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25 de novembro de 2019

Versão avassaladora da Astana desaparece nas grandes voltas

(Fotografia: Facebook Astana Pro Team)
Durante a primeira fase da temporada foi uma disputa entre Astana e Deceuninck-QuickStep. Quando uma ganhava, a outra não demorava a responder. A equipa cazaque dominava nas provas por etapas, entre triunfos em tiradas e gerais. A belga foi implacável nas clássicas, mas também foi ganhando muitas etapas. Porém, quando chegou o grande momento de mostrar que de facto é uma equipa forte para as grandes voltas, a Astana ficou mais uma vez muito aquém. Miguel Ángel López não conseguiu disputar o Giro. Na Vuelta ainda foi líder por três vezes, mas acabou fora do pódio. Já Jakob Fuglsang continua na difícil relação com a Volta a França. Dos irmãos Izagirre esperava-se mais, principalmente de Ion, mesmo estando em segundo plano para o colombiano e dinamarquês.

Das 37 vitórias em 2019, 30 foram alcançadas até ao final de Junho. Foi uma primeira metade de temporada avassaladora, mas ainda assim com uma Volta a Itália em que a Astana não ficou plenamente satisfeita. Pello Bilbao (duas) e Dario Cataldo conquistaram vitórias em etapas, mas a Astana quer regressar ao topo do pódio de uma grande volta. López não demorou a começar a ver a possibilidade de liderança escapar e quando tentou lutar por uma posição pelo menos de top cinco ou mesmo o pódio, um espectador provocou uma queda ao ciclista, que respondeu com uma chapada, num dos momentos mais insólitos do ano.

A López aconteceu um pouco de tudo de mau e o pouco de bom que se viu, não chega para tentar ganhar um Giro - venceu a juventude, mas nesta fase não chega - ou uma Vuelta. Em Espanha a irregularidade das exibições custaram-lhe o pódio. Mas são mais dois top dez nas três semanas e a Astana não adiar mais: López vai atacar o Tour em 2020.

Jakob Fuglsang parecia que aos 34 anos se tinha reinventado mais uma vez e seria desta que ajustaria contas com o Tour. Sempre que foi como líder, a tendência foi para correr mal. Chegou à corrida depois de meses fenomenais. Já tem o seu o monumento, numa semana das Ardenas sempre em crescendo: terceiro na Amstel Gold Race, segundo na Flèche Wallonne e depois primeiro na Liège-Bastogne-Liège. Antes já tinha sido segundo na Strade Bianche (foi uma disputa particular nas clássicas com Julian Alaphilippe, da Deceuninck-QuickStep), terceiro no Tirreno Adriatico e ainda uma vitória na Ruta del Sol, em Fevereiro. E houve mais excelentes resultados.
Ranking: 5º (11474,5 pontos) 
Vitórias: 37 (incluindo a geral da Ruta del Sol, Volta à Catalunha, Volta ao País Basco, Critérium du Dauphiné, três etapas no Giro e duas na Vuelta) 
Ciclista com mais triunfos: Alexey Lutsenko (10)
No Tour acabou por abandonar devido a problemas físicos devido a uma queda. Mas Fuglsang mostrou como mentalmente estava forte neste 2019 e foi à Vuelta conquistar uma etapa. Para o ano deverá trocar de calendário com López e vai pela segunda vez ao Giro, na esperança que talvez seja mesmo azarado.

Mas esta equipa não se resume a López e Fuglsang. Bilbao e Luis León Sánchez são sempre garantia de boas exibições e vitórias, mas o primeiro está de saída para a Bahrain-Merida, uma perda grande para o bloco de apoio a López. Contudo, uma da principais figuras da Astana é um homem da casa: o campeão cazaque Alexei Lutsenko.

Aos 27 anos é um ciclista muito à imagem do director da equipa, Alexander Vinokourov. Extremamente combativo, capaz de se mostrar em corridas por etapas (venceu a Volta a Omã e Artic Race, foi sétimo no Critérium du Dauphiné e quarto na Alemanha) e sempre perigoso nas clássicas, Lutsenko somou dez vitórias. Este corredor já tem um papel de total liberdade, pois tornou-se numa garantia de sucesso.

Do lado oposto de performance esteve Ion Izagirre, cuja troca da Bahrain-Merida para a Astana acabou por significar perda de estatuto. Não foi fácil para o espanhol assimilar que nem na Vuelta seria o número um, sendo que o grande momento chegou na Volta ao País Basco e já tinha ganho a Volta à Comunidade Valenciana. Ion, tal como o irmão Gorka, vão querer mais destaque em 2020, mas não será fácil.

