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11 de abril de 2019

As novas cores da agora Total Direct Energie

(Fotografia: Facebook Total Direct Energie)
Antes da Sky apresentar-se com um novo equipamento e nome no próximo mês, é a francesa Direct Energie a autora da primeira grande mudança do ano. A estreia será no Paris-Roubaix, este domingo. O preto e amarelo darão lugar ao azul e branco e à Total Direct Energie, novo nome da formação de Niki Terpstra e Lilian Calmejane.

Estava a ser a quarta temporada do patrocinador, mas a petrolífera Total adquiriu a Direct Energie, pelo que a imprensa francesa já avançava com a possibilidade da empresa colocar também o seu nome no ciclismo. Mas esta entrada da Total irá trazer mais à estrutura do que a mudança de nome, a começar por um provável aumento no orçamento. O primeiro objectivo é a subida a World Tour, tendo pedido a licença para o período de 2020-2022. Agora terá esperar para saber se é uma das eleitas, sendo que, na estrada, está na luta pelos pontos para o melhor ranking possível e assim ter o mérito desportivo do seu lado. Contudo terá ainda de corresponder às regras financeiras, éticas, organizacionais e administrativas.

Mas para já é tempo de mostrar as novas cores e a mudança é radical, respeitando as cores que distinguem a Total. A equipa anunciou através de um vídeo publicado nas redes sociais (ver em baixo). Infelizmente para a formação, não terá no dia de estreia a sua principal estrela das clássicas do pavé, pois Niki Terpstra, o grande reforço de 2019, caiu na Volta a Flandres e sofreu uma concussão cerebral. Por precaução, não irá competir no monumento Paris-Roubaix, que venceu em 2014. O holandês também conquistou a Flandres em 2018.

Esta situação poderá levar Adrien Petit e Anthony Turgis a assumirem um maior protagonismo na nova fase de uma equipa que já teve outros nomes, como Europcar por exemplo, já passou por algumas dificuldades, mas foi sobrevivendo e quer agora voltar a subir de nível, procurando também figuras que ocupem o lugar deixado por Thomas Voeckler.




22 de março de 2019

Equipa de Bryan Coquard fica outra vez fora do Tour e vai apostar na conquista de pontos

Coquard vai perder novamente o Tour
(Fotografia: © ASO/Pauline Ballet/Vital Concept & BB Hotels)
Estão entregues os quatro convites para a Volta a França e não houve surpresas. Com a ASO a optar por uma forma de selecção diferente este ano, as escolhas acabaram por ser as mesmas. A Cofidis e Wanty-Groupe Gobert foram seleccionadas muito cedo na temporada, com os restantes dois lugares a ficarem em aberto, dando a possibilidade às equipas candidatas de mostrarem que mereciam ser as eleitas. A Vital Concept-B&B Hotels partia um pouco em desvantagem e apesar de ter mais vitórias do que a Arkéa Samsic, não tem um ciclista com o peso de André Greipel.

Com Warren Barguil a falhar por completo em 2018, a Arkéa Samsic, antiga Fortuneo, não quis apostar que o ciclista francês seria suficiente para garantir novo convite para o Tour, pois a época passada foi mesmo muito fraca. As duas vitórias de etapa e a camisola da montanha em 2017 já não eram suficientes para seduzir a ASO. A contratação de André Greipel teve esse objectivo, além de ser um ciclista que possa dar mais algumas vitórias, apesar de estar numa fase descendente da sua brilhante carreira. Soma 11 triunfos em etapas no Tour e é um dos grandes nomes do sprint, mesmo que nos últimos tempos tenha encontrado dificuldades para se debater frente aos jovens sprinters que vão se impondo.

Mas Greipel é um nome forte do pelotão, mesmo que, aos 36 anos, já vá estar nos sprints como um outsider e não tanto como um crónico favorito. Porém, a sua presença no Tour será sempre bem-vinda. A Vital Concept-B&B Hotels também tentou jogar no campo das contratações. Foi buscar Pierre Rolland. É um nome relevante no ciclismo francês, apesar de nunca ter confirmado as expectativas que criou no início da carreira. Vencedor da classificação da juventude no Tour e de duas etapas, uma no mítico Alpe d'Huez, chegou a fechar top dez, mas a melhor fase do ciclista, agora com 32 anos, foi na primeira metade da década. Foi desaparecendo aos poucos da ribalta.

