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7 de maio de 2018

Bakelants mostra "material" que tinha nas suas costas desde a grave queda na Lombardia

Regressar à competição quase seis meses depois de uma queda que ameaçou acabar com a carreira, foi um dos melhores momentos para Jan Bakelants. O belga vai vivendo um dia de cada vez, recuperando as sensações de um ciclista e agora tem mais uma razão para sorrir. A sua coluna esteve nos últimos meses "equipada" com um "material" extra que finalmente foi retirado.

Bakelants partilhou uma imagem do que lhe foi colocado nas costas depois da aparatosa queda na Volta à Lombardia. O ciclista da AG2R foi um dos que caiu numa ravina na descida no Sormano. A fotografia da sua bicicleta pendurada numa árvore, enquanto o belga ficou um pouco mais abaixo, foi uma imagem marcante. Laurens De Plus, da Quick-Step Floors, foi outra das vítimas daquele local. Lesionou-se num joelho e a sua recuperação foi mais rápida. Porém, foi atropelado durante o estágio de início de ano na África do Sul e só voltou às corridas no dia 1 de Maio, na Eschborn-Frankfurt (63º).

Já Bakelants regressou na clássica francesa Loire Atlantique (24 de Março), depois completou a Volta ao País Basco, a Amstel Gold Race e esteve na Flèche Wallonne, não tendo terminado esta última. "Para aqueles curiosos por saber como era o material que tinha nas costas. Feliz por estar livre dele. É tempo de seguir em frente", escreveu no Twitter, acompanhando com uma fotografia. A moeda de um euro ajuda a ter percepção do tamanho das peças que estavam na sua coluna.

Apesar de nas corridas que realizou Bakelants ter demonstrado estar num bom caminho para recuperar o seu lugar de destaque na AG2R, o seu calendário vai sendo decidido aos poucos. Falta saber se o ciclista de 32 anos terá condições para ser novamente um dos homens de confiança de Romain Bardet na próxima Volta a França.

Para já, Bakelants está um pouco mais leve. Quando regressou à competição, o belga não escondeu que tinha esperança de poder ser mais um caso de sucesso, como Alejandro Valverde (Movistar) e Ion Izagirre (Bahrain-Merida). "O Valverde está a ganhar outra vez e o Izagirre voltou em grande nível no Paris-Nice", disse na altura. Estes dois corredores sofreram quedas graves na primeira etapa do Tour em 2017. No caso do espanhol também se chegou a temer que poderia ser o fim da carreira. Porém, ambos estão novamente ao seu melhor e Bakelants está a fazer o seu caminho para também ele regressar ao topo da sua forma física.

23 de março de 2018

Bakelants espera seguir o exemplo de Valverde e Izagirre

(Fotografia: AG2R La Mondiale)
Jan Bakelants passou do temer ver a sua carreira terminar, para o desejo de voltar a pedalar no início de 2018 e agora já pode ter o pensamento em poder recuperar o seu lugar entre os homens de confiança da AG2R para as grandes corridas. Desde Outubro que o ciclista belga está a viver uma fase muito complicada, com a aparatosa queda na Volta a Lombardia a deixá-lo com um futuro incerto. E as certezas ainda não são muitas, mas para já, Bakelants irá conseguir regressar à competição, quase seis meses depois de ter caído numa ravina.

A escolha foi a corrida francesa Classic Loire Atlantique, neste sábado. "Não sei o que esperar. Será certamente estranho encontrar-me de novo no pelotão depois das lesões graves que sofri. Espero passar uma boa imagem", disse o ciclista de 32 anos. O anúncio foi feito pela equipa francesa, que realçou como Bakelants teve de enfrentar uma difícil recuperação depois de ter fracturado vértebras e costelas. "O cérebro humano pode ser programado para esquecer os maus momentos", salientou o belga, que também tem de enfrentar a recuperação mental necessária para estar novamente ao mais alto nível e não se deixar assombrar pelas imagens da queda na Lombardia.

Os recentes exemplos de Alejandro Valverde e Ion Izagirre dão confiança a Bakelants, como o próprio admitiu: "Espero que o meu regresso tenha sucesso. O Valverde está a ganhar outra vez e o Izagirre voltou em grande nível no Paris-Nice." De recordar que estes dois ciclistas sofreram graves quedas no contra-relógio inaugural da Volta a França, e, tal como aconteceu com Bakelants, no caso de Valverde, também se temeu que poderia ser o fim da carreira.