Mesmo com os bons ciclistas que tem, a Astana necessita de fortalecer a sua aposta nas grandes voltas, pois começa a tornar-se frustrante ser tão ganhadora antes de chegar ao Giro e depois falhar nas três semanas (Tour e Vuelta incluídos). O basco Óscar Rodríguez (Euskadi-Murias e vencedor de uma etapa na Vuelta em 2018) e o russo Aleksander Vlasov (Gazprom-RusVelo) chegarão para este tipo de corridas, mas não será fácil substituir Bilbao e Dario Cataldo (está a caminho da Movistar).

Vinokourov pode querer ganhar e muito uma grande volta, mas tal não significa que não vai querer continuar a querer vencer tudo o que puder, pelo que foram contratados Alex Aranburu (um dos mais combativos na última Vuelta ao serviço da Caja Rural) e Davide Martinelli (Deceuninck-QuickStep) para serem reforços no sprint, tal como Fabio Fellinne (Trek-Segafredo), que também irá ser aposta nas clássicas.

Independentemente de não conseguir conquistar uma grande volta, há algo que é inegável nesta Astana: é uma equipa completamente feita à imagem do seu director. Dá espectáculo e quer ganhar seja em que corrida for.


21 de dezembro de 2018

Aru? Astana teve um Super-Homem López, Valgren, Sánchez, Bilbao, Fraile, Lutsenko...

(Fotografia: Facebook Astana Pro Team)
Zangado com Fabio Aru por não ter renovado e avisado tarde de mais para ser substituído, segundo a versão de Alexander Vinokourov, o director da Astana viu a sua equipa reagir com uma época fortíssima, boas vitórias e um Miguel Ángel López a deixar bem claro que o seu chefe pode ficar descansado quanto às três semanas. Foi terceiro no Giro e na Vuelta.

Já Jakob Fuglsang foi novamente o ciclista regular, capaz de um lugar entre top 20 ou eventualmente um top 10, mas não é opção para discutir uma grande volta, não surpreendendo que tenham sido contratados os irmãos Izagirre para se juntarem a López nesse papel. Mas antes de pensar em contratações, a equipa viveu uma fase de sobressalto quando Vinokourov afirmou que o governo cazaque não tinha pago a verba destinada à equipa para 2018, pelo que a formação estava a viver das poupanças e os salários não estavam a ser pagos. Horas depois de se conhecer esta situação, Michael Valgren venceu a Omloop Het Nieuwsblad, num dos grandes momentos de 2018. Era a quinta vitória do ano, a mais importante até então e, principalmente, o quebrar definitivo com um ano anterior em que os triunfos custaram tanto a aparecer.

A morte de Michele Scarponi continuou a ter a sua influência entre os ciclistas da Astana, que não o esquecem, homenageando-o na Volta aos Alpes (a sua última corrida em 2017) com três vitórias de etapa. Quando a situação financeira foi dada como resolvida em Maio - alguns ciclistas e membros do staff chegaram a dizer que receberam sempre os ordenados -, com o financiamento a ser garantido por mais dois anos, a Astana já ia com 14 vitórias!

Algumas eventuais saudades de Aru rapidamente se dissiparam. Nas grandes voltas, além dos pódios de López, houve ainda duas vitórias de etapas no Tour, por Omar Fraile e Magnus Cort. Luis Léon Sánchez (a queda no Tour foi uma pena, pois aparecia em forma), Pello Bilbao - o parceiro perfeito para López e que pode dar ainda mais à equipa quando lhe é dada liberdade (duas vitórias em 2018) - e Alexey Lutsenko foram outros nomes a colocarem constantemente a Astana no topo.


Ranking: 6º (7859 pontos)
Vitórias: 31 (incluindo duas etapas no Tour, a Omloop Het Nieuwsblad e a Amstel Gold Race)
Ciclista com mais triunfos: Alexey Lutsenko (4)

E não deixa de impressionar um pouco como uma equipa é simplesmente a "cara chapada" do que era o seu director enquanto ciclista. Tantas foram as vitórias das 31 de 2018 com ataques cirúrgicos, como tanto gostava de correr Vinokourov. A equipa conseguiu ter a capacidade de muitas vezes colocar dois ou três corredores entre os pequenos grupos que decidiriam as corridas, o que lhe dava uma superioridade táctica que raramente desperdiçou.

A saída de Valgren para a Dimension Data é uma perda importante - o dinamarquês venceu também a Amstel Gold Race -, mas a Astana não perderá a sua identidade de tentar vencer à base de ataques, com o objectivo de ganhar uma grande volta a estar novamente entre os principais, para não dizer mesmo ser o principal. López, o Super-Homem do pelotão, demonstrou que está mais do que preparado para tentar discutir o primeiro lugar. O problema do colombiano de 24 anos nesta época foi ter começado menos bem tanto o Giro como a Vuelta. Teve sempre de fazer recuperações. Se conseguir ser mais regular e não perder tanto tempo no início, então será um ciclista com pretensões mais do que justificadas a vencer estas duas corridas, que estão novamente no seu calendário. O Tour ficará para os Izagirre e Fuglsang.