A EF Education-First deu-lhe a oportunidade no World Tour, depois de brilhar na então Europcar (actual Direct Energie), mas Rolland nunca reencontrou a sua melhor versão. Pelo menos não em França. Ainda venceu uma etapa no Giro, mas regressar este ano ao seu país foi uma derradeira tentativa de alcançar algo mais na carreira. A Vital Concept-B&B Hotels assim o esperava. O ciclista sofreu um queda e está fora de acção há quase um mês com uma fractura na mão.

A queda também foi um ponto negativo nas aspirações da equipa para receber o convite, já que se esperava que Rolland alcançasse alguns bons resultados. Depois de no ano passado, quando a estrutura foi criada, o desejado convite não ter chegado, com Bryan Coquard no plantel, era claro que o sprinter não era suficiente, daí a contratação de Rolland. Desde que Coquard saiu da Direct Energie que não alcançou o mesmo nível exibicional, numa mudança pouco benéfica e que dificilmente lhe abrirá as portas do World Tour. Rolland também não foi suficiente para convencer a ASO e mesmo com a equipa ganhar três vezes contra uma da Arkéa Samsic, ficou aquém do necessário para os organizadores.

Jérôme Pinaeu, director da equipa, admitiu que foi um rude golpe a ausência de convite pelo segundo ano consecutivo. "Os nossos 50 trabalhadores e os nossos parceiros não entendem como ficaram privados destes enorme evento do calendário internacional", afirmou, através de um comunicado. O responsável destacou como a equipa se esforçou para atender aos pedidos do organizador, como a contratação de ciclistas para "a montanha, ofensivos e experientes".

"É difícil aceitar, mas depende de nós mostrar que a decisão tomada pelos organizadores não é a correcta", referiu, garantindo que o projecto irá continuar e irá redobrar os esforços para conseguir estar na Volta a França na próxima edição. Faz referência ao objectivo de somar pontos, o que, de acordo com as novas regras, poderá permitir à equipa garantir a presença no Tour sem ter de esperar por um convite.

A partir de 2020, as organizações só podem atribuir dois convites, pois dois lugares serão ocupados automaticamente pelas melhores equipas Profissionais Continentais do ranking. Há muito trabalho a fazer, pois a Vital Concept-B&B Hotels é sétima. A Arkéa Samsic ocupa o décimo lugar. Já a Direct Energie está em segundo, atrás da Cofidis.

Apesar do nome não ter sido anunciado de início, poucas dúvidas havia que a equipa estaria presente no Tour. Tem sido uma crónica convidada pela ASO e apesar de ainda não ter encontrado alguém com o mediatismo do entretanto retirado Thomas Voeckler, por exemplo, é uma estrutura com uma forte influência no ciclismo francês. E só para garantir que tinha um grande nome para apresentar, contratou Niki Terpstra, ainda que este seja um ciclista mais a pensar nas clássicas, mas também gosta de se mostrar em algumas fugas nas corridas por etapas.

Com a Total a preparar-se para dar nome à equipa depois da empresa ter comprado mais de 70% da Direct Energie, ficou ainda mais certo que esta formação estaria entre as quatro escolhidas, mais uma vez pelo peso do nome, agora do patrocinador. Três formações francesas e uma belga. A Delko Marseille Provence, a outra equipa gaulesa do escalão Profissional Continental, é uma equipa que não tem entrado nestas escolhas do Tour.

A Volta a França arranca em Bruxelas a 6 de Julho, com os Campos Elísios à espera de consagrar o vencedor a 28 desse mês.

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27 de outubro de 2018

Não foi um adeus ao ciclismo. Foi um até já

(Fotografia: © Direct Energie)
Fim de temporada, princípio de pré-época. Os ciclistas já começam a pensar em 2019, mas, como todos os anos, uns vão experimentar a vida sem treinos, estágios, sem experimentar novas bicicletas, tirar as medidas para os novos equipamentos. São novamente "civis", depois de decidirem terminar a carreira. Igor Antón (35), Simon Gerrans (38), Franco Pellizotti (40 anos), e Damiano Cunego (37) são nomes que marcaram à sua maneira uma fase da modalidade, com mais um que jamais será esquecido, principalmente em França: Sylvain Chavanel (39).

Foram 19 anos de profissionalismo, até ao último minuto. Chavanel não escolheu sair após uma grande corrida. Fez uma certa despedida no Tour, mas desde logo avisou que iria cumprir com as suas funções na Direct Energie até ao final da temporada. Disse adeus com um quinto lugar no Crono das Nações, a 14 de Outubro. Um adeus não. Um até já. O ciclismo fá-lo feliz, pelo que Chavanel ambiciona regressar como o director de uma equipa francesa.

