que difere do de Bouhanni neste início de temporada.

De recordar que a Cofidis é uma das equipas que estará na Volta ao Algarve, mas, para já, só o espanhol Luis Ángel Maté aparece com a prova portuguesa no seu calendário.


11 de novembro de 2017

Cofidis aposta forte no director desportivo para mudar rumo da equipa

Nacer Bouhanni continua sem vencer na Volta a França
Os responsáveis da Cofidis estão cansados de ser uma das principais equipas do escalão Profissional Continental, que deixou o World Tour por opção em 2010. Estão cansados de ter um dos melhores sprinters do mundo e não o ver render no maior dos palcos: a Volta a França. É preciso recuar a 2008 para ver a última vitória no Tour da Cofidis, num ano em que venceu duas etapas por intermédio de Sylvain Chavanel. A espera é longa, portanto, a Cofidis virou-se para Cédric Vasseur, que tanto resistiu em aceitar um cargo numa equipa desde que terminou a carreira de ciclista, mas que acabou por aceitar este desafio. Os objectivos são bem claros: tirar melhor partido de Bouhanni, mas, ao mesmo tempo, deixar de ter uma equipa centrada apenas no sprinter francês.

A Cofidis sempre foi uma equipa que se apresentou na luta pela montanha na Volta a França e noutras grandes corridas. Porém, quando em 2015 abriu os cordões à bolsa para garantir um Nacer Bouhanni, à procura de ser um líder indiscutível e não dividir as atenções com Arnaud Démare na FDJ, a equipa francesa assumiu uma mudança na táctica de enfrentar as competições. Com Bouhanni esperava ter maiores garantias de ganhar a desejada etapa no Tour. Daniel Navarro, Luis Ángel Maté e Nicolas Edet (e não só) mantiveram o papel de se mostrar quando o terreno inclina, mas o trabalho principal passou a ser proteger Bouhanni.

Aos 47 anos, Vasseur assume um novo desafio
"Nos últimos anos, tudo tem estado centrado nele [Bouhanni] e isso significa que os outros ciclistas perderam o seu instinto ganhador. Se se trabalha apenas para um ciclista, então nunca se irá estar nas fugas e isso tem de mudar. Quero ver a equipa ser mais agressiva. Quero ver as camisolas da Cofidis nas fugas e isso irá ajudar a retirar a pressão do Nacer", explicou Vasseur, de 47 anos, ao Cycling News.

Criar o "espírito certo", dar primazia ao profissionalismo, tirar partido da contratação dos irmãos Herrada e assegurar que personalidade forte de Bouhanni seja uma vantagem no ciclismo e não uma forma de o deixar fora de prova, são metas que Vasseur espera alcançar. Mesmo querendo que o sprinter não seja o foco total da Cofidis, a verdade é que Bouhanni (27 anos) tem contrato até 2019 e chegou o momento de vencer mais nos grandes palcos.  O sprinter somou sete vitórias em 2017, mas apenas uma do nível World Tour, na quarta etapa da Volta à Catalunha. No ano passado, o ciclista ficou de fora do Tour por ter agredido um homem no hotel onde estava hospedado por altura dos Nacionais. Bouhanni lesionou-se quando faltava uma semana para o arranque da corrida. Além deste caso, há ainda umas cabeçadas e uns "chega para lá" que já lhe valeram desclassificações.

"O que eu sei é que ele é um grande talento. Teremos muitas conversas durante o Inverno e farei com que ele perceba o quanto poderá ser bom. Penso que ele pode ganhar as grandes corridas e em primeiro lugar estará a Milano-Sanremo. Ele tem capacidade para ganhá-la", afirmou Vasseur. O agora director desportivo, considera que Bouhanni perdeu a confiança e que, por isso, fica nervoso. "Apenas precisamos de trabalhar o seu lado psicológico. Os seus atributos físicos são fenomenais", salientou.

A contratação dos irmãos Herrada não irá colocar a Cofidis a um nível para lutar pela geral num Tour, mas a equipa poderá beneficiar e muito da experiência destes dois ciclistas. José (32 anos), esteve as últimas seis temporadas na Movistar, enquanto Jesús (27), começou como profissional na equipa espanhola em 2011 e é o actual campeão nacional espanhol. Vasseur considera que haverá mais opções para os dias de montanha.