A Astana também terá um Alexey Lutsenko preparado para mais responsabilidade, esperando certamente de Davide Villella mais e melhor. O italiano de 27 anos tem muito potencial, mas os anos passam e demora a aparecer ao nível que se sabe ter capacidade. A espaços vê-se como Villella pode andar entre os melhores, ele que pode lutar por triunfos em clássicas e ser aquele ciclista de perseguir etapas que Vinokourov sempre escolhe. Villella venceu a Volta a Almaty, mas não é isso que lhe coloca um ponto mais positivo na temporada.

Permanências: Miguel Ángel López, Jakob Fuglsang, Alexey Lutsenko, Pello Bilbao, Dario Cataldo, Magnus Cort, Omar Fraile, Jan Hirt, Luis León Sánchez, Davide Villella, Zhandos Bizhigitov, Laurens de Vreese, Daniil Fominykh, Yevgeniy, Dmitri Gruzdev, Hugo Houle, Yuri Natarov, Nikita Stalnov, Artyom Zakharov e Andrey Zeits.

Contratações: Ion Izagirre (Bahrain-Merida), Gorka Izagirre (Bahrain-Merida), Manuele Boaro (Bahrain-Merida), Merhawi Kudus (Dimension Data), Hernando Bohórquez (Manzana Postobón), Davide Ballerini (Androni Giocattoli-Sidermec), Jonas Gregaard Wilsly (Riwal CeramicSpeed), Rodrigo Contreras (EPM) e Yuriy Natarov (Astana City).

»»Dois anos, dois monumentos, mas uma enorme desilusão no Tour««

»»A aposta falhada num trio que não foi maravilha««

7 de maio de 2018

Astana com financiamento garantido por mais dois anos

(Fotografia: Giro d'Italia)
Em Fevereiro, Alexander Vinokourov lançava uma bomba: "A situação é crítica." O responsável máximo pela Astana alertava que a equipa estava a competir com recurso às poupanças e que não estavam a ser pagos salários. Faltava o financiamento por parte do governo do Cazaquistão. Horas depois das declarações terem sido tornadas públicas, Michael Valgren vencia a Omloop Het Nieuwsblad, na abertura da época de clássicas, naquela que era a quinta vitória da formação este ano e que entretanto já somou mais dez!

Os números bem demonstram como os ciclistas reagiram a uma possível crise e nunca é de mais recordar que em 2017, nesta fase da temporada, a Astana só somava uma vitória, por intermédio de Michele Scarponi, que morreu poucos dias depois. Se o objectivo de Vinokourov foi tentar pressionar quem não estaria a libertar o dinheiro, então conseguiu. "Os problemas foram resolvidos pelo menos para as duas próximas temporadas", garantiu o director da equipa à Gazzetta dello Sport.

A Astana sai assim da "lista" de equipas com futuro indefinido, na qual permanece a BMC, com Richie Porte a avisar que poderá assinar por outra formação, caso não surjam garantias até ao final do mês. Já a Sunweb é o exemplo que todos gostariam de ver os patrocinadores seguir. A agência de viagens assinou um contrato válido por tempo indeterminado, o que dá uma segurança pouco vulgar no ciclismo.

O orçamento da Astana para 2019 deverá rondar os 17 milhões de euros, mas o jornal italiano avança que o responsável espera conseguir um "extra" de dois a três milhões de forma a contratar um líder forte, depois de nos últimos dois anos ter perdido Vincenzo Nibali e Fabio Aru. Este último deixou o director bastante zangado. O responsável considerou que a equipa foi prejudicada pelo anúncio tardio de Aru que não iria renovar. Chegou até a ponderar processar o ciclista. Mas parece que agora até se dão bem... "Temos uma boa relação. Ele disse-me olá no Giro e eu desejei-lhe tudo de bom para o Giro", disse o cazaque.

De recordar, que no ano passado chegou a falar-se da Astana ter tentado contratar Nairo Quintana, quando muito se especulava que a sua relação com o responsável da Movistar, Eusebio Unzué, estaria muito deteriorada e que o colombiano poderia ponderar quebrar contrato, sabendo que Mikel Landa iria para a equipa em 2018. Nunca nada foi confirmado. Quintana tem vínculo até 2019, mas além de Porte, também Thibaut Pinot está em final de contrato, para realçar dois dos principais voltistas, ainda que seria uma enorme surpresa ver o francês sair da Groupama-FDJ.

