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29 de abril de 2019

Sky revela equipamento de transição. Só será utilizado numa corrida

(Fotografia: Facebook Team Sky)
Feitas as despedidas na Volta aos Alpes e na Liège-Bastogne-Liège, é tempo de a Sky passar a ser Ineos. Será esta terça-feira que o novo nome será adoptado, quando a equipa partir para a Volta à Romandia. Também haverá um equipamento único. Não será o que vai ser utilizado na restante temporada, pois esse está guardado para o Tour de Yorkshire, para assim a estreia ser no país desta estrutura. Isto significa que na quarta-feira ficar-se-á a conhecer o design eleito para o início da era Ineos. A mudança de novo nome é acompanhada por duas boas notícias: Vasil Kiryienka e Ben Swift estão de regresso à competição.

O equipamento único, de transição, tem precisamente essa característica. Ou seja, é preto, tem o Ineos escrito, mas aquela risca azul nas costas foi uma das imagens da Sky. A razão para existir um vestuário apenas para a Romandia deve-se ao regulamento da UCI. A Sky queria estrear o novo nome e equipamento em Yorkshire (a corrida arranca no dia 2 de Maio), mas não poderia estar a competir com duas designações diferentes em duas corridas que decorrem simultaneamente. Já o equipamento diferente, a UCI permitiu.

(Imagem: Facebook Team Sky)
Os primeiros a representarem a Ineos serão Geraint Thomas, Kenny Elissonde, Filipo Ganna, Vasil Kiryienka, Diego Rosa, Ben Swift e Dylan van Baarle.

A alteração do nome será inevitavelmente um dos focos de atenção na Romandia, mas há que olhar para o plano desportivo. A começar por Geraint Thomas. Tal como Chris Froome, tem andado muito abaixo do que é habitual na primeira fase da temporada. O melhor que fez foi um 12º lugar na Strade Bianche, depois de um 44º na Volta à Comunidade Valenciana. Seguiu-se um abandono no Tirreno-Adriatico e um 40º posto na Volta ao País Basco. Pouco ou nada se tem visto do galês, que, tal como Froome, tem a Volta a França como objectivo, pelo que há ainda muito tempo para começar a mostrar uma forma mais prometedora.

A Volta à Romandia servirá para Thomas perceber como está, mas será também uma competição muito importante Kiryienka e Swift. O bielorrusso não compete desde os Mundiais de Innsbruck, em finais de Setembro. Em Março, a Sky finalmente explicou a ausência do ciclista que tem sido um elemento essencial no poderio da equipa nas grandes voltas. Tinha sido detectada uma anomalia cardíaca e o corredor estava em tratamento.

"Estamos muito satisfeitos que o Vasil Kiryienka esteja preparado para regressar à acção. Ele respondeu bem ao tratamento para a sua anomalia cardíaca e recebeu alta para competir", anunciou a Sky no Twitter.

Quanto ao britânico Ben Swift, caiu durante um treino em Fevereiro e fracturou o baço. Ficou de fora das clássicas, numa temporada em que regressou a casa, depois de dois anos em que esteve muito abaixo do esperado na UAE Team Emirates.

A corrida suíça realiza-se de terça-feira a domingo e contará com Primoz Roglic (Jumbo-Visma), que este ano fez duas provas e ganhou ambas: Volta aos Emirados Árabes Unidos e o Tirreno-Adriatico. O esloveno venceu na Romandia em 2018. Entre os nomes para gerais, de destacar Emmanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe), Andrey Amador e Winner Anacona (Movistar), Michael Woods (EF Education First) e Guillaume Martin (Wanty-Groupe Gobert), um dos corredores de equipas Profissionais Continentais em melhor forma. Em prova vai estar também o jovem talento belga Remco Evenepoel (Deceuninck-QuickStep), que colocou a Romandia como um dos objectivos de 2019. Rui Costa (UAE Team Emirates) será o único português na corrida.

Na hora da despedida, a Sky partilhou dois vídeos. A partir desta terça-feira será a Team Ineos em acção.


