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29 de maio de 2019

Afinal o que aconteceu à bicicleta de Primoz Roglic? A Movistar está envolvida...

(Fotografia: © Jumbo-Visma)
Enquanto por um lado surgiram insinuações que a Movistar teria entrado em modo de ataque quando Primoz Roglic sofreu um problema mecânico, por outro surge a história de grande fair play. Talvez até mais do que Francisco Ventoso (CCC) oferecer a sua água a Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) no Mortirolo. Quanto às insinuações de Pavel Sivakov (Ineos), fica a opinião de cada um de considerar se houve ou não ataque da equipa espanhola, se houve ou não falta de fair play, mas quanto ao que aconteceu com Antwan Tolhoek e a bicicleta de Roglic, houve de facto muito fair play da equipa espanhola.

A etapa de domingo da Volta a Itália continua assim a ser notícia, mas pelo menos fica resolvido um "mistério" da bicicleta de Roglic, cortesia do El País. Finalmente "encontrou-se" a bicicleta que o esloveno abandonou quando trocou para a de Tolhoek. Recordando rapidamente o que aconteceu. Antes da subida ao Civiglio, Roglic sofreu uma avaria mecânica (Sivakov disse que o ciclista da Jumbo-Visma tinha o desviador partido). Roglic pediu ajuda ao seu carro de apoio para trocar a bicicleta. No entanto, o director desportivo tinha parado para urinar. Com os rivais a escaparem, Roglic recorreu ao plano B e ficou com bicicleta do companheiro, Antwan Tolhoek.

O líder da Jumbo-Visma acabaria mais tarde por sofrer uma queda e, tudo junto, resultou numa perda de 40 segundos. Entretanto as coisas já ficaram bem piores na classificação geral para Roglic, mas por agora fiquemos pelo que aconteceu no domingo.

Tolhoek ficou à espera de receber uma bicicleta para prosseguir a etapa. Contudo, Jan Boven, o director desportivo, ao perceber que tinha escolhido a pior das alturas para se parar e sair do carro, conduziu o mais rápido possível para regressar para junto de Roglic, ainda que já tivesse decidido que o melhor era não trocar novamente de bicicleta, para não perder mais tempo.

Ou seja, passou por Tolhoek e nem o terá visto. Pobre Tolhoek que continuava sem solução sem ser uma bicicleta avariada. Eis que surge o segundo carro da Movistar, conduzido pelo director desportivo britânico Max Sciandri. Ao ver o holandês, parou e ofereceu-lhe uma bicicleta da equipa espanhola. Tolhoek aceitou de bom grado, mesmo que isso significasse "trocar" uma Bianchi por uma Canyon, mas não era altura para pensar em questões de patrocínios, pois havia uma etapa para terminar e tempo limite para respeitar.

O gesto de Sciandri não ficou por aqui. A Jumbo-Visma utiliza pedais Shimano, a Movistar Look, isto é, os encaixes não são compatíveis. O director desportivo tirou os pedais da bicicleta de Roglic e colocou-os na da Movistar. Tolhoek lá seguiu caminho.

Agora sim. O que aconteceu à bicicleta de Roglic? Sciandri colocou-a no seu carro e levou-a até à meta em Como. Depois foi devolvê-la à Jumbo-Visma. Portanto, não houve nenhuma tentativa de a esconder da "revista" por motores, feita pela UCI numa diligência contra o chamado doping mecânico (terá sido uma das suspeitas levantada nas redes sociais perante a falta de informação sobre o que tinha acontecido à bicicleta).

Além de finalmente esclarecer a dúvida - não o fez antes porque, como disse ao jornal, ninguém lhe perguntou -, Sciandri ainda comentou a escolha de Boven em parar num local que até pode parecer seguro, pois é antes de começar a acção final da clássica da Lombardia, que foi basicamente o final da etapa de domingo. Mas afinal não foi nada seguro. "Quando chego a esse ponto tenho sempre vontade de urinar, porque é um momento de relaxamento depois do stress sofrido no sobe e desce de Ghisallo e Sormano. Mas claro que nunca parei. Há que estar sempre colado ao líder e não o deixar nem por um segundo", salientou Sciandri ao El País.

Tom Dumoulin sobreviveu a uma dor de barriga quando ganhou o Giro 2017, mas Roglic poderá não resistir à vontade de urinar do seu director desportivo. Mas também não pode culpar só esse momento pela perda de tempo que tem vindo desde então a acumular.

