Mostrar mensagens com a etiqueta Soraia Silva. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Soraia Silva. Mostrar todas as mensagens

5 de janeiro de 2019

Rui Oliveira e Maria Martins conquistam primeiros títulos nacionais de 2019

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
O ano 2019 de ciclismo arrancou em Portugal, com a pista a fazer novamente as honras. O  velódromo de Anadia foi o palco de uma emocionante prova de omnium masculina. Rui Oliveira e Maria Martins ficaram com os primeiros títulos nacionais em disputa.

Se Maria Martins dominou a prova feminina, já Rui Oliveira e João Matias proporcionaram uma luta bem acesa pela vitória até à última das quatro corridas. Foi o ciclista de Gaia quem começou melhor ao vencer no scratch. Contudo, Matias respondeu ao ser superior na corrida tempo e foi também mais forte na de eliminação, na qual Rui é vice-campeão europeu. Para a decisiva prova, Matias levou dois pontos de vantagem.

Na corrida por pontos Rui acabou por assegurar o título nacional, terminando o omnium com 203 pontos, mais 18 do que João Matias. A seguir ao corredor da Vito-Feirense-PNB ficou o reforço do Sporting-Tavira, César Martingil, com 160 pontos. Para Rui Oliveira foi uma excelente forma de estrear o equipamento da UAE Team Emirates, no início da sua carreira como ciclista do World Tour.

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
O omnium está integrado nos Jogos Olímpicos e é uma das provas, juntamente com o madison, em que Portugal está a tentar conseguir um inédito apuramento para Tóquio2020.

Quanto à prova feminina, a corredora da Sopela Women's Team demonstrou porque tem sido uma das principais apostas do seleccionador nacional de pista, Gabriel Mendes. Maria Martins venceu as quatro corridas, deixando Soraia Silva (Velo Performance) a 40 pontos. Raquel Rodrigues (ACD Milharado/EC Manuel Martins) fechou o pódio, com 217 pontos negativos. Com o ciclismo de pista feminino ainda a estar numa fase inicial de desenvolvimento, estas foram as únicas três portuguesas a participarem no omnium.

Os próximos títulos nacionais de pista em jogo serão os de scratch, corrida por pontos e perseguição individual, que serão disputados a 2 de Fevereiro.

Classificação masculina (clique na imagem para ampliar):

26 de junho de 2018

Campeões nacionais de contra-relógio e de fundo lideram selecções nos Jogos do Mediterrâneo

Domingos Gonçalves e Daniela Reis tiveram um fim-de-semana
memorável em Belmonte e agora estarão muito bem
acompanhados em Tarragona
Os ciclistas portugueses vão entrar em acção esta quarta-feira nos Jogos do Mediterrâneo para tentar prosseguir a boa prestação dos atletas lusos, que já contabilizam dez medalhas, duas das quais de ouro. Os recentes campeões nacionais de contra-relógio e fundo, Daniela Reis e Domingos Gonçalves estarão presentes apoiados por alguns dos corredores que estiveram em destaque nas corridas que decorreram no último fim-de-semana em Belmonte.

Os homens serão os primeiros a competir em Tarragona, Espanha. Domingos Gonçalves (Rádio Popular-Boavista) estará acompanhado por André Carvalho (Liberty Seguros-Carglass), Francisco Campos (Miranda-Mortágua), João Rodrigues (W52-FC Porto), Rafael Silva (Efapel), Tiago Antunes (Aldro Team) e Frederico Figueiredo e Joni Brandão. Os dois ciclistas do Sporting-Tavira estiveram na fuga nos Nacionais, com o último a terminar no segundo lugar, demonstrando que está a recuperar a sua melhor forma, depois de um 2017 marcado por um problema de saúde, que o afastou da competição durante grande parte da temporada. A prova no circuito urbano de Vilaseca terá 143 quilómetros, com quatro subidas longas. A partida será às 9 horas (hora de Portugal Continental).

As senhoras arrancarão às 15 horas para os 89 quilómetros da corrida. Daniela Reis (Doltcini-Van Eyck Sport) terá ao seu lado as outras duas "emigrantes": Soraia Silva e Maria Martins (Sopela Women's Team). Este foi o trio que completou o pódio do contra-relógio dos nacionais, com Maria Martins a ser também segunda na prova de fundo.