Mas quem interessa agora é Miguel Ángel López, o colombiano que lidera a equipa em Itália. "Ele tem de acreditar que pode acabar no pódio", afirmou Vinokourov. O arranque de Volta a Itália até foi um pouco acidentado, com López a cair no reconhecimento do percurso do contra-relógio. Depois perdeu 57 segundos - é uma vertente que tem de melhorar, como o próprio já salientou -, o que não sendo grave, deixa o ciclista, de 24 anos, a ter já algum trabalho pela frente para recuperar o tempo perdido.

Vinokourov garantiu ainda que este ano Jakob Fuglsang (33) será mesmo o líder da Astana na Volta a França. Em 2017 tinha essa missão atribuída, até que Aru caiu e falhou o Giro. O italiano venceu uma etapa e andou de amarelo, mas agora é adversário e o dinamarquês terá a oportunidade que há muito reclama.

Pedido de desculpa por um quase atropelamento

As imagens até arrepiam. Uma missão tão normal no ciclismo como sinalizar a presença de um passeio que divide a estrada, demonstrando aos ciclistas e caravana por onde podem passar, tornou-se numa experiência que poderia ter acabado em tragédia. Não é exagerado descrever assim. Aconteceu no Tour de Yorkshire, com um carro da Astana a não conseguir desviar-se do passeio. Felizmente que a pessoa conseguiu sair no último momento e atravessou a estrada sem ser apanhado pelos outros carros (ver vídeo em baixo).
A Astana já pediu desculpa pelo incidente e está a tentar falar com a pessoa que terá apanhado o susto de uma vida. "O director desportivo que estava a conduzir o carro contactou directamente o organizador da corrida depois da prova para enviar as nossas desculpas. Estamos também a tentar entrar em contacto com o comissário. Pedimos desculpa e queremos que isto nunca mais volte a acontecer", lê-se no comunicado.

»»Astana perdeu Aru, está sem financiamento, mas reencontrou-se com as vitórias««

»»Richie Porte stressado com indefinição do futuro da BMC««

»»Sunweb anuncia contrato de sonho««

24 de fevereiro de 2018

Astana perdeu Aru, está sem financiamento, mas reencontrou-se com as vitórias

Valgren venceu com um ataque a que ninguém respondeu
(Fotografia: Twitter Omloop Het Nieuwsblad)
Quase dá vontade de dizer "Fabio Aru, para que te quero". A Astana perdeu a sua principal figura, não substituiu o italiano, mas substituiu os resultados. Há um ano a equipa estava a zero em termos de vitórias e ainda teria de esperar mais dois meses pela primeira. Este ano já são cinco os triunfos e os ciclistas têm demonstrado uma enorme confiança que em 2017 andou algo perdida entre a falta de resultados e a trágica morte de Michele Scarponi. E no dia em que foram tornados públicos os problemas financeiros que ameaçam a continuidade da equipa, a resposta foi enorme. Michael Valgren venceu a Omloop Het Nieuwsblad. Mas além da vitória ficou bem clara toda a atitude agressiva (no melhor dos sentidos) da Astana, pois no grupo que discutiu a corrida estavam três homens da formação cazaque. Pode ter perdido a referência das três semanas, mas a Astana reencontrou-se com a forma que lhe era habitual e entra na fase das clássicas a merecer o maior do respeito.

Este sábado foi Michael Valgren, o primeiro dinamarquês a vencer nesta clássica belga que abriu a temporada destas corridas com espectáculo, mesmo sem Peter Sagan. Valgren ficou no grupo decisivo juntamente com Oscar Gatto e Alexey Lutsenko, ciclista que recentemente venceu a Volta a Omã. Zdenek Stybar (Quick-Step Floors), Daniel Oss (Bora-Hansgrohe), Matteo Trentin (Mitchelton-Scott), Sep Vanmarcke (EF Education First-Drapac powered by Cannondale), Wout van Aert (Vérandas Willems-Crelan) - um campeão do mundo de ciclocrosse e que já promete na estrada - Oliver Naesen (AG2R) e o vencedor das últimas duas edições Greg van Avermaet (BMC) estavam no grupo, entre outros, e mantiveram a corrida em aberto até bem perto do final. Dependia da Astana jogar as suas cartas e acertou em cheio com Valgren que viu a concorrência ficar a marcar-se e não responder ao seu ataque final.

Horas antes tinham sido publicadas as bombásticas declarações de Alexander Vinokourov: "A situação é crítica." O director da equipa referiu, numa entrevista ao meio de comunicação social cazaque Vesti,  que o financiamento do governo para 2018 ainda não chegou e que o próprio futuro da estrutura está em causa. "Estamos a ir para as corridas com as nossas poupanças. Os rapazes não receberam os seus salários", disse. Porém, é neste ponto que surgiram algumas dúvidas. O Cycling Weekly falou com membros do staff e alguns ciclistas e estes garantem que têm recebido o que lhes é devido.