Carapaz ganha uns segundos e Landa ameaça Roglic

(Fotografia: Giro d'Italia)
O Mortirolo deixou marcas nas pernas de todos, mas quando se está em alta parece haver uma força extra sempre a "empurrar". Que o diga Richard Carapaz. O camisola rosa atacou pouco antes do quilómetro final e ganhou sete segundos a Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) e Primoz Roglic (Jumbo-Visma). Pode parecer pouco, mas segundo a segundo, Carapaz vai construindo uma liderança que pode defender no que ainda falta de montanha e, principalmente, no contra-relógio. São 1:54 para Nibali e 2:09 para Roglic.

E a Movistar está imparável. Com a etapa controlada, Mikel Landa pôde fazer o seu ataque, também perto do fim, e ficou a 47 segundos de Roglic. O pódio está à vista, pois se Roglic continuar a demonstrar debilidades na montanha - e a etapa de sábado vai ser bem complicada - e se Landa tiver mais liberdade, pode ganhar tempo para tentar defender-se no contra-relógio, ficando num pódio que chegou a ser bastante improvável acontecer. Não será fácil, mas este Landa nada tem a ver com o ciclista da primeira semana do Giro.

A Movistar que ameaçou ter mais uma grande volta para esquecer, está numa boa posição para quebrar um enguiço de quase três anos em grande voltas, quando Nairo Quintana venceu a Vuelta em Setembro de 2016.

Do ataque de asma de um líder, à vitória de um jovem talento

(Fotografia: Giro d'Italia)
Não é a primeira vez que se fala de Nans Peters, francês que já foi líder da juventude neste Giro. Há muito que a camisola branca mudou de dono, mas o ciclista de 25 anos deu mais uma ajuda para salvar uma corrida que estava a ser para esquecer da AG2R.

Não demorou muito a perceber que Tony Gallopin e Alexis Vuillermoz não iam ser homens a lutar sequer por um top dez. O primeiro queria mostrar que tinha mesmo feito a transformação para voltista, depois de ter revelado sinais na Vuelta. Não convenceu e até abandonou na etapa do Mortirolo. Na mítica subida, Vuillermoz passou por um grande susto. Sofreu um ataque de asma muito forte e chegou a cair. Recebeu ajuda médica e optou por regressar à sua bicicleta para terminar a etapa.

24 horas depois, Vuillermoz está a festejar a vitória de etapa de Nans Peters. Foi um dos corredores de uma fuga com muita gente, incluindo o português Amaro Antunes (CCC), tendo mais tarde arriscado um ataque solitário que acabou por resultar. Primeira vitória como profissional de Nans Peters e logo numa grande volta. A AG2R agradece, pois é apenas o sexto triunfo do ano, o primeiro numa corrida World Tour. A formação francesa tem sido muito de "consumo interno", o que é pouco para o seu potencial e orçamento. Já se sabe que aposta mais forte no Tour, mas nunca é mau ter outros resultados a apresentar antes de colocar toda a responsabilidade de uma época nos ombros de Romain Bardet.

Classificação da etapa Commezzadura - Anterselva/Antholz, 181 quilómetros, via ProCyclingStats.

18ª etapa: Valdaora/Olang - Santa Maria di Sala, 222 quilómetros



Arnaud Démare, Pascal Ackermann, estão por aí? Os dois sprinters resistiram à infernal fase de montanha da Volta a Itália (que ainda não terminou) e continuam em prova. As restantes principais figuras do sprint já foram para casa. O ciclista da Groupama-FDJ e o da Bora-Hansgrohe lutam pela camisola ciclamino, ou seja, pela classificação dos pontos. São 13 a separá-los com vantagem para o francês, pelo que a disputa será acesa naquela que é a derradeira oportunidade para os sprinters ganharem uma etapa.

Será um dia curioso. Até começa a subir, mais ou menos a meio tem uma quarta categoria, mas a maioria dos quilómetros são a descer.




»»É dia de elogiar a Movistar««

»»Movistar acusada de ter atacado quando Roglic trocou de bicicleta««

22 de maio de 2019

Jumbo-Visma dá uma motivação extra aos jovens gregários agora que chega a alta montanha

(Fotografia: Giro d'Italia)
Finalmente a alta montanha. Esta ano foi preciso esperar até metade da Volta a Itália para que surgissem as primeiras grandes subidas e esta escolha da organização fez com que crescesse bastante a ansiedade de ver os candidatos à geral iniciarem as hostilidades. Até agora preocuparam-se em sobreviver as etapas planas, não perder tempo nas que tiveram média montanha (uma queda estragou os planos na quarta tirada) e em defenderem-se como pudessem nos contra-relógios que comprovaram o esperado: Primoz Roglic é o homem na mira de todos.