"Depois de 19 temporadas, não tenho o direito de deixar por completo. Estou à procura de uma boa posição económica. Há que encontrar as pessoas certas e um bom patrocinador, interessado em investir", disse à France 3, depois de finalizar a sua derradeira competição.

Chavanel não terminou a carreira com sentimentos de saudosismo e muito menos de arrependimentos. Numa entrevista à Rouleur Garantiu que não há nada que alterasse no seu passado: "Sempre fiz o que queria fazer." Para o francês, o importante é manter sempre o prazer no ciclismo, durante o máximo de tempo possível, "porque pode tornar-se numa rotina, o mesmo trabalho todos os anos".

"A nova geração tem os treinadores pessoais e um trabalho muito específico. Eu tenho uma visão diferente do ciclismo: é mais como se fosse um jogo, é sobre divertir-me. Não sou um ciclista que compete pela classificação geral na Volta a França. Para mim, o prazer está em 'rebentar' com o pelotão", salientou. E quantas vezes o tentou fazer, anda nesta derradeira edição do Tour. Alcançou três vitórias de etapas na carreira na mais mítica das grandes voltas e chegou a andar de amarelo, mas são muitos mais os momentos no Tour que fizeram dele um herói local e um dos preferidos dos adeptos franceses, mesmo que não fosse um candidato a terminar com o longo jejum de triunfos na geral por parte de um ciclista da casa.

Foi um corredor dado ao espectáculo, um eterno animador, extremamente competitivo e nunca desmotivado por uma eventual falta de resultados. "Uma mentalidade forte é importante", disse, em forma de conselho aos ciclistas mais jovens. "Mantém a cabeça erguida, mesmo que hajam momentos difíceis. É normal no desporto: um dia não estás tão bem, no dia seguinte irás voar. Há coisas piores na vida do que uma má corrida", realçou. Referiu ainda como é importante competir olhando para os números que hoje em dia são analisados até à exaustão, mas alerta que, para manter o tal lado divertido do ciclismo, é preciso também correr através das sensações.

Foram 45 vitórias numa longa carreira, com destaque para os seis títulos nacionais de contra-relógio, o que faz da forma de despedida algo de perfeito sentido. Venceu três etapas no Paris-Nice e conquistou a geral dos 4 Dias de Dunquerque em 2002 e 2004, entre os seus muitos sucessos. O seu último triunfo foi precisamente numa etapa desta corrida, em 2017.

Chavanel disse querer manter a "chama a arder", recordando que nunca procurou o protagonismo e o mediatismo, que estes surgiram de uma forma natural: "Ser uma estrela chegou assim, de forma rápida, nos meus primeiros anos. De repente estava em frente das câmaras. Eu tinha um estilo, um rosto, uma classe na bicicleta."

Fez 18 Voltas a França, com o seu melhor resultado na geral a chegar em 2009, com um 18.º lugar. Alberto Contador venceu essa edição. Participou ainda em quatro Vueltas e a 16ª foi a melhor posição, em 2007, numa altura em que ainda se pensou que Chavanel poderia vir a ser um ciclista de geral. Em 2015 foi ao Giro para fechar a participação nas três grandes e nesse ano completou-as todas. Terminou na 35ª posição, tendo na luta por etapas, alcançado um segundo e um terceiro lugar.

Quando se afastou a ideia que seria um voltista para a geral, apostou-se que seria um homens de clássicas. Esteve em 44 monumentos e aquela Volta a Flandres de 2011 será difícil de esquecer, pois a vitória que ficou para o belga Nick Nuyens, esteve tão perto de ficar para Chavanel. Em 2013, foi na Milano-Sanremo que voltou a ver ser possível o triunfo. Numa edição marcada por muita chuva e frio, Chavanel esteve no sprint que daria a vitória da carreira a Gerald Ciolek. O francês acabaria em quarto, com Peter Sagan e Fabian Cancellara a subirem ao pódio.

Nunca se especializou apenas numa vertente. Tanto se viu atacar em corridas de um dia, como por etapas, em tiradas planas ou em dias com mais montanha. Quanto a equipas, Chavanel representou a Bonjour, Brioche la Boulangère, Cofidis, QuickStep, IAM e a Direct Energie nas últimas três temporadas da sua carreira.

Os anos passaram, mas Chavanel foi sempre igual a si próprio. Sempre à procura de uma vitória que poderia ter muito de improvável, mas que fez dele um daqueles ciclistas que sempre obrigou o pelotão a estar muito atento. Um ano depois de Thomas Voeckler sair de cena, o último grande nome de uma geração francesa vai agora pedalar por outros caminhos, longe da ribalta.