17 de abril de 2019

Ineos começa mais cedo e terá equipamento de "transição"

Aproxima-se a mudança de imagem (Fotografia: Facebook Team Sky)
O nome Sky vai desaparecer mais cedo. Só um dia! O desejo da equipa era estrear o novo nome e o equipamento na Grã-Bretanha, na apresentação do Tour de Yorkshire, no dia 1 de Maio. No entanto, isso implicaria que houvesse a equipa Sky na Volta a Romandia e a equipa Ineos em Yorshire. O regulamento não o permite, pelo que o nome será estreado mais cedo, mas o equipamento só será apresentado "em casa". Na prova suíça será utilizada uma espécie de camisola de transição.

A Volta a Yorkshire começa a 2 de Maio e, no dia antes, o director da equipa Dave Brailsford quer apresentar como os seus ciclistas se vão apresentar no pelotão, naquele que seria o início da era como Ineos. E conseguiu manter este objectivo, do equipamento. O problema era a Volta a Romandia arrancar no dia 30, terminando a 5 de Maio. Não podendo competir em duas corridas em simultâneo com designações diferentes, neste ponto nada houve a fazer. A Ineos fará a estreia na corrida suíça. Porém, a camisola será uma simples, de cor preta com o nome do novo patrocinador.


(Imagem: Volta à Romandia)
Depois da Sky ter anunciado, em Dezembro, que iria deixar de patrocinar a estrutura de ciclismo no final de 2019, seguiram-se semanas de alguma incerteza. Com um plantel de luxo, algumas equipas começaram a estudar a hipótese de tentar aproveitar um eventual final da Sky. A CCC, por exemplo, não fez segredo querer contar com Michal Kwiatkowski, um polaco para liderar uma equipa polaca. Contudo, a 19 de Março e depois de alguns rumores e de reuniões que em nada resultaram (como aconteceu na Colômbia, onde houve um potencial interesse), foi a Ineos que se chegou à frente.

Liderada pelo o homem mais rico do país em 2018, Jim Ratcliffe (pode ler mais informação sobre o magnata no texto neste link), com a entrada da Ineos, Dave Brailsford não só salvou a estrutura que na última década se tornou na mais poderosa do World Tour, principalmente no que a grandes voltas diz respeito, como garantiu que poderá manter a superioridade financeira. Aliás, até se fala que os cerca de 45 milhões de euros de orçamento até podem ser reforçados.

Brailsford tem vindo a preparar o futuro próximo, pensando além de Chris Froome e Geraint Thomas. Egan Bernal, Pavel Sivakov, Iván Ramiro Sosa, Jhonathan Narvaez e Tao Geoghegan Hart, por exemplo, são alguns dos ciclistas que já vão começando a ganhar destaque, com Bernal a ser uma das mais recentes sensações da modalidade.

Portanto, é melhor começar a pensar em chamar a equipa de Ineos, mas não será fácil deixar escapar o nome Sky de quando em vez. Afinal foram dez anos a ver este patrocinador contribuir para um projecto que não só cumpriu com o objectivo de levar um britânico a vencer uma grande volta, com o pensamento centrado na Volta a França, como depois tornou esta nação numa potência com Bradley Wiggins (um Tour), Chris Froome (quatro Tour, uma Vuelta e um Giro) e Geraint Thomas (um Tour). Simon Yates foi quem fugiu à regra, conquistando uma Vuelta pela Mitchelton-Scott, mas a escola é a mesma de muitos dos corredores britânicos da Sky.

»»Adeus Sky. Nova era arranca a 1 de Maio««

»»Froome, o "super gregário" de Bernal, a precisar de resultados««

2 de maio de 2017

Sky suspende Moscon seis semanas e obriga ciclista a frequentar curso de consciencialização

Momento da discussão entre Reza e Moscon que foi captada em vídeo
apesar de não ser perceptível o que terá dito o italiano
Adiou a decisão para o final da Volta à Romandia, mas não demorou a divulgar a sanção imposta a Gianni Moscon. A Sky diz querer demonstrar como não tolera casos como o protagonizado pelo ciclista italiano, que admitiu ter proferido comentários racistas contra Kevin Reza, durante uma discussão com o corredor da FDJ. Porém, depois de não ter agido no imediato, agora anunciou uma suspensão de seis semanas e a obrigatoriedade do ciclista em frequentar um curso de consciencialização da diversidade.

