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11 de abril de 2019

As novas cores da agora Total Direct Energie

(Fotografia: Facebook Total Direct Energie)
Antes da Sky apresentar-se com um novo equipamento e nome no próximo mês, é a francesa Direct Energie a autora da primeira grande mudança do ano. A estreia será no Paris-Roubaix, este domingo. O preto e amarelo darão lugar ao azul e branco e à Total Direct Energie, novo nome da formação de Niki Terpstra e Lilian Calmejane.

Estava a ser a quarta temporada do patrocinador, mas a petrolífera Total adquiriu a Direct Energie, pelo que a imprensa francesa já avançava com a possibilidade da empresa colocar também o seu nome no ciclismo. Mas esta entrada da Total irá trazer mais à estrutura do que a mudança de nome, a começar por um provável aumento no orçamento. O primeiro objectivo é a subida a World Tour, tendo pedido a licença para o período de 2020-2022. Agora terá esperar para saber se é uma das eleitas, sendo que, na estrada, está na luta pelos pontos para o melhor ranking possível e assim ter o mérito desportivo do seu lado. Contudo terá ainda de corresponder às regras financeiras, éticas, organizacionais e administrativas.

Mas para já é tempo de mostrar as novas cores e a mudança é radical, respeitando as cores que distinguem a Total. A equipa anunciou através de um vídeo publicado nas redes sociais (ver em baixo). Infelizmente para a formação, não terá no dia de estreia a sua principal estrela das clássicas do pavé, pois Niki Terpstra, o grande reforço de 2019, caiu na Volta a Flandres e sofreu uma concussão cerebral. Por precaução, não irá competir no monumento Paris-Roubaix, que venceu em 2014. O holandês também conquistou a Flandres em 2018.

Esta situação poderá levar Adrien Petit e Anthony Turgis a assumirem um maior protagonismo na nova fase de uma equipa que já teve outros nomes, como Europcar por exemplo, já passou por algumas dificuldades, mas foi sobrevivendo e quer agora voltar a subir de nível, procurando também figuras que ocupem o lugar deixado por Thomas Voeckler.




23 de abril de 2018

Ciclista ciumento não tem lugar na Quick-Step Floors

(Fotografia: © Sigfrid Eggers/Quick-Step Floors)
Com mais de 30 anos de carreira como director desportivo, Patrick Lefevere admite que ao ver como os seus ciclistas trabalham em equipa, ajudando-se mutuamente para alcançarem vitórias, é algo que ainda o deixa emocionado. Para o responsável da Quick-Step Floors esta foi a melhor primavera de sempre, com dois monumentos conquistados, a Flèche Wallonne, E3 Harelbeke... praticamente todas as clássicas belgas, além de vitórias de etapas na Volta a Catalunha e ao País Basco. E contabilizando todos os triunfos desde o início do ano, são 27, distribuídos por 12 ciclistas, com a Sky a ser a equipa que mais se aproxima deste fabuloso registo, com 15 triunfos.

"Não é possível fazer melhor. É a minha melhor primavera de sempre e foi com uma equipa muito jovem", salientou Lefevere ao jornal belga Het Nieuwsblad. Bob Jungels e Julian Alaphilippe têm 25 anos, Fabio Jakobsen e Álvaro Hodeg (duas das revelações deste início de temporada), têm 21, Enric Mas, 23, Max Schachmann, 24, só para nomear alguns. Niki Terpstra (33), Maximiliano Richeze (35) e Philippe Gilbert (35) são os veteranos, mas só o último ainda não venceu este ano, apesar de ser ele quem detém o melhor currículo. Porém, Gilbert foi visto mais do que uma vez a trabalhar para colegas bem mais novos, ou então a tentar mexer na corrida. "Vemos como o Philippe Gilbert não tem problemas em abrir a corrida [como aconteceu na Liège] para os outros. Isso é o conceito de equipa: ninguém tem ciúmes", realçou Lefevere, que foi mais longe: "Se vejo um ciclista ciumento, tiro-o da minha equipa."

