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19 de novembro de 2019

Contraste de emoções na época da Lotto Soudal

(Fotografia: © Photo News/Lotto Soudal)
No ano pós-Greipel, no que diz respeito aos sprints a Lotto Soudal encontrou um sucessor que não demorou a dar garantias de vitórias e que mostrou que estava mesmo preparado para ir à Volta a França. Caleb Ewan é uma certeza nesta especialidade. Quanto às clássicas, foi uma época aquém, não ajudando que Tiesj Benoot continue a ser regular entre os primeiros, mas não consegue terminar com mais vitórias. Tim Wellens cumpriu e a Lotto Soudal tinha razões para estar satisfeita com a sua temporada, pois também via um dos seus jovens aparecer cada vez melhor. Bjorg Lambrecht estava em fase de afirmação e a sua morte marcou inevitavelmente a equipa.

O acidente aconteceu em Agosto, na Volta à Polónia e deste então que a Lotto Soudal teve de garantir que os seus ciclistas lidassem com uma situação de perda de um jovem de apenas 22 anos, um companheiro de equipa e para alguns também um amigo. Lambrecht estava a evoluir nas provas por etapas e era uma das esperanças belgas para ser uma figura entre a nova geração que está a a despontar no ciclismo. Venceu a classificação da juventude no Critérium du Dauphiné, o que deixou a equipa a pensar que poderia em pouco tempo ter um ciclista que pudesse apostar além de Tim Wellens, com Lambrecht a poder pensar mais nas gerais das grandes voltas do que o que faz o compatriota.

Estes planos foram tragicamente interrompidos, após uma temporada de sucesso para a Lotto Soudal. Porém, a Vuelta traria para a ribalta um ciclista desta equipa. Carl Fredik Hagen foi contratado à Joker Icopal do escalão Continental e, agora com 28 anos, acabou por ser uma das revelações de 2019. Foi fazendo boas exibições durante a temporada, inclusivamente no Critérium du Dauphiné e antes na Volta à Romandia, por exemplo

Talvez por a Lotto Soudal ser uma equipa que tendencialmente aposta na procura por vitórias de etapas, Hagen não foi muito valorizado quando entrou no top dez na 13ª etapa. No entanto, as exibições foram subindo de nível com o passar da Vuelta, terminou na oitava posição e agora vai ser certamente mais valorizado!
Ranking: 9º (8741,94 pontos) 
Vitórias: 23 (incluindo duas etapas no Giro e três no Tour) 
Ciclista com mais triunfos: Caleb Ewan (10)
Hagen poderá ser homem para geral, enquanto Wellens prefere as provas de uma semana e perseguir as etapas nas grandes voltas. Cinco vitórias em 2019 e o belga continua a ser uma garantia de bons resultados. Tal como Thomas de Gendt. Mais uma daquelas vitórias ao estilo como este ciclista tanto gosta. Um ataque no momento certo e uma capacidade enorme de fazer autênticos contra-relógios a manter toda a concorrência longe, é a receita de sucesso deste enorme corredor. Porém, fica a sensação que esta ideia de tentar bater o recorde do companheiro Adam Hansen de participações consecutivas em grandes voltas e sempre a terminar, está a tirar algum fôlego a De Gendt, que chegou esgotado à Vuelta.

No que a Lotto Soudal ficou aquém foi nas clássicas. E sendo uma formação belga, isso simplesmente não pode acontecer. Tiesj Benoot continua a ser um dos melhores no pavé, mas não conseguiu dar continuidade à vitória na Strade Bianche do ano passado. É ainda um ciclista com potencial para as provas por etapas, mas não foi um 2019 tão forte como desejaria. Benoot sentiu que estava na altura de mudar de ares e depois de cinco anos na Lotto Soudal, vai reforçar uma Sunweb à procura de uma figura principal, após a saída de Tom Dumoulin. Mesmo que possa sempre tentar mostrar o seu valor nas grandes voltas, é nas clássicas que o belga quer novamente apostar mais.

A precisar de mais nas corridas de um dia, a Lotto Soudal resolveu recorrer à experiência. Philippe Gilbert vai regressar à equipa na qual conquistou muitas das suas marcantes vitórias. E dele espera-se sempre algo de fenomenal. Já a contratação de John Degenkolb levanta muitas dúvidas. Quando parece que está a regressar ao seu melhor - como quando ganhou a etapa de Roubaix no Tour em 2018 -, o alemão volta a desaparecer no anonimato dos resultados banais. A oportunidade como a que a Lotto Soudal lhe está a dar pode não surgir muito mais vezes.

A equipa não foi tão forte nas clássicas como quer, mas Caleb Ewan compensou a falta de resultados nessas corridas nos sprints. Iria fazer esquecer Greipel? O alemão nunca será esquecido, mas pelo menos Ewan conseguiu que rapidamente se deixasse de falar na partida de Greipel e se falasse da sua chegada triunfal. Foi ao Giro ganhar duas etapas e depois conseguiu finalmente estrear-se no Tour. Na Mitchelton-Scott estava a ser preterido porque a equipa olhava mais para a classificação geral com os gémeos Yates. Foi isso que o fez mudar-se para a Lotto Soudal. Ganhou três etapas e não admira que considere que já deveria ter ido ao Tour mais cedo.