Num curto comunicado, a Sky revelou que Moscon (23 anos) recebeu uma repreensão por escrito, além da suspensão e do referido curso. Lê-se ainda que "Gianni reconhece que o seu comportamento foi errado", realçando o que já se sabia: que foi feito um pedido de desculpa, aceite por Reza e pela FDJ. O aviso mais sério acaba por estar no final do comunicado: "O Gianni sabe que não há desculpas para o comportamento que teve e que se repetir, tal irá resultar no fim imediato do seu contrato."

Não se sabe ao certo que que disse Moscon a Reza, nem o que provocou a discussão. O caso foi denunciado por Sébastien Reichenbach, colega de Kevin Reza, através de uma mensagem no Twitter, na qual referiu estar chocado por haver "imbecis que ainda utilizam insultos racistas no pelotão profissional". O caso aconteceu após a terceira etapa da Volta à Romandia - ganha pelo colega de Moscon, Elia Viviani -, na sexta-feira. No sábado soube-se que Moscon e a Sky já tinham pedido desculpa ao ciclista visado e à FDJ. A equipa francesa colocou de imediato um ponto final no assunto.

A Sky adiou a sanção ao seu ciclista, mantendo Moscon em prova nos dois dias que restaram da corrida. A suspensão será cumprida numa fase da temporada em que o ciclista também não ia ter um calendário muito preenchido, não sendo explicado se a suspensão acarreta também uma sanção monetária.

Moscon ainda não se livrou de eventualmente ter um castigo mais pesado. A UCI já anunciou que está a investigar o sucedido e caso considere que o ciclista desrespeitou o código de conduta e de ética, Moscon incorre numa suspensão que poderá ir de um a seis meses. No entanto, num caso idêntico, em 2015, o bielorrusso Branislau Samoilau (CCC Sprandi Polkowice) proferiu comentários racistas contra Natnael Berhane (Dimension Data). Nessa altura, a UCI decidiu não sancionar Samoilau, justificando que o pedido de desculpa e a doação de um ordenado à fundação da equipa sul-africana era algo que tinha deixado todos satisfeitos.


1 de maio de 2017

E se Richie Porte ganhasse a Volta a França a Chris Froome?

(Fotografia: Direitos Reservados)
Antes de concentrar as atenções na Volta a Itália, que arranca esta sexta-feira, vamos apenas falar um pouco do Tour. Se estivéssemos a falar de um título objectivo no que diz respeito a candidatos a vencer o Tour, além de Froome ter-se-ia de acrescentar Nairo Quintana e mesmo Alberto Contador (e porque não Alejandro Valverde tendo em conta a época sensacional que está a fazer). Porém, este texto parte da premissa de Porte e Froome serem ex-companheiros, que continuam a ser bons amigos. Em 2016 o australiano quis seguir o seu caminho. No Tour do ano passado, a certa altura, foi quem demonstrou ter mais capacidade para seguir Chris Froome, mas não conseguiu a regularidade necessária para um pódio, por exemplo. Na Volta à Romandia, que terminou este domingo, o britânico esteve novamente muito abaixo do esperado, em comparação com o que tem apresentado nesta fase da temporada em anos anteriores. Porte venceu a corrida.

Além de ter competido muito pouco até ao momento - apenas quatro corridas (Cadel Evan Great Ocean Race, Herald Sun Tour, Volta à Catalunha e à Romandia) - Chris Froome tem andado discreto e com exibições muito pouco convincentes. Tem 19 dias em competição, andando mais pela África do Sul, onde tanto gosta de fazer os seus estágios. Ainda falta, é certo, dois meses para o início do Tour, mas nesta altura do ano, Froome normalmente já apresenta um nível de forma mais elevado, conta com algumas vitórias, ou pelo menos resultados bem mais do nível de um ciclista da sua classe.

Froome mantém-se calmo, limita-se a dizer que ainda tem muito trabalho a fazer até à Volta a França, admitindo que na Volta à Romandia faltaram-lhe pernas para conseguir acompanhar os restantes candidatos nas etapas mais difíceis. Perante o tempo que falta para o Tour, é cedo para especular que algo está mal com Froome, mas esta preparação em 2017 está a ser diferente e as expectativas para o britânico no Tour começam a ser muito mais do que se vai ou não ganhar o terceiro consecutivo, quarto da carreira, mas também em que forma vai apresentar-se.