Esta é uma equipa habituada a somar mais de 50 ou 60 vitórias por ano, ainda assim, 27 e o mês de Abril ainda nem terminou, é algo que deixou Lefevere orgulhoso. No ano passado, por exemplo, "só" atingiram este número já em Maio, durante a Volta à Califórnia. Mas para o director há algo importante a destacar nesta juventude de enorme talento que corrida após corrida aparece a ganhar com a camisola da Quick-Step Floors. "Quando o Johan Museew parou, as pessoas pensavam que tínhamos um problema. O mesmo aconteceu com a despedida de Tom Boonen. Parecia que estávamos amputados, mas havia rapazes prontos para assumir a responsabilidade", referiu.

E assim foi, pois além dos jovens que apareceram, ciclistas ainda novos, mas já com experiência apareceram a grande nível, como foi o caso de Pieter Serry (29) e Yves Lampaert  (27), este último também já ganhou. E depois houve Zdenek Stybar (32), a quem continua a escapar um monumento, mas que nas clássicas do pavé foi um incansável em garantir que a Quick-Step Floors somava vitórias. Grande exemplo foi para os mais jovens, chegando a preparar os sprints para quem ainda agora chegou ao World Tour. "Estamos muito contentes. Não é possível fazer melhor. Eu devia dar uma conferência de imprensa amanhã a dizer que vamos abandonar em grande estilo", brincou Lefevere.

Desistir é uma palavra que não existe no vocabulário desta equipa belga, numa altura que virará as atenções para as grandes voltas. As clássicas são o ADN desta estrutura, mas não se se pense que irá desaparecer com a chegada do Giro, Tour e mais tarde a Vuelta. No ano passado foi uma autêntica papa-etapas com Fernando Gaviria, Marcel Kittel e Matteo Trentin a não darem hipótese nos sprints.

Kittel não quis competir por um lugar no Tour com Gaviria e foi para a Katusha-Alpecin, enquanto Trentin foi à procura de um papel de maior destaque durante toda a temporada na Mitchelton-Scott. Nem um, nem outro está a ter um ano muito memorável. Já a Quick-Step Floors contratou Elia Viviani (29 anos) e já lá vão seis vitórias. Vai ao Giro para matar a fome de grandes voltas, depois da Sky o ter deixado de fora de todas em 2017. Gaviria tem estado a recuperar de uma queda no Tirreno-Adriatico, depois de a estreia como aposta nas clássicas não ter corrido muito bem. No entanto, já tem quatro vitórias e vai regressar esta terça-feira na Volta a Romandia, na preparação rumo ao Tour. E há que salientar que, apesar de já ser um dos melhores sprinters do mundo, só tem 23 anos.

Quanto a Viviani há que referir que é mais um exemplo de outra capacidade extraordinária da Quick-Step Floors. Ciclistas que vivem maus ou menos bons momentos na carreira, vão para a estrutura de Lefevere e simplesmente desatam a ganhar. Aconteceu com Viviani, que atravessa a sua melhor temporada, foi o caso de Marcel Kittel quando deixou a então Giant-Alpecin (actual Sunweb) e com Gilbert que no ano passado voltou às grandes vitórias, depois de uma travessia no deserto durante grande parte da sua estadia na BMC.

Se para as classificações gerais não se espera uma candidatura ao nível de um Chris Froome, Romain Bardet, Tom Dumoulin, Nairo Quintana ou outros grandes voltistas, Enric Mas estará no Giro para mostrar que Espanha tem mais um homem que quer e pode assumir-se como referência, agora que Alberto Contador saiu de cena. Em França, será a vez de Bob Jungels elevar o seu nível e ir à procura de pelo menos um top dez.

Pelo meio haverá corridas de uma semana ou de um dia e seria estranho se no final do ano não estivéssemos a olhar para um registo a rondar as 60 vitórias, ainda que se o ritmo de triunfos se mantiver, poderemos estar perante algo histórico.