Daniela Reis e Domingos Gonçalves conquistaram os dois títulos de elite, pelo que foram os escolhidos pelos seleccionadores - José Poeira (equipa masculina) e Gabriel Mendes (equipa feminina) - para competir também no contra-relógio. Daniela já foi campeã nacional quatro vezes nesta vertente, enquanto Domingos sagrou-se bicampeão. O contra-relógio dos Jogos do Mediterrâneo realiza-se no dia 30 (sábado), com os homens a serem novamente os primeiros a sair para a estrada. A luta pelas medalhas começará às 8 horas. Domingos Gonçalves tem à sua espera 25 quilómetros e Daniela 18.

As corridas de ciclismo destes Jogos só podem contar com participantes que tenham entre 19 e 29 anos e que pertençam a equipas de clube ou Continentais. Está interdita a inscrição de corredores das formações World Tour e Profissionais Continentais.

Oscar Pelegrí (Rádio Popular-Boavista) - que venceu o Grande Prémio Abimota -, Juan Ignacio Perez (Aviludo-Louletano-Uli), Álvaro Trueba (Sporting-Tavira) foram seleccionados para representar a equipa de Espanha.

Portugal está a realizar uma boa prestação nos Jogos do Mediterrâneo, que começaram a na sexta-feira, 22 de Junho, e terminam no próximo domingo, 1 de Julho. Melanie Santos e João Pereira conquistaram o ouro no triatlo. As três medalhas de prata foram ganhas por Fernando Pimenta (canoagem, K1 500 metros), Joana Vasconcelos (canoagem, K1 500 metros) e Ana Catarina Monteiro (natação, 200 metros mariposa). Já as medalhas de bronze foram garantidas por Ana Portela (canoagem, K1 200 metros), Alexis Santos (natação, 200 metros estilos), João Vital (natação, 400 metros estilos), Diana Durães (natação, 400 metros livres) e João Costa (tiro, pistola ar comprimido).

»»José Santos tinha razão. "Não há anos iguais". Desta vez, Domingos fez mesmo a dobradinha««

»»Maria Martins: "Sem a ajuda da Daniela Reis não teria feito o que fiz. Tenho muito a agradecer-lhe"««

»»Daniela Reis: "Não sei se algum dia vou ser uma grande líder, mas tenho a certeza que posso ser uma gregária de luxo"««

2 de janeiro de 2018

Maria Martins e Soraia Silva assinam por equipa espanhola

(Fotografia: José Gonçalves)
Para concretizar o sonho de serem profissionais e de estarem presentes nas grandes corridas de ciclismo, Soraia Silva e Maria Martins sabiam que teriam de dar um passo rumo ao estrangeiro. Em Espanha esperam abrir as portas para outro nível, numa aventura que agora começa e que ambas não escondem o entusiasmo. A Sopela Team, do País Basco, apostou nas duas portuguesas que lideram uma geração que quer seguir o caminho de Daniela Reis - a primeira portuguesa a chegar ao World Tour -, e assim afirmar definitivamente o ciclismo feminino português.

"Decidi que tinha de fazer algo mais se queria seguir no ciclismo. Fiz uns contactos, mandei uns currículos... Vou atrás de um sonho", afirmou Soraia Silva ao Volta ao Ciclismo. Ambas representavam a equipa da Bairrada, mas Soraia não tem dúvidas que as presenças na selecção, tanto nas corridas de estrada como na pista, fizeram a diferença no momento de apresentar-se a uma formação estrangeira. "As nossas participações nas corridas internacionais foram importantes, ajudou na nossa divulgação. Só por causa disso é que isto acontece, senão não adiantaria de nada os contactos ou os currículos", salientou.

O profissionalismo é o objectivo, contudo, para já, é a família que assume o papel essencial no apoio ao sonho de Soraia (19 anos), que referiu que o pai não lhe deu hipótese de deixar passar a oportunidade de ir para a Sopela Team. Porém, a ciclista não quer entrar em loucuras: "É um sonho, mas tenho de ter os pés bem assentes na terra. Tenho de ir com calma." Soraia quer continuar os estudos de enfermagem em Coimbra, enquanto já vai pensando nas novas experiências pela frente.

"Aqui corríamos, mas sem aquele espírito de equipa. É sempre mais correr por ti. Lá fora vai ser diferente, vou ter de trabalhar para outras ciclistas. Além de me faltar muita técnica, faltam-me saber como correr em equipa. É um passo importante e vou estar num pelotão a sério. Vai fazer toda a diferença. Mas não vale a pena deslumbrar. É ir com calma e cabeça. Um passo de cada vez", reiterou Soraia Silva.

