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10 de abril de 2021

Jakobsen e o sentimento de neo-pro no regresso à competição

© Deceuninck-QuickStep
Oito meses depois Fabio Jakobsen está de volta a uma corrida. Foram semanas e semanas de incerteza, mas com o ciclista e quem o apoiou a acreditar que era possível regressar e retomar o seu lugar de destaque no pelotão internacional. Talvez este último ponto ainda não seja para já, afinal o próprio admite que se sente como um neo-pro, acabadinho de chegar a este nível de ciclismo!

"Para alguém que esteve fora da competição durante vários meses é sempre algo um pouco excitante e assustador e estás um pouco nervoso. Penso que será bom regressar ao pelotão e habituar-me ao ritmo", realçou Jakobsen, em declarações que antecederam o seu regresso às corridas, este domingo, na Volta à Turquia.

"Penso que tentarei ser um ciclista normal na equipa. Sinto-me um pouco como um neo-pro", confessou, reiterando aquele que será o seu objectivo para esta primeira prova após a violenta queda no início de Agosto de 2020, na Volta à Polónia: "O meu objectivo é ajudar a equipa, terminar os oito dias [serão agora sete] e habituar-me novamente à vida de profissional. Correr, recuperar, comer, pôr todo o sistema a acostumar-se a corridas de bicicletas, que é algo que não é o mesmo que uma vida normal. Estou aqui para me habituar à vida de um ciclista profissional outra vez."

Com o trabalho de casa feito, entenda-se treino e recuperação, Jakobsen salientou como precisa de corridas para melhorar a sua forma e, claro, para se testar. O holandês está curioso para saber como irá o seu corpo reagir quando se vir na confusão e no perigo de um sprint. "Vou estar no pelotão, no quilómetro final, pela primeira vez [desde a queda]. No passado consegui fazê-lo e espero que o possa fazer outra vez. No início não vai ser tão fácil como antes, mas penso que com o tempo irá melhorar", referiu.

Apesar de confessar o quanto gostaria de alcançar uma vitória esta temporada, ainda que não saiba ao certo que outras corridas irá disputar, não hesita em dizer como o que agora mais quer é ajudar Mark Cavendish na Volta à Turquia. O britânico também anda numa senda por conquistar um triunfo, mas por razões bem diferentes. 

Além destes dois sprinters, a Deceuninck-QuickStep chamou ainda outro, Álvaro Hodeg e ainda Shane Archbold, Iljo Keisse e Stijn Steels.

Jakobsen garantiu que não se importa de ajudar Cavendish. O holandês disse que só irá ao sprint se for para ganhar e não acredita que tal possa acontecer na Turquia, onde até já ganhou uma tirada.

"O meu corpo ainda tem de se habituar às corridas, por isso, pode acontecer que nos últimos 10 quilómetros as minhas pernas estejam um pouco vazias ou a minha concentração não esteja lá porque tenho de construir tudo de novo. Acho que no início é com os outros ciclistas [companheiros de equipa]." E perante estas dúvidas de como irá o corpo reagir, Jakobsen só pensa em chegar ao fim das etapas, pois realçou como só assim poderá de facto ajudar a Deceuninck-QuickStep.

Aos 24 anos, Jakobsen dá mais um passo na retoma de uma carreira que ficou em pausa depois de na disputa de um sprint com Dylan Groenewegen, o ciclista da Jumbo-Visma ter-se desviado da sua trajectória, atirando o compatriota contra as barreiras. Estas não suportaram o choque e foi o caos.

Jakobsen passou por cima delas, caiu desamparado junto ao pórtico da meta, atingido uma pessoa que se encontrava no local. Contusão cerebral, fractura no crânio, perdeu vários dentes, cortes no rosto, lesões nas cordas vocais e contusão pulmonar... a lista de lesões assustou e o ciclista esteve alguns dias em coma induzido.

2020 prometia, com o ciclista a somar três vitórias em quatro corridas - incluindo uma etapa na Volta ao Algarve, conquistando também a camisola dos pontos -, antes e depois do confinamento. Acabaria por ficar com um quarto triunfo, pois com Groenewegen a ser desqualificado, Jakobsen ficou com o primeiro lugar naquela primeira etapa na Polónia. No meio da confusão e aparato, o ciclista cortou meta.

Groenewegen foi suspenso por nove meses, podendo regressar a 7 de Maio. O ciclista sempre lamentou o sucedido, chegando mesmo a admitir o quanto ia ser difícil regressar, numa entrevista em que não evitou as lágrimas. Mais tarde, ao conhecer a sanção, aceitou-a e considerou que o que tinha acontecido era uma "página negra" na sua carreira: "Peço desculpa, porque quero ser um sprinter justo. As consequências foram infelizmente muito sérias. Tenho a consciência disso e espero que isto tenha sido uma lição para todos os sprinters."

Já quanto à situação das barreiras, que levantaram muitas dúvidas dado a forma como se espelharam pela estrada aquando do embate de Jakobsen, provocando inclusive mais quedas, a organização não sofreu qualquer sanção.

A Deceuninck-QuickStep vê assim regressar um dos ciclistas que mais vitórias vinha conquistando, apesar da sua juventude e agora aguarda-se pela outra notícia: quando veremos Remco Evenepoel em acção? Tem o Giro no seu calendário, mas até 8 de Maio (quando arranca a grande volta), ainda não há notícias em que corrida irá voltar, depois da queda na Lombardia.

Nota: A primeira etapa da Volta a Turquia foi dada como cancelada devido ao mau tempo na partida, mas a organização acabou por alterar o local e começar assim a corrida como previsto este domingo.