Tem apenas 25 anos e depois de ter assegurado que mais ninguém duvidasse que pode ganhar aos melhores e nos principais palcos - somou ao todo 10 vitórias -, segue-se um 2020 importante para que mostre que saberá lidar com a pressão de ser um dos favoritos.

De referir ainda que a Lotto Soudal apoiou Victor Campenaerts no seu objectivo de se tornar o recordista da hora. Mais uma aposta ganha, com o belga a bater a marca de Bradley Wiggins. Fez 55,089 quilómetros. O belga está de saída para a NTT (novo nome da Dimension Data), depois de uma temporada que, após alcançar o recorde, não decorreu como desejado a nível de resultados.


13 de julho de 2019

Franceses ao ataque em vésperas do Dia da Bastilha

(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Não fosse Thomas de Gendt e este domingo poder-se-ia ter nos jornais desportivos franceses um título como "Vive la France". Seria de sonho tendo em conta que será 14 de Julho, feriado nacional. Também no ciclismo o Dia da Bastilha tem uma forte componente emocional: a seguir a querer ver um francês ganhar o Tour, é ter um ciclista da casa a vencer esta etapa o que mais se deseja no país. O dia vai começar bem, pois Julian Alaphilippe recuperou a camisola amarela e Thibaut Pinot irá partir como o melhor entre os candidatos à geral. A ver vamos se no final da tirada se completará o feriado perfeito, que começou a ser preparado este sábado com uma super etapa dos dois franceses, que têm de partilhar o protagonismo com um belga simplesmente fenomenal. 

É seguro dizer que o entusiasmo vai crescendo por França. Primeiro porque Alaphilippe (Deceuninck-QuickStep) tem essa capacidade de entusiasmar, seja de que nacionalidade for o adepto e vai ser um francês de amarelo no Dia da Bastilha. Segundo porque há muito que não se via um Thibaut Pinot (Groupama-FDJ) assim. No Tour, talvez nunca se tenha visto desde que se assumiu como corredor para tentar conquistar a geral. No Giro sim, já se conhece esta versão de Pinot. É melhor não esperar em demasia, se há algo que se sabe bem é como Pinot cede à pressão da expectativa dos meios de comunicação social e dos adeptos em França, ainda que tenha passado uma imagem que está mais confortável com essa atenção.

É muito bom ver Pinot a correr assim. Em boa forma e com vontade de atacar. Aproveitou a deixa de Alaphilippe que passou para a frente do que restava do pelotão, na última subida, para ir recuperar a camisola amarela que Giulio Ciccone lhe tirou há dois dias. No Côte de la Jaillère estavam em jogo segundos bónus. Alaphilippe foi buscar cinco (De Gendt ficou com oito) e Pinot ficou com os dois restantes.

Tão rapidamente se escreveu aqui que estes bónus ainda não estavam a ser procurados pelos candidatos, como Pinot contrariou essa tendência. Depois foi fazer uma aliança francesa nos cerca de 12 quilómetros finais. Com Alaphilippe a ter o que queria, a amarela, foi Pinot quem ficou no segundo lugar na meta. Ou seja, mais seis segundos de bonificação! Feitas as contas, ganhou 20 segundos na estrada e oito em bónus, o suficiente para passar para a frente numa classificação virtual de candidatos. Nada mau e motivador, certamente!

Não é todos os dias que se vê o segundo e terceiro classificado da etapa tão felizes como quem ganhou. Houve motivos para festejar para todos e ninguém se coibiu de o fazer, especialmente um Alaphilippe a viver um Tour de sonho depois de em 2018 ter feito uma Volta a França espectacular: duas etapas e a camisola da montanha. Agora está com uma etapa conquistada e vai para o quarto dia de amarelo.


(Fotografia: © ASO/Alex Broadway)
Mas lá na frente da etapa esteve um Thomas de Gendt ao seu estilo. É pura classe quando olha para uma tirada e diz que é para ganhar. Esteve praticamente os 200 quilómetros da etapa em fuga, primeiro acompanhado, mas foi perdendo companhia até que sobrou outro senhor das fugas, Alessandro de Marchi (CCC). Mas nem o italiano aguentou e de Gendt ficou sozinho na última subida.

O ciclista da Lotto Soudal quando ganha fá-lo sempre com impacto. São sempre grandes exibições e nos grandes palcos. Em 15 triunfos, só dois não foram em provas World Tour. Segunda vitória no Tour e é um ciclista com conquistas em todas as provas de três semanas, além de se ter tornado no ano passado o primeiro belga a conquistar a camisola da montanha na Vuelta. É uma classificação que também está na luta na Volta a França. Com esta longa fuga e com sete subidas categorizadas (cinco de segunda categoria e duas de terceira), De Gendt soma 37 pontos e está a seis do companheiro da Lotto Soudal e compatriota, Tim Wellens.

Se a movimentação de Alaphilippe era esperada, com a Trek-Segafredo a não se preocupar com a defesa de Ciccone - continua líder da juventude -, já que o principal objectivo se chama Richie Porte, o ataque de Pinot ajudou a animar uma boa etapa que até teve algum drama. Michael Woods (EF Education First) caiu e levou consigo ciclistas da Ineos, incluindo Geraint Thomas. Michal Kwiatkowski fez de mecânico e ajudou a recolocar a corrente da bicicleta do seu líder, mas umas da máquinas da Pinarello ficou em muito mau estado. O quadro partiu (ver vídeo em baixo).
A equipa reagiu muito rapidamente ao sobressalto - Egan Bernal ficou em segurança no pelotão - e depois de minutos de alguma preocupação, Thomas lá reentrou no grupo e até acelerou perto da meta para mostrar novamente que está bem e não é um susto que o vai abater.