Desde que Steven Kruijswijk andou vários dias de rosa em 2016 e só uma queda arruinou um Giro que estava tão bem encaminhado para o holandês, que a Jumbo-Visma não estava tão convencida que pode mesmo vencer novamente uma grande volta, dez anos depois de Denis Menchov ter conquistado precisamente a Volta a Itália, ao serviço da então Rabobank.

Roglic não está de rosa - cedeu a liderança na sexta etapa -, mas, por mais respeito que Valerio Conti mereça, o ciclista da UAE Team Emirates sabe que 1:50 minutos de vantagem não lhe permite ambicionar mais do que tentar prolongar mais um dia ou dois o primeiro lugar. O objectivo do italiano é vestir de rosa até domingo, mas será difícil. Roglic é o primeiro entre os principais candidatos e só Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida) conseguiu resistir a dois contra-relógios avassaladores do esloveno, estando a 1:44 do rival, com Bauke Mollema (Trek-Segafredo) a sonhar alto ao estar a 1:55. Todos os restantes estão a mais de dois minutos, sendo a grande surpresa os 3:46 que Simon Yates (Mitchelton-Scott) tem de recuperar. 

A partir desta quinta-feira vamos perceber se o britânico teve um dia mau no segundo contra-relógio, ou se se passa algo que o vai afastar da luta pelo Giro. E também vamos perceber do que é feita esta Jumbo-Visma. Têm sido anos a preparar líderes fortes, mas também homens de trabalho de qualidade. Muitos até são jovens, mas de enorme talento. Porém, vão enfrentar uma tremenda responsabilidade. Os responsáveis da Jumbo-Visma resolveram dar uma motivação extra. Três dos ciclistas que muito vão ter de trabalhar nas próximas etapas receberam no domingo um novo contrato por mais duas temporadas.

Os holandeses Antwan Tolhoek (25 anos) e Koen Bouwman (25) e o americano Sepp Kuss (24) estão a tornar-se membros de uma espinha dorsal cada vez mais forte de uma Jumbo-Visma que renasceu das cinzas quando a Rabobank deixou de patrocinar a equipa, para estar a tornar-se novamente numa referência. A equipa soma muitas e boas vitórias, mas quer conquistar este Giro para consolidar definitivamente o projecto. Tolhoek e Bouwman têm estado a evoluir dentro da estrutura, enquanto Kuss chegou em 2018 e já se vai vendo que poderá ser muito mais do que um gregário.

Contudo, é nessa função que terá de se concentrar num Giro que depois de dias e dias algo aborrecido, vai finalmente (nunca é de mais dizer "finalmente") entrar numa fase muito mais interessante. É que sem grande espectáculo entre os candidatos - com a excepção de Richard Carapaz (Movistar) que venceu a quarta etapa marcada por uma queda em que praticamente todos perderam tempo, com Roglic a ficar na frente e Tom Dumoulin a abandonar - só os dois contra-relógios fizeram diferenças. E tiveram o condão de garantir que é preciso atacar.

A perda de tempo foi tal para muitos que não vai ser possível esperar. Mikel Landa (Movistar) foi dos primeiros a prometer que não vai estar quieto, o que é normal, já que soma quedas e maus contra-relógios. Está a ser um Giro para esquecer e Landa não está nada preocupado com Carapaz até estar melhor colocado. Luta interna e luta contra os rivais. Vai ser interessante ver se esta Movistar vai funcionar assim, quando tem sempre falhado quando permite lideranças partilhadas.

Miguel Ángel López (Astana) é mais um que tem muito a recuperar, o que deixa em aberto até que ponto poderão verificar-se pequenas alianças, pelo menos nos ataques e contra-ataques para testar Roglic e para ver até onde consegue resistir uma Jumbo-Visma que perdeu Laurens de Plus por doença (abandonou na sétima etapa) e também Robert Gesink que nem chegou a ir a Itália, pois partiu a clavícula na Liège-Bastogne-Liège. Duas baixas importantíssimas, mas que não parecem abalar a confiança de Roglic e companheiros. Além dos três jovens referidos, o esloveno terá a seu lado os experientes Tom Leezer (33) e Jos van Emden (34), ambos holandeses, e o alemão Paul Martens (35)

Diferenças entre os principais favoritos:

2. Primoz Roglic (Jumbo-Visma)
11. Vincenzo Nibali (Bahrain-Merida), a 1:44 
12. Bauke Mollema (Trek-Segafredo), a 1:55
14. Bob Jungels (Deceuninck-QuickStep), a 2:18
18. Rafal Majka (Bora-Hansgrohe), a 2:53
20. Richard Carapaz (Movistar), a 3:16
22. Ilnur Zakarin (Katusha-Alpecin), a 3:32
24. Simon Yates (Mitchelton-Scott), a 3:46
26. Pavel Sivakov (Ineos), a 4:11
27. Miguel Ángel López (Astana), a 4:29
30. Mikel Landa (Movistar), a 4:52


12ª etapa: Cuneo - Pinerolo, 158 quilómetros



Uma primeira categoria para começar a aquecer a fase da alta montanha. Algum sobe e desce até aos 117 quilómetros e depois começa a doer. São menos de 10 quilómetros, nos quais seis são sempre a 10% ou mais de pendente. O máximo será 14%. Depois da descida, ainda haverá mais umas pequenas rampas, uma delas de 450 metros que chegará aos 20%! Que venham os ataques!

Esta quinta-feira será mesmo o aquecimento. Sexta haverá chegada em alto, numa primeira categoria, que será antecedida de outra e de uma segunda. No sábado haverá duas primeiras, duas segundas e uma terceira para terminar. Domingo será mais calmo, por assim dizer, com duas segundas categorias e uma terceira. Outro pormenor a ter em conta é que as previsões meteorológicas não são as melhores.

E o pior ainda estará para vir na última semana, esperando-se que a neve derreta e permita a passagem pelo ponto mais alto do Giro, em Gavia, logo na terça-feira, a seguir ao dia de descanso. Pode ver neste link para página do blog sobre a Volta a Itália os perfis das etapas que faltam.

Caleb Ewan venceu pela segunda vez e Démare vestiu a ciclamino


(Fotografia: Giro d'Italia)
O pequeno australiano da Lotto Soudal foi novamente o mais forte, conquistando a sua segunda vitória no Giro no sprint de Novi Ligure. Foram 221 quilómetros que ficaram marcados por Arnaud Démare tirar a maglia ciclamino a Pascal Ackermann (Bora-Hansgrohe) logo nos sprints intermédios. De resto, foi esperar pela disputa final.

Elia Viviani (Deceuninck-QuickStep) foi quarto e para ele a Volta a Itália chega ao fim sem vitórias. Não estando na luta pela classificação dos pontos, o italiano vai começar a pensar no Tour, admitindo que o que está mal com ele não são as pernas, mas a cabeça. Há que recuperar confiança. Viviani não deverá ser o único entre os ciclistas com estas características a não estar amanhã à partida da 12ª etapa.

Démare ficou com 11 pontos de vantagem sobre Ackermann e Ewan está a 35, mas é possível que o australiano seja um dos sprinters a ir para casa mais cedo.

Classificações completas, via ProCyclingStats.




»»Démare arrisca ser o único dos principais sprinters a resistir até ao fim««

»»As contas do contra-relógio que obrigam os rivais de Roglic a atacar««

13 de dezembro de 2018

Lotto-Jumbo atingiu a maturidade

(Fotografia: Facebook Lotto-Jumbo)
Seis anos depois de uma crise que ameaçou o futuro da equipa, a Lotto-Jumbo atingiu a maturidade. As jovens apostas evoluíram e confirmaram o seu potencial. Houve muitas vitórias em corridas importantes, luta por pódios nas grandes voltas, com o Tour a passar a ser um objectivo realista. A formação holandesa está a ver o seu trabalho de anos ser recompensado. Está a ver a sua paciência em esperar que os seus ciclistas chegassem ao ponto em que agora se apresentam para começarem a render ao mais alto nível em várias corridas, das mais importantes e não apenas esporadicamente.

Em 2018, a Lotto-Jumbo deixou de ser uma equipa de segunda linha, com um ou outro ciclista capaz de se mostrar em alguns grandes momentos. Passa a estar na linha da frente para bons resultados e para intrometer-se entre os tubarões. Em 2019, a Jumbo-Visma, como se passará a chamar, será uma equipa adulta e que terá os seus corredores entre os favoritos a algo de muito especial, quer Wout van Aert chegue já, ou só em 2020.

Antes de se falar da novela do mercado de transferências, o destaque tem de ir para um Primoz Roglic que provou ser mesmo um ciclista de três semanas, para um Steven Kruijswijk que comprovou que, afinal, ainda pode repetir exibições como a do Giro que lhe escapou em 2016, um Dylan Groenewegen que está feito num senhor sprinter, dois jovens já deixaram garantias que são o futuro - Sepp Kuss e Antwan Tolhoek -, ficando só um ligeiro dissabor com George Bennett. A época não foi má para o neozelandês, mas esperavam-se exibições mais fortes, principalmente no Giro, mas também na Vuelta.