»»Groenewegen aceita suspensão de nove meses e fala em "página negra" da sua carreira««

11 de novembro de 2020

Groenewegen aceita suspensão de nove meses e fala em "página negra" da sua carreira

© Team Jumbo-Visma
Dylan Groenewegen foi suspenso nove meses devido ao incidente no sprint da primeira etapa da Volta à Polónia. O holandês e a Jumbo-Visma receberam a notícia com um sentimento de alívio, pois agora, dizem, podem começar a olhar para o futuro e preparar o regresso do ciclista às corridas. No entanto, Groenewegen não esconde como segue as novidades sobre a recuperação de Fabio Jakobsen de perto e espera que o que aconteceu possa servir de lição para outros ciclistas. Pela frente destaca como tem de trabalhar tanto o aspecto mental, como o físico, antes de competir novamente.

A 5 de Agosto, Groenewegen desviou-se da sua linha de sprint, atirando Fabio Jakobsen (Deceuninck-QuickStep) contra as barreiras. Porém, estas não serviram de protecção, pois saltaram para a estrada provocando a queda de outros corredores e Jakobsen passou por cima delas, caindo desamparado do lado contrário. Foi colocado em coma induzido, mas três meses depois já fala em andar novamente de bicicleta em breve. Parte do seu rosto teve de ser reconstruído, tendo levado 130 pontos. Ainda tem mais intervenções cirúrgicas pela frente, até para receber implantes dentários, pois perdeu praticamente todos os dentes.

Groenewegen foi afastado da competição pela própria equipa, sendo que também acabou por cair naquele dia, fracturando a clavícula. Numa entrevista dada pouco tempo depois do sucedido, admitiu que nem pensava em andar de bicicleta, lamentando em lágrimas o que tinha acontecido a Jakobsen. Em reacção à suspensão decretada pela UCI, o holandês admite que lhe dá "a oportunidade para olhar em frente"

"Estou satisfeito com isto, apesar de 7 de Maio ainda estar longe. Estou feliz pelo apoio que tenho da Jumbo-Visma, da minha família e amigos", salientou o ciclista de 27 anos. Está assim marcada a data a partir da qual Gronewegen pode regressar às corridas e retomar uma carreira já com várias vitórias importantes, como as quatro em etapas na Volta a França.

Porém, o holandês admite que o que aconteceu será uma "página negra" na sua carreira. "Peço desculpa, porque quero ser um sprinter justo. As consequências foram infelizmente muito sérias. Tenho a consciência disso e espero que isto tenha sido uma lição para todos os sprinters", afirmou Groenewegen, que espera que Jakobsen possa regressar também ele à competição.

A Jumbo-Visma mantém o apoio ao seu ciclista, que tem contrato até 2023. O director, Roger Plugge salientou como as notícias sobre a recuperação de Jakobsen são animadoras e que referiu como o anúncio da suspensão dá "perspectiva e clareza", para que a equipa possa começar a preparar Groenewegen e recolocá-lo ao nível que tinha antes do incidente na Volta a Polónia.

Além de aceitar a suspensão, a UCI explicou que Groenewegen colaborou com a investigação e aceitou participar "em eventos para beneficiar a comunidade do ciclismo".

De recordar que além da gesto de Groenewegen que provocou a aparatosa queda, também foi levantada a questão sobre as barreiras, que não ficaram no sítio ao sofrer o impacto. A Associação de Ciclistas Profissionais levantou de imediato a dúvida sobre a segurança das barreiras colocadas pela organização da Volta à Polónia, além de realçar como um sprint a descer só aumentou o perigo de uma queda grave. Aliás, vários corredores já haviam referido como aquela chegada a Katowice era muito perigosa.

»»Um último susto, uma ajuda da Movistar e uma vitória com todo o mérito para Roglic««

7 de agosto de 2020

Apurar responsabilidades


Numa altura em que a razão se vai sobrepondo à emoção que naturalmente surgiu ao se ver aquelas impressionantes imagens da queda de Fabio Jakobsen, enquanto se vai esperando por mais boas notícias sobre o estado de saúde do sprinter Deceuninck-QuickStep, procura-se a atribuição de responsabilidade ou responsabilidades. O caso não é tão simples como culpar (até criminalizar) o acto de Dylan Groenewegen. O futuro do ciclista da Jumbo-Visma vai acabar por estar muito ligado ao de Jakobsen. É também para a organização que se vai olhando.

Mas começando com algumas boas notícias. Fabio Jakobsen acordou do coma induzido. Segundo a Deceuninck-QuickStep conseguiu comunicar com os médicos e mexeu os braços e pernas, afastando assim problemas graves a nível neurológico. Porém, falar e comer são pormenores difíceis de fazer no actual estado de saúde do ciclista, cuja recuperação a equipa salienta o que já se esperava: será longa.

Agora será preciso tempo para perceber qual o futuro deste jovem e talentoso sprinter, campeão holandês e que faz 24 anos a 31 de Agosto. Já o futuro de Groenewegen poderá estar ligado ao do seu compatriota. Mas já lá vamos. Na quinta-feira pediu desculpa via Twitter: "Odeio o que aconteceu ontem [quarta-feira]. Não consigo encontrar as palavras para descrever o quanto lamento pelo Fabio e pelos outros que foram afectados pela queda ou atingidos. De momento, a saúde do Fabio é o mais importante. Estou a pensar nele constantemente." Numa entrevista ao NOS Sport, o ciclista chorou ao falar de Jakobsen.

A sua equipa, a Jumbo-Visma, publicou um comunicado. Não só deixou palavras de apoio a Fabio Jakobsen, sublinhando como todos estão consternados com o que aconteceu, como estão a analisar internamente o sucedido. É realçado a necessidade de incluir Groenewegen nesta discussão.