Apesar da Cofidis versão 2018 ter sido construída pelo seu antecessor Yvon Sanquer, Vasseur está satisfeito com o plantel. Recusou propostas da BMC e da Quick-Step Floors, equipa que representou enquanto ciclista e na qual terminou a carreira em 2007, mas parece que chegou a altura de se mostrar como director desportivo. Entre 2002 e 2005 vestiu as cores da Cofidis, numa altura em que a estrutura estava no principal escalão. Tem no seu currículo duas etapas no Tour, em 1997 e 2007.

Cédric Vasseur é desde já a grande contratação de uma Cofidis que quer ser de novo falada pela conquista de grandes vitórias.



29 de março de 2017

Bouhanni renova com a Cofidis. Confiança ou comodismo?

A época ainda vai nos primeiros meses, mas Nacer Bouhanni e a Cofidis quiseram desde já resolver o futuro. O ciclista francês renovou o contrato com a equipa francesa até 2019 e deverá continuar a receber cerca de 1,5 milhões de euros por ano. O sprinter voltou a trazer algum prestígio a uma formação que já contou com grandes nomes do ciclismo, mas que também viu alguns dos seus atletas serem envolvidos em casos de doping. Bouhanni trouxe também as desejadas vitórias, contudo, a sua personalidade de bad boy tem valido ao ciclista alguns dissabores, como foi a exclusão em cima da hora da Volta a França, no ano passado, devido a um murro dado a um hóspede do hotel onde estava, que estaria a fazer barulho durante a noite. Teve mesmo de ser operado à mão.

"Era importante para mim finalizar este acordo cedo porque eu gosto de saber o que esperar do futuro", explicou Bouhanni num comunicado. Se era tranquilidade contratual que o francês queria, já a tem. Se queria um voto de confiança da equipa, recebeu-a não só em forma de contrato, mas também na garantia que continuará a ser o líder. O director da Cofidis, Yvon Sanquer, salientou a confiança que Bouhanni demonstrou na estrutura "nos melhores anos da sua carreira". "O Nacer está a atingir a maturidade e estou convencido que vai enriquecer [a carreira] com mais belas vitórias", destacou Sanquer.

Esta renovação de contrato coloca um ponto final nas dúvidas se a Cofidis estaria satisfeita com o rendimento do ciclista, contratado em 2015, depois de ter aparecido na FDJ. Não há dúvidas que Bouhanni colocou a equipa na rota das vitórias, no entanto, ainda não concretizou o grande objectivo: a etapa na Volta a França. Soma 24 vitórias pela Cofidis (tem 54 no total como profissional), sete ao nível do World Tour. Apesar do ciclista destacar este facto, a verdade é que tendo em conta a qualidade deste sprinter, sabe a pouco. 

Quando assinou pela Cofidis assumiu que queria uma mudança na carreira, não temendo descer ao escalão Profissional Continental, sabendo que a formação é presença habitual na Volta a França. Na FDJ tinha de partilhar a liderança nos sprints com Arnaud Démare. Em 2014 venceu três etapas no Giro, mas ao ficar de fora do Tour, Bouhanni considerou que a equipa tinha feito uma escolha: preferia Démare. A resposta veio na Vuelta, depois do seu colega/rival ter ficado a zero na Volta a França: Bouhanni conquistou duas etapas em Espanha.

Sempre se pensou que a Cofidis seria uma forma do ciclista se afirmar como líder para depois regressar ao lugar que continua a parecer que deveria ser dele, ou seja, estar numa equipa do principal escalão. Porém, aos 26 anos (faz 27 a 25 de Julho) escolheu permanecer numa equipa Profissional Continental, ficando assim afastado da possibilidade de estar em mais corridas do World Tour. Será difícil imaginar que nenhuma equipa do principal escalão não tivesse Bouhanni na lista de potenciais reforços. Na decisão do ciclista terá pesado o facto de na Cofidis ter garantias que será o líder e que os colegas têm a missão de o ajudar sempre que se está em corridas que são para as suas características. O que viveu na FDJ não foi esquecido por Bouhanni, que apesar de na altura estar a ter mais sucesso que Démare, foi preterido quando chegou o momento de ir ao Tour, que como francês, +e a sua corrida de eleição.

