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19 de janeiro de 2019

Pozzato troca a bicicleta pelos patins

(Fotografia: Jérémy-Günther-Heinz Jähnick/Wikimedia Commons)
Tentar ficar ligado ao ciclismo é algo bastante natural para quem durante anos fez da modalidade a sua profissão. Bradley Wiggins, Tom Boonen, Alberto Contador, foram algumas das mais recentes despedidas da estrada, que se mantêm no ciclismo, mas aproveitam para apostar noutras experiências. As exigências são bem diferentes agora que deixaram o profissionalismo, por isso há tempo para querer ir aos Jogos Olímpicos como atleta de remo (ideia que entretanto Wiggins abandonou), piloto de automóveis e comentador, no caso dos três ex-corredores referidos. Filippo Pozzato também quer manter a ligação às bicicletas, mas resolveu retomar o que em Itália estão a apelidar do primeiro amor do ciclista que se retirou no final de 2018: hóquei em patins.

Em Novembro, Pozzato tinha colocado fotografias, devidamente equipado, a treinar e a equipa Bassano, confirmou agora que o italiano irá mesmo estrear-se já este domingo. Pozzato, de 37 anos, jogará pela segunda equipa, na Serie B, contra o Valdagno. Tendo em conta a sua popularidade, não é de estranhar que no Facebook do Bassano seja feito o convite a todos para irem assistir ao primeiro jogo do italiano.

Pozzato jogou hóquei em patins dos quatro aos 13 anos, quando o ciclismo acabou por tornar-se na sua principal aposta. Aos 18 já estava a representar a histórica Mapei-QuickStep, tendo naquele ano 2000 sido companheiro de equipa de atletas como Johan Museeuw, Paolo Bettini, Óscar Freire e o actual ciclista do Sporting-Tavira Rinaldo Nocentini. De referir que mais para o final de época houve um jovem estagiário a juntar-se à estrutura, um tal Fabian Cancellara!

O italiano era uma grande promessa para as clássicas e em 2006, já na segunda passagem na equipa belga, Pozzato conquistou a sua grande vitória: a Milano-Sanremo, um dos cinco monumentos. Ganharia ainda na carreira duas etapas no Tour, representando a Fassa Bortolo, Liquigas, Katusha, Lampre-Merida e também por duas ocasiões a Wilier Triestina-Selle Italia, na qual terminou na carreira.

Sempre se esperou muito de Pozzato e, na despedida, admitiu que não alcançou tudo o que gostaria. No ano passado, preparava-se para o seu oitavo Giro, quando acabou por regressar de urgência a Itália -  a corrida começou em Israel - para estar com o pai, que acabaria por falecer. O italiano não escondeu a influência que esta morte teve na época que realizou, pois considerava o pai um dos pilares da sua vida, juntamente com a mãe.

Filippo Pozzato afirmou então que iria dedicar-se à equipa que está a construir para ajudar os jovens italianos a evoluir no ciclismo. Disse que ao ser ciclista durante 19 anos tinha concretizado um sonho de criança e agora parece que vai realizar outro. Apesar de em Novembro no Twitter ter colocado a hashtag #hobby, dois meses depois parece que o hóquei em patins se tornou bem mais sério.

5 de maio de 2018

Viviani colossal no dia em que Rohan Dennis vestiu a camisola que lhe faltava

(Fotografia: Giro d'Italia)
"Que barbaridade", lia-se no Twitter logo após a vitória de Elia Viviani na segunda etapa da Volta a Itália. Talvez seja a melhor palavra para definir o sprint do italiano. Poder-se-ia dizer impressionante, fantástico... mas nada parece encaixar no que Viviani fez. Aos sprinters da Quick-Step Floors ganhar não chega. Têm tendência a dizer aos adversários: "Olhem para as minhas costas!" Fernando Gaviria já está habituado a fazê-lo e Marcel Kittel também era a potência em pessoa (agora ainda a procura reencontrar na Katusha-Alpecin). Viviani era um sprinter de qualidade, mas esta mudança para a equipa belga tornou-o num sprinter temível. De candidato, a favorito no espaço de meses e já com uma vitória que há um ano não teve possibilidade de sequer lutar por ela, com a Sky a deixá-lo de fora de todas as grandes voltas.

Foi só o primeiro sprint do Giro101, mas tendo em conta o passado recente, aqui fica uma história da Quick-Step Floors: dominou no Giro passado com Fernando Gaviria, no Tour com Kittel e depois com Trentin na Vuelta. Será a vez de Viviani? E já são 28 triunfos em 2018. Sete para Viviani, que não escondeu que se sentia sob pressão por ser o líder da equipa, que não apostará na geral e estará mais ao seu serviço. Agora sentir-se-á mais livre. Vamos ver o que isso significará...