"Não sabíamos de nada em Omã, mas penso que é algo que passará. Ouvimos, pensamos nisso, mas estamos confiantes e calmos. Vamos ficar calmos que tudo ficará bem", afirmou Miguel Ángel López ao site. O director desportivo Dmitri Sedoun também afirmou que está a receber o salário. "Ouvimos que houve um atraso no financiamento, mas a equipa está a agir normalmente, como podem ver", disse.

A Astana vai na sua 13ª temporada, sempre com o forte apoio do governo do Cazaquistão. Alexander Vinokourov, o actual director, foi das suas primeiras figuras, juntamente com um jovem Alberto Contador. A equipa conta com vitórias nas três grandes voltas, duas na Liège-Bastogne-Liège, uma das quais por intermédio de Vinokourov que foi também campeão olímpico. Dos 256 triunfos no historial é notória a maior apetência para as provas por etapa.

Tem sido das estruturas com maior orçamento, contudo, nos últimos anos tem visto sair as suas principais referências, sem que as tenha conseguido substituir com ciclistas com o mesmo estatuto no pelotão. Primeiro foi Vincenzo Nibali que não quis ficar em segundo plano e foi para a nova Bahrain-Merida, mas a aposta em Fabio Aru da Astana acabou igualmente com a saída do italiano, agora o líder da UAE Team Emirates. A decisão de Aru fechou um ano atribulado para a equipa. Ia apostar forte no Giro100, mas Aru caiu e ficou de fora da corrida. Scarponi foi chamado à liderança, até venceu uma etapa da Volta aos Alpes, mas dias depois foi atropelado mortalmente durante um treino.

Só em Junho, com Jakob Fulgsang a vencer o Critérium du Dauphiné, é que regressou uma certa normalidade, mas os resultados ficaram sempre aquém dos esperado (18 triunfos, três dos quais no habitual domínio no Tour de Almaty). Valeu a vitória de etapa de Aru no Tour - e ainda andou de amarelo - e as três na Vuelta, duas por López e uma por Lutsenko. A saída de Aru parecia ser algo mais do que anunciado, mas quando finalmente o italiano confirmou que estava a caminho da UAE Team Emirates, Vinokourov ficou furioso e acusou Aru de deixar a equipa sem possibilidade de contratar alguém, por ser demasiado tarde e por os principais ciclistas já terem definido o seu futuro. Chegou mesmo a ameaçar judicialmente o corredor.

Na estrada, a reacção da Astana à perda de uma individualidade foi mostrar-se mais forte colectivamente. Cinco vitórias em dois meses são importantes, principalmente depois de um 2017 tão negativo e ainda mais se se confirmar a falta do apoio financeiro que segura a estrutura. Os ciclistas estão a responder da melhor maneira às adversidades e às suspeições que a Astana poderia estar a perder competitividade. A verdade é que, para já,  o que se vê é uma equipa vencedora e as expectativas começam a ficar altas pensando já no Giro, que terá Miguel Ángel López como líder e o Super-homem, como é chamado, tem muito (mas mesmo muito) para mostrar e talvez fazer rapidamente esquecer Fabio Aru.

De realçar que há também uma estrutura Continental, a Astana City, que serve principalmente de formação aos jovens cazaques, que ambicionam chegar a equipa do World Tour.

Quanto à Omloop Het Nieuwsblad, aqui ficam as classificações, via ProCyclingStats. Este domingo é dia da Kuurne-Bruxelles-Kuurne, corrida que não pertence ao World Tour, mas tem sempre um pelotão de luxo (basicamente o mesmo que hoje competiu). Peter Sagan venceu em 2017, mas este ano só se irá estrear nesta fase da temporada na Strade Bianche, a 3 de Março.


»»Um estranho início das clássicas sem Peter Sagan««

»»Morreu o condutor que atropelou Scarponi««

28 de novembro de 2017

Um ano com Scarponi no pensamento e com as vitórias a escassearem

(Fotografia: Facebook Astana)
Em tempos foi uma toda poderosa equipa. Mas os tempos são outros e mesmo sendo uma estrutura com um orçamento bem folgado, a Astana vive uma fase de algum descrédito. As grandes figuras não querem ficar, outras não querem ir para lá. Ainda assim, entrou em 2017 com um conjunto de ciclistas preparados a lutar por corridas. Fabio Aru estava determinado em ganhar o Giro100, Miguel Ángel López passou grande parte da temporada a recuperar de uma fractura na perna feita no final de 2016, mas apontava nem que fosse à Vuelta. Jakob Fuglsang teria a oportunidade de liderar no Tour e depois haveria um Dario Cataldo, um Oscar Gatto, Tanel Kangert, Luis Leon Sanchez e Alexey Lutsenko, entre outros, que poderiam sempre conquistar alguns triunfos. Porém, cedo ser percebeu que esta Astana teria dificuldade em impor-se como outrora, mas esse acabou por ser o menor dos problemas.