É de lamentar não se ver Bouhanni regressar ao World Tour em 2018, existindo talvez algum comodismo por parte do ciclista que prefere ficar numa equipa que sabe que não colocará a sua condição de líder em risco. Resta agora à Cofidis garantir que este sprinter de grande qualidade tenha todas as condições para lutar por grandes vitórias. O grande objectivo é a Volta a França, mas Bouhanni tem também de apontar a um monumento, nomeadamente a Milano-Sanremo, corrida que em 2016 teve o azar de a corrente saltar quando ia começar o sprint. Para piorar viu o rival Démare ganhar.

A Cofidis tem um enorme valor do ciclismo e tem o dever de ter um conjunto de grande nível para ajudar Bouhanni. No entanto, este francês de feitio difícil também tem de demonstrar que está concentrado a 100% na estrada, mantendo a sua paixão pelo boxe em segundo lugar e tentando envolver-se menos em polémicas, inclusivamente nos sprints, pois já tem algumas desclassificações por irregularidades (algumas bem perigosas).

Este ano estava difícil começar a somar vitórias, mas numa semana venceu com uma autoridade impressionante a clássica belga Nokere Koerse e também uma etapa na Volta à Catalunha.

Não se pode dizer que Bouhanni arrisca passar ao lado de uma grande carreira, pois já tem vitórias importantes no seu currículo. Porém, depende de Bouhanni e da Cofidis assegurar que não se fique por uma boa carreira, pois será pouco tendo em conta o potencial de grande sprinter que Bouhanni tem.

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31 de janeiro de 2017

Sprinters, contra-relogistas, trepadores. Mais uns grandes nomes confirmados para a Volta ao Algarve

Nacer Bouhanni, o bad boy do ciclismo, irá discutir os sprints na Volta ao Algarve
(Fotografia: Team Cofidis)
John Degenkolb e Arnaud Démare eram os dois ciclistas confirmados para animar os sprints na Volta ao Algarve, mas a concorrência vai ser intensa com mais uns nomes confirmados para a corrida portuguesa. Nacer Bouhanni (Cofidis) - o rival francês de Démare e o bad boy do ciclismo - o alemão André Greipel (Lotto Soudal), Dylan Groenewgen (campeão holandês da Lotto-Jumbo), Edvald Boasson Hagen (Dimension Data) e Fernando Gaviria (a jovem promessa colombiana da Quick-Step Floors, que recentemente venceu duas etapas na Volta a San Juan) vão marcar presença na Algarvia. Portanto, Lagos e Tavira têm tudo para ser palco de disputa entre alguns dos melhores sprinters mundiais. Mas há mais nomes a dar forma a mais um pelotão de luxo na Volta ao Algarve.

Para as etapas de montanha e para o ataque à geral, Michal Kwiatkowski (Sky) regressa para tentar repetir o triunfo de 2014, mas terá de enfrentar Rafal Majka - que este ano é um dos líderes da Bora-Hansgrohe -, Andrey Amador (Movistar), Tony Gallopin (Lotto Soudal), Primož Roglič - quinto classificado em 2016 -  e Lars Boom (ambos da Lotto-Jumbo). Para completar este fantástico grupo de ciclistas, estará ainda Daniel Martin, o irlandês da Quick-Step Floors.

Ainda falta confirmar vários corredores que irão completar as equipas, mas já dá para perceber que as formações World Tour vão apresentar-se no Algarve com candidatos a vencer qualquer das cinco etapas. No contra-relógio, o campeão da Europa Jonathan Castroviejo (Movistar) irá juntar-se ao campeão do Mundo Tony Martin (Katusha-Alpecin). Os dois terão certamente a forte concorrência do quatro vezes campeão nacional da especialidade, Nelson Oliveira.

A Movistar terá os dois portugueses entre os eleitos. Além de Nelson Oliveira, a equipa espanhola contratou este ano Nuno Bico, que aos 22 anos começa a sua experiência ao mais alto nível do ciclismo. O outro campeão nacional, mas de fundo, José Mendes (Bora-Hansgrohe), também estará nas estradas algavias. Estes ciclistas juntam-se aos já confirmados Tiago Machado e José Gonçalves (Katusha-Alpecin) e Ruben Guerreiro (Trek-Segafredo). Do escalão Profissional Continental, a Caja Rural terá Rafael Reis na equipa e a Manzana Postobón contará com Ricardo Vilela.