"O Dylan está devastado por o que aconteceu e as graves consequências não intencionais para os demais envolvidos no acidente", lê-se. "O Dylan reconhece que fez um movimento incorrecto ao desviar-se da sua linha e que foi correctamente desclassificado."

Num dos pontos é referido o apoio ao ciclista numa altura difícil para Groenewegen a nível psicológico, mas ficou a garantia que até a Comissão Disciplinar da UCI decidir a sanção, o ciclista não irá competir. Para já, está a recuperar de uma clavícula partida, pois também acabou por cair naquela primeira etapa da Volta à Polónia, em Katowice.

Processo criminal?

Quem não altera uma palavra que disse logo a seguir ao sucedido é Patrick Lefevere. O director da Deceuninck-QuickStep apelida Groenewegen de assassino e quer ver o ciclista preso. As autoridades polacas já estarão a investigar o caso.

A sanção da UCI poderá estar longe de ser a principal consequência para Dylan Groenewegen. Mesmo que criminalmente não seja acusado, poderá enfrentar um processo civil, possivelmente envolvendo uma milionária indemnização. É essa a opinião de um conhecido advogado da área do desporto (e não só).

Walter van Steenbrugge esteve, por exemplo, envolvido no processo de rescisão de Wout van Aert, também da Jumbo-Visma, com a antiga equipa do ciclista belga. Também foi o advogado de Iljo Keisse, corredor da Deceuninck-QuickStep numa questão de doping.

"Não creio que o Groenewegen possa ser condenado a uma pena de prisão, mas a sua acção requer uma forte sanção disciplinar e, seguramente, uma compensação económica por danos e prejuízos", afirmou ao Het Laatste Nieuws.

Se assim for, o futuro de Groenewegen poderá estar dependente de como irá recuperar Jakobsen: "É um corredor jovem, de 23 anos, pleno de talento que, por causa da queda, pode não correr mais num ano ou mais. Inclusivamente pode não regressar à competição. As perdas para o ciclista e para a sua equipa são enormes."

O advogado acredita que a compensação financeira será sempre milionária, mas é claro ao dizer que a responsabilidade poderá ser partilhada. "Era um final seguro? As barreiras estavam colocadas conforme as regras", questionou, apontando o dedo à organização. E terminou dizendo que "legalmente vai tornar-se numa verdadeira confusão".

Responsabilidade da organização?

O director da Volta à Polónia, Czeslaw Lang, assegurou que aquele final de Katowice era seguro... As imagens e as consequências parecem contrariar essa afirmação. Além das críticas de vários corredores àquele final, a Associação de Ciclistas Profissionais escreveu à UCI e à organização da corrida a alertar para como "as barreiras pareciam muito baixas para garantir a protecção real em caso de queda", lê-se, segundo o Cycling News.

Assinada pelo presidente da associação, Gianni Bugno, este levanta a questão das barreiras parecerem não estar colocadas em segurança nos apoios, podendo ser prova disso a forma "como voaram para todo o lado após o impacto". O mesmo tendo acontecido com os placares de publicidade.

Considerando o acto de Groenewegen merecedor de ser fortemente penalizado, ainda assim ficou uma crítica explícita à organização: "A velocidade dos ciclistas nestas circunstâncias [terão atingido cerca de 80 quilómetros/hora] tornam certamente o espectáculo atractivo, mas com um risco muito elevado para os atletas. Por isso pedimos para repensar as chegadas em descidas nas corridas, quando são esperados sprints num grande grupo." 

A espera

Entra-se na fase em que o ciclismo tem de prosseguir, ainda que não fosse assim que se queria marcar uma retoma, depois de tantas semanas de paragem devido à pandemia. Mas também se entra numa espera por Jakobsen, restando a esperança que possa recuperar primeiro para ter uma vida normal e depois... que bom será que um dia se possa dizer que está de regresso à Volta ao Algarve, onde já venceu etapas... Um dia de cada vez, por agora...

Quanto a Groenewegen, também não tem tempos fáceis pela frente, nada comparáveis a Jakobsen, claro. Não sabe o que o futuro reserva, quando e em que condições poderá competir novamente, ficando a questão de como psicologicamente poderá ficar afectado, pois há que não esquecer que Jakobsen não era apenas um rival. Era um compatriota que conhecia bem há muito. O seu gesto não tem defesa e há-de pagá-lo durante muito tempo, não fosse esta queda vista como uma das mais graves em tempos recentes do ciclismo.

É necessário apurar todas as responsabilidades. As quedas vão continuar a acontecer, mas pode e deve existir a maior segurança possível para minimizar as consequências.

5 de agosto de 2020

Jakobsen em estado grave. Groenewegen enfrenta sanções

© João Fonseca Photographer
O texto deveria ser algo assim: Fabio Jakobsen venceu a primeira etapa da Volta à Polónia, após desqualificação de Dylan Groenewegen. Afinal quantas vezes há um sprint irregular que acaba desta forma? Infelizmente o sprint irregular também já algumas vezes (e uma é sempre de mais) terminou em quedas muito graves por actos irreflectidos de um ciclista. Gostar-se-ia que o texto não fosse mais do que isso, a relatar uma vitória de Jakobsen por desclassificação de Groenewegen. Porém, no momento em que se escreve persiste a dúvida sobre o estado de saúde do campeão holandês. Esta queda foi mais do que aparatosa. Foi muito grave.