A época começou difícil, teve o pior momento possível em Abril e apesar de umas poucas alegrias, acabou novamente mal. O arranque não poderia ser mais desesperante, os meses passaram e vitórias... nem vê-las. O foco estava no Giro100 e em Aru, até que o líder caiu durante um treino e a recuperação ia ser demorada. Alexander Vinokourov, director da equipa, bem podia levar as mãos à cabeça. Nestes momentos sabe sempre bem ter um ciclista como Michele Scarponi. Apesar da veterania, era claro que a experiência poderia ser uma mais valia e Scarpa deu a resposta ao vencer na primeira etapa da Volta aos Alpes. Estávamos a 17 de Abril. Um pequeno suspiro de alívio por parte da Astana. Estaria a época a compor-se? Cinco dias mais tarde o ciclismo sofreu uma perda enorme. Scarponi foi atropelado ao treinar perto de casa. Morreu e deixou um vazio no pelotão. E deixou uma Astana sem rumo para a Volta a Itália.

Entre lágrimas e vontade de homenagear o seu companheiro, os ciclistas da Astana partiram para o Giro apenas com a responsabilidade de tentar aquela vitória de etapa que pudessem dedicar a Scarponi. Foram só oito corredores, pois Vinokourov não quis substituir o líder. O número um da equipa era para Scarpa e para Scarpa ficou. Muito lutaram os homens da Astana, mas o triunfo desejado só chegaria a 9 de Junho no Critérium du Dauphiné. Jakob Fuglsang aparecia num momento crucial: venceu duas etapas e a geral da competição vista como a que dá as indicações para o Tour. Não só libertou a equipa da pressão da falta de vitórias, como finalmente era feita a homenagem a Scarponi. E finalmente a Astana entrou um pouco mais nos eixos.


Ranking: 15º (5018 pontos)
Vitórias: 18 (incluindo uma etapa no Tour, três na Vuelta, duas e a geral no Critérium du Dauphiné)
Ciclista com mais triunfos: Jakob Fuglsang e Miguel Ángel Lopez (4)

A emoção da ausência de Scarponi esteve sempre presente. Era inevitável. No entanto, surgiram outros problemas devido à mudança de calendário de Aru. Falhando o Giro, passou para o Tour, onde o dinamarquês tinha recebido garantias que seria líder. Fuglsang (32 anos) reagiu conquistando o Critérium du Dauphiné e falou-se de uma liderança partilhada com o italiano. Naturalmente que ninguém acreditou. Na estrada o dinamarquês tentou manter-se junto dos candidatos, mas acabaria por abandonar. Entretanto, Aru ganhou uma etapa e até andou de amarelo. Problemas de saúde prejudicaram o seu final na Volta a França e nem ao pódio conseguiu subir. Ainda assim, o quinto lugar foi positivo. Já o 13º na Vuelta, nem por isso.

Mas não foi grave, pois em Espanha reapareceu Miguel Ángel López. O pequeno colombiano, que tanto está a entusiasmar pela forma aguerrida de competir, ganhou duas etapas. Foi oitavo na geral e agora espera-se que evite acidentes na pré-temporada para que apareça em grande em 2018. É que a Astana bem precisa. Lutsenko também venceu uma etapa.

A felicidade de concluir a última grande volta com algum destaque esfumou-se bastante rápido. Depois de Vincenzo Nibali sair no final de 2016, foi Fabio Aru quem bateu com a porta. Era um desfecho mais do que anunciado, mas Vinokourov disse que foi apanhado de surpresa e até ameaçou processar o italiano. Defende que ficou sem alternativas para contratar porque Aru avisou tarde que não renovaria, o que prejudica a equipa para 2018. E de facto a equipa fica orfã de um líder. Falou-se de Nairo Quintana, mas este não quebrou contrato com a Movistar, Mikel Landa não quis regressar e Rigoberto Uran preferiu continuar na Cannondale-Drapac, futura EF Education First-Drapac powered by Cannondale.

Restou ao responsável cazaque admitir o óbvio: aos 23 anos, Superman López, como é conhecido, vai mesmo assumir papel de líder, com Fuglsang a ter uma nova oportunidade, só não se sabe em qual das três grandes voltas. Porém, o dinamarquês poderá ver um Jan Hirt passar-lhe rapidamente na hierarquia, já que é um ciclista que poderá em pouco tempo alcançar bons resultados, tendo em conta o que fez no Giro ao serviço da CCC Sprandi Polkowice. Omar Fraile (Dimension Data) será um homem com características para lutar por etapas e talvez uma ajuda interessante ao jovem López. Davide Villella (Cannondale-Drapac) será uma opção forte para as clássicas, Magnus Cort Nielsen (Orica-Scott) é ciclista para mexer com corridas e procurar surpreender. Espera-se ainda que após um ano a adaptar-se ao World Tour, o espanhol Pello Bilbao possa começar a ser uma opção mais séria para lutar pela geral das provas por etapas.