Desde que apareceu a Sky demarcou-se das restantes equipas pela maneira como prepara ao pormenor as corridas, principalmente a Volta a França. Quase parece um disparate dizer que algo está mal com a preparação de Froome, tendo em conta que estamos a referir-nos à estrela máxima da Sky. Porém, que é uma estranha preparação, lá isso é. Mas parece que vamos ter de esperar pelo Tour para perceber se resultou. Froome só deverá participar mais no Critérim du Dauphiné, corrida que ganhou em 2013, 15 e 16, precisamente os anos em que venceu a Volta a França.

Richie Porte também não tem andado muito activo competitivamente. Tem mais dois dias que Froome, tendo estado no Santos Tour Down Under (venceu duas etapas e a geral), a Cadel Evans Great Ocean Race, o Paris-Nice (venceu uma etapa) e a Volta à Romandia (ganhou uma tirada e a geral). Contudo, ao contrário do amigo, Porte tem apresentado resultados, mesmo não estando numa forma sensacional, algo que não se espera de um ciclista que tenha como objectivo principal a Volta a França.

Depois de não ter consigo aproveitar as oportunidades dadas na Sky para liderar a equipa numa grande volta, Porte percebeu ainda assim que tinha potencial para ser mais do que um gregário de luxo para Chris Froome e assinou pela BMC. Há um ano, o quinto lugar no Tour já foi um lugar que deixou a equipa satisfeita, tendo em conta que o plano de ter Tejay van Garderen como líder já dava sinais de nunca vir a ter sucesso.

Este ano Porte surge como o único número um da BMC para a Volta a França e o ciclista apresenta uma maturidade nítida, principalmente a nível psicológico. 2016 teve o condão de dar a confiança que Porte tinha perdido depois do azar o ter perseguido na Sky quando teve a possibilidade de lutar pela Volta a Itália, por exemplo.

O facto de conhecer como ninguém Chris Froome, afinal foi o seu braço direito, pode mesmo ser uma vantagem, se Porte tiver a condição física para se bater por igual com o britânico. O maior problema poderá mesmo ser o apoio da equipa, ou falta dele. Nos últimos anos nenhuma formação tem consigo estar perto do nível da Sky na Volta a França. A Movistar é aquela que mais se aproxima.

Porém, Richie Porte também já mostrou que sabe bem "safar-se" sozinho, ainda que no Tour será bom ter pelo menos um ciclista que o possa ajudar um pouco nas etapas de montanha, já que na média montanha e nas tiradas planas, a BMC tem de apresentar-se forte dado os ciclistas de que dispõe.

O australiano está a gerar muita curiosidade e é já um possível candidato a um bom resultado na Volta a França. Ou melhor, a um excelente resultado no Tour, com o pódio a estar certamente em mente do australiano e da equipa, além de uma vitória de etapa. E se ganhar a Froome? É muito provável que o britânico seja o primeiro a dar-lhe os parabéns, pois a amizade mantém-se, mesmo depois dos dois já terem tido algumas disputas na estrada. Se Froome não puder ganhar e mais ninguém na Sky tiver condições de o fazer, então o britânico terá certamente um sorriso de cumplicidade em caso de vitória de Porte. 

Se aplaudiu Nairo Quintana na Vuelta, seria curioso ver como agiria o britânico perante Porte. Mas claro, Chris Froome só tem um pensamento: ganhar o Tour e ficar a uma vitória das cinco que pretende atingir para igualar os grandes ciclistas Miguel Indurain, Eddy Merckx, Jacques Anquetil e Bernard Hinault. Já Richie Porte, quer suceder a Cadel Evans (2011) como um australiano a ganhar o Tour e comprovar que é de facto muito mais do que um dos melhores gregários que o pelotão já teve.



