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13 de dezembro de 2019

"Em África também temos muitos ciclistas talentosos"

(Fotografia: © Team Astana)
Merhawi Kudus tornou-se numa das referência do ciclismo africano, sendo um dos ciclistas que ascendeu ao mais alto nível no projecto da MTN-Qhubeka (Dimension Data no World Tour). Até parece difícil acreditar que Kudus ainda nem tenha completado 26 anos, pois há muito que se fala dele e se olha para este ciclista como um dos africanos que poderá vencer em grandes corridas. Na Astana encontrou uma equipa à sua medida e depois de um 2019 de adaptação, está preparado para mais responsabilidade e procurar concretizar um dos seus objectivos de carreira: ganhar uma etapa na Volta a França. 

O eritreu esteve recentemente em Portugal, a convite da comissária internacional portuguesa Isabel Fernandes, uma profunda conhecedora do ciclismo africano, com uma vasta experiência em corridas realizadas naquele continente. Kudus foi um dos ciclistas presentes na Gala dos 120 anos da Federação Portuguesa de Ciclismo, um momento de descontracção antes de começar o trabalho para 2020. A Astana demonstrou confiar em Kudus, o primeiro africano a representar esta formação, ao renovar o contrato por dois anos e o ciclista quer retribuir essa aposta com boas exibições e resultados.

Com Rui Costa e Ruben Guerreiro, por exemplo, também presentes na gala, Kudus deixou um elogio: "Os portugueses são dos ciclistas de maior nível no mundo, como se pode ver com o Rui Costa e outros corredores. São muito talentosos." Mas não hesitou em dizer ao Volta ao Ciclismo: "Em África também temos muitos ciclistas talentosos, mas não existem as oportunidades como as que existem na Europa. É uma diferença enorme." Kudus considera essencial que os jovens corredores possam "ter acesso ao básico". "Temos de passar por todos os passos desde os juniores, nos sub-23 e temos de nos adaptar a todas as condições."


"É muito fácil trabalhar com Alexander Vinokourov. Ele é muito directo e muito organizado"

Kudus teve essa possibilidade de adaptar-se a uma dura realidade como é a do ciclismo, com todo o apoio necessário, quando integrou a MTN-Qhubeka em 2014, estreando-se logo nesse ano na Vuelta, que entretanto já fez por quatro vezes. Em 2015 foi ao Tour - nesse ano o seu companheiro e compatriota Daniel Teklehaimanot fez história ao vestir a camisola da montanha durante quatro dias - e em 2016, já com a equipa como World Tour, o eritreu foi ao Giro. Evoluiu numa estrutura que tinha como objectivo abrir as portas aos ciclistas africanos. Mas a Astana foi um passo desejado.

"Foi uma grande mudança, pois há uma grande diferença entre as equipas. Na Dimension Data apostam mais nos sprinters e na Astana luta-se mais pelas classificações gerais. Claro que, dadas as minhas características, eu prefiro a Astana", salientou. Trabalhar com Alexander Vinokourov, o director da estrutura cazaque é "super fácil", segundo Kudus: "É muito fácil trabalhar com ele. Ele é muito directo e muito organizado."

A primeira temporada deste puro trepador na Astana foi positiva, vencendo duas etapas e a geral na Volta ao Ruanda, além de boas prestações em provas do World Tour, quase sempre na ajuda aos seus líderes. Contudo, não foi a nenhuma corrida de três smeanas. Por isso, para 2020 tem desde logo um objectivo: "Quero voltar a uma grande volta. Após o estágio vou saber o meu calendário, mas sim, quero estar numa das grandes voltas." E quando se fala do que mais gostaria de concretizar na carreira, Kudus responde rapidamente: "É muito difícil competir nestas corridas, principalmente tendo em conta que compito muito nas de World Tour. Mas o que eu gostaria era de ganhar uma etapa na Volta a França."

Perante a sua afirmação ao mais alto nível, as pedalas de Kudus são seguidas com atenção no seu país. O próprio contou que na Eritreia o ciclismo é das modalidades mais populares e que se procura saber as notícias sobre ele e outros atletas. "Estamos a inspirar os jovens para tentarem ser ciclistas", frisou.

Natnael Berhane (Cofidis) e Amanuel Ghebreigzabhier (Dimension Data), por exemplo, são outros compatriotas de sucesso e a Eritreia é o país africano que vai estando mais representado no ciclismo além da África do Sul. Neste caso, Daryl Impey (Mitchelton-Scott) ainda este ano venceu uma etapa na Volta a França, enquanto Louis Meintjes (Dimension Data) já fez top dez. Porém, fora deste país - da Dimension Data -, ainda há muito potencial por descobrir, mas aos poucos, ciclistas como Kudus vão abrindo caminho e mostrando o que o ciclista africano pode fazer aos mais alto nível se lhe for dada essa oportunidade.

