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14 de abril de 2018

João Almeida vence Liège-Bastogne-Liège e Rui Oliveira qualifica Portugal para os Mundiais

(Fotografia: Hagens Berman Axeon)
O futuro chegou. De promessas têm cada vez menos, pois são cada vez mais uma confirmação. Hoje foi um grande dia para os sub-23 portugueses. João Almeida venceu a Liège-Bastogne-Liège deste escalão e Rui Oliveira foi sétimo no ZLM Tour, resultado que garantiu a presença da selecção portuguesa sub-23 nos Mundiais de Innsbruck, em Setembro. Os dois pertencem à equipa da Hagens Berman Axeon e estes excelentes resultados acontecem uma semana depois de Ivo Oliveira ter vencido a última etapa do Circuit des Ardennes.

Mas há que começar por um dos grandes momentos do ciclismo nacional. João Almeida venceu uma das principais clássicas nos sub-23, pois mesmo não estando incluída na Taça das Nações, basta ser uma das corridas que em elite é considerado um monumento, pelo que vencer nos escalões mais jovens é do mais prestigiante para os ciclistas que ambicionam alto. Almeida confessou no final que tinha acabado de concretizar um segundo sonho este ano: o primeiro foi ir para a Hagens Berman Axeon, o segundo, vencer a Liège-Bastogne-Liège.

Este é um ciclista que tem razões para sonhar bem alto. Estamos a falar de um corredor que dominou os escalões de juniores, juntamente com Daniel Viegas (actualmente na equipa sub-23 de Alberto Contador, a Polartec-Kometa), e que não hesitou em ir para o estrangeiro com apenas 18 anos.

Na Unieuro Trevigiani-Hemus 1896 venceu uma etapa no Tour de Mersin (Turquia), na Toscana Terra di Ciclismo Eroica e na Volta à Ucrânia, onde foi ainda o vencedor da classificação da juventude. Ainda a época não tinha terminado e a Hagens Berman Axeon tinha apresentado um contrato a João Almeida. A resposta está aí. É considerada uma das melhores equipas de formação e Axel Merckx tem colocado muitos ciclistas no World Tour, como foi o caso de Ruben Guerreiro. O director da equipa reagiu à vitória de Almeida no Twitter e dificilmente podia ser mais expressivo: "Yeaaaaaahhhhh!"

O melhor resultado na Liège-Bastogne-Liège tinha sido precisamente de Guerreiro, agora da Trek-Segafredo. Foi terceiro, atrás de Logan Owen - que era seu companheiro de equipa e agora está na EF Education First-Drapac p/b Cannondale - e de um "tal" Pavel Sivakov, um dos ciclistas que mais curiosidade está a gerar actualmente, tendo este ano assinado pela Sky.

Recuando um pouco na lista de vencedores encontramos Michael Valgren (Astana e que este ano ganhou a Omloop Het Nieuwsblad), Tosh Van der Sande (Lotto Soudal), Ramunas Navardauskas (Bahrain-Merida), Jan Bakelants (AG2R) e Grega Bole (Bahrain-Merida). Mais recentemente triunfaram Bjorg Lambrecht (Lotto Soudal) e Guillaume Martin (Wanty-Groupe Gobert), dois jovens que este ano se vão estrear na elite e sobre os quais recai enorme expectativa para os seus futuros.

Recentemente, numa entrevista ao Volta ao Ciclismo, João Almeida salientou que sentia que tinha "de corresponder à expectativa", apesar de os responsáveis da equipa não lhe estarem a colocar pressão. "Não me pediram nada de especial. Apenas para estar numa boa forma e para gostar do que faço", disse então (poder ler aqui a entrevista completa). Podem não lhe ter pedido nada de especial, mas, com apenas 19 anos, João Almeida conseguiu algo muito, muito especial.

De referir ainda o 20º lugar de Ivo Oliveira, a 40 segundos do companheiro de equipa. Já Tiago Antunes foi 107º, a 10:14, naquela que foi a última corrida do português com a camisola do Centro Mundial de Ciclismo da UCI. Antunes escreveu no Facebook que lhe foi "prometido um calendário recheado com corridas UCI, incluindo o Giro para sub-23, a verdade é que tal não tem sido cumprido". Assinou pela Aldro Team, equipa sub-23 de Manolo Saiz.

Classificação via ProCyclingStats (texto continua em baixo).


E no ZLM Tour...

Da Bélgica para a Holanda. A Selecção Nacional procurava garantir desde já o apuramento para os Mundiais no ZLM Tour, esta sim uma corrida da Taça das Nações. O objectivo estava bem definido: ficar entre os 15 primeiros para assim pontuar. Era tudo o que era necessário para a questão da qualificação ficar resolvida.

José Poeira seleccionou um grupo de muita qualidade e foi Rui Oliveira quem selou a presença de Portugal nos Mundiais de Innsbruck, na Áustria. O ciclista foi sétimo, numa corrida ganha pelo italiano Matteo Moschetti, que tem somado vitórias na Polartec-Kometa de Alberto Contador e já garantiu um contrato com a Trek-Segafredo.