Certo, é que a Astana não poderá continuar a um nível tão baixo. O Critérium du Dauphiné, as etapas no Tour e Vuelta são sempre triunfos importantes. Mas para quem sempre assumiu querer ganhar as mais importantes corridas, passar meses sem vitórias e passar quase ao lado da discussão de algumas das principais provas... É normal que Vinokourov se sinta frustrado e vai exigir (e de que maneira) muito mais aos seus ciclistas em 2018.

»»Bons ciclistas a ficarem cada vez melhor, mas falta mais equipa à Lotto-Jumbo««

»»Um pouco (mas pouco) de Pinot e Démare a confirmar-se nas clássicas. FDJ precisa de mais e melhor««

»»Uma Dimension Data a precisar de mudanças««

30 de outubro de 2017

Vinokourov quer processar Fabio Aru

Alexander Vinokourov não se conforma por ter ficado sem um ciclista de referência para as grandes voltas em 2018. A saída de Fabio Aru parecia estar mais do que anunciada, depois de vários meses de notícias que davam conta do desejo do italiano em procurar uma nova equipa e das exigências salariais deste. No entanto, o director da Astana continua a dizer que de nada sabia e que só teve conhecimento que o seu ciclista não iria renovar pelos meios de comunicação social. O cazaque reitera que agora é tarde para contratar um corredor de destaque e, por isso, sente-se lesado.

"Agora é com os advogados. Ele não nos deu outra escolha. Ele deveria ter dito [que queria sair] logo a seguir à Volta a França, de forma a chegarmos a um acordo amigável", explicou Vinokourov ao site do seu país Vesti.kz. As declarações estão a ter repercussão nos media internacionais, com o responsável da Astana a salientar que poderia "ter utilizado o orçamento para assinar um ciclista como Rigoberto Uran. "Havia tempo depois da Volta a França, mas saber apenas há duas semanas significa que é impossível assinar com alguém. Todos os ciclistas têm contrato. Por isso, os advogados vão decidir", afirmou.

A Astana perdeu em dois anos as suas duas figuras para as grandes voltas. Vincenzo Nibali não quis ser segunda escolha atrás de Aru e foi para a Bahrain-Merida e agora é o outro italiano, que esteve seis anos na equipa. "Vamos exigir alguma compensação dele por danos causadas por termos ficado sem um ciclista de topo. Estamos agradecidos por ter ficado tanto anos na nossa equipa, por isso é desagradável, mas foi ele que escolheu este caminho", disse Vinokourov.

Além de Rigoberto Uran - que renovou com a Cannondale-Drapac -, a Astana terá estado interessada em Nairo Quintana e Mikel Landa. Algumas notícias deram conta de um possível aliciamento para que o colombiano quebrasse contrato com a Movistar, depois de uma temporada em que a relação com o director Eusebio Unzué se terá deteriorado. Já Landa tinha o seu vínculo com a Sky a terminar e era claro que o espanhol queria deixar de ser uma figura secundária. Porém, não quis regressar à Astana, onde tinha estado antes de se mudar para a Sky. Assinou pela Movistar.

Oficialmente estas alegadas propostas não foram confirmadas, pelo que Vinokourov mantém-se fiel ao discurso de que nada sabia da pretensão de Fabio Aru em sair. O contrato preveria que se a Astana igualasse uma outra proposta, o italiano ficaria. Desconhece-se o que aconteceu neste aspecto, mas conhecida e oficializada é a mudança para a UAE Team Emirates, onde será colega de Rui Costa.

Miguel Ángel López (23 anos) e Jakob Fuglsang (32) serão os ciclistas que terão de assumir a responsabilidade no Giro, Tour e Vuelta. Se quanto ao colombiano há uma enorme curiosidade para saber como irá reagir a este papel, que mais cedo ou mais tarde lhe seria entregue, já quanto ao dinamarquês há grandes dúvidas. Fuglsang comprovou esta época que poderá ser uma boa aposta para as corridas de uma semana, mas não convence para ser líder numa de três. Mas poderá ter a oportunidade para mostrar que é uma boa escolha.


22 de outubro de 2017

Astana tem dinheiro mas não chega para segurar os seus líderes

Dinheiro não é problema, mas não é suficiente e a Astana é exemplo disso. A equipa do Cazaquistão não consegue segurar os seus líderes das grandes voltas. Em dois anos perde as duas referências, que conquistaram as três competições e no final de 2015 saiu aquele que tinha todo o potencial para vir a assumir essa função, Mikel Landa. Vincenzo Nibali bateu com a porta, depois de ter dado à Astana dois Giros e um Tour, agora é Fabio Aru que se prepara para dizer adeus, depois de uma Vuelta ganha em 2015. Assinou pela UAE Team Emirates de Rui Costa. Ambos os italianos não parecem sair com a melhor das relações com o director Alexander Vinokourov. Mas este não é problema que se resume ao antigo ciclista. Alberto Contador, por exemplo, saiu no final de 2010 e deixou a equipa orfã de uma referência, depois de no ano antes dois dos principais nomes terem estado no plantel: o espanhol e Lance Armstrong.