E se o Ruanda conseguir organizar os Mundiais de 2025 - já apresentou a candidatura -, percebe-se porque tal é visto como um potencial ponto de viragem para o ciclismo africano.

»»"Espero continuar a ser um ciclista atacante e não perder a minha identidade"««

»»"Talvez seja das provas mais duras em que vou representar o meu país"««

25 de novembro de 2017

Uma Dimension Data a precisar de mudanças

(Fotografia: Stiehl Photography/Dimension Data)
Tão rapidamente a Dimension Data pensou que tiraria todo o partido de um espectacular regresso de Mark Cavendish às muitas e grandes vitórias, como um ano depois tudo se tornou num pesadelo. Menos mal que a vontade da UCI de criar um sistema de subidas e descidas de escalão não está em vigor, pois a formação sul-africana teria tido uma enorme desilusão. Fiel às origens de uma equipa que quer ser a montra do ciclismo africano, ao subir para o World Tour precisou de algo mais para dar nas vistas. Esse "algo" foi Cavendish. Porém, em 2017 ficou claro como é um risco apostar em demasia num ciclista. A época da Dimension Data ficou marcada pela mononucleose do sprinter britânico e da queda que sofreu no Tour, no incidente com Peter Sagan.

Cavendish venceu uma etapa a abrir o ano em Abu Dhabi. Em 2016 foram nove, mais a geral Qatar, destacando-se, naturalmente, as quatro etapas na Volta a França. Perante os fracos resultados e exibições desta temporada - a doença não só limitou o ciclista, como obrigou-o a uma paragem -, Cavendish só teve uma forma de descrever o seu 2017: "Foi uma merda!" Não há muito a dizer depois disto.

A responsabilidade de uma temporada abaixo do desejado não pode ser só de Cavendish. A Dimension Data tem um plantel de qualidade, a começar precisamente pelo contingente africano. No entanto, se no escalão Profissional Continental o dar nas vistas era suficiente, ao que se juntava aqui e ali uma conquista mais relevante, como equipa do World Tour o nível de exigência é outro e falta maior e melhor consistência nos resultados pode tornar-se num problema a curto/médio prazo. Por mais que o projecto esteja ligado à ajuda em entregar bicicletas a crianças e jovens do continente africano, estamos a falar de ciclismo profissional e os patrocinadores querem ser falados e não ser apenas notas de rodapé nas corridas.


Ranking: 18º (2575 pontos)
Vitórias: 25 (incluindo uma etapa no Tour e no Giro)
Ciclista com mais triunfos: Edvald Boasson Hagen (10)


Foram 25 vitórias em 2017, mas somente três em corridas do World Tour. Ainda assim, quando se ganha no Giro e no Tour, pelo menos cumpre-se o objectivo de mostrar a equipa nas grandes voltas. Perante a temporada mais fraca, estes triunfos valem ouro. E nada como recorrer a dois ciclistas que tendem a dar sempre alguma alegria: Omar Fraile e Edvald Boasson Hagen para assegurar as duas importantes vitórias. Dias antes o noruguês tinha tido o dissabor de perder para Marcel Kittel (Quick-Step Floors) por apenas seis milímetros! Boasson Hagen foi o ciclista mais ganhador da equipa: 10 triunfos, a maioria pelas suas terras. Desta feita Stephen Cummings não picou o ponto nas grandes voltas, mas sagrou-se campeão britânico de estrada e contra-relógio. No entanto, a equipa sentiu a falta daquele britânico que numa fuga lança o pânico no pelotão. Ainda tentou, só que este ano não conseguiu.

Voltando aos africanos, Daniel Teklehaimanot e Natnael Berhane são ciclistas de reconhecida qualidade, mas, e como por vezes se diz, falta o clique. Porém, falta principalmente uma voz de comando para as grandes voltas e a Dimension Data vai colmatar essa vaga com o regresso de Louis Meintjes. Com um objectivo de colocar o sul-africano a lutar por pódios e em três anos estar mesmo na luta para ganhar o Tour, fica claro que a formação prepara-se para uma mudança de paradigma e que permitirá tirar mais partido dos bons trepadores que tem.

Merhawi Kudus, por exemplo, tem apenas 23 anos e um potencial tremendo. É provável que comece a ser aposta mais forte. Foi segundo na quinta etapa da Vuelta, mas infelizmente abandonou dois dias depois devido a uma queda. Aliás, a Dimension Data teve uma Vuelta para esquecer, com apenas três ciclistas a chegarem ao fim. Kudus e Meintjes podem liderar uma nova era na Dimension Data pós-Cavendish. Mas o britânico ainda terá o seu espaço para perseguir o recorde de Eddy Merckx no Tour, pelo menos durante mais um ano: "só" faltam quatro vitórias de etapas para igualar o belga.

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