Quem ficou de fora da luta pelo menos por um top dez foi Vincenzo Nibali. O líder da Bahrain-Merida não tinha deixado boas indicações na La Planche de Belles Filles e este sábado ficou a ver o topo da geral a mais de cinco minutos. É altura da Bahrain-Merida repensar o que quer deste Tour. Depois de Dylan Teuns ter ganho uma etapa, resta à equipa ir à procura de mais. Rohan Dennis fez um bom Critérium du Dauphiné, terminando no segundo lugar, mas neste Tour está com uma missão diferente e ainda por se perceber ao certo qual. Vai perdendo tempo na montanha e depois do quebra de Nibali, Dennis está agora mais pressionado a pelo menos ganhar o contra-relógio.

Aqui ficam as diferenças entre os candidatos após a oitava etapa, entre Mâcon e Saint-Étienne. Pinot serve de referência, com Alaphilippe a ser o camisola amarela, com Ciccone a ficar a 23 segundos da liderança.

3º Thibaut Pinot (Groupama-FDJ)
4º George Bennett (Jumbo-Visma) a 17 segundos
5º Geraint Thomas (Ineos) a 19
6º Egan Bernal (Ineos) a 23
7º Steven Kruijswijk (Jumbo-Visma) a 34
8º Rigoberto Uran (EF Education First) a 45
9º Jakob Fuglsang (Astana) a 49
10º Emanuel Buchmann (Bora-Hansgrohe) a 52
11º Enric Mas (Deceuninck-QuickStep) a 53
12º Adam Yates (Mitchelton-Scott) a 54
14º Nairo Quintana (Movistar) a 1:11 minutos
15º Mikel Landa (Movistar) a 1:13
16º Daniel Martin (UAE Team Emirates) a 1:16
18º Richie Porte (Trek-Segafredo) a 1:26
23º Romain Bardet (AG2R) a 2:27
26º Fabio Aru (UAE Team Emirates) a 2:55
27º Guillaume Martin (Wanty-Group Gobert) a 2:57

Classificações completas, via ProCyclingStats.

9ª etapa (14 de Julho): Saint-Étienne - Brioude, 170,5 quilómetros



O pelotão vai para o nono dia de dez consecutivos. Este ano a folga será só na terça-feira. A etapa é mais curta e apesar da maior dificuldade até estar no início, aquela terceira categoria final está a pedir novos ataques. Haverá os segundos bónus em disputa (oito, cinco e dois), com os 3,6 quilómetros de extensão a terem uma pendente média acima dos sete por cento. Depois é quase sempre a descer até à meta. Depois de Alaphilippe recuperar a camisola amarela, de Thibaut Pinot se impor frente aos rivais, falta aparecer  outro francês, Romain Bardet (AG2R), que terá uma motivação extra: a meta está na sua terra natal. E está a precisar bastante de uma boa exibição e de recuperar algum tempo para poder aspirar no mínimo a um top dez.




»»Segundos bónus ainda não seduziram os candidatos««

»»Pequenos testes, alguns sinais, mas todos tentaram principalmente sobreviver à La Planche des Belles Filles««

3 de dezembro de 2018

Ambiente nos bastidores não afastou Lotto Soudal das vitórias

(Fotografia: © Photo News/Lotto Soudal)
A querer dar um salto qualitativo na sua estrutura, a Lotto Soudal acabou por viver uma guerra de bastidores que levou à saída de uma das maiores referências da equipa e a um ambiente que os ciclistas não gostaram, ainda que tenham reagido com vitórias, algumas marcantes,. Mas não foi fácil digerir a anunciada saída de André Greipel. O alemão foi um líder durante oito temporadas, um vencedor. Contudo, a conturbada relação com o novo director geral acabou com a longa ligação e ameaçou a estabilidade da Lotto Soudal.

Apesar de ser uma equipa por norma ganhadora, principalmente em sprints, etapas e em algumas clássicas, a Lotto Soudal não é das equipas economicamente mais poderosas, mas a contratação de Paul de Geyter para o cargo de director geral tinha como objectivo angariar mais patrocinadores e construir uma equipa mais forte. Porém, enquanto na estrada Tiesj Benoot, Tim Wellens, Thomas de Gendt e o próprio Greipel iam somando bons resultados, longe dos olhares públicos a equipa não vivia uma fase estável.

A negociações para renovar o contrato de Greipel terminaram com o alemão a acusar Geyter de ser mentiroso e o sprinter assinou antes pela francesa Arkéa-Samsic (actual Fortuneo-Samsic), optando por descer ao escalão Profissional Continental a continuar na equipa em que viveu os melhores momentos da carreira. Apesar de Greipel já estar a demonstrar alguma dificuldade para bater os grandes nomes do sprint nas principais corridas, o peso do alemão continuava a ser grande na equipa, mesmo aos 36 anos. Este ano conquistou oito das 25 vitórias da Lotto Soudal. Já não ganha tanto, mas terá sempre de ser visto como um dos melhores. O seu currículo assim exige.

O ambiente era de tal forma pesado, que um ciclista terá mesmo avisado o director desportivo Marc Sergeant - que com a chegada de Geyter ficou apenas dedicado à vertente desportiva da equipa - que a família se estava a desfazer. "O Paul está a olhar para isto como um negócio, mas isto não é um negócio", terá dito.