Entre outros ciclistas que terminam a carreira este ano, temos mais um francês: Jéremy Roy (35 anos, Groupama-FDJ). O luxemburguês Laurent Didier (34) optou por se afastar depois de não conseguir renovar com a Trek-Segafredo, segundo o ciclista, devido à redução de plantel. O suíço Gregory Rast (38) é outro corredor da equipa americana que se vai retirar. O polaco Przemyslaw Niemiec (38, UAE Team Emirates), o esloveno Borut Bozic (38, Bahrain-Merida), o croata Robert Kiserlovski (32, Katusha-Alpecin) e o holandês Bram Tankink (39) também terminam longas carreiras ao mais alto nível.

Entre ciclistas mais jovens, o eslovaco Michael Kolar (Bora-Hansgrohe) decidiu colocar um ponto final no ciclismo com apenas 25 anos, logo a seguir aos Campeonatos Nacionais. Temos ainda um nome bem português, mas de nacionalidade francesa. O luso-descendente Armindo Fonseca não vai continuar a competir em 2019 devido a um diagnóstico de artrite reumatóide. Tem 29 anos e estava na equipa da Fortuneo-Samsic, do escalão Profissional Continental.

Já o surpreendente vencedor do Paris-Roubaix de 2016, Mathew Hayman (Mitchelton-Scott), vai fazer mais uma pré-época, ainda que com um sentimento bem diferente. Este australiano, de 40 anos, quer despedir-se em casa, no Tour Down Under, em Janeiro.

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8 de julho de 2017

Calmejane começou a ver Voeckler de amarelo e agora já ganha ao seu estilo

(Fotografia: ASO/Thomas Maheux)
"No ano em que comecei no ciclismo, em 2004, foi quando o Thomas Voeckler vestiu pela primeira vez a camisola amarela [no Tour]." A recordação foi partilhada por Lilian Calmejane pouco depois de se ter estreado a vencer na Volta a França, uma etapa ganha bem ao estilo de Voeckler. O veterano ciclista era uma referência e agora um colega que se prepara para colocar um ponto final na carreira. Calmejane lidera a montanha, mas tão ou mais importante começa a confirmar as expectativas que tem vindo a aumentar, principalmente quando ganhou uma tirada na Vuelta em 2016.

Este ano já são oito triunfos, contabilizando etapas, gerais e uma classificação por pontos. Aos 24 anos vai despontando mais um talento francês que não esquece como foi ajudado pelo irreverente Voeckler: "Tenho muito respeito por ele. Ajudou-me muito nos primeiros anos como profissional." Talvez seja por isso que tenha apresentado um estilo idêntico, atacante e de sofrimento, de quem sabe que as oportunidades escasseiam e que tem de as agarrar custo o que custar. Nem as cãibras o pararam quando a seis quilómetros deixou para trás quem restava de um grupo que chegou a contar com cerca de 50 ciclistas em fuga.

Calmejane abriu a sua contagem no Tour, esperando que seja a primeira de muitas vitórias. Porém, apesar de ter pensar em consolidar a sua carreira, tanto ele como os colegas da Direct Energie estão concentrados em ajudar ao máximo Thomas Voeckler a vencer pela última vez na Volta a França e sair assim em grande. Seria uma espécie de passagem de testemunho entre Voeckler e Calmejane e um prémio para uma extensa carreira, marcada por grandes momentos, algumas polémicas, muita irreverência, tudo o que o ajudou a ser uma das figuras incontornáveis no Tour.

Para a equipa foi importante garantir desde já a sua etapa. Marcou o ponto. Agora poderá estar mais à vontade para concentrar-se um pouco em Voeckler, ainda que não será de surpreender ver Calmejane testar-se na alta da montanha para tentar ficar com a camisola das "bolinhas".

Veja aqui o resultado da etapa e as classificações após oito etapas.

Sky deixa sinal e recebe outro

Apesar das três contagens de montanha, o ritmo foi de loucos, com os 187,5 quilómetros a serem cumpridos a uma média de 41,592 quilómetros/hora. Já se esperava que os homens da geral não entrassem em grandes ataques a pensar no domingo, mas nem eles estavam à espera de tanta velocidade. Alberto Contador deixou o aviso que se poderá pagar a factura na primeira verdadeira etapa de alta montanha com três categorias especiais pela frente.


