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11 de dezembro de 2019

Aviludo-Louletano de menor fulgor em 2019 reforça-se para não depender tanto de De Mateos

(Fotografia: © João Fonseca Photographer)
Depois de duas temporadas de grande fulgor, com muitas vitórias e sucesso na Volta a Portugal, a Aviludo-Louletano enfrentou um 2019 mais difícil, com menos resultados de nota e uma Volta que acabou em desilusão, depois de muito ter crescido a ambição que Vicente García de Mateos poderia disputar a corrida. O espanhol preparou a época praticamente sempre a pensar na corrida principal para as equipas portuguesas, mas abandonou na penúltima etapa e com ele levou o sonho de pelo menos estar novamente no pódio final, sem, desta feira, ganhar qualquer etapa (somou seis entre 2015 e 2018).

Com a saída de Luís Mendonça para a Rádio Popular-Boavista, a formação algarvia centrou-se quase exclusivamente no seu líder, De Mateos. Leonel Coutinho chegou para ser a aposta em corridas discutidas ao sprint. Apesar de algumas prestações positivas, Coutinho não conseguiu atingir o nível que de certo teria gostado, não se podendo esquecer que em 2018 sofreu uma queda grave. Aos 27 anos decidiu colocar um ponto final na carreira.

Com De Mateos muito concentrado em preparar-se para a Volta a Portugal, com o decorrer da temporada outros ciclistas foram tendo alguma liberdade para disputar vitórias. Luís Fernandes foi um dos destaques muito positivos da Aviludo-Louletano. Venceu as classificações da montanha na Clássica Aldeias do Xisto e no Grande Prémio de Mortágua, sendo uma das figuras na Volta a Portugal, tanto na perspectiva do trabalho que fez em prol da equipa, como por ter tentado vencer a etapa da Senhora da Graça.

Já no Sporting-Tavira havia demonstrado ser um ciclista importante no apoio aos líderes, mas, aos 32 anos, poderá encontrar na Rádio Popular-Boavista maior liberdade e é uma perda relevante para a Aviludo-Louletano para 2020.

No entanto, o director desportivo Jorge Piedade procurou um substituto que pudesse estar ao mesmo nível e contratou Jesús del Pino, da Vito-Feireinse-PNB, com passagem pela Efapel em 2017 e 2018. Importante era também encontrar um ciclista que assumisse mais protagonismo na luta por vitórias, para que a equipa não esteja tão dependente de De Mateos. Do Feirense vai chegar também João Matias. Forte no sprint e com capacidade para ultrapassar terrenos com alguma dificuldade, Matias tornou-se neste últimos três anos um ciclista importante no pelotão nacional e tem o perfil indicado para dar mais opções à Aviludo-Louletano, sem que colida com as ambições de De Mateos. É um lutador e tem muita capacidade de liderança, sabendo motivar os seus companheiros.

Com a excepção de Luís Fernandes, a equipa algarvia vai manter os ciclistas que constituem o bloco de apoio ao ciclista espanhol: Oscar Hernandez, Márcio Barbosa, André Evangelista, Nuno Meireles e David de la Fuente.

Vicente García de Mateos abandonou a Volta a Portugal devido a uma indisposição, deixando assim o saldo da Aviludo-Louletano em 2019 com apenas duas vitórias (foram oito em 2018): uma etapa do Grande Prémio Jornal de Notícias (primeiro sector da terceira tirada) precisamente por intermédio do espanhol, com Márcio Barbosa a vencer o Circuito da Malveira.

A Aviludo-Louletano pode ter um orçamento bem diferente de uma W52-FC Porto ou Efapel, mas continua empenhada em mostrar que pode provocar uma surpresa na Volta a Portugal, enquanto na próxima temporada, com a chegada de João Matias, procurará mais vitórias antes de chegar à corrida mais ambicionada. Para fechar as contratações, chegará o jovem Daniel Silva (21 anos) da Sicasal-Constantinos e o experimente russo Sergey Shilov (31), que esteve nas últimas duas temporadas na Gazprom-RusVelo e antes representou a Lokosphinx.

Com a equipa do escalão Continental, Shilov participou em várias corridas em Portugal, incluindo a Volta, tendo inclusivamente vencido uma etapa, em Castelo Branco (2014), batendo ao sprint Samuel Caldeira e Manuel Cardoso. Em 2015 conquistou duas tiradas no Troféu Joaquim Agostinho.

Equipa para 2020: Vicente García de Mateos, Oscar Hernandez, Márcio Barbosa, André Evangelista, Nuno Meireles, David de la Fuente, João Matias (Vito-Feirense-PNB), Jesús del Pino (Vito-Feirense-PNB), Daniel Silva (Sicasal-Constantinos), Sergey Shilov (Gazprom-RusVelo).

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14 de maio de 2018

"Estamos a apostar forte na Volta a Portugal com o Vicente"

Luís Fernandes queria algo diferente na sua carreira. Foi sempre um homem exemplar de trabalho, primeiro na OFM-Quinta da Lixa (actual W52-FC Porto) e depois no Sporting-Tavira, pelo que, experimentar ter outra liberdade e procurar os seus próprios resultados, foi algo que o levou a mudar-se para a Aviludo-Louletano-Uli. "É diferente! É emocionante! Estava muito talhado para aquele trabalho. Ainda tenho a cabeça formatada para fazer aquele trabalho [em prol do líder]. Mudar... ainda vai demorar algum tempo", admitiu ao Volta ao Ciclismo.

O ciclista, de 30 anos, está satisfeito com a sua temporada até ao momento, mas diz que ainda não entrou "forte na época". Venceu o prémio da montanha na Clássica Aldeias do Xisto, mas disse que até acabou por ser consequência do trabalho que fez para Óscar Hernández conquistar o Troféu Liberty Seguros. "Foi a função que me pediram, para estar mais perto dos líderes nas fases decisivas e não tanto no início das corridas", explicou.

Então, quando irá Luís Fernandes lutar por uma vitória? "Vou tentar no Grande Prémio Jornal de Notícias. Acho que vou ter a minha oportunidade. Temos mais ciclistas nesse plano e teremos a oportunidade para fazer algo bonito", salientou. Os Nacionais também estão na mira, tanto a nível pessoal, mas também numa perspectiva de ajudar, por exemplo, Luís Mendonça, se assim se proporcionar. "Sabemos que há equipas mais fortes, mas há que tentar. Ir para a Volta a Portugal como campeão nacional seria bonito!"

Com esta mudança para a formação de Loulé, Fernandes acaba por representar as duas equipas algarvias de elite. E os directores desportivos marcam algumas das diferenças. "O Jorge dá-nos mais liberdade. Com o Vidal [Fitas] sabíamos para o que íamos, sabíamos que era para o líder. As oportunidades não eram muitas, mas eu também nunca me preocupei em fazer esse trabalho. Era o que eu gostava [ser gregário]. Isto [na Aviludo-Louletano-Uli] é uma experiência nova. O meu lugar é completamente distinto. Mudar o chip para cumprir esta função, não é fácil. Estás a habituado a trabalhar para outros e agora tens uma oportunidade de obter resultados... É mais complicado", contou.

"Gosto de estar aqui. Parece que estou em casa há muito tempo!"

Acrescentou de imediato que o trabalho que fez tanto no Sporting-Tavira, como na OFM-Quinta da Lixa, "foi reconhecido", mas que agora há "um reconhecimento diferente", dada a liberdade que lhe é concedida: "Gosto de estar aqui. Parece que estou em casa há muito tempo!"

Apesar da maior liberdade, Fernandes continua a ter a sua função de apoio, com Vicente García de Mateos a saber que conta com mais um ciclista para o ajudar no grande objectivo da época. O espanhol, terceiro classificado na Volta no ano passado, tem andado discreto em 2018, mas faz tudo parte de um plano maior. "Estamos a apostar forte na Volta a Portugal com o Vicente. Pensamos que se conseguir levar a época mais tranquilo, vai ter as forças todas guardadas para a Volta. Vamos tentar assim", referiu, considerando que a Aviludo-Louletano-Uli já ganhou corridas importantes - caso da Volta ao Alentejo, com Mendonça - e que, por isso, "o patrocinador está contente e o director [Jorge Piedade] também". Portanto, a equipa está mais tranquila nesta altura do ano, mas pronta para atacar em força a fase da época que se aproxima.

E fica o aviso que a equipa algarvia quer fazer frente à W52-FC Porto, que tem dominado na Volta. "É isso que vamos tentar. Temos demonstrado qualidade. O Vicente no ano passado fez terceiro na Volta e muitas vezes estava sozinho. A equipa perdeu um atleta logo no início, o Óscar, que era para estar ao lado dele. Só tinha o David [de la Fuente] para as alturas críticas. Este ano poderemos ser quatro nas alturas decisivas", explicou. Luís Fernandes considera que aos poucos vai sendo visível um maior equilibro no pelotão nacional, mesmo que a formação do Sobrado continue a dar mostras de manter-se a grande nível. "Continua uma equipa forte. Normalmente contrata ou tenta ir buscar os melhores ciclistas de todas as equipas. Contra isso não há nada a fazer. Se tem um orçamento mais alto do que as outras, não há nada a fazer. Mas as equipas tentam conciliar isso e fazer uma boa época", disse.

"Só com um atleta [o Louletano] fez melhor que muitas equipas com orçamentos mais alto [na Volta a Portugal]"

O ciclista tem vivido a melhoria nas condições do ciclismo nacional, depois de muito tempo de crise. Para Luís Fernandes é melhor ser corredor agora, do que há cinco ou seis anos: "Agora as coisas estão melhores. O ciclismo tem evoluído muito em Portugal. Isso vê-se pelas estruturas. Toda a gente já tem autocarros, toda a gente já tem condições. Está a voltar ao que era antigamente e isso é bom para a modalidade. Os atletas andam mais contentes", frisou. 

A Aviludo-Louletano-Uli é um bom exemplo de como as estruturas têm evoluído positivamente, conseguindo mesmo ter um ciclista para discutir a Volta a Portugal e esta temporada terá um bloco reforçado com Luís Fernandes para a montanha. "Se calhar foi a segunda melhor equipa da Volta a Portugal. O Vicente fez terceiro, venceu uma etapa, vestiu a camisola verde, teve na luta todos os dias. Só com um atleta fez melhor que muitas equipas com orçamentos mais altos", realçou.

Nesta nova fase da carreira, é bem notório como Luís Fernandes está feliz com os desafios que tem pela frente, elogiando a postura do seu director desportivo e dos companheiros de equipa. A confiança está em alta pelos resultados que já foram alcançados e a equipa quer animar muito a luta pela Volta a Portugal, que aos poucos está cada vez mais no pensamento de todos.

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