Por momentos, uns momentos fugazes, Jakub Mareczko acreditou que finalmente iria ganhar na Volta a Itália. Mas foi uma "barbaridade" de sprint de Viviani, que a certa altura até nem estava com o seu comboio e colou-se a Sam Bennett, da Bora-Hansgrohe (fez terceiro). Mareczko ganhou uma ligeira vantagem, até que Viviani arrancou e passou por todos como se estivesse no mais potente dos carros desportivos, contra o mais normal veículo citadino! Ainda assim, este jovem Mareczko (24 anos), da Wilier Triestina-Selle Italia, demonstra cada vez mais um tremendo potencial. No ano passado fez dois segundos lugares no Giro, agora soma mais um. Vai rondando as vitórias, mas frente a este Viviani, era impossível fazer melhor.


Muito público em Israel para apoiar o pelotão do Giro
(Fotografia: Giro d'Italia)
A história da etapa foi quase totalmente a esperada. Só Rohan Dennis destoou um pouco. Houve uma fuga, a luta pela primeira camisola da montanha - ficou para Enrico Barbin (Bardiani-CSF) -, Guillaume Boivin mostrou a camisola da equipa da casa, com a Israel Cycling Academy a começar a tentar procurar aparecer na corrida. Pelo meio, Rohan Dennis foi buscar uma camisola que na sexta-feira lhe tinha escapado por dois segundos. "Atirou-se" às bonificações durante a etapa que ligou Haifa a Telavive (167 quilómetros) e ficou com a maglia rosa por um segundo. Nada que incomode Tom Dumoulin (Sunweb), que tem intenções de lutar por ela quando chegar a montanha. O próprio admitiu que seria um desnecessário despender de forças nesta fase da prova. Já para a BMC é um pormenor importante, numa altura em que perdeu o seu dono e mentor, Andy Rihs - morreu recentemente - e quando o futuro da estrutura não está garantido para 2019.

Para Dennis é um "pormenor" ainda mais relevante, pois aos 27 anos tornou-se num ciclista que já vestiu as camisolas de líder das três grandes voltas. A maglia rosa junta-se à amarela do Tour de 2015 e à vermelha da Vuelta de 2017. Em ambas as situações só as envergou durante um dia, depois de as conquistar nos contra-relógios inaugurais.

Porém, mesmo de rosa, é difícil ver Dennis como o candidato que não há muito tempo afirmou querer ser, quando iniciou o plano para se tornar num voltista ao nível dos melhores. Esta subida à liderança do australiano significou que não foi desta que o plano de José Azevedo resultou. O director da Katusha-Alpecin quer tentar colocar ou o português José Gonçalves ou o britânico Alex Dowsett no primeiro lugar. Depois do excelente contra-relógio de ambos, são agora 13 e 17 segundos, respectivamente, que os separam de Dennis. Ainda houve tentativas de tentar surpreender o pelotão já perto do final, mas este ano estavam todos atentos (em 2017, Lukas Pöstlberger, da Bora-Hansgrohe, ficou de rosa depois de escapar aos sprinters, quando tentava deixar bem colocado o seu). O objectivo de Gonçalves e Dowsett, ou eventualmente de Tony Martin (a 28 segundos) mantém-se para os próximos dias, com a alta montanha a chegar apenas na sexta etapa, com a subida ao Etna.

Quanto às restantes camisolas, a Quick-Step Floors juntou a dos pontos à da juventude. Elia Viviani está agora com a maglia ciclamino, com a branca a continuar com Max Schachmann.  A Katusha-Alpecin lidera por equipas (pode ver aqui as classificações completas).

Siutsou poderá ficar afastado das corridas durante três meses

(Imagem: print screen)
"Agora vou ver o Giro na televisão!" Kanstantsin Siutsou foi o mais azarado dos ciclistas que sofreram quedas no percurso do contra-relógio inaugural da Volta a Itália. Tal como Chris Froome e Miguel Ángel López, o bielorrusso caiu ainda no reconhecimento. A fractura na vértebra poderá afastar o ciclista da competição durante três meses, mas Siutsou garantiu que tudo fará para tentar regressar o mais rapidamente possível.

A aventura por Israel neste arranque da grande volta correu mal para Siutsou, que regressará a Itália para fazer mais exames médicos. "É uma enorme desilusão para mim e para a equipa. Eu estava em boa forma e estava pronto para apoiar a minha equipa e para dar o meu melhor. Infelizmente o Giro acabou para mim", desabafou num vídeo publicado pela Bahrain-Merida. E é de facto uma baixa de peso para Domenico Pozzovivo, o líder da formação neste Giro. Aos 35 anos, Siutsou vinha de uma vitória na Volta à Croácia e é na Volta a Itália que tem as melhores recordações em provas de três semanas. Venceu uma etapa em 2009 e foi top dez em 2011 (9º) e 2016 (10º).

Etapa 3: Berseba-Eilat, 229 quilómetros


Etapa mais "acidentada" do que a de sábado o que levará os homens que gostam de andar em fugas a arriscar a sorte. No entanto, as equipas dos sprinters estarão atentas, para garantir que seja mais um dia para os homens mais rápidos do pelotão. Segunda-feira será dia de descanso para que seja feita a viagem para Catania, na Sicília, para o arranque do Giro "em casa", no dia seguinte.

Aqui ficam alguns pormenores da segunda etapa e o sprint de Viviani é para ver e rever.

 


»»José Gonçalves de camisola rosa? Porque não?««

»»Vegni garante que se Froome ganhar o Giro a vitória não será retirada. A UCI não tem tanta certeza...««

»»Um Giro com muitas distracções mas a prometer espectáculo««

2 de maio de 2018

Filippo Pozzato falha aquela que poderia ter sido a sua última Volta a Itália

(Fotografia: © Wilier Triestina-Selle Italia)
Longe dos seus tempos áureos, Filippo Pozzato continua a gozar de enorme popularidade em Itália, pelo que a sua presença no Giro é sempre uma mais valia para o público e para os patrocinadores da equipa. Porém, a Wilier Triestina-Selle Italia não irá contar com a sua principal figura, no que a mediatismo diz respeito. Pozzato já estava em Jerusalém e inclusivamente tinha concluído os exames obrigatórios da UCI antes do início da corrida, quando resolveu regressar para o seu país. Em causa está o estado de saúde do pai, que terá piorado e levou o ciclista a deixar aquela que poderia ter sido a sua última Volta a Itália.

A equipa apenas avançou que problemas pessoais tinham levado Pozzato a nem começar o Giro. No entanto, alguns meios de comunicação social avançam que ao receber um telefonema a alertar para o agravamento da saúde do pai, Pozzato tratou imediatamente de regressar a casa no primeiro voo disponível.

A menos de 48 horas do arranque da primeira grande volta do ano, Alex Turrin foi chamado para viajar para Israel, com a UCI a autorizar a substituição. O jovem de 25 anos irá inesperadamente fazer a sua estreia numa corrida de três semanas. Sem ambições na classificação geral ou em qualquer outra, a Wilier Triestina-Selle Italia apostará em fugas e nos sprints com Jakub Mareczko. Turrin será um ciclista mais apto para quando o terreno começar a inclinar.

Pozzato preparava-se para cumprir o seu oitavo Giro, a sua 17ª grande volta. Apesar da decisão ainda não ser final, o italiano pondera terminar a carreira esta época, mas continua em aberto a possibilidade de competir em 2019. Tem 36 anos e é preciso recuar a 2013 para recordar a sua última vitória, no GP Ouest France-Plouay. Porém, foi na primeira década do século XXI que alcançou os seus maiores feitos: duas etapas no Tour (2004 e 2007), uma no Giro (2010) e conta ainda com um monumento, tendo conquistado a Milano-Sanremo em 2006. Soma 30 vitórias, sendo um especialista em clássicas, com a E3 Harelbeke e a Omloop Het Nieuwsblad a estarem no seu currículo. Contudo, tem uma vitória numa das corridas por etapas mais importantes: Tirreno-Adriatico (2003). Foi ainda campeão nacional em 2009.

Depois de se ter começado a "apagar" na Lampre-Merida, em 2016 mudou-se para a estrutura da Wilier, do escalão Profissional Continental, para também assim ter outro tipo de liberdade, outro papel e uma pressão diferente. Mas desde então que já vai pensando no que quer fazer quando deixar a competição como atleta. Influenciado por um homem que o orientou durante muitas das suas vitórias, Patrick Levefere (director da Quick-Step Floors), Pozzato não esconde que deseja seguir as passadas do belga.

Para já, as suas preocupações são outras, com o Giro a perder uma das figuras que os tifosi muito acarinham. Os objectivos da Wilier Triestina-Selle Italia mantém-se ainda assim intocáveis. Todas as baterias estarão apontadas a uma etapa, algo que não acontece desde 2012, quando Andrea Guardini venceu em Vedelago, na 17ª tirada. Então a equipa chamava-se Farnese Vini-Neri-Sottoli.

A Wilier Triestina-Selle Italia estará no Giro101 com Jakub Mareczko, Liam Bertazzo, Marco Coledan, Giuseppe Fonzi, Jacopo Mosca, Alex Turrin, Edoardo Zardini e Eugert Zhupa. A corrida arranca na sexta-feira com um contra-relógio de 9,7 quilómetros em Jerusalém, mas na quinta começará a festa da maglia rosa com a apresentação das equipas.