Aqui ficam as 27 vitórias até ao momento da Quick-Step Floors (a categoria está entre parêntesis, com as identificadas como UWT a pertenceram ao calendário World Tour):

➤ Terceira etapa do Tour Down Under (2.UWT), 18 de Janeiro: Elia Viviani
➤ Primeira etapa da Volta a San Juan (2.1), 21 de Janeiro: Fernando Gaviria
➤ Quarta etapa da Volta a San Juan (2.1), 24 de Janeiro: Maximiliano Richeze
➤ Primeira etapa da Colombia Oro y Paz (2.1), 6 de Fevereiro: Fernando Gaviria
➤ Segunda etapa da Volta ao Dubai, 7 de Fevereiro: Elia Viviani
➤ Segunda etapa da Colombia Oro y Paz (2.1), 7 de Fevereiro: Fernando Gaviria
➤ Terceira etapa da Colombia Oro y Paz (2.1), 8 de Fevereiro: Fernanco Gaviria
➤ Quarta etapa da Colombia Oro y Paz (2.1), 9 de Fevereiro: Julian Alaphilippe
➤ Quinta etapa da Volta ao Dubai (2.HC), 10 de Fevereiro: Elia Viviani
➤ Classificação geral da Volta ao Dubai (2.HC), 10 de Fevereiro: Elia Viviani
➤ Segunda etapa da Volta a Abu Dhabi (2.UWT), 22 de Fevereiro: Elia Viviani
➤ Le Samyn (1.1), 27 de Fevereiro: Niki Terpstra
➤ Dwars door West-Vlaanderen (1.1), 4 de Março: Rémi Cavagna
Danilith Nokere Koerse (1.HC), 14 de Março: Fabio Jakobsen
Handzame Classic (1.HC), 16 de Março: Álvaro Hodeg
Primeira etapa da Volta à Catalunha (2.UWT), 19 de Março: Álvaro Hodeg
Driedaagse Brugge - De Panne (1.HC), 21 de Março: Elia Viviani
E3 Harelbeke (1.UWT), 23 de Março: Niki Terpstra
Sexta etapa da Volta à Catalunha (2.UWT), 24 de Março: Max Schachmann
Dwars door Vlaanderen (1.UWT), 28 de Março 1 de Abril: Yves Lampaert
Volta a Flandres (1.UWT), 1 de Abril: Niki Terpstra
Primeira etapa da Volta ao País Basco (2.UWT), 2 de Abril: Julian Alaphilippe
Segunda etapa da Volta ao País Basco (2.UWT), 3 de Abril: Julian Alaphilippe
Scheldeprijs (1.HC), 4 de Abril: Fabio Jakobsen
Sexta etapa da Volta ao País Basco (2.UWT), 7 de Abril: Enric Mas
Flèche Wallonne (1.UWT), 18 de Abril: Julian Alaphilippe
Liège-Bastogne-Liège (1.UWT), 22 de Abril: Bob Jungels



1 de abril de 2018

Recital de Terpstra numa desunião que fortalece ainda mais a Quick-Step Floors

Terpstra ganhou o seu segundo monumento (Fotografia: Volta a Flandres)
Estavam todos mais do que avisados. A Quick-Step Floors era a equipa temida, com quatro ciclistas candidatos a ganhar e outros três de grande qualidade. No entanto, os adversários estiveram na Volta a Flandres a pensar em si, a controlar, por vezes a parecer terem mais medo do que os outros poderiam fazer, do que propriamente interessados em fazer algo. Quando a Quick-Step Floors mexeu - com um "incentivo" de Vincenzo Nibali - foi o filme de sempre: os restantes candidatos olharam para Peter Sagan. O eslovaco até tentou, mérito nisso. Mas foi tarde e completamente ineficaz. Os restantes pouco fizeram. Agradeceu a Quick-Step Floors. Foi perfeita e logo na primeira tentativa acertou. Niki Terpstra atacou a 30 quilómetros da meta, apanhou o trio da frente e lá foi ele.

Ganhar isolado é algo que sabe fazer tão bem. Não vence muito, mas o holandês tem um currículo de fazer inveja a muitos dos grandes nomes das clássicas. Este domingo juntou a Volta a Flandres ao Paris-Roubaix. Dois monumentos! Nem Peter Sagan, nem Greg van Avermaet, os dois principais nomes da actualidade das clássicas (juntamente com Philippe Gilbert), se podem gabar deste feito... Niki Terpstra também já tem duas Dwars door Vlaanderen (Através da Flandres), há pouco mais de uma semana conquistou o E3 Harelbeke e em provas por etapas tem o Eneco Tour, a Volta à Valónia e duas Voltas ao Qatar. E 2018 vai ser um ano que não irá esquecer, pois foi a terceira vitória em cinco semanas. Tudo começou no final de Fevereiro com o segundo triunfo na carreira no Le Samyn. Foi ainda três vezes campeão nacional.