Esta tem sido uma estrutura que com a saída da Rabobank, aguentou-se uma temporada sem patrocinador principal, muito devido à persistência do director Richard Plugge. A reconstrução foi feita mediante o crescimento sustentável económico da equipa. Sem estrelas, mas a criá-las. Com Dylan Groenewgen a ganhar no Tour (duas vezes) e noutras corridas por etapas (venceu os dois sprints na Volta ao Algarve, por exemplo), a conquistar clássicas (Kuurne-Bruxelles-Kuurne foi a de maior destaque), o holandês de 25 anos está a tornar-se num caso sério de sucesso. Já só se espera mais e cada vez melhor de um Groenewegen, que é um dos lados de uma rivalidade que promete ser intensa com Fernando Gaviria. Só Elia Viviani (Quick-Step Floors) ganhou mais este ano do que o holandês: 14 vitórias.

Com Primoz Roglic a prosseguir a sua capacidade para ganhar corridas de uma semana (mais uma vez a história da Lotto-Jumbo cruza-se com a Algarvia, já que o esloveno conquistou-a em 2017), o que o ciclista de 29 anos mais queria era comprovar que podia mesmo ser aposta também para as três semanas. Antes do Tour, venceu De forma consecutiva a Volta ao País Basco, à Romandia e a do seu país, Eslovénia. Chegou a França, onde começou de forma mais discreta, com Steven Kruijswijk a assumir maior protagonismo. Mas quando Roglic "abriu o livro"... Venceu uma etapa e pregou um enorme susto a Chris Froome, que além de ver Geraint Thomas a vencer o Tour, quase ficou fora do pódio. Porém, Roglic fraquejou numa sua especialidade, no contra-relógio, acusando o esforço do dia anterior.

Ainda assim, o quarto lugar de Roglic foi, a todos os níveis brilhante, ainda mais para quem começou a carreira apenas em 2013, tendo chegado à Lotto-Jumbo em 2016. Antes era um saltador de esqui. E dos bons, até que se lesionou com gravidade. Em 2019, Roglic vai ao Tour para alcançar mais e com a camisola amarela na mira.

Steven Kruijswijk reapareceu ao seu melhor e tem de estar orgulhoso de ter feito um quinto lugar no Tour e um quarto na Vuelta. Uma vitória de etapa não lhe teria ficado nada mal, mas foi importante ver como, aos 31 anos, recuperou a confiança que pode disputar uma grande volta, ainda que agora tenha de partilhar esse protagonismo com Roglic. Se os egos não chocarem, esta poderá tornar-se numa dupla interessante.


Ranking: 10º (7059 pontos)
Vitórias: 33 (incluindo três etapas no Tour, duas na Volta ao Algarve e a Kuurne-Bruxelles-Kuurne)
Ciclista com mais triunfos: Dylan Groenewegen (14)

Onde fica George Bennett? Para quem embateu violentamente contra um carro antes da Volta aos Alpes começar, tendo feito quinto nessa corrida e depois oitavo no Giro, não se pode fazer grandes críticas. Apesar de outros bons resultados, exibições sólidas, um 10º lugar na Lombardia, antes, na Vuelta as expectativas saíram goradas. Não se viu o melhor do neozelandês, contudo, Bennett poderá ser novamente aposta para Giro e Vuelta, mas no Tour, terá de esperar. Claro que se a Lotto-Jumbo quiser surgir forte em França, para discutir com uma Sky - o inevitável termo de comparação - Bennett poderá ser um gregário de luxo naquela corrida, em prol de um bem maior: uma possível luta pela camisola amarela, mesmo que não seja ele o líder.

Será preciso perceber como quererá a Lotto-Jumbo jogar as suas cartas, agora que tem garantias de estar a um nível superior. E quem agarrou um lugar entre os gregários de luxo foi Antwan Tolhoek. Tem apenas 24 anos e na sua estreia no Tour... Que nível que apresentou! Impressionou tudo e todos, percebendo-se bem porque no início da temporada recebeu uma segunda oportunidade depois de ter estado envolvido no caso dos comprimidos para dormir. Tolhoek foi um dos ciclistas que tomou medicação sem o conhecimento do médico da equipa, numa situação que levou ao despedimento de Juan José Lobato, com Tolhoek e Pascal Eenkhoorn a serem perdoados, mas a ficarem sob apertada vigilância. Ambos aproveitaram bem o perdão.

