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12 de fevereiro de 2019

Adrien Costa dedicado ao desporto após amputação da perna e só pensa em ajudar outras pessoas

(Fotografia: © Davey Wilson/Hagens Berman Axeon)
"Quando estava preso entre as rochas, percebi que era a tranquilidade que me iria salvar. Eu tinha de ceder à situação porque, pela primeira vez na minha vida, estava completamente desamparado." Adrien Costa tinha colocado o ciclismo em suspenso numa tentativa de se encontrar. De descobrir o seu caminho. Durante essa sabática, um acidente de alpinismo transformou a vida deste jovem talento, que chegou a ser visto como uma esperança do ciclismo americano. A perna direita teve de ser amputada um pouco acima do joelho. Dois meses depois, Adrien Costa já pedalava de novo e na adversidade acabou por conseguir definir a sua vida. Está na universidade, continua a praticar muito desporto e quer aproveitar o que diz ser uma segunda oportunidade que recebeu para ajudar outras pessoas.

Adrien Costa contou ao jornal francês L'Equipe os momentos difíceis que viveu quando, em Agosto, caiu ao praticar alpinismo numa montanha na Califórnia. Sem se poder mexer, por ter a perna presa entre umas rochas, gritou por ajuda. Outros alpinistas socorreram o jovem, agora com 21 anos, mas só cerca de seis horas mais tarde foi finalmente resgatado. Costa disse que optou por se deixar levar pelo momento. "Permitiu-me sair do meu corpo e aguentar as horas de sofrimento, de incerteza e de espera. Depois, no hospital, foi incrível a cadeia de pessoas a ajudar-me, o que me permitiu ver a beleza da vida" explicou.

O antigo ciclista da Hagens Berman Axeon - foi colega dos gémeos Oliveira em 2017 e de Ruben Guerreiro no ano antes -, tinha optado por parar a meio da época de 2017, não querendo regressar em 2018, como era esperado. Com o acidente, Costa realçou que a principal mudança por que passou foi o sentir maior responsabilidade, precisamente por considerar que recebeu um segundo fôlego na vida. "Percebi que tinha uma grande responsabilidade para aproveitar ao máximo esta segunda oportunidade. Sinto-me mais ligado ao mundo em meu redor", salientou, acrescentando que se sente "inspirado para dar algo bonito e duradouro a este mundo".

Costa continua a ver-se como um atleta, ainda que não pense em regressar às competições. Dedica grande parte do seu tempo a treinar, seja a levantar pesos, ou então, como tanto gosta, em desportos ao ar livre: alpinismo, ciclismo e também esqui. O jovem frisou como adora o ambiente calmo da montanha. Na universidade estuda psicologia e é neste aspecto da vida que ainda não decidiu que rumo tomar: "Profissionalmente ainda não sei no que gostaria de me focar. A psicologia é um campo muito vasto. Só sei que quero fazer algo que possa ajudar outros."

E trabalhar a força da mente é algo muito presente na vida de Adrien Costa. Ainda enquanto ciclista começou a meditar: "A ideia de ser capaz de puxar pelos limites físicos na bicicleta através do controlo da mente fascinava-me." Confessou que foi mesmo através da meditação que percebeu que não era o ciclismo que pretendia fazer. "Queria encontrar algo mais profundo." Adrien Costa continua a meditar. Continua à procura do seu rumo, como muitos jovens de 21 anos. Mas também tem demonstrado ser um exemplo de força, não se tendo deixado abater pela partida que a vida lhe pregou. Muito pelo contrário.

23 de outubro de 2018

Amputaram-lhe a perna há dois meses e já está a andar outra vez de bicicleta

Das imagens que marcaram 2018, a fotografia de Adrien Costa a andar novamente de bicicleta tem de ser uma delas. Pode não ter ganho os Mundiais, a Volta a França ou o Paris-Roubaix, mas este americano conquistou um dos maiores triunfos: o de viver e saber a aproveitar a vida, independentemente das adversidades. Há pouco mais de dois meses Costa sofreu um acidente de alpinismo que quase o matou. Não foi possível salvar a sua perna direita, mas isso não impediu que o jovem esteja novamente a andar de bicicleta e até a fazer alpinismo.

Se uma imagem pode valer mil palavras, há palavras que acompanham bem a imagem. As de Christopher Blevins explicam bem o sentimento que ver Costa a andar de bicicleta provocou, principalmente em quem é amigo, além de companheiro de equipa: "Sempre fiquei impressionado com este rapaz, mas nos últimos meses encontrei um novo nível de admiração."



O acidente ocorreu no lado norte do Monte Conness, perto do Parque Nacional de Yosemite. Uma pedra soltou-se, entalando a perna de Costa, que estava a pouco mais de três mil metros de altitude. Duas pessoas que estavam na área viram o jovem e chamaram ajuda. Acabou evacuado num helicóptero e levado para o hospital em estado crítico. A sua vida foi salva, mas os médicos tiveram de amputar a perna.

Adrien Costa, agora com 21 anos, era visto como um dos talentos emergentes no ciclismo americano, contando com duas medalhas de prata nos Mundiais, na especialidade de contra-relógio, como júnior. Somou vários pódios em corridas por etapas, inclusivamente no Tour de l'Avenir, ou Volta a França do Futuro. Ainda a temporada de 2017 não ia a meio quando Costa anunciou que ia fazer uma paragem na carreira. Tinha regressado em Janeiro à então Axeon Hagens Berman depois de um estágio na Etixx-Quick Step. Mas precisou de parar.

Costa queria reencontrar o equilíbrio na sua vida, sendo uma decisão influenciada também pela morte de Chad Young, colega de equipa que sofreu uma queda violenta durante uma corrida, não resistindo aos ferimentos. Apesar do director, Axel Merckx, contar com ele para 2018, Adrien Costa ainda não estava preparado para regressar ao ciclismo.

Ao saber-se do acidente de alpinismo, a equipa que nunca deixou de apoiar o ciclista, difundiu a criação de um crowdfunding para ajudar Costa e a sua família com as despesas médicas. O objectivo eram cem mil dólares (cerca de 87 mil euros), mas a campanha já ultrapassou os 128 mil (112 mil euros) e continua activa (pode ver neste link). O mundo do ciclismo uniu-se para ajudar Adrien Costa e foram muitos os ciclistas e até as equipas, que contribuíram para o crowdfunding.

Sem surpresa, a imagem de Costa a andar de bicicleta teve uma enorme repercussão nas redes sociais, com mensagens de todo o mundo. Outra fotografia partilhada é do jovem atleta a praticar (em ambiente indoor) outra modalidade que tanto gosta: o alpinismo (tweet em baixo).

Mais um exemplo de auto-superação, não só física, mas também psicologicamente.

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9 de agosto de 2018

Promessa americana fica com uma perna amputada após acidente de alpinismo

(Fotografia: © Davey Wilson/Hagens Berman Axeon)
Adrien Costa era visto como um dos grandes talentos emergentes do ciclismo americano. No entanto, a meio da temporada de 2017, surpreendeu ao anunciar que se iria afastar do ciclismo, acabando mesmo por não regressar em 2018, como a Hagens Berman Axeon esperava. O jovem ciclista salientava então que tinha percebido que precisava de mudar, de ser mais descontraído, se alguma vez quisesse voltar a competir. A seu lado esteve sempre o director da equipa Axel Merckx e continua agora que Costa viu a sua vida mudar como nunca esperaria. O jovem sofreu um acidente ao praticar alpinismo e a sua perna direita teve e ser amputada acima do joelho.

Foi uma daquelas notícias que provocou um choque imediato. A Hagens Berman Axeon partilhou no seu Twitter o estado de saúde de Costa, alertando também para a criação de um crowdfunding para ajudar a pagar as despesas médicas de Adrien Costa (pode ver aqui). É explicado que o acidente ocorreu no lado norte do Monte Conness, perto do Parque Nacional de Yosemite. Uma pedra soltou-se, entalando a perna de Costa, que estava a pouco mais de três mil metros de altitude. Duas pessoas que estavam na área viram o jovem e chamaram ajuda. Acabou evacuado num helicóptero e levado para o hospital em estado crítico. Os médicos conseguiram salvar a sua vida, mas não a perna.

Costa (20 anos) começou a destacar-se em 2016 nas corridas americanas, mas também na Europa. O segundo lugar na Volta a Utah e a vitória no Tour de Bretagne e outros resultados de nota, catapultaram o jovem ciclista para o centro das atenções, sendo considerado um dos jovens talentos que muito prometia. Chegou mesmo a estagiar na segunda parte da temporada na então Etixx-QuickStep, mas regressou "a casa" para continuar a sua evolução. Em 2017 passou pela Volta ao Alentejo, tendo terminado na 11ª posição, mas um mês depois resolveu retirar-se do ciclismo.

"Sabia que tinha de encontrar outras coisas na vida que me dessem mais equilíbrio e mais felicidade em geral", disse quando anunciou que não seria em 2018 que regressaria, contrariando as expectativas da equipa, que conta com os gémeos Oliveira e João Almeida e é uma que mais ciclistas tem colocado no World Tour. Costa inicia agora uma nova fase da sua vida, mas pode desde já contar com o apoio de uma equipa que, mesmo depois de ele sair, continua a seu lado. E muitos têm sido os donativos, que já ultrapassam os 60 mil dólares (cerca de 52 mil euros).

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14 de julho de 2017

Colega dos gémeos Oliveira faz pausa na carreira

(Fotografia: Axeon Hagens Berman)
É considerado um dos maiores talentos americanos. Conquistou a Volta à Bretanha e soma pódios em algumas corridas prestigiantes para jovens ciclistas e também fez bons resultados frente à elite. No ano passado chegou a estagiar com a Quick-Step Floors (então Etixx-QuickStep), mas regressou à Axeon Hagens Berman para continuar a sua evolução antes de dar o que parecia ser o inevitável salto para o World Tour. Porém, Adrien Costa precisou de parar. Aos 19 anos, o californiano faz uma pausa na carreira até ao final da temporada. Cansado, Adrien Costa quer reencontrar o equilíbrio na sua vida. "Foi uma decisão muito difícil, mas penso ser a melhor opção para o meu desenvolvimento pessoal. Quero ter tempo para fazer outras coisas que sempre gostei e encontrar um novo equilíbrio entre o desporto que adoro e o resto da minha vida", lê-se no comunicado divulgado pela equipa.

Adrien Costa é colega dos gémeos Ivo e Rui Oliveira e nos Estados Unidas as expectativas são enormes para o jovem ciclista. No entanto, este ano não tem sido fácil, por razões que vão além dos resultados desportivos. Em Abril, uma queda durante uma corrida acabou por ser fatal para Chad Young. Costa correu pelo última vez dias antes da trágica notícia, no G.P. Palio del Recioto, não tendo terminado a prova. Young tinha apenas 21 anos. Pouco tempo depois a Axeon Hagens Berman voltou a ser abalada por mais uma morte. Sean Weide, o responsável pela comunicação, era um homem que tinha uma grande proximidade com os ciclistas e que vivia intensamente a modalidade.

No comunicado não são especificadas as razões para a pausa. "Sonho em alcançar tanto no ciclismo, mas na minha idade é importante lembrar-me que tenho o tempo do meu lado e que o pior seria apressar e ficar farto antes de estar pronto [para ser profissional]", explicou Adrien Costa. O americano referiu que irá estudar e viajar pela Europa e aproveitar o tempo para preparar o futuro. "Posso alcançar tanto, não apenas no ciclismo, mas na vida em geral. Quero ter a certeza que faço as escolhas certas nesta fase da minha carreira", salientou. Acrescentou que quer regressar ao ciclismo quando se sentir pronto.

Adrien Costa está no segundo ano com a Axeon Hagens Berman, equipa que tem como responsável Axel Merckx, conhecido por treinar muitos ciclistas que acabam por chegar ao World Tour. Costa esteve este ano em Portugal, na Volta ao Alentejo. Foi 11º na geral, quinto na juventude e ajudou a formação a conquistar a classificação por equipas.