As imagens falam por si. O desejo de ganhar de Groenewegen foi longe de mais. Apertou uma e quando percebeu que ainda assim ia ser ultrapassado, apertou novamente Jakobsen contra as barreiras. As consequências foram muito piores do que Groenewegen pretendia. É certo. Mas as regras existem precisamente para tentar tornar o mais seguro possível um momento de muito perigo. As linhas são para se manter. Não se pode mudar de direcção. O holandês tem 27 anos, muita experiência ao mais alto nível, não é habitual estar envolvido em problemas, mas desta feita, fez algo inadmissível.

Tantas vezes aconteceu. Vezes a mais ciclistas acabaram no hospital. Mas este incidente é dos mais graves que a memória neste momento alcança. A queda desamparada de Jakobsen impressiona. Quando "acerta" no senhor que tirava uma fotografia... impressiona ainda mais. A barreira a voar para a estrada, mais ciclistas a cair desamparados... Até Groenewegen cai devido ao seu gesto. Irreflectido, sim, mas que o levou a ficar no centro de críticas.

Patrick Lefevere, o histórico director da Deceuninck-QuickStep, equipa de Jakobsen, está furioso. E mostrou isso mesmo no Twitter: "Têm de pôr este gajo da Jumbo-Visma na prisão", começou por escrever. Num outro twit acrescentou (tradução à letra): "Eu vou para tribunal estas acções têm de ficar de fora do ciclismo. Isto é um facto criminal senhor Dylan Groenewegen [e identificou o ciclista]."

A Jumbo-Visma já pediu desculpas e anunciou que irá discutir o assunto internamente, antes de fazer qualquer comentário público. A UCI também reagiu rapidamente. Não só confirmou a desqualificação de Groenewegen - o que se traduz na vitória de Jakobsen -, como considerou o "comportamento inaceitável". A situação será analisada pela Comissão Disciplinar, com o ciclista a enfrentar uma sanção mais grave do que a simples desqualificação e uma multa.

O restante pelotão reagiu sem críticas a Groenewegen. Reagiu a pensar em Jakobsen. O mais importante.

Poucas notícias há do estado de saúde sprinter da Deceuninck-QuickStep, que faz 24 anos a 31 de Agosto. O Sporza cita o médico da Volta à Polónia, que refere que o ciclista perdeu muito sangue e corre perigo de vida. Foi transportado para o hospital por helicóptero e está a ser submetido a uma cirurgia. Foi colocado em coma induzido.

Críticas surgiram de alguns corredores à organização por apostar neste sprint em descida em Katowice, onde os ciclistas conseguem atingir velocidades de 80 quilómetros. Mais ciclistas caíram, casos de Marc Sarreau (Groupama-FDJ), Eduard Prades (Movistar), Jasper Philipsen (UAE Team Emirates)... Que final terrível! A maioria acabou por ser transportado para o hospital. Sarreau sofreu lesões no ombro e ruptura de ligamentos, por exemplo. Philipsen terá escapado com alguns arranhões e certamente um corpo bem dorido.

Na retoma do ciclismo, não era nada disto que se queria ver. As quedas fazem parte do ciclismo. Já se sabe. Esta será uma que marcará a carreira de Groenewegen, mas o pelotão tem toda a razão em reagir como reagiu. O mais importante neste momento é Fabio Jakobsen e perceber como marcará a sua carreira.

Que dia complicado para a Deceuninck-QuickStep. Minutos antes Yves Lampaert ficou envolvido numa queda na Milano-Torino. Partiu a clavícula. Uma baixa importante na equipa belga que agora espera por notícias sobre o seu sprinter. Já a Groupama-FDJ vive sentimentos mistos. Perdeu Sarreau durante umas semanas, mas viu Arnaud Démare vencer em Turim.


Classificações da Milano-Torino, via ProCyclingStats.


19 de fevereiro de 2020

Jakobsen bate três campeões europeus para se tornar rei de Lagos

Um ano depois, Fabio Jakobsen chega a Lagos e impõe-se novamente ao sprint. Os rivais foram diferentes, mas a qualidade continua elevada. O holandês fez aquilo que ele e a equipa melhor sabem fazer: ganhar. A Deceuninck-QuickStep demonstrou novamente como se prepara um sprint e como se controla uma etapa, ainda que neste aspecto não o tenha feito sozinha. Nem três campeões europeus conseguiram bater o campeão holandês.

Lagos tem todos os anos assistido a sprints espectaculares e os vencedores são nomes que marcam a especialidade no ciclismo: Dylan Groenewegen, Fernando Gaviria e Marcel Kittel (entretanto já deixou a modalidade). A Avenida dos Descobrimentos tem revelado ser um local com condições que os sprinters gostam para proporcionar um bom sprint, mas as pequenas subidas que o pelotão teve pela frente nos últimos 25 quilómetros, ainda deixaram em aberto a possibilidade de uma surpresa. Pelos menos durante alguns minutos. João Almeida, por exemplo, tentou entrar numa fuga com mais dois ciclistas, com Rui Costa a estar atento. Porém, também as equipas interessadas no sprint estavam com toda a atenção, com a Deceuninck-QuickStep à espera do que aconteceria com Almeida - 

Pedro Paulinho (Efapel), Alvaro Trueba (Atum General-Tavira-Maria Nova Hotel) e Diego López (Fundación-Orbea) foram os autores da fuga do dia, mas cedo se percebeu que não resultaria. Jakobsen bateu os últimos três campeões europeus: Elia Viviani (o actual - Cofidis), Matteo Trentin (CCC) e Alexander Kristoff (UAE Team Emirates). O italiano era companheiro de equipa de Jakobsen e procura a sua primeira vitória na Cofidis. Também Trentin mudou de ares e quer um triunfo com as cores da CCC. Kristoff tenta mostrar à sua equipa que ainda pode ser útil e principal dar algumas vitórias, numa altura que a UAE Team Emirates começa a ter os jovens a ocupar os lugares de destaque.