Mas enquanto se procurava alguma tranquilidade nos bastidores, a verdade é que a Lotto Soudal teve uma temporada positiva, sem ser fenomenal, tendo ganho uma etapa na Volta a Itália (Tim Wellens) e uma na Vuelta (Jelle Wallays), como Thomas de Gendt a tornar-se no primeiro belga a ser o rei da montanha na grande volta espanhola.


Ranking: 15º (4700,01 pontos)
Vitórias: 25 (incluindo a Strade Bianche e uma etapa no Giro e na Vuelta)
Ciclista com mais triunfos: André Greipel (8)

Outro dos grandes momentos da temporada aconteceu na fase das clássicas da Primavera. Uma das contratações tinha sido a de Tom Boonen, que se tornou num conselheiro na equipa rival da Quick-Step Floors, que representou praticamente toda a sua carreira. Pouco depois da sua chegada, coincidência ou não, Benoot finalmente confirmou créditos nas clássicas com um daqueles triunfos com contornos épicos, numa Strade Bianche que se vai consagrando como uma das corridas mais espectaculares do calendári. Benoot escapou à companhia de Romain Bardet (AG2R) e de Wout van Aert (Vérandas Willems-Crelan) - um nome que ainda teria a sua influência no desenrolar de certos acontecimentos na Lotto Soudal -, para chegar à meta com aquele aspecto enlameado, que tanto ajudou a dar um efeito ainda mais dramático a um grande momento deste ciclista belga.

Benoot acabou por se apagar um pouco após o Critérium du Dauphiné, pois uma queda no Tour prejudicou a sua condição física, que nem para a Vuelta recuperou. Também Tim Wellens realizou uma primeira fase de temporada muito forte. Venceu a Ruta del Sol, foi quinto no Paris-Nice, foi ainda ganhar a clássica De Brabantse Pijl-La Flèche Brabanconne e esteve bem nas Semana das Ardenas. Aos 27 anos, o belga confirmou com boas vitórias a sua capacidade para corridas de uma semana e de um dia.

Porém, apesar de alguma expectativa para o Giro, Wellens cedo avisou que não estava interessado em lutar por top dez, nem nada parecido. Não parece ter como objectivo ser um voltista, pelo menos não para já, mas em Itália ganhou uma etapa. Missão cumprida. Mais para o fim da época, ainda conquistou a Volta à Valónia e foi fazer quinto na Lombardia.

Mesmo sem Greipel a ganhar nas grandes voltas, a Lotto Soudal continua a "picar o ponto". Não conseguiu no Tour e já se sabe o peso que tem um triunfo na corrida francesa, mas a prestação de De Gendt na Vuelta, envolvido em tantas fugas e garantindo a classificação da montanha e a vitória de etapa de Jelle Wallays, selaram uma temporada nas provas de três semanas com razões para a equipa ficar satisfeita. De Gendt ainda juntou à sua excelente temporada, vitórias em etapas na Volta à Catalunha e na Romandia.

A pensar no futuro próximo, a Lotto Soudal contratou Bjorg Lambrecht, um dos jovens belgas a quem chamam de novo Merckx, que teve um ano de adaptação ao World Tour, com presença na Vuelta e uma vitória de etapa na Volta aos Fiordes. Tem apenas 21 anos, pelo que ainda há um processo de evolução em curso, mas poderá ser aposta para a equipa.

Chegada de Caleb Ewan e uma frustração chamada Van Aert

A contratação do pequeno sprinter australiano Caleb Ewan, como substituto de Greipel, nem foi mal recebida, numa perspectiva de rejuvenescimento da Lotto Soudal. Porém, o trabalho de Geyter continuava a estar demasiado no centro das atenções. Além de não ter conseguido qualquer novo patrocínio de forma a reforçar o orçamento da equipa, como era a sua função, o enorme desejo dos responsáveis da Lotto Soudal em contratar e emergente estrela Wout van Aert tornou-se numa ainda maior frustração. Geyter nunca terá feito qualquer oferta de contrato ao ciclista, que acabaria por assinar para 2020 pela Lotto-Jumbo, uma equipa holandesa.

Adam Blythe, Roger Kluge e Brian van Goethem são outros dos reforços, mas é a contratação de John Lelangue que mais se espera que traga à equipa a estabilidade muito ambicionada depois da má experiência com Geyter, que recebeu ordem de saída. Lelangue já foi director na BMC e antes na Phonak e era um dos nomes apontados antes de ter sido Geyter a escolha.

A Lotto Soudal quer reconstruir a sua família em 2019, continuar a vencer e retomar o crescimento que procura. Wellens, De Gendt (que pretende fazer as três grandes voltas na próxima época) e Benoot serão os principais líderes, com Ewan a ter a missão de fazer esquecer um Greipel que será sempre uma das grandes figuras da Lotto Soudal. Foram 95 vitórias, incluindo 11 na Volta a França, sete no Giro e quatro na Vuelta. De destacar ainda as 18 no Tour Down Under, na terra de Ewan, com Greipel a contar ainda com duas vitórias na geral da corrida que abre o calendário World Tour.