No dia da apresentação da corrida, que este ano tem a categoria 2.HC (a segunda mais alta), foram também apresentados os patrocinadores das quatro camisolas:

  • Geral individual: camisola amarela/Turismo do Algarve;
  • Montanha: camisola azul/Liberty Seguros;
  • Pontos: camisola vermelha/Cofidis;
  • Juventude: camisola branca/Sicasal.

A Volta ao Algarve realiza-se entre 15 e 19 de Fevereiro, contando com duas etapas planas, uma de contra-relógio e duas de montanha, com a decisão final marcada novamente para o Alto do Malhão. Uma das grandes novidades será o regresso da transmissão televisiva, com o Eurosport e a TVI24 a transmitirem a última hora das etapas.


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26 de setembro de 2016

Mundiais: Bélgica aposta na experiência, França aposta numa grande dor de cabeça

Nacer Bouhanni e Arnaud Démare, uma rivalidade francesa
(Fotografia: Jérémy-Günther-Heinz Jähnick/Wikimedia Commons)
Aos poucos vão sendo conhecidas as escolhas dos seleccionadores para os Mundiais do Qatar. E se se continua à espera da revelação mais desejada - André Greipel ou Marcel Kittel a liderar a Alemanha - hoje ficou-se a saber que a França apostou numa potencial enorme dor de cabeça. Nacer Bouhanni e Arnaud Démare foram os dois convocados, mas o líder só será escolhido já em Doha. Dada a rivalidade entre os dois ciclistas, Bernard Bourreau assumiu um elevado risco. Já na Bélgica é tudo mais pacífico. Tom Boonen vai liderar a selecção, mas o campeão olímpico Greg van Avermaet terá liberdade para tentar aproveitar alguma oportunidade que surja no percurso plano de 257 quilómetros.

Bouhanni e Démare estiveram cinco anos na FDJ e enquanto iam revelando-se como dois potenciais fortes sprinters, a rivalidade foi crescendo. Em 2014 tornou-se insuportável os dois continuarem na equipa, principalmente quando Bouhanni foi preterido na escolha da equipa para a Volta a França, depois de ter ganho três etapas no Giro. Démare não conquistou numa tirada no Tour, enquanto Bouhanni foi depois à Vuelta ganhar duas. Tornou-se óbvio que a FDJ teria de escolher e foi Bouhanni quem bateu com a porta, preferindo assinar por uma equipa Profissional Continental, a Cofidis, mas garantir que seria líder e que estaria no Tour.

Bouhanni (26 anos) tem sido mais ganhador, mas também tem sido um problema para a equipa devido a sua personalidade. Sprints irregulares custaram-lhe triunfos, um murro num homem que fazia barulho num hotel custou-lhe a presença na Volta a França. Ainda assim, como sprinter, Bouhanni apresenta nove vitórias em etapas em 2016, Démare (25) soma cinco, ainda em que algumas competições a concorrência tenha sido quase nula. Porém, Bernard Bourreau explicou a escolha, pois uma das vitórias do ciclista da FDJ foi no monumento Milano-Sanremo, o que para o seleccionador é significado de um atleta com capacidade para provas duras de um dia... Bouhanni foi quarto e ficou fora do sprint devido a um problema mecânico. Démare tem ainda no currículo um título mundial em sub-23.

A acompanhar a dupla estarão ciclistas da Cofidis e da FDJ: Christophe Laporte, Geoffrey Soupe, Cyril Lemoine e Yoann Offredo, William Bonet, Marc Sarreau. Uma equipa divida. Um risco enorme que será muito interessante ver como e se será possível gerir. Démare a apoiar Bouhanni ou vice-versa, parece ser impossível. Apostar nos dois ciclistas poderá não resultar frente a outras equipas unidas em torno de um homem. De fora ficou, como se esperava, Bryan Coquard (24 anos). Mesmo com 11 vitórias, nenhuma de World Tour, o sprinter da Direct Energie está apenas na lista de suplentes, mas terá de esperar por outra oportunidade.

(Fotografia: Facebook Etixx-QuickStep)
Já na Bélgica deverá ser tudo mais pacífico. Tom Boonen tem feito um final de temporada apontando a uns últimos Mundiais. O belga vai retirar-se depois do Paris-Roubaix em 2017, mas vai procurar a segunda camisola arco-íris, 11 anos depois de ter vencido a prova em Madrid. Aos 35 anos Boonen está longe de ser um favorito perante a concorrência, mas as vitórias na RideLondon e na clássica de Bruxelas motivaram o ciclista. Uma queda no Eneco Tour ainda assustou, mas os médicos garantiram que estava tudo bem e Boonen está concentrado em preparar os Mundiais.