21ª vitória esta temporada da Quick-Step Floors e sendo um conjunto que aposta muito forte nesta fase das clássicas - afinal é belga -, o director Patrick Levefere só viu os seus ciclistas deixar escapar a Gent-Wevelgem no seu país. Peter Sagan estragou os planos de Elia Viviani.

Terpstra era uma hipótese para a Flandres, Philippe Gilbert outra, Zdenek Stybar e Yves Lampaert mais duas. Que luxo! Há um ano Gilbert acelerou a mais de 50 quilómetros da meta e nunca mais ninguém o viu. Vitória épica. Desta vez foi uns quilómetros depois, mas a receita foi a mesma. A figura, desta feita, foi Niki Terpstra. 33 anos, oito na Quick-Step Floors. Não é dos ciclistas mais consistente em termos de resultados e desde que venceu o Paris-Roubaix, há quatro anos, que só de quando em vez apareceu. Agora está numa forma em tudo idêntica àquele 2014 e com a conquista da Flandres, ganhou novamente um lugar de destaque entre os candidatos para o monumento francês do próximo domingo.

Terpstra emocionou-se. Não escondeu como em criança via Roubaix e Flandres e sonhava em um dia lá estar. Em um dia vencer. Agora ganhou os dois míticos monumentos - desde Adrie van der Poel em 1986, que nenhum holandês não ganhava na Volta a Flandres - e ajudou a Quick-Step Floors a confirmar que pode ter perdido Tom Boonen, mas a retirada do belga apenas serviu para libertar todos os restantes ciclistas.

Deixou de existir um líder destacado e esta forma de haver espaço para todos lutarem por vitórias está a ser uma táctica perfeita. O Paris-Roubaix do próximo domingo fecha a fase das clássicas do pavé e ninguém parece encontrar forma de desestabilizar a estrutura belga. Para tal teriam de lutar com armas idênticas. E como nenhuma equipa tem o poderio da Quick-Step Floors, resta unir esforços entre rivais. Para isso terão de colocar os egos de parte e principalmente perceber que têm de trabalhar, mesmo com Peter Sagan, se quere discutir a vitória em Roubaix. Na Quick-Step Floors é a união que faz literalmente a força, contudo, ninguém esteve disponível na Flandres para se unir a adversários. Erro crasso.

Todos os líderes ficaram sozinhos, com a excepção da Sky. No entanto, optaram por tentar de quando em vez acelerar, mas sem ajudar quando outro o fazia. Sagan não está definitivamente disponível para levar ninguém na roda e, de repente, há quem nem consiga estar na discussão das corridas... O pior é que nem o tricampeão do mundo consegue. Nesta próxima semana haverá muito a pensar de como se irá encarar um Paris-Roubaix que ameaça ser chuvoso. A Quick-Step Floors volta a ser a grande candidata pelo seu todo. Os restantes terão de repensar se é individualmente que quererão enfrentar o pavé do Inferno do Norte.

A equipa belga colocou ainda Philippe Gilbert no pódio, com Mads Pedersen a ser o único do trio que esteve na frente que não perdeu o contacto com Terpstra quando este ultrapassou como se fosse de moto. Dylan van Baarle (Sky) e Sebastian Langeveld (EF Education First-Drapac) não são uns inexperientes neste tipo de corridas, mas foram banalizados por um irresistível Terpstra. 22 anos e Pedersen está a dar cada vez mais garantia a uma Trek-Segafredo que começa a não saber o que fazer com um John Degenkolb que mal se vê. Quando se vê.

Uma palavra para Wout van Aert. Na estreia na Volta a Flandres foi dos poucos que tentou mexer na corrida quando Terpstra saiu atrás de um surpreendente Vincenzo Nibali (o italiano quebrou logo a seguir, mas o 24º lugar é um excelente resultado para quem correu pela primeira vez nesta prova). Falta experiência ao jovem belga da Vérandas Willems-Crelan. Foi nono e tem todas as qualidades para um dia discutir a Flandres e o Paris-Roubaix.