O ciclista, que tão importante tem sido ao lado de Romain Bardet, explicou que no último mês tem tido "boas sensações", o que lhe tem permitido treinar bem. "Agora quero tornar-me um ciclista outra vez e ganhar novamente corridas. Não podemos parar quando estamos com dores. Estou confiante que posso rapidamente mostrar que estou de volta", salientou.

E a AG2R está confiante que pode contar com Bakelants a bom nível dentro de pouco tempo. A participação na Classic Loire Atlantique não será apenas um teste para ver como está o ciclista em competição, mas também para o preparar para o que aí vem. Ou, pelo menos, assim se espera. A equipa já definiu um calendário inicial e que prevê a chamada do belga para a semana das Ardenas. Amstel Gold Race, Flèche Wallonne e Liège-Bastogne-Liège são objectivos, sendo que nesta última - que será o quarto monumento do ano - também estará o líder Romain Bardet.

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5 de janeiro de 2018

AMA poderá abrir caso contra Froome. Aumentam as vozes que defendem suspensão do ciclista da Sky

(Fotografia: Christophe Badoux/Wikimedia Commons)
Chris Froome vai tentando manter uma aparente normalidade enquanto prepara a nova temporada. Mantém-se afastado das atenções mediáticas, vai colocando umas mensagens (poucas) no Twitter. Porém, com o aproximar do início de temporada, o caso do salbutamol está, inevitavelmente, no centro de muitas discussões e vão surgindo mais vozes que falam numa suspensão como sanção mais justa. Ainda se desconhece onde o britânico pretende começar a temporada, tendo em conta que pretende atacar a Volta a Itália. Porém, seja qual for o plano, o ruído em redor de Froome aumenta e de que maneira. quando se aproxima o regresso à competição.

A equipa de advogados do ciclista da Sky está a tentar provar que o resultado adverso tem uma justificação, ou seja, deu o dobro do permitido, mas não por Froome ter desrespeitado o limite, mas sim devido ao funcionamento do seu metabolismo. Outra teoria que entretanto surgiu, foi que Froome terá recorrido à substância - através de uma bomba visto ser asmático - depois da etapa, para evitar tossir nas entrevistas. O caso está a ser dirigido pela UCI, mas a Agência Mundial Antidopagem (AMA, ou WADA na sigla em inglês) poderá intervir, mesmo que Froome não seja sancionado.

"Se a UCI não impor uma sanção, então é possível que a AMA intervenha. Se a AMA intervir então imagino que [o caso] vá para o Tribunal Arbitral do Desporto como último recurso", afirmou ao The Times Dick Pound, que liderou a AMA entre 1999 e 2007. Pound foi um dos homens que enfrentou Lance Armstrong, numa luta que durou muitos anos até à admissão do americano naquele que é considerado o mais sofisticado esquema de doping no ciclismo.

O antigo dirigente avisa que o caso poderá durar muito tempo a ficar concluído e tudo dependerá da postura da defesa de Froome. "Se a defesa estiver ansiosa por ganhar e adoptar a táctica normal de arrastar, então poderá demorar algum tempo", afirmou.

Froome sem perdão para LeMond

O antigo ciclista e três vezes vencedor da Volta a França tem um discurso muito crítico quanto ao caso de Chris Froome. E começou logo ao ataque: "É a desculpa mais ridícula que já ouvi. Se é isso que alega, então é simples, ele desrespeitou as regras e deve ser castigado de acordo [com a violação dos regulamentos]." Para Greg LeMond toda esta situação expõe a Sky que para o ex-ciclista não se pode encostar à tese de estar na dianteira a nível científico. LeMond recordou como as suspeitas estão a arrastar-se há já um ano, desde o caso do pacote suspeito que envolveu Bradley Wiggins.

"Não acredito no Dave Brailsford [director da Sky]. Ele é secreto, desvia-se às questões e pelo que leio e ouço, a equipa não é assim tão científica e conhecedora como diz ser", realçou LeMond ao The Times. E concluiu: "A história já demonstrou que quando as coisas são boas de mais para ser verdade, normalmente são."

Tom Dumoulin, vencedor do Giro100, considera esta situação "terrível" para o ciclismo. Realçando que até o processo estar terminado há que respeitar a presunção de inocência, ainda assim afirmou que se tivesse acontecido com ele, a Sunweb teria logo optado pela suspensão imediata. "Isso não se passa na Sky", afirmou. A Sunweb anunciou recentemente que terá um controlo próprio e mais rígido na luta contra o doping, além do que é feito pelas instituições existentes para o efeito. Quanto a Froome, Dumoulin considera que "ficaria bem a todos se as autoridades tomassem uma decisão rápida".