Chris Froome manteve a amarela e acredita que a partir deste domingo a disputa pela "sua" camisola vai começar. Talvez a pensar a nisso, a Sky resolveu passar a mensagem que está no Tour para controlar e que não tem problema nenhum em defender uma liderança alcançada tão precocemente. Ainda se pensou que se poderia ver a equipa deixar alguém ficar como líder e diminuir assim a sua responsabilidade. Na oitava etapa, ficou bem patente que a Sky quer mesmo ser dona e senhora do Tour, como está habituada.

Teve muito trabalho para não deixar escapar em demasia uma fuga que até contou com dois dos seus ciclistas: Mikel Landa e Sergio Henao. Ambos acabaram por ficar para trás e entrar o habitual trabalho de controlo. Porém, a Sky tão rapidamente estava a dar um sinal como recebeu outro. Chris Froome apanhou um susto numa descida e Geraint Thomas não evitou uma queda. Tudo pode mudar de um momento para o outro. E na nona tirada as descidas podem ter um papel quase tão importante como as subidas.

Certamente que sem medos (ainda que com algum receio, nas descidas), Froome irá partir para a difícil etapa de domingo sabendo que poderá muito bem ter de defender ataques vindos de muitos lados. Fabio Aru está a 14 segundos, mas os restantes adversários têm mais de 30 segundos de desvantagem. Chegou a etapa para começar a mostrar quem tem capacidade para fazer frente a Froome. Pelo menos assim se espera...


Résumé - Étape 8 - Tour de France 2017 por tourdefrance

28 de junho de 2017

Decisão desportiva? Ciclista disse que queria sair da equipa e ficou fora do Tour

(Fotografia: Facebook Direct Energie)
Bryan Coquard não queria acreditar que o seu director desportivo fosse mesmo capaz de o deixar de fora da Volta a França só porque assumiu publicamente que queria deixar a Direct Energie no final do ano, quando o seu contrato terminar. Porém, o responsável da formação francesa não perdoou o que vê como uma traição e deixou de fora aquela que talvez seja a segunda maior estrela a nível de popularidade, atrás de Thomas Voeckler, mas certamente a maior no que diz respeito a resultados nos últimos anos.

Coquard tem 25 anos e é um promissor sprinter. Ficamos ainda pelo promissor, pois apesar dos 33 triunfos como profissional, ainda não mede forças regularmente com os melhores, pois tem sido fiel à estrutura da Direct Energie (do escalão Profissional Continental), onde está desde os tempos de formação. Porém, o francês percebeu que chegou o momento de dar o salto. Para ser um dos melhores, tem de estar sempre entre os melhores. É altura de mudar-se para o World Tour. Não deverá ter problemas em encontrar uma equipa, mas terá problemas em manter uma boa relação com Jean-René Bernaudeau. O director da Direct Energie bem avisou e quando Coquard disse que não continuaria na formação, o resultado foi a exclusão do nove eleito para o Tour.

"Estou muito desiludido. Queria mesmo fazer parte do grupo. Estou muito triste. Significaria muito para mim estar na Volta a França", referiu o sprinter ao jornal gaulês Ouest France. E numa guerra de palavras na imprensa escrita. Bernaudeau disse ao Le Parisien que a "decisão foi puramente desportiva". Apesar de ter começado bem o ano, o director considera que o ciclista não tem alcançado resultados nas semanas mais recentes. A última vitória, das cinco este ano, foi a 24 de Maio na Volta a Bélgica. Bernaudeu terá mesmo feito um ultimato a Coquard no Critérium du Dauphiné: ou ganhava uma etapa e batia o compatriota Arnaud Démare (FDJ) ou ficaria de fora do Tour. O melhor que o sprinter conseguiu foi um terceiro lugar. "Há várias semanas que ele não faz nada", afirmou o responsável.

"No Dauphiné nem perturbou o Démare nos sprints. Nos Nacionais nem conseguiu ficar na roda do Démare como lhe tínhamos dito para fazer", salientou Bernaudeu, que acrescentou que se Coquard tivesse batido ou mostrado que poderia bater Démare nos últimos dois meses, então a decisão poderia ter sido outra.

A discussão começou e só deverá terminar quando Coquard mudar de ares, pois relativamente aos Nacionais, a Direct Energie preocupou-se em proteger Adrien Petit, não se preocupando com Coquard quando este ficou em dificuldades devido ao vento. Petit foi 31º a 29 segundos do vencedor, Coquard perdeu mais de três minutos. E Arnaud Démare é o novo campeão francês.