A Quick-Step Floors fechou o top dez com Zdenek Stybar, mas há que referir o 13º classificado. É incrível como aconteceu tudo a Sep Vanmarcke (EF Education First-Drapac). Caiu, furou, teve problemas mecânicos e ainda assim foi juntamente com Wout van Aert e Sagan (sexto) quem mostrou querer fazer algo quando Terpstra já lá ia bem longe. Ao ver que ninguém ajudava, percebeu que o esforço era inglório.

Que venha o Paris-Roubaix. É uma corrida menos propensa a controlos como aconteceu na Flandres, pelo que jogar ao ataque é muitas vezes a melhor táctica. A Quick-Step Floors, que poderá apresentar exactamente o mesmo sete de Flandres, tem toda a vantagem para assumir esta forma de correr. Os adversários precisam de fazer mais do que olhar apenas para o que Peter Sagan e o escudeiro Daniel Oss fazem.

Quanto aos portugueses, Nelson Oliveira ainda chegou a aparecer no grupo principal, antes de este ficar reduzido aos principais candidatos. Foi 62º a 8:18 minutos. O colega da Movistar, Nuno Bico, abandonou, assim como José Gonçalves, da Katusha-Alpecin.

Classificação via ProCyclingStats.


»»Na Volta a Flandres não serão todos contra Sagan. O principal alvo será outro««

»»Nibali pode igualar feito de há 46 anos na estreia na Volta a Flandres««

23 de março de 2018

Só Daniel Oss não chega para ajudar Sagan

(Fotografia: Bora-Hansgrohe/Bettiniphoto)
Foi uma grande contratação para a Bora-Hansgrohe. Finalmente Peter Sagan pode dizer que tem um braço direito que não fica cortado quando as corridas endurecem um pouco. Sagan pode agora ser poupado em certos esforços que antes de tinha fazer para perseguir fugas e responder a ataques. Agora tem Daniel Oss que já vai partilhando esse trabalho. Porém, está a ser insuficiente. A forma de Sagan também não parece ser a mais apurada, mas quando se tem um ciclista que estando num grupo ninguém mais ajuda, então a Bora-Hansgrohe vai precisar de exigir mais dos corredores que forem chamados a estar com o eslovaco. Só o italiano não chega.

Daniel Oss esteve ao lado de Greg van Avermaet quando o belga conseguiu quebrar o estigma dos segundos lugares e começou a ganhar as grandes clássicas. "Roubá-lo" à BMC pareceu uma excelente manobra. Contudo, Oss tinha um papel de extrema importância, mas havia mais ciclistas de trabalho. Oss não tinha de fazer tudo para Avermaet, pois havia com que partilhar a responsabilidade. E claro que estando na BMC, tinha Sagan como o adversário, um ciclista que não se coibia de dar tudo por tudo para não perder a corrida. Ou seja, era importante quando era preciso mexer. Agora o italiano é colega do tricampeão mundial, para que Sagan não tenha de perder tanta força antes de estar de facto na discussão final da prova. Mas é só Oss que trabalha, com os restantes ciclistas a Bora-Hansgrohe a mostrarem pouco serviço, ou então de pouca qualidade.

Nesta rivalidade específica entre Sagan e Avermaet, é o belga quem pode estar mais descansado com o apoio que tem. O bloco da BMC para as clássicas é forte, como ficou demonstrado na E3 Harelbeke desta sexta-feira, com Jurgen Roelandts (que mais do que um homem de trabalho, é sempre um ciclista que pode ele próprio lutar por vitórias, como fazia na Lotto Soudal, logo uma excelente contratação) e Stefan Küng. O suíço ainda só tem 24 anos, é um excelente contra-relogista, já se mostrou em corridas por etapas (foi segundo numa tirada no Tour), mas a BMC está a apostar nele para evoluir neste tipo de provas do pavé.

O bloco alemão da Bora-Hansgrohe tem qualidade, mas longe da necessária para estar ao nível de um ciclista como Peter Sagan. Pascal Ackermann, Marcus Burghardt e Rüdiger Selig, por exemplo, são bons ciclistas, mas têm de elevar o nível da sua participação nas corridas ao lado do líder. Quanto ao irmão, Juraj Sagan, vai caindo quase no esquecimento, sendo cada vez menos aposta, ainda mais numa altura em que as equipas viram ser cortado um elemento nas competições, por decisão da UCI.