Richie Porte foi companheiro de Chris Froome na Sky e mantém uma amizade, apesar de no último Critérium du Dauphiné não ter gostado muito de ver o britânico atacá-lo, o que contribuiu para o australiano perder a corrida. No entanto, voltou a referir Froome como amigo, admitindo que ficou em choque quando soube do resultado adverso no teste anti-doping, realizado durante a Volta a Espanha, que o britânico ganhou. "Não há muito a dizer. Seja o que for que se diga, não se pode ganhar. É uma grande pena. A ver vamos o que acontece", disse. Richie Porte, que se apresenta como adversário do britânico da Sky para o Tour. O ciclista da BMC afirmou ainda que a situação o deixou "chateado".

Rohan Dennis será o líder da BMC no Giro e é bem mais ríspido nas declarações: "Não faço segredo que não tenho tolerância para qualquer tipo de teste positivo." Jan Bakelants, belga da AG2R, considera que a suspensão é a decisão mais justa, recordando como Diego Ulissi teve um resultado muito idêntico, ligeiramente menor, e foi afastado da competição por nove meses.

Greg LeMond alertou para um ponto que acaba por ser bastante consensual: "O pelotão conta com a igual aplicação das regras. Se estas não foram seguidas, enfraquecerá o desporto."

Indefinição do calendário

Como foi escrito no início do texto, Froome ainda não anunciou o seu calendário, sendo apenas conhecida a pretensão de estar no Giro e no Tour. Ainda antes de ser tornado público o caso do salbutamol, a Volta ao Algarve ou a Ruta del Sol, na Andaluzia, era duas hipóteses. Ambas realizam-se entre 14 e 18 de Fevereiro. O ciclista da Sky não foi suspenso provisoriamente, visto ser uma substância permitida até determinado limite (mil nanogramas por mililitro). Apesar de o ter ultrapassado, é considerado um resultado adverso e o ciclista tem a oportunidade de tentar demonstrar que não infringiu as regras.

Não é só Dumoulin a abordar a questão de ser a própria a Sky a optar pela suspensão. O movimento pelo ciclismo limpo, que conta com várias das equipas dos três escalões, defende que a Sky deveria ter suspendido o seu ciclista até à resolução do caso, tal como aconteceu quando Sergio Henao teve problemas com o seu passaporte biológico. Brent Copeland, director da Bahrain-Merida, salientou que "se existe um código de ética, então este deve ser seguido".

Até Lance Armstrong apareceu para comentar o caso, como gosta de o fazer quando em causa está uma suspeita de doping. Desta feita, o americano referiu um pormenor que certamente Froome e a Sky têm em conta. Se não estiver suspenso, ou já a tiver cumprido e correr a Volta a França, vai possivelmente viver um inferno nas estradas gaulesas. Já assim foi em edições anteriores quando apenas havia suspeitas a serem lançadas em alguns meios de comunicação social, mas nunca comprovadas. Cuspidelas e até agressões físicas, além das verbais, foram formas de ataque que Froome e companheiros tiveram de suportar.

Seja qual for a decisão, este será sempre um ano complicado para Chris Froome e a Sky. No entanto, já se vai falando que Froome poderá reagir aparecendo mais forte do que nunca. Mas como diz Richie Porte, a ver vamos o que acontece.

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17 de novembro de 2017

A incerteza de Bakelants já vai dando lugar a alguma confiança

(Fotografia: AG2R La Mondiale)
Desejo de ano novo para Jan Bakelants: começar 2018 a pedalar na estrada. Não é brincadeira. Há menos de um mês, o ciclista belga da AG2R temia que a sua carreira pudesse ter chegado a um abrupto final, após a assustadora queda na Il Lombardia. "Se tudo decorrer de acordo com o plano, eu poderei pedalar novamente na rua a 1 de Janeiro", disse o ciclista. Discurso bem diferente de quando chegou a assumir que, por mais que adorasse o ciclismo, a namorada e a filha eram o mais importante. As notícias são animadoras e Bakelants já espera manter todas as suas paixões.