(Fotografia: Facebook Greg van Avermaet)
Quanto a Greg van Avermaet (31 anos), pode não ser um puro sprinter, mas consegue defender-se em algumas situações e depois da temporada que teve era quase um crime deixá-lo de fora ou obrigá-lo a trabalhar apenas para Boonen. Na Milano-Sanremo, monumento considerado como a corrida para os sprinters, Avermaet foi quinto, mostrando que consegue debater-se com os melhores. Mas foram sete as vitórias em 2016, incluindo a sua primeira clássica na Bélgica, uma etapa na Volta a França (vestiu ainda a camisola amarela) e, claro, a medalha de ouro olímpica. Avermaet terá luz verde para tentar procurar uma oportunidade para surpreender uns sprinters ávidos em vestir a camisola do arco-íris.

Philippe Gilbert foi o último belga campeão do Mundo em 2012, mas o ciclista da BMC afirmou que não iria ao Qatar, um circuito que considerou não ser para as suas características. Sep Vanmarcke também ficou de fora assim como Gianni Meersman, que terá sonhado com uma chamada após vencer duas etapas na Vuelta.

A apoiar Boonen e Avermaet estarão Oliver Naesen (segundo no Eneco Tour), Jens Keukeliere (vencedor de uma etapa na Vuelta), Jasper Stuyven (ganhou a Kuurne-Brussels-Kuurne), Iljo Keisse, Nikolas Maes, Jens Debusscherre e Jurgen Roelandts.

»»Mark Cavendish em vantagem ainda antes de partir para os Mundiais««

»»"Não é um Mundial muito bom para nós"««

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30 de junho de 2016

O murro da catástrofe de Bouhanni e da Cofidis

(Fotografia: Facebook Team Cofidis)
Depois das cabeçadas nos sprints, Nacer Bouhanni resolveu mostrar o seus dotes de pugilista contra um homem bêbedo que o estava a incomodar num hotel. Resultado? Começou por levar pontos na mão e foi obrigado a desistir dos Nacionais franceses ao fim de poucos quilómetros, depois a ferida infectou, teve de ser sujeito a uma cirurgia e... está fora da Volta a França.

A notícia é um choque para Cofidis e para os próprios franceses que viam em Bouhanni um forte candidato, a par de Bryan Coquard (Direct Energie), a conquistar vitórias ao sprint frente a Marcel Kittel, André Greipel e Mark Cavendish. Era também apontado como um dos que lutariam pela camisola verde dos pontos. Bouhanni acaba por ser vítima do seu próprio feitio. Já se conhece o seu lado lutador, não o esconde na estrada. Já se sabe também que pratica e gosta muito de boxe - até dedicou uma vitória de etapa no Dauphiné a Muhammad Ali -, mas "praticar" em alguém acabou por lhe custar mais um Tour. No ano passado já tinha sofrido uma aparatosa queda nos Nacionais que quase o tiraram da Volta a França. Recuperou, mas há quinta etapa foi para casa, depois de mais um queda.

A Cofidis leva as mãos à cabeça. O ano foi a pensar no Tour e em Bouhanni e, por isso, Didier Rous, director desportivo da equipa francesa, não hesitou em considerar a ausência da estrela da equipa uma "catástrofe". A versão dos acontecimentos de sábado à noite foram partilhados pela Cofidis, que acredita que quando o ciclista foi ao hospital após a agressão, este não recebeu o tratamento adequado. No domingo, mesmo após a desistência dos Nacionais, a Cofidis divulgava que Bouhanni estaria na Volta a França. Porém, a infecção que surgiu depois e a cirurgia necessária para tratar da mão, mais os tratamento que ainda terá de receber, colocou um ponto final no principal objectivo do ano para a equipa, que viu Bouhanni ter um problema na corrente que o tirou da luta no sprint da Milano-San Remo, monumento conquistado pelo rival Arnaud Démare (FDJ).

Recuando àquele sábado, o grupo estaria a fazer barulho no quarto de hotel ao lado do de Bouhanni, já de madrugada. O ciclista apelou que acabassem com o barulho e um homem alcoolizado tentou agredir o francês, que respondeu e acertou um murro na pessoa. Mais uma vez, esta foi a versão divulgada pela Cofidis.