Permanências: Tiesj Benoot, Tim Wellens, Thomas de Gendt, Victor Campanaerts, Adam Hansen, Armée Sander, Jasper de Buyst, Frederik Frison, Jens Keukeleire, Bjorg Lambrecht, Nikolas Maes, Tomasz Marczynski, Remy Mertz, Maxime Monfort, Lawrence Naesen, Tosh van der Sande, Jelle Vanendert, Jelles Wallays, Harm Vanhoucke e Enzo Wouters.

Contratações: Caleb Ewan (Mitchelton-Scott), Adam Blythe (Aqua Blue Sport), Roger Kluge (Mitchelton-Scott), Brian van Goethem (Roompot-Nederlandse Loterij), Carl Fredrik Hagen (Joker Icopal), Rasmus Byriel Iversen (General Store Bottoli Zardini), Stan Dewulf e Gerben Thijssen (Lotto Soudal sub-23 - estagiaram na equipa principal desde Agosto).

»»Poucos triunfos, mas duas histórias que marcaram 2018««

»»José Gonçalves um dos poucos que se salvou de uma época para esquecer««

19 de outubro de 2018

Mil quilómetros depois, férias!

(Fotografia: Twitter Thomas de Gendt)
Ponto final na aventura de Thomas de Gendt e Tim Wellens. Mil quilómetros depois, numa viagem que os levou de Como, na Lombardia, até Semmerzake, na Bélgica, os ciclistas da Lotto Soudal vão finalmente de férias. "A Última Fuga" (#TheFinalBreakway), como chamaram a este derradeiro desafio de 2018, demorou os previstos seis dias, com a meteorologia a ser bem simpática para a dupla e só com dois furos como percalço maior, o último a cinco quilómetros da chegada!

"Estou feliz por estar em casa, mas foi uma grande aventura e uma experiência maravilhosa", salientou De Gendt. A última etapa desta forma diferente de terminar a temporada foi a mais longa das seis. Para completar os 200 quilómetros finais, os dois belgas levantaram-se às seis da manhã, para pouco depois, ainda antes do sol nascer, estarem a pedalar rumo a casa. Pelo menos à casa de De Gendt, pois Wellens irá aproveitar para visitar a família antes de ir para o Mónaco, onde mora. Mas de avião.


(Fotografia: Twitter Thomas de Gendt)
Os dois começaram em Maio a planear esta viagem. Depois de acabarem o último monumento do ano, na Lombardia - que terminou em Como -, decidiram regressar à Bélgica de bicicleta. Viajaram o mais leve possível, mas tiveram ainda assim de ter um peso extra, que tiveram de transportar mesmo durante as subidas. "Apesar da bagagem que tínhamos na bicicleta, conseguimos ainda assim uma velocidade de 30 quilómetros [por hora] esta semana. Tivemos sorte com o tempo. Só ontem não vimos o sol e tivemos maioritariamente o vento pelas costas durante as etapas. Só tivemos dois furos esta semana: no topo do Grand Ballon [França] e hoje [sexta-feira] a cinco quilómetros do fim", explicou De Gendt.

O primeiro belga a ser o rei da montanha na Bélgica (31 anos) acumulou quase 13 mil quilómetros só em competição durante 2018. Foram muitos mais os de treino e termina agora com mais mil na aventura final do ano. Wellens (27) somou quase 10.500, numa época também positiva para este ciclista, com vitórias na Ruta del Sol, Volta à Valónia, a clássica De Brabantse Pijl-La Flèche Brabanconne e ainda uma etapa no Giro.

"Gostámos muito. Ontem jantámos com o Maxime Monfort [companheiro na Lotto Soudal] e no dia antes, o Lars Bak [outro colega de equipa] deixou-nos uma surpresa no hotel. Pudemos apreciar a natureza ao longo do percurso, algo impossível durante uma corrida. Fisicamente ainda estamos bem, mas também felizes por ir de férias", disse De Gendt, que não escondeu que tanto ele como Wellens ficaram surpreendidos com o apoio que receberam das muitas pessoas que seguiram a aventura.

Mas será que é para repetir? "Não nos arrependemos desta aventura, mas não fazemos promessas que a vamos repetir." Os ciclistas e a Lotto Soudal foram partilhando fotografias deste desafio nas redes sociais. Apesar da distância, De Gendt e Wellens até chegaram a fazer um desvio até à Alemanha, como forma de homenagem a mais dois colegas de equipa, André Greipel e Marcel Sieberg. Ambos estão de saída para a Fortuneo-Samsic e Bahrain-Merida, respectivamente.

Quanto à surpresa de Lars Bak, umas Coca-Colas e uns bolos estavam à espera da dupla quando chegaram ao hotel, em Gonderange.

Agora é altura de descansar, para depois começar a preparar a temporada de 2019.

»»Para terminar a época, que tal mil quilómetros de bicicleta para regressar a casa?««

»»O Gladiador quer estar no Paris-Roubaix 20 anos depois de o ter ganho««

6 de outubro de 2018

Para terminar a época, que tal mil quilómetros de bicicleta para regressar a casa?

(Fotografia: Twitter Thomas de Gendt)
Um tem mais de 12 mil quilómetros feitos em 2018 só em competição. Outro está a aproximar-se dos dez mil e vai ultrapassá-los nas duas corridas que lhe faltam no calendário. Mas não se pense que Thomas de Gendt e Tim Wellens estão a pensar em descansar quando finalmente a época terminar. Não vão regressar a casa confortável e rapidamente num avião. Não. Depois da Lombardia vão pegar nas bicicletas e vão pedalar até casa, na Bélgica. Ou seja, serão mais uns mil quilómetros para acrescentar a uma contagem que é bem maior do que a aqui apresentada, pois foram certamente foram muitos milhares os que fizeram em treino.