No arranque da semana de clássicas na Bélgica, que terá o seu momento alto no domingo, 1 de Abril, com a Volta a Flandres, Peter Sagan foi uma tremenda desilusão. Porém, a culpa não pode ser apenas da falta de equipa. O eslovaco não tem mostrado a forma de outros anos. Ficou sentado, sem capacidade de tentar apanhar Greg van Avermaet quando belga atacou e demonstrou que ainda não está a 100%. É certo que já tinha feito anteriormente um grande esforço para recuperar posições, mas se recuarmos à Milano-Sanremo, também aí o eslovaco não mostrou a frescura física a que se está habituado vê-lo. Na Bélgica, atirou a toalha ao chão e poupou-se para a corrida de domingo, Gent-Wevelgem, terminando com mais de três minutos de atraso.

Comparando com Avermaet, então nota-se ainda mais a diferença. O belga da BMC também estava a realizar exibições pouco convincentes. No entanto, este terceiro lugar em Harelbeke já deixa outras indicações. O ciclista da BMC colocou como objectivo principa de 2018l a Volta a Flandres. Depois de vencer o seu primeiro monumento em 2017, o Paris-Roubaix, é o tudo por tudo pela Flandres. Afinal, é belga! Aos 32 anos é normal que tente gerir bem a sua condição física. Apesar de estar a viver a melhor fase da carreira, a idade vai avançado e as oportunidades de conquistar a corrida que mais quer vão escasseando.

Mas isto da idade tem muito que se lhe diga. Aos 35 anos, Philippe Gilbert apareceu em grande em 2018! Tal como Avermaet andava algo discreto. Mais um belga que apontou baterias a esta fase da época. Se ganhar outra Volta a Flandres seria excelente, Gilbert não se importaria de trocar a vitória por uma no Paris-Roubaix e assim juntar à sua lista de monumentos um dos que lhe falta, além da Milano-Sanremo.

E com esta super Quick-Step Floors será de esperar que haverá uma táctica para levar Gilbert à vitória. Além de haver possibilidade de ganhar praticamente com qualquer ciclista que esteja na corrida. Já são 18 vitórias este ano, distribuídas por oito ciclistas. Niki Terpstra juntou a sua segunda à lista em Harelbeke, depois do triunfo na corrida francesa Le Samyn. E por falar em idade, o holandês tem 33 anos e está numa forma muito idêntica àquela que o levou a vencer o Paris-Roubaix em 2014.

Numa vitória a solo, há que destacar o trabalho de equipa da Quick-Step Floors. Houve uma queda que deixou muita gente para trás e que obrigou a grande esforço para regressar a uma posição de pelo menos aspirar discutir a corrida. A equipa belga estava bem colocada e atacou. O ritmo de Terpstra e de Yves Lampaert foi de mais para quem quis acompanhar. Parte da vitória é de Lampaert. A outra parte de Gilbert (que até acabou em segundo no sprint por essa posição) e de Zdenek Stybar que muito fizeram para estragar a perseguição quando Terpstra já seguia sozinho e chegou a ter apenas 15 segundos de vantagem a cerca de cinco quilómetros da meta.

Quando se falar em trabalho de equipa no ciclismo, este é mais um exemplo perfeito. Não se reduz àquele bem conhecido feito pela Sky. O que a Quick-Step Floors fez hoje foi simplesmente perfeito.

Pode ver aqui a classificação da E3 Harelbeke.

Para terminar, há que referir ainda Nelson Oliveira. O português da Movistar demonstrou que está a aproximar-se de uma boa forma. Não esconde que a Volta a Flandres é uma das corridas que muito gosta e que lhe assenta bem. Não se pode olhar apenas para os números finais, 32º a 7:03 do vencedor, pois Oliveira esteve a bom nível numa corrida muito complicada, muito movimentada, principalmente nos últimos 70 quilómetros. Há ainda que ter em conta que a Movistar não é equipa de clássicas. Para um corrida do pavé até levou Mikel Landa, que está a tentar ganhar prática neste terreno, devido à etapa no Tour que terá empedrado.

»»Nibali deixou todos a verem-no pelas costas numa grande vitória frente aos sprinters««

»»Com Boonen como conselheiro, Benoot cumpriu o que lhe estava destinado««

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