Bouhanni reagiu a uma situação como se calhar muitos o variam, ao tentar que as pessoas fizessem pouco barulho. Mas certamente que a Cofidis já pensa se tudo não deveria ter sido tratado de outra maneira, por terceiros (segurança ou responsável do hotel?) e não um confronto directo com potencial para acabar mal. Um incidente que só pode ser considerado de ridículo pode ter arruinado o Tour para a equipa.

Didier Rous admite que será uma Volta a França difícil para a Cofidis, construída a pensar em Bouhanni. Nicolas Edet é um homem com características completamente diferente. Será mais a pensar numa boa classificação na geral ou talvez uma etapa, mas até Rous sabe que a equipa corre sérios riscos de passar ao lado da competição onde mais precisa de se mostrar.

Bouhanni é uma forte aposta financeira da Cofidis e era no Tour que tinha a responsabilidade de rentabilizar uma boa parte dessa aposta. Dois anos na equipa e nenhuma vitória na Volta a França. Dada a razão da ausência, Bouhanni estará sobre pressão para alcançar bons resultados até ao final do ano. 2016 até estava a ser positivo, apesar da desclassificação numa etapa do Paris-Nice, quando encostou Michael Matthews às grades, e de umas cabeçadas no Critérium du Dauphiné: soma sete vitórias de etapas, quatro em provas World Tour. Porém, um murro tirou-o da Volta a França... um murro...

7 de junho de 2016

Pedalar às cabeçadas, uma marca por registar

As cabeçadas de Bouhanni a Kristoff
Já se sabe, quando chega o momento do sprint é o salve-se quem puder. A luta pela posição é uma autêntica batalha e os toques, os "chega para lá", são normais. Até as cabeçadas não são particularmente anormais. A questão é que lutar por posição não significa entrar em combates que colocam muitos ciclistas em risco. Na primeira etapa do Critérium du Dauphiné não faltaram cabeçadas, de tal forma que a Cofidis vê-se agora debaixo de fogo por parte das outras equipas. E as críticas visam mesmo Nacer Bouhanni. O francês é um dos melhores sprinters da actualidade, mas cada vez mais demonstra uma agressividade que vai além do admissível. No passado já houve quem ficasse com esta fama, mas agora é ele que começa a ficar conhecido por usar a cabeça, literalmente.

Até recentemente era Mark Cavendish quem era mais popular pelas cabeçadas nos sprints. Mas o tempo áureo do britânico já lá vai e como esta forma de sprintar não tem uma marca registada, agora é a vez de Bouhanni. Porém, o francês não quer claramente ser comparado a ninguém, por isso, junta às cabeçadas umas cargas de ombro que há que admirar a destreza que tem em aguentar-se na bicicleta, mas é absolutamente reprovável colocar constantemente em risco os outros ciclistas.

Este ano Bouhanni já foi castigado por esses exageros. Foi desclassificado numa etapa do Paris-Nice quando encostou Michael Matthews (Orica-GreenEDGE) às barreiras. Esse encostar não foi feito apenas com mudança de trajectória, chegou mesmo a empurrar com o corpo o australiano.

Na etapa do Critérium du Dauphiné a situação não foi tão grave e nem foi ele o único. Aliás, até parecia que a Cofidis tinha encontrado a forma de preparar sprints: à cabeçada, ao estilo marrada. Mas Bouhanni teve um combate directo com Alexander Kristoff (vídeo pode ser visto aqui), que inicialmente até conseguiu afastar o francês, mas acabou por não conseguir sprintar.

Um dos desportos preferidos de Bouhanni é o boxe, mas levar para a estrada a vontade de bater que tem nos ringues, poderá custar-lhe caro, principalmente em impor respeito no pelotão.

Os comissários consideraram que não houve irregularidades, mas na era das redes sociais foi fácil perceber que o que aconteceu naquela preparação de sprint não agradou. André Greipel até recordou quando em 2010 Mark Renshaw foi expulso do Tour precisamente por ter andado às cabeçadas em situação idêntica.










Bouhanni não tem de ser o senhor popularidade no pelotão. Todos gostam de um "bad boy", mas o francês tem de aprender que até o vale tudo tem limites.