30 de abril de 2017

Comentários racistas podem valer a Moscon seis meses de suspensão. Sky preferiu adiar possível sanção interna

(Fotografia: Facebook Gianni Moscon)
A UCI vai investigar o que aconteceu no final da terceira etapa da Volta à Romandia (na sexta-feira) entre Gianni Moscon e Kevin Reza. Os dois ciclistas envolveram-se numa acesa discussão e o italiano da Sky proferiu comentários racistas contra o ciclista da FDJ. As palavras foram admitidas pelo próprio e pela equipa britânica. No entanto, a Sky adiou para depois da corrida uma eventual sanção ao corredor, que competiu assim mais dois dias. Foi feito um pedido de desculpas, aceite por Reza e pela FDJ.

Por parte da equipa francesa compreende-se que tenha preferido colocar rapidamente um ponto final no assunto. Porém, a opção da Sky de empurrar para mais tarde uma decisão mais exemplar é questionável. Casos como estes são graves, ainda que devam ser rapidamente controlados e tratados. Não há necessidade de arrastar polémicas, é certo. Um pedido de desculpa é o mínimo exigível, mas a Sky deveria ter agido de forma mais veemente. Moscon (23 anos) ainda poderá ser sancionado pela equipa, pois o director desportivo, Nicolas Portal, garantiu que o caso não seria esquecido, mas já será tarde para ter um efeito provavelmente mais dissuasor.

Portal referiu que houve uma conversa com Moscon a explicar-lhe como tinha agido mal e que o ciclista tinha compreendido a gravidade das suas palavras. O caminho pedagógico é louvável, mas escasso. O afastamento da equipa pelo menos da corrida em causa teria sido um acto mais correcto, numa perspectiva de passar a mensagem forte que este tipo de situações não são toleradas.

"A UCI espera que todos neste desporto respeitem os mais altos níveis de ética e de conduta. Abuso racial não tem lugar no ciclismo, nem noutro desporto e qualquer queixa será investigada e sancionada se confirmada", referiu a UCI, ao Cycling News.

A utilização de linguagem abusiva tem uma sanção prevista entre um a seis meses nos regulamentos da UCI. Num caso idêntico que aconteceu em 2015, o bielorrusso Branislau Samoilau (CCC Sprandi Polkowice) proferiu comentários racistas contra Natnael Berhane (Dimension Data). Então a UCI decidiu não sancionar Samoilau, justificando que o pedido de desculpa e a doação de um ordenado à fundação da equipa sul-africana era algo que tinha deixado todos satisfeitos.

Agora é esperar para ver o que acontecerá com Moscon, não só por parte da UCI, mas também para ver se a Sky realmente avança com algum tipo de sanção (a Volta à Romandia terminou este domingo). Independentemente do que venha a acontecer, espera-se que Moscon tente resfriar os ânimos da próxima vez que possa ver-se envolvido numa discussão, por exemplo. Compreende-se que no "quente" do momento possa por vezes possa ser difícil ter cuidado com o que se diz, mas é também nessas situações que um ciclista mostra o seu carácter.

Naquele mesmo dia, Chris Froome teve uma demonstração de companheirismo que mostrou, mais uma vez, o carácter deste britânico (ver link em baixo). Moscon bem pode aprender um pouco mais com o seu líder.

»»Chris Froome mostra porque é um grande líder na vitória de Elia Viviani««

28 de abril de 2017

Chris Froome mostra porque é um grande líder na vitória de Elia Viviani

Primeira vitória do ano para Elia Viviani (Fotografia: Facebook Volta à Romandia)
Como compensar um ciclista italiano com capacidade de lutar por vitórias, que está numa das principais equipas mundiais e que foi excluído no Giro100, a Volta a Itália onde todos os transalpinos querem estar? Chris Froome mostrou como se pode tentar compensar. É difícil ser uma compensação completa. Elia Viviani não esconde a tristeza por não ter sido chamado para a 100ª edição do Giro, mas Froome mostrou que um líder não é apenas aquele que tem uma equipa a trabalhar para ele, é um líder que sabe motivar os colegas, trabalhando ele também quando é preciso.