Outro jovem que se vai afirmado é Sepp Kuss (24 anos). Foi em casa que se apresentou ao seu melhor, ao conquistar a The Larry H.Miller Tour of Utah. Foi uma das contratações de 2018, pelo que foi um ano de adaptação e para evoluir. O início não foi fácil, com alguns abandonos, mas foi estabilizando e foi chamado para a Vuelta. Tem características que fazem dele um ciclista que a equipa iniciou o trabalho já feito com outros corredores, que agora estão na ribalta. Mais discreto que Tolhoek, mas ambos têm muito potencial a ser explorado.

A juventude de uns é contraposta pela experiência essencial para o equilíbrio que a Lotto-Jumbo encontrou. Jos van Emden, Lars Boom e a locomotiva Robert Gesink, tal como Kruijswijk, estão juntos desde o tempo da Rabobank. Boom até está de saída para a Roompot-Charles, do escalão Profissional Continental, mas a que passará a ser Jumbo-Visma (este último patrocinador foi anunciado há poucos dias), procura apostar na continuidade, mantendo a maioria do plantel e reforçando com nomes bem interessantes.

Claro que à cabeça está Tony Martin, afinal é um pentacampeão do mundo de contra-relógio, ganhou etapas no Tour, conquistou corridas como o Paris-Nice, o Eneco Tour e a Volta ao Algarve. No entanto, também é verdade que nos últimos dois anos andou desaparecido na Katusha-Alpecin. Está naquela lista de ciclistas que sai da Quick-Step Floors e não consegue manter o nível exibicional. A Jumbo-Visma espera ver um pouco do melhor do alemão que, aos 33 anos, vai tentar reavivar a sua carreira.

Porém, é Laurens de Plus quem acaba por ser a contratação de maior destaque, dada a expectativa que poderá reforçar o bloco das grandes voltas. O belga, de 23 anos, estava em fase de evolução na Quick-Step Floors, mas a indefinição da equipa, obrigou o seu director, Patrick Lefevere, a ter de abrir mão de alguns ciclistas, pois o novo patrocinador chegou já tarde na temporada..

Lennard Hofstede é outro jovem talento, da mesma idade que também está a desenvolver-se num bom ciclista para provas por etapas e para algumas clássicas. É de certa forma um regresso a casa do holandês, que esteve na equipa de desenvolvimento da Rabobank, antes de assinar por duas temporadas pela Sunweb. Também desta equipa chega Mike Teunissen. O holandês, de 26 anos, é homem para estar ao lado de Groenewegen nas clássicas e sprints. Taco van der Hoorn (25 anos, da Roompot-Nederlandse Loterij) é ciclista para as clássicas, tal como Wout van Aert.

O belga mais pretendido do momento está envolvido numa questão judicial depois de ter rescindido contrato com a Vérandas Willems-Crelan. A equipa levou a questão a tribunal, enquanto o ciclista recorreu à UCI para lhe permitir assinar já pela Jumbo-Visma, com quem iniciariá uma ligação em 2020 se não o puder fazer já, num acordo que partia do princípio que Van Aert terminaria contrato no final de 2019. A UCI deu luz verde, mas à condição, pois se o tribunal der razão à Vérandas Willems-Crelan, então quem contratar Van Aert poderá ser obrigado a pagar uma indemnização.

A Jumbo-Visma bem gostaria de assinar já a estrela do ciclocrosse e que este ano demonstrou que entre a lama da Strade Bianche e o pavé de Flandres e Roubaix, tem tudo para ser um ciclista de sucesso também na vertente de estrada. Ainda se espera pelo próximo episódio desta novela sem fim à vista e que poderá afastar Van Aert da competição em 2019 (pode ler mais pormenores neste link).

Permanências: Dylan Groenewegen, Primoz Roglic, Steven Kruijswijk, George Bennett, Antwan Tolhoek, Koen Bouwman, Floris de Tier, Pascal Eenkhoorn, Robert Gesink, Amund Grondahl Jansen, Sepp Kuss, Tom Leezer, Bert-Jan Lindeman, Paul Martens, Daan Olivier, Neilson Powless, Timo Roosen,  Jos van Emden, Danny Van Poppel e Maarten Wynants.


Contratações: Tony Martin (Katusha-Alpecin), Laurens de Plus (Quick-Step Floors), Mike Teunissen (Sunweb), Lennard Hofstede (Sunweb), Taco van der Hoorn (Roompot-Nederlandse Loterij) e Jonas Vingegaard (ColoQuick).