De referir o sexto lugar de Cees Bol (Sunweb), mais um holandês que está a começar a intrometer-se entre os melhores. O melhor português foi Luís Mendonça, da Efapel (14º). Em 2019, Jakobsen tinha sido mais forte que Arnaud Démare (Groupama-FDJ) e Pascal Ackermann (Bora-Hansgrohe).

Nas classificações, Jakobsen lidera a geral e nos pontos, Diego Fuentes (Fundación-Orbea) é o líder da montanha e Juan Calle Hurtado (Caja Rural) vestiu a camisola branca da juventude. A Israel Start-Up Nation é a primeira entre as equipas.

Jakobsen a consolidar o seu estatuto

Na terceira temporada na Deceuninck-QuickStep, Fabio Jakobsen procura ganhar mais espaço nas grandes corridas. Tem apenas 23 anos, mas rapidamente começou a demonstrar todo o seu potencial e já são 16 vitórias ao mais alto nível. Com Dylan Groenewegen (Jumbo-Visma) a centrar muitas das atenções entre os sprinters holandeses, Jakobsen fez a sua estreia em grandes voltas em Espanha em 2019 e venceu logo duas etapas. Era o que lhe faltava para começar também ele a cobiçar o Tour, não esquecendo que enverga a camisola de campeão do seu país.

Com a chegada do irlandês Sam Bennett - preencheu a vaga de Elia Viviani - Jakobsen vai antes ao Giro, mas será mais um passo para conquistar ainda mais estatuto, principalmente se sair de Itália com vitórias. Porém, este ciclista não quer apenas concentrar-se nos sprints nas corridas por etapas, pois tem um apreço especial por clássicas. Já ganhou a Scheldeprijs (duas vezes) e Danilith Nokere Koerse, mas quer mais, com a Kuurne-Bruxelles-Kuurne a ser um dos grandes objectivos da temporada.

O facto de ter apetência para este tipo de clássicas no centro da Europa é uma grande vantagem, tendo em conta a origem da sua equipa. Bennett não se dá tão bem nos difíceis terrenos da Bélgica e Holanda, por exemplo, e o facto de ter 29 anos, faz com que Jakobsen seja visto como o futuro da Deceuninck-QuickStep, ao lado de Álvaro Hodeg, enquanto Bennett é um ciclista para obter resultados no imediato, muito a pensar na Volta a França. Jakobsen sabe que está a ser preparado para voos cada vez mais altos.

2ª etapa: Sagres-Alto da Fóia (183,9 quilómetros)


Etapa que vai começar a definir a geral. Além da sempre complicada subida ao Alto da Fóia, na Serra de Monchique, a novidade relativamente a anos recentes é a subida da Pomba surgir imediatamente antes, sendo uma segunda categoria de 3,9 quilómetros, com pendente média de 7,1%, cujo topo estará a apenas sete quilómetros do ataque à Fóia. Mas a sequência final começa com a terceira categoria de Alferce, ou seja, dos 183,9 quilómetros, os últimos 25 serão predominantemente a subir. Aos 48,9 quilómetros há uma outra terceira categoria, para começar a aquecer o pelotão.

Em 2019, Tadej Pogacar iniciou na Fóia o conjunto de exibições que tornariam a sua primeira temporada no World Tour marcante. Michal Kwiatkowski e Daniel Martin também já venceram nesta subida.

Classificações via FirstCycling.




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27 de agosto de 2019

Uma nova chegada em alto para ajudar a definir os candidatos

(Fotografia: © Sarah Meyssonnier/La Vuelta)
O pelotão aproveitou bem uma etapa que, apesar de não ser completamente plana, tinha um terreno mais simpático comparativamente com a maioria dos dias. Ainda houve uma tentativa de abanico por parte da EF Education First, mas ninguém importante ficou para trás (Wout Poels, da Ineos, já tinha saído da lista de candidatos logo na segunda tirada). Ass duas principais notícias do dia foram o abandono de Steven Kruijswijk e a vitória de Fabio Jakobsen, na sua estreia numa grande volta. Esta "calma", dentro do possível numa Vuelta, até se compreendeu tendo em conta que a primeira chegada em alto é já esta quarta-feira. É uma subida nova na Volta a Espanha e que ninguém terá vida fácil.

(Imagem: La Vuelta)
Com o contra-relógio por equipas a fazer mais diferenças do que o esperado, muito devido às quedas da Jumbo-Visma e UAE Team Emirates, e com a segunda etapa, de média montanha, também a ter algum impacto na geral, a meta no Alto de Javalambre, onde se situa o observatório astronómico, poderá começar a ajudar a definir de vez quem está em condições de discutir a Vuelta, mesmo que ainda se esteja numa fase tão inicial da prova.

É uma típica etapa desta grande volta, não muito longa - 170,7 quilómetros -, mas muito desgastante. A segunda categoria, logo nos primeiros quilómetros, será seguida de sobe e desce constante até à terceira categoria (ver gráfico em baixo). O pelotão poderá começar a partir muito antes dos 11,1 quilómetros finais, com uma média de 7,8% (imagem do lado direito). Não tem pendentes loucas, mas tem muitos quilómetros acima dos 10% e máxima de 16%.

Nesta fase da temporada as pernas pesam e mesmo os que apresentam uma boa forma e descansaram entre o Giro e Volta a Espanha, não deixam de estar numa fase final de temporada. Também por isso a Vuelta acaba por ser muito mais indefinida quanto a vencedores. Até a Jumbo-Visma, que se apresentou com um bloco fortíssimo, já sofreu uma baixa importante, consequência da referida queda. Steven Kruijswijk, líder a par de Primoz Roglic, abandonou. As dores no joelho não deixavam antever nada de bom quando as maiores dificuldades chegassem, pelo que o holandês jogou pelo seguro.