De Gendt foi o primeiro belga a ser o rei da montanha
na Vuelta (Fotografia: © PhotoGomezSport/La Vuelta)
Objectivamente será o regresso a casa de De Gendt (31 anos), pois a "meta" será em Semmerzake, onde mora. Wellens (27) vai aproveitar para visitar a família antes de seguir para o Mónaco, onde vive. E já não irá de bicicleta.

Esta não foi uma ideia que tenha surgido agora. Desde Maio que o duo começou a preparar o desafio de fazer os cerca de mil quilómetros entre Como, onde acabará o último monumento do ano (241 quilómetros), no próximo sábado, e a terra de De Gendt.

Suíça, França, Luxemburgo, antes de chegarem às Ardenas e à Flandres. Thomas de Gendt partilhou a rota escolhida no Strava, que será dividida por seis dias. Os hotéis estão reservados e o material escolhido. O belga que venceu a camisola da montanha na Vuelta, mostrou como irão transportar o que precisam. Não irão com muita bagagem, o que percebe-se, tendo em conta que o terreno que os espera não é exactamente plano. Uma mala presa no guiador, outra no quadro e uma última no selim, como se pode ver na fotografia em cima.


Wellens ganhou uma etapa no Giro em Caltagirone
(Fotografia: Giro d'Italia)
Tim Wellens, tal como De Gendt, realizou uma época positiva na Lotto Soudal, com destaque para a vitória de etapa no Giro. "Vamos atirar a nossa bagagem para a bicicleta em Itália e ir de hotel em hotel. Com calma, sem grandes pressas", disse De Gendt ao jornal belga Het Nieuwsblad.

Um longo passeio para concluir uma longa temporada. Thomas de Gendt começou logo no Tour Down Under, na Austrália, com Wellens a ficar pela Europa, arrancando em Espanha, vencendo a segunda das corridas de um dia. De Gendt concluiu o Tour e a Vuelta, Wellens abandonou no Giro e no final de temporada esteve nas clássicas do Canadá, antes de ir aos Mundiais. Em Agosto venceu a Volta à Valónia.

Especificamente, foram 87 dias de competição e 12.583 quilómetros para De Gendt, sendo que estará na clássica Milano-Torino, mas não está confirmada a presença na Lombardia. Aí estará certamente Wellens, salvo alteração de última hora, que estará também na Milano-Torino, aumentando assim a contagem de 61 dias e 9942 quilómetros que tem até ao momento.

Percurso (com links para o Strava de Thomas de Gendt):
Dia 1: Como - Fluelen, 183,35 quilómetros
Dia 2: Fluelen - Saint-Louis, 150,85 quilómetros
Dia 3: Saint-Louis - Luneville, 191 quilómetros
Dia 4: Luneville - Gonderange, 156,53 quilómetros 
Dia 5: Gonderange - Chevron, 120,83 quilómetros
Dia 6: Chevron - Semmerzake, 200 quilómetros

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30 de novembro de 2017

Apagão de Greipel e os heróis improváveis que salvaram a época da Lotto Soudal

Um gesto que se viu tão pouco este ano por parte de Greipel
(Fotografia: Giro d'Italia)
André Greipel eclipsou-se e a Lotto Soudal tremeu. Valeu que em alturas como estas, quando uma equipa tem ciclistas de qualidade, há sempre a possibilidade de surgirem uns heróis improváveis. Que o diga Tomasz Marczynski, o polaco que foi à Vuelta vencer duas etapas e ajudar a Lotto Soudal a recompor uma temporada mais discreta, muito porque o seu sprinter teve o seu pior ano desde 2007, altura em que era lançador de Mark Cavendish na T-Mobile. Mas a formação não teve só Greipel a render menos. Tony Gallopin passou mais um ano sem confirmar as eternas expectativas e tornou-se claro que o seu tempo na equipa belga tinha chegado ao fim. Com apenas uma vitória em 2017 e com uma Volta à França muito aquém - ficou fora do top 20 - o francês vai rumar à AG2R.

Porém, o que preocupa mesmo a Lotto Soudal é Greipel. Não é equipa para lutar por uma geral do Giro, Tour ou Vuelta e, por isso, não haverá grande preocupação com a saída de Gallopin, mas aposta tudo na vitória de etapas. E o alemão tem sido a grande referência. Só somou cinco triunfos, incluindo na Volta a Itália (até vestiu a camisola rosa por um dia) e no Algarve, onde ganhou também a classificação por pontos. Pior só mesmo em 2007 quando ganhou por duas vezes e desde 2011 que não somava menos de 10 triunfos. A chama apagou-se, o próprio não escondeu o desânimo: "Perdi completamente o meu instinto na bicicleta." Crónico vencedor de etapas nas grandes voltas, ganhava pelo menos uma nas que participava desde 2008. No Tour não deu para esconder mais que não tinha capacidade para fazer frente ao super Kittel e mesmo quando o rival alemão já não estava em prova, perdeu para Dylan Groenewegen nos Campos Elísios.