»»Época com muitos quase, mas com uma certeza chamada Latour««

»»Mais investimento, novas figuras, mas o mesmo velho problema e um Aru irreconhecível««

18 de dezembro de 2017

Lobato despedido. Tolhoek e Eenkhoorn recebem segunda oportunidade

Lobato não irá cumprir o segundo ano de contrato com a equipa holandesa
(Fotografia: Lotto-Jumbo)
A Lotto-Jumbo já decidiu o futuro dos três ciclistas que violaram o regulamento interno ao ingerirem um medicamento para dormir não autorizado pela equipa médica. Juan José Lobato viu o seu contrato ser terminado, enquanto os dois jovens, Antwan Tolhoek e Pascal Eenkhoorn, foram suspensos por dois meses, mas em Fevereiro serão reintegrados nos trabalhos da formação holandesa.

Voltou a ser realçado que não se tratou de substâncias proibidas segundo as regras anti-doping, mas o desrespeito pelas da Lotto-Jumbo. Foi explicado, através de um comunicado, que foram tidos em conta "os aspectos legais e pessoais" na decisão que ditou o futuro dos três ciclistas que na semana passada foram expulsos do estágio. O espanhol Juan José Lobato, de 28 anos, terá tentar prosseguir a sua carreira noutra equipa. "Foi decidido terminar a cooperação desportiva no interesse tanto do ciclista, como da equipa", lê-se no texto divulgado pela Lotto-Jumbo.

Lobato deixou a Movistar para procurar mais oportunidades em 2017 na equipa holandesa. No entanto, a época ficou aquém do esperado, com o segundo lugar na quarta etapa da Vuelta a ser dos melhores resultados. Somou apenas uma vitória, na primeira tirada do Tour de l'Ain. O corredor, que se estreou no World Tour em 2013 na Euskaltel-Euskadi, ainda tinha mais um ano de contrato com a Lotto-Jumbo, contudo, terá agora de procurar uma nova equipa, numa altura em que os plantéis já estão praticamente todos fechados. E há ainda que ter em conta que a reputação do ciclista está manchada. Além de ter sido apanhado a tomar medicamentos não autorizados pelos médicos da Lotto-Jumbo, estes seriam seus e não dos companheiros também envolvidos no caso, segundo os meios de comunicação social holandeses.

Os holandeses Antwan Tolhoek e Pascal Eenkhoorn vão ter uma segunda oportunidade, mas foram avisados que terão de ser "ciclistas profissionais exemplares": "A equipa responsabiliza-se pela saúde dos ciclistas e experiências que colocam em perigo a saúde destes não são aceitáveis. No contexto da política de desenvolvimento de talento que a Lotto-Jumbo defende, a equipa proporcionou uma nova oportunidade a Tolhoek e Eenkhoorn para se tornarem em ciclistas profissionais exemplares."

Tolhoek tem 23 anos e tal como Lobato assinou pela Lotto-Jumbo para 2017 e 2018. Estagiou em 2015 na Tinkoff, mas no ano seguinte competiu pela Roompot. Antwan Tolhoek mostrou talento para as corridas por etapas e também em corridas por um dia. Estava a afirmar-se como um bom homem de trabalho para os líderes e a equipa vê nele potencial, dada a margem de progressão que tem.

Já Pascal Eenkhoorn dificilmente poderia ter começado da pior maneira a sua carreira como profissional. Destacou-se este ano ao vencer a classificação da juventude na Volta à Normandia e mais tarde na Rhône-Alpes Isère Tour. Tem demonstrado capacidades de trepador, sendo um dos seus pontos fortes, aos 20 anos, o contra-relógio. Foi segundo classificado nos Nacionais nesta especialidade, na categoria de sub-23.

De recordar que a situação chegou a assustar os responsáveis da Lotto-Jumbo, pois quando Lobato foi descoberto, ninguém o conseguiu acordar. Foi chamada uma ambulância e o espanhol e Eenkhoorn acabaram por passar a noite no hospital, enquanto Tolhoek regressou ao hotel pouco depois. Os dois jovens mostraram sinais de mudança de comportamento e de estarem confusos, o que levou à suspeita que algo estava errado, confirmada com o estado de Lobato.