A quinta etapa também poderá ajudar a perceber precisamente como estão os blocos. A Astana não esteve bem na segunda tirada, enquanto a Movistar trabalhou um pouco, mais para Alejandro Valverde, com Nairo Quintana a surpreender ao fugir para ganhar a tirada. Na formação espanhola nunca se sabe muito bem o que esperar, pois Valverde poderá ir atrás da vitória, com 49 segundos a separá-lo da camisola vermelha de Nicolas Roche. Mas Quintana está a apenas dois segundos, mas já é difícil esconder - ou talvez já nem se tente fazê-lo - que é um homem algo isolado na Movistar.

Mas voltando à Astana, Miguel Ángel López começou bem a Vuelta, liderou, mas se no contra-relógio a equipa foi perfeita, na etapa em linha faltou mais união. Se López comprovar que está bem, Ion Izagirre terá de abdicar do seu objectivo pessoal. No segundo dia tentou atacar e depois quebrou quando o seu líder mais precisou dele. López também gostaria de ver Fuglsang mais próximo de si, mas o Tour pode prejudicar a força do dinamarquês, ainda que não o tenha terminado devido a queda.

Mas há uma equipa que está a gerar muita curiosidade. A EF Education First está a confirmar que o seu trio de colombianos foram a Espanha para lutar pela vitória. Daniel Martínez já perdeu 1:46 minutos, contudo, não é carta fora do baralho. Longe disso. Pode ser muito importante ao lado de Rigoberto Uran, terceiro, a oito segundos de Roche. Uran sofreu uma queda, mas aparentemente sem gravidade e tem outro ciclista que tanto o pode ajudar, como poderá lançar alguma "confusão" entre os adversários. É que Sergio Higuita não está a querer passar despercebido na sua estreia numa grande volta. 22 anos e tanto talento ainda por desenvolver.

Está a 37 segundos de Roche e é um trepador com muito potencial. Se este trio estiver bem, poderá ser o maior rival para a Jumbo-Visma de Roglic e para López e Quintana. Será que a Vuelta vai ser um esloveno entre colombianos?

Na Vuelta há tendência aos ciclistas apresentar-se mais livres de tácticas pré-definidas, o que potencia o espectáculo e uma luta mais acesa pela camisola vermelha. Não vai ser fácil para Roche mantê-la, já que terá de garantir que o líder da Sunweb, Wilco Kelderman, se mantém bem posicionado. Este holandês é sempre uma incógnita, mas foi em Espanha que se viu o seu melhor.

Se Fabio Aru (UAE Team Emirates) e Pierre Latour (AG2R) são dois ciclistas a não perder de vista, pelo que mostraram na segunda etapa, atenção à Bora-Hansgrohe. Discretamente Emanuel Buchmann foi somando resultados regulares no Tour e fechou na quarta posição. O mesmo poderá acontecer agora. Davide Formolo quer despedir-se em grande da equipa (está a caminho da UAE Team Emirates) e Rafal Majka é outro Kelderman. Pode fazer muito, mas tem ficado tantas vezes aquém. Mas foi na Vuelta que fez pódio em 2015. Ambos estão no top dez, a 46 segundos, e esta Bora-Hansgrohe não aposta apenas em Sam Bennett nos sprints. Agora também olha sempre para a geral.


Fabio Jakobsen já vence nas grandes voltas


(Imagem: La Vuelta)
A poucos dias de completar 23 anos, Fabio Jakobsen está a confirmar que é um sprinter de topo. Ou quase a lá chegar. Desde que na época passada venceu a clássica Danilith Nokere Koerse que o jovem holandês não parou de somar boas exibições. A Deceuninck-QuickStep deu-lhe a oportunidade de se estrear numa grande volta nesta Vuelta e logo com a camisola de campeão nacional, que vestiu no final de Junho. Sam Bennett foi demolidor no primeiro sprint, mas Jakobsen foi superior na segunda tentativa.

A preparação da equipa foi perfeita e Max Richeze fez um trabalho fantástico, numa altura em que faz as últimas corridas pela equipa, já que vai juntar-se a Fernando Gaviria na UAE Team Emirates na 2020. Mas o seu profissionalismo é intocável e abriu caminho a Jakobsen, enquanto Bennett errou na trajectória numa rotunda e até ficou perto de uma recuperação total, mas a quarta etapa foi para um holandês. Vencedor em Lagos na Volta ao Algarve é um ciclista que cada vez mais se espera que se junte rapidamente ao lote de luxo de nomes do sprint mundial como Dylan Groenewegen, Gaviria, Peter Sagan, Caleb Ewan... E claro, Elia Viviani, que na próxima época será um rival de Jakobsen, pois está de partida para a Cofidis. Como sempre, o director Patrick Lefevere tem uma nova estrela pronta a assumir protagonismo, quando uma sai da equipa belga.

Classificação completa, via ProCyclingStats.




»»Uma Vuelta muito irlandesa««

»»Eis Nairo Quintana!««

20 de fevereiro de 2019

Jakobsen começa afirmação entre os melhores do sprint na Volta ao Algarve

E no fim ganha a Deceuninck-QuickStep. A senda vitoriosa da equipa belga volta a passar pelo Algarve, dois anos depois de Fernando Gaviria ter ganho em Lagos. Foi precisamente no mesmo local que uma das potenciais novas estrelas da formação somou mais um triunfo. Fabio Jakobsen foi uma das revelações de 2018 e, na sua primeira corrida de 2019, não perdeu tempo em iniciar a sua afirmação entre a elite do sprint.