É precisamente a possibilidade de evoluir num pelotão mais competitivo e em corridas com outro nível que Maria Martins (18 anos) também destacou. "Acho que irá trazer-me a experiência, o trabalho de equipa, a comunicação com as outras atletas, o estar em pelotão digamos, mais a sério. Nunca tivemos corridas como as que vamos ter", salientou ao Volta ao Ciclismo. A selecção e os seus responsáveis são referidos como decisivos para o futuro que as duas jovens vão começar a viver. "Falámos com duas equipas de Espanha, uma já estava fechada e na Sopela Team aceitaram a proposta de ter duas ciclistas portuguesas", explicou Maria Martins.

No adeus à Bairrada, a ciclista que quer mostrar-se nos sprints na estrada, sem nunca esquecer o ciclismo de pista que tanto gosta, deixou uma palavra a quem na equipa a ajudou: "Sempre estiveram lá para mim. Fizeram tudo o que podiam fazer. Mas chega a um ponto que temos de dar o salto se queremos ser profissionais."

No anúncio oficial da contratação são destacados os títulos nacionais que as duas portuguesas já somam, com o "talento português", como se lê no texto do Facebook, a completar um plantel de 12 ciclistas, sendo dez espanholas, a maioria muito jovem. O director desportivo é o ex-ciclista Francisco Pla García.

»»Soraia Silva: "Ainda há muito o preconceito que só os rapazes é que têm futuro no ciclismo"««

»»Está na altura de se assistir a mais corridas de ciclismo feminino««

13 de dezembro de 2017

Gémeos Oliveira lideram selecção no Troféu Internacional Município de Anadia

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Naquela que será a segunda grande competição internacional a realizar-se no Velódromo em Sangalhos este ano, os gémeos Oliveira vão liderar uma selecção portuguesa ambiciosa. Porém, haverá mais representantes nacionais a juntar-se a um pelotão numeroso e principalmente de qualidade. Mais de 130 ciclistas, alguns deles com medalhas em Campeonatos do Mundo, da Europa e Jogos Olímpicos nesta vertente do ciclismo, vêm de 17 países para competir entre sexta-feira e domingo no Troféu Internacional Município de Anadia.

A Ivo e Rui Oliveira, que nos últimos Europeus tornaram-se os primeiros portugueses a conquistar medalhas na pista na categoria de elite, juntam-se João Matias, César Martingil e Soraia Silva e Maria Martins em representação da selecção. No entanto, há outros inscritos, como Rafael Silva, António Barbio e Leonel Coutinho.

O ciclismo de pista não tem a popularidade do de estrada em Portugal. No entanto, o elenco que estará presente no Velódromo Nacional é uma boa razão para se assistir às competições. A entrada é gratuita e todos estão convidados a ir até ao Velódromo Nacional. Além dos portugueses, teremos ciclistas como Elis Ligtlee, campeã olímpica de keirin, Kirsten Wild, campeã europeia de eliminação e detentora de 17 medalhas em europeus e mundiais, Wim Stroetinga, cinco vezes medalhado em europeus e mundiais, e Dion Beukeboom, três vezes medalhado em Europeus e candidato a tirar o recorde da hora a Bradley Wiggins.

A Holanda apresenta-se forte, mas não é a única. Do Canadá vêm Allison Beveridge - conquistou doze medalhas em mundiais, competições pan-americanas, incluindo o bronze na perseguição por equipas nos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro - e Stephanie Roorda, que soma dez pódios em mundiais e competições pan-americanas.

A Lituânia tem estado a estagiar em Sangalhos e terá Simona Krupeckaité - detentora de 22 medalhas, entre as quais duas de ouro em mundiais e quatro em europeus - e Vasilijus Lendel, que venceu a prova de velocidade na Taça do Mundo de Pista, no último fim-de-semana.

Além dos países referidos, estarão ainda no Velódromo representantes da Arménia, Bélgica, Espanha, EUA, França, Grã-Bretanha, Hungria, Irlanda, Itália, Letónia, Noruega, Roménia e Suíça.

Em Julho realizaram em Sangalhos os Europeus de sub-23 e juniores e agora será o Troféu Internacional Município de Anadia, com as provas a começarem às 14:30 de sexta-feira. O dia termina às 20:45. A jornada de sábado divide-se em duas: das 10:00 às 12:50 e das 16:00 às 19:35. No domingo não há paragens: das 10:00 às 15:35. O programa contará com as seguintes especialidades: contra-relógio (1 km e 500m), corrida por pontos, keirin, madison, perseguição individual, omnium, scratch e velocidade.



Pub

26 de outubro de 2017

"Ainda há muito o preconceito que só os rapazes é que têm futuro no ciclismo"

(Fotografia: João Fonseca/Federação Portuguesa de Ciclismo)
É apelidada como um dos maiores talentos da nova geração do ciclismo feminino. Soraia Silva sorri, mas diz que não se identifica com o rótulo, realçando que "apenas" trabalha todos os dias para atingir os seus objectivos. Aos 18 anos (quase 19) é aposta regular nas selecções de estrada e pista, agora no escalão de sub-23. Estuda enfermagem, quer um dia estar numa grande clássica belga e seguir os passos de Daniela Reis, a primeira portuguesa a chegar ao World Tour. Sabe bem o que é sacrificar-se para fazer o que gosta, mas está disposta a continuar e realizar os seus sonhos. Confessou ainda que a pista foi um amor à primeira vista.

Soraia Silva ainda tem dificuldades em descrever-se como ciclista. Gosta de todo o tipo de terreno, diz ser "multifunções". Provas por etapas ou de um dia, o que quer é correr. Porém, quando foi chamada para competir em pista, nos Europeus e Mundiais, a experiência fez com que nascesse uma paixão. "Logo na primeira prova foi uma satisfação enorme. É uma adrenalina diferente. É um mundo diferente", realçou. "Costumo dar o exemplo que só vivemos verdadeiramente o ciclismo de estrada se formos correr. Nunca estive numa grande clássica, com aquele público fantástico, mas não se vive da mesma forma que na pista. Ali, esteja-se ou não a correr, há sempre aquele ambiente... Nós choramos a ver os outros a correr... A ver o Ivo ou o Rui [Oliveira] a ganhar... Foi uma grande experiência. O ambiente e a equipa, foi tudo extraordinário", acrescentou.

"O meu dia é ir à universidade, treinar, estudar e dormir. Não é fácil! Mas é uma questão de organizar o meu tempo e saber geri-lo"

Apaixonou-se pela pista, mas não perdeu o amor pela estrada, onde já foi conquistando vitórias com a camisola da Bairrada. É de Cantanhede, mas foi para Coimbra devido aos estudos. "O meu dia é ir à universidade, treinar, estudar e dormir." Faz a descrição não com o peso de um sacrifício, mas com a convicção de que é possível conciliar todos os aspectos da sua vida. "Não é fácil! Mas é uma questão de organizar o meu tempo e saber geri-lo", frisou. Não fala em prioridades, preferindo garantir que consegue conjugar os estudos com a vida de atleta.

Soraia Silva treina para seguir os passos de Daniela Reis e recordou um exemplo de como se sacrifica: "No ano passado houve muitas provas em Espanha. Nós vínhamos no domingo à noite ou segunda-feira de manhã e à tarde tinha uma frequência. Quase não estudei. Mas faz-se tudo!"

Espera ter a oportunidade de sair de Portugal. Uma boa oportunidade. Fazer carreira no país "é quase impossível". "O nosso ciclismo feminino evoluiu nos últimos anos, mas ainda não se pode fazer carreira aqui", afirmou. E não é fácil ser ciclista e mulher em Portugal: "Ainda há muito o preconceito que só os rapazes é que têm futuro no ciclismo. É para muita gente estranho ver uma rapariga equipar-se todos os dias e dar uma volta de bicicleta, mas são mentalidades que mudam com o tempo. Espero que isso aconteça. Nós trabalhamos como os rapazes."

Soraia Silva poderá ser uma das jovens que vai abrindo caminho para que o ciclismo feminino vá ganhando maior expressão. Porém, apesar de ficar "agradada" por a considerarem um dos grandes talentos, Soraia quer concentrar-se no que tem de fazer para que possa chegar às grandes competições internacionais. "Tenho um sonho de fazer uma daquelas clássicas belgas." E o Giro (principal prova por etapas das senhoras)? "Eu aceito tudo!"