Foi uma atitude muito bonita. É certo que ir na frente de um sprint é algo normal para os homens da geral, que tentam assim evitar problemas que lhes possam custar segundos. Mas Froome não esteve na frente para se proteger. Trabalhou, pedalou que nem um gregário que prepara os sprints, dando grande velocidade ao pelotão, sempre a pensar que a terceira etapa da Volta à Romandia podia ir para Viviani. E se havia dia que Froome queria ver o colega ganhar e sabia que um triunfo poderia fazer a diferença era hoje, numa tentativa de garantir que o italiano não perca motivação perante a tristeza de ter de ver o Giro pela televisão.

Foi um exemplo de liderança. Um chefe-de-fila tem de respeitar para ser respeitado e o que fez Froome foi de um companheirismo exemplar. São atitudes destas que fazem com que bons ciclistas não se importem de sacrificar resultados próprios, para garantir que o britânico conquiste mais uma Volta a França.



A notícia surpresa do dia foi mesmo essa: Elia Viviani não vai ao Giro100. Já se sabia que a Sky ia apostar forte com a dupla Geraint Thomas e Mikel Landa, mas sempre se acreditou que Viviani teria o seu lugar, mesmo que não tivesse ajuda nas etapas ao sprint, situação a que até está habituado desde que foi para a formação britânica. No entanto, a equipa vai mesmo atacar com toda a força a geral e quer todos os ciclistas concentrados nesse objectivo, descartando aquele que seria para tentar etapas aos sprints e que não seria uma ajuda nas muitas etapas montanhosas da Volta a Itália.

"Claro que estou desiludido por falhar o Giro, mas a táctica da equipa é ir a 100% pela geral com o Thomas. Já se sabe como é com a Sky quando vai pela geral, como acontece no Tour. Eu compreendo. Eu queria lá estar, mas esta foi a decisão", afirmou um conformado Viviani ao Cycling News. O sprinter acabou também, sem querer, por desfazer qualquer dúvida que poderia haver: Thomas é mesmo o líder, Landa será um plano B. Viviani ainda referiu como é uma edição especial do Giro, ainda mais com o regresso da camisola ciclamino para o líder da classificação por pontos, que claramente tinha o objectivo de tentar ganhar. "Depois da Volta aos Alpes, ele [Thomas] mostrou estar muito confiante em ganhar ou estar no pódio [no Giro]. Espero vê-lo na frente da corrida", acrescentou.

Viviani terá de se contentar com a Volta à Califórnia, que este ano integra pela primeira vez o calendário World Tour. É uma competição que nos últimos anos tem atraído bons ciclistas, como Peter Sagan e Julian Alaphilippe. Porém, será um teste à capacidade mental de Viviani, que terá de reagir àquela que poderá ser a maior desilusão da sua carreira, pois não terá a possibilidade de sequer tentar escrever o seu nome no Giro100.

A ver vamos o que esta situação poderá resultar na relação futura entre Sky e Viviani. O italiano foi para a equipa britânica em 2015, mas não tem sido fácil ganhar corridas, pois está normalmente sozinho, ou apenas com um companheiro, quando vai para os sprints. Mark Cavendish rapidamente saiu da equipa quando percebeu que apesar do seu brilhante currículo, seria sempre preterido em prol da protecção do então líder Bradley Wiggins. Viviani não se importou de ter um papel mais solitário na procura de vitórias. 

Porém, elas têm sido poucas - esta foi a primeira em 2017 - e já se vai discutindo o futuro do ciclista na equipa. Tem contrato até 2018 e a decisão de o deixar de fora da especial Volta a Itália, que começa na próxima sexta-feira, poderá servir de "empurrão" para o transalpino começar a pensar numa mudança. Tem 28 anos (feitos em Fevereiro) e não seria de admirar se tentasse procurar uma equipa que o pudesse ajudar a somar mais vitórias. Pode parecer que não ganha muito, mas a verdade é que tem 41 triunfos como profissional, muitas delas ao serviço da Liquigas, que depois se uniu à Cannondale.

O que Froome fez é de líder e certamente que Viviani apreciou o gesto, mas a desilusão e a frustração dificilmente irão desaparecer, principalmente quando o Giro começar e o italiano não estiver lá.

A Sky vai ter na Volta a Itália Geraint Thomas, Mikel Landa, Kenny Elissonde, Philip Deignan, Michal Golas, Vasil Kiryienka, Sebastián Henao, Diego Rosa e Salvatore Puccio.