É o oitavo triunfo da curta carreira do holandês de 22 anos e só um não foi numa corrida World Tour ou HC. Juntamente com Álvaro Hodeg tornou-se num dos sprinters que a Deceuninck-QuickStep quer transformar nos melhores do mundo, agora que Gaviria escolheu sair para a UAE Team Emirates. Tanto um como o outro já venceram em 2019 e tanto um como o outro receberam logo no início da temporada um contrato até 2021.

Mesmo com Dylan Groenewegen (Jumbo-Visma), Arnaud Démare (Groupama-FDJ), John Degenkolb (Trek-Segafredo), Pascal Ackermann (Bora-Hansgrohe) e Christophe Laporte (Cofidis) a serem uma forte concorrência, a vitória de Fabio Jakobsen não é uma surpresa. Primeiro porque esta Deceuninck-QuickStep tem um plantel em que qualquer ciclista pode ganhar e segundo porque o holandês já tinha demonstrado o seu potencial no sprint.

É a nona vitória da equipa em 2019 e ainda só vamos em Fevereiro, com seis corredores diferentes a comporem esta lista que vai certamente crescer e muito durante a temporada. Por esta altura em 2018, tinha 10. O ritmo vai certo, portanto.

Queda provoca cortes na classificação

Mas esta primeira etapa da Volta ao Algarve não cumpriu o guião esperado. Começou com uma fuga de portugueses. Pedro Paulinho (Efapel), David Ribeiro, Marvin Scheulen (ambos da LA Alumínios-LA Sport), José Mendes (Sporting-Tavira) e Rafael Lourenço (UD Oliveirense-InOutBuild), com Mendes a tentar mais tarde uma aventura solitária. Entretanto David Ribeiro já tinha garantido que subia ao pódio em Lagos para vestir a camisola da montanha, num momento especial para o ciclista e para a equipa Continental sub-25.

"É um sentimento magnifico estar aqui no pódio de uma corrida com os melhores do mundo. Sabemos que devido ao valor deste pelotão defender esta camisola azul é é uma tarefa muito complicada, para não dizer impossível, por isso, vou desfrutar ao máximo esta conquista", afirmou o ciclista.

Mais tarde foi Sérgio Paulinho, acabado de chegar da Volta à Colômbia, e Antonio Angulo, ambos da Efapel. Bora-Hansgrohe, Deceuninck-QuickStep e Jumbo-Visma assumiram sempre as despesas da perseguição, mas o guião começou a ser quebrado a menos de 20 quilómetros da meta. O forte vento que se fez sentir e um estreitamento de estrada provocou alguns cortes no pelotão. Susto para muitos, mas a situação foi resolvida. Já a sete quilómetros do fim, uma queda na frente do pelotão levou muitos aos chão e a estrada ficou tapada. Quem ficou atrás e não caiu, também não conseguiu passar rapidamente. Um grupo de pouco mais de 20 ciclistas discutiu o sprint, com Groenewegen, o vencedor das duas etapas para este tipo de corredores da Algarvia em 2018, a ser um dos ausentes.


David Ribeiro subiu ao pódio juntamente com Fabio Jakobsen
Jakobsen coleccionou camisolas em Lagos: amarela (geral), pontos (vermelha) e juventude (branca). Terá de "emprestar" as últimas duas a Démare e Neilson Powless (Jumbo-Visma).

"É sensacional vencer aqui no Algarve. É minha primeira corrida do ano, depois de muito treino no Inverno e diante do primeiro sprint da época nunca se sabe como está a nossa condição", referiu Jakobsen.

Entre os portugueses, o melhor foi Daniel Freitas, reforço do Miranda-Mortágua. Ainda assim, o ciclista já foi um dos afectados pelo corte no pelotão, cortando a meta 22 segundos depois de Jakobsen. Foi 30º.

A queda forçou o abandono do homem da Sky, Eddie Dunbar. Vários ciclistas perderam tempo, com Fabio Aru (UAE Team Emirates) a já ter 1:05 minutos para Enric Mas (Deceuninck-QuickStep), Sam Oomen (Sunweb) e Wout Poels (Sky), por exemplo, que chegaram na frente. Esta quinta-feira é dia de Alto da Fóia, pelo que a classificação irá ficar bem diferente, mas a queda logo na primeira etapa poderá ter baralhado um pouco as contas.

Pode ver aqui as classificações completas, via ProCyclingStats.

Segunda etapa: Almodôvar – Alto da Fóia, 187,4 quilómetros

Depois dos sprinters e da etapa mais longa da corrida (199,1 quilómetros que começaram em Portimão) serão os trepadores a entrar em acção, com a Fóia a marcar novamente o ponto mais alto da Volta ao Algarve. O pelotão parte às 12:10 e a chegada está prevista para cerca das 17:00. A acção final poderá ser vista no Eurosport e TVI24.


4 de abril de 2018

Sonha vencer o Paris-Roubaix, estar no Tour e garantir que os pais nunca mais tenham de trabalhar

(Fotografia: © Quick-Step Floors)
Estava a poucos dias de celebrar 21 anos quando em Agosto Fabio Jakobsen recebeu um contrato de dois anos para em 2018 tornar-se profissional numa das melhores equipas do mundo. Perguntaram-lhe o que iria fazer com o primeiro ordenado: "Nada. Fiz um acordo comigo próprio que não haverá carros desportivos de luxo antes de me afirmar, para que os meus pais nunca mais tenham de trabalhar. Temos de nos lembrar daqueles que tornaram possível estar nesta situação na vida." Patrick Lefevere, director da Quick-Step Floors, valoriza muito o carácter de um ciclista e só esta resposta demonstra o do jovem Jakobsen que chegou ao World Tour com a dose certa de ambição e de humildade. Resultado: já ganha, já confirma o talento e já vai marcando o seu terreno para, quem sabe, a curto prazo, estar nas maiores corridas, com o Paris-Roubaix a dominar, para já, o sonho de lá vencer.