16 de dezembro de 2017

Ciclistas da Lotto-Jumbo foram ao hospital antes de serem expulsos do estágio. Arriscam despedimento

Lobato assustou pois ninguém o conseguia acordar
(Fotografia: Facebook Lotto-Jumbo)
A situação que levou à expulsão de três ciclistas do estágio da Lotto-Jumbo pode acabar em despedimento. No entanto, o director desportivo não quer tomar decisões precipitadas e baseadas em emoções. Merijn Zeeman contou o que aconteceu nas horas que precederam a decisão radical de expulsar os corredores do estágio, recordando como não conseguiram acordar Juan José Lobato, o que levou à chamada de uma ambulância. Antwan Tolhoek e Pascal Eenkhoorn apresentaram-se algo "confusos", o que levou os responsáveis a suspeitar que algo não estava bem, o que foi confirmado quando descobriram Lobato.

Os três ciclistas da equipa holandesa tomaram um medicamento para dormir que não foi autorizado pelos médicos da Lotto-Jumbo. De imediato, quando foi anunciada a expulsão do trio, foi salientado que não se tratava de uma substância dopante. Ainda assim, não houve perdão para o incumprimento dos regulamentos internos. Zeeman explicou ao site holandês Nos que a primeira suspeita surgiu com Pascal Eenkhoorn, que aos 20 anos se preparava para a estreia como profissional. O responsável descreveu que o jovem ciclista surgiu no átrio do hotel "a agir de forma diferente do habitual", mostrando-se algo "confuso". Sintomas idênticos foram apresentados por Tolhoek (23 anos), que ia cumprir o segundo ano de contrato na Lotto-Jumbo.

Sobre Lobato (28), o responsável contou: "Vimos que estava a dormir e tentámos acordá-lo, mas não conseguimos." Zeeman garante que o esforço para acordar o espanhol foi grande, mas Lobato não reagiu. Chamado o médico da equipa, este pediu uma ambulância. Entretanto, Lobato acordou e até foi pelo próprio pé receber assistência médica. O conselho foi que o espanhol e os dois colegas fossem transportados para o hospital. Tolhoek e Eenkhoorn foram com Zeeman. O primeiro regressou ao hotel pouco depois, os outros dois passaram na noite no hospital.

Tudo aconteceu na terça-feira. Na quarta, foi então anunciada a decisão perante toda a equipa. O estágio em Girona, Espanha, já terminou, pelo que os responsáveis da Lotto-Jumbo estão a analisar o que vão fazer com os três ciclistas. "Os ciclistas estão muito zangados com estes três e com o que fizeram", salientou Zeeman, que acrescentou é necessário tomar uma decisão longe da emoção. Não confirmando se irá despedir Antwan Tolhoek, Pascal Eenkhoorn e Juan José Lobato, o caso foi considerado como uma violação grave e terminar já os contratos será uma possibilidade em cima da mesa.

14 de dezembro de 2017

Lotto-Jumbo expulsa três ciclistas do estágio por posse de medicação não autorizada

(Fotografia: Facebook Lotto-Jumbo)
Não estão a ser dias de grandes notícias! Ainda se está a tentar percebe o que irá acontecer com um dos principais ciclistas do pelotão internacional, Chris Froome, e eis que a Lotto-Jumbo divulga que expulsou três ciclistas do estágio por terem na sua posse medicação não autorizada pela equipa. Ficou a garantia que não se tratou de substâncias dopantes, mas foi o suficiente para tomar uma medida drástica. Juan-José Lobato, Antwan Tolhoek e Pascal Eenkhoorn foram expulsos e não se sabe quando serão autorizados a regressar.

O comportamento dos corredores foi considerado "inaceitável" e é realçado que a expulsão é por tempo indeterminado. "Os três ciclistas usaram ou estavam na posse de medicamentos para dormir (não dopantes) que não foram providenciados ou são utilizados na equipa. Esta é uma grave violação dos regulamentos da equipa de ciclismo", lê-se no comunicado.

O estágio em Girona, em Espanha, decorre até amanhã. Os responsáveis da estrutura falaram com os restantes ciclistas sobre o sucedido. "Toda a equipa distância-se veementemente deste comportamento, que contraria os valores da equipa. Os três ciclistas envolvidos também estiveram presentes [no encontro]", explicou a Lotto-Jumbo.

A formação holandesa está a preparar o arranque da temporada de 2018, que irá acontecer no Tour Down Under, corrida que se realiza entre 16 e 21 de Janeiro. Lobato era um dos pré-seleccionados para a equipa que estaria na Austrália. O espanhol, de 28 anos, deixou a Movistar para em 2017 procurar novas oportunidades na Lotto-Jumbo. Somou apenas uma vitória, no Tour de l'Ain. Tal como o holandês Tolhoek, o contrato de Lobato termina no final de 2018. Já Pascal Eenkhoorn (20 anos) prepara-se para fazer a estreia como profissional.