Ranking: 13º (5466 pontos)
Vitórias: 25 (incluindo uma etapa no Giro, quatro na Vuelta e uma na Volta ao Algarve)
Ciclista com mais triunfos: Tim Wellens (7)

Se a estatística dissesse tudo, então dir-se-ia que a Lotto Soudal fez uma temporada dentro do normal. Porém, há mais além dos número. Para uma equipa do estatuto e orçamento da belga, são precisas vitórias importantes. Valeu Marczynski, que aos 33 anos somava triunfos em provas secundárias quando esteve nos escalões inferiores, mas estava na equipa como homem de trabalho e nada mais. Dupla vitória na Vuelta é para não mais esquecer! Thomas de Gendt - que também ganhou no Critérium du Dauphiné - deu um toque de história ao tornar-se num ciclista a vencer etapas nas três grandes, enquanto Sander Armée (31) também apareceu para garantir então quatro vitórias para a Lotto Soudal na Vuelta. Mais um ciclista a conquistar a vitória mais importante da carreira, a única diga-se, de forma inesperada. Sim, é caso para dizer que a temporada ficou salva na Volta a Espanha.

Apesar dos 35 anos, a equipa não irá desistir de Greipel em 2018 e não seria descabido tentar que o alemão até apostasse um pouco mais nas clássicas. Porém, os responsáveis irão exigir mais de ciclistas que está na altura de elevarem o seu ciclismo a outro nível. Caso de Tim Wellens. Aparece aqui e ali, soma uma ou outra vitória - como no Giro no ano passado -, mas este belga de 26 anos pode e deve fazer mais. Ganhou sete vezes em 2017, mas demora a afirmar-se nas grandes corridas. Terá de assumir outra responsabilidade na equipa e não passar tanto tempo despercebido. Tem qualidade para muito mais.

A carreira de Tiesj Benoot tem sido gerida com muito cuidado e com razão. Eis um jovem de grande potencial e há que não precipitar. No entanto, já demonstrou que pode lutar por vitórias em corridas importantes, tanto em clássicas, ou mesmo em algumas por etapas. Mas é nas de um dia que a Lotto Soudal poderá tentar tirar mais partido no imediato do belga de 23 anos, que em 2017 deixou indicações que está pronto para assumir outra relevância na equipa. A chegada de Jens Keukeleire (Orica-Scott) vem reforçar o bloco de clássicas e em boa hora.

2017 foi um ano que soube a pouco para uma Lotto Soudal habituada a estar na ribalta. Será o fim de um ciclo com Greipel? Independentemente do que o ciclista faça em 2018, a equipa terá de preparar o futuro pós-Greipel e assim continuar a ser uma das mais fortes do pelotão, no que diz respeito a conquistas de etapas nos grandes palcos da modalidade.

»»Nibali cumpriu o mínimo exigido na equipa em que os petrodólares prometiam mais««

»»Um ano com Scarponi no pensamento e com as vitórias a escassearem««

»»Bons ciclistas a ficarem cada vez melhor, mas falta mais equipa à Lotto-Jumbo««

22 de agosto de 2017

Trentin entra para um grupo restrito que De Gendt persegue

Trentin foi o mais forte no sprint em Tarragona
(Fotografia: Facebook Matteo Trentin)
Matteo Trentin pode não ter muitas vitórias na carreira (12), mas tem as que precisa para entrar num restrito grupo de ciclistas. Vencer numa grande volta não é para qualquer um. Vencer nas três só é para 100. E o italiano é esse centésimo. O próprio não estava a conseguir "encaixar" muito bem a vitória na Vuelta e ainda menos o feito de ter vencido pelo menos uma etapa no Giro, Tour e na corrida espanhola. Trentin pode não ser aquele ciclista que recordamos como um grande sprinter. A sua carreira tem sido marcada como homem de trabalho, de confiança para os sprinters que foram passando pela estrutura da Quick-Step Floors. Até se falava que Marcel Kittel queria Trentin a seu lado quando assinasse por uma nova equipa. Não vai acontecer. O dia foi de emoções para o ciclista de 28 anos, que toda a carreira de profissional foi feita na estrutura da formação belga. Vai para a Orica-Scott e até se baralhou nas declarações após a vitória.

O discurso inicial era quase como se já não fosse ciclista da equipa, mas mudou e reforçou o "nós" e vez do "eles". Trentin queria um último grande triunfo para o adeus. Ele que andou na sombra de Mark Cavendish e Kittel ou então de Tom Boonen, nesta caso mais nas clássicas. Quando surgiu a oportunidade agarrou-a, umas vezes com a vitória. Foi assim no Tour em 2013 e 2014, no Giro em 2016 e agora na Vuelta. Na Orica-Scott, Trentin poderá encontrar um estatuto mais importante, principalmente no que diz respeito às clássicas, mas também nos sprints, ainda que neste aspecto terá sempre um Caleb Ewan como a opção número um.

Trentin entra assim num grupo em que Fabio Aru passou a fazer parte no último Tour, no qual já estão Nairo Quintana, Alejandro Valverde e, recuando um pouco no tempo Eddy Merckx e Bernard Hinault. Entre os sprinters, Mark Cavendish também venceu nas três grandes voltas, tal como Marcel Kittel, André Greipel e Mario Cipollini. A título de curiosidade, Alberto Contador e Chris Froome não estão neste grupo, pois falta-lhes uma vitória na Volta a Itália.