Salvo alguma mudança de última hora, Jakobsen ainda terá de esperar para estar no Inferno do Norte. Essa é uma corrida que a Quick-Step Floors aposta com as principais armas. Porém, a continuar a evolução que está a demonstrar, o jovem holandês estará brevemente a espreitar um maior protagonismo, numa equipa onde o difícil está a ser alguém não o ter. Até parece que já foi há muito tempo que um estreante Jakobsen confessava o nervosismo e ao mesmo tempo a adrenalina que sentia por preparar os sprints para Elia Viviani na Volta ao Dubai. Depois foi a Omã, mas quando arrancou a temporada nas clássicas belgas, Jakobsen não esperou para começar rapidamente a sua afirmação.

Após o 13º lugar no Le Samyn - ganho pelo compatriota e companheiro Niki Terpstra - e o quarto na Dwars door West-Vlaanderen - também ganho por um colega, o francês Rémi Cavagna -, Jakobsen venceu na Danilith Nokere Koerse. E de repente o seu nome saltava para a ribalta, mais um da Quick-Step Floors, ao que se junta o do colombiano Álvaro Hodeg. Ambos já se colocam numa posição para serem duas das revelações do ano. Mas hoje é dia de se falar do holandês, que voltou a vencer, agora na Scheldeprijs, também conhecida como a corrida de Marcel Kittel. O alemão havia vencido cinco vezes nos últimos seis anos, mas desta vez furou perto do fim e não teve força para reentrar no grupo da frente.

O jovem holandês considera que é a maior vitória da sua curta carreira, pois na Scheldeprijs esteve um pelotão bem mais competitivo do que na corrida em que se estreou a ganhar na Quick-Step Floors. Certo que muitas das principais figuras foram expulsas da corrida por terem atravessado uma passagem de nível quando a cancela já estava a fechar, mas só conta quem lá estava e Jakobsen foi o mais forte. "Não teria conseguido sem o incrível apoio dos meus colegas de equipa", salientou e com razão, pois foi mais uma demonstração de como todos trabalham para todos na Quick-Step Floors. Numa situação normal, poder-se-ia dizer que Zdenek Stybar seria o líder, mas o checo puxou e puxou para deixar Jakobsen na melhor posição para sprintar. É por isso que a formação belga tem 24 vitórias em 2018!

Nascido em Gorinchem, Jakobsen começou no ciclismo aos dez anos, mas só aos 14 é que percebeu que era mesmo o que queria fazer. Logo como júnior demonstrou um potencial que não passou despercebido no seu país e também na Bélgica. Em 2015 assinou pela SEG Racing Academy, projecto Continental holandês, e a Quick-Step começou a segui-lo com muita atenção. No ano passado, entre corridas de elite e de sub-23, Jakobsen somou nove vitórias, com destaque para uma etapa do Tour de l'Avenir, na clássica Rund um den Finanzplatz Eschborn-Frankfurt (ambas de sub-23), uma tirada na Volta à Normandia e ainda foi campeão nacional do seu escalão.

Quando garantiu a sua contratação, ainda a temporada de 2017 não tinha terminado, Patrick Lefevere destacou de imediato o talento e potencial de Jakobsen, acreditando que se está perante um ciclista que tem tudo se consagrar no topo da modalidade.

Para já está a mostrar os seus dotes de sprinter. Porém, numa entrevista no final do ano passado ao PEZ Cycling News, Jakobsen salientou como ainda não se consegue definir como ciclista. "Ainda estou a descobrir como sou como corredor. Sei que sprinto rápido e, por isso, tenho de me concentrar nisso. No entanto, ainda estou a evoluir como ciclista. Se consigo ganhar ao sprint, então é o meu objectivo, mas há uma grande diferença entre corridas de sub-23 e profissionais", referiu. Acrescentou que gosta de chegadas que até tenham uma ligeira subida, para assim poder colocar toda a sua potência no sprint.

Entretanto, já soma duas vitórias como profissional e ambas precisamente ao sprint. Contudo, como foi aqui escrito no início, se puder escolher uma corrida para ganhar é o Paris-Roubaix, mas uma presença na Volta a França é igualmente um objectivo. A Quick-Step Floors está a realizar o trabalho que normalmente faz com jovens como Jakobsen, pelo que teremos de esperar mais um pouco para ver se poderá eventualmente tornar-se, além de sprinter, num homem para as clássicas. Afinal tem apenas 21 anos e toda uma carreira pela frente.

Acabou de chegar ao World Tour e à super Quick-Step Floors, que vive a era pós-Boonen com um sucesso tremendo. Mas, nos meses em que está na equipa, Jakobsen assimilou na perfeição as ideias de Lefevere e tenta explicar o que actualmente mais se quer saber: qual o segredo para tantas vitórias. "Penso que é porque começamos a ganhar e todos começam a acreditar nisso [em ganhar]. Nós vamos sempre a todo o gás por um dos rapazes e é essa a força do grupo. Quando uma pessoa começa a ganhar, todos querermos começar a ganhar. É impressionante pertencer ao 'wolfpack'", realçou Jakobsen, depois de vencer a Scheldeprijs.

(Nota: 'Wolfpack' é a alcunha que a equipa deu a si própria e a tradução é alcateia.)

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