Desanimado, Coquard vai regressar à pista para tentar recuperar algum ânimo, confiança e motivação. Sem o Tour, o principal objectivo do jovem sprinter francês é agora garantir um contrato que lhe permita dar o desejado salto e deixar para trás esta triste forma de se despedir da equipa em que se fez ciclista.

Quanto à Direct Energie, o foco estará em proporcionar a Thomas Voeckler a melhor despedida possível, que passa por tentar conquistar uma etapa. Quando chegar aos Campos Elísios no dia 23 de Julho, o veterano ciclista de 38 anos terminará a longa carreira. Porém, a equipa também irá procurar que se faça uma espécie de passagem de testemunho. Lilian Calmejane está a tornar-se na nova figura para as provas por etapas. Tem 24 anos e só ele bate este ano Coquard quanto a vitórias na Direct Energie  somando seis.


26 de janeiro de 2017

Três equipas francesas e uma belga recebem convites para o Tour

Voeckler vai terminar a carreira no Tour (Fotografia: Facebook Direct Energie)
Foi uma atribuição bem mais pacífica do que os convites dados para a Volta a Itália. A Amaury Sport Organisation (ASO) atribuiu os quatro wildcards para o Tour, com três das quatro equipas francesas do escalão Profissional Continental a serem escolhidas, assim como a belga Wanty-Groupe Gobert. Sem surpresa, Direct Energie, Cofidis e Fortuneo-Vital Concept vão voltar a marcar presença na Volta a França (de 1 a 23 de Julho). O destaque acaba por ir para a Direct Energie, pois Thomas Voeckler havia anunciado que queria terminar a carreira este ano no Tour e terá assim essa oportunidade.

Voeckler tem sido uma das figuras do ciclismo francês nos últimos 17 anos. Irreverente, por vezes polémico, um lutador incansável e, claro, o estilo inconfundível da língua de fora. Terá 38 anos quando cortar a meta em Paris pela última vez e o grande objectivo será conquistar pelo menos uma etapa (soma quatro na carreira no Tour) e quem sabe, sendo a derradeira prova da carreira, Voeckler tente ainda vestir novamente a camisola amarela ou mesmo tentar vencer a classificação da montanha, por exemplo. Será difícil repetir o feito de 2011, ano em que liderou durante dez etapas, terminando o Tour na quarta posição.

A Direct Energie também deverá apresentar Bryan Coquard, um sprinter a ganhar créditos a cada ano que passa e que quererá rivalizar com os melhores, começando por Nacer Bouhanni, que se se portar bem fora das corridas, deverá ser o líder da Cofidis. De recordar que em 2016 envolveu-se numa luta na noite antes da corrida de fundo dos nacionais. Deu um murrro a um homem que estaria a fazer barulho no hotel e acabou por se lesionar na mão, de tal forma que ficou de fora da Volta a França.

A Fortuneo-Vital Concept deverá apresentar-se um pouco mais ambiciosa do que em 2016, pois contratou dois bons ciclistas franceses: Maxime Bouet (ex-Etixx-QuickStep) e Arnold Jeannesson (ex-Cofidis e que antes esteve seis anos na FDJ). No ano passado uma das figuras foi Armindo Fonseca, o luso-descendente que chegou a andar em fuga numa da etapa que foi muito falada por ter sido francamente aborrecida. O ciclista continua na equipa.

A Wanty-Groupe Gobert conseguiu o importante convite que comprova o crescimento da equipa belga. A atribuição do wildcard não é uma surpresa depois de no ano passado ter alcançado bons resultados, com destaque para a vitória na Amstel Gold Race por intermédio de Enrico Gasparotto, que entretanto mudou-se para a Bahrain-Merida. A presença de Yoann Offredo poderá ter sido uma ajuda para a Wanty, pois o ciclista francês alcançou alguns resultados interessantes na carreira, sempre ao serviço da FDJ.

Quem ficou de fora foi a Delko Marseille Provence. Porém, não há a polémica que se está a verificar em Itália, depois da organização ter deixado de fora duas equipas transalpinas na atribuição dos convites. A ASO compensou a Delko Marseille Provence com convites para o Paris-Nice e Critérium du Dauphiné e tendo em conta o tipo de ciclistas que a equipa tem, poderá ser mais benéfico na tentativa de conquistar algum resultado, mas claro que a nível de exposição do patrocinador, o desejo é sempre o Tour. Por esta estrutura passaram os gémeos Gonçalves: José em 2013 e 2014 e Domingos em 2014.