Nesta Vuelta há mais um candidato a aumentar a contagem para 101. Thomas de Gendt tem um objectivo principal no que resta da sua carreira: vencer uma etapa na Vuelta. Já tem no Giro e no Tour e a confissão do que o belga procura foi feita pela própria equipa, Lotto Soudal, ao Cycling News.

De Gendt já admitiu algum cansaço depois de ter feito o Tour, mas isso não significa que tenha apontado tentar a desejada vitória em determinadas em etapas. Olhando para as suas conquistas - em 2012 venceu no Stelvio (Giro) e em 2016 no Mont Ventoux (a etapa foi encurtada devido ao vento e ficou famosa pela corrida a pé de Chris Froome) -, para fazer um triplete perfeito, então vencer o Angliru seria algo de fenomenal. Quando se fala de Thomas de Gendt, só se pode pensar "e porque não?"

Pode nunca se ter tornado no voltista que em 2012 se pensou, depois do terceiro lugar no Giro. Capaz do melhor e do pior, quando De Gendt faz o melhor, é um ciclista impossível de não se gostar de ver. Vamos ficar atentos ao belga nesta Vuelta.

Um dia calmo porque vêm aí as etapas "rompe pernas"


Esta terça-feira foi um dia atípico na Vuelta. Também os há, mas estamos tão habituados a ver acção nesta corrida, que quando surge uma etapa em que nada se passa além da fuga, perseguição e sprint final, até achamos estranho. Mas percebe-se. Depois do contra-relógio colectivo foram duas etapas infernais, primeiro por causa do vento e depois porque logo ao terceiro dia entrou-se na alta montanha. Descansou-se então um pouco na quarta e agora é subir e descer até domingo. Já nesta quarta-feira é um dos dias chamados de "rompe pernas" (imagem em cima).

Matteo Trentin deu a segunda vitória à Quick-Step Floors, depois de Yves Lampaert ter ganho na segunda etapa. Já "só" faltam três para igualar a marca alcançada no Giro e no Tour: cinco tiradas. Pela negativa esteve Daniel Moreno, que caiu já perto do final da tirada, perdendo 1:38 minutos. A Movistar tem agora como melhor classificado na geral o colombiano Carlos Betancur, a 1:35 de Chris Froome.


Summary - Stage 4 - La Vuelta 2017 por la_vuelta

24 de dezembro de 2016

Thomas de Gendt ajuda a recuperar memorial de Tom Simpson no Mont Ventoux

O último vencedor na etapa do Mont Ventoux, na Volta a França, resolveu terminar uma recuperação do memorial de Tom Simpson na mítica subida e que desde 2014 esperava pelos arranjos após de anos de ventos fortes e constante mau tempo terem danificado a pedra e os degraus. Thomas de Gendt tomou a iniciativa e ajudou bastante estar numa equipa cujo um dos patrocinadores até tem experiência nestas recuperações: Soudal.

O belga venceu no Mont Ventoux este ano, uma etapa memorável para De Gent que recuperou espectacularmente depois de ter perdido contacto com os líderes, acabando por conquistar uma das subidas mais míticas do ciclismo. E claro que também houve a corrida de Chris Froome, que retirou algum protagonismo à brilhante vitória do corredor da Lotto Soudal. Nesse dia, os ventos fortes obrigaram a um corte na etapa e no vídeo publicado sobre a recuperação do memorial, De Gent explica que quis terminar o que faltou da subida e aproveitar para concluir um local de peregrinação para muitos ciclistas, que aproveitam para deixar bidões, chapéus ou flores como homenagem. Quando estão em competição, alguns dos ciclistas baixam a cabeça em respeito por um dos atletas que marcou a modalidade.

Em 2013, o memorial - inaugurado pela mulher do ciclista em 1968 - não aguentou os ventos fortes que dão nome à subida e acabou por ficar parcialmente destruído (fotografia à direita). No ano seguinte a pedra foi restaurada, mas os degraus não. Com uma ajuda de De Gent e da Soudal e na presença de uma das duas filhas do ciclista, o memorial está como novo. Joanne referiu como o local é especial para ela, sendo uma ligação ao pai, que morreu quando ela tinha três anos.

Tom Simpson subia o Mont Ventoux numa etapa da Volta a França em 1967 quando colapsou a cerca de um quilómetro do cume (do lado este). É precisamente nesse local que foi construído o memorial, uma iniciativa de uma revista - a actual Cycling News - que angariou cerca de 1500 libras. O britânico tinha apenas 29 anos.

(Fotografia: Panini)
Na autópsia foi revelado que o ciclista tinha ingerido anfetaminas e álcool, uma mistura que com a contribuição do calor que se fazia sentir nesse dia acabou por ser fatal. Simpson conquistou o bronze olímpico na pista (perseguição por equipas) em 1956, em Melbourne, mas deixou os velódromos para se tornar uma referência da modalidade na estrada. Especialista em clássicas, venceu a Volta a Flandres (1961), a Milano-Sanremo (64) e o Giro di Lombardia (65). Nesse mesmo ano sagrou-se campeão mundial. Em 1967, chegou à Volta a França com uma vitória no Paris-Nice e duas etapas na Vuelta.

Simpson nunca escondeu o uso de drogas para melhorar a sua performance, numa altura em que não havia as regras e os controlos de agora. Outros tempos do ciclismo... Tom Simpson era um dos corredores mais admirados e a sua trágica morte contribuiu para a criação de uma das maiores lendas da modalidade.