Essa foi uma época que ainda hoje é recordada, principalmente pela clara divisão que havia na equipa. Mas são outras histórias. Agora a Astana volta a ficar não sem ninguém, mas com alguém com pouca experiência e ainda muito jovem. Miguel Ángel López tem a oportunidade de ouro de ser a única escolha para as grandes voltas. Jakob Fuglsang ganhou o Critérium du Dauphiné - de forma brilhante, diga-se - mas não convence para as três semanas. López tem apenas 23 anos e a sua afirmação tem sido um pouco aos soluços devido a quedas. Porém, depois de muitos meses sem competir por uma fractura na perna, o colombiano chegou à Vuelta, venceu duas etapas e fez oitavo na geral. Estará pronto para assumir a candidatura a um pódio, pelo menos?

Vinokourov não terá hipótese senão tentar apostar em López, se o mercado não trouxer nenhuma surpresa de última hora. Certo é que não terá um ciclista de renome disponível. E não foi por falta de tentativa. Perante a mais que certa saída de Aru, o responsável cazaque tentou tudo: levou um não de Rigoberto Uran, que preferiu ficar na estrutura da Cannondale-Drapac após ficar garantido um novo patrocinador para 2018; tentou explorar a relação mais distante entre Eusebio Unzué e Nairo Quintana na Movistar, mas o colombiano quer cumprir contrato com a formação espanhola; ainda tentou o regresso de Mikel Landa, mas depois de ter deixado a Astana há dois anos, nem quis pensar em regressar.

Landa era então um ciclista com futuro e quem bem esteve no Giro de 2015, como gregário de Aru. Agora é uma confirmação que a Astana perdeu um excelente ciclista a quem lhe falta agora uma vitória numa grande volta. Nibali pertence à elite de quem venceu as três e Aru é inevitavelmente uma das principais esperanças italianas de continuar a ganhar depois da Vuelta há dois anos.

A personalidade forte de Vinokourov é bem conhecida. Estes três ciclistas também a têm. Nem sempre é fácil conjugar a vontade de todos. Nibali, por exemplo, saiu mesmo de costas voltadas para o cazaque. Quando percebeu que não haveria hipótese de manter o seu estatuto perante o despontar de Aru, Nibali bateu com a porta e foi para a nova Bahrain-Merida. A Astana não se importou. Afinal tinha a sua nova grande estrela. Porém, este ano deparou-se com a intenção do italiano seguir o seu caminho. É certo que Aru estava a pedir um ordenado bem alto (fala-se em mais de dois milhões por ano), mas esse não terá sido o problema. As declarações de Vinokourov deixam transparecer que havia algo mais.

"Nunca comentou o seu desejo de sair. Questionámos regularmente sobre o seu futuro e nunca recebemos resposta", disse ao L'Equipe. O responsável disse mesmo que soube da assinatura com a UAE Team Emirates pela imprensa, criticando a atitude porque agora a Astana fica "numa situação complicada para contratar", por ser "demasiado tarde". Que Vinokourov não soubesse das intenções de Aru, ninguém acredita, mas denota que a comunicação entre os dois já não era a melhor...

Numa perspectiva de quem gosta de ciclismo, poder ver López a ter mais oportunidades é óptimo, tendo em conta que é um ciclista que dá espectáculo e vitórias. É chamado de Superman López e na Colômbia já vai roubando as atenções a Quintana e Uran. Quanto a contratações, o espanhol Omar Fraile é um bom corredor para lutar por etapas e gosta muito de tentar as camisolas da montanha. Jan Hirt será a curiosidade. Este checo de 26 anos esteve muito bem no Giro, ao serviço da CCC Sprandi Polkowice - futura equipa de Amaro Antunes -, mas falta saber como será a sua adaptação ao World Tour. Talento tem, mas às vezes não chega.

Este ano a Astana perdeu Michele Scarponi pela pior das razões. Era um ciclista muito importante, mesmo estando relegado a um papel secundário. Com a saída de Aru, não só poderia reassumir uma liderança, como aliás estava previsto acontecer no Giro100 antes do atropelamento mortal, como seria essencial para ajuda à "educação" de López.

Não se adivinha uma época de 2018 fácil para a Astana, que já passou por momentos idênticos - quando Contador saiu - e acaba sempre por reaparecer em grande. Até porque, lá está, dinheiro não é problema. Já a comunicação...

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