"A equipa esteve bem ao longo de toda a corrida, cumprindo o objectivo de estar na discussão do ZLM Tour e de garantir os primeiros pontos na Taça das Nações. Agora há que pensar no futuro e, especialmente, na Corrida da Paz, outra prova da Taça das Nações, na qual um bom desempenho pode valer o apuramento para a Volta a França do Futuro", realçou o seleccionador José Poeira.

Quanto aos outros portugueses, a corrida não foi fácil. André Crispim sofreu uma queda, mas chegou no pelotão (37º), Francisco Campos foi 100º, a 2:14 minutos, Daniel Viegas, 110º, a 5:30, Miguel Salgueiro, 111º, também a 5:30. Marvin Scheulen, que furou numa altura decisiva da prova, abandonou.


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15 de abril de 2017

Corrida para esquecer. Nenhum português terminou o ZLM Tour

Rui Oliveira foi o mais azarado: nem conseguiu chegar à partida real
Seria difícil imaginar um cenário pior. Perante as perspectivas de chuva, vento e frio, o seleccionador José Poeira já não esperava vida fácil para os seis ciclistas que escolheu para levar ao ZLM Tour, prova da Taça das Nações. No entanto, tudo o que poderia correr mal, basicamente, correu mesmo mal e a selecção nacional não conseguiu sequer lutar pelo objectivo de colocar um ciclista no top 15 e assim garantir a presença nos Mundiais de Bergen, em Setembro. 

A chuva não apareceu, mas o vento fez os estragos esperados, provocando muitos cortes no pelotão de ciclistas sub-23. Mas para Portugal, a corrida começou logo mal. Aliás, a corrida ainda nem tinha começado e Rui Oliveira já estava a abandonar. O ciclista da Axeon Hagens Berman caiu entre a partida simbólica e a real. Segundo a Federação Portuguesa de Ciclismo, Rui Oliveira ficou com a bicicleta partida e com umas marcas no corpo. Fim da linha para o líder da selecção nacional na prova holandesa.

Só 65 dos 145 ciclistas terminaram os 181,3 quilómetros, o que revela bem a dificuldade que os jovens corredores enfrentaram. André Carvalho, André Crispim e Francisco Campos - que tinha sido o melhor português na Volta a Flandres de sub-23 há uma semana - também caíram e abandonaram. César Martingil e Gaspar Gonçalves não tiveram acidentes, mas foram vítimas das quedas de outros ciclistas, pois perderam tempo, de tal forma que também eles acabaram por terminar precocemente a corrida.

O britânico Christopher Lawless ganhou ao sprint, com o belga Jasper Philipsen e o francês Jeremy Lecroq a completarem o pódio. Lawless é colega de equipa de Rui Oliveira e deu mais uma vitória à equipa de Axel Merckx.

Veja aqui a classificação do ZLM Tour.

13 de abril de 2017

Sub-23 portugueses vão enfrentar chuva, vento e frio para tentar garantir presença nos Mundiais

(Fotografia: Federação Portuguesa de Ciclismo)
Depois de uma Volta a Flandres algo acidentada para os sub-23 portugueses, este sábado não haverá os famosos muros de empedrado da Bélgica, mas o ZLM Tour proporcionará outras dificuldades. Chuva, vento e frio prometem tornar esta corrida numa verdadeira odisseia na Holanda, de tal forma que o seleccionador nacional até disse que "o problema não é na meta, é chegar lá". Porém, a motivação é grande e os ciclistas querem garantir desde já a presença nos Mundiais de Bergen, em Setembro.

André Crispim, César Martingil e Gaspar Gonçalves (Liberty Seguros/Carglass), André Carvalho (Team Cipollini Iseo Rime), Francisco Campos (Miranda/Mortágua) e Rui Oliveira (Axeon Hagens Berman) foram os corredores chamados por José Poeira. De recordar que André Crispim caiu há uma semana na Flandres e teve inclusivamente de ir ao hospital. No entanto, recuperou a tempo de ajudar a equipa, que aponta em colocar um ciclista no top 15 e assegurar a presença da selecção de sub-23 nos Mundiais.

"Prevê-se mau tempo, com chuva e vento. Será uma corrida de ataque e aberta. Vai ser necessário estar na frente para seguir as movimentações que vão partir o pelotão e que definirão quem poderá aspirar às primeiras posições", salientou José Poeira, citado pela Federação Portuguesa de Ciclismo.

Esta prova normalmente beneficia homens rápidos e Portugal apresenta alguns que podem estar na decisão final. Contudo, se o vento já costuma provocar muitos problemas, com a meteorologia a ser ainda pior, os ciclistas portugueses terão de se manter concentrados durante os 181,3 quilómetros e evitar ficar em algum corte que os retire da frente da corrida.

Francisco Campos foi o melhor português na Volta a Flandres de sub-23 e está a realizar um excelente início de 2017. Rui Oliveira irá surgir certamente muito animado pelos recentes resultados na Joe Martin Stage Race, nos EUA, tendo alcançado dois segundos lugares em etapas e conquistado a classificação da juventude.