A 7 de Outubro, no último monumento do ano, numa zona de descida no Sormano, o belga foi um dos corredores que não conseguiu fazer uma curva, caindo na ravina. A queda de Laurens de Plus (Quick-Step Floors) foi filmada e impressionou. A de Bakelants não, mas foi divulgada uma fotografia na qual se via a bicicleta pendurada numa árvore, enquanto, segundo a descrição do repórter, o ciclista estava a cerca de quatro metros por baixo. Partiu costelas, mas a maior preocupação acabou por ser a lesão numa vértebra e foi por isso que foi operado. Mas para agravar a situação, quando estava a sair assistido, já na estrada, uma moto passou por cima da sua perna.

Os médicos mostraram-se confiantes quanto à recuperação de Bakelants, mas o ciclista optou, após a cirurgia, por um discurso prudente. Agora parece já partilhar da confiança e espera brevemente começar a treinar nos rolos. Mas claro, não é a mesma coisa do que sair com a bicicleta, que é o que agora mais deseja. Para já, é altura de frequentar uma clínica para reabilitar-se. "É o ideal para fortalecer as costas e ao mesmo tempo ganhar alguma da forma mais básica", explicou ao jornal belga Het Nieuwsblad. Mesmo que regresse à competição, até Abril terá de o fazer com placas de titânio nas costas, mas que não o impedirão de correr.

Há confiança, contudo, não há certezas. A AG2R também fica sem saber como será a época de um ciclista importante na equipa, sendo dos que tem lugar garantido ao lado de Romain Bardet em situação normal. Na Volta a França era dos últimos a "abandonar" o seu líder e a regularidade valeu-lhe o 22º lugar na geral. É um ciclista que faz bons resultados em corridas por etapas, mas também espreita a oportunidade nas clássicas. No seu currículo conta com uma etapa na Volta a França e no Critérium du Dauphiné como principais conquistas.

Aquela curva na Il Lombardia acabou com a corrida de quatro ciclistas, mas foi Bakelants que ficou mais mal tratado. O belga, de 31 anos, pouco se lembra do que aconteceu. Recorda-se que não estava longe da frente da corrida. De Plus já tinha caído e Bakelants diz que voou por cima da barreira, mas a memória do incidente ficou por aí.

O desejo é grande de voltar a sair com a sua bicicleta, mas Bakelants é o primeiro a dizer que fará tudo com a calma necessária para garantir que não haverá qualquer risco de piorar a situação.

8 de outubro de 2017

Bicicleta de Bakelants ficou pendurada numa árvore. Ciclista continua hospitalizado

(Fotografia: AG2R La Mondiale)
As imagens de Laurens de Plus a cair numa ravina após chocar contra rails de protecção numa curva na Il Lombardia são arrepiantes. O belga da Quick-Step Floors acabou por não sofrer lesões muito graves, mas aquela zona da descida no Sormano causou mais vítimas. A queda de Jan Bakelants (AG2R) não foi filmada, mas há uma fotografia impressionante que mostra como a bicicleta do também belga ficou pendurada numa árvore. O ciclista tem ferimentos mais graves e ainda se encontra no hospital. Simone Petilli (UAE Team Emirates) também ficou bastante mal tratado.

A curva em causa era complicada, sem grande margem de erro. O pior era que do lado de lá do rail estava uma ravina. De Plus não terá caído tão para baixo como Bakelants. O corredor da AG2R partiu sete costelas (mas sem afectar os pulmões) e fracturou a vértebra L1 e L3 e são estas lesões as que mais preocupam. Bakelants (31 anos) está consciente e consegue mexer-se, segundo o médico da equipa francesa. Porém, até serem conhecidos os resultados dos exames que estavam agendados para este domingo, não seriam corridos riscos em transportar o ciclista de regresso ao seu país. Não estava afastada a possibilidade de uma intervenção cirúrgica.

Aqui fica a referida fotografia. O repórter explica que a bicicleta estava pendurada a quatro metros de altura, com o ciclista ferido por baixo dela.


Laurens de Plus já recebeu alta, mas terá ainda de fazer também mais exames, pois sofreu contusões no braço e perna direita. Já jovem italiano da UAE Team Emirates, Simone Petilli (24 anos),  tem lesões no pescoço, na vértebra D1, fracturou a clavícula e a omoplata do ombro esquerdo.



O quinto e último monumento do ano foi ganho pelo italiano Vincenzo Nibali, que venceu a corrida pela segunda vez, naquela que foi a 50ª vitória na carreira.

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