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6 de abril de 2017

As imagens das protecções para os travões de disco que estão a ser testadas

(Fotografia: Associação de Ciclistas Profissionais)
Um dia depois de terem sido anunciadas novas medidas de segurança para os últimos quilómetros das corridas, a Associação de Ciclistas Profissionais (ACP) revelou imagens que poderão indicar que se caminha para um entendimento quanto a um dos temas de maior discórdia entre UCI e ciclistas: os travões de disco. As fotografias mostram as capas de protecção que estarão a ser testadas pela comissão responsável pela situação, da UCI, e que podem ser a resposta ao pedido de uma parte do pelotão.

A utilização dos travões de disco não tem sido pacífica. O primeiro teste foi suspenso depois de Fran Ventoso, então na Movistar, ter alegado que foi um travão de disco que lhe provocou graves ferimentos numa perna após uma queda no Paris-Roubaix em 2016. Este ano a UCI recuperou o período de experiência, com a regra que os discos tinham de ser redondos, para evitar cortes.

Equipas como a Quick-Step Floors, Cannondale-Drapac e Bahrain-Merida já vão utilizando o sistema em algumas competições. Tom Boonen tornou-se no primeiro ciclista a vencer uma corrida - a segunda etapa da Volta a San Juan - tendo na sua bicicleta os travões de disco.  Peter Sagan (Bora-Hansgrohe) também chegou a mostrar uma bicicleta equipada com os travões de disco, mas tem utilizado uma com o sistema normal de travagem. A polémica nunca desapareceu, mas voltou a subir de tom durante a Volta a Abu Dhabi, quando Owain Doull (Sky) defendeu que foi os discos da bicicleta de Marcel Kittel que lhe cortaram o sapato após os dois ciclistas se terem envolvido numa queda.

(Fotografia: Associação de Ciclistas Profissionais)
As imagens das capas de protecção foram partilhadas pela ACP na sua conta do Google + e estavam acompanhadas pela frase: "A comissão deu uma passo em frente para ir de encontro às exigências da ACP e dos ciclistas quanto aos travões de disco: o início de uma investigação quanto à segurança. Estamos num bom caminho, obrigado por ouvirem."

Uma sondagem feita recentemente pela ACP deu conta que 42% dos ciclistas no pelotão internacional apoiam a utilização dos travões de disco, desde que estes estejam devidamente protegidos. Vai parecendo cada vez mais inevitável que este sistema de travagem acabe mais cedo ou mais tarde por entrar definitivamente no ciclismo, mas perante a continuidade das dúvidas sobre à sua segurança, a UCI trabalha para que os perigos sejam minimizados.

A capa que se vê nas fotografias tapa praticamente todo o disco o que, na teoria (já que não se conhece resultados de eventuais testes práticos, se é que já foram sequer feitos), evitará cortes e também queimaduras, pois é preciso não esquecer que os discos aquecem durante a sua utilização.




5 de abril de 2017

Novas regras para os últimos quilómetros incluem vídeos detalhados de eventuais zonas perigosas

(Fotografia: Facebook Tour Down Under)
O anúncio de novas regras para os últimos quilómetros das corridas está a ser encarado como mais uma vitória por parte dos corredores e dos seus representantes de duas associações. Depois da implementação do protocolo do tempo extremo e das alterações quanto aos veículos que acompanham o pelotão, é agora a vez de profundas alterações nas regras de segurança nos últimos quilómetros das provas.

Começando pelo mais simples, as barreiras passarão a ser colocadas a 300 metros da meta em corridas/etapas de montanha e a 500 nas que terminem em terreno mais plano. Os organizadores terão de elaborar relatórios que refiram detalhadamente potenciais riscos nos últimos três quilómetros e esses documentos serão entregues aos comissários da UCI. Esta medida serve, por exemplo, para identificar postes, obras ou outros elementos que possam colocar em causa a segurança dos ciclistas.

Mas não serão apenas relatórios que terão de ser feitos. Os organizadores ficarão obrigados a fazer vídeos dos últimos três a cinco quilómetros que demonstrem todo o percurso, com principal foco em potenciais zonas perigosas. Esses vídeos serão depois entregues às equipas presentes na competição, para que possam estudá-los e assim conhecer detalhadamente o final das corridas/etapas.

Uma outra medida prevê que passem a existir responsáveis por fazer o percurso entre cinco a 30 minutos antes da passagem do pelotão, ou dos ciclistas que estejam na frente caso haja uma fuga, de forma a garantir que não exista nenhum perigo imprevisto. Estas novas regras vão apenas ser aplicadas nas corridas do World Tour, mas o próximo objectivo é que sejam estendidas a todas as corridas.

"Quero agradecer especialmente aos organizadores que mesmo perante os tempos difíceis a nível económico, colocaram a segurança dos atletas primeiro" salientou Gianni Bugno, da Associação de Ciclistas Profissionais (ACP). O italiano explicou ainda, citado pelo site Cycling News, que após os incidentes do último ano - como a morte de Antoine Demoitié ou o acidente que deixou Stig Broeckx em coma durante várias semanas (ambas as situações envolveram motos), entre outros -, a associação e os seus membros trabalharam na recolha de informação de forma a sugerir alterações às regras para aumentar a segurança. "Isto marca um grande progresso na segurança dos ciclistas", disse Michael Carcaise, da Associação de Ciclistas Profissionais da América do Norte.

Nos últimos anos os ciclistas têm exigido mudanças em várias regras para garantir a sua segurança. Fabian Cancellara era uma das vozes mais fortes e foi ele quem chegou a parar uma etapa na Volta a Omã devido às elevadas temperaturas que chegaram a provocar o rebentamento de pneus. Não demorou muito até que o protocolo para o tempo extremo começasse a ser aplicado. Tom Boonen é outra das vozes respeitada, tendo feito algumas declarações para que fossem tomadas medidas urgentes quanto aos veículos que acompanham o pelotão.

Uma das actuais "batalhas" tem sido os travões de disco. No entanto, neste ponto há alguma discórdia entre os ciclistas que consideram que devem ser definitivamente implementados ou proibidos de vez.


1 de junho de 2016

Boonen deixou um aviso, mas também uma sugestão que dá que pensar

A Lotto Soudal apoia de várias formas Stig Broeckx,
que está em coma (Fotografia: Twiter @Lotto_Soudal)
O ano ainda mal vai a meio e o historial de incidentes com motos é assustador. Não só pelo número, mas principalmente pela gravidade. Nos últimos anos, os ciclistas têm exigido mudanças em prol da sua protecção. Sem resultados práticos, falou agora uma das vozes mais respeitadas do pelotão, que em vez de exigência optou pela sugestão.

Já se sabe o poder que os ciclistas têm, principalmente quando tomam medidas mais drásticas. No ano passado pararam uma etapa na Volta ao Qatar devido ao calor e finalmente conseguiram que fosse implementada a medida de tempo extremo, que anula etapas/corridas caso não estejam reunidas condições de segurança, seja com calor ou frio. Porém, também se sabe que há tendência a deixar-se arrastar os casos enquanto se procura, investiga, analisa-se e volta-se a fazer tudo de novo uma quantas vezes, até que finalmente há uma decisão, muitas vezes depois da pressão dos ciclistas aumentar.

Durante tantos anos os ciclistas competiram debaixo de neve ou com temperaturas de derreter pneus (literalmente), mas este ano tudo mudou. Agora aguarda-se, quase que se desespera, por mudanças profundas nos veículos motorizados que acompanham as corridas. Uma morte e um ciclista em coma, e vários outros incidentes, marcam um ano negro nestes casos.

Nos próximos dias deverá ser conhecida a resolução, ou falta dela, do diferendo com a ASO. É a época de 2017 que está em causa. Porém, com a questão das motos e carros, é a vida dos ciclistas que está em causa. Poderá a UCI continuar a adiar medidas mais eficazes? Mas afinal, que medidas são essas?

Muito se tem falado da diminuição do número de veículos, que parece ser a solução mais consensual. Existem regras para quando e como devem passar pelo pelotão e por mais que existam, enquanto o fizerem haverá sempre o risco de acidentes e menos veículos não significa menos passagens. As motos de apoio neutro e que transportam os repórteres, os carros dos comissários, vão continuar a ter de passar, estando dependentes do desenrolar da corrida.

E os carros dos patrocinadores e convidados? Seria lógico cortar radicalmente, mas vivendo o ciclismo de quem lhe dá dinheiro, é quase impossível tal acontecer, principalmente nas grandes corridas.

Partindo do princípio que quem conduz estes veículos está habilitado para tal, as soluções para um problema que está cada vez maior são de extrema dificuldade. Se quem manda não resolve, então é a vez do pelotão, apoiado pela Associação de Ciclistas Profissionais, começar a agir. É o que Tom Boonen fez. Em vez de apenas exigir mudanças, o belga deu uma sugestão, que vai contra tudo o que se tem falado: mais veículos tornam o pelotão mais seguro.

Pode até parecer estranho à primeira vista, mas a justificação de Boonen dá que pensar. "Se houver mais veículos, não têm de passar o pelotão tantas vezes. O problema agora é que há muita agitação", referiu Boonen ao jornal belga Het Niewsblad. Para o veterano ciclista, o facto de terem de passar em momentos que não são os ideais para o pelotão, aumentam as possibilidades de acidente. Para Boonen, mais veículos "muda pouco a corrida e é muito menos stressante para os condutores". Portanto, mais veículos, espalhados pela corrida, menos necessidade de ultrapassagens em alturas arriscadas.

Eis a sugestão, mas ficou também o aviso de Boonen que deixa antever que a paciência no pelotão começa a esgotar-se e que não irá tolerar mais tragédias: "Isto não pode continuar." Este ano já conta com dois casos muito graves: Antoine Demoitié morreu e Stig Broeckx está em coma, com os médicos a não fazerem prognósticos e foi a segunda vez que o belga esteve envolvido num acidente com motos em 2016.

O acidente de Broeckx está a ser investigado - duas motos terão chocado tendo depois provocado a queda a quase 20 ciclistas, ferindo 11 - e, numa reacção imediata, a UCI anunciou que irá aumentar a sua equipas nas corridas de